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Fungos trametoides (Polyporaceae, Basidiomycota) do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, São Paulo, Estado de São Paulo, Brasil

Trametoid fungi (Polyporaceae, Basidiomycota) of the Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, São Paulo, Estado de São Paulo, Brasil

RESUMO

Foi realizado o levantamento das espécies de fungos trametoides do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI), localizado no município de São Paulo, São Paulo, Brasil (23o38’00”S-23o40’18”S, 46o36’48”W-46o38’08”W). Quinze espécies pertencentes a seis gêneros foram identificadas a partir da análise da macro e micromorfologia, em que foram avaliadas as dimensões dos basidiomas, textura, cor, assim como o tamanho das hifas, basídios, basidiósporos e cistídios. As espécies estão distribuídas em: Cerrena Gray (one sp.), Funalia Pat. (one sp.), Hexagonia Fr. (two spp.), Lenzites Fr. (one sp.), Podofomes Pouzar (two spp.), Pycnoporus T. Karst. (one sp.), and Trametes Fr. (seven spp). Trametes lactinea (Berk.) Sacc. foi encontrado como novo registro para o Estado de São Paulo; Podofomes mollis (Sommerf.) Gorjón, P. stereoides (Fr.) Gorjón, Trametes cubensis (Mont.) Sacc., T. decipiens Bres. e T. neovillosa Fernandes & Gugliotta são relatados pela primeira vez para a localidade. Chave de identificação, descrições e comentários dos táxons estudados são fornecidos a seguir.

Palavras-chave:
biodiversidade; Mata Atlântica; políporos; taxonomia

ABSTRACT

A survey of trametoid fungi species from Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI), located in the city of São Paulo, SP, Brazil (23o38’00”S-23o40’18”S, 46o36’48”W-46o38’08”W), was carried out. Fifteen species belonging to six genera were identified from the analysis of macro and micro morphology in which the dimensions of the basidiomata, texture, color, as well as, the size of hyphae, basidia, basidiospores and cystidia, were evaluated. The species are distributed in: Cerrena Gray (uma sp.), Funalia Pat. (1 sp.), Hexagonia Fr. (duas spp.), Lenzites Fr. (uma sp.), Podofomes Pouzar (duas spp.), Pycnoporus T. Karst. (uma sp.), and Trametes Fr. (sete spp). Trametes lactinea (Berk.) Sacc. was found as a new record for the State of São Paulo; Podofomes mollis (Sommerf.) Gorjón, P. stereoides (Fr.) Gorjón, Trametes cubensis (Mont.) Sacc., T. decipiens Bres. and T. neovillosa Fernandes & Gugliotta are reported for the first time from the locality. Identification key, descriptions and comments of the taxa studied are provided herewith.

Keywords:
Atlantic Forest; biodiversity; polypores; taxonomy

Introdução

Polyporaceae Corda 1839 (Polyporales, Basidiomycota), abrange espécies com basidiomas ressupinados a pileados, sésseis a estipitados, com himênio exposto desde a fase inicial até a maturação dos basidiósporos (Donk 1964) e himenóforo predominantemente tubular; o sistema hifal é di ou trimítico na maioria das espécies, monomítico em poucos táxons; as hifas generativas possuem ansas, excepcionalmente septos simples; os basídios normalmente produzem quatro basidiósporos e os basidiósporos são de parede fina a espessa, lisa ou ornamentada, com exósporo não amiloide, em alguns casos dextrinoides ou cianófilos (Binder et al. 2013, Justo et al. 2017, Zmitrovich 2018Zmitrovich, I.V. 2018 Conspectus systematis Polyporacearum v. 1.0. Folia Cryptogamica Petropolitana 6: 3-145.).

Chamados popularmente de orelhas-de-pau devido ao formato do basidioma, estes fungos estão presentes nos ambientes terrestres, onde atuam como decompositores, parasitas ou formam associações simbióticas com outros organismos. No entanto, as espécies geralmente são lignícolas e responsáveis pela degradação de materiais vegetais lenhosos e, assim, possuem grande importância na ciclagem de nutrientes, no equilíbrio das propriedades físico-químicas e biológicas do ambiente, bem como na dinâmica da população de outros seres vivos nos ecossistemas (Gugliotta & Capelari 1998Gugliotta, A.M. & Capelari, M. 1998. Taxonomia de Basidiomicetos In: Bononi, V.L.R. & Grandi, R.A.P. (orgs.). Zigomicetos, basidiomicetos e deuteromicetos: noções básicas de taxonomia e aplicações biotecnológicas. Instituto de Botânica, São Paulo, pp. 68-105., Pounds et al. 2006Pounds, J. A., Bustamante, M. R., Coloma, L. A., Consuegra, J. A., Fogden, M. P. L., Foster, P. N., La Marca, E. Masters, K.L., Merino-Viteri, A., Puschendorf, R., Ron S.R., Sánchez-Azofeifa G.A., Still C.J., Young, B.E. 2006. Widespread amphibian extinctions from epidemic disease driven by global warming. Nature 439: 161-167., Bahram & Tarquin 2022Bahram, M., Netherway, T. Fungi as mediators linking organisms and ecosystems. 2022. Microbiology Reviews, 46 (2): 1-16.).

Apesar de Polyporaceae concentrar a maior parte das espécies com himenóforo tubular, superfície himenial poroide, e, portanto, abarcar os fungos chamados políporos, também são incluídas nesta família espécies com himenóforos lamelados (como membros dos gêneros Lentinus Fr. e Trametes Fr.) e formas corticioides (como Dentocorticium M.J. Larsen & Gilb. e Grammothele Berk. & M.A. Curtis) (Binder et al. 2013, Hibbett et al. 2014, Justo et al. 2017). Estudos moleculares têm contribuído para a melhor circunscrição da família e da posição taxonômica dos organismos (Binder et al. 2013, Justo et al. 2017, Motato-Vásquez et al. 2018Motato-Vásquez, V.; Grassi, E.; Gugliotta,A.M.; Robledo, G.L. 2018. Evolutionary relationships of Bresadolia (Basidiomycota, Polyporales) based on molecular and morphological evidence. Mycological Progress. 17(9): 1031-1048., Zmitrovich 2018Zmitrovich, I.V. 2018 Conspectus systematis Polyporacearum v. 1.0. Folia Cryptogamica Petropolitana 6: 3-145., He et al. 2019He, M.-Q., Zhao, R.-L., Hyde, K.D. et al. 2019. Notes, outline and divergence times of Basidiomycota. Fungal Diversity 99: 105-367.).

O termo trametoide, i.e. relacionado ao gênero Trametes Fr., tem sido usado para definir espécies com basidioma anual ou persistente, séssil a efuso-reflexo, de consistência coriácea a suberosa e himenóforo tubular que, microscopicamente, possui sistema hifal trimítico, com hifas generativas septadas com ansas e basidósporos cilíndricos de paredes finas, inamiloides e indextrinoides (Zmitrovich 2018Zmitrovich, I.V. 2018 Conspectus systematis Polyporacearum v. 1.0. Folia Cryptogamica Petropolitana 6: 3-145.).

Ryvarden (1991)Ryvarden, L. 1991. Genera of Polypores, Nomenclature and taxonomy. Synopsis Fungorum 5. Oslo, Fungiflora: pp.1-363. incluiu no grupo dos políporos trametoides 16 gêneros, abrangendo as espécies com himenóforo poroide, sistema hifal di a trimítico, hifa generativa com ansa, hifas conectivas, quando presentes, do tipo tortuosa, basidiósporos hialinos, de parede fina e lisa, não amiloides, na maioria cilíndricos e sem cistídios verdadeiros. Todas as espécies são causadoras de podridão branca, e crescem quase que exclusivamente em angiospermas.

A delimitação dos gêneros deste grupo é complexa, mas tem recebido maior atenção por parte dos taxonomistas, pois o grupo inclui espécies com propriedades medicinais e potencial de uso em biorremediação, como Pycnoporus sanguineus (L.) Murrill, Trametes versicolor (L.) Lloyd, T. villosa (Sw.) Kreisel e T. lactinea Berk. (Sacc.) (Machado et al. 2006Machado, K.M.G., Compart, L.C.A., Morais, R.O., Rosa, L.H. & Santos, M.H. 2006.Biodegradation of reactive textile dyes by basidiomycetous fungi from Brazilian ecosystems. Brazilian Journal of Microbiology 37: 481-487., Yamanaka et al. 2008Yamanaka, R., Soares F.C., Matheus, D.R., Machado, K.M.G. 2008. Enzimas ligninóliticas produzidas por Trametes villosa ccb176 em diferentes condições de cultivo. Brazilian Journal of Microbiology39(1): 78-84., Arroyo-Figueroa et al. 2011Arroyo-Figueroa, G., Ruiz-Aguilar, G.M.L., López-Martínez, L., González-Sánchez, G., Cuevas-Rodríguez, G. & Rodríguez-Vázquez, R. 2011. Treatment of a textile effluent from dyeing with cochineal extracts using Trametes versicolor fungus. The Scientific World Journal 11: 1005-1016., Zmitrovich et al. 2012Zmitrovich, I.V., Ezhov, O.N. & Wasser, S.P. 2012. A Survey of species of genus Trametes Fr. (Higher Basidiomycetes) with estimation of their medicinal source potential. International Journal of Medicinal Mushrooms 14(3): 307-319., Vitali et al. 2018Vitali, V.M.V, Ballaminut, N. & Matheus, D.R. 2018. Decolorization of CI Reactive Blue 222 by immobilized basidiomycetes in response to different carbon and nitrogen inputs. Hoehnea 45: 352-360., Elkhateeb et al. 2020, Ferreira-Silva et al. 2022Ferreira-Silva, V., Gusmão, N. B., Gibertoni, T. B., Silva, L. A. de O. 2022. Trametes lactinea and T. villosa collected in Brazil are able to discolor indigo carmine. Acta Botanica Brasilica, 36.).

Com base na morfologia do basidioma, Corner (1989)Corner, E.J.H. 1989. Ad Polyporaceas VI. The genus Trametes. Beihefte zur Nova Hedwigia 97: 1-197. ampliou consideravelmente o número de espécies no gênero Trametes, incluindo neste todas as espécies poliporoides (ou seja, fungos poroides), lignícolas, com sistema hifal trimítico, sem terminações cistidiformes nas hifas himeniais, basidiósporos de parede lisa e não dextrinoides e, com isso, propôs a inclusão de 13 gêneros em sua sinonímia. Essa também foi a posição de Justo & Hibbett (2011)Justo, A. & Hibbett, D.S. 2011. Phylogenetic classification of Trametes (Basidiomycota, Polyporales) based on a five-marker dataset. Taxon 60(6): 1567-1583., que realizaram um estudo filogenético do grupo utilizando análises moleculares com diversos marcadores (nLSU, ITS, RPB1, RPB2, TEF1-α), e propuseram a adoção de um único nome (Trametes) para todas as espécies com morfologia similar (sensu Corner), posição seguida posteriormente por outros autores (Zmitrovich et al. 2012Zmitrovich, I.V., Ezhov, O.N. & Wasser, S.P. 2012. A Survey of species of genus Trametes Fr. (Higher Basidiomycetes) with estimation of their medicinal source potential. International Journal of Medicinal Mushrooms 14(3): 307-319., Justo et al. 2017, Ueitele et al. 2018Ueitele, I.S.E., Chimwamurombe, P.M. & Kadhila, N.P. 2018. Molecular phylogeny of Trametes and related genera from Northern Namibia. Jordan Journal of Biological Sciences 11(1): 99-105.).

Ryvarden (2015aRyvarden, L. 2015a. Studies in Neotropical polypores 39. Trametes alba nova species. Synopsis Fungorum 33: 32-35., bRyvarden, L. 2015b. Neotropical polypores part 2. Polyporaceae, Abortiporus-Nigroporus. Synopsis Fungorum 34: 231-443., 2016Ryvarden, L. 2016. Neotropical polypores part 3. Polyporaceae, Obba-Wrightoporia. Synopsis Fungorum 34: 444-613.) realizou um estudo de espécies neotropicais e também considerou o gênero Trametes em sentido amplo, incluindo em sua sinonímia os seguintes gêneros: Artolenzites Falck, Cellulariella Zmitr. & Malysheva, Coriolellus Murrill, Coriolopsis Murrill, Coriolus Quél., Cubamyces Murrill, Cyclomycetella Murrill, Funalia Pat., Leiotrametes Welti & Courtec., Lenzites, Fr., Poronidulus Murrill, Trametella Pinto Lopes e Trametopsis Tomsovsky. Zmitrovich (2018)Zmitrovich, I.V. 2018 Conspectus systematis Polyporacearum v. 1.0. Folia Cryptogamica Petropolitana 6: 3-145. em seu Conspectus systematis Polyporacearum” considerou estes gêneros válidos, com exceção de Coriolus Quel. e Poronidulus Murril.

Os estudos moleculares ajudaram a esclarecer as relações genéricas e de outros níveis taxonômicos superiores dos poliporoides e, alguns dos gêneros considerados como parte de Trametes sensuCorner (1989)Corner, E.J.H. 1989. Ad Polyporaceas VI. The genus Trametes. Beihefte zur Nova Hedwigia 97: 1-197., foram colocados fora dos Polyporales, a saber, Trichaptum Murril, alocado em Hymenochaetales (Hibbett & Donoghue, 1995; Binder et al. 2005Binder, M., Hibbett, D.S., Larsson, K.-H., Larsson, E. & Langer, E. 2005. The phylogenetic distribution of resupinate forms in the homobasidiomycetes. Syst. Biodivers. 3: 113-157.; Larsson et al. 2006) e Elmerina Murril, alocado em Tremellales (Larsson et al. 2004). Em contrapartida, outros gêneros pertencentes a Polyporales não estão intimamente relacionados a Trametes, como Cerrena Gray, que pertence ao clado Flebioide (Ko & Jung 1999aKo, K.S. & Jung, H.S. 1999a. Molecular phylogeny of Trametes and related genera. Antonie van Leeuwenhoek 75: 191-199., Lee & Lim 2010), e os gêneros de podridão parda, Daedalea Pers. e Fomitopsis P. Karst. por exemplo, que pertencem ao clado Antrodia (Ko & Jung 1999bKo, K.S. & Jung, H.S. 1999b. Phylogenetic re-evaluation of Trametes consors based on mitochondrial small subunit ribosomal DNA sequences. FEMS Microbiology Letters 170: 181-186., Hibbett & Donoghue 2001Hibbett, D.S. & Donoghue, M.J. 2001. Analysis of correlations among wood decay mechanisms, mating systems, and substrate ranges in homobasidiomycetes. Systematic Biology 50: 215-242., Binder et al. 2005Binder, M., Hibbett, D.S., Larsson, K.-H., Larsson, E. & Langer, E. 2005. The phylogenetic distribution of resupinate forms in the homobasidiomycetes. Syst. Biodivers. 3: 113-157.). A ferramenta molecular também revela que algumas espécies classificadas em Trametes por Corner (1989)Corner, E.J.H. 1989. Ad Polyporaceas VI. The genus Trametes. Beihefte zur Nova Hedwigia 97: 1-197., não pertencem ao gênero, como Trametes trogii Berk. que é mais relacionado a Coriolopsis gallica (Fr.) Ryvarden (Ko & Jung 1999bKo, K.S. & Jung, H.S. 1999b. Phylogenetic re-evaluation of Trametes consors based on mitochondrial small subunit ribosomal DNA sequences. FEMS Microbiology Letters 170: 181-186., Tomšovský et al. 2006), ou Trametes cervina, (Schwein.) Bres. relacionado a Ceriporiopsis Dománski e que foi transferido para Trametopsis Tomšovský (Tomšovský 2008).

