Resumo
Este estudo tem como objetivo investigar as competências dos bibliotecários para o mercado de trabalho atual, considerando as rápidas transformações tecnológicas e as novas demandas da sociedade. Busca-se identificar os valores, conhecimentos, habilidades e atitudes essenciais para o desempenho eficaz desses profissionais. Utilizou-se uma abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, com base em uma revisão bibliográfica de artigos publicados em acesso aberto entre 2014 e 2024, nas bases Redalyc, SciELO, Scopus e Web of Science. Os materiais selecionados foram submetidos a uma análise de conteúdo, que possibilitou a identificação de dados quantitativos e qualitativos, este último relacionado à frequência de ocorrência de dez competências previamente definidas. Os resultados mostram que as competências digitais, cognitivas e sociais foram as mais enfatizadas, sendo consideradas fundamentais para a atuação dos bibliotecários no mercado atual. Além disso, competências adaptativas e criativas, embora mencionadas com menor frequência, também se mostraram relevantes para lidar com as rápidas mudanças tecnológicas e novas demandas profissionais. Para enfrentar os desafios do mercado atual, os bibliotecários devem combinar uma série de elementos que se constituem em competências que busquem atender às demandas da sociedade e do mercado de trabalho. A importância da formação inicial e continuada e da atualização profissional constante para manter a relevância e o sucesso profissional foi evidenciada. Recomenda-se explorar mais profundamente os desafios enfrentados pelos bibliotecários na adaptação às novas demandas contemporâneas e as estratégias para superação de possíveis desafios.
Palavras-chave:
bibliotecário; mercado de trabalho; competências profissionais; desenvolvimento profissional
Abstract
This study aims to investigate the competencies of librarians for the current job market, considering the rapid technological transformations and the new demands of society. It seeks to identify the values, knowledge, skills, and attitudes essential for the effective performance of these professionals. A qualitative, descriptive, and exploratory approach was used, based on a bibliographic review of open-access articles published between 2014 and 2024 in the Redalyc, Scielo, Scopus, and Web of Science databases. The selected materials were subjected to content analysis, which allowed for the identification of both quantitative and qualitative data, the latter related to the frequency of occurrence of ten previously defined competencies. The results show that digital, cognitive, and social competencies were the most emphasized, being considered fundamental for librarians’ performance in the current job market. In addition, adaptive and creative competencies, although mentioned less frequently, also proved to be relevant for dealing with rapid technological changes and new professional demands. To meet the challenges of today’s market, librarians must combine a range of elements that constitute competencies aimed at addressing societal and labor market demands. The importance of initial and continuing education, as well as constant professional updating to maintain relevance and career success, was highlighted. It is recommended that further exploration be conducted into the challenges faced by librarians in adapting to contemporary demands and the strategies for overcoming possible obstacles.
Keywords:
librarian; job market; professional competencies; professional development
1 Introdução
A inserção no mercado de trabalho pode representar um desafio que vai além da formação profissional inicial. De acordo com Santos et al. (2016), estudos indicam que, embora a qualificação acadêmica seja essencial para melhorar as chances de empregabilidade, ela, por si só, não assegura a inserção profissional. Assim, para se destacar em um cenário competitivo, é recomendado investir em experiências práticas, educação continuada e no desenvolvimento de novas competências.
Na área da Biblioteconomia, esses requisitos também são evidenciados. As rápidas transformações tecnológicas, sociais e culturais da sociedade contemporânea, somadas às crescentes demandas por informações úteis e relevantes, que são características da sociedade da informação, conduzem a uma redefinição dos papéis e funções dos profissionais que atuam com a informação, como o bibliotecário (Artaza, 2016).
Além das bibliotecas, tradicionalmente reconhecidas como os principais espaços de atuação do bibliotecário, esses profissionais têm encontrado oportunidades em uma diversidade de contextos e ambientes de trabalho. Empresas, organizações, instituições, centros de documentação e informação, de âmbito público e privado, são alguns exemplos de locais onde os bibliotecários podem atuar. Cada um desses ambientes demanda combinações específicas de competências técnicas e cognitivas, permitindo que os bibliotecários trabalhem com a informação de maneira eficaz, atendendo às diversas necessidades informacionais das comunidades com as quais se relacionam.
A ideia de competência, compreendida como a capacidade de um indivíduo para solucionar uma série de problemas ou situações complexas, mobilizando recursos cognitivos e práticos (Mota; Silva; Pimenta, 2022), torna-se uma ferramenta para os indivíduos e é um movimento entendido como crucial para a jornada pessoal e profissional.
