Open-access Avaliação e tradução: considerações sobre a análise computadorizada de erros

Assessment and translation: Reflections on computer-assisted error analysis

Resumo

Perdurou por muito tempo na área da tradução métodos avaliativos pouco criteriosos, baseados em níveis de correspondência com o texto de partida e pautados por princípios genéricos e não definidos de fidelidade e equivalência. Na avaliação de traduções, no âmbito de ensino, a conferência magistral, isto é, a versão autorizada do professor permanece sendo usada como parâmetro de aceitabilidade dos textos produzidos por estudantes. Nesse contexto, torna-se imperativo o desenvolvimento de critérios e métodos avaliativos mais claros e que sirvam como retroação e como guia para práticas pedagógicas orientadas à necessidade de aprendizagem real de discentes. Com isso em mente, este artigo visa a descrever e considerar a aplicabilidade de uma metodologia componencial a processos avaliativos mais objetivos: a análise computadorizada de erros. Com a descrição de um sistema de anotação de erros, o Translation-oriented Annotation system, pretende-se demonstrar como a análise de erros pode ser integrada ao processo avaliativo no ensino de tradução, fornecendo subsídios para adaptações/ reelaborações de planos de ensino e de materiais didáticos que supram as dificuldades relativas à produção linguística de estudantes de tradução.

Palavras-chave
análise de erros; linguística de corpus; corpus de aprendiz; avaliação em tradução; sistema de anotação de erros

Abstract

For many years, loosely defined assessment methods, based on levels of correspondence between source and target texts and on vague principles of fidelity and equivalence, have prevailed in the field of translation. In many translation education settings, translation assessment continues to rely on the expert's authorized version; that is, the instructor's version still serves as the acceptability standard by which students’ translations are evaluated. Within this context, the need arises to establish clearer and better-defined assessment criteria and methods that can be used both as a basis for feedback and as guidelines for needs-based pedagogical practices. This article seeks to describe and explore the applicability of a componential methodology in more objective assessment processes: computer-assisted error analysis. Through a detailed description of the Translation-oriented Annotation System, the paper demonstrates how error analysis can be integrated into the assessment process in translation education, providing resources for adapting or redesigning curricula and learning materials to address the specific challenges faced by translation students in their linguistic production.

Keywords
error analysis; error taxonomy; corpus linguistics; learner corpus; translation assessment; error annotation systems

1. Introdução

A avaliação de traduções pode adotar diversas facetas a depender do objeto em crivo. Por muitos anos, a avaliação em tradução equivalia à crítica de traduções literárias, conduzidas predominantemente seguindo critérios estilísticos e subjetivos (Martínez Melis & Hurtado Albir, 2002). Em sua incipiência, a avaliação de traduções consistia, assim, em glosas e comentários sobre obras literárias, como romances, ensaios e poesia, os quais não observavam nenhum critério objetivo (Secară, 2005), limitando-se a discussões sobre o grau de fidelidade e equivalência com o original. Esses procedimentos conjecturais, contudo, começaram a dar lugar a critérios mais objetivos de avaliação quando a área dos Estudos da Tradução se tornou uma disciplina autônoma. Dessa maneira, advinda de práticas assistemáticas, a avaliação em tradução se mostra cada vez mais adepta ao desenvolvimento e adoção de abordagens metódicas e criteriosas para a avaliação de traduções, as quais ocorrem em três esferas principais, quais sejam:

  1. avaliação de traduções publicadas;

  2. avaliação do trabalho de tradutores profissionais;

  3. avaliação no ensino de tradução.

A necessidade de se avaliar traduções é dependente do âmbito em que ocorre. Isto é, os motivadores da tarefa avaliativa em contextos educacionais são distintos daqueles de contextos de tradução profissional ou de crítica de tradução, por exemplo. Apesar das distinções quanto às condições que ensejam o processo avaliativo, as características constitutivas de boas traduções permanecem nebulosas, fazendo com que esse campo seja permeado por perguntas seculares como: O que é uma boa tradução? Haveria um modelo de avaliação aceito universalmente? ou ainda: Quais são os critérios que devem ser satisfeitos para que uma tradução seja considerada excelente, boa ou aceitável? A essas perguntas, Sager (1989) respondeu não haver normas absolutas relativas à qualidade de tradução, propondo haver traduções mais ou menos apropriadas de acordo com os propósitos que elas devem desempenhar em um dado contexto. A subjetividade secularmente inerente às análises de traduções, contudo, pode ser substituída por uma abordagem de caráter mais objetivo, a qual precisaria se basear em procedimentos reproduzíveis, por meio de um conjunto de parâmetros claramente definidos e de um sistema de valores gradativos em escala (Sager, 1989). Este artigo se debruçará sobre um desses parâmetros, o qual pode ser adotado durante o processo avaliativo de tradução: a análise computadorizada de erros.

Tarefa onerosa que pressupõe a criação de taxonomias de erros e sistemas de codificação, a análise de erros é, contudo, uma ferramenta que permite a identificação de áreas problemáticas no ensino-aprendizagem de tradução e contribui para a formulação de metodologias didáticas mais focadas em necessidades tangíveis. Conhecida por seu caráter mais objetivo e quantitativo (estatística de erros) e qualitativo (tipologia de erro), a análise computacional de erros em corpus de aprendiz possibilita o que Martínez Melis e Hurtado Albir (2002) denominam de “avaliação fundamentada” (reasoned assessment), baseada no estabelecimento de critérios concretos. Nesse contexto, as próximas seções se dedicarão a a) delinear as características da avaliação no âmbito do ensino de tradução; b) definir a concepção de erro; e c) descrever criticamente o sistema taxonômico de etiquetagem TAS (Translation-oriented Annotation System), desenvolvido por Granger e Lefer (2021).

De forma mais concreta, a seção 2 tratará do erro em contextos avaliativos de tradução, enquanto que a seção 3 conceituará corpus de aprendiz e a centralidade dos sistemas taxonômicos de erros para a anotação e a investigação de produções autênticas de estudantes. A seção 4 se dedicará à descrição do sistema TAS e de uma metodologia experimental para avaliação de traduções. A seção 5 indicará como a análise de erros pode ser usada no ambiente pedagógico de tradução.

2. Avaliação na tradução e a definição de erros

A consolidação dos Estudos da Tradução como área de pesquisa autônoma, e o posterior surgimento de cursos de graduação, revela a necessidade de um ensino mais sistemático que esteja em consonância com as exigências de pesquisa e mercadológicas atuais e que incorpore as tecnologias de otimização do tempo e de pesquisa terminológica para entrega de produtos tradutórios de qualidade. Tal abordagem de ensino-aprendizagem ultrapassaria o que Alekseeva (2000 citada por Askari, 2019, p. 286) chama de “abordagem tradicional” no ensino de tradução. Dentro dessa abordagem perdura ainda, em certos cursos superiores, um modelo de formação do tradutor baseado na transmissão de conhecimento vertical, em que um professor-tradutor mais experiente instrui os aprendizes. Nesse método, o tradutor mais experiente é quem faz a seleção de textos e a avaliação da tradução dos estudantes ocorre a partir da adequabilidade textual quando comparada ao texto do professor. Isto é, nesse método de ensino, conhecido como método autoritário-criativo, o professor se apoia quase que exclusivamente em seu próprio conhecimento. Na mesma linha, Al-Hadithy (2015) aponta, como as principais críticas ao ensino tradicional de tradução, a centralização na figura do professor, a rigidez e a pouca atualização e inventividade no ensino. Nesse modelo, os professores deteriam as estratégias e equivalentes de tradução, os quais disponibilizariam a estudantes que produzissem versões faltosas, dando a ideia de que as respostas do professor seriam as únicas corretas e de que textos seriam unívocos, usando, assim, critérios subjetivos de análise e de avaliação. De acordo com Martínez Melis e Hurtado Albir (2002), a avaliação intuitiva ainda é uma tendência no ensino e na prática profissional em tradução, consistindo em análises subjetivas e baseadas em impressões que não seguem critérios claros.

