Open-access Residência médica e multiprofissional na pandemia do Covid-19 na perspectiva dos residentes

Medical and multidisciplinary residency training during the Covid-19 pandemic from the perspective of residents

Residencia médica y multiprofesional en la pandemia de COVID-19 bajo la perspectiva de los residentes

Resumo

Este estudo analisou o impacto da Covid-19 na aprendizagem experiencial de residentes médicos e multiprofissionais com base na teoria de David A. Kolb. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo compreender as influências da pandemia da Covid-19 no processo de aprendizagem pela experiência dos médicos e multiprofissionais residentes. A pesquisa de