Open-access Teoria social cognitiva: conceitos básicos

Social cognitive theory

RESENHA

Teoria social cognitiva: conceitos básicos1

Social cognitive theory

Elaine Teresinha Dal Mas Dias

Universidade Nove de Julho, Programa de Mestrado em Educação. Av. Francisco Matarazzo, 612, Água Branca, 05001-000, São Paulo, SP, Brasil. E-mails: <elaine.mas@uninove.br>; <etdmd@terra.com.br>

A (re)apresentação da Teoria Social Cognitiva, criada por Albert Bandura, é o reconhecimento da importância de um saber desenvolvido em décadas de pesquisas e estudos por um dos mais significativos e produtivos pensadores da psicologia. Tornar presente esse arcabouço teórico é, a um só tempo, introdução e atualização do conhecimento psicológico.

A proposição primeira desta produção, disposta em oito capítulos, é oferecer parte da conceituação que dá suporte ao pensamento de Bandura, bem como apresentar as origens da Teoria Social Cognitiva e a perspectiva da agência, um de seus fundamentos. Desta forma, a obra possibilita a compreensão do funcionamento humano arraigado em sistemas sociais. E, ainda, dá a conhecer a distinção e as discordâncias de diferentes vertentes teóricas, em especial as teorias behavioristas clássicas e as concepções psicodinâmicas, assim como a diferença das proposições humanistas e existencialistas.

O livro conta com a colaboração de:

- Frank Pajares (Emory University) e Fabián Olaz (Universidad Nacional de Córdoba), que tratam, inicialmente, da compreensão banduriana de indivíduos como seres auto-organizados, pró-ativos, autorreflexivos e autorreguladores, resultado do entrelaçamento dos aspectos pessoais, comportamentais e ambientais. Posteriormente esses autores apresentam e analisam as relações entre as realizações humanas e as crenças de autoeficácia, que partem da interpretação de quatro princípios originários - experiência de domínio, experiência vicária, persuasões sociais e estados somáticos e emocionais - influenciadores do funcionamento humano.

- Anna Edith Bellico Costa, Universidade Federal de Minas Gerais, que apresenta a modelação como aprendizagem originada em modelos e o papel fundamental na imitação, que pode ter como efeitos a modelação de padrões de respostas, a inibição ou desinibição de respostas aprendidas anteriormente e o estímulo ao desempenho de respostas assemelhadas ao modelo; essa autora ressalta também a relação entre a modelação e o comportamento agressivo presente na sociedade contemporânea.

- Roberta G. Azzi e Soely Polydoro, Universidade Estadual de Campinas, que, além de cuidarem da organização do livro, contextualizam e definem o conceito de autorregulação, estabelecem relações entre autorregulação e influência ambiental e apontam sua aplicabilidade; destacam os trabalhos que envolvem o cotidiano educativo, as situações de mudanças (como a adolescência) e os quadros desviantes.

- Fabio Iglesias, Centro Universitário UNIEURO, que discute o desengajamento moral como construção de justificativas de atos, tanto em suas funções inibitórias dos comportamentos antissociais, como nas pró-ativas, consideradas aceitáveis socialmente; esse autor expõe, também, os mecanismos presentes no desengajamento moral.

- Finalmente, A. Bandura participa com quatro artigos - A evolução da teoria social cognitiva, O sistema do self no determinismo recíproco, A teoria social cognitiva na perspectiva da agência e O exercício da agência humana pela eficácia coletiva.

Os capítulos assinados por Bandura mostram o encadeamento próprio das elaborações teóricas em associação às experiências de vida, que impulsionam e orientam muitas de suas inquietações, principalmente no que concerne à agência humana, que explora, manipula e influencia o ambiente, revelando-se como força de conhecimento que auxilia a explicitação do significado que os sistemas sociais têm em sua obra. Importa destacar a interdependência, a reciprocidade e a recursividade atribuídas aos fatores pessoais e ambientais, em oposição às teorizações fixadas no assujeitamento do comportamento.

A adoção da perspectiva da agência como modelo interativo emergente insere-se na contraposição às leituras parcializadas dos fenômenos comportamentais distanciados da tessitura socioestrutural, que organiza, regula e guia as ações dos homens. A intencionalidade, a antecipação, a autorreatividade e a autorreflexão são apresentadas como características principais da agência.

A Teoria Social Cognitiva segue por dois caminhos distintos: um que procura o esclarecimento dos "mecanismos básicos que governam o funcionamento humano" e outro que busca elucidar o "funcionamento macroanalítico de fatores sociais no desenvolvimento, adaptação e mudança humanos" (Bandura, Azzi & Polydoro, 2008, p.72). Nesse universo, a modelação social se impõe como fonte de questionamentos e problematizações encaminhadoras de comprovações que justificam e dão corpo aos determinantes e aos mecanismos de atuação.

Destacam-se, na composição desses artigos, a linguagem acessível e inteligível correspondente à exposição e às análises de conceitos básicos que sustentam o posicionamento conceitual. O livro é de interesse também para profissionais de outras áreas do conhecimento, como saúde, educação, psicologia organizacional e do trabalho, por integrar teoria e prática, desvendar a influência das crenças de autoeficácia no desempenho funcional pessoal (na qual prepondera o afetivo sobre o objetivo), apontar a expansão do conhecimento (por intermédio da autorregulação) e indicar as implicações éticas, morais e legais decorrentes do desengajamento moral.

As referências bibliográficas, amplas e diversificadas, possibilitam o aprofundamento e o aprimoramento acerca da Teoria Social Cognitiva, subsidiando a intervenção na realidade.

Recebido em: 29/4/2008

Aprovado em: 28/1/2009

  • 1
    Bandura, A., Azzi, R. G., & Polydoro, S. (2008).
    Teoria social cognitiva: conceitos básicos. Porto Alegre: Artmed.
  • Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      23 Fev 2010
    • Data do Fascículo
      Dez 2009
    location_on
    Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Pontifícia Universidade Católica de Campinas Editora Splendet, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campus I, Rua Prof. Dr. Euryclides de Jesus Zerbini, 1516, Pq. Rural Fazenda Santa Cândida, Telefone: (55 19) 3343-7223. - Campinas - SP - Brazil
    E-mail: psychologicalstudies@puc-campinas.edu.br
    rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
    Ir para o topo Reportar erro