Cadernos de Tradução, Volume: 38, Issue: spe, Published: 2018
  • BAUDELAIRE 150 ANOS Apresentação

    Abes, Gilles Jean; Veras, Eduardo Horta Nassif
  • TOPICALITY OF BAUDELAIRE Artigos

    Guyaux, André; Veras, Eduardo Horta Nassif

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Trata-se, neste ensaio, de abordar a atualidade de Baudelaire a partir de sua percepção das noções de“modernidade”, “progresso” e do “mal”. Com efeito, o poeta estabelece, em sua definição de modernidade, uma dialética na qual triunfaria a eternidade na arte, a eternidade da arte. Ora, muitas vezes recorda-se apenas desta tese fundadora da parte relativa, que diz respeito ao transitório, ao fugidio. A ideia que Baudelaire tem do progresso é indissociável do sentido que dá ao mal, um progresso que é individual, que passa pela “diminuição do pecado original”, não pelo progresso material, este falso progresso celebrado em sua época (e atualmente).

    Abstract in French:

    Resumé Il s’agit, dans cet essai, d’aborder l’actualité de Baudelaire à partir de sa perception des notions de “modernité”, de “ progrès “ et de “ mal “. Le poète engage en effet, dans sa définition de modernité, une dialectique où triompherait l’éternité dans l’art, l’éternité de l’art. Or, on retient trop souvent de cette thèse fondatrice la partie relative, qui a trait au transitoire, au fugitif. L’idée que Baudelaire a du progrès est indissociable de son sens du mal, un progrès qui est individuel passant par la “diminution du péché originel”, et non pas par le progrès matériel, ce faux progrès célébré à son époque (et de nos jours).

    Abstract in English:

    Abstract In this essay, it is a question of tackling Baudelaire’s topicality from his perception of notions of “modernity”, “progress” and “evil”. Indeed, in his definition of modernity, the poet engages in a dialectic in which eternity triumphs in art, the eternity of art. Now, too often this founding argument is retained in the relative part, which relates to the transient, to the fugitive. The idea that Baudelaire has of progress is inseparable from his sense of evil, a progress which is individual through the “diminution of original sin”, and not by material progress, that false progress celebrated in his time (and our days).
  • RETRANSLATIONS OF THE FLOWERS OF EVIL A TRAVEL BETWEEN BRAZIL AND PORTUGAL Artigos

    Faleiros, Álvaro

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Apesar de ser um livro de grande importância para a poesia brasileira e portuguesa desde o século XIX, Les fleurs du mal só recebem sua primeira tradução (praticamente) integral em língua portuguesa em 1958, no Brasil, por Jamil Almansour Haddad, à qual se seguem as traduções de Ignacio de Souza Moitta (1971) e de Ivan Junqueira (1985). A primeira edição integral portuguesa é de 1992, feita por Fernando Pinto do Amaral, à qual se segue a tradução de Maria Gabriela Llansol (2003). O Brasil, no século XXI, acolhe novamente Les fleurs du mal com o lançamento, em 2011, de mais duas traduções integrais, por Mário Laranjeira (2011) e Helena Amaral (2011, 2013). Apesar de já terem sido estudas no Brasil e em Portugal, são poucas as reflexões que comparam essas traduções brasileiras com as portuguesas; comparação que nos permite interessantes indagações sobre as práticas tradutórias dos dois lados do continente.

    Abstract in English:

    Abstract Despite being a book of great importance for Brazilian and Portuguese poetry since the 19th century, Les fleurs du mal only received its first (almost) integral translation in Portuguese in 1958, in Brazil, by Jamil Almansour Haddad, followed by the translations of Ignacio de Souza Moitta (1971) and Ivan Junqueira (1985). The first Portuguese integral edition is of 1992, made by Fernando Pinto do Amaral, followed by the translation of Maria Gabriela Llansol (2003). Brazil, in the 21st century, again welcomes Les fleurs du mal with the launch in 2011 of two more complete translations, by Mário Laranjeira (2011) and Helena Amaral (2011, 2013). Although they have already been studied in Brazil and in Portugal, there are few reflections that compare these Brazilian and Portuguese translations; comparison that allows us to ask interesting questions about the translation practices on both sides of the continent.
  • TOWARDS PROSE: ASPECTS OF A NEW TRANSLATION PROJECT OF PETITS POÈMES EN PROSE, BY BAUDELAIRE Article

    Veras, Eduardo Horta Nassif

    Abstract in Portuguese:

    Resumo O artigo apresenta, em linhas gerais, as principais diretrizes que guiaram o trabalho de uma nova tradução dos Petits poèmes en prose, de Baudelaire, realizado por mim em parceria com Isadora Petry. Procuro mostrar, primeiramente, como o projeto do poeta francês de passagem para prosa demorou a ser compreendido mesmo pela crítica especializada, o que explica em grande parte o caráter poético das primeiras traduções brasileiras. Por outro lado, a radicalização do prosaísmo também não parece dar conta do desafio de traduzir essas “bagatelas laboriosas”, concebidas por Baudelaire como uma experiência poética essencialmente ambivalente. Sempre em diálogo com a Crítica, nossa tradução procurou enfrentar esse desafio da ambivalência, do qual este artigo aborda dois aspectos: o encontro da prosa com a poesia e a apropriação irônica e significativa do lugar-comum.

