Crescimento e biomassa de Melia azedarach L. em diferentes espaçamentos e características tecnológicas da madeira visando à produção de carvão

Growth and biomass of Melia azedarach L. at different spacings and technological characteristics of wood for charcoal production

Resumos

O objetivo deste trabalho foi avaliar o crescimento, quantificar a biomassa e analisar algumas características tecnológicas que influenciam na produção de carvão vegetal da madeira de cinamomo (Melia azedarach L.), implantado em diferentes espaçamentos, em povoamento misto, em Seropédica-RJ. O experimento foi implantado nos espaçamentos 1,0 × 1,0; 1,5 × 1,5; 2,0 × 2,0 e 3,0 × 2,0 m. Um ano após o plantio, 12 indivíduos de cinamomo foram selecionados em cada espaçamento para mensuração de altura. Estas avaliações ocorreram anualmente, até 5 anos. Na última, também foram avaliados o diâmetro no nível do solo e a área de copa e de cada espaçamento; cinco árvores foram selecionadas, abatidas, separadas em componentes da parte aérea e pesadas. Em seguida, amostras de cada componente foram retiradas, pesadas úmidas e colocadas em estufa para determinação de sua massa seca. Em subamostras da madeira dos espaçamentos 1 × 1 e 3 × 2 m, foi determinada a densidade básica e realizada a pirólise para fins energéticos. Cinamomo apresentou maior crescimento em altura e diâmetro no nível do solo no espaçamento 3 × 2 m. Os valores de área de copa não diferiram entre os espaçamentos. A maior produção de biomassa média por árvore ocorreu no espaçamento 2 × 2 m. A madeira é adequada para a produção de carvão vegetal, não tendo sido verificadas diferenças significativas para as características tecnológicas da madeira entre os dois espaçamentos avaliados.

silviculture; chinaberry; planting density


The objective of this study was to evaluate the growth, quantify the biomass, and analyze some characteristics of the wood of chinaberry (Melia azedarach L.) at different planting spacings in a mixed stand in the municipality of Seropédica, Rio de Janeiro state. The following spacings were used: 1.0 × 1.0; 1.5 × 1.5; 2.0 × 2.0; and 3.0 × 2.0 m. Five years after planting, 12 chinaberry individuals were selected, in each spacing, for measurement of height, diameter at ground level, and canopy area. For analysis of biomass, five trees were selected, felled, separated into components of the aerial part and weighed. Then samples of each component were collected, weighed while humid, and placed in stove for dry weight determination. Subsamples of the components of the aerial part were sent for analysis of carbon content. Basic density was determined and pyrolysis for energetic purposes was performed in the subsamples of wood of spacings 1 × 1 m and 3 × 2 m. Chinaberry presented greater growth in height and diameter at ground level in the 3 × 2 m spacing. Canopy area values did not differ between the spacings. The highest average biomass production occurred four years after planting in the 2 × 2 m spacing. The wood of chinaberry tree is suitable for the production of charcoal. No significant differences were observed in the technological characteristics of wood between the two spacings evaluated.