Embora os estudos filogenéticos tenham sido conduzidos para elucidar a posição taxonômica das espécies trametoides (Ko & Jung 1999aKo, K.S. & Jung, H.S. 1999a. Molecular phylogeny of Trametes and related genera. Antonie van Leeuwenhoek 75: 191-199., b, Tomsovsky et al. 2006Tomsovsky, M., Kolarik, M., Pazoutová, S. & Homolka, L. 2006. Molecular phylogeny of European Trametes (Basidiomycetes, Polyporales) species based on LSU and ITS (nrDNA) sequences. Nova Hedwigia 82: 269-280., Zhang et al. 2006Zhang, X.Q., Yuan, J., Xiao, Y.Z., Hong, Y.Z. & Tang, C. 2006. A primary studies on molecular taxonomy of Trametes species based on the ITS sequences of rDNA. Mycosystema 25(1): 23-30., Tomsovsky 2008Tomsovsky, M. 2008. Molecular phylogeny and taxonomy position of Trametes cervina and description of a new genus Trametopsis. Czech Mycology. 60: 1-11., Zmitrovich & Malysheva 2013Zmitrovich, I.V. & Malysheva V.F. 2013. Towards a phylogeny of Trametes alliance (Basidiomycota, Polyporales). Mikologiya Fitopatologiya 47(6): 358-380., Carlson et al. 2014Carlson, A., Justo, A. & Hibbett D.S. 2014. Species delimitation in Trametes: a comparison of ITS, RPB1, RPB2 and TEF1 gene phylogenies. Mycologia 106 (4): 735-745., Li et al. 2014Li, H.J., Cui, B.K. & Dai, Y.C. 2014. Taxonomy and multi-gene phylogeny of Datronia (Polyporales, Basidiomycota). Persoonia 32: 170 -182., Oyetayo 2018Oyetayo, O.V. 2018. Molecular variations in Lenzites species collected from Nigeria and other parts of the world using Internal Transcribed Spacers (ITS) regions of Ribosomal RNA Microbial Biosystems 3(2): 40-45., Ueitele et al. 2018Ueitele, I.S.E., Chimwamurombe, P.M. & Kadhila, N.P. 2018. Molecular phylogeny of Trametes and related genera from Northern Namibia. Jordan Journal of Biological Sciences 11(1): 99-105., Olou et al. 2020Olou, B.A., Krah, F.-S., Piepenbring, M., Yorou, N.S. & Langer, E. 2020. Diversity of Trametes (Polyporales, Basidiomycota) in tropical Benin and description of new species Trametes parvispora. MycoKeys 65: 25-47., Gorjón et al. 2020Gorjón, S.P., Bobadilla-Peñaló, E.M., & Bobo-Pinilla, J. 2020. Phylogeny of Podofomes trogii reveals its relationships with Datronia in the Polyporaceae (Basidiomycota). Sydowia. 73: 13-19.), poucas espécies neotropicais têm sido incluídas nestes estudos e a identidade de algumas espécies ainda hoje permanece incerta.

A maioria dos gêneros trametoides é considerada cosmopolita (Ryvarden 1991Ryvarden, L. 1991. Genera of Polypores, Nomenclature and taxonomy. Synopsis Fungorum 5. Oslo, Fungiflora: pp.1-363., Kirk et al. 2008Kirk, P.M., Cannon, P.F., Minter, D.W. & Stalpers, J.A. 2008. Dictionary of the Fungi, 10th ed. CABI, Wallingford., Justo & Hibbett 2011Justo, A. & Hibbett, D.S. 2011. Phylogenetic classification of Trametes (Basidiomycota, Polyporales) based on a five-marker dataset. Taxon 60(6): 1567-1583.) e possui ampla distribuição nos diversos ecossistemas do Brasil (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.). Até o momento, 49 espécies de trametoides foram registradas no país, das quais 26 ocorrem no Estado de São Paulo (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.), onde constitui um grupo importante em áreas florestais de Cerrado (Bononi 1984Bononi, V.L.R. 1984. Basidiomicetos do cerrado da reserva Biológica de Moji-Guaçu. Rickia 11: 1-25., Gugliotta 1997Gugliotta, A.M. 1997. Polyporaceae de mata ciliar da Estação Experimental e Reserva Biológica de Moji-Guaçu, SP, Brasil. Hoehnea 24: 89-106., Abrahão et al. 2012Abrahão, M.C., Gugliotta, A.M. & Bononi, V.L.R. 2012. Xylophilous Agaricomycetes (Basidiomycota) of the Brazilian Cerrado. Check List 8(5): 1102-1116., 2019Abrahão, M.C., Pires, R.M., Gugliotta, A.M., Gomes, E.P.C. & Bononi, V.L.R. 2019. Wood-decay fungi (Agaricomycetes, Basidiomycota) in three physiognomies in the savannah region in Brazil. Hoehnea 46 (1): 1-11.), e de Mata Atlântica (Fidalgo & Fidalgo 1957Fidalgo, O. & Fidalgo, M.E.P.K. 1957. Revisão de Fungi São Paulensis. Arquivos do Museu Nacional 43: 157-188., Fidalgo et al. 1965Fidalgo, O., Fidalgo, M.E.P.K. & Furtado, J.S. 1965. Fungi of the “cerrado” region of São Paulo. Rickia 2: 55-71, Bononi 1984Bononi, V.L.R. 1984. Basidiomicetos do cerrado da reserva Biológica de Moji-Guaçu. Rickia 11: 1-25., Gugliotta & Bononi 1999Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112., Gugliotta et al. 2010Gugliotta, A.M., Fonsêca, M.P. & Bononi, V.L.R. 2010. Additions to the knowledge of aphyllophoroid fungi (Basidiomycota) of Atlantic Rain Forest in São Paulo State, Brazil. Mycotaxon 112: 335-338., 2012, Motato-Vásquez et al. 2015Motato-Vásquez, V., Pires, R.M. & Gugliotta, A.M. 2015. Polypores from an Atlantic rainforest area in southeast Brazil: pileate species. Revista Brasileira de Botânica 38(1): 149-164., Pires et al. 2017Pires, R.M., Motato-Vásquez, V., Westphalen, M.C. & Gugliotta, A.M. 2017. Polyporales and related poroid genera (Basidiomycota) from Parque Estadual da Serra do Mar, São Paulo, Brazil. Hoehnea 44(1): 145-157.), destacando-se entre as espécies de maior ocorrência.

O Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI) representa um dos mais significativos remanescentes de Mata Atlântica de Planalto inserido em área urbana do município de São Paulo. Os únicos registros de políporos trametoides no PEFI foram realizados por Bononi et al. (1981)Bononi, V.L.R., Trufem, S.F.B. & Grandi, R.A.P. 1981. Fungos macroscópicos do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, depositados no Herbário do Instituto de Botânica. Rickia 9: 37-53. e por Jesus (1993)Jesus, M.A. 1993. Basidiomicetos lignocelulolíticos de floresta nativa e de Pinus elliottii Engelm. do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, São Paulo, SP. Hoehnea 20: 119-126. porém, ambos sem descrições dos táxons relacionados - enquanto Bononi et al. (1981)Bononi, V.L.R., Trufem, S.F.B. & Grandi, R.A.P. 1981. Fungos macroscópicos do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, depositados no Herbário do Instituto de Botânica. Rickia 9: 37-53. apresenta uma listagem das espécies de fungos macroscópicos depositados no Herbário do Instituto de Botânica (SP), Jesus (1993)Jesus, M.A. 1993. Basidiomicetos lignocelulolíticos de floresta nativa e de Pinus elliottii Engelm. do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, São Paulo, SP. Hoehnea 20: 119-126. realizou um estudo comparando a comunidade de basidiomicetos lignocelulolíticos de uma área de floresta nativa e de uma floresta de Pinus elliottii, presentes no interior do parque.

Assim, o presente trabalho tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre a diversidade de fungos trametoides do PEFI, importante remanescente de Mata Atlântica para o Estado de São Paulo, e documentar essa diversidade através da inclusão de novas exsicatas ao Herbário SP - Maria Eneida Pacheco Kauffmann Fidalgo.

Material e métodos

O Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI) está localizado no município de São Paulo (23o38’00”S-23o40’18”S, 46o36’48”W-46o38’08”W) onde ocupa uma área de 549,31 ha com altitude média de 798 m. A vegetação é caracterizada como floresta ombrófila densa e representa um dos poucos e importantes remanescentes de Mata Atlântica efetivamente protegidos como Unidades de Conservação na cidade de São Paulo (Whately et al. 2008Whately, M., Santoro, P.F., Gonçalves, B.C., Gonzatto, A.M. 2008. Parques urbanos municipais de São Paulo: subsídios para a gestão. Instituto Socioambiental. São Paulo.). Aspectos climáticos, do meio físico e da vegetação são encontrados em Bicudo et al. (2002)Bicudo, D.C., Forti, M.C. & Bicudo, C.E.M. 2002. PEFI: Unidade de conservação que resiste à urbanização de São Paulo. Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo..

Para este trabalho, foram revistas as exsicatas de todos os fungos trametoides depositadas no Herbário SP (total de 178 exsicatas) provenientes de coletas realizadas no Parque Estadual Fontes do Ipiranga. Cinco coletas adicionais foram realizadas no período de junho de 2018 a novembro de 2021, seguindo as recomendações técnicas de Fidalgo & Bononi (1984)Fidalgo, O. & Bononi, V.L.R. (org.). 1984. Técnicas de coleta, preservação e herborização de material botânico. Manual nº4. São Paulo: Instituto de Botânica., a fim de incluir no estudo táxons que não tinham sido coletados e depositados até então; espécies que foram previamente amostradas e que já contam com considerável número de registros não foram reamostradas. O material coletado foi depositado no Herbário SP (Thiers 2020Thiers, B. 2020 (continuously updated). Index Herbariorum, a global directory of public herbaria and associated staff. New York Botanical Garden’s Virtual Herbarium, New York. Disponível em http://sweetgum.nybg.org/science/ih/ (acesso em 14-VII-2020).
http://sweetgum.nybg.org/science/ih/...
).

Para a identificação, foram utilizadas descrições e chaves dicotômicas apresentadas por Corner (1989)Corner, E.J.H. 1989. Ad Polyporaceas VI. The genus Trametes. Beihefte zur Nova Hedwigia 97: 1-197., Ryvarden (1991Ryvarden, L. 1991. Genera of Polypores, Nomenclature and taxonomy. Synopsis Fungorum 5. Oslo, Fungiflora: pp.1-363., 2015aRyvarden, L. 2015a. Studies in Neotropical polypores 39. Trametes alba nova species. Synopsis Fungorum 33: 32-35., b, 2016), Gugliotta & Bononi (1999)Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112., Gomes-Silva et al. (2010)Gomes-Silva, A.C.; Ryvarden, L. Gibertoni, T.B. 2010. Notes on Trametes from the Brazilian Amazonia. Mycotaxon 113: 61-71., Zmitrovich et al. (2012)Zmitrovich, I.V., Ezhov, O.N. & Wasser, S.P. 2012. A Survey of species of genus Trametes Fr. (Higher Basidiomycetes) with estimation of their medicinal source potential. International Journal of Medicinal Mushrooms 14(3): 307-319. e se assumiu a definição de fungos trametoides proposta por Zmitrovich (2018)Zmitrovich, I.V. 2018 Conspectus systematis Polyporacearum v. 1.0. Folia Cryptogamica Petropolitana 6: 3-145.. A análise dos caracteres macro e microscópicos do basidioma seguiu recomendações de Ryvarden (1991Ryvarden, L. 1991. Genera of Polypores, Nomenclature and taxonomy. Synopsis Fungorum 5. Oslo, Fungiflora: pp.1-363., 2004Ryvarden, L. 2004. Neotropical Polypores. Introduction, Ganodermataceae & Hymenochaetaceae. Synopsis Fungorum 19. Oslo, Fungiflora: 1-27.) e Teixeira (1995)Teixeira, A.R. 1995. Método para estudo das hifas do basidiocarpo de fungos poliporáceos. São Paulo, Instituto de Botânica.. Foram elaboradas descrições das espécies baseadas nos materiais examinados; a macroscopia foi baseada em observações a olho nu (tanto de basidiomas frescos como secos) ou com auxílio de microscópio estereoscópio (LEICA S6D), em que se observou modo de inserção no substrato, coloração, dimensões do basidioma, forma do píleo e tipo de himenóforo; as microestruturas foram analisadas em microscópio LEICA DM-1000, a partir de cortes finos feitos com auxílio de lâminas de aço, à mão livre, de diferentes porções dos basidiomas e as medições foram feitas com auxílio de ocular micrometrada, usando o corante floxina 1%. Além disso, KOH 3% foi usado para observação da coloração das estruturas, o reagente de Melzer (IKI) foi usado para avaliar as reações amiloide e dextrinoide (Teixeira 1995Teixeira, A.R. 1995. Método para estudo das hifas do basidiocarpo de fungos poliporáceos. São Paulo, Instituto de Botânica.) e, azul de algodão (Merck 1275) em solução de ácido lático foi utilizado para observar reações cianófilas nas hifas e esporos. Uma vez que todas as espécies estudadas são negativas em reagente de Melzer e não apresentam cianofilia nas hifas ou esporos, essas informações não foram incluídas nas descrições, embora as reações tenham sido testadas para confirmação. No mínimo 15 hifas do himênio, 20 basídios e 20 basidiósporos foram medidos para cada espécie examinada. Ao apresentar a variação do tamanho dos basidiósporos os 5% dos extremos são apresentados em parênteses (Miettinen et al. 2018Miettinen, O.; Vlasák, J.; Rivoire, B.; Spirin, V. 2018. Postia caesia complex (Polyporales, Basidiomycota) in temperate Northern Hemisphere. 1 (1), 101-129.); as dimensões dos basidiósporos são apresentadas da seguinte forma: (m-) n-o (-p), em que m é o menor valor observado e p é o maior valor observado (na faixa de valores observados o 5o percentil é n e 95o percentil é o).

