A xawara e os mortos: os Yanomami, luto e luta na pandemia da Covid-19

The xawara and the dead: Yanomami people, mourning and fighting along COVID-19 pandemic

Marcelo Moura Silva Carlos Estellita-Lins Sobre os autores

Resumo

A partir de uma etnografia das primeiras repercussões da pandemia do coronavírus entre os Yanomami, apontamos cruzamentos e tensões entre concepções nativas sobre a morte e a origem das doenças e discursos da epidemiologia e da biossegurança, sobretudo na imposição do sepultamento biosseguro dos corpos dos Yanomami vítimas da Covid-19. Acompanhamos algumas traduções da pandemia feita pelos Yanomami, na Terra Indígena Yanomami, destacando a correlação entre a categoria nativa xawara e a história do contato com os napë (brancos), principalmente no modo como a chegada de uma nova doença reativa a memória das epidemias do passado e reelabora os perigos da proximidade com os brancos. Por fim, ao redor dos excessos patogênicos dos cadáveres, discute-se uma equivocação controlada envolvendo as insistentes permanências dos vírus e dos pore (alma-fantasma) dos mortos. Buscou-se reconhecer os embates cosmopolíticos e a necessidade de traduções efetivas entre protocolos de biossegurança e a prática ritual dos funerais Yanomami, onde se mostra útil a adoção da hipótese do multinaturalismo para apresentar práticas compartilhadas na pandemia da Covid-19.

Palavras-chave:
pandemia; etiologia Yanomami; ritos fúnebres; cosmopolítica

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