Conforme aponta Valentim (2000), ainda no início do século XXI, não é de hoje que o dinamismo e a eficiência se constituem como requisitos para os profissionais que trabalham com a informação na busca por atualização e adequação às mudanças de paradigmas científicos e sociais. Há uma demanda crescente para que esses profissionais ampliem seu escopo de habilidades e se mantenham atualizados, pois a capacidade de se adaptar às novas exigências da sociedade da informação tem se mostrado crucial para garantir a relevância e o sucesso no mercado de trabalho (Kroeff et al., 2017; Santana; Rocha; Tolentino, 2024).
Portanto, identificar as tendências e as novas demandas do mercado laboral é essencial para que os bibliotecários possam enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades. Para isso, o desenvolvimento de novas competências pode contribuir para a adaptação aos novos modelos de trabalho, possibilitando aos profissionais estabelecerem-se em um mercado marcado pelo uso intensivo das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) (Ottonicar; Valentim, 2019).
Considerando o avanço das discussões sobre competências profissionais do bibliotecário, este estudo se propõe a analisar a literatura científica de acesso aberto publicada nas bases de dados Redalyc, SciELO, Scopus e Web of Science entre 2014 e 2024, período em que se consolidaram novas dinâmicas sociais, organizacionais, tecnológicas e digitais ligadas ao trabalho informacional.
Apresenta-se, então, a seguinte questão de pesquisa: quais competências são atribuídas ao bibliotecário, presentes na literatura científica de acesso aberto no período de 2014 a 2024, para a atuação no mercado de trabalho? Para obter essa resposta, o objetivo central que rege este estudo é sistematizar a frequência das competências profissionais atribuídas aos bibliotecários na literatura científica de acesso aberto publicada entre 2014 e 2024, voltadas para a atuação no mercado de trabalho.
2 O bibliotecário e o mercado de trabalho
O uso da informação pela sociedade, embora não seja uma novidade, tornou-se cada vez mais crucial nas últimas décadas, especialmente devido ao aumento da demanda por informação para a construção de conhecimento e geração de valor em diversos setores (Burke, 2003; Castells, 2013). Esse cenário transformou a natureza política, econômica e social da informação, impulsionando os profissionais a desenvolverem competências dinâmicas voltadas à criação, à localização, ao acesso, à avaliação e ao uso estratégico da informação como parte de um processo contínuo de aprendizagem (Burke, 2003; Vitorino; Piantola, 2020).
A noção de competência, de acordo com Paz et al. (2021), é entendida como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que possibilita a mobilização de ações individuais e coletivas em diferentes contextos, requerendo dos sujeitos processos de reflexão, tomada de decisão e ação. Em consonância, remetendo a um cenário de atuação profissional, Fleury e Fleury (2001) apontam que a competência abrange aspectos que se refletem tanto no indivíduo quanto na organização, agregando valor econômico ao ambiente institucional e valor social ao desenvolvimento individual. Assim sendo, o desenvolvimento de competências essenciais está associado à reflexão crítica sobre os interesses que orientam as práticas profissionais e sobre as consequências sociais das ações realizadas.
Segundo Lira e Jacintho (2023), à medida que os indivíduos adquirem conhecimentos e técnicas específicas, tornam-se aptos a aplicá-los na solução de diversas questões cotidianas, sejam elas de caráter pessoal, social ou profissional. Essa postura permite “[...] desenvolver um conjunto de capacidades, habilidades, saberes e conhecimentos no sentido de posicionar-se cognitivamente em relação à sociedade da informação” (Souza; Bahia; Vitorino, 2020, p. 64).
Com foco no mercado de trabalho e com a chegada do século XXI, Silva e Cunha (2002) destacam a importância da qualificação pessoal e do desenvolvimento de novas competências para uma atuação eficaz em um mundo cada vez mais globalizado e tecnologicamente avançado, onde a informação é fundamental para a geração de conhecimento para a produtividade e inovação.
As Nações Unidas, por meio do documento intitulado UN competency development: A practical guide, disponibilizou no ano de 2010 um guia com o objetivo de oferecer suporte e apoio aos seus funcionários para o desenvolvimento de valores e competências necessárias ao sucesso profissional. Esse conjunto de competências, que pode ser aplicado em outras organizações profissionais, inclui comunicação, trabalho em equipe, planejamento e organização, responsabilização, orientação para o cliente, criatividade, consciência tecnológica e compromisso com o aprendizado contínuo (United Nations, 2010).
Essas competências refletem exigências cada vez mais presentes no cenário profissional, impulsionadas constantemente pelo avanço das tecnologias digitais. Nesse sentido, em uma sociedade pautada pela produção e uso da informação, Spudeit e Cunha (2016) compreendem que as transformações tecnológicas e a influência das tecnologias da informação acabam por gerar impactos no mercado de trabalho, que por conseguinte acarretam em mudanças para diversas áreas profissionais.