Foram usadas as abreviações: L’× W’relação comprimento versus largura do basidiósporo, L - média de comprimento do basidiósporo, W - média de largura do basidiósporo e Q = L/W - média do comprimento dividida pela média da largura.

Os dados sobre distribuição geográfica foram obtidos a partir de levantamento bibliográfico.

Uma chave de identificação para as espécies presentes no PEFI é apresentada, assim como comentários para cada táxon estudado.

Resultados e Discussão

Foram identificadas 15 espécies trametoides no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (Figuras 1 a 4): Cerrena caperata (Berk.) Zmitr., Funalia rigida (Berk. & Mont.) Peck, Hexagonia hydnoides (Sw.) M. Fidalgo, H. papyracea Berk., Lenzites elegans (Spreng.) Pat., Podofomes mollis (Sommerf.) Gorjón, P. stereoides (Fr.) Gorjón, Pycnoporus sanguineus (L.) Murrill, Trametes cubensis (Mont.) Sacc., T. decipiens Bres., T. lactinea (Berk.) Sacc., T. neovillosa Fernandes & Gugliotta, T. ochracea (Pers.) Gilb. & Ryvarden, T. polyzona (Pers.) Justo e T. villosa (Sw.) Kreisel. Todas as espécies causam podridão branca no substrato. Trametes lactinea representa novo registro para o Estado de São Paulo; Podofomes mollis, P. stereoides, Trametes cubensis, T. decipiens e T. neovillosa são citados para o parque pela primeira vez. Há registros da ocorrência das espécies Hexagonia leprosa Fr. e Trametes hirsuta (Wulfen) Pilát para o PEFI, no trabalho de Bononi et al. (1981)Bononi, V.L.R., Trufem, S.F.B. & Grandi, R.A.P. 1981. Fungos macroscópicos do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, depositados no Herbário do Instituto de Botânica. Rickia 9: 37-53., mas os espécimes relacionados como H. leprosa foram reidentificados como Daedalea aethalodes (Mont.) Rajchenb., espécie não trametoide da família Fomitopsidaceae (Polyporales) e, infelizmente, o único espécime citado como T. hirsuta (SP71319) não foi encontrado e nenhuma coleta posterior desta espécie na área de estudo foi realizada.

Figura 1
Macro morfologia de Basidioma - Superfície abhimenial e himenoforal. a-b. Cerrena caperata. c-d. Funalia rigida. e-f. Hexagonia hydnoides. g-h. Hexagonia papyracea. Escala = 1cm.
Figure 1
Basidioma macromorphology - Abhymenial and hymenophoral surface. a-b. Cerrena caperata. c-d. Funalia rigida. e-f. Hexagonia hydnoides. g-h. Hexagonia papyracea. Scale = 1cm.

Jesus (1993)Jesus, M.A. 1993. Basidiomicetos lignocelulolíticos de floresta nativa e de Pinus elliottii Engelm. do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, São Paulo, SP. Hoehnea 20: 119-126. cita em seu inventário sobre a funga (Basidiomycota) lignocelulolítica do PEFI que foram encontrados nove espécimes de Trametes versicolor (L.) Lloyd, os quais estariam depositados no Herbário SP; destes, apenas um foi localizado (SP211907) e redeterminado como Cerrena caperata. Essa referência não apresenta nenhuma informação adicional sobre o material estudado, o que impossibilitou a localização dos demais e, por este motivo, a ocorrência dessa espécie no parque não foi confirmada.

Chave de identificação para as espécies trametoides do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga

  • 1. Basidioma vermelho a alaranjado ................................................................................................. Pycnoporus sanguineus

  • 1. Basidioma branco, creme a castanho-escuro

    • 2. Superfície himenial lamelar a poroide, com poros irregulares, dedaloides .......................................... Lenzites elegans

    • 2. Superfície himenial poroide com poros regulares

      • 3. Poros grandes, 1-3(-4) poros/mm

        • 4. Contexto dúplex com linha negra ........................................................................................... Trametes decipiens

        • 4. Contexto homogêneo, sem linha negra

          • 5. Superfície abhimenial com zonas coloridas, zonas púrpuras, castanho-claras e castanho-escurasI- Hexagonia papyracea

          • 5. Superfície abhimenial castanha sem zonas púrpuras

            • 6. Basidioma castanho-escuro, ressupinado a efuso-reflexo .................................................. Podofomes mollis

            • 6. Basidioma castanho-claro a castanho-acinzentado, séssil a efuso-reflexo

              • 7. Superfície abhimenial glabra a finamente aveludada, azonada, às vezes com zonas levemente radiadas, contexto 3-9 mm de espessura .......................................................................................... Trametes lactinea

              • 7. Superfície abhimenial vilosa, concentricamente zonada, contexto até 1mm de espessura ........... Trametes villosa

      • 3. Poros menores, 3-6 poros/mm

        • 8. Contexto homogêneo

          • 9. Superfície abhimenial fimbriada, com pelos negros longos e ramificados ..... Hexagonia hydnoides

          • 9. Superfície abhimenial levemente tomentosa a glabra

            • 10. Basidioma grande, 8-13,5 × 12,2-27,2 cm, superfície abhimenial azonada, bege a creme, tornando-se ocrácea a partir da base na maturidade ............................................................. Trametes cubensis

            • 10. Basidioma menor, 2,5-5,1 × 3,2-7,5 cm, superfície abhimenial com zonas concêntricas vináceas a castanho-avermelhadas ..................................................................................... Trametes ochracea

        • 8. Contexto heterogêneo a dúplex

          • 11. Basidioma castanho-escuro

            • 12. Basidioma ressupinado a efuso-reflexo, discoide, com linha negra no contexto ............................................................................................................................ Podofomes stereoides

            • 12. Basidioma efuso-reflexo a séssil, contexto sem linha negra ................. Cerrena caperata

          • 11. Basidioma ocráceo a castanho-claro

            • 13. Basidioma ressupinado a séssil, com basidiósporos 7,0-10,0 × 3,0-4,0 µm .................................................................................................................................. Funalia rigida

            • 13. Basidioma séssil a efuso-reflexo, basidiósporos menores

              • 13. Basidiósporos elipsoides, 4,0-5,5 × 3,0-4,0 μm .................... Trametes neovillosa

              • 13. Basidiósporos cilíndricos, 5,0-7,0 × 2,5-4,0 µm .................... Trametes polyzona

Cerrena caperata (Berk.) Zmitr., Myc. 1 (1): 91. 2001Zmitrovich, I.V. 2001. Some new combinations in Polyporaceae: sapienti sat. Mycena. 1(1):91-93.. ≡ Polyporus caperatus Berk., Ann. Mag. Na. Hist. 3: 391. 1839. ≡ Coriolopsis caperata (Berk.) Murrill, N. Amer. Fl. 9 (2): 77. 1908. ≡ Trametes caperata (Berk.) Teixeira, Bragantia 6 (7): 316. 1946. ≡ Datronia caperata (Berk.) Ryvarden, Mycotaxon 23: 172. 1985.

Figura 1 a-b

Ilustração das microestruturas em: Gugliotta (1997Gugliotta, A.M. 1997. Polyporaceae de mata ciliar da Estação Experimental e Reserva Biológica de Moji-Guaçu, SP, Brasil. Hoehnea 24: 89-106., como Datronia caperata).

Basidioma anual, lignícola, pileado séssil a efuso-reflexo. Píleo aplanado, dimidiado a flabeliforme, coriáceo, 1,2-17,2 × 3,3-12,5 × 0,1-0,4 cm. Superfície abhimenial com zonas concêntricas, vilosas, em tons de castanho, com a maturidade, a superfície torna-se glabra e uma cutícula preta é exposta; margem aguda, lobada, creme a castanho-clara. Contexto heterogêneo, castanho-claro, 1-2 mm espesso. Superfície himenial poroide, de cor castanho-clara a castanha; poros regulares a circulares, 3-4 por mm; tubos até 2 mm de profundidade, castanho-claros; dissepimentos inteiros. Sistema hifal trimítico; hifas generativas com ansas, parede fina, hialinas, ramificadas, 1,1-1,35 µm diâm.; hifas esqueletais amareladas, parede espessa, retas, 2,5-5 µm diâm.; hifas conectivas amareladas, parede fina, pouco ramificada, 1,25-2,5 × 4,2-5,1 µm diâm. Elementos himeniais estéreis ausentes. Basídios clavados, 9,8-14,2 × 3,5-4,4 µm. Basidiósporos cilíndricos, hialinos, parede fina, L’ × W’= (6,3-)6,5-10,0 × (2,5-)2,7-4,6 µm. L= 7,4 µm. W = 3,8 µm. Q = 2,1.

Material examinado: Brasil, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 14-VIII-1958, M. Kuhlmann s.n. (SP42079); 7-VIII-1959, J.S. Furtado (SP44147); 06-II-1960, J.S. Furtado & O. Fidalgo s.n. (SP46664); 15-II-1960, O. Fidalgo et al. s.n. (SP47211); Picada Gardner, V-1960, J.S. Furtado s.n. (SP48849); 07-VI-1960, J.S. Furtado s.n. (SP50922); 24-III-1961, A.R. Salles s.n. (SP95194); 13-XI-1961, J.S. Furtado et al. s.n. (SP95538); 22-VIII-1967, B. Skvortzov s.n. (SP98490); 30-VI-1967, B. Skvortzov s.n. (SP98491); 21-III-1969, B. Skvortzov s.n. (SP103751); V-1969, B. Skvortzov s.n. (SP103935); 17-XI-1968, B. Skvortzov s.n. (SP107113); 18-XI-1977, V.L. Penteado 63 (SP); 31-III-1986, M.A. de Jesus (SP211907); 16-I-1987, L. Ryvarden et al. 24117 (SP); 24-I-1987, L. Ryvarden et al. 24334 (SP); 26-VIII-1992, L.K. Okino & V.L.R. Bononi s.n. (SP250525); 23-IX-1992, M. Capelari s.n. (SP250542); 27-IV-1995, A.M. Gugliotta et al. 457 (SP); 30-VIII-1995, A.M. Gugliotta et al. 558 (SP); 18-XII-1999, D.M. Vital s.n. (SP394427); 29-V-1996, A.M. Gugliotta & G.S.G. Louza 662 (SP); 24-V-2000, A.M. Gugliotta et al. 1078 (SP); 25-VIII-2000, A.M. Gugliotta et al. 1080, 1081 (SP); 25-IX-2001, A.M. Gugliotta et al. 1118 (SP); 20-II-2002, A.M. Gugliotta et al. 1168, 1169 (SP); 12-II-2004, A.M. Gugliotta & G.R. Leal 1208 (SP); 16-II-2004, C. Puccinelli et al. (SP308041); 29-III-2004, L.J. Gimenes & C. Puccinelli (SP308040); 06-VII-2004, M. Capelari et al. 4295 (SP); 26-XI-2004, C.A. Osaku & G.R. Leal 011 (SP); 05-XII-2006, C.L.C Redivo et al. 006 (SP); 09-I-2012, V. Bononi s.n. (SP417123; SP417431).

Comentários: Cerrena caperata pode ser reconhecida pela superfície abhimenial com zonas concêntricas, vilosas, em tons de castanho, que se torna glabra com a maturidade expondo uma cutícula preta. Difere das espécies de Trametes pela cor escura do píleo e contexto e, se distingue das espécies de Hexagonia, pelos poros regulares e circulares (Ryvarden & Johansen 1980Ryvarden L., Johansen I. 1980. A preliminary polypore flora of East Africa. Oslo, Fungiflora.).

Distribuição: Possui ampla distribuição no Brasil ocorrendo em áreas de Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.). Em São Paulo já foi registrada nos seguintes municípios: Barretos, Bebedouro, Matão, Novo Horizonte, Palestina, Planalto, Sales, Taquaritinga, União Paulista (Gugliotta et al. 2012), Cananéia (Gugliotta & Bononi 1999Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112.), Mogi-Guaçu (Gugliotta 1997Gugliotta, A.M. 1997. Polyporaceae de mata ciliar da Estação Experimental e Reserva Biológica de Moji-Guaçu, SP, Brasil. Hoehnea 24: 89-106., Abrahão et al. 2012Abrahão, M.C., Gugliotta, A.M. & Bononi, V.L.R. 2012. Xylophilous Agaricomycetes (Basidiomycota) of the Brazilian Cerrado. Check List 8(5): 1102-1116., 2019Abrahão, M.C., Pires, R.M., Gugliotta, A.M., Gomes, E.P.C. & Bononi, V.L.R. 2019. Wood-decay fungi (Agaricomycetes, Basidiomycota) in three physiognomies in the savannah region in Brazil. Hoehnea 46 (1): 1-11.), Santo André (Capelari et al. 2009), São José do Rio Preto (Abrahão et al. 2009Abrahão, M. C., Gugliotta, A.M. & Gomes, E. 2009. Poliporóides (Basidiomycota) em fragmentos de mata no perímetro urbano de São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil. Brazilian Journal of Botany. 32 (3): 427-440.), São Luiz do Paraitinga (Pires et al. 2017Pires, R.M., Motato-Vásquez, V., Westphalen, M.C. & Gugliotta, A.M. 2017. Polyporales and related poroid genera (Basidiomycota) from Parque Estadual da Serra do Mar, São Paulo, Brazil. Hoehnea 44(1): 145-157.) e São Paulo (Motato-Vásquez et al. 2014). A ocorrência da espécie no PEFI já havia sido registrada por Bononi et al. (1981)Bononi, V.L.R., Trufem, S.F.B. & Grandi, R.A.P. 1981. Fungos macroscópicos do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, depositados no Herbário do Instituto de Botânica. Rickia 9: 37-53.. A ocorrência de Cerrena caperata no parque também foi registrada por Vital et al. (2000), em um trabalho sobre briófitas que crescem sobre macrofungos; estes autores encontraram duas espécies de musgos e três de hepáticas crescendo sobre o basidioma deste fungo.

