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EDITORIAL

Em 2010, por ocasião da edição comemorativa dos dez anos da atual estruturação de Educação e Pesquisa, as editoras Lucia Bruno e Teresa Cristina Rego chamavam a atenção para os desafios com os quais a Comissão Editorial responsável pelo periódico teria de se defrontar doravante. Dentre eles, dois ganhavam vulto naquele momento: uma maior inserção do periódico no cenário internacional (por meio, por exemplo, do aumento das versões de artigos para a língua inglesa) e a intensificação de contribuições originais e instigantes de cunho tanto nacional quanto estrangeiro.

Estava em jogo, então, o esforço na direção de um diálogo acadêmico mais proativo com o público leitor, o que exigiria, no entendimento da Comissão a cargo de Educação e Pesquisa, algumas iniciativas específicas, dentre elas: a divulgação sistemática de produções de autores estrangeiros, via artigos originais ou traduções de textos de interesse não publicados no Brasil, e, ao lado do acolhimento da demanda espontânea por divulgação de resultados de pesquisa, a ampliação dos focos de discussão por meio de demanda dirigida à comunidade acadêmica. Tratava-se, então e agora, do ensejo de converter Educação e Pesquisa num foro efetivo de debate acerca dos vetores temáticos, teóricos e também empíricos que atravessam a atualidade da pesquisa educacional.

Nesse sentido, Educação e Pesquisa vem cumprindo exemplarmente os compromissos de que ela própria se incumbiu. Seu primeiro número de 2011, na forma de compilação de 11 artigos sob demanda dirigida, foi inteiramente devotado ao processo de implantação do ensino fundamental de nove anos no Brasil. Também a participação de autores estrangeiros mostrou-se expressiva nos dois números subsequentes do periódico, seja via artigos originais (de colegas portugueses, espanhóis e argentinos), seja por meio da reedição de textos de autores consagrados, como Emilia Ferrero e Claudine Haroche, respectivamente nos números 2 e 3 do presente volume.

O firme propósito de não apenas se manter como um dos mais influentes periódicos da área educacional no país, mas, sobretudo, arrojar-se como um meio difusor de novas propostas teórico-metodológicas de investigação na área, bem como de reflexões densas acerca da pesquisa educacional no país, tem seus custos, entretanto. O mais alto deles é, talvez, o processamento ininterrupto do montante de artigos que são encaminhados para avaliação de Educação e Pesquisa. Soma-se a isso o fato de que, por se tratar de uma revista de pontuação máxima nas avaliações do sistema Qualis da CAPES, ela vem congregando uma atenção cada vez maior por parte dos pesquisadores. Daí, cabe-nos apontar, a inestimável contribuição das centenas de pareceristas ad hoc que têm atendido prontamente o chamado dos editores de Educação e Pesquisa.

Tendo em vista o aumento exponencial da procura por nossa revista, a Comissão Editorial decidiu lançar, a partir da presente data, mais um número anual de Educação e Pesquisa - passando agora a contar com regularidade trimestral. Eis, portanto, a novidade do presente número: o quarto do volume 37. Um número histórico, portanto.

É bem verdade que a opção por mais um número anual exigiu alguma ousadia, tendo em vista a incerteza quanto às fontes de financiamento e, sobretudo, as dificuldades do ponto de vista propriamente editorial. Isso porque, vale recordar, Educação e Pesquisa manteve periodicidade semestral desde sua fundação, em 1975, até 2003, e apenas a partir de 2004 passou a ser quadrimestral. Assim, em menos de uma década, ela dobrou sua capacidade de vazão editorial.

Junto aos aspectos formais que Educação e Pesquisa vem observando à risca, outro fator que a distingue no cenário dos periódicos nacionais é - como salientavam as editoras Lucia e Teresa no número comemorativo antes referido - sua abertura a todo tipo de investigação/reflexão de qualidade produzida no âmbito acadêmico, sem restrições a tendências teórico-metodológicas. Firma-se, assim, outro compromisso da revista: o respeito à multiplicidade, à diversidade e à profusão temáticas - em uma palavra, pluralidade. E essa é, novamente, a característica principal do conjunto de textos inéditos de que este número de Educação e Pesquisa é composto. As temáticas focalizadas nos dez artigos selecionados recobrem uma gama de interesses que englobam desde a constituição do conhecimento escolar, a homofobia, o ensino de enfermagem, a visão de jovens sobre o mundo adulto, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, os usos do SARESP e os conflitos de licenciandos, até as práticas esportivas, as teorias da socialização e as contribuições do pensamento de Norbert Elias para a educação.

Outra marca distintiva deste número de Educação e Pesquisa remete ao fato de que foram selecionados artigos relacionados exclusivamente à produção acadêmica paulista. Longe de remeter a qualquer espécie de ênfase regionalista, tratou-se tão somente de uma estratégia da Comissão Editorial a fim de assegurar uma forma de financiamento junto à FAPESP, uma vez que uma das condições dessa agência era a de custear apenas publicações de pesquisadores sediados nas instituições de ensino e pesquisa paulistas. No caso deste número, foram referidos laços dos autores principais com as seguintes instituições: Universidade de São Paulo (Faculdade de Educação, Instituto de Psicologia, Escola de Educação Física e Esporte, e Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"), Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Faculdade de Ciências e Letras de Assis e Instituto de Biociências de Rio Claro), Universidade Estadual de Campinas e Fundação Carlos Chagas.

Ainda, e em observância ao imperioso diálogo com fontes exógenas, o presente número de Educação e Pesquisa tem a honra de trazer a público dois destacados textos traduzidos de autores apartados pelas coordenadas de tempo e pelo escopo do olhar. O primeiro: A defectologia e o estudo do desenvolvimento e da educação da criança anormal, de autoria de Lev Semionovitch Vigotski, escrito (provavelmente) por volta do final da segunda década do século passado, e traduzido por Denise Regina Sales, Marta Kohl de Oliveira e Priscila Nascimento Marques. Nele, o pensador soviético retoma a tese do desenvolvimento cultural como via de acesso a uma possível compensação educativa para crianças com deficiência. O segundo, de autoria de Jean-Yves Rochex, traduzido por Márcia Vinci de Moraes, veio à luz em 2010 e intitula-se As três idades das políticas de educação prioritária: uma convergência europeia? Nesse texto, o professor de Ciências da Educação junto à Universidade Paris 8 opera um balanço analítico-crítico das ações levadas a cabo em oito diferentes países da Europa com o fito de reduzir as desigualdades de escolarização e sucesso escolar.

Somados, os artigos inéditos dos autores paulistas e os dois textos traduzidos compõem uma mostra fidedigna da fecundidade do pensamento na área educacional, fecundidade cuja difusão Educação e Pesquisa tem como missão assegurar a todo e qualquer custo - o que não seria possível sem o suporte das fontes financiadoras de que a revista dispõe (SIBI-USP, CNPq e FEUSP) e, sobretudo, o apoio institucional que as equipes gestoras da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo vêm, ao longo dos anos, oferecendo à Comissão Editorial.

Por fim, resta-nos expressar nossos sinceros agradecimentos à FAPESP por parte do financiamento do presente número.

Julio Groppa Aquino

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    15 Dez 2011
  • Data do Fascículo
    Dez 2011
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