Contudo, é importante ressaltar que as mudanças que ocorrem de forma constante no mercado de trabalho, e que afetam diretamente os profissionais, não decorrem exclusivamente do avanço tecnológico. Segundo Silva e Morigi (2008), transformações organizacionais, paradigmáticas e sociais influenciam diretamente a reconfiguração das identidades profissionais, exigindo novas habilidades, atitudes e comportamentos.
No campo da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, as discussões relacionadas a movimentos como a competência em informação, digital, midiática, social e gestora têm sido fundamentais para ampliar a conscientização dos bibliotecários acerca de sua atuação profissional. Tais competências perpassam tanto as dimensões técnicas, relacionadas à produção, comunicação e uso de dados, informações e conhecimentos em diferentes formatos e suportes, quanto um olhar mais sensível, que envolve aspectos como flexibilidade, administração, gestão e comunicação (Castro Filho, 2016; Vitorino; Piantola, 2020).
A Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) no documento IFLA Guidelines for Continuing Professional Development: Principles and Best Practices, que se trata de um conjunto de diretrizes para o desenvolvimento profissional continuado e voltado para o ambiente de atuação de profissionais da informação, incluindo bibliotecários, discute que o profissional deve acompanhar os desenvolvimentos que impactam a sua profissão, buscando oportunidades para sanar lacunas de competência e aprimorar seus conhecimentos e habilidades (Varlejs et al., 2016).
A articulação entre domínio técnico e social impacta diretamente a atuação dos bibliotecários e possui o potencial de promover transformações significativas em suas práticas, ao ponto de que a pesquisa de Valentim (2023) analisa as competências profissionais entendidas como impulsionadoras de mudanças pelos profissionais da informação e destaca dez competências: (1) Competência crítica; (2) Competência social; (3) Competência adaptativa/criativa; (4) Competência transcultural; (5) Competência computacional; (6) Competência digital; (7) Competência transdisciplinar; (8) Competência em design; (9) Competência cognitiva; (10) Competência colaborativa em ambientes virtuais.
Diante desse cenário de ampliação de competências profissionais, é necessário compreender como a profissão do bibliotecário é formalmente definida em âmbito institucional. A Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) define o bibliotecário como parte integrante da família de profissionais da informação, sob o código 2612 (Brasil, 2017), que se caracterizam por serem profissionais que:
Disponibilizam informação em qualquer suporte; gerenciam unidades como bibliotecas, centros de documentação, centros de informação e correlatos, além de redes e sistemas de informação. Tratam tecnicamente e desenvolvem recursos informacionais; disseminam informação com o objetivo de facilitar o acesso e geração do conhecimento; desenvolvem estudos e pesquisas; realizam difusão cultural; desenvolvem ações educativas. Podem prestar serviços de assessoria e consultoria (Brasil, 2017).
Já o Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) atribui ao profissional bibliotecário a responsabilidade de tratar a informação para torná-la acessível em qualquer tipo de suporte informatizado, destacando que o bibliotecário pode atuar em diversos ambientes, como bibliotecas, centros de informação e sistemas de informação, tanto no setor público quanto no privado (CFB, [202-]).
Assim, o bibliotecário desempenha um papel multifacetado, abrangendo diversas atividades relacionadas à informação e estando presente em uma variedade de campos de atuação, como o objetivo de disseminar essas informações para a geração de conhecimento. Para Valentim (2000), os profissionais da informação, incluindo o bibliotecário, precisam primeiramente compreender a realidade em que estão inseridos e o ambiente em que atuam para, então, desenvolverem mecanismos de atuação profissional e enfrentarem as mudanças crescentes na sociedade e suas necessidades informacionais.
O mercado de trabalho para os profissionais da informação se transforma frequentemente, sendo moldado por desafios e oportunidades que demandam o constante desenvolvimento de novas competências. Em conformidade com tal contexto dinâmico, Paletta e Moreiro-González (2021) argumentam que esses profissionais podem ocupar posições interdisciplinares e que a análise da realidade em que estão inseridos deve ser interpretada a partir de sua complexidade, dado que as atividades e ocupações decorrem de diferentes setores de formação ou experiência.
De acordo com Lira e Jacintho (2023), para atuar eficazmente no mercado de trabalho atual, o bibliotecário deve, além de adquirir conhecimentos técnicos, desenvolver competências que permitam desempenhar suas atividades de forma a atender às necessidades específicas da comunidade à qual que pertence.
O crescimento exponencial da informação nas diversas organizações sociais tem gerado uma demanda crescente por profissionais qualificados com competências amplas e diversificadas (Ottonicar; Valentim, 2019). Especialmente no contexto das bibliotecas, cujo objetivo é fomentar o desenvolvimento intelectual e social, a atualização dos serviços e produtos deve ser norteada pelas necessidades informacionais do público que as utiliza e das tendências que surgem no campo da informação (Barros; Cunha; Café, 2018).
