Open-access DIAGNÓSTICO PRELIMINAR DE SISTEMAS AGROFLORESTAIS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

RESUMO

Uma pesquisa para estudar a viabilidade de introduzir Projetos Agroflorestais no Estado do Rio de Janeiro foi desenvolvida usando um questionário desenhado para identificar as necessidades e disponibilidades dos recursos existentes, com o apoio financeiro do CNPq. O questionário representou uma composição de vários instrumentos de pesquisa disponíveis no setor. Após o levantamento das informações, os dados foram tabulados em um Sistema de Banco de Dados, desenvolvido pelos Autores. Como resultado principal tivemos que o Eucalyptus o gênero florestal mais usada em Sistemas Agroflorestais e que a implantação de Projetos Agroflorestais no estado apresenta um alta viabilidade econômica.

ABSTRACT

A research to study the viability to introduce Agroforestry Projects in all Rio de Janeiro State has been developed by using a survey questionnaire designed to identify resources constraints and opportunities, with the financial support provided by CNPq . The questionarie represented a composite sketch of several existing survey tools. After completion of the interviews, the questionaire form was encoded and the data entered it to a personal computer using a data base program developed by the authors. Eucalyptus was the forestry specie with more frequency of use in all Agroforestry System. The projects to Rio de Janeiro have demonstrated hight economic viability.

INTRODUÇÃO

Na maioria das conferências e recentes publicações formulando planejamento do uso da terra, tem sido colocado que devem ser feitos os esforços necessários para capacitar as pessoas que vivem em áreas rurais para se beneficiarem das espécies florestais, assim como da própria floresta.

A adoção natural de um sistema agroflorestal por cultivadores tradicionais em multas zonas ecológicas é uma prava da utilidade do sistema para problemas atuais. Indubitavelmente, agrofloresta tem sido em muitas regiões onde árvore parece ser um ingrediente indispensável, uma boa opção. Entretanto, no estágio atual, isto parece estar sendo movido mais por pensamentos que por evidência científica. O delineamento para específica condição ecológica, social e econômica, ainda remanesce para ser feito; e há a necessidade de criar meios para analisar as informações relativas ao desenvolvimento de sistema de produção florestal em modelos agroflorestais. ( Mac Dícken, 1990 )

O corte e devastação do Estado do Rio de Janeira começou no periodo colonial e era executado de forma seletiva. O custo e a dificuldade de transporte e um mercado limitado constituíram-se restrições para a total devastação florestal do Estado. Madeira era necessária para uma variedade de objetivos na época: a indústria do açúcar, construção civil e uso doméstico.( Kengen, 1991 ).

Da mesma forma que o açúcar, o café teve a sua participação na destruição florestal do Rio de Janeiro. A produção de café no estado era baixa no início do século XIX. Após a independência, o café marcou o interior do Estado do Rio. Até esta época, o interior era pouco habitado e ainda coberto com floresta virgem. Novas estradas prepararam o caminho para o dominio do café no século dezenove sobre o Florestal Vale do Paraíba. A expansão da produção de açúcar e café não significou somente o grande consumo de madeira e destruição florestal, mas também a tendência do abandono do cultivo de produção de alimentos em plantações agroflorestais.

Atualmente a pesquisa florestal está totalmente fragmentada por disciplinas que não interagem ou interagem de forma insuficiente. Interação deve ser não somente entre disciplinas tradicionais da parte florestal, como também de áreas de agricultura e ciências sociais. Geralmente, modelos agroflorestais fornecem esta interação e precisam ser analisados como um instrumento importante na Pesquisa Florestal. (NRC, 1990).

Todo conhecimento sobre as espécies florestais em sistemas agroflorestais no Estado do Rio de Janeiro, particularmente, precisam ser levantados e analisados, de forma a recuperar os prejuízos ecológicos desde o descobrimento do Brasil para promover o uso racional da região e melhorar a qualidade de vida da população estadual. Cientificamente, o de real interesse é descobrir a regularidade. Esta regularidade faz o mundo ordenado, e o conhecimento desta regularidade faz o mundo, ou pelo menos parte dele, legível e manejável.

Para um modelo agroflorestal é esperado que o manejo demandará uma produção agrícola significante através da existência de árvores. Um regime silvicultural apropriado deve ter como objetivo maximizar a produção florestal sem reduzir o potêncial agrícola do sítio. Isto porque a árvore é componente dominante de um sistema agroflorestal e demanda um manejo para manter um nível adequado de luz, nutrientes e ambiência para uma significante produção agrícola. (ICRAF, 1987 ).

O modelo a ser desenvolvido pretende descobrir a regularidade florestal em modelos agroflorestais, de forma a maximizar o manejo do uso da terra em beneficio do ser humano, e seu ecossistema no Rio de Janeiro.

Basicamente, pretendeu-se testar um instrumento de levantamento de dados que identificasse o potencial do estado para implantar sistemas agroflorestais no estado do Rio de Janeiro. Consequentemente, uma análise econômica e estatística das principais variáveis envolvidas em sistemas agroflorestais, através de um Sistema Estatístico Computacional.( Brunning, 1987).

