A estética dos becos em Cora Coralina ou "Um modo diferente de contar velhas estórias"

The aesthetics of the alleys in Cora Coralina or "A different way to tell old stories"

Resumos

Este artigo analisa as interconexões entre literatura, memória e cidade a partir da obra de Cora Coralina (1889-1985). Instituindo uma memória topográfica, a escritora goiana elegeu os becos como espaço privilegiado para a tessitura de sua estética. A partir dessa chave interpretativa, observamos as relações sociais no interior brasileiro nos séculos XIX e XX construídas sob um olhar que reabilita os entrelugares. Em vários poemas e contos a vida da cidade é traduzida a partir da vida nos becos, dos personagens que nele residem e circulam, das relações e reações que provocam como palco e bastidor. Pretendemos, desse modo, analisar as estratégias utilizadas pela autora para retratar e criticar a realidade de seu tempo considerando os becos como metáfora e metonímia de sua cidade. A partir de uma inserção marginal, especialmente devido a preconceitos com relação à sua idade e condição feminina, Cora desenvolveu uma estética dos becos em que mulheres e outras minorias, nem sempre numéricas, tornaram-se centro.

Cora Coralina; memória; cidade; becos


This article examines the interconnections between literature, memory and the city in the work of Cora Coralina (1889-1985). From a topographic memory, Coralina elected the alleys as a privileged space for her work’s aesthetics. In this interpretive key, she observed social relations within Brazil in the nineteenth and twentieth centuries from a point of view that rehabilitates the margins. In several poems and tales, the city life is translated from life in the alleys, the characters who reside there, and relationships and reactions that it causes. We intend, therefore, to analyze the strategies used by the author to portray and criticize the reality of their time considering the alleys as metaphor and metonymy of your city. From a marginal insertion, especially due to prejudices regarding their age and condition of women, Cora developed an aesthetic of alleys where women and other minorities, not always numeric, become the center.

Cora Coralina; memory; city; alleys


  • BEZERRA, Kátia da Costa (2009). Cora Coralina e o discurso da memória: um retrato da velha Goiás. In: BRITTO, Clovis Carvalho; CURADO, Maria Eugênia; VELLASCO, Marlene (Orgs.). Moinho do tempo: estudos sobre Cora Coralina. Goiânia: Kelps.
  • BOLLE, Willi (2000). Fisiognomia da metrópole moderna: representação da história em Walter Benjamin. 2. ed. São Paulo: EdUSP.
  • BRITTO, Clovis Carvalho (2008). Amo e canto com ternura todo o errado da minha terra: literatura e sociedade em Cora Coralina. In: BRITTO, Clovis Carvalho; SANTOS, Robson dos (Orgs.). Escrita e sociedade: estudos de sociologia da literatura. Goiânia: Editora da UCG.
  • CAMARGO, Goiandira Ortiz de (2009). A escrita poética do espaço em Cora Coralina. Poesia Sempre, Rio de Janeiro, n. 31, p. 85-97.
  • COELHO, Gustavo Neiva (1996). Goiás: uma reflexão sobre a formação do espaço urbano. Goiânia: Editora UCG.
  • CORALINA, Cora (2001). Poemas dos becos de Goiás e estórias mais. 20. ed. São Paulo: Global.
  • ______ (2006). Estórias da casa velha da ponte. 13. ed. São Paulo: Global.
  • DAMATTA, Roberto (1997). A casa & a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil. 5 ed. Rio de Janeiro: Rocco.
  • ELIAS, Norbert; SCOTSON, John (2000). Os estabelecidos e os outsiders: sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
  • FOUCAULT, Michel (1987). Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes.
  • GOMES, Melissa Carvalho (2006). O beco: liturgia na obra de Cora Coralina. In: DENÓFRIO, Darcy França; CAMARGO, Goiandira Ortiz de. Cora Coralina: celebração da volta. Goiânia: Cânone.
  • KOHLSDORF, Maria Elaine (1996). A apreensão da forma da cidade. Brasília: Editora UnB.
  • PARK, Robert (1979). A cidade: sugestões para a investigação do comportamento humano no meio urbano. In: VELHO, Otávio (org.). O fenômeno urbano. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar.
  • PERROT, Michelle (2005). As mulheres ou os silêncios da história. Bauru: EDUSC.
  • PESQUERO-RAMON, Saturnino (2003). Cora Coralina: o mito de Aninha. Goiânia: Editora da UFG; Editora da UCG.
  • YOKOZAWA, Solange Fiúza Cardoso (2009). Confissões de Aninha e memória dos becos. In: BRITTO, Clovis Carvalho; CURADO, Maria Eugênia; VELLASCO, Marlene (Orgs.). Moinho do tempo: estudos sobre Cora Coralina. Goiânia: Kelps.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    08 Jan 2014
  • Data do Fascículo
    Dez 2013

Histórico

  • Recebido
    Dez 2012
  • Aceito
    Abr 2013
Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, Programa de Pós-Graduação em Literatura da Universidade de Brasília (UnB) Programa de Pós-Graduação em Literatura, Departamento de Teoria Literária e Literaturas, Universidade de Brasília , ICC Sul, Ala B, Sobreloja, sala B1-8, Campus Universitário Darcy Ribeiro , CEP 70910-900 – Brasília/DF – Brasil, Tel.: 55 61 3107-7213 - Brasília - DF - Brazil
E-mail: revistaestudos@gmail.com