Funalia rigida (Berk. & Mont.) Peck, Bull. N.Y. St. Mus.: 38. 1917. ≡ Trametes rigida Berk. & Mont., Annales des Sciences Naturelles Botanique 11: 240. 1849. ≡ Coriolopsis rigida (Berk. & Mont.) Murrill, N. Amer. Fl. 9 (2): 75. 1908.

Figura 1 c-d

Ilustração das microestruturas em: Gugliotta (1997Gugliotta, A.M. 1997. Polyporaceae de mata ciliar da Estação Experimental e Reserva Biológica de Moji-Guaçu, SP, Brasil. Hoehnea 24: 89-106., como Coriolopsis rigida).

Basidioma anual, lignícola, séssil, efuso-reflexo a ressupinado, solitário ou imbricado. Píleo aplanado a dimidiado, coriáceo, 1,2-4,2 × 2,0-6 ,0 × 0,1-0,2 cm. Superfície abhimenial hirsuta a glabra, concentricamente zonada e sulcada, castanha; margem inteira, aguda, lobada ou denteada, também castanha. Contexto heterogêneo, amarelo a castanho, até 1 mm espesso. Superfície himenial poroide, castanho-clara; poros angulares a circulares, 3-5 por mm; tubos castanho-claros, 1mm de profundidade; dissepimentos inteiros a lacerados. Sistema hifal trimítico; hifas generativas com ansas, hialinas, parede fina, 2,0-3,5 diâm.; hifas esqueléticas amareladas, parede espessa, 3,2-6,4 µm diâm.; hifas conectivas hialinas, parede fina, ramificadas, 1,9-3,3 µm diâm. Elementos estéreis ausentes. Basídios clavados, hialinos, parede fina, 17,0-19,2 × 6,2-7,3 µm. Basidiósporos cilíndricos, hialinos, parede fina, L’ × W’= 7,0-9,7(-9,8) × (2,9-)3,0-4,2 µm. L= 8,3 µm. W = 3,5 µm. Q = 2,4.

Material examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 29-III-1969, B. Skvortzov s.n. (SP103737); 16-I-1987, Ryvarden et al. 24121 (SP); 19-VI-2001, U.C Peixoto s.n. (SP380154); 03-I-2007, A.M. Gugliotta s.n. (SP392808); 28-VIII-2007, A.M. Gugliotta et al. 1252, 1253 (SP).

Comentários: O basidioma fino, castanho, séssil, efuso-reflexo a ressupinado, normalmente imbricado, com superfície abhimenial hirsuta a glabra, concentricamente zonada e sulcada, e os basidiósporos cilíndricos caracterizam a espécie. A delimitação de espécies como Coriolopsis rigida (Berk. & Mont.) Murrill, sinônimo de Funalia rigida (cuja descrição foi baseada em materiais da América do Norte), e Coriolopsis floccosa (Jungh.) Ryvarden (localidade do tipo: Java), é bastante complexa. Por serem morfologicamente muito semelhantes, esses nomes tem sido considerados sinônimos (vide Mycobank: mycobank.org); no entanto, estudos filogenéticos demonstram que a distribuição geográfica tem afetado fortemente na delimitação das espécies, e que diversos nomes até então utilizados para espécies tropicais têm sido erroneamente aplicados (Motato-Vásquez et al. 2018Motato-Vásquez, V.; Grassi, E.; Gugliotta,A.M.; Robledo, G.L. 2018. Evolutionary relationships of Bresadolia (Basidiomycota, Polyporales) based on molecular and morphological evidence. Mycological Progress. 17(9): 1031-1048., Palacio et al. 2019Palacio, M. Borges Da Silveira, R.M.; Robledo, G.L. 2019. Neofavolus subpurpurascens comb. nov., with new records from the Neotropics. Phytotaxa (405) 4: 6., Westphalen et al. 2021Westphalen, M.C.; Motato-Vásquez, V.; Tomšovský, M.; Gugliotta, A.M. 2021. Additions to the knowledge of hydnoid Steccherinaceae:Cabalodontia, Etheirodon, Metuloidea, and Steccherinum, Mycologia, 113(4): 791-806..), indicando que provavelmente C. floccosa e C. rigida devam ser espécies válidas. Nesse sentido, a filogenia do grupo tem confirmado que Coriolopsis é parafilético, sendo que C. polyzona (Pers.) Ryvarden (espécie tipo do gênero) está incluída em Trametes s.str., enquanto que outras espécies (tal qual C. rigida e C. caperata = Cerrena caperata), têm se agrupado com outras espécies de Funalia (Li et al. 2016, Zmitrovich & Malysheva 2013Zmitrovich, I.V. & Malysheva V.F. 2013. Towards a phylogeny of Trametes alliance (Basidiomycota, Polyporales). Mikologiya Fitopatologiya 47(6): 358-380.).

Distribuição: A espécie possui ampla distribuição e está presente em todas as regiões do Brasil, ocorrendo nos biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.) onde tem sido frequentemente citada como C. floccosa (considerada por muitos autores sinônimo deste nome). No Estado de São Paulo já foi registrada nos seguintes municípios: Barretos, Bebedouro, Macaubal, Matão, Palestina, Pindorama, Santo Antônio de Aracanguá, Taquaritinga, Turmalina (Gugliotta et al. 2012), Mogi-Guaçu (Gugliotta 1997Gugliotta, A.M. 1997. Polyporaceae de mata ciliar da Estação Experimental e Reserva Biológica de Moji-Guaçu, SP, Brasil. Hoehnea 24: 89-106.; Abrahão et al. 2012Abrahão, M.C., Gugliotta, A.M. & Bononi, V.L.R. 2012. Xylophilous Agaricomycetes (Basidiomycota) of the Brazilian Cerrado. Check List 8(5): 1102-1116., 2019Abrahão, M.C., Pires, R.M., Gugliotta, A.M., Gomes, E.P.C. & Bononi, V.L.R. 2019. Wood-decay fungi (Agaricomycetes, Basidiomycota) in three physiognomies in the savannah region in Brazil. Hoehnea 46 (1): 1-11.), Santo André (Capelari et al. 2009, Gugliotta et al. 2010Gugliotta, A.M., Fonsêca, M.P. & Bononi, V.L.R. 2010. Additions to the knowledge of aphyllophoroid fungi (Basidiomycota) of Atlantic Rain Forest in São Paulo State, Brazil. Mycotaxon 112: 335-338.), São José do Rio Preto (Abrahão et al. 2009Abrahão, M. C., Gugliotta, A.M. & Gomes, E. 2009. Poliporóides (Basidiomycota) em fragmentos de mata no perímetro urbano de São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil. Brazilian Journal of Botany. 32 (3): 427-440.), São Luiz do Paraitinga (Pires et al. 2017Pires, R.M., Motato-Vásquez, V., Westphalen, M.C. & Gugliotta, A.M. 2017. Polyporales and related poroid genera (Basidiomycota) from Parque Estadual da Serra do Mar, São Paulo, Brazil. Hoehnea 44(1): 145-157.) e São Paulo (Motato-Vásquez et al. 2014). A ocorrência da espécie no PEFI já havia sido registrada por Bononi et al. (1981)Bononi, V.L.R., Trufem, S.F.B. & Grandi, R.A.P. 1981. Fungos macroscópicos do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, depositados no Herbário do Instituto de Botânica. Rickia 9: 37-53. e Jesus (1993)Jesus, M.A. 1993. Basidiomicetos lignocelulolíticos de floresta nativa e de Pinus elliottii Engelm. do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, São Paulo, SP. Hoehnea 20: 119-126..

Hexagonia hydnoides (Sw.) M. Fidalgo, Mem. N. Y. Bot. Gard. 17: 64. 1968. ≡ Boletus hydnoides Sw., Nova genera et species Plantarum seu prodromus descriptioneum vegetabilium maximam parte incognitorum qua sub itinere in Indiam Occidentalem annis 1783-1787 digessit Olof Swartz M.D.: 149. 1788.

Figura 1 e-f

Ilustração das microestruturas em: Gugliotta & Bononi (1999)Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112..

Basidioma anual, lignícola, pileado, séssil, anual, ligado ao substrato por uma pequena porção do píleo mais alargada. Píleo aplanado, flabeliforme, 7,0-9,5 × 3,5-6,0 × 0,5-1,0 cm. Superfície abhimenial fimbriada, com tricomas ramificados de aproximadamente 0,5 cm de comprimento, castanho-escura a preta, concentricamente zonada, margem inteira de mesma cor que superfície abhimenial. Contexto homogêneo, cor de canela a castanho-escuro, 0,2 cm de espessura. Superfície himenial poroide, castanha mais clara que a superfície abhimenial, 3-5 poros por mm, regulares, circulares; tubos de mesma cor que a superfície himenial, reação em KOH positiva. Sistema hifal trimítico; hifas generativas de difícil visualização, com ansas, hialinas, parede fina, 2,5-3,65 µm diâm.; hifas esqueléticas castanho-oliváceas, parede espessa, 3,8-6,3 µm diâm.; hifas conectivas hialinas a castanho-amareladas, muito tortuosas e ramificadas, parede espessa, 1,25-3,75 µm diâm. Basídios não observados. Basidiósporos cilíndricos, hialinos, parede fina e lisa, L’ × W’ = (8,6-)8,7-11,1(-11,3) × (1,8-)2,7-3,8(-3,9) µm. L= 10 µm. W = 3,2 µm. Q = 3,1

Material examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 16-XII-2021, M. Fernandes 143 (SP).

Comentários: A espécie é facilmente reconhecida pela densa massa de pelos eretos e escuros na superfície do píleo, geralmente em zonas concêntricas e distintas, também pela forma e tamanho dos poros, cor do contexto e tamanho dos basidiósporos. Hexagonia hirta (P. Beauv.) Fr. é a espécie mais próxima de H. hydnoides, cuja diferença reside no fato de que, enquanto H. hydnoides possui poros menores e menos variáveis (3-5 poros por mm), basidiósporos menores, 8,6-11,3 × 2,5-3,8 µm, H. hirta possui poros de 8-16 poros por cm e basidiósporos 13,75-16,25 × 3,75-6,25 µm (Fidalgo 1968bFidalgo, M.E.P.K. 1968b. The genus Hexagona. Memoirs of the New York Botanical Garden 17:35-108.).

Distribuição: Possui ampla distribuição no Brasil ocorrendo em áreas de Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal, onde foi e já foi registrada para os Estados Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.). No Estado de São Paulo já foi registrada nos seguintes municípios: Mogi-Guaçu, Cananéia e São José do Rio Preto (Gugliotta 1997Gugliotta, A.M. 1997. Polyporaceae de mata ciliar da Estação Experimental e Reserva Biológica de Moji-Guaçu, SP, Brasil. Hoehnea 24: 89-106., Gugliotta & Bononi 1999Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112., Abrahão et al. 2009Abrahão, M. C., Gugliotta, A.M. & Gomes, E. 2009. Poliporóides (Basidiomycota) em fragmentos de mata no perímetro urbano de São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil. Brazilian Journal of Botany. 32 (3): 427-440.). Sua ocorrência no Parque Estadual Fontes do Ipiranga havia sido registrada por Bononi et al. (1981)Bononi, V.L.R., Trufem, S.F.B. & Grandi, R.A.P. 1981. Fungos macroscópicos do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, depositados no Herbário do Instituto de Botânica. Rickia 9: 37-53., que citaram dois espécimes (SP71318 e SP141953). Esses espécimes foram revistos e não pertenciam à espécie em questão. O espécime SP71318 é um fungo corticioide, enquanto o espécime SP141953 (coletado por V.L. Penteado número 63) foi redeterminado como Cerrena caperata.

Hexagonia papyracea Berk., Ann. Mag. Nat. Hist. 10: 379. 1843. = Hexagonia variegata Berk., Ann. Mag. Nat. Hist. 9: 196. 1852.

Figura 1 g-h

Ilustração das microestruturas em: Gugliotta & Bononi (1999)Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112..

Basidioma anual, pileado séssil a efuso-reflexo, imbricado, solitário ou em grupos. Píleo aplanado, dimidiado a flabeliforme, coriáceo, 4,4-8.1 × 8,3-11,5 × 0,1 cm. Superfície abhimenial concentricamente zonada, sulcada, com zonas púrpuras, castanho-claras e castanho-escuras alternadas, velutina a glabra. Contexto homogêneo, castanho-claro, 0,1 cm espesso. Superfície himenial poroide, castanho-clara; poros angulares a circulares, 1-2 por mm; tubos até 0,1 cm de profundidade, castanho-claros; dissepimentos finos. Sistema hifal trimítico; hifas generativas com ansas, hialinas, ramificadas, 1,5-3,5 diâm.; hifas esqueléticas marrons, parede espessa, 3,5-4,0 µm diâm.; hifas conectivas hialinas, ramificadas, 1-3,5 µm diâm. Elementos estéreis ausentes.

Basídios tetrasterigmados, com ansa basal, clavados, hialinos, 13,2-18,3 × 3,3-4,2 µm.

Basidiósporos elipsoides, hialinos, L’ × W’ = (5,5-)5,6-8,1(-8,2) × (2,7-)3,0-4,0(-4,1) µm. L= 6,7 µm. W = 3,4 µm. Q = 1,9.

Material examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 31-VIII-1961, A.R. Salles s.n. (SP60375); 30-VIII-1995, A.M. Gugliotta et al. 559 (SP); 29-V-1996, A.M. Gugliotta & S.C.S.Souza 666, 673 (SP); 25-VIII-2000, A.M. Gugliotta et al. 1082 (SP); 26-III-2003, U.C. Peixoto s.n. (SP380158); 18-II-2005, L.J. Gimenes et al. s.n. (SP308201); 06-X-2005, , U.C. Peixoto s.n. (SP380138); Trilha para Ecologia, 19-XII-2006, C. Redivo & A.M. Gugliotta 13 (SP); 18-II-2019, A.M. Gugliotta et al. 1628 (SP).