A prática avaliativa orientada pela intuição se alinha à definição de avaliação holística de Verplaetse (2022) já que esse método considera o todo e se baseia em impressões sobre o alcance, por exemplo, da função da tradução na comunidade de recepção, tal como preconizada pela teoria do skopos, e é conduzida com base nas percepções, sentimentos e idiossincrasias do avaliador (Han, 2020). Nesses contextos, a análise magistral, isto é, a autoridade do professor, enquanto avaliador e tradutor mais experiente, se torna o método de avaliação inquestionável (Darwish, 2001).

Urge, assim, investigar a existência e eficácia de outros métodos avaliativos alternativos que orientem, sobretudo, o desenvolvimento de práticas pedagógicas direcionadas às verdadeiras necessidades de aprendizagem dos estudantes e que levem à explicitação das ferramentas de avaliação usadas e de como elas interagem com as práticas de ensino.

Nesse sentido, Martínez Melis e Hurtado Albir (2002) já haviam chamado atenção para o fato de que a maioria das pesquisas acerca de avaliação no ensino de tradução se concentrava em escalas de avaliação e na classificação e ocorrência de erros. A análise de erros se insere nas abordagens analíticas de avaliação de tradução, as quais identificam desvios específicos nas produções, aplicando critérios majoritariamente linguísticos para se ponderar a qualidade de um texto a partir do estabelecimento de taxonomias de erros (ver seção 3 e 4).

A existência de erros percebidos, contudo, durante a correção de um texto por um professor ocasiona indagações já feitas por Nord (1996), isto é: O que é um erro de tradução? Todos os erros identificados são propriamente “erros de tradução”? Como diferenciar os erros mais graves dos menos graves? Como partir do diagnóstico de erros ao tratamento e também a uma prevenção? Como fazer com que a laboriosa tarefa de avaliação de tradução contribua para o melhoramento das habilidades dos estudantes?

A partir de uma abordagem funcionalista, Nord (1996) destaca que a definição e avaliação de erros invariavelmente depende da fixação de um objetivo de aprendizagem claramente definido como ponto de referência. Para a autora, o principal objetivo do ensino de tradução é fazer com que os discentes desenvolvam as habilidades necessárias para a produção de textos que funcionem na cultura receptora e que correspondam às necessidades comunicativas de um dado projeto tradutório. Nessa perspectiva os erros de tradução corresponderiam, então, ao não cumprimento do objetivo tradutório, estabelecido no briefing de tradução, por exemplo (Nord, 1996). Dessa maneira, a avaliação de traduções, sob um viés funcionalista tomaria em conta a função do texto de chegada, a coerência e tipologia textual, bem como as convenções de gênero, linguísticas e culturais. Nesse bojo, a perspectiva funcionalista da avaliação revela-se problemática, nas palavras de Hönig (1997), por não fornecer regras absolutas já que desconsidera, precipuamente, a existência de traduções incondicionalmente corretas. Contudo, um problema atrelado a essa abordagem é: quem tem a autoridade para definir a função de uma tradução (Hönig, 1997)?

Quando se adota uma visão linguística, contudo, os erros podem ser definidos como um desvio a um sistema de normas e regras (Hönig, 1997), ou como um defeito ou falha na língua de chegada ocorrido durante a tentativa de reescrever o material textual de partida (Igualada, 2016), os quais podem ser quantificados, identificados, descritos e remediados. Esses erros, também denominados de erros linguísticos impactam, segundo Igualada (2016), a aceitabilidade microlinguística, já que afetam aspectos gramaticais, lexicais, semânticos, morfológicos e sintáticos. Essa inadequação a nível linguístico, contudo, inevitavelmente afeta a aceitabilidade macrolinguística de um texto, comprometendo aspectos pragmáticos e estilísticos.

Tendo em vista que a aceitabilidade de um texto está diretamente relacionada à qualidade do produto final, se faz necessário, assim, estipular parâmetros para a avaliação de traduções no contexto de ensino que ofereçam subsídios pedagógicos e que orientem o processo de ensino-aprendizagem, já que, como aponta Hönig (1997), as práticas de avaliação da qualidade de textos traduzidos em cursos superiores são marcadas por sua falta de homogeneidade. Ademais, estudantes de tradução, indubitavelmente, não apenas se beneficiam, mas necessitam da avaliação de seus textos para que possam melhorar a qualidade de seus trabalhos (Hönig, 1997).

Há que se considerar, nesse sentido, a existência de múltiplos tipos de avaliação de tradução no âmbito instrucional e que visam a desempenhar funções particulares (Martínez Melis & Hurtado Albir, 2002), quais sejam:

  1. avaliação diagnóstica: possibilita a obtenção de um prognóstico do potencial do estudante, isto é, revela as habilidades e dificuldades dos estudantes antes do início do processo de aprendizado, servindo também como uma espécie de teste de nivelamento;

  2. avaliação somativa: visa a determinar os resultados finais e verificar se dado conhecimento foi adquirido e se os objetivos de aprendizagem foram atingidos. Geralmente, é de natureza compulsória e é realizada ao fim do processo de aprendizagem;

  3. avaliação formativa: objetiva coletar informações para fins de formação, tendo como foco principal o estudante, que se torna ativamente envolvido no próprio processo de aprendizado. Esse tipo de avaliação se preocupa tanto com o processo, quanto com o resultado da aprendizagem e os dados obtidos servem como ferramenta de retroação e correção de problemas.

A função das diferentes avaliações, contudo, não oferece efetivamente subsídios de como elas devem ser realizadas ou que faceta da tradução (processo/produto) deve ser objeto de investigação. Por isso a necessidade de implementar uma tipologia de erros, a qual delineia as áreas do texto a serem observadas e permite a identificação dos níveis em que um determinado desvio ocorre. O reconhecimento de erros por meio de um sistema de classificação fornece maior direcionalidade e foco ao processo avaliativo já que possibilita, segundo Martínez Melis e Hurtado Albir (2002), estabelecer:

  1. a diferença entre erros relativos ao texto de partida (sentido incorreto ou oposto, adição ou omissão) e ao texto de chegada (ortografia, vocabulário, sintaxe, coerência e coesão);

  2. a distinção entre erros individuais, sistemáticos e aleatórios na população investigada.

Depreende-se, assim, que a identificação do erro não apenas permite a adoção de medidas corretivas e um acompanhamento individualizado dos estudantes, mas também: 1) fomenta a autoavaliação e conscientização sobre os próprios erros, por parte dos discentes; e 2) evidencia a natureza múltipla dos erros e de como eles podem ser tratados.

A utilização de erros para fins de avaliação pressupõe, preliminarmente, algumas etapas, quais sejam, sua identificação em um corpus de aprendiz, localização, descrição, etiquetação e codificação, as quais só podem ocorrer após o estabelecimento de categorias de erro, assuntos que serão objeto da seção seguinte.