Nesse cenário, os bibliotecários devem estar na vanguarda dessa transformação, integrando um conjunto de competências essenciais para se adaptar e inovar diante a essas novas demandas (Barros; Cunha; Café, 2018). Isso se conecta com a empregabilidade no século XXI, que está relacionada à capacidade dos profissionais de tomar decisões e assumir liderança, de adaptação, de comunicação, de trabalho em equipe, dinamismo, criatividade e empreendedorismo (Silva; Cunha, 2002).
A pesquisa de Silva (2009) destaca que as competências essenciais exigidas pelos bibliotecários, segundo o mercado de trabalho na sociedade da informação, podem ser divididas em habilidades pessoais, profissionais, informacionais e tecnológicas. De acordo com a pesquisadora, o bibliotecário que consegue aliar conhecimentos técnicos, habilidades de gestão e tecnologias voltadas para o tratamento e uso da informação, pode contribuir para gerar vantagem competitiva, diferenciando a instituição em que trabalha em relação ao mercado e atendendo de forma eficaz às necessidades informacionais dos usuários e/ou clientes (Silva, 2009).
Expandindo o cenário, no documento Future Work Skills 2020, Davies, Fidler e Gorbis (2011) definem seis impulsionadores de mudanças que podem transformar o cenário do trabalho na próxima década para diversas profissões, entre os quais estão: longevidade extrema; ascensão de máquinas e sistemas inteligentes; mundo computacional; ecologia de novas mídias; organizações superestruturadas; e um mundo globalmente conectado.
Com base nesses impulsionadores, e pautados por uma sociedade de rápida mudança e de intenso uso das tecnologias, os autores propõem uma série de competências e habilidades, de natureza cognitiva e técnica, que poderão ser essenciais para o sucesso no mercado de trabalho, além de serem aplicáveis a diferentes setores e ambientes profissionais (Davies; Fidler; Gorbis, 2011).
A seção Ten skills for the future workforce, em tradução livre para o português como ‘As dez habilidades para a força de trabalho do futuro’, destaca as seguintes competências para os profissionais do futuro: (1) Sense-making; (2) Social intelligence; (3) Novel & adaptive thinking; (4) Cross-cultural competency; (5) Computational thinking; (6) New-media literacy; (7) Transdisciplinarity; (8) Design mindset; (9) Cognitive load management; (10) Virtual collaboration (Davies; Fidler; Gorbis, 2011).
Dessa forma, a formação continuada constitui um aspecto relevante para a atuação profissional, pois os indivíduos “[...] serão cada vez mais solicitados a reavaliar continuamente as habilidades de que necessitam e a reunir rapidamente os recursos adequados para desenvolvê-las e atualizá-las” (Davies; Fidler; Gorbis, 2011, p. 13, tradução própria). Percebe-se então que essa formação contribui para o desenvolvimento de competências valorizadas pelo mercado de trabalho, em um cenário cada vez mais dinâmico.
Existem outros fatores que, da mesma forma, são de grande influência para a inserção e a permanência no mercado de trabalho, e que podem ser aproveitados pelos bibliotecários. Entre eles, além da formação acadêmica, é pontuado o desenvolvimento de competências profissionais, capacidade de comunicação e interação com os usuários, boa apresentação física, conhecimento de informática, conhecimento de idiomas e estar atento às oportunidades que o mercado oferece (Faria; Walter; Baptista, 2017).
No caso dos bibliotecários, Ascoli e Galindo (2021) concordam que, para além da formação acadêmica, os profissionais bibliotecários também precisam buscar aprendizagem e formação continuada, com o objetivo de se aperfeiçoar e desenvolver novas competências ligadas à informação e à tecnologia, de modo que possam acompanhar os novos processos de criação, organização, disseminação e uso da informação.
Na pesquisa de Gaspar et al. (2024), 143 vagas de empregos foram analisadas. Dessas vagas, 82 eram destinadas ao cargo de bibliotecário, e os autores identificaram a ocorrência de um conjunto diversificado de competências, específicas e transversais, necessárias para sua atuação como gestores do conhecimento. Três competências se destacaram, sendo elas: ciência e tecnologia, experiência profissional e conhecimentos em bibliotecas (Gaspar et al., 2024). Além dessas, as vagas requerem do profissional competências como adaptabilidade, criatividade, comunicação, gestão, ética, trabalho em equipe, liderança, flexibilidade, domínio de língua estrangeira e experiência profissional (Gaspar et al., 2024).