    Abstract in English:

    Abstract The article presents, in general lines, the main guidelines that guided the work of a new translation of Petits poèmes en prose, by Baudelaire, carried out by me in partnership with Isadora Petry. I try to show, first, how the French poet’s prose poetry project took a long transition time to be understood even by specialist critics, which explains, in large part, the poetic character of the first Brazilian translations. On the other hand, the radicalization of prosaism also seems not to be able to deal with the challenge of translating these “laborious trifles”, conceived by Baudelaire as an essentially ambivalent poetical experience. Always in dialogue with Literary Criticism, our translation sought to meet this challenge of ambivalence, from which this article addresses two aspects: the encounter of prose with poetry and the ironic and meaningful appropriation of the commonplace.
  • A NEW READING OF THE LIFE OF CHARLES BAUDELAIRE: A BIOGRAPHICAL RECEPTION FROM THE TRANSLATION OF HIS CORRESPONDENCE Artigos

    Abes, Gilles Jean

    Abstract in Portuguese:

    Resumo O objetivo desse artigo é o propor uma outra leitura da vida do poeta Charles Baudelaire. De fato, a imagem do poeta das Flores do mal parece petrificada num discurso quase uníssono, presente em numerosas notas biográficas de traduções de grande circulação no Brasil, que faz eco ao ensaio de Ivan Junqueira, “A arte de Baudelaire” (1985). Ele afirma que o poeta, ainda criança, se revoltou com o segundo casamento da mãe, choque que marcou profundamente sua vida, que nunca se entendeu com o padrasto militar e seu meio-irmão, e que, depois de adulto, teria tido uma relação incestuosa com a mãe. Diante dessas afirmações, cuja argumentação se fundamenta sobretudo na correspondência do poeta, a proposta passa por um exame detalhado da formação daquela narrativa de vida. Nesse sentido, a tradução comentada de cartas deve, senão abalar aquele discurso, ao menos oferecer outra vereda para sua recepção biográfica.

    Abstract in English:

    Abstract The purpose of this article is to propose another reading of the life of the poet Charles Baudelaire. In fact, the image of the poet of the Flowers of Evil seems petrified in an almost unison speech, present in numerous biographical notes of translations of great circulation in Brazil, which echoes the essay by Ivan Junqueira, “The Art of Baudelaire” (1985). He affirms that the poet, as a child, was revolted with his mother’s second marriage, a shock that profoundly affected his life, which was never understood by his military stepfather and his half-brother, and who, as an adult, would have had an incestuous relationship with his mother. In the face of these statements, whose argument is based mainly on the correspondence of the poet, the proposal goes through a detailed examination of the formation of that narrative of life. In this sense, the commented translation of letters should, if not shake that discourse, at least offer another path for its biographical reception.
  • LOVERS OF THE IMPERFECT BEAUTY Artigos

    Tápia, Marcelo

    Abstract in Portuguese:

    Resumo No panorama da recepção e da recriação, no Brasil, de Les fleurs du mal (1857), de Charles Baudelaire, a antologia organizada e traduzida por Guilherme de Almeida (1944) permanece como fonte de reflexões sobre a tradução poética e suas relações com a afinidade e a identificação entre tradutor e autor, bem como entre suas concepções acerca de poesia. O presente artigo procura demonstrar, por meio da releitura dos apontamentos do tradutor dos poemas, seu persistente potencial iluminador sobre características da célebre obra original e a tarefa do traduzir como um diálogo convergente entre poéticas e idiomas distintos.

    Abstract in English:

    Abstract In the panorama of the reception and re-creation in Brazil of Les fleurs du mal (1857) by Charles Baudelaire, the anthology organized and translated by Guilherme de Almeida (1944) remains a source for reflections on poetic translation and its relations with affinity and the identification between translator and author, as well as between his conceptions about poetry. The present article seeks to demonstrate, through the rereading of the poet’s translator’s notes, his persistent illuminating potential on the characteristics of the notorious original work and the task of translating as a convergent dialogue between poetics and different languages.
  • LES FLEURS DU MAL BEFORE THE FLOWERS OF EVIL: THE VERY FIRT BAUDELAIREANS Artigos