METODOLOGIA

Entende-se por agrossilvicultura o conjunto de técnicas de uso da terra que implique na combinação de árvores florestais com cultivos, com pecuária ou com ambos. A combinação pode ser simultânea ou seqüencial em termos de tempo e espaço. Tem por objetivo otimizar a produção total por unidade de superfície, respeitando o princípio de rendimento sustentado. Os sistemas agroflorestais são formas de uso e manejo dos recursos naturais nas quais espécies lenhosas ( árvores, arbustos, palmeiras) são utilizadas em associação deliberada com cultivos agrícolas ou com animais no mesmo terreno, de maneira simultânea ou em seqüencial temporal.

A economia do Estado do Rio de Janeiro apresenta um elevado grau de diversificação, sendo as atividades aí desenvolvidas condicionadas aos recursos naturais existentes nas formações geográficas principais, os quais vieram a condicionar os processos e mecanismos de ocupação e sua evolução, e, como conseqüência, a distribuição espacial e as características gerais da população. A substituição de lavouras por pastagens em grandes áreas rurais, principalmente em antigas regiões cafeeiras do Vale do Paraíba e no Norte Fluminense, tem sido uma das principais causas da liberação da mão-de-obra do campo. As atividades substitutivas (pecuária e lavoura alimentar ) só se revelam econômicas em grande escala, e, juntamente com outros fatores, tem afastado o interesse dos produtores quanto às atividades primárias no estado do Rio de Janeiro, que possui 64 municípios, agrupados em 14 microrregiões homogêneas. Esta situação econômica do estado norteou a metodologia do presente trabalho. ( Furtado, 1982 ).

A informação sobre a necessidade ou viabilidade de implementação de projetos agroflorestais foi feita a partir de uma pesquisa das atividades rurais nos 64 municípios do estado, com o objetivo de diagnosticar principalmente o tipo de utilização do solo no estado: recursos produzidos, fonte de energia utilizada, obtenção de recursos e forma de utilização destes.

Para viabilizar a citada pesquisa de atividades, foi elaborado um questionário abordando todos os tópicos relevantes para qualquer sistema agroflorestal. O questionário, composto de 10 páginas e desenvolvido através de pesquisa bibliográfica, abordando os principáis pontos colocados, foi testado entre alguns profissionais que atuam na produção rural, e posteriormente enviado para todas as prefeituras municipais do estado.

Paralelamente, um sistema de banco de dados para armazenamento, análise e emissão de relatórios foi desenvolvido. As informações obtidas junto aos municípios do estado foram processadas, criticadas e validadas através de testes estatísticos básicos. Com o sistema elaborado, as informações poderão sofrer uma constante atualização. (Leblont, 1989 ).

RESULTADOS

Baseado nas informações levantadas, as análises econômicas e estatísticas do setor florestal puderam ser estudadas, cujos principais resultados apresentamos a seguir:

1. Modelo de Crescimento Desenvolvido Para a Principal Espécie Florestal Utilizada em Modelos Agroflorestais:

Equação: V = Bo CAP B1 HtB2

V c/c = Volume com casca --> em m3

V s/c = Volume sem casca ------->em m3

CAP =Circunferência à altura do peito-->em m

Ht = Altura total

Espécie -> Eucalyptus spp

V c/c = 0,1178 * 10 -4 * CAP2,0726 * Ht0,4572

V s/c = 0,1109 * 10 -5 * CAP2,1008 * Ht0,3582

Nos dois modelos de crescimento apresentados, 97% da variação volumétrica foram explicada pela Circunferência à altura do peito e pela Altura total. (Lima, 1990/1991).

2. Idade ocorrência de sistemas agroflorestais no estado

IDADE PERCENTAGEM Menos de um ano 7% Entre um e dois 7% Entre dois e cinco anos 13% Mais de cinco anos 73%

3. Uso da terra com sistema agroflorestais

CLASSES PERCENTAGEM Menor que 15% 92,9% Entre 16 e 30% 7,1% Entre 31 e 50% - Entre 51 e 75% - Entre 75 e 100% -

4. Fontes de energia para cozinhar

FONTE GERAL Lenha 45,9% Carvão 1,25% Resíduo Agrícola 1,5% Querosene 1,0% Gás 50,4%

5. Objetivos de utilização das árvores e arbustos como madeira não processada

UTILIZAÇÃO ÁRVORES ARBUSTOS Construção 69,2% 7,7% Quebra-vento 19,2% 11,5% Instrumentos 7,7% 23,1% Sombras 69,2% 26,9% Cercas 80,8% 43,6% Outros 7,7% 3,9%

6. Uso da madeira na indústria percentagem

UTILIZAÇÃO GERAL Cerâmica 55,3% Obtenção de Carvão 7,4% Briquetes - Trabalhos artesanais 10,0% Outros 20,6%