A formação acadêmica é um elemento fundamental, obrigatório por lei, para a inserção dos bibliotecários no mercado de trabalho, todavia, é primordial que os cursos de graduação da área estejam em constante análise e atualização pelas instituições de ensino superior, a fim de acompanhar as transformações nas demandas informacionais da sociedade (Barros; Cunha; Café, 2018). Nesse sentido, os responsáveis pelo gerenciamento dos cursos de Biblioteconomia precisam estar atentos às demandas e necessidades da sociedade, de modo a formar profissionais capacitados, conscientes, críticos e adaptáveis às mudanças (Barros; Cunha; Café, 2018).
A discussão apresentada até o momento pretende oferecer uma base conceitual e teórica para o desenvolvimento da pesquisa. Para isso, apresentou-se o conceito de competência, entendido como um conjunto articulado de conhecimentos, habilidades e atitudes mobilizados pelo indivíduo em diferentes contextos de atuação, bem como sua relação com o exercício profissional do bibliotecário, cuja prática se baseia nas relações da sociedade com a informação. Esse referencial foi construído com o objetivo de fundamentar a análise das competências demandadas pelo mercado de trabalho contemporâneo.
Com a aplicação da metodologia descrita na seção seguinte, as competências identificadas na literatura científica serão sistematizadas e classificadas, de modo a evidenciar aquelas mais recorrentes e valorizadas nos últimos dez anos, permitindo discutir a importância do desenvolvimento contínuo de competências para a inserção e permanência no mercado de trabalho.
3 Procedimentos metodológicos
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, adotando-se uma abordagem descritiva e exploratória. É descritiva, pois consiste no registro e na descrição dos fatos observados, resultantes da seleção e análise prévia do material; e é exploratória, porque visa aprofundar a compreensão da realidade investigada e proporcionar novas informações sobre o tema, permitindo estudá-lo sob diferentes perspectivas (Prodanov; Freitas, 2013).
Para os procedimentos de coleta e análise de dados foi realizada a pesquisa bibliográfica, que, como enunciam Lakatos e Marconi (2003, p. 158), “[...] é um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados, revestidos de importância, por serem capazes de fornecer dados atuais e relevantes relacionados com o tema”. Para a pesquisa bibliográfica, optou-se pela utilização de documentos de acesso aberto e de livre circulação, elemento coerente com os propósitos desta pesquisa.
A coleta dos dados ocorreu por meio de bases de dados conceituadas e de relevância para a área da Biblioteconomia e Ciência da Informação, a fim de garantir a qualidade e a relevância dos estudos analisados. Foram escolhidas para esta pesquisa as bases Redalyc, SciELO, Scopus e Web of Science. As bases Redalyc e SciELO destacam-se por já se constituírem como plataformas de acesso aberto, com ampla cobertura de periódicos científicos publicados em países ibero-americanos, promovendo a disseminação do conhecimento acadêmico nesses contextos. Scopus e Web of Science, por sua vez, foram escolhidas devido à sua abrangência global na comunicação científica, ao elevado fator de impacto dos periódicos que indexam, e à oferta de ferramentas avançadas que permitem filtrar e identificar documentos de acesso aberto.
Foram criadas expressões de busca específicas para cada base, respeitando suas características de busca avançada. Foram utilizadas as seguintes palavras-chave: librarian; bibliotecario; job market; labor market; mercado de trabalho; mercado laboral; mercado de trabajo. O Quadro 1 apresenta as expressões elaboradas.
A realização da pesquisa nas bases de dados ocorreu em março de 2025. Na primeira etapa da pesquisa foi utilizado apenas a estratégia de busca, sem a aplicação inicial de filtros de pesquisa, que resultou em 185 resultados na Redalyc, três documentos na SciELO, 132 na Scopus e 103 na Web of Science, totalizando 423 documentos.
Para refinar os resultados e garantir a relevância dos materiais recuperados, foram aplicados os seguintes filtros nas bases de dados, junto às expressões de busca: (1) documentos disponíveis em acesso aberto; (2) documentos que estejam em português, inglês ou espanhol; (3) apenas artigos científicos; e (4) recorte temporal de documentos publicados entre janeiro de 2014 e dezembro de 2024.
Após a aplicação dos filtros, foram recuperados 149 documentos: 91 na Redalyc, um na SciELO, 38 na Scopus e 19 na Web of Science. Contudo, como a Redalyc não permite restringir a busca aos campos de título, resumo e palavras-chave, muitos resultados não se adequaram aos critérios da pesquisa. Dessa forma, foi necessária a leitura manual dos 91 registros dessa base, considerando a presença concomitante dos termos “mercado de trabalho” e “bibliotecário” (e suas variações). Ao final, restaram nove documentos da Redalyc, totalizando 67 documentos selecionados.
Com o apoio do software Zotero, um gerenciador de referências bibliográficas, foi realizada a remoção de estudos duplicados e daqueles que não apresentavam relação direta com os bibliotecários e suas competências no contexto do mercado de trabalho.
Por fim, 25 documentos foram considerados elegíveis para análise, compondo a amostra da pesquisa. Os artigos selecionados estão apresentados no Quadro 2.