3. Corpus de aprendiz, taxonomia de erros e sistemas de etiquetagem

A anotação e análise de erros enquanto etapas que compõem o processo de avaliação de traduções são orientadas pelo produto e têm como objeto as produções textuais de estudantes. Para que seja possível obter dados acerca das produções tradutórias de estudantes, e de possíveis pontos de melhoria, faz-se necessária a coleta de um corpus de aprendizes de tradução, que consiste em um conjunto de traduções produzidas por estudantes de tradução e cuja principal função é fornecer apontamentos acerca dos traços linguísticos significativos dos textos, os quais, por sua vez, orientarão a prática pedagógica em tradução (Castagnoli et al., 2011). Largamente usados em estudos de Aquisição de Segunda Língua, os corpora eletrônicos de aprendizes são definidos por Granger (2002, p. 7, tradução nossa1) como “[...] coleções eletrônicas de dados textuais autênticos coletados a partir de critérios explícitos e para fins de estudo sobre aquisição de segunda língua ou de língua estrangeira. Esses dados são codificados e uniformizados homogeneamente e documentados quanto a sua origem e fonte”.

A coleta de textos de estudantes, entretanto, não basta para a análise de possíveis erros, sendo premente a criação prévia de uma taxonomia ou tipologia de erros, que será atribuída a produções faltosas por meio de códigos, permitindo a anotação manual e posterior análise por ferramentas da Linguística de Corpus2. A anotação, por sua vez, pode ser definida como a prática de se adicionar informações interpretativas a um corpus por meio do uso de códigos preliminarmente definidos. Um exemplo de anotação é a etiquetagem de classes morfológicas e a etiquetagem de erros (Granger, 2002). A etiquetagem de erros é especialmente criada para tratar da natureza anômala da produção linguística de estudantes e pode rotular os erros a partir da natureza (gramatical, lexical) ou origem (interlingual ou intralingual) do desvio, sendo que a identificação de erros a partir da natureza é preferível, segundo Granger (2002), por envolver menor nível de subjetividade e maior consistência.

Os sistemas de etiquetagem de um texto consistem no uso de taxonomias de erros baseadas em categorias linguístico-estruturais (Callies, 2015). A taxonomia de erros, conforme propõem Díaz-Negrillo e Domínguez (2006), deve ser baseada na descrição de dados observáveis e incluir categorias linguísticas bem delineadas a fim de reduzir ao máximo a subjetividade no processo de diagnóstico e classificação de erro no corpus. A partir do estabelecimento de categorias de erros, os textos são etiquetados com vistas a identificar comportamentos desviantes nas escritas dos estudantes, quando comparados a corpora de referência ou de língua geral, por exemplo. Embora uma taxonomia de erros possa ser criada por um grupo de pesquisa para ser usado em um projeto específico, Granger (2003) defende que, para ser eficaz, um sistema de anotação de erros deve ser consistente, informativo, flexível e reutilizável em uma variedade de línguas.

Conforme explicitam Díaz-Negrillo e Domínguez (2006), a taxonomia de erro pode incluir a descrição da produção textual em diferentes dimensões, quais sejam:

  1. classificação de categoria linguística, que abarca as características linguísticas do erro relativos ao léxico, tempo verbal e regência, por exemplo;

  2. classificação quanto à modificação da língua quando comparada a produções típicas em contextos normativos da língua de chegada, em termos de omissão, adição e ordenação.

Granger e Lefer (2020), por sua vez, dividem a tipologia de erros em duas principais categorias, a saber:

  1. erros de transferência de conteúdo, que têm ligação com o processo da tradução, como erros de omissão ou distorção;

  2. erros linguísticos que ocorrem independentemente do processo de tradução, como aqueles relacionados à concordância ou tempo verbal.

Tendo tratado da importância de se definir uma tipologia de erros para conduzir a análise computadorizada de erros, a seção seguinte descreverá o Translation-oriented annotation system, um sistema de anotação de traduções que abarca as categorias de Granger e Lefer (2020) para a descrição de traduções de aprendizes, a qual busca salientar erros de transferência, erros linguísticos e boas soluções tradutórias.

4. Translation-oriented annotation system: características e formas de uso

O Translation-oriented annotation system é um sistema de descrição e etiquetação de traduções desenvolvido no âmbito das pesquisas do projeto MUST (Multilingual Student Translation), o qual visa à criação de um ambiente online de armazenamento de traduções anotadas e alinhadas de estudantes para o desenvolvimento de materiais didático, formação de tradutores, lexicografia pedagógica, bem como para fins de pesquisa. O ambiente online aqui referenciado é a plataforma Hypal4MUST, a qual permite a coleta e anotação de textos no âmbito do projeto, garantindo a:

  • armazenagem dos textos de partida, traduções e metadados;

  • alinhamento automático dos corpora a nível de parágrafo e oração;

  • lematização e etiquetação de erros dos corpora;

  • retroação aos estudantes;

  • anotação das traduções a partir de um sistema taxonômico padrão.

As desenvolvedoras (Granger & Lefer, 2020) do TAS optaram por não incluir em sua denominação a expressão “sistema de anotação de erros de tradução” pois a taxonomia concebida inclui não apenas erros de tradução, abarcando também as categorias referentes a “boas soluções tradutórias” e aquelas que possibilitam a identificação do procedimento de tradução utilizado na solução de um problema3de tradução (e.g. normalização, empréstimo). Nesse sentido, o TAS apresenta uma faceta dedicada à descrição de erros de natureza linguística, especialmente úteis para a descrição de versões, isto é, da tradução feita para a língua estrangeira, e de uma faceta destinada às soluções decorrentes da operação linguística sendo realizada, isto é, a tradução. Cumpre, assim, listar os aspectos mais representativos do sistema em crivo, os quais configuram também características básicas de sistemas de anotação confiáveis:

  1. Número limitado de etiquetas;

  2. Categorias bem delimitadas e sem duplicidade;

  3. Estrutura hierárquica para anotação de textos em diferentes níveis (e.g. erro gramatical, na classe verbal, no aspecto “tempo”);

  4. Documentação detalhada para reutilização do sistema.

O TAS (anexo 1), baseado no Louvain error tagging4, é composto por 12 categorias e 48 subcategorias, representadas por códigos hierárquicos, estruturadas da seguinte forma:

├── 1. Conteúdo (CT)

│ ├── 1.1. Distorção (CT-DST)

│ │ ├── 1.1.1. Distorção: Incompreensível (CT-DST-INC)

│ │ ├── 1.1.2. Distorção: Significado incorreto (CT-DST-INM)

│ │ ├── 1.1.3. Distorção: Ilógico (CT-DST-ILL)

│ │ └── 1.1.4. Distorção: Significado impreciso (CT-DST-INE)

│ ├── 1.2. Omissão (CT-OMI)

│ └── 1.3. Adição (CT-ADD)

│ └── 1.4 Indecisão (CT-IND

│ └── 1.5 Não-identificação de erro/inconsistência no texto de partida (CT-NON)

├── 2. Cultura (CL)

│ ├── 2.1. Traduzível não traduzido / Intraduzível traduzido (CL-UNT)

│

├── 3. Briefing de Tradução (TB)

│ ├── 3.1. Não conformidade com materiais de referência (TB-REF)

│ └── 3.2. Formatação (TB-FOR)

│

├── 4. Gramática e Sintaxe (GR)

│ ├── 4.1. Morfologia flexional (GR-INF)

│ ├── 4.2. Tempo e aspecto verbal (GR-TNS)

│ ├── 4.3. Voz verbal (GR-VOI)

│ ├── 4.4. Ordem das palavras (GR-WORD)

│ ├── 4.5. Confusão de categoria de palavras (GR-WCO)

│ ├── 4.6. Determinante (GR-DET)

│ ├── 4.7. Preposição (GR-PRE)

