Nesta entrevista com María Rosa Neufeld, não exploramos sua profícua carreira acadêmica no âmbito da Antropologia Política e da Educação, mas nos dedicamos a lançar luz sobre um aspecto pouco conhecido de sua biografia: ela foi neta de Adolfo Kapelusz, fundador da editora argentina Kapelusz. Criada em 1905 e com sucursais no México, no Uruguai, na Venezuela e na Espanha, além da sede na Argentina, a editora teve significativo impacto na consolidação de uma biblioteca de formação docente na Iberoamérica. Produziu de lápis a manuais escolares para os ensinos primário, secundário e formação docente. Entre os diversos produtos que lançou, encontram-se quadros parietais, mapas, cadernos de exercício e fichas, além de livros acadêmicos de autores argentinos e traduções ao espanhol de autores estrangeiros. Em sua juventude, María Rosa chegou a trabalhar na editora. No Departamento de Artes, acompanhou o trabalho de sua mãe, Maria Etelvina Kapelusz, que era responsável por elaborar as ilustrações e capas de livros, bem como por fazer as encomendas de imagens a artistas externos à editora. Por meio da entrevista, temos acesso a informações sobre a organização de uma empresa familiar, as locações que ocupou, as linhas editoriais que implementou e muitos outros detalhes do processo de produção de livros. Consistem em retalhos de memória que nos permitem reconstituir elementos de uma história editorial mesclada a uma tradição de família. Na década de 1990, com a venda da Kapelusz para a organização colombiana Carvajal, formando a Kapelusz-Norma, os arquivos foram perdidos. Ao trazer a público esta entrevista, almejamos contribuir para sanar uma lacuna documental, alimentando estudos em história da educação, história editorial e história da cultura escolar.
Palavras-chave:
História da educação; Circulação editorial; Cultura material; Manuais escolares; História editorial
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Fonte:
Fotografía: Sofía Spina.
