A interpretação de provérbios populares por idosos de alta, média e baixa escolaridade: raciocínio abstrato como um aspecto das funções executivas

Thalita Bianchi de Oliveira Wachholz Mônica Sanches Yassuda Sobre os autores

Resumo

Sabe-se atualmente que funções cognitivas tendem a declinar com a idade, e as funções executivas (FE) incluem algumas das primeiras habilidades a declinar no envelhecimento. Um subcomponente das FE é a capacidade do raciocínio abstrato. Um instrumento utilizado para avaliar o desempenho na capacidade de abstração é o Teste de Provérbios.

Objetivo:

Examinar a associação entre o desempenho na interpretação de provérbios com a escolaridade e com tarefas de memória episódica e de FE.

Métodos:

Foram avaliados 67 idosos, com idade entre 60 e 75 anos, divididos em três faixas de escolaridade: entre 1 a 4 anos, 5 a 8 anos, e com 9 ou mais de escolaridade. Os instrumentos utilizados foram: questionário sociodemográfico (sexo, idade, estado civil, escolaridade, renda, ocupação anterior, ocupação atual e percepção da saúde); Mini Exame do Estado Mental (MEEM); Bateria Breve de Rastreio Cognitivo (BBRC); Escala de Depressão Geriátrica (GDS); Dígitos Diretos e Inversos (WAIS-III); Teste de interpretação de provérbios.

Resultados:

Foi observado efeito significativo da escolaridade sobre a interpretação dos provérbios, com menor desempenho entre os idosos com menor escolaridade. Encontrou-se também associação significativa entre o desempenho no teste dos provérbios e o MEEM, a GDS, e a fluência verbal. Houve associação de menor magnitude com a memória incidental.

Conclusões:

A capacidade de interpretar provérbios está fortemente associada à escolaridade e ao desempenho em outras tarefas de FEs.

Palavras-chave:
envelhecimento; funções executivas; raciocínio abstrato; teste de provérbios

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