│ ├── 4.8. Pronome (GR-PRO)

│ ├── 4.9. Concordância (GR-CCD)

│ ├── 4.10. Conjunção (GR-CJX)

│ └── 4.11. Complementação (GR-COM)

│ ├── 4.11.1. Adjetivo (GR-COM-ADJ)

│ ├── 4.11.2. Substantivo (GR-COM-NOU)

│ └── 4.11.3. Verbo (GR-COM-VRB)

│ └──4.11.4 Advérbio (GR-COM-ADV)

│

├── 5. Léxico e Terminologia (LT)

│ ├── 5.1. Palavra (LT-WRD)

│ │ ├──5.1.1 Palavra única (LT-WRD-SWO)

│ │ ├── 5.1.2. Derivação (LT-WRD-DER)

│ │ ├── 5.1.3. Cognato (LT-WRD-COG)

│ │ ├── 5.1.4 Unidades de multipalavras (LT-WRD-MWO)

│ │ ├── 5.1.5 Expressões compostas (LT-WRD-MWO-COP)

│ │ ├── 5.1.6 Colocação (LT-WRD-MWO-COL)

│ │ └── 5.1.7. Expressões idiomáticas (LT-WRD-MWO-IDI)

│ └── 5.2. Termos (LT-TRM)

│ ├── 5.2.1. Termo traduzido por não-termo (LT-TRM-TNT)

│ └── 5.2.2. Inconsistência terminológica (LT-TRM-TIN)

│

├── 6. Discurso e Pragmática (DP)

│ ├── 6.1. Coesão (DP-COH)

│ │ ├── 6.1.1. Coesão: Uso de conectivos (DP-COH-LIN)

│ │ └── 6.1.2. Coesão: Referência pronominal (DP-COH-PRF)

│ ├── 6.2. Estruturação da Informação (DP-STR)

│ │ ├── 6.2.1. Progressão temática (DP-STR-THE)

│ │ ├── 6.2.2. Frases divididas ou fundidas (DP-STR-SPL)

│ │ └── 6.2.3. Preferências sintáticas (DP-STR-SYN)

│

├── 7. Mecânica (ME)

│ ├── 7.1. Ortografia (ME-SPE)

│ ├── 7.2. Pontuação (ME-PUN)

│ └── 7.3. Unidades, datas e números (ME-UDN)

│

└── 8. Estilo e Registro (REG)

├── 8.1. Grau de formalidade (REG-FML)

├── 8.2. Estilo truncado (REG-HEA)

└── 8.3. Redundância (REG-RED)

9. PLUS (PLUS)

10. Interferência da língua de partida (SLI)

11. Distorção semântica (DIS)

12. Repetição de Erro (REP)

Do esquema acima, pode-se inferir que as categorias de 1 a 8 dizem respeito a desvios identificados nos campos linguísticos, discursivos e de gênero, da produção escrita, enquanto que as categorias de 9 a 12 relacionam-se a ocorrências decorrentes do próprio processo tradutório, o qual pode ensejar a tomada de boas decisões5 (PLUS), a interferência da língua de partida (SLI), a distorção semântica causada por qualquer tipo de erro (DIS) e a repetição consecutiva de erros da mesma natureza (REP). De caráter descritivo, esse sistema de anotação de traduções possibilita a detecção e etiquetação de produções a serem avaliadas. Produzido de forma flexível e reutilizável, conforme preconizava Granger (2003), ele pode ser usado em uma pletora de línguas e é organizado hierarquicamente, com a atribuição de códigos a partir dos níveis mais gerais aos mais específicos.

Tendo estabelecido, assim, as características fundamentais do TAS, a seção seguinte se dedicará a mostrar possíveis formas de utilização e implementação do sistema enquanto componente de processos avaliativos de tradução no âmbito educacional.

4.1 Anotação de corpus de aprendiz a partir do sistema TAS com um editor de erros

O TAS é um sistema de anotação de traduções e, como tal, se constitui apenas como taxonomia, fornecendo os subsídios tipológicos para a descrição e não os instrumentais. Com isso em mente, propõe-se aqui a utilização de um software para realizar as anotações do corpus de aprendiz de forma mais célere, o UCLouvain Error Editor (UCLEEv2)6. Esse editor de erros facilita a inserção de etiquetas e também a de sugestões de correções nos textos dos aprendizes, além de conter funcionalidades como:

  • Menu com seleção de etiquetas;

  • Concordanciador;

  • Gerador de frequências;

  • Gerador de exercícios automáticos.

Ao descarregar e instalar o software na máquina, o sistema de etiquetagem padrão é o do Louvain Error Tagging Version 2.0 (Granger et al., 2023b), contudo, a flexibilidade do sistema permite que se faça a inclusão de outras estruturas de anotação, com base no Guia de usuário do UCLouvain Error Editor (Granger et al., 2023c).

A criação de um novo arquivo, com códigos do sistema de anotação TAS, por exemplo, pode ser feita em um documento .TXT, respeitando os níveis hierárquicos entre categorias e subcategorias, conforme demonstrado na Figura 1.

Figura 1
Modelo de criação de arquivo do sistema de anotação de traduções (TAS) para uso no Louvain Error editor

Na figura acima, o código “CT” representa a categoria “Conteúdo”, sendo sucedida pelas subcategorias abarcadas e relacionadas aos desvios da mesma natureza concernentes a produções incompletas (CT-DST-INC), ilógicas (CT-DST-ILL), incorretas (CT-DST-INM), inexatas (CT-DST-INE) ou que apresentem omissões (CT-OMI), adições (CT-ADD) e afins. Após a criação do arquivo, que deve ser inserido na pasta de etiquetas do software, é possível usá-lo para anotar o corpus de aprendiz, o qual também deve estar em formato .TXT.

A anotação é feita em uma interface amigável com a seleção do trecho problemático e a escolha dos códigos para descrição do desvio, processo esse ilustrado na Figura 2:

Figura 2
Inserção de etiqueta no Louvain Error Editor

Como depreendido, as etiquetas, que indicam a tipologia do erro, são marcadas entre os símbolos de menor e maior que (<>), por meio dos códigos que fazem referência aos diferentes níveis de anotação. Além da identificação, rotulação e descrição dos erros, o sistema permite, ainda, a inclusão de uma correção (entre aspas), marcação essa que se mostra útil no processo de retroação aos estudantes e em sua própria autoavaliação, conforme demonstrado na figura a seguir:

Figura 3
Demonstração de inserção de correção no software Louvain error editor

Ao finalizar a etiquetação de todos os textos que comporão o corpus de aprendiz, as funcionalidades adicionais do Louvain Error Editor possibilitam a obtenção de informações que servem de orientação para reformulações pedagógicas, ponto esse que será discutido na subseção seguinte.

4.1.1 Investigando um corpus de aprendizes de tradução para fins pedagógicos: uma metodologia experimental

Esta seção mostrará, de forma experimental, uma maneira de operacionalizar a análise dos dados de caráter quantitativo e qualitativo com o uso do Louvain error editor e com ferramentas presentes na maioria dos softwares de Linguística de Corpus.