    Meirelles, Ricardo

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Antes da primeira tradução completa de Les Fleurs du mal, de Charles Baudelaire, vários poetas brasileiros escolheram poemas dele para traduzir e incluir em seu repertório. Primeiro, os poemas são “aclimatados”, adaptados e parafráseados por legitimar uma filiação estética, incorporados pelos poetas aos seus livros e assumidos como de sua autoria; depois, aparecem em antologias e livros exclusivos, servindo como modelo de resistência a certas novidades estéticas modernas; o amplo e intenso debate sobre a primeira recepção dos poemas de Baudelaire produziu um repertório crítico e literário composto de diversas correntes de interpretação e reconhecimento de extrema importância para a História da Literatura, como o encadeamento dos pensamentos de ASSIS (1879), CÂNDIDO (1989) e AMARAL (1996). Contudo é preciso não esquecer que existiram os “primeiríssimos baudelairianos”: poetas, como o gaúcho Carlos Ferreira e o catarinense Luiz Delfino, que com sua acanhada contribuição ajudaram a garantir essa recepção e a amplitude e a intensidade desse debate.

    Abstract in English:

    Abstract Before the first complete translation of Charles Baudelaire’s Les Fleurs du mal, several Brazilian poets chose his poems to translate and include in your repertoire. First, the poems are «acclimatized», adapted and paraphrased for legitimizing an aesthetic affiliation, incorporated by the poets into their books and assumed as their own; then appear in exclusive anthologies and books, serving as a model of resistance to certain modern aesthetic novelties; the wide and intense debate about the first reception of Baudelaire’s poems produced a critical and literary repertoire composed of several streams of interpretation and recognition of utmost importance for the History of Literature, such as the chaining of the thoughts of ASSIS (1879), CANDIDO (1989) and AMARAL (1996). However, it is important to remember that the «very first Baudelaireans» existed: poets, like the gaucho Carlos Ferreira and the catarinense Luiz Delfino, who with their limited contribution helped to guarantee this reception and the breadth and intensity of this debate.
  • ESSAYISTIC COMMENTARY AS TRANSLATION: THE EXAMPLE OF MON CŒUR MIS À NU, BY CHARLES BAUDELAIRE Artigos

    Oliveira, Thiago Mattos de

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Ao traduzir o projeto póstumo Mon cœur mis à nu, de Charles Baudelaire, a partir dos seus muitos inacabamentos, propus um espaço de reescrita em que três traduções possíveis operam simultaneamente, cada qual colocando em cena uma dimensão específica dos seus inacabamentos: marcas matéricas do manuscrito; inexistência de uma ordenação definitiva; rede de historicidades das edições e traduções anteriores. Neste ensaio, ocupo-me especificamente do caso da (não) ordenação de Mon cœur mis à nu, procurando mostrar como a estratégia do comentário-ensaio como tradução me permitiu estabelecer uma relação com Mon cœur mis à nu que nem recorre a soluções apressadas (ordenação randômica digital, edição em folhas avulsas etc.) nem se limita a uma inviável restituição linear e cronológica dos manuscritos. Ao percorrer o texto ensaisticamente, num tipo específico de comentário que Antoine Berman chegou a esboçar teoricamente no seu também inacabado L’âge de la traduction, produz-se uma tradução possível desse texto, desenhada a partir de linhas de força que, atravessando a leitura e a escrita ensaística, talham, estilhaçam e rearranjam o original. Para diferenciar o comentário ensaístico de tradução da nota de tradutor, também é brevemente exposto o trabalho de Ana Cristina César sobre o conto Bliss, de Katherine Mansfield.

    Abstract in English:

    Abstract When translating Charles Baudelaire’s posthumous Mon cœur mis à nu stemmed from its many unfinishments, I offered a rewriting space in which three possible translations run simultaneously, each one of them presenting a specific dimension of its unfinishments: material marks of the manuscript; the inexistence of a defined ordering; a grid of historicities of earlier editions and translations. In this essay, I undertake specifically the case of Mon cœur mis à nu’s (non) ordering, seeking to reveal how the strategy of preparing a commentary-essay understood as a translation allowed me to establish a relation to Mon cœur mis à nu that neither appeals to rushed solutions (random digital ordering, loose leafs edition etc.) nor limits itself to an impractical linear chronological restoration of the manuscripts. In traversing the text in an essayistic way, in a specific form of commentary that Antoine Berman came to outline theoretically in its also unfinished L’âge de la traduction, a possible translation of this text is produced, drawn from lines of force that, crossing essayistic reading and writing, carves, shatters and rearranges the original. In order to discriminate essayistic commentary of translation from translator’s note, Ana Cristina Cesar’s work on Katherine Mansfield’s tale Bliss is also briefly handled.
  • MÁRIO LARANJEIRA: TRAJETÓRIA DE UM TRADUTOR Entrevistas

    Faleiros, Álvaro; Cesco, Andréa; Fernandes, Fabiano Seixas; Abes, Gilles Jean
Universidade Federal de Santa Catarina Campus da Universidade Federal de Santa Catarina/Centro de Comunicação e Expressão/Prédio B/Sala 301 - Florianópolis - SC - Brazil
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