Após a seleção dos artigos e a definição da amostra, realizou-se a pré-análise, que, conforme Bardin (2016, p. 63), tem “[...] por objetivo tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais”. Já na fase de exploração do material, cada artigo foi lido integralmente, atentando-se à pertinência das discussões em relação ao tema central da pesquisa. Esse contato possibilitou a identificação de assuntos recorrentes, permitindo observar quais competências profissionais dos bibliotecários eram mais frequentemente destacadas.
A codificação do material foi, então, realizada, etapa que corresponde à transformação dos dados textuais, permitindo recortar, agregar e enumerar unidades de registro com o objetivo de alcançar uma representação do conteúdo (Bardin, 2016). As unidades de registro referem-se aos elementos significativos, como expressões, frases ou conceitos identificados nos textos, que representam a ocorrência de um conteúdo. Esse processo é fundamental, pois, segundo Dantas et al. (2022, p. 341), “[...] facilita a comparação dos estudos em assuntos específicos, problemas, variáveis e características das amostras, de onde emergem as categorias”.
Observou-se que as competências presentes na amostra poderiam ser categorizadas de acordo com as dez competências profissionais essenciais descritas por Valentim (2023), as quais apresentam uma adaptação das competências elencadas pelo documento Future Work Skills 2020, de Davies, Fidler e Gorbis (2011). Essas competências são direcionadas às demandas profissionais contemporâneas e podem ser aplicadas aos profissionais da informação, incluindo o bibliotecário. Cada uma das dez competências possui um conceito bem definido e características específicas, sendo organizadas em dez categorias. O Quadro 3 apresenta essas categorias com suas respectivas descrições.
Concluída a definição das categorias, procedeu-se à etapa de categorização propriamente dita, localizada na seção ‘4 Análise e discussão dos resultados’, na qual os dados foram organizados de acordo com as competências identificadas. Na próxima seção também serão apresentados os dados quantitativos sobre a amostra selecionada, considerados relevantes para contextualizar o corpus de análise, tais como o número de publicações por ano, os países de origem das pesquisas e os idiomas em que os artigos foram escritos. Essa contextualização visa oferecer uma visão geral do material selecionado e compreender melhor a distribuição temporal, geográfica e linguística dos estudos.
Em seguida, serão apresentados os resultados da investigação, por meio de um quadro com a análise de frequência das competências profissionais atribuídas aos bibliotecários, com base na presença explícita ou implícita dessas competências nos artigos analisados. Essa síntese visa proporcionar uma visão abrangente do que se encontra na literatura científica a respeito das competências dos bibliotecários para atuarem no mercado de trabalho contemporâneo.
4 Análise e discussão dos resultados
A primeira análise realizada refere-se à quantidade de artigos publicados por ano, tendo por base a amostra dos 25 artigos selecionados. Foi evidenciado que o ano com maior número de publicações foi 2016, com seis artigos, seguido por 2021, com cinco. Também foi observado uma distribuição irregular ao longo dos anos, com picos de produção em 2016 e 2021, além de uma queda nos anos mais recentes, entre 2022 e 2024, período em que foi publicado apenas um artigo por ano sobre o tema. Esses dados podem indicar que há momentos específicos de maior interesse no tema, seguidos por períodos de menor produção científica. O Gráfico 1 apresenta a distribuição do número de publicações por ano.
Em relação ao local onde foi realizada cada pesquisa que compõe a amostra, o Gráfico 2 apresenta a distribuição quantitativa por país, destacando a predominância de publicações provenientes do Brasil, com 11 ocorrências, representando a maior parte da amostra. Em seguida, destacam-se os Estados Unidos, com quatro publicações, e a Colômbia, com três publicações. A partir dessa análise, verifica-se que há uma concentração da produção científica sobre o tema no Brasil, o que indica um interesse da comunidade acadêmica e científica.
Quanto ao idioma dos artigos selecionados, a maioria está em língua portuguesa, totalizando 11 artigos, seguida pelo espanhol com oito artigos e, em menor quantidade, pelo inglês com seis artigos. Esse dado pode ser atribuído ao recorte para compor a amostra, que, conforme indicado anteriormente, apresenta uma maior concentração de pesquisas realizadas no Brasil. Contudo, a presença relevante de publicações em espanhol e inglês também indica um interesse internacional pelo tema. O Gráfico 3 apresenta o quantitativo de artigos por idioma.
Em seguida, conforme indicado na seção dos procedimentos metodológicos, foi realizada a leitura completa dos artigos que compõem a amostra, com o objetivo de investigar as discussões acerca das competências atribuídas aos bibliotecários em cada estudo. A análise concentrou-se nas abordagens dos textos que tivessem relação com os bibliotecários, ao mercado de trabalho e às competências demandadas desses profissionais, considerando elementos vinculados ao conceito de competência, tais como valores, conhecimentos, habilidades, atitudes, capacidades, práticas, entre outros.