Uma possível abordagem à análise de corpus de aprendizes de tradução pode se inspirar na metodologia sugerida por De Sutter et al. (2017), em seu trabalho sobre a avaliação de traduções com base em análises estatísticas de corpus, e ser composta dos seguintes estágios:

  1. Compilação do corpus de aprendiz;

  2. Processamento do corpus—com a etiquetação de erros;

  3. Extração de características relevantes do texto de partida por meio de ferramentas como keyword7, n-grams8, collocate9;

  4. Criação de um corpus paralelo, com o texto de partida e as traduções dos estudantes, para verificar como as características relevantes foram vertidas;

  5. Análise estatística;

  6. Interpretação dos dados.

A etapa dois, a qual foi demonstrada na seção anterior, e a cinco podem ser colocadas em prática por meio da própria plataforma do Louvain error editor, em cuja aba Analyse realiza-se uma série de processamentos que permitem quantificar, organizar e analisar os erros identificados (Granger et al., 2023b). Os dados fornecidos por meio dessas operações já permitem um vislumbre dos erros mais recorrentes e sua distribuição no corpus, isto é, se se tratam de desvios mais pontuais e individuais ou mais sistemáticos, que perpassam toda a população, como o erro LT-TRM-TNT, o qual ocorre igualmente (uma vez) nos textos que compõem o corpus ilustrativo da figura 4.

Figura 4
Interface do Louvain error editor com indicação da frequência de erros

Os dados de natureza estatística produzidos pelo editor de erros em questão podem ser visualizados de três formas principais:

  1. frequência absoluta (absolute frequency) — que indica o número de ocorrências por etiqueta;

  2. distribuição relativa por etiqueta (by tag) — que exibe a porcentagem de erros de uma determinada categoria nos textos do corpus; e

  3. distribuição por arquivo (by file) — que apresenta, em porcentagem, a representação de cada erro em arquivos individuais, organizados horizontalmente.

Figura 5
Distribuição relativa de etiquetas nos arquivos que compõem o corpus
Figura 6
Representatividade, em porcentagem, das anotações em arquivos individuais

Convém mencionar, ainda, que os trechos anotados podem ser pesquisados por meio dos códigos das etiquetas (5) e apresentados em típicas linhas de concordância10 (6).

Figura 7
Tela que exibe número de etiquetas por texto, ferramenta de busca e de concordanciador

Um corpus de aprendiz de tradução etiquetado a partir do sistema taxonômico do TAS torna possível, dessa maneira, categorizar uma dada população de estudantes em relação aos erros de maior ocorrência e suas respectivas proporções. Ademais, os dados quantitativos fornecidos pelo editor de erros fornecem uma visão estatística conferida pela Linguística de Corpus. Isto é, com a quantificação das etiquetas é possível saber a média de erros por texto, a distribuição de erros em um único texto ou em todo o corpus, a variância11 dos dados, medidas essas que se tornam pontos de partida na implementação de processos corretivos.

As atividades relacionadas à etapa três — Extração de características relevantes do texto de partida por meio de ferramentas como keyword, n-grams, collocate — visam a identificar características representativas do texto de partida, os quais se tornam pontos de interesse para verificação no corpus de aprendiz. Essa verificação se fundamentaria em uma abordagem proposta por Marchi (2010) e advogada por Ancarno (2020) como um dos métodos de pesquisa em análise de discurso baseado em corpus, e consiste na investigação de:

1. Lista de palavras/ palavras-chave para identificar domínios semânticos centrais, isto é para estabelecer a temática principal; 2. Lista de colocados para explorar o comportamento textual dos termos-chave. Ou seja, para identificar padrões ou começar a identificar termos a partir dos resultados do corpus (lista de palavras-chave e lista de colocados); 3. Lista do concordanciador para explorar padrões prevalentes em contexto

(Ancarno, 2020, p. 177, tradução nossa12).

Essa abordagem permite fazer um levantamento das características linguísticas representativas do texto que ensejou a tradução e tomar como ponto de partida seus traços salientes, buscando nas traduções de aprendizes padrões tradutórios e estratégias predominantes. Vejamos, na subseção seguinte, uma breve aplicação dessa metodologia experimental com um corpus de aprendiz composto de 9 abstracts traduzidos por estudantes do curso de graduação em Letras-Tradução (Inglês), da Universidade de Brasília, na disciplina “Prática de tradução de textos gerais (Português-Inglês)”.

4.1.2 Aplicação do método

Observando as orientações da subseção 4.1.1, tem-se:

  1. Compilação do corpus de aprendiz: Nesta etapa, foram coletados 9 abstracts traduzidos por estudantes do curso de graduação em Letras-Tradução (Inglês), da Universidade de Brasília, na disciplina de “Prática de tradução de textos gerais (Português-Inglês)”, no dia 20 de janeiro de 2025. O texto original, intitulado “A democratização do ensino superior por meio da educação à distância (EAD) no Brasil”, foi publicado pela revista Humanidades e Inovação, pertence ao gênero abstract e deveria ser traduzido conforme o briefing a seguir:

    Quadro I
    Briefing para tarefa de tradução
  2. Processamento do corpus com etiquetação dos erros: Os textos foram anotados conforme o manual TAS no ambiente do Louvain error editor, conforme procedimentos descritos na seção 4.1.

  3. Extração de características relevantes do texto de partida: Essa etapa consiste em estabelecer os princípios funcionais e comunicacionais do texto de partida e as formas pelas quais eles se manifestam linguisticamente. Consiste também em compreender a estruturação retórica e discursiva do gênero a fim de considerar as melhores estratégias para que o texto circule e seja aceito na comunidade discursiva antevista. Isto é, as características linguístico-funcionais e estilísticas utilizadas no texto de partida podem ser replicadas na tradução? Busca-se, assim, entender como o texto funciona em seu contexto de partida, quais os públicos-alvo previstos no ambiente receptor, com vistas a averiguar, consequentemente, se há intersecção de atributos entre os gêneros, em termos interculturais.

    No presente caso ilustrativo, entre as características terminológicas relevantes do texto de partida destacam-se:

    • Educação à distância;

    • Educação básica;

    • Educação superior;

    • democratização do ensino;

    • modalidade de ensino;

    Entre as características retórico-discursivas relevantes salientam-se:

    • A composição do gênero abstract e sua estruturação discursiva em Introdução-Metodologia-Discussão e Conclusão;

    • Os mecanismos de realizações linguísticas que refletem a função comunicativa do gênero e apresentam-se em expressões como “A pesquisa tem como problemática”; “O enfoque deste estudo é”, os quais se apresentam como blocos semifixos de produção linguística;

    • A impessoalidade inerente ao gênero manifestada em usos linguísticos como passivas, nominalizações e construções sintáticas complexas.

    Ao analisar esses pontos, o avaliador poderá aferir se houve transposição literal de estruturas linguístico-estilísticas—reflexos da organização do gênero na língua/cultura de partida—, ou se houve efetiva consideração da manifestação do gênero tal como ele é veiculado na cultura/língua de chegada.

  4. Criação de um corpus paralelo: A criação de um corpus paralelo — seja de forma manual e rudimentar, usando um arquivo Excel, ou por meio de ferramentas como o Lfaligner — habilita o avaliador a identificar as principais estratégias empregadas pelos estudantes e a mensurar a extensão de desvios em níveis oracional e global. Essa identificação possibilita, ainda, o fomento de um conhecimento metatradutório, podendo o avaliador explicitar as estratégias de que os alunos dispuseram para contornar problemas encontrados no curso do processo tradutório. Ademais, o alinhamento paralelo, com as múltiplas versões dos estudantes, permite acesso rápido a desvios predominantes na população e ao local da ocorrência. Isto é, é possível acessar mais prontamente os segmentos anotados, os quais também são passíveis de análise em processos avaliativos alternativos diversos (avaliação em pares, avaliação em grupo, autoavaliação etc). Nesse sentido, tanto avaliado quanto avaliador compreendem melhor as regularidades e os padrões de transferência, aqueles beneficiando-se, inclusive, das soluções sugeridas por seus pares, em um processo colaborativo de ensino-aprendizagem.