Comentários: A espécie é facilmente reconhecida pelo basidioma fino, com superfície abhimenial velutinea e concentricamente zonada, com zonas púrpuras, castanho-claras e castanho-escuras alternadas e, pelos poros grandes (1-2 por mm) e rasos, de formato hexagonal. Entretanto, pelas características microscópicas como sistema hifal trimítico e basidiósporos cilíndricos pode ser confundida com espécies de Trametes, tais como T. membranacea (Sw.) Kreisel e T. polyzona (Pers.) Justo.

Distribuição: Possui ampla distribuição no Brasil ocorrendo em áreas de Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.). Há registros da espécie nos seguintes municípios do Estado de São Paulo: Barretos, Macaubal, Nova Granada, Palestina, Pindorama, Sales, São João de Iracema, Taquaritinga, Turmalina (Gugliotta et al. 2012), Cananéia (Gugliotta & Bononi 1999Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112.), Mogi-Guaçu (Gugliotta 1997Gugliotta, A.M. 1997. Polyporaceae de mata ciliar da Estação Experimental e Reserva Biológica de Moji-Guaçu, SP, Brasil. Hoehnea 24: 89-106., Abrahão et al. 2012Abrahão, M.C., Gugliotta, A.M. & Bononi, V.L.R. 2012. Xylophilous Agaricomycetes (Basidiomycota) of the Brazilian Cerrado. Check List 8(5): 1102-1116., 2019Abrahão, M.C., Pires, R.M., Gugliotta, A.M., Gomes, E.P.C. & Bononi, V.L.R. 2019. Wood-decay fungi (Agaricomycetes, Basidiomycota) in three physiognomies in the savannah region in Brazil. Hoehnea 46 (1): 1-11.), São José do Rio Preto (Abrahão et al. 2009Abrahão, M. C., Gugliotta, A.M. & Gomes, E. 2009. Poliporóides (Basidiomycota) em fragmentos de mata no perímetro urbano de São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil. Brazilian Journal of Botany. 32 (3): 427-440.), Santo André (Gugliotta et al. 2010Gugliotta, A.M., Fonsêca, M.P. & Bononi, V.L.R. 2010. Additions to the knowledge of aphyllophoroid fungi (Basidiomycota) of Atlantic Rain Forest in São Paulo State, Brazil. Mycotaxon 112: 335-338.) e São Paulo (Motato-Vásquez et al. 2014). A ocorrência da espécie no PEFI já havia sido registrada por Bononi et al. (1981)Bononi, V.L.R., Trufem, S.F.B. & Grandi, R.A.P. 1981. Fungos macroscópicos do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, depositados no Herbário do Instituto de Botânica. Rickia 9: 37-53..

Lenzites elegans (Spreng.) Pat., Essai taxonomique sur les familles et les genres des Hyménomycètes: 89. 1900. ≡ Daedalea elegans Spreng., Kungl. Svenska Vetenskapsakad. Handl.

Ser. 3, 8: 51. 1820. ≡ Trametes elegans (Spreng.) Fr., Epi. S. Mycol.: 492. 1838. (Mycobank 2023MycoBank. 2023. Fungal Databases, Nomenclature & Species Banks. Disponível em http://www.mycobank.org/ (acesso em 30-I-2023).
http://www.mycobank.org/...
).

Figura 2 a-b

Figura 2
Macro morfologia de Basidioma - a-b. Lenzites elegans. a. superfície abhimenial; b. superfície himenoforal. c-e. Podofomes mollis. c-d. superfície abhimenial; e. superfície himenoforal. f-g. Podofomes stereoides, superfície himenoforal. Escala = 1cm.
Figure 2
Basidioma macromorphology. a-b. Lenzites elegans. a. abhymenial surface; b - hymenophoral surface. c-e. Podofomes mollis. c-d. abhymenial surface; e. hymenophoral surface. f-g. Podofomes stereoides, hymenophoral surface. Scale = 1cm.

Ilustração das microestruturas em: Gugliotta & Bononi (1999Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112., como Trametes elegans).

Basidioma anual, lignícola, pileado, séssil a pseudo-estipitado, solitário a imbricado. Píleo aplanado, flabeliforme, 3,6-7,2 × 5,9-10,2 × 0,1-0,2 cm. Superfície abhimenial concentricamente zonada, creme a castanha, glabra na maturidade; margem lisa, aguda, branca a creme. Contexto homogêneo, branco a creme, 1-2 mm espesso. Superfície himenial lamelar a dedaloide, branca a creme; quando presentes, há 2-4 poros dedaloides por mm.; tubos creme, até 0,4 cm de profundidade; dissepimentos lisos, inteiros. Sistema hifal trimítico; hifas generativas com ansas, hialinas, parede fina, 1,9-3,2 µm diâm.; hifas esqueléticas hialinas a amareladas, parede espessa, retas, sem ramificações, 5,0-6,7 µm diâm.; hifas conectivas hialinas, ramificadas, tortuosas, 2,0-6,1µm diâm. Elementos estéreis ausentes. Basídios tetrasterigmados, hialinos, 12,4-17,1 × 5,9-7,3µm. Basidiósporos cilíndricos, hialinos, parede fina e lisa, L’ × W’= (4,1-)4,3-6,2(-6,3) × 2,0-3,2(-3,3) µm. L= 5,3 µm. W = 2,4 µm. Q = 2,2.

Material examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 20-VI-1956, M.A. Pereira s.n. (SP43741); Picada Gardner, 08-V-1961, A.R. Salles & D. Vital s.n. (SP62043); Picada Gardner, 29-III-1962, A.R. Salles s.n. (SP62097); Picada Gardner, 28-IV-1962, R. Salles s.n. (SP61406); Picada Gardner, 19-V-1962, J.R.P. Castro et al. s.n. (SP61407); III-1967, J.S. Furtado s.n. (SP98451); 08-VI-1967, V.P. Souza s.n. (SP98075); V-1969, B. Skvortzov s.n. (SP103923); 5-V-1969, B. Skvortzov (SP103918); 20-VI-1996, M.A. Pereira (SP43741).

Comentários: Lenzites elegans caracteriza-se pelo basidioma creme, glabro, e superfície abhimenial nitidamente lamelar ou, em alguns casos, dedaloide. Morfologicamente, é essa característica que separa a espécie de Trametes. O táxon é amplamente difundido em regiões tropicais e subtropicais e apresenta a morfologia do himenóforo variável, que pode ser lamelado, dedaloide ou poroide, inclusive no mesmo espécime (Ryvarden & Johansen 1980Ryvarden, L. & Johansen, G.J. 1980. Apreliminary polypore flora ofEast Africa. Fungiflora, Oslo., Gilbertson & Ryvarden 1987Gilbertson & Ryvarden, L. 1987. North American Polypores 2: 752.). Na filogenia de Justo e Hibbett (2011)Justo, A. & Hibbett, D.S. 2011. Phylogenetic classification of Trametes (Basidiomycota, Polyporales) based on a five-marker dataset. Taxon 60(6): 1567-1583. foram recuperados três clados para os organismos identificados como Trametes elegans, (sinônimo de L. elegans) o que sugere que o táxon faz parte de um complexo de espécies (Olou et al. 2020Olou, B.A., Krah, F.-S., Piepenbring, M., Yorou, N.S. & Langer, E. 2020. Diversity of Trametes (Polyporales, Basidiomycota) in tropical Benin and description of new species Trametes parvispora. MycoKeys 65: 25-47.).

Distribuição: Ocorre na Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, e já foi registrada para os Estados do Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.). No Estado de São Paulo foi registrada apenas nos municípios de Cananéia (Bononi & Gugliotta 1999), Mogi-Guaçu (Abrahão et al. 2012Abrahão, M.C., Gugliotta, A.M. & Bononi, V.L.R. 2012. Xylophilous Agaricomycetes (Basidiomycota) of the Brazilian Cerrado. Check List 8(5): 1102-1116.) e São Paulo, onde sua ocorrência no PEFI já havia sido registrada por Bononi et al. (1981)Bononi, V.L.R., Trufem, S.F.B. & Grandi, R.A.P. 1981. Fungos macroscópicos do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, depositados no Herbário do Instituto de Botânica. Rickia 9: 37-53..

Podofomes mollis (Sommerf.) Gorjón, Sydowia 73: 18. 2020. ≡ Daedalea mollis Sommerf., Supp. Fl. Lapp. 271. 1826. ≡ Datronia mollis (Sommerf.) Donk, Persoonia 4 (3): 338. 1966. (Mycobank 2023MycoBank. 2023. Fungal Databases, Nomenclature & Species Banks. Disponível em http://www.mycobank.org/ (acesso em 30-I-2023).
http://www.mycobank.org/...
).

Figura 2 c-e

Ilustração das microestruturas em: Silveira & Guerrero (1991Silveira, R.M.B. & Guerrero, R.T. 1991. Aphyllophorales poliporoides (Basidiomycetes) do Parque Nacional de Aparados da Serra, Rio Grande do Sul. Boletim do Instituto de Biociências 48: 1-127., como Datronia mollis).

Basidioma anual, lignícola, efuso-reflexo a ressupinado. Píleo aplanado, flabeliforme, coriáceo, 1,3-5,5 × 1,5-7,1 × 0,1 cm. Superfície abhimenial estrigosa, castanho-escura a quase preta; margem aguda, lobada, vilosa, castanha. Contexto homogêneo, azonado, castanho-claro, 1 mm espesso. Superfície himenial poroide, castanho; poros dedaloides a angulares, 1-3 por mm; tubos 0,1 cm de profundidade, marrons; dissepimentos inteiros. Sistema hifal trimítico; hifas generativas com ansas, hialinas e ramificadas, 2,8-4,0 µm diâm.; hifas esqueléticas castanhas, parede espessa, 4,1-5,5 µm diâm.; hifas conectivas hialinas e ramificadas, 3,2-4,3 µm diâm. Dendrohifídios presentes, ramificados, 1,5-2,25 µm diâm.; cistídiolos presentes, parede fina, 25,2-28,4 × 4,1-5,3µm diâm. Medas muito abundantes. Basídios clavados, hialinos, 15,0-18,2 × 5,1-8,3 µm. Basidiósporos cilíndricos, hialinos, L’ × W’= (11,0-)11,1-13,0(-13,1) × (4,0-)4,1-5,9(-6,1) µm. L=12 µm. W = 5,2 µm. Q = 2,3.

Material examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 27-IV-1995; A.M. Gugliotta et al. 465 (SP); 30-VIII-1995, A.M. Gugliotta et al. 553 (SP); 29-V-2000, A.M. Gugliotta & S.C.S. Souza 670 (SP); 10-X-2000, A.M. Gugliotta et al. 1088 (SP); 25-IX-2001, A.M. Gugliotta et al. 1117 (SP); 23-X-2001, A.M. Gugliotta et al. 1137 (SP); 06-XI-2003; G.R. Leal et al. s.n. (SP307903); 16-II-2004, C. Puccinelli et al. s.n. (SP308043); 25-IV-2012, V.M.V. Vitali 44 (SP498582).

Comentários: O basidioma efuso-reflexo a ressupinado, castanho-escuro a quase preto, com poros grandes (1-3 por mm), dedaloides a angulares são boas características para o reconhecimento da espécie em campo (Silveira & Guerrero 1991Silveira, R.M.B. & Guerrero, R.T. 1991. Aphyllophorales poliporoides (Basidiomycetes) do Parque Nacional de Aparados da Serra, Rio Grande do Sul. Boletim do Instituto de Biociências 48: 1-127.). Microscopicamente, se diferencia de outros gêneros de trametoides pela presença de dendrohifídios.

Distribuição: No Brasil sua ocorrência foi registrada nos Estados do Acre, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, em áreas de Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.). No Estado de São Paulo já foi registrada nos seguintes municípios: Bebedouro (Gugliotta et al. 2012); Mogi-Guaçu (Abrahão et al. 2012Abrahão, M.C., Gugliotta, A.M. & Bononi, V.L.R. 2012. Xylophilous Agaricomycetes (Basidiomycota) of the Brazilian Cerrado. Check List 8(5): 1102-1116., 2019Abrahão, M.C., Pires, R.M., Gugliotta, A.M., Gomes, E.P.C. & Bononi, V.L.R. 2019. Wood-decay fungi (Agaricomycetes, Basidiomycota) in three physiognomies in the savannah region in Brazil. Hoehnea 46 (1): 1-11.), Santo André, São Paulo (Gugliotta et al. 2010Gugliotta, A.M., Fonsêca, M.P. & Bononi, V.L.R. 2010. Additions to the knowledge of aphyllophoroid fungi (Basidiomycota) of Atlantic Rain Forest in São Paulo State, Brazil. Mycotaxon 112: 335-338.) e São José do Rio Preto (Abrahão et al. 2009Abrahão, M. C., Gugliotta, A.M. & Gomes, E. 2009. Poliporóides (Basidiomycota) em fragmentos de mata no perímetro urbano de São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil. Brazilian Journal of Botany. 32 (3): 427-440.).

Podofomes stereoides (Fr.) Gorjón, Sydowia 73: 18. 2020. ≡ Polyporus stereoides Fr., Observationes mycologicae 2: 258. 1818.≡ Datronia stereoides (Fr.) Ryvarden, Blyttia 25: 168. 1967.

Figura 2 f-g

Ilustração das microestruturas em: Gugliotta & Bononi (1999Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112., como Datronia stereoides).

Basidioma anual, lignícola, efuso-reflexo a ressupinado, às vezes discoide. Píleo dimidiado, coriáceo, 1,1-2,1 × 2,1-3,2 × 0,1 cm. Superfície abhimenial tomentosa a estrigosa, castanho-escura a preta; margem aguda, lobada, bege a branca. Contexto heterogêneo, castanho, linha negra presente, 1 mm espesso. Superfície himenial poroide, castanho-acinzentada; poros regulares, angulares a circulares, 3-5 por mm; tubos até 0,1 cm de profundidade, castanho-acinzentados; dissepimentos inteiros, finos. Sistema hifal dimítico; hifas generativas com ansas, hialinas, 1,5-2,2 µm diâm.; hifas esqueléticas marrons, retas, com algumas ramificações, parede espessa, 3,0-4,3 μm diâm. Dendrohifídios ramificados, presentes nas terminações dos dissepimentos, 1,5-2,5 µm diâm.; cistidíolos abundantes, 20,0-24,3 × 5,2-6,1 µm diâm. Basídios clavados, com ansa basal, 11-22,3× 3,5-7,2 µm. Basidiósporos cilíndricos, hialinos, L’ × W’= (9,2-)9,5-11,2(-11,3) × (3,0-)3,2-5,0(-5,1) µm. L= 10,5 µm. W = 3,9 µm. Q = 2,7.