O Quadro 4, a seguir, apresenta os resultados dessa análise. Nesse quadro, os autores dos estudos são dispostos nas linhas, enquanto as categorias de competências aparecem organizadas nas colunas. O símbolo “X” indica a presença de discussões identificadas sobre determinada competência no artigo analisado, permitindo visualizar de forma comparativa quais competências são mais abordadas pelos estudos selecionados.
Com base nos dados sistematizados no Quadro 4, identificaram-se 129 ocorrências nos estudos analisados. O Gráfico 4, apresentado a seguir, mostra a frequência de cada grande área de competência, permitindo visualizar de forma mais clara quais delas receberam maior destaque na literatura.
Com base no gráfico, a competência digital foi a mais mencionada, com 21 ocorrências, o que evidencia sua centralidade nas demandas do mercado de trabalho por bibliotecários. Esse resultado está alinhado com a literatura apresentada anteriormente, que aponta a intensificação da informação em ambientes digitais, mediados pelas TDIC, e sugere que o desenvolvimento da competência digital é uma ação fundamental para o bibliotecário.
Essa competência é de especial importância, visto que, conforme apontado na pesquisa de Hamlett (2021), muitos profissionais egressam das universidades despreparados para lidar com a informação no ambiente digital de forma eficiente, eficaz e ética, habilidades que são frequentemente exigidas no setor de empregos e, por consequência, impactam o desempenho de novos membros no mercado de trabalho (Hamlett, 2021). Oliveira e Farias (2019, p. 113) complementam que, para o bibliotecário, é “[...] um requisito básico as novidades oferecidas pelos avanços tecnológicos”.
Destaca-se, portanto, a importância de que os bibliotecários adotem uma postura de aprendizagem contínua, incorporando instrumentos de orientação profissional como diretrizes, guias e frameworks produzidos por entidades de referência. Documentos como o IFLA Statement on Digital Literacy (IFLA, 2017) e o DigComp 2.2 - The Digital Competence Framework for Citizens (Vuorikari; Kluzer; Punie, 2022), por exemplo, oferecem referenciais que possibilitam reforçar a compreensão da competência digital e realçar a importância destes para a utilização da tecnologia para atender às necessidades informacionais na vida pessoal, cívica e profissional.
Já a competência cognitiva se apresenta como a segunda grande área mais citada entre os artigos da amostra, com 19 ocorrências. Essa competência “[...] pode ser descrita como um conjunto de habilidades diversas e de inteligências múltiplas, que significam tipos de inteligência, cuja base envolve as combinações de habilidades lógicas e linguísticas” (Satur; Silva, 2020, p. 9).
Kuenzer (1999), ainda no final do século passado, já sinalizava a importância de os profissionais de diversas áreas, e em diferentes contextos, interpretarem e priorizarem informações de forma eficiente, envolvendo capacidades analíticas, de síntese e interpretação da informação. Na atuação bibliotecária, essa competência se mostra essencial, uma vez que o bibliotecário exerce um papel fundamental na organização, avaliação, mediação e acesso a dados e informação, exigindo um bom domínio cognitivo (Ascoli; Galindo, 2021).
Já as competências social e adaptativa/criativa, embora menos citadas, com 15 e 14 ocorrências respectivamente, destacam-se pela relevância nas interações humanas. Ambas desempenham papéis consideráveis para a atuação do bibliotecário e evidenciam a importância da interação e comunicação com os usuários e equipes nas unidades de informação, bem como a capacidade de ser proativo e propor soluções inovadoras (Paletta; Pastor-Sánchez; Moreiro-González, 2021).
Entre as competências menos recorrentes destacam-se a competência transcultural, com sete ocorrências, e a competência colaborativa em ambientes virtuais, com oito. Apesar de menos frequentes na literatura, ambas apontam para desafios que podem ser enfrentados pelos bibliotecários, especialmente no que diz respeito à atuação em contextos culturais diversos e à colaboração em redes digitais, ampliando sua atuação em ambientes informacionais globalizados.
Para Tickle (2024), a proficiência em um idioma diferente da língua vernácula ajuda os bibliotecários a abrir novos caminhos para o mercado de trabalho e o mundo acadêmico.
Conforme o já apresentado IFLA Guidelines for Continuing Professional Development: rinciples and Best Practices, o documento alerta que para um processo de educação continuada de um profissional, “[...] as diferenças culturais e linguísticas, bem como as restrições de tempo e espaço, devem ser levadas em consideração” (Varlejs et al., 2016, p. 42, tradução própria). Cursos de idiomas, oficinas de comunicação e projetos colaborativos interdisciplinares são algumas das alternativas a serem consideradas pelo bibliotecário, para que haja uma maior diversidade de estilos de aprendizagem (Varlejs et al., 2016).