    Figura 8
    Exemplo de corpus paralelo composto por traduções de aprendizes Fonte: Autora (2025) [Descrição]A imagem apresenta um corpus paralelo organizado em formato de tabela, criado no Microsoft Excel. A tabela possui cinco colunas (A a E) e contém textos segmentados em nível oracional ou paragráfico.Coluna A: Texto original em português, dividido em três seções numeradas (1 a 3). O conteúdo aborda a democratização do ensino superior por meio da Educação a Distância (EaD) no Brasil, destacando seu crescimento e o objetivo do estudo. Colunas B a E: Versões traduzidas para o inglês do texto original, seguindo a mesma segmentação. As traduções variam em estilo e precisão, e alguns segmentos contêm etiquetas de anotação do sistema TAS [Fim da descrição].

  5. Análise estatística: O próprio ambiente do Louvain Error editor gerencia as estatísticas obtidas a partir das anotações em termos de anotações e desvios mais recorrentes e afins, conforme descrito na subseção 4.1.1.

    Assim, depreendeu-se, por exemplo, que uma das anotações mais significativas , no caso em crivo, foi o desvio referente a LT-WRD-SWO, que diz respeito a usos inapropriados de itens lexicais únicos. Isto é, uma dada palavra, embora referencialmente correta, não seria a mais apropriada em termos expressivos, de registro, gênero ou discurso. Citam-se como exemplos:

    1. “Legality” em vez de “legal framework” 🡪 Discussing the concept of Remote Learning and it’s [sic] legality in Higher Education;

    2. “Function” em vez de “role” 🡪 Analize [sic] the function of professors and students in this mode of learning.

    Ademais, por meio dos dados obtidos na ferramenta, é possível gerar arquivos de saída que, se devidamente processados, geram gráficos informativos, que permitem ver os desvios mais frequentemente identificados.

    Figura 9
    Distribuição de erros de maior ocorrência pelo corpus por categoria Fonte: Autora (2025) [Descrição] Gráfico circular (pizza) dividido em 11 fatias coloridas, cada uma representando um tipo de erro na tradução. As fatias são organizadas em ordem decrescente de tamanho, com cores distintas e porcentagens correspondentes ao número de ocorrências [Fim da descrição].

    Outrossim, um breve aprofundamento estatístico permite obter dados relevantes no que diz respeito à predominância dos erros na população e identificar a ocorrência isolada ou sistemática de desvios, por meio de dados como os da Tabela 1:

    Tabela 1
    Resumo de dados estatísticos relevantes

    Considerando que a média é uma medida influenciada por extremos, ela não mostra com acurácia se há predomínio de anotações em um dado texto. Identificou-se, por exemplo, que o texto seis apresenta 38 anotações, enquanto o texto oito, apenas 8 anotações. Isso indica, por exemplo que, embora haja necessidades pedagógicas gerais, há também demandas de ensino mais individualizadas. Outras medidas estatísticas também podem oferecer informações adicionais, como a variância, a qual indica a dispersão dos dados em relação à média. Uma variância elevada sugeriria, assim, que há textos que apresentam mais erros que outros, havendo, portanto, bastante heterogeneidade de anotações e, consequentemente, na qualidade dos textos, conforme vemos no gráfico a seguir:

    Figura 10
    Distribuição de erros por texto Fonte: Autora (2025) [Descrição] Gráfico de distribuição composto por nove barras verticais pretas, alinhadas da esquerda para a direita. No eixo vertical, os números variam de 0 a 40, indicando o número de anotações/erro. A barra referente ao texto 6 apresenta grande quantidade de erros, próximo a marca de 40. As demais são relativamente mais baixas [Fim da descrição].

    A variância de erros por categoria, por sua vez, sugere que há uma dispersão moderada de erros entre as categorias, com erros mais recorrentes que outros, como é o caso do LT-WRD-SWO.

  6. Interpretação dos dados: Os dados obtidos nos procedimentos anteriores tornam-se subsídio para processos decisórios no âmbito do ensino-aprendizagem, já que os fatos explicitados pelas operações podem revelar necessidades de ensino antes não abrangidas pela ementa, exigindo, assim, uma recalibração dos objetivos de ensino e dos materiais utilizados. Ademais, a natureza dos desvios predominantes sugerirá as medidas remediadoras apropriadas. Ilustrativamente, foi constatado muitos erros lexicais, o que aponta para uma inobservância de questões como nuance, expressividade e registro nas escolhas, chamando atenção para exigências de remediação sobre a natureza gradativa e contextual do significado. Findada essa abordagem preliminar, a seção seguinte tratará de algumas das principais aplicabilidades da análise computadorizada de erros de aprendiz e sua implicação do ensino de tradução.

5. Aplicações e discussão

A coleta e anotação de traduções de estudantes podem se tornar ponto de partida para muitas e variadas iniciativas na área de ensino e pesquisa em tradução (Granger & Lefer, 2020). A primeira aplicabilidade se refere ao uso das traduções anotadas para identificação de áreas de dificuldade em potencial e a consequente produção de exercícios para corrigi-las e /ou para a adoção de outras práticas pedagógicas pautadas em necessidades reais. Ademais, com o corpus de aprendiz é possível detectar a distribuição de um erro em uma dada população e verificar sua pontualidade ou sistematicidade o que, por sua vez, orienta a prática docente para uma recalibragem no programa e nos materiais e no percurso de ensino. Antevê-se, assim, uma multiplicidade de fins aos quais a análise computadorizada de erros pode ser aplicada, já que serve para compor avaliações diagnósticas, formativas—fornecendo retroação aos estudantes—, e somativas, ao fim de um período, com vias a informar o alcance de certos objetivos educacionais (Han, 2020).

Figura 11
Exemplos de formatos de exercícios produzidos no software Louvain error editor

A criação de materiais didáticos com base em um corpus de aprendiz pode adotar uma abordagem corpus-driven ou corpus-based. Na primeira, o conteúdo de aprendizagem tomará como base as dificuldades avaliadas e o desenvolvimento de materiais levará em consideração os erros produzidos por alunos; enquanto que na segunda, os recursos produzidos contêm exemplos do próprio corpus de aprendiz, com listas de concordância para identificação do desvio e para a sugestão de soluções alternativas. O Louvain error editor, por exemplo, contém a funcionalidade de produzir atividades baseadas em corpus de aprendiz (corpus-based) com exercícios de preenchimento de lacuna que orientam a atenção de estudantes aos tipos de erros cometidos para que possam corrigi-los.

A adoção de um sistema de anotação de erros como parte do processo avaliativo autoriza também uma visão mais informada acerca do estágio de competência dos estudantes, já que, embora a avaliação de competência tradutória não seja equivalente à avaliação da qualidade de tradução, esta é um reflexo daquela (Pokorn et al., 2019). Tendo em vista que sistemas de anotação como o TAS, por exemplo, abarcam uma série de categorias linguísticas, de gênero e aquelas relacionadas aos procedimentos tradutórios, fornecer retroação quanto à qualidade do texto também é facilitada já que uma tradução de alta qualidade é aquela em que:

A mensagem do texto fonte é transferida completamente ao texto-alvo, inclusive a denotação, conotação, nuances e estilo, em que o texto-alvo é escrito na língua-alvo com uso de gramática e ordem correta das palavras para a produção de um texto culturalmente apropriado e que, na maioria da dos casos, é lido como se tivesse sido originalmente escrito por um falante nativo da língua-alvo para leitores da cultura-alvo

(Koby et al., 2014, p. 416-417 citados por Verplaetse, 2022, p. 2009, tradução nossa13).