Material examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 27-IV-1993, A.M. Gugliotta et al. 451 (SP); idem, 03-X-2003, A.M. Gugliotta et al. 1191 (SP); idem, 05-XII-2006, C.L.C Redivo, et al. 07 (SP).

Comentários: Podofomes stereoides é caracterizada pelo basidioma efuso-reflexo a ressupinado, normalmente formando pequenos discos no ponto de adesão ao substrato. Se diferencia de P. mollis visto que esta espécie possui poros maiores (1-3 por mm) e de outros gêneros de trametoides por, microscopicamente, possuir dendrohifidios.

Distribuição: Sua ocorrência no Brasil está restrita às áreas de Amazônia e Mata Atlântica dos Estados do Acre, Amapá, Bahia, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.). No Estado de São Paulo já foi registrada nos seguintes municípios: Cananéia (Gugliotta & Bononi 1999Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112.), Sales (Gugliotta et al. 2012), Santo André (Gugliotta et al. 2010Gugliotta, A.M., Fonsêca, M.P. & Bononi, V.L.R. 2010. Additions to the knowledge of aphyllophoroid fungi (Basidiomycota) of Atlantic Rain Forest in São Paulo State, Brazil. Mycotaxon 112: 335-338.) e São Paulo (Motato-Vásquez et al. 2014).

Pycnoporus sanguineus (L.) Murrill, Bull. Torrey Bot. Club 31 (8): 421. 1904. ≡ Boletus sanguineus L., Species Plantarum: 1646. 1763.

Figura 3 a-b

Figura 3
Macro morfologia de Basidioma - Superfície abhimenial e himenoforal. a-b. Pycnoporus sanguineus. c-d. Trametes cubensis. e-f. Trametes decipiens. g. Trametes lactinea, superfície himenoforal. Escala = 1 cm.
Figure 3
Macro morphology of Basidioma - Abhymenial and hymenophoral surface. a-b. Pycnoporus sanguineus. c-d. Trametes cubensis. e-f. Trametes decipiens. g. Trametes lactinea, hymenophoral surface. Scale = 1 cm.

Figura 4
Macro morfologia de Basidioma - Superfície abhimenial e himenoforal. a-b. Trametes neovillosa. c-d. Trametes ochracea. e-f. Trametes polyzona. g-h. Trametes villosa. Escala = 1 cm.
Figure 4
Basidioma macromorphology - Abhymenial and hymenophoral surface. a-b.Trametes neovillosa. c-d. Trametes ochracea. e-f. Trametes polyzona. g-h. Trametes villosa. Scale = 1cm.

Ilustração das microestruturas em: Gugliotta & Bononi (1999)Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112..

Basidioma anual, pileado, séssil a efuso-reflexo, solitário a imbricado. Píleo aplanado, dimidiado a flabeliforme, coriáceo, 1,3-3,5 × 1,8-8,3 × 0,1-0,2 cm. Superfície abhimenial glabra, vermelha a alaranjada; margem fina, inteira. Contexto esponjoso a suberoso, homogêneo, alaranjado, 0,1-0,2 mm espesso. Superfície himenial poroide, laranja; poros circulares, 7-8 por mm; tubos alaranjados até 0,3 cm de profundidade; dissepimentos finos e denteados. Sistema hifal trimítico; hifas generativas com ansas, hialinas, parede fina, 2,5-3,0 µm diâm.; hifas esqueléticas hialinas, parede espessa, 4,2-7,0 diâm.; hifas conectivas hialinas, parede fina e ramificadas, 2,5-3,5 µm diâm. Elementos estéreis ausentes. Basídios tetrasterigmados, com ansa basal, clavados, hialinos, 9,8-17,9 × 3,6-7,4 µm. Basidiósporos cilíndricos, hialinos, parede fina, lisa, L’ × W’= (3,8-)3,9-5,8(-5,9) × 2,0-3,7(-4,2) µm. L= 4,7 µm. W = 2,3 µm. Q = 2

Material examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, Viveiro do I.C.B, s.d., C. Lucchesi s.n. (SP36481); 27-II-1961, R. Salles & P. Francisco s.n. (SP95531); E.S. Beneke s.n. (SP62028); 18-VI-1969, B. Skvortzov s.n. (SP106726); 20-X-1977, S.F.B. Trufem s.n. (SP141910); 05-IX-1980, M. Capelari s.n. (SP157042); 30-VIII-1995, A.M. Gugliotta et al. 557 (SP); 23-X-2001, A.M. Gugliotta et al. 1134 (SP); 19-XII-2001, U.C. Peixoto (SP307868); 21-VIII-2003, M.D. Trude, (SP307901); 29-IX-2003, A.M. Gugliotta A17/03 (SP); 20-X-2006; C.L.C Redivo et al. 01 (SP); 28-VIII-2007, A.M. Gugliotta et al. 1247 (SP).

Comentários: Pycnoporus sanguineus é uma das espécies mais facilmente reconhecíveis em campo devido à sua coloração alaranjada e ao fato de ocorrer com frequência em áreas abertas e antropizadas; filogeneticamente, a espécie mais próxima é Pycnoporus cinnabarinus (Jacq.) P. Karst., que possui basidiomas mais espessos com himenóforo cujos poros permanecem com coloração intensa, mas não ocorre no Brasil (Valenzuela 1999Valenzuela, G.R. 1999. Las familias Polyporaceae sensu stricto y Albatrellaceae en México. Instituto Politécnico Nacional. Escuela Nacional de Ciencias Biológicas. Informe final SNIB-CONABIO. México, D.F., Pompa et al. 2011Pompa, A., Aguirre, E., Encalada, A.V., de Anda, A., Cifuentes, J., Valenzuela, R. 2011. Los macromicetos del Jardín Botánico de ECOSUR “Dr. Alfredo Barrera Marín” Puerto Morelos. Quintana Roo. CONABIO.). A classificação de Justo & Hibbett (2011)Justo, A. & Hibbett, D.S. 2011. Phylogenetic classification of Trametes (Basidiomycota, Polyporales) based on a five-marker dataset. Taxon 60(6): 1567-1583., baseada em análises filogenéticas, incluiu o gênero Pycnoporus no clado trametoide, e considerou o uso de um único nome genérico, Trametes, para este clado. Neste trabalho, os autores resgataram combinações de nomenclatura, como Trametes sanguinea (L. Fr) Lloyd, argumentando ser a melhor opção taxonômica e nomenclatural. Entretanto, de acordo com Gurgel et al. (2023)Gurgel, R. A.F., Carvalho, C., Ishikawa, N. & Cabral, T. 2023. Nomenclatural review and history of Pycnoporus (Polyporaceae): A widespread, bright-reddish genus in Basidiomycota. Phytotaxa. 589: 296-300., além de Pycnoporus ser um nome sancionado e conservado, incluir o táxon em Trametes implica mudanças nomenclaturais e, assim, decisão de sinonimizar Pycnoporus em Trametes deve ser cuidadosamente avaliada com base em mais dados moleculares.

Distribuição: possui registros em todas as regiões do Brasil, em áreas de Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.). No Estado de São Paulo há registros da espécie nos seguintes municípios: Barretos, Macaubal, Novo Horizonte, Palestina, Sales, São João de Iracema, Turmalina, União Paulista, Votuporanga (Gugliotta et al. 2012), Bragança Paulista, São Carlos (Abrahão et al. 2012Abrahão, M.C., Gugliotta, A.M. & Bononi, V.L.R. 2012. Xylophilous Agaricomycetes (Basidiomycota) of the Brazilian Cerrado. Check List 8(5): 1102-1116.), Cananéia (Gugliotta & Bononi 1999Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112.), Mogi-Guaçu (Gugliotta 1997Gugliotta, A.M. 1997. Polyporaceae de mata ciliar da Estação Experimental e Reserva Biológica de Moji-Guaçu, SP, Brasil. Hoehnea 24: 89-106., Abrahão et al. 2012Abrahão, M.C., Gugliotta, A.M. & Bononi, V.L.R. 2012. Xylophilous Agaricomycetes (Basidiomycota) of the Brazilian Cerrado. Check List 8(5): 1102-1116., 2019Abrahão, M.C., Pires, R.M., Gugliotta, A.M., Gomes, E.P.C. & Bononi, V.L.R. 2019. Wood-decay fungi (Agaricomycetes, Basidiomycota) in three physiognomies in the savannah region in Brazil. Hoehnea 46 (1): 1-11.), Santo André (Capelari et al. 2009; Gugliotta et al. 2010Gugliotta, A.M., Fonsêca, M.P. & Bononi, V.L.R. 2010. Additions to the knowledge of aphyllophoroid fungi (Basidiomycota) of Atlantic Rain Forest in São Paulo State, Brazil. Mycotaxon 112: 335-338.), São Luiz do Paraitinga (Pires et al. 2017Pires, R.M., Motato-Vásquez, V., Westphalen, M.C. & Gugliotta, A.M. 2017. Polyporales and related poroid genera (Basidiomycota) from Parque Estadual da Serra do Mar, São Paulo, Brazil. Hoehnea 44(1): 145-157.), São José do Rio Preto (Abrahão et al. 2009Abrahão, M. C., Gugliotta, A.M. & Gomes, E. 2009. Poliporóides (Basidiomycota) em fragmentos de mata no perímetro urbano de São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil. Brazilian Journal of Botany. 32 (3): 427-440.), e São Paulo (Motato-Vásquez et al. 2014). A ocorrência da espécie no PEFI já havia sido registrada por Bononi et al. (1981)Bononi, V.L.R., Trufem, S.F.B. & Grandi, R.A.P. 1981. Fungos macroscópicos do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, depositados no Herbário do Instituto de Botânica. Rickia 9: 37-53. e Jesus (1993)Jesus, M.A. 1993. Basidiomicetos lignocelulolíticos de floresta nativa e de Pinus elliottii Engelm. do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, São Paulo, SP. Hoehnea 20: 119-126..

Trametes cubensis (Mont.) Sacc., Sylloge Fungorum 9: 198. 1891. ≡ Polyporus cubensis Mont., Ann. Sc. Nat. Bot. 8: 364. 1837.

Figura 3 c-d

Ilustração das microestruturas em: Gugliotta & Bononi (1999)Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112..

Basidioma anual, pileado, séssil, solitário a imbricado. Píleo flabeliforme, aplanado, 8,6-13,5 × 12,2-27,2 × 0,1-0,3 cm, creme. Superfície abhimenial concentricamente zonada próxima a margem, vilosa, glabra na maturidade, bege a creme. Contexto homogêneo, creme claro, até 0,2 mm espesso. Superfície himenial poroide; poros circulares a regulares, 4-6 por mm, creme; tubos até 0,4 cm de profundidade, de coloração creme; dissepimentos lisos, inteiros. Sistema hifal trimítico; hifas generativas com ansas, de parede fina, hialinas e ramificadas, 2,0-3,2 µm diâm.; hifas esqueléticas hialinas, de parede espessa, retas, 4,1-5,0 µm diâm.; hifas conectivas hialinas, parede espessa, bem ramificadas, 2,5-4,1 µm diâm. Elementos estéreis ausentes. Basídios hialinos, 16-17,3 × 5,0-6,5 µm. Basidiósporos cilíndricos a elipsoides, hialinos, de parede fina, L’ × W’= (5,5-)5,6-7,2 × (3,0-)3,1-4,2(-4,3) µm. L= 6,4 µm. W = 3,6 µm. Q = 1,8.

Material examinado: BRASIL, SãO PAULO, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 23-XII-2000, A.M. Gugliotta & G.R. Leal s.n. (SP30816); 02-XII-2004, C. Puccinelli & G.R. Leal C21/4 (SP); 05-XII-2006, C.L.C. Redivo et al. 09 (SP); 08-II-2006, A.M. Gugliotta 1224 (SP); 28-VIII-2007, A.M. Gugliotta et al. 1243 (SP).

Comentários: Esta espécie pode ser reconhecida em campo pelo basidioma dimidiado, de coloração clara (creme a ocráceo) e um himenóforo com poros de tamanho médio a pequeno 4-5(-6) por mm. É flexível quando fresco e duro após a secagem. A superfície pilear pode apresentar uma mancha marrom-avermelhada perto da fixação ao substrato. O sistema hifal trimítico e basidiósporos cilíndricos caracterizam esta espécie microscopicamente.

Distribuição: Segundo Maia et al. (2015)Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13., a espécie ocorre em todas as regiões do Brasil, em áreas de Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal. No Estado de São Paulo foi registrada nos municípios de Cananéia (Gugliotta & Bononi 1999Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112.), Santo André (Capelari et al. 2009) e São Paulo (Gugliotta et al. 2010Gugliotta, A.M., Fonsêca, M.P. & Bononi, V.L.R. 2010. Additions to the knowledge of aphyllophoroid fungi (Basidiomycota) of Atlantic Rain Forest in São Paulo State, Brazil. Mycotaxon 112: 335-338.).

Trametes decipiens Bres., Ann. Mycol. 18 (1-3): 40. 1920. ≡ Datronia decipiens (Bres.) Ryvarden, Mycotaxon 33: 308. 1988.

Figura 3 e-f

Ilustração das microestruturas em: Ryvarden (1988)Ryvarden, L. 1988. Type studies in the Polyporaceae - 20. Species described by G. Bresadola. Mycotaxon 33: 303-327..

Basidioma anual, lignícola, pileado, séssil a efuso-reflexo. Píleo aplanado, flabeliforme, dimidiado, zonado, castanho-escuro, 1,5 × 2,1 × 0,1 cm. Superfície abhimenial hirsuta, castanha; margem aguda, lobada, castanho-clara. Contexto dúplex, com linha preta distinta, 1 mm espesso. Superfície himenial poroide, castanho-clara; poros angulares a dedaloides, 1-2 por mm; tubos 2 mm de profundidade, castanho-claros; dissepimentos lacerados, irregulares. Sistema hifal dimítico; hifas generativas hialinas, com ansas, parede fina, ramificadas, 2,0-3,2 µm diâm.; hifas esqueléticas castanhas, parede espessa, retas, 3,5-4,5 µm diâm. Elementos estéreis ausentes. Basídio cilíndricos, hialinos, 16,3-19,2 × 6,0-8,2 µm. Basidiósporos elipsoides a cilíndricos, hialinos, parede fina, L’ × W’= (11,2-)11,5-14,0 × (4,0-)4,1-6,2(-6,5) µm. L= 12,7 µm. W = 5,1 µm. Q = 2,5.

