"O arquivo total da humanidade": utopia enciclopédica e divisão do trabalho na etnologia francesa

O presente artigo mostra como, na primeira metade do século XX, os esforços dos fundadores da antropologia francesa visavam a organizar e racionalizar o sistema de divisão do trabalho do conhecimento pela separação e coordenação entre cientistas acadêmicos e etnógrafos voluntários. Esse sistema contrasta com a imagem romântica e mais corriqueira do antropólogo isolado, e que corresponde ao caso britânico, no qual se deu um esforço no sentido da inserção do cientista no campo e a "profissionalização" foi acompanhada da exclusão dos "amadores", relegados a um estado obsoleto da atividade de investigação. O modelo de divisão do trabalho, dominante na França, exigiu o recrutamento de "multidões de colaboradores" e favoreceu o estabelecimento de uma rede que articulava disciplinarmente os profissionais da antropologia e os auxiliares coloniais.

divisão do trabalho intelectual; história da antropologia; profissionalização; trabalho de campo


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