Especialmente no que diz respeito à competência colaborativa em ambientes virtuais, Paletta e Moreiro-González (2021) mencionam que a rapidez com que as TIC e as TDIC evoluem leva os profissionais da informação a interagir “[...] de maneira colaborativa [com] outras áreas estratégicas como a ciência da computação e sistemas de informação em um cenário fortemente impactado pela transformação digital”. Tais situações, conforme Santos et al. (2016), levam os bibliotecários a terem que desenvolver competências para trabalhar colaborativamente em rede com outros profissionais, fator relevante para a inserção profissional.
Em suma, os resultados obtidos reforçam a diversidade de competências necessárias para o bibliotecário contemporâneo no mercado de trabalho, que deve atuar em múltiplos cenários. Tais competências não se limitam ao domínio técnico, mas abrangem habilidades cognitivas e sociais, evidenciando a complexidade do exercício profissional diante das transformações da sociedade. Portanto, o desenvolvimento profissional se configura como uma maneira de contribuir para que o bibliotecário possa responder de maneira proativa às demandas referentes à sua profissão e consiga atuar no fortalecimento de ambientes informacionais mais inclusivos, colaborativos e inovadores.
5 Considerações finais
A investigação realizada ofereceu um panorama abrangente das competências atribuídas aos bibliotecários pelo mercado de trabalho. Em um cenário de constantes inovações tecnológicas e transformações na forma como a informação é acessada e gerida, a formação inicial e continuada constitui-se como fator essencial para garantir a relevância e a sustentabilidade da profissão.
O investimento em desenvolvimento profissional, a atualização e o desenvolvimento de novas competências, relacionadas às técnicas bibliotecárias, às habilidades interpessoais, tecnológicas e gerenciais, tornam-se indispensáveis para que os bibliotecários possam desempenhar um papel ativo e com qualidade nas instituições. Esses achados dialogam com os pressupostos teóricos, ao evidenciar que o desenvolvimento de competências não se restringe ao domínio técnico, mas envolve um conjunto articulado de outros saberes.
Tendo como base dez grandes áreas de competências profissionais, os artigos analisados evidenciaram que as competências digitais, que incluem o domínio de ferramentas digitais, a gestão de informações eletrônicas e a familiaridade com as TIC, ocupam um lugar de destaque na atuação dos bibliotecários e devem ser levadas em consideração. Esta pesquisa ressalta também a importância de competências cognitivas e sociais, como a capacidade de análise crítica, resolução de problemas e a habilidade de se comunicar de forma eficaz com os usuários. Esses aspectos são cruciais para que os bibliotecários possam navegar com sucesso em um ambiente de trabalho cada vez mais colaborativo e interdisciplinar.
Sugere-se que, o uso de documentos orientadores, a realização de cursos de capacitação e treinamentos, bem como a participação em congressos e seminários profissionais, constituam um conjunto de estratégias que fornece parâmetros conceituais e recomendações de prática voltados ao desenvolvimento das competências dos bibliotecários. Cabe ao profissional fazer uma autoavaliação e identificar as demandas específicas de seu contexto de atuação e, a partir delas, buscar o aprimoramento das competências necessárias à sua atuação.
Este estudo contribui ao campo da Biblioteconomia ao sistematizar as competências mais demandadas no mercado de trabalho, oferecendo subsídios para a atualização de currículos acadêmicos e programas de formação continuada. Recomenda-se que pesquisas futuras aprofundem a análise qualitativa das competências em contextos específicos e explorem a relação entre essas competências e os resultados percebidos pelos usuários.
O mercado de trabalho vem requerendo bibliotecários que tenham múltiplos domínios e sejam capazes de se antecipar às necessidades dos usuários, trabalhar em equipe e integrar novas tecnologias digitais, em prol da constituição de redes globais de informação e conhecimento. Também se espera que os bibliotecários demonstrem características como proatividade, flexibilidade e adaptabilidade, para lidar com as demandas da sociedade e os avanços contínuos da profissão. Por fim, é reforçado a importância de uma atuação crítica, ética e inovadora, sustentada por uma postura de aprendizagem contínua e pela articulação entre teoria e prática.
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Declaração de disponibilidade de dados
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
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Como citar
BRATI, Ana Laura Garbin; BISSET-ALVAREZ, Edgar. O bibliotecário e as competências para o mercado de trabalho a partir da literatura científica de acesso aberto (2014-2024). Em Questão, Porto Alegre, v. 32, e-148245, 2026. DOI: https://doi.org/10.1590/1808-5245.32.148245
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Financiamento
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.
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Fonte: Elaborado pelos autores.
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