Antipsychoticos na doença de Alzheimer: uma análise crítica

Eduardo Marques da Silva Rafaela de Castro Oliveira Pereira Braga Thiago Junqueira Avelino-Silva Luiz Antonio Gil JuniorSobre os autores

Resumo

A prevalência mundial de demencia entre idosos foi de 3,9% em 2005. Cerca de 90% dos dementados apresentarão sintomas como delirium, alucinações, agressividade e agitação. O tratamento dos sintomas não cognitivos envolve estratégias não farmacológicas - com sucesso variável de acordo com a literatura - e tratamento medicamentoso. A presente revisão de literatura discute o atual papel dos antipsicóticos nos sintomas neurocomportamentais de demência.

Métodos:

Conduzimos uma revisão temática nas principais bases de dados da literatura.

Resultados:

313 artigos sobre o tema foram encontrados e 39 selecionaos para compor uma análise crítica. Até 2005, as melhores evidências para tratamento medicamentoso indicavam o uso de inibidores da acetilcolinesterase memantina e antipsicóticos. Em 2005 o FDA desautorizou o uso de antipsicóticos atípicos em dementados (em 2008 fez o mesmo com os típicos). Após isto, 2 ensaios clínicos randomizados placebo-controlados foram concluídos avaliando a eficácia dos antipsicóticos atípicos em portadores de doença de Alzheimer (CATIE-AD) e os efeitos da interrupção destes (DART-AD).

Conclusões:

Considerando as evidências atuais, os antipsicóticos ainda têm importância no manejo dos sintomas psicóticos mais sérios, após falha de tratamento não farmacológico e de uma abordagem inicial com inibidores de receptação de serotonina, anticolinesterásicos e memantina.

Palavras-chave:
antipsicoticos; demencia; efeitos colaterais; Alzheimer; sintomas neuropsiquiátricos

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