7. Principais espécies e objetivos para que têm sido plantadas

Objetivos: 1 - Lenha 2 - Ração 3 - Construção 4 - Ferramentas 5 - Quebra-vento 6 - Cercas 7 - Ornamentação 8 - Vendas 9 - Cons. do Solo 10 - Sombra 11 - Reflorestamento

Dados em Percentagem

ESPÉCIES 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 Eucalipto 65,4 - 46,2 3,9 7,7 42,3 3,9 23,1 7,7 - - Ipê 11,5 - 3,9 - - 3,9 11,5 - 3,9 - 7,7 Angico - - 3,9 - - - 3,9 - 7,7 - 7,7 Alfineiro - - - 3,9 - 3,9 7,7 3,9 - - - Oiti - - - - - - 7,7 - - 3,9 3,9 Sibipiruna - - - - - - 7,7 - - 3,9 3,9 Leucena - 3,9 - - 3,9 - - - 3,9 - 3,9 louro - - 3,9 - - - 3,9 - 3,9 - - Cássia - - - - - - 3,9 - 3,9 - 3,9 Pinus 3,9 - 3,9 - - - 3,9 - - - -

8. Principais espécies e objetivos para que têm sido plantadas

Objetivos: 1 - Lenha 2 - Ração 3 - Construção 4 - Ferramentas 5 - Quebra-vento 6 - Cercas 7 - Ornamentação 8 - Vendas 9 - Cons. do Solo 10 - Sombra 11 - Reflorestamento

Dados em Percentagem

ESPÉCIES 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 Eucalipto 42,3 - 34,6 3,9 30,8 42,3 3,9 19,2 7,7 3,9 3,9 Nativas 3,9 - - - 3,9 3,9 3,9 - - - 15,4 Pinus - 3,9 7,7 - - - 3,9 7,7 3,9 - - Ipê 3,9 - 3,9 - - 3,9 7,7 - 3,9 - 3,9 Sibipiruna - - - - - 7,7 - - 11,5 3,9 Angico 3,9 - 7,7 - - - 3,9 - - - -

CONCLUSÕES

Os principais sistemas agroflorestais detectados na pesquisa realizada, que estão consorciados com o Eucatytus são: milho , banana, produção de mel e pecuária bovina. A lenha é uma das principais fontes de energia, sendo obtida de propriedades particulares ou áreas desabitadas através de árvores caídas ou mortas e corte de galhos.

A madeira não processada no estado é utilizada principalmente para cerca, enquanto na indústria caseira é utilizada para cerâmica. Um mercado potencial para os sistemas agroflorestais foi detectado junto às Prefeituras do estado, que apresentaram como fator limitante analta de viveiro florestal e/ou orientação para plantio florestais associados a outras culturas. Um maior incentivo à extensão florestal, visando a implantação de sistemas TAUNGYA para o atendimento aos pequenos agricultores, deve ser a política à nível estadual. Da mesma forma, o desenvolvimento de modelos de manejo com cultivos agrícolas testando:

Agricultura com famílias rurais que praticam agricultura migratória;

Agrossilvicultura, mediante controle do estado.

A não disponibilidade de mudas florestais apontada como o principal fator para restrição ao desenvolvimento regional em sistemas agroflorestais, deve recebenatenção especial e prioritária no planejamento estadual.

BIBLIOGRAFIA

  • BRUNING, J. L. KINTZ (1987) - COMPUTATIONAL STATISTICS. Thid Edition. Scott, Foresman and Company. Glenviw, Klinois.London.
  • FURTADO, C. (1982) - FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL, 18° Edição. São Paulo. Companhia Editora Nacional.
  • ICRAF (1987) - PROFESSIONAL EDUCATION IN AGROFORESTRY. Esten Clubert. Nairobi. Kenya.
  • MAC DICKEN, K G, and VERGARA N. T. (1990) - AGROFORESTRY: CLASSIFICATION AND MANAGEMENT. John Wiley & Sons. NewYork.
  • NATIONAL RESEARCH COUNCIL (1990) - FORESTRY RESEARCH. National Academy Press. Washington, D.C.
  • KENGEN, S (1991) - FORESTRY MANAGEMENT IN BRAZIL: A HISTORICAL PERSPECTIVE. Puerto Rico.
  • LEBLONT, G. T. et al (1989) DBASE IV: THE COMPLETE REFERENCE. Osbornme McGraw-ΗΒ. New York.
  • LIMA, J. P. C. (1990) - PESQUISA E EXPERIMENTAÇÃO FLORESTAL - U.F.R.R.J. - Imprensa Universitária, RJ.
  • LIMA, J. P. C. (1991) - DENDROMETRIA I. COMPLEMENTO. U.F.R.R.J. - Imprensa Universitária, RJ.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    04 Mar 2024
  • Data do Fascículo
    1995
location_on
Floresta e Ambiente - Instituto de Florestas, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. BR-465, Km 7, Instituto de Florestas, CEP 23.897-000, Telefone: +55 (21) 2681-4986 - Seropédica - RJ - Brazil
E-mail: floramjournal@gmail.com
rss_feed Acompañe los números de esta revista en su lector de RSS
Ir para arriba Notificar error