silviculture; chinaberry; planting density


  • American Society for Testing and Materials - ASTM. D-1762-64: Standard method for chemical analyses of wood charcol. Phyladelphia: ASTM; 1977. 1042 p.
  • Andrade AM, Carvalho LM. Potencialidades energéticas de oito espécies florestais do Estado do Rio de Janeiro. Floresta e Ambiente 1998; 5(1): 24-42.
  • Andrade AM, Vital BR, Barros NF, Della Lucia RM, Campos JCC, Valente OF. Efeitos da fertilização mineral e da calagem na produção e na qualidade do carvão vegetal. Revista Árvore 1994; 18(1): 63-68.
  • Andrade AM, Vital BR, Valente OF. Influência da casca no rendimento e na qualidade do carvão vegetal de Eucalyptus grandis Revista do IPEF 1989; 41-42(1): 44-49.
  • Araújo SAC, Teixeira MFS, Dantas TMV, Melo VSP, Lima FES, Ricarte ARF et al. Usos potenciais de Melia azedarach L. (Meliaceae): um levantamento. Arquivos do Instituto Biológico 2009; 76(1): 141-148.
  • Balloni EA, Simões JW. O espaçamento de plantio e suas implicações silviculturais Piracicaba; 1980. Série Técnica IPEF.
  • Benitez CG, Pece M, Galíndez MJ, Ríos N. Estimación del crecimiento y producción de una plantación de paraíso gigante (Melia azedarach var. gigantea) sin riego en la Provincia de Santiago del Estero. Quebracho Revista de Ciencias Forestales 2002; 9: 127-140.
  • Carvalho PER, Vianna Neto JAA, Dalmas I. Comparação entre essências florestais nativas e exóticas em Quedas do Iguaçu, PR - resultados preliminares Curitiba: Embrapa Florestas; 1987. Circular Técnica n. 15.
  • Clarke GL. Elementos de ecologia Barcelona: Ediciones Omega S.A.; 1975.
  • Dallagnol FS, Mognon F, Sanquetta CR, Corte APD. Teores de carbono de cinco espécies florestais e seus compartimentos. Floresta e Ambiente 2011; 18(4); 410-416. http://dx.doi.org/10.4322/floram.2011.060
  • El-Juhany LI. Evaluation of some wood quality measures of eight-year-old Melia azedarach trees. Turkish Journal of Agriculture and Forestry 2011; 35(2): 165-171.
  • Evans P, Rombold J. Paraíso (Melia azedarach var. "Gigante") woodlots: an agroforestry alternative for the small farmer in Paraguay. Agroforestry System 1984; 2: 199-214. http://dx.doi.org/10.1007/BF00147034
  • Furtini Neto AE, Siqueira, JO, Curi, N, Moreira, FMS. Fertilização em reflorestamentos com espécies nativas. In: Gonçalves JLM, Benedetti V, editores. Nutrição e fertilização florestal Piracicaba: IPEF, 2000.
  • Graybill FA. Theory and application of the linear model. Belmont: Duxbury Press; 1976.
  • Guiselini C, Silva IJO, Piedade SM. Avaliação da qualidade do sombreamento arbóreo no meio rural. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental 1999; 3(3): 380-384.
  • Hoppe JM, Schneider PR, Dallago JS. Avaliação Silvicultural da Melia azedarach L. em função do tamanho dos frutos. Ciência florestal 1991; 01(1): 76-87.
  • Huang RC, Okamura H, Iwagawa T, Tadera K, Nakatani M. Azedarachin C, a limonoid antifeedant from Melia azedarach Phytochemistry 1995; 38(3): 593-594. http://dx.doi.org/10.1016/0031-9422(94)00707-Z
  • Kasusya, P. Combating desertification in northern Kenya (Samburu) through community action: a community case experience. Journal of Arid Environments 1998; 39(2): 325-329. http://dx.doi.org/10.1006/jare.1998.0393
  • Leles PSS, Reis GG, Reis NGF, Morais EJ. Relações hídricas e crescimento de árvores de Eucalyptus camaldulensis e Eucalyptus pellita sob diferentes espaçamentos na região de cerrado. Revista Árvore 1998; 22(1): 41-50.
  • Leles PSS, Abaurre GW, Alonso JM, Nascimento DF, Lisboa AC. Crescimento de espécies arbóreas sob diferentes espaçamentos em plantio de recomposição florestal. Scientia Forestalis 2011; 39(90): 231-239.
  • Leles PSS, Oliveira Neto SN, Alonso JM. Restauração florestal em diferentes espaçamentos. In: Leles PSSL, Oliveira Neto SN, editores. Recomposição Florestal da Bacia do Rio Guandu. Seropédica: Editora Rural; 2013.
  • Lima IL, Florsheim SMB, Longui EL. Influência do espaçamento em algumas propriedades físicas da madeira de Tectona grandis Linn. Cerne 2009; 15(2): 244-250.
  • Lisboa AC. Estoque de carbono em área de recomposição florestal com diferentes espaçamentos de plantio [dissertação]. Seropédica, RJ: Instituto de Florestas, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; 2010.
  • Lorenzi H. Árvores exóticas no Brasil: Madeireiras, ornamentais e aromáticas. Editora Plantarum; 2003.
  • Machado TFF, Silva AP, Andrade AM. Análise das potencialidades energéticas das madeiras de eucalipto (Eucalyptus grandis), leucena (Leucaena leucocephala) e pau-jacaré (Piptadenia gonoacantha). In: Anais da XVII Jornada de Iniciação Científica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; 2007; Seropédica. Seropédica: UFRRJ; 2007.
  • Migliorini AJ, Brito JO, Barrichelo LEG. Influência das práticas silviculturais na produção de carvão vegetal Piracicaba: Circular técnica IPEF; 1980.
  • Nascimento DF, Leles PSS, Oliveira Neto SN, Moreira RTS, Alonso JM. Crescimento inicial de seis espécies florestais em diferentes espaçamentos. Cerne 2012; 18(1): 159-165. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-77602012000100019
  • Nogueira LAH, Lora EES, Trossero MA, Frisk T. Dendroenergia: fundamentos e aplicações 2. ed. Brasília: Editora Interciência; 2000.
  • Oliveira JB, Gomes PA, Almeida MR. Propriedades do carvão vegetal. In: Penedo WR. Carvão vegetal Belo Horizonte: CETEC; 1982.
  • Piña-Rodrigues FCM, Lopes LR, Marques S. Sistema de plantio adensado para revegetação de áreas degradadas da Mata Atlântica: bases ecológicas e comparações de estudo / benefício com o sistema tradicional. Floresta e Ambiente 1997; 4: 30-41.
  • Santos HG, Jacomine PKT, Anjos LH, Oliveira VA, Oliveira JB, Coelho MR, et al. Sistema brasileiro de classificação dos solos 2. ed. Rio de Janeiro: Embrapa Solos; 2006.
  • Schumacher, FX. A new growth curve and its application to timber-yield studies. Journal of forestry 1939; 37(4): 819-820.
  • Smith WD, Strub MR. Initial spacing: how many trees to plant. In: Duyea ML, Doughert PM. Forest Regeneration Manual Netherland: Kluwer Academic Publishers; 1991. http://dx.doi.org/10.1007/978-94-011-3800-0_15
  • Toky OP, Black DR, Harris PJC, Vasudevan P, Davies PA. Biomass production in short rotation effluent-irrigated plantations in North-West India. Journal of Scientific & Industrial Research 2011; 70(1): 601-609.
  • Trugilho PF, Silva DA. Influência da temperatura final de carbonização nas características físicas e químicas do carvão de jatobá (Hymenea courbaril L.). Scientia Agraria 2001; 2(1): 45-53.
  • Vale AT, Mendes RM, Amorim MRS, Dantas, VFS. Potencial energético da biomassa e carvão vegetal do epicarpo e da torta de pinhão manso (Jatropha curcas). Cerne 2011; 17(2): 267-273.
  • Venson I, Gúzman JAS, Talavera FJF, Richter HG. Biological, physical and mechanical wood properties of paraíso (melia azedarach) from a roadside planting at Huaxtla, Jalisco, Mexico. Journal of Tropical Forest Science 2008; 20(1): 38-47.
  • Villa, EB. Aspectos silviculturais e ecológicos em área de restauração florestal com diferentes espaçamentos de plantio [tese]. Seropédica: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; 2012.
  • Vital BR. Métodos de determinação da densidade da madeira Viçosa: Sociedade de Investigações Florestais; 1984.
  • Zanine AM, Santos ED. Competição entre espécies de plantas - uma revisão. Revista da Faculdade de Zootecnia, Veterinária e Agronomia 2004; 11(1): 10-30.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Jun 2014
  • Data do Fascículo
    Jun 2014

Histórico

  • Aceito
    12 Mar 2014
  • Recebido
    25 Jul 2012
Instituto de Florestas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Rodovia BR 465 Km 7, CEP 23897-000, Tel.: (21) 2682 0558 | (21) 3787-4033 - Seropédica - RJ - Brazil
E-mail: floram@ufrrj.br