Por uma economia política da financeirização: teoria e evidências

José Carlos Braga Giuliano Contento de Oliveira Paulo José Whitaker Wolf Alex Wilhans Antonio Palludeto Simone Silva de Deos Sobre os autores

Resumo

O fim do arranjo de Bretton Woods ensejou não apenas uma mudança na forma de funcionamento das relações econômicas em âmbito mundial, mas também no próprio modo de operação do capitalismo. A liberalização dos fluxos de capitais e a desregulamentação e integração dos mercados financeiros internacionais sob a liderança dos Estados Unidos deu origem a um novo padrão sistêmico de riqueza, a financeirização, em que as operações financeiras ganham importância cada vez maior na gestão de ativos e passivos por parte das famílias e das empresas, e não apenas de instituições do mercado financeiro. Ao contrário do que sugerem interpretações mais recentes sobre esse fenômeno, isso não significa uma tendência do sistema à estagnação, mas um aumento da sua instabilidade característica, reforçando os momentos de expansão, mas também de contração. De fato, com a generalização e a dominância da lógica financeira as decisões de endividamento e de gasto das empresas e das famílias passaram a ser crescentemente sensíveis às oscilações correntes e esperadas nos estoques de riqueza, as quais, por sua vez, são sensíveis às mudanças dos preços dos ativos financeiros. Isso implica em transformações da relação entre Estado e mercados, com os bancos centrais e os tesouros nacionais tornando-se reféns da necessidade de evitar as perdas patrimoniais privadas e os efeitos perversos que elas podem exercer sobre os níveis de produto, renda e emprego da economia.

Palavras-chave:
Financeirização; Capitalismo contemporâneo; Dinâmica econômica; Instabilidade; Desigualdade

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