Nesse sentido, os parâmetros para delimitar o que constitui uma tradução de qualidade se tornam mais claros já que a identificação de erros, como distorção ou omissão não justificada, pode apontar para desvios que afetam esse construto. Ademais, quando associados a outros tipos de informações, como a de metadados, ou a ambientes diversos de avaliação, um corpus de aprendiz etiquetado para erros permite que se identifique, como apontam Castagnoli et al. (2011), além de desvios relacionados a palavras ou sequências lexicais específicas:

  1. Quais erros são mais comuns no corpus e as principais tendências tradutórias;

  2. Se há correlação entre frequência de erros e nível de conhecimento teórico sobre os Estudos da Tradução;

  3. Se erros terminológicos tendem a desaparecer em traduções cujos estudantes têm acesso a recursos como dicionários ou a web.

Importa ressaltar, contudo, que a análise de erros compõe apenas uma etapa do processo avaliativo, a qual pode ser adicionada outras abordagens a depender do objetivo avaliativo em questão. Isto é, se houver a exigência de que o desempenho de alunos seja quantificado, a análise de erros pode ser combinada com a aplicação de pesos(ponderações) ou dedução de pontos a depender da seriedade dos desvios e de suas respectivas frequências, e do alcance de um de limiar de aceitabilidade, que delimitaria aprovação ou reprovação, conforme esquematizado pelo modelo de Han (2020), adaptado abaixo, em que a anotação computadorizada de erros aqui advogada corresponde aos números um e dois:

Figura 12
Fluxograma de abordagens ao erro baseadas em escalas e em penalizações por erro

Esse tipo de combinação avaliativa também é possível ao se associar outras abordagens da Linguística de Corpus, como o uso de corpora de língua geral ou de especialização para verificar como as produções dos estudantes se comparam a textos efetivamente escritos em uma determinada língua e gêneros (veja Bowker, 2001), viabilizando a realização de estudos contrastivos. Nesse sentido, a relevância da implementação de formas e padrões de avaliação fica clara, principalmente se considerarmos que, se não implementados, “[...] a avaliação de tradutores e da garantia da qualidade de traduções continuará sendo arbitrária, sujeita a preferências pessoais, aos caprichos do avaliador ou de arcabouços interpretativos, e às perspectivas burocráticas e medidas draconianas de docentes e avaliadores” (Darwish, 2001, p. 2, tradução nossa14).

Urge salientar, contudo, que a aplicação da análise de erros como componente da avaliação de traduções não é despida de barreiras, tendo em vista que a aplicação de novos métodos avaliativos pode encontrar resistência. Entre os dificultadores citam-se o ceticismo em relação à objetividade e aos métodos quantitativos, a onerosidade da prática da metodologia—a qual demanda familiarização com a taxonomia e certa literacia digital. Ademais, o foco excessivo no erro pode ser, de fato, um fator de desmotivação tendo em vista que, apesar da existência de uma tipologia, o fazer avaliativo tem, eminentemente, caráter subjetivo (Bittner, 2020), principalmente se se considerar que a anotação manual sofre com a baixa concordância entre avaliadores.

Considerações finais

Considerando que estudantes de tradução podem ser descritos como um tipo de aprendiz de língua, a coleta de suas produções escritas pode, como apontam Bowker e Bennison (2002, p. 504 citadas por Granger & Lefer, 2020) fornecer subsídios pedagógicos e de pesquisa valiosos.

A análise de erros enquanto parte do processo de avaliação de traduções, embora observada com receio por alguns por conta da negatividade com que “erros” geralmente são vistos, é, na verdade, um aspecto crucial para a identificação de pontos de melhoria no ensino, sendo essencial dentro de um quadro pedagógico de tradução. As informações obtidas por meio dos corpora de aprendizes podem orientar não apenas a prática docente, mas também a produção de materiais, fornecendo entendimentos acerca de estágios de aprendizagem e de pontos de dificuldade sistemáticos e individuais. Diferente das práticas passadistas de análises de erros descontextualizados e com uso de tipologias de erros pouco padronizadas, atualmente os desvios são investigados de forma contextualizada já que as ocorrências errôneas de um dado item lexical podem ser visualizadas no nível da sentença, do parágrafo e do texto (Granger, 2002) graças aos procedimentos da Linguística de Corpus, que dão primazia à uniformização e consistência de sistemas de etiquetagem.

Como pretendeu-se mostrar, os dados relativos à frequência, fornecidos pelas ferramentas de Linguística de Corpus, se mostram úteis para a identificação de áreas sistemáticas de dificuldade, as quais podem ser usados para a reestruturação de currículos e de percursos de ensino (Granger, 2002). Se usada como instrumento de avaliação diagnóstica, a análise de erros em corpus de aprendizes de tradução pode inclusive orientar o desenho do curso e tornar o processo de ensino-aprendizagem mais transparente e consistente. Ademais, se integrado a uma abordagem longitudinal, com o acúmulo e estudo de traduções realizadas em um dado período, é possível estabelecer parâmetros comparativos de evolução e propor retroações mais completas aos discentes.

Outrossim, a análise de erros possibilita a obtenção de informações sobre os construtos internos de estudantes (López, 2009) e sobre seu conhecimento teórico de tradução e de língua. Similarmente, a identificação de erros como o da “omissão” de excertos cuja supressão não é justificada, por exemplo, aponta para uma evitação dos problemas tradutórios e indica que certo progresso linguístico, transferencial, enciclopédico ainda precisa ocorrer.

Ao dar acesso à produção autêntica de estudantes, a Linguística de Corpus e a análise de erros se tornam abordagens cruciais para estudar como ocorre a progressão do ensino-aprendizagem, fornecendo ao pesquisador uma metodologia e arcabouço para o estudo da língua de aprendizes. Por apontar áreas de dificuldade dos estudantes, como gramática, léxico, discurso, a análise de erros se torna uma ferramenta de desenho pedagógico, permitindo o delineamento de ementas, planos de ensino e de materiais didáticos mais focados na remediação das dificuldades encontradas (López, 2009). Entretanto, para que os erros não sejam usados como o único componente em um processo avaliativo, a adoção de critérios mais funcionalistas sobre a adequabilidade de traduções e o respeito a um briefing de tradução, que simula o ambiente profissional em sala de aula, tal como sugerido por Nord (1996), se mostra um passo adequado rumo ao desenvolvimento de um ensino de tradução mais estruturado e orientado tanto pelas necessidades de aprendizagem, como mercadológicas.

Por fim, uma série de benefícios advém do estabelecimento de critérios e abordagens avaliativas claramente delineados: maior credibilidade do professor, maior aceitação dos estudantes— que perceberão que avaliação não se iguala a críticas desconstrutivas—, e percepção acerca das principais estratégias e processos de tradução em jogo.

Conjunto de dados de pesquisa

Os dados aqui utilizados fazem parte de uma pesquisa de doutorado, atualmente em curso, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Linguística, da Universidade de Brasília.

Financiamento

Não se aplica.

Consentimento de uso de imagem

A autora declara que foi obtido o consentimento para o uso das imagens neste trabalho

Aprovação de comitê de ética em pesquisa

A pesquisa recebeu parecer favorável do CEP/CONEP, do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade de Brasília. N° do CAAE (Certificado de Apresentação de Apreciação Ética): 82069324.0.0000.5540. N° do parecer: 7.159.784.

1

No texto fonte: “[...] computer learner corpora are electronic collections of authentic FL/SL textual data assembled according to explicit design criteria for a particular SLA/FLT purpose. They are encoded in a standardised and homogeneous way and documented as to their origin and provenance” (Granger, 2002, p. 7).

2

A Linguística de Corpus pode ser definida como uma abordagem metodológica fundamentada no uso de conjuntos de textos em formato eletrônico (corpora) reunidos a partir de um critério específico com vistas a investigar um dado problema de pesquisa. A principal informação fornecida pelo estudo de corpora eletrônicos, por meio de ferramentas da Linguística de Corpus, diz respeito à frequência de determinados aspectos linguísticos. Essa abordagem, pautada no uso do computador, se mostra bastante propícia para estudos de caráter quantitativo (Granger, 2002).

3

O problema de tradução é definido por Nord (1991) como uma tarefa objetiva de transferência a qual todo tradutor deve resolver durante o processo tradutório. Haveria quatro categorias de problemas, quais sejam: a) problemas de ordem pragmática, resultantes do contraste entre a situação de uso do texto de partida e a de produção, do texto de chegada; b) problemas de convenção, como as diferenças existentes entre sistemas de medida ou convenções do sistema literário; c) problemas linguísticos, causado pelas distinções estruturais entre as línguas envolvidas; e d) problemas específicos do texto, devido a características próprias do material de partida, como a existência de jogos de palavras.

4

Sistema de etiquetagem de erros desenvolvido inicialmente para etiquetar a primeira versão do International Corpus of Learner English.

5

A inclusão dessa categoria se alinha ao que Kussmaul (1995) defende quando diz que a motivação é essencial aos alunos de tradução e a avaliação positiva de boas estratégias tradutórias contribui nesse aspecto.

6

Esse software foi desenvolvido pelo Centre for English Corpus Linguistics (CECL) da Universidade de Louvain, na Bélgica. Mais informações podem ser consultadas em Granger et al. (2023a).

7

Lista das palavras mais estatisticamente mais representativas de um corpus quando comparadas com as de um corpus de referência (Bernardini, 2022).

8

Unidades lexicais compostas por mais de uma palavra (e.g on the one hand), incluindo conectivos, sintagmas e idiomatismos (Rees, 2022).

9

Exibe as palavras que co-ocorrem mais frequentemente com a palavra buscada em uma dada janela de palavras.

10

Ferramenta que encontra todas as ocorrências de um item de busca e as organiza, apresentando contextos à esquerda e à direita (Anthony, 2022).

11

Indica a dispersão dos dados em relação à média. Uma alta variância indica que há diferença considerável entre os dados, o que sugere que há textos que apresentam mais erros que outros.

12

No texto fonte: “1. word lists/keyword lists to identify key semantic domains, that is, to establish central themes; 2. collocation lists to explore the textual behavior of key terms, that is, to identify patterns or start classifying terms from the corpus outputs (keyword and collocate lists); 3. concordance lists to explore further dominant patterns in context” (Ancarno, 2020, p. 177).

13

No texto fonte: “[...] the message embodied in the source text is transferred completely into the target text, including denotation, connotation, nuance and style, and the target text is written in the target language using correct grammar and word order, to produce a culturally appropriate text that, in most cases, reads as if originally written by a native speaker of the target language for readers in the target culture” (Koby et al., 2014, p. 416-417 citados por Verplaetse, 2022, p. 2009).

14

No texto fonte: “[...] translator assessment and translation quality assurance will always be haphazard and subject to the personal preferences and whims of the individual assessor or the interpretive frameworks, bureaucratic perspectives and draconian measures of educators and evaluators alike” (Darwish, 2001, p. 2).

Declaração de disponibilidade dos dados da pesquisa

Os dados desta pesquisa, que não estão expressos neste trabalho, poderão ser disponibilizados pela autora mediante solicitação.

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Anexo

Tabela descritiva das categorias do Translation-oriented annotation system de Granger e Lefer (2021)

Content CT Content: Distortion CT-DST Content: Distortion: Incomprehensible CT-DST-INC Content: Distortion: Incorrect meaning CT-DST-INM Content: Distortion: Illogical CT-DST-ILL Content: Distortion: Inexact meaning CT-DST-INE Content: Omission CT-OMI Content: Addition CT-ADD Content: Indecision CT-IND Content: Non-identification of source-text error/inconsistency CT-NON Culture CL Culture: Translated untranslatable/untranslated translatable CL-UNT Translation brief TB Translation brief: Non-compliance with reference materials TB-REF Translation brief: Formatting TB-FOR Grammar and Syntax GR Grammar and Syntax: Inflectional morphology GR-INF Grammar and Syntax: Tense/aspect GR-TNS Grammar and Syntax: Voice GR-VOI Grammar and Syntax: Word order GR-WOR Grammar and Syntax: Word category confusion GR-WCO Grammar and Syntax: Determiner GR-DET Grammar and Syntax: Preposition GR-PRE Grammar and Syntax: Pronoun GR-PRO Grammar and Syntax: Concord GR-CCD Grammar and Syntax: Conjunction GR-CJX Grammar and Syntax: Complementation GR-COM Grammar and Syntax: Complementation: Adjective GR-COM-ADJ Grammar and Syntax: Complementation: Noun GR-COM-NOU Grammar and Syntax: Complementation: Verb GR-COM-VRB Grammar and Syntax: Complementation: Adverb GR-COM-ADV Lexis and Terminology LT Lexis and Terminology: Word LT-WRD Lexis and Terminology: Word: Single word LT-WRD-SWO Lexis and Terminology: Word: Single word: Derivative LT-WRD-SWO-DER Lexis and Terminology: Word: Single word: Cognate LT-WRD-SWO-COG Lexis and Terminology: Word: Multiword LT-WRD-MWO Lexis and Terminology: Word: Multiword: Compound LT-WRD-MWO-COP Lexis and Terminology: Word: Multiword: Collocation LT-WRD-MWO-COL Lexis and Terminology: Word: Multiword: Idiom LT-WRD-MWO-IDI Lexis and Terminology: Term LT-TRM Lexis and Terminology: Term: Term translated by non-term/non-term translated by term LT-TRM-TNT Lexis and Terminology: Term: Terminological inconsistency LT-TRM-TIN Discourse and Pragmatics DP Discourse and Pragmatics: Cohesion DP-COH Discourse and Pragmatics: Cohesion: Linkword DP-COH-LIN Discourse and Pragmatics: Cohesion: Pronoun reference DP-COH-PRF Discourse and Pragmatics: Information structuring DP-STR Discourse and Pragmatics: Information structuring: Thematic progression DP-STR-THE Discourse and Pragmatics: Information structuring: Split/merge sentences DP-STR-SPL Discourse and Pragmatics: Information structuring: Syntactic preferences DP-STR-SYN Mechanics ME Mechanics: Spelling ME-SPE Mechanics: Punctuation ME-PUN Mechanics: Units, dates, numbers ME-UDN Register and Style REG Register and Style: Degree of (in)formality and register mismatch REG-FML Register and Style: Heavy REG-HEA Register and Style: Redundant REG-RED PLUS (meta-tag) PLUS Source Language Intrusion (meta-tag) SLI Distortion (meta-tag) DIS Error repetition (meta-tag) REP

Conflito de interesses

Não se aplica.

Editores de seção

Andréia Guerini – Willian Moura

Revisão de normas técnicas

Alice S. Rezende – Ingrid Bignardi – João G. P. Silveira – Kamila Oliveira

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    19 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    22 Dez 2024
  • Aceito
    26 Jul 2025
  • Revisado
    02 Set 2025
  • Publicado
    Out 2025
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