Material examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 16-24-I-1987, L. Ryvarden et al. 24128 (SP).

Comentários: O basidioma efuso-reflexo, fino, contexto duplex com presença de linha negra que separa as porções superior e inferior, poros grandes e basidiósporos elipsoides caracterizam a espécie (Ryvarden 1988Ryvarden, L. 1988. Type studies in the Polyporaceae - 20. Species described by G. Bresadola. Mycotaxon 33: 303-327.). Difere das demais espécies do gênero pois possui sistema hifal dimítico; difere das espécies de Datronia em função dos poros grandes (1-2 por mm) e basidiósporos elipsoides; difere de Cerrena caperata e Funalia rigida pois não possui píleo zonado concentricamente típicas destas espécies (Ryvarden & Johansen, 1980Ryvarden L., Johansen I. 1980. A preliminary polypore flora of East Africa. Oslo, Fungiflora.).

Distribuição: Ocorre apenas na Colômbia e no Brasil, onde já foi citada para os Estados da Bahia (localidade tipo), Pernambuco, Roraima, Rio Grande do Sul (Ryvarden 1988Ryvarden, L. 1988. Type studies in the Polyporaceae - 20. Species described by G. Bresadola. Mycotaxon 33: 303-327., Baltazar et al. 2012Baltazar, J.M., Drechsler-Santos, E.R., Ryvarden, L., Cavalcanti, M.A.Q. & Gibertoni, T.B. 2012. Contribution to the knowledge of polypores (Agaricomycetes) from the Atlantic forest and Caatinga, with new records from Brazil. Mycosphere 3(3): 267-280., Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13., ICN 2019ICN - Herbário do Instituto de Ciências Naturais. 2019. Disponível em http://www.splink.org.br (acesso em 28-V-2019).
http://www.splink.org.br...
). Até o momento, o material estudado é o único coletado no Estado de São Paulo.

Trametes lactinea (Berk.) Sacc., Sylloge Fungorum 6: 343. 1888. = Trametes levis Berk., London J. of Bot. 6: 507. 1847.

Figura 3 g

Ilustração das microestruturas em: Ryvarden (1988)Ryvarden, L. 1988. Type studies in the Polyporaceae - 20. Species described by G. Bresadola. Mycotaxon 33: 303-327..

Basidioma anual, pileado, séssil e aplanado, com consistência de cortiça após desidratação. Píleo semicircular, 5,0 × 7,0 × 1,5 cm, superfície abhimenial, glabra a finamente aveludada, branca quando jovem, tornando-se cinza, a cinza-amarelada com a idade, sem zonas ou, quando presentes, são levemente radiadas, margem regular, inteira e espessa. Superfície himenial poroide, de mesma cor que o píleo, poros circulares, 3-4 por mm; dissepimentos inteiros e espessos, tubos de até 5 mm de profundidade. Contexto espesso, 3-9 mm, de cor creme, duro quando seco. Sistema hifal trimítico; hifas generativas hialinas, de paredes finas com ansas, abundantes na trama, 1,0-3,2 μm diâm.; hifas esqueléticas hialinas, abundantes, dominantes tanto na trama quanto no contexto, de paredes moderadamente espessas, 3,9-6,2 μm diâm; hifas conectivas também abundantes, hialinas, muito ramificadas e arboriformes, 1,3-5,4 μm diâm;. Basídios clavados, hialinos, tetrasporados, 12,2-16,5 × 5-7,2 μm. Basidiósporos cilíndricos, hialinos e de parede fina e lisa, L’ × W’= (5,5-)5,6-6,9(-7,0) × 2,2-3,0 μm. L= 6,2 µm. W = 2,6 µm. Q = 2,4.

Material examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 19--III-1999, L.R. Silva s.n. (SP381522).

Comentários: Trametes lactinea caracteriza-se por um basidioma espesso, branco quando jovem e que, com a maturidade, desenvolve tons acinzentados, e por poros circulares e regulares; microscopicamente, possui hifas conectivas arboriformes e basidiósporos cilíndricos. T. lactinea pode ser confundida macroscopicamente com Tyromyces leucomalllus (Berk. & M.A. Curtis) Murrill devido aos basidiomas espessos e esbranquiçados, mas esta última possui sistema hifal monomítico e basidiósporos pequenos e alantóides. Lenzites elegans (Spreng.) Pe. também é semelhante na cor e no hábito aos basidiomas de T. lactinea, mas possui uma superfície himenial irregular dedaloide a lamelar, enquanto T. lactinea possui poros, redondos a angulares, mas nunca labirintiformes. Para além da morfologia, do ponto de vista filogenético, no trabalho de Justo & Hibbett (2011)Justo, A. & Hibbett, D.S. 2011. Phylogenetic classification of Trametes (Basidiomycota, Polyporales) based on a five-marker dataset. Taxon 60(6): 1567-1583., há dois clados com ramos bem suportados que revelam que o clado L. elegans é muito mais divergente do que o de T. lactinea. Fomitopsis nivosa (Berk.) Gilb. & Ryvarden também possui um basidioma espesso esbranquiçado, sistema hifal trimítico e esporos cilíndricos, mas difere de T. lactinea pois causa podridão marrom e desenvolve uma cutícula escura avermelhada na superfície pilear, quando o basidioma está velho.

Distribuição: A espécie ocorre na região pantropical e, segundo Ryvarden & Johansen (1980)Ryvarden L., Johansen I. 1980. A preliminary polypore flora of East Africa. Oslo, Fungiflora., há registros da espécie na África do Sul, Austrália e Filipinas. Também foi registrado da China (Zhang 1999Zhang X.Q. 1999. Fungal flora of tropical Guangxi, China: Aphyllophorales s.l. Mycotaxon 72: 371-376.). Na região neotropical, há registro de ocorrência na Guiana (Aime et al. 2003Aime M.C, Henkel T.W, Ryvarden L. 2003. Studies in neotropical polypores 15. New and interesting species from Guyana. Mycologia 95(4): 614-619.), Jamaica (Ryvarden 2000Ryvarden L. 2000. Studies in Neotropical Polypores 8: Poroid Fungi from Jamaica - a preliminary check list. Mycotaxon 76: 349-360.) e Venezuela (Iturriaga & Ryvarden 2001Iturriaga T., Ryvarden L. 2001. Studies in neotropical polypores 9. A critical check list of poroid fungi from Venezuela. Mycotaxon 78: 393-405.). No Brasil já foi citada para os Estados do Acre, Amazonas, Pará, Pernambuco, Rondônia e Sergipe (Gomes-Silva et al. 2010Gomes-Silva, A.C.; Ryvarden, L. Gibertoni, T.B. 2010. Notes on Trametes from the Brazilian Amazonia. Mycotaxon 113: 61-71., Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.). Rick (1960)Rick J. 1960. Basidiomycetes Eubasidii in Rio Grande do Sul - Brasilia 4. Meruliaceae, Polyporaceae e Boletaceae. Iheringia Série Botânica 7: 193-295. descreveu e citou a espécie no Estado do Rio Grande do Sul como Trametes levis Berk. Até o momento, o material estudado é o único coletado no Estado de São Paulo.

Trametes neovillosa Fernandes & Gugliotta, Phytotaxa 591 (1): 80. 2023. ≡ Boletus pavonius Hook., Syn. Pl. 1: 10. 1822. ≡ Trametes pavonia (Hook.) Ryvarden, Nor. J. Bot. 19: 236. 1972.

Figura 4 a-b

Ilustração das microestruturas em: Gilbertson & Ryvarden (1987)Gilbertson & Ryvarden, L. 1987. North American Polypores 2: 752..

Basidioma anual, pileado, séssil. Píleo dimidiado a flabeliforme, semicircular, coriáceo, fino e flexível quando fresco, 6,0-8,0 × 4,0-4,5 × 0,2-0,3 cm. Superfície abhimenial plana, ligeiramente sulcada, tomentosa a hirsuta, concentricamente zonada, com zonas de cores marrom-acinzentadas a cinza-acastanhadas; margem fina e regular. Superfície himenial amarelo-acinzentada a laranja pálida; poros regulares, circulares a angulares, 4-6 por mm; tubos com a mesma coloração que a superfície dos poros, curtos, até 1 mm de profundidade; dissepimentos inteiros, estéreis, finos, brancos a amarelados. Contexto delgado, de mesma cor que a margem estéril, até 2 mm de espessura, dúplex, parte superior representada por um tomento fibroso, a parte inferior mais densa. Sistema hifal trimítico; hifas generativas hialinas, com ansas, de parede fina, 2,0-3,2 μm diâm.; hifas esqueléticas de parede espessa, hialinas e não ramificadas, dominantes na trama e no contexto, 2,0-6,5 μm diâm.; hifas conectivas também abundantes, especialmente no contexto, hialinas, de parede espessa, ramificadas, 1,5-3,5 μm diâm. Elementos estéreis ausentes. Basídios clavados, tetraesterigmados, 10,0-12,0 × 4,5-6,0 μm. Basidiósporos elipsoides, hialinos, parede fina e lisa, L’× W’= 3,9-5,5 × 2,9-4,0 μm. L= 4,6 µm. W = 3,4 µm. Q = 1,3.

Material Examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 20-II-2020, A.M. Gugliotta & M.C. Westphalen 1633 (SP).

Comentários: A espécie caracteriza-se por basidiomas aplanados e coriáceos, concentricamente zonados e na micromorfologia, pelos basidiósporos elipsoides. Sua ocorrência no Brasil tem sido relatada como Trametes pavonia (Hook.) Ryvarden, nome ilegítimo por ser homônimo posterior de Trametes pavonia (Berk.) Fr. Dessa maneira, Fernandes & Gugliotta (2023)Fernandes, M., Gugliotta, A. M. 2023. Trametes neovillosa (Polyporaceae), a new name for the later homonym Trametes pavonia (Hook.) Ryvarden. Phytotaxa 591 (1): 80-82. propuseram o nome Trametes neovillosa Fernandes & Gugliotta para substituí-lo. T. neovillosa é uma espécie similar a T. villosa, entretanto, difere no tamanho dos poros, dificilmente visíveis a olho nu em T. neovillosa (4-6 por mm) enquanto em T. villosa os poros angulares são de 2-3 (-4) por mm.

Distribuição: Ocorre em todos as regiões do Brasil (Amazonas, Rondônia, Roraima, Tocantins, Alagoas, Pernambuco, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina) em áreas de Floresta Amazônica, Mata Atlântica e Cerrado (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.). No Estado de São Paulo já foi registrada nos seguintes municípios: São Paulo e Cananéia.

Trametes ochracea (Pers.) Gilb. & Ryvarden, North American Pol. 2: 752. 1987. ≡ Boletus ochraceus Pers., Annal. Bot. (Usteri) 11: 29. 1794. = Boletus zonatus Nees, S. Pil. Schw. 221, t. 28:221. 1817.

Figura 4 c-d

Ilustração das microestruturas em: Gilbertson & Ryvarden (1987)Gilbertson & Ryvarden, L. 1987. North American Polypores 2: 752..

Basidioma anual, pileado, séssil a efuso-reflexo. Píleo dimidiado, aplanado, flexível a coriáceo, 2,5-5,4 × 3,2-7,5 × 0,1 cm. Superfície abhimenial levemente tomentosa a glabra, concentricamente zonada, com zonas vináceas a castanho-avermelhadas; margem lisa, inteira. Contexto fibroso, homogêneo, zonado, creme, até 1 mm espesso. Superfície himenial poroide, castanha; poros circulares, regulares, 3-4 por mm; tubos creme, até 0,3 cm de profundidade; dissepimentos inteiros, espessos. Sistema hifal trimítico; hifas generativas com ansas, parede fina, 2,0-3,5 µm diâm.; hifas esqueléticas amareladas a hialinas, retas, 4,0-7,2 µm diâm.; hifas conectivas hialinas, ramificadas, 2,2-4,0 µm diâm. Elementos estéreis ausentes. Basídios não observados. Basidiósporos cilíndricos, hialinos, parede fina, L’ × W’= (5,0-)5,2-7,3(-7,5) × (2,1-)2,2-3,2 µm. L= 6,2 µm. W = 2,7 µm. Q= 2,3.

Material examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, J.S. Furtado s.n., 7-VIII-1959 (SP 43834); 07-VI-1960, J.S. Furtado s.n. (SP50897); 26-VI-1960, M.E.P.K. Fidalgo & E. Campos s.n. (SP47007); 19-VIII-1960, A.R. Teixeira s.n. (SP51090); 22-VI-1961, E.S. Beneke s.n. (SP62022; SP 95118); 22-VI-1961, A. Rogers s.n. (SP62015); 23-VI-1961, E.S. Beneke s.n. (SP95104); 1963, D. Vital s.n. (SP70785); 22-IV-1969, B. Skvortzov s.n. (SP103944).

Comentários: Trametes ochracea é caracterizada por apresentar um píleo fosco com zonações de tons vináceos e superfície himenial com poros castanhos que, na senescência, adquire tons de cinza pálido. Pode ser confundida com Trametes versicolor (L.) Lloyd, mas essa espécie possui basidioma de tons menos pálidos e mais fortemente zonado, de consistência fina e flexível (não coriáceo). Também pode se assemelhar a Trametes pubescens (Schumach.) Pilát, mas esta possui superfície pilear de cor creme uniforme, sem zonações (ou muito fracamente zonada) (Gilbertson & Ryvarden 1987Gilbertson & Ryvarden, L. 1987. North American Polypores 2: 752.).

Distribuição: De acordo com Maia et al. (2015)Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13. a espécie foi registrada em áreas de Cerrado e Mata Atlântica nos Estados do Rio Grande do Sul e São Paulo. Os relatos de ocorrência de Trametes ochracea no Estado de São Paulo restringem-se aos municípios de Mogi-Guaçu (Abrahão et al. 2012Abrahão, M.C., Gugliotta, A.M. & Bononi, V.L.R. 2012. Xylophilous Agaricomycetes (Basidiomycota) of the Brazilian Cerrado. Check List 8(5): 1102-1116.) e São Paulo (Motato-Vásquez et al. 2014). A ocorrência da espécie no PEFI já havia sido registrada por Bononi et al. (1981)Bononi, V.L.R., Trufem, S.F.B. & Grandi, R.A.P. 1981. Fungos macroscópicos do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, depositados no Herbário do Instituto de Botânica. Rickia 9: 37-53..

Trametes polyzona (Pers.) Justo, Taxon 60 (6): 1580 (2011). ≡ Polyporus polyzonus Pers., Botanique (Nagpur) 5: 170. 1827. ≡ Coriolopsis polyzona (Pers.) Ryvarden, Nor. J. Bot. 19: 230. 1972.

Figura 4 e-f

Ilustração das microestruturas em: Ryvarden & Johansen (1980)Ryvarden L., Johansen I. 1980. A preliminary polypore flora of East Africa. Oslo, Fungiflora..

Basidioma anual, lignícola, pileado séssil a efuso-reflexo, solitário ou em grupos. Píleo dimidiado a flabeliforme, coriáceo, 2,7-4,4 × 5,4-8,2 × 0,2-0,4 cm. Superfície abhimenial ocrácea a castanho-clara, hirsuta, concentricamente zonada e sulcada; margem fina e lobada. Contexto dúplex, castanho a castanho-acinzentado, até 2 mm espesso. Superfície himenial castanho-dourada; poros circulares a angulares, 3-4 por mm; tubos 1-2 mm de profundidade; dissepimentos inteiros. Sistema hifal trimítico; hifas generativas com ansas, hialinas com parede fina, 2,1-3,3 µm diâm.; hifas esqueléticas castanhas, algumas hialinas, retas, 4,2-8,3 µm diâm.; hifas conectivas hialinas a castanhas, ramificadas, 3,0-4,0 × 5,8-6,5 µm diâm. Elementos estéreis ausentes. Basídios clavados, hialinos, parede fina, com ansa basal, 12,2-17,5 µm. Basidiósporos cilíndricos, hialinos, parede fina e lisa, L’ × W’= (5,0-)5,2-7,2(-7,3) × 2,5-4,0(-4,1) µm. L= 6,4 µm. W = 3,1 µm. Q = 2,1.

Material Examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, Picada R. Brown, 01-II-1960, O. Fidalgo et al. s.n. (SP46770); 06-II-1960, J.S. Furtado & O. Fidalgo s.n. (SP46660); 26-II-1960, O. Fidalgo et al. s.n. (SP47633); 29-XI-1961, A.R. Salles s.n. (SP62001); Picada Gardner, 1962, A.R. Salles s.n. (SP61505); 15-III-1995, L.K. Okino & A.M. Gugliotta s.n. (SP250928); 08-XII-2006, C.L.C. Redivo & A.M. Gugliotta 11 (SP).

Comentários: A espécie caracteriza-se pelo basidioma pileado, séssil a efuso-reflexo, dimidiado a flabeliforme com superfície abhimenial ocrácea a castanho-clara, hirsuta, concentricamente zonada e sulcada, que pode apresentar contexto dúplex. Microscopicamente, caracteriza-se por possuir basidiósporos cilíndricos e hialinos, o que, nesse aspecto, difere a espécie da T. neovillosa, que possui basidiosporos elipsoides. Em virtude da grande variação na morfologia do basidioma, essa espécie pode ser confundida com espécimes velhos de Trametes hirsuta (Wulf.:Fr.) Pilát, cujos basidiomas se tornam ocráceos a castanho escuros. No entanto, quando fresco, T. hirsuta apresenta superfície pilear hirsuta, acinzentada, assim como a superfície himenial; o contexto é branco e basidiósporos ligeiramente menores 4,5-7 × 1,5-2,5 μm (Ryvarden & Johansen 1980Ryvarden L., Johansen I. 1980. A preliminary polypore flora of East Africa. Oslo, Fungiflora., Bernicchia 1990).

Distribuição: A espécie ocorre em áreas de Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.), e no Estado de São Paulo já foi registrada nos seguintes municípios: Mogi-Guaçu (Abrahão et al. 2012Abrahão, M.C., Gugliotta, A.M. & Bononi, V.L.R. 2012. Xylophilous Agaricomycetes (Basidiomycota) of the Brazilian Cerrado. Check List 8(5): 1102-1116.), Santo André (Capelari et al. 2009, Gugliotta et al. 2010Gugliotta, A.M., Fonsêca, M.P. & Bononi, V.L.R. 2010. Additions to the knowledge of aphyllophoroid fungi (Basidiomycota) of Atlantic Rain Forest in São Paulo State, Brazil. Mycotaxon 112: 335-338.), São José do Rio Preto (Abrahão et al. 2009Abrahão, M. C., Gugliotta, A.M. & Gomes, E. 2009. Poliporóides (Basidiomycota) em fragmentos de mata no perímetro urbano de São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil. Brazilian Journal of Botany. 32 (3): 427-440.) e São Paulo, onde sua ocorrência no PEFI já havia sido registrada por Bononi et al. (1981)Bononi, V.L.R., Trufem, S.F.B. & Grandi, R.A.P. 1981. Fungos macroscópicos do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, depositados no Herbário do Instituto de Botânica. Rickia 9: 37-53..

Trametes villosa (Sw.) Kreisel, Monografias Ciencias Universidad de Habana 16: 83. 1971. ≡ Boletus villosus Sw., Nova genera et species Plantarum seu prodromus descriptioneum vegetabilium maximam parte incognitorum qua sub itinere in Indiam Occidentalem annis 1783-1787 digessit Olof Swartz M.D.: 148. 1788. ≡ Coriolus villosus (Sw.) Bondartseva & S. Herrera, Nov. Sist. Nizs. Rast. 16: 50. 1979.

Figura 4 g-h

Ilustração das microestruturas em: Gugliotta & Bononi (1999)Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112..

Basidioma anual, pileado, séssil a efuso-reflexo, solitário ou em grupos. Píleo dimidiado a flabeliforme, coriáceo a lenhoso, 1,0-6,2 ×1,7-7,6 × 0,1 cm. Superfície abhimenial vilosa, concentricamente zonada, castanho-clara a castanho-acinzentada; margem vilosa, lisa, aguda, lobada, castanho-clara. Contexto homogêneo, até 1 mm espesso, castanho-claro. Superfície himenial poroide, creme a bege; poros regulares, angulares, 2-3 (4) por mm; tubos bege, até 0,1 cm de profundidade; dissepimentos lacerados. Sistema hifal trimítico; hifas generativas com ansas, hialinas, parede fina, 1,5-2,5 µm diâm.; hifas esqueléticas hialinas, retas, sem ramificações, parede espessa, 3,7-5,0 µm diâm.; hifas conectivas hialinas, parede espessa, lisa, ramificadas, 2,0-4,0 µm diâm. Elementos estéreis ausentes. Basídios tetraesterigmados, clavados, hialinas, 10-16,5 × 4,2-8,2 µm. Basidiósporos cilíndricos, hialinos, parede fina, L’ × W’= (5,0-)5,1-7,0(-7,2) × 2,1-3,9(-4,0) µm. L= 6,1 µm. W = 2,9 µm. Q = 2,1.

Material Examinado: BRASIL, SãO PAULO, São Paulo, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, s.d., V.L. Penteado s.n. (SP141886); Picada Faquini, 1960, E.F. Campos s.n. (SP193682); 01-I-1960, N. Pires s.n. (SP48270); Picada Gardner, 20-VI- 1960, E.J. Campos & J.R.P. Castro s.n. (SP50331); 20-VII-1960, E.F. Campos s.n. (SP50742); 26-VI-1960, M.E.P.K. Fidalgo & E.F. Campos s.n. (SP50977); 04-VIII-1960, J.S. Furtado s.n. (SP50814); 22-VI-1961, E.S. Beneke (SP60963); 11-XI-1961, A.R. Salles s.n. (SP61475); Picada Loefgreen, 28-IX-1962, A.R. Sales (SP95927); 06-X-1966, H. Reguejo s.n. (SP97578); 31-VIII-1970, B. Skvortzov s.n. (SP109170, SP109173);12-X-1970, B. Skvortzov s.n. (SP109157); 07-XI-1997, A.M. Gugliotta et al. 1028 (SP); 08-XII-2006, C.L.C Redivo & A.M. Gugliotta 010 (SP); 18-XII-2006, C.L.C Redivo 012 (SP); 28-VIII-2007, A.M. Gugliotta & L.J. Gimenes 1250, 1251 (SP).

Comentários: Trametes villosa pode ser reconhecido pelo basidioma fino, com superfície vilosa e poros himenoforais grandes, tubos rasos com dissepimentos denteados, além de grande quantidade de hifas conectivas. Diferencia-se das demais espécies de Trametes do parque pelo hábito geralmente efuso-reflexo, poros grandes (2-4 por mm) e basidioma mais fino, com até 2,5 mm de espessura.

Assim como P. sanguineus, parece não ser muito exigente quanto à umidade para crescer. Trametes membranacea (Sw.) Kreise e T. versicolor (L.) Lloyd são semelhantes a T. villosa, mas apresentam poros pequenos (Silveira & Guerrero 1991Silveira, R.M.B. & Guerrero, R.T. 1991. Aphyllophorales poliporoides (Basidiomycetes) do Parque Nacional de Aparados da Serra, Rio Grande do Sul. Boletim do Instituto de Biociências 48: 1-127.).

Distribuição: Trata-se de uma espécie de ampla distribuição no Brasil ocorrendo na Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. No Estado de São Paulo há registros da espécie nos seguintes municípios: Bragança Paulista, São Carlos (Abrahão et al. 2012Abrahão, M.C., Gugliotta, A.M. & Bononi, V.L.R. 2012. Xylophilous Agaricomycetes (Basidiomycota) of the Brazilian Cerrado. Check List 8(5): 1102-1116.), Cananéia (Gugliotta & Bononi 1999Gugliotta, A.M. & Bononi, V.R.L. 1999. Polyporaceae do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, São Paulo, Brasil. Boletim do Instituto de Botânica 12: 1-112.), Mogi-Guaçu (Gugliotta 1997Gugliotta, A.M. 1997. Polyporaceae de mata ciliar da Estação Experimental e Reserva Biológica de Moji-Guaçu, SP, Brasil. Hoehnea 24: 89-106., Abrahão et al. 2012Abrahão, M.C., Gugliotta, A.M. & Bononi, V.L.R. 2012. Xylophilous Agaricomycetes (Basidiomycota) of the Brazilian Cerrado. Check List 8(5): 1102-1116., 2019Abrahão, M.C., Pires, R.M., Gugliotta, A.M., Gomes, E.P.C. & Bononi, V.L.R. 2019. Wood-decay fungi (Agaricomycetes, Basidiomycota) in three physiognomies in the savannah region in Brazil. Hoehnea 46 (1): 1-11.), Sales, Votuporanga (Gugliotta et al. 2012), Santo André (Capelari et al. 2009, Gugliotta et al. 2010Gugliotta, A.M., Fonsêca, M.P. & Bononi, V.L.R. 2010. Additions to the knowledge of aphyllophoroid fungi (Basidiomycota) of Atlantic Rain Forest in São Paulo State, Brazil. Mycotaxon 112: 335-338.), São Luiz do Paraitinga (Pires et al. 2017Pires, R.M., Motato-Vásquez, V., Westphalen, M.C. & Gugliotta, A.M. 2017. Polyporales and related poroid genera (Basidiomycota) from Parque Estadual da Serra do Mar, São Paulo, Brazil. Hoehnea 44(1): 145-157.) e São Paulo (Gugliotta et al. 2010Gugliotta, A.M., Fonsêca, M.P. & Bononi, V.L.R. 2010. Additions to the knowledge of aphyllophoroid fungi (Basidiomycota) of Atlantic Rain Forest in São Paulo State, Brazil. Mycotaxon 112: 335-338., Motato-Vásquez et al. 2014). A ocorrência da espécie no PEFI já havia sido registrada por Bononi et al. (1981)Bononi, V.L.R., Trufem, S.F.B. & Grandi, R.A.P. 1981. Fungos macroscópicos do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, depositados no Herbário do Instituto de Botânica. Rickia 9: 37-53. e Jesus (1993)Jesus, M.A. 1993. Basidiomicetos lignocelulolíticos de floresta nativa e de Pinus elliottii Engelm. do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, São Paulo, SP. Hoehnea 20: 119-126..

Foi localizado no Herbário SP um espécime de fungos trametoide coletado no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga determinado previamente como Trametes cf. ochroflava Cooke (SP212935). O material foi examinado, mas não possui estruturas férteis ou características diagnósticas suficientes para determinação específica. Assim, apesar de haver registros da espécie em áreas de Mata Atlântica e Amazônia no Brasil (Maia et al. 2015Maia, L., Carvalho-Junior, A., Andrade, L., Gugliotta, A., & Drechsler-Santos, E.R., Santiago, A., Cáceres, M., Gibertoni, T., Aptroot, A., Giachini, A., Soares, A., Gomes-Silva, A., Magnago, A., Tomio-Goto, B., Lira, C., Salvador-Montoya, C., Zottarelli, C., Silva, D. K., Soares, D., Silva, V. 2015. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguesia 66: 1-13.), sua ocorrência no parque não pôde ser confirmada.

O PEFI é uma área de Mata Atlântica preservada (e efetivamente protegida como Unidades de Conservação) com relevante importância ambiental para diversos organismos e não é diferente com os fungos trametoides. Com esse trabalho, se observa um novo registro de espécie do grupo para o Estado de São Paulo - Trametes lactinea e outros cinco táxons registrados pela primeira vez para a localidade - Podofomes mollis, P. stereoides, Trametes cubensis, T. decipiens e T. neovillosa. Segundo a base de dados Flora e Funga do BrasilFlora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/ > (acesso em 10-VIII-2023).
http://floradobrasil.jbrj.gov.br/...
(http://floradobrasil.jbrj.gov.br) são registradas para o país 49 espécies de fungos trametoides sendo que, destas, 26 foram registradas para o Estado de São Paulo. Desse modo, as 15 espécies distribuídas nos seis gêneros relacionados neste trabalho revelam que no PEFI se encontram quase 60% da diversidade de trametoides documentadas, até o momento, para o Estado de São Paulo.

Agradecimentos

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela Bolsa de Doutorado concedida à primeira Autora; ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Herbário Virtual da Flora e dos Fungos (INCT-HVFF) que conta com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE), pela Bolsa de Pós-Doutorado concedida a Ricardo M. Pires; ao CNPq, pelo pela Bolsa de Iniciação Científica, concedida à Daniele Santana da Silva; e à Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo apoio financeiro (processo 2017/50341-0).

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Editora Associada: Rosana Maziero

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    01 Mar 2024
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    26 Fev 2023
  • Aceito
    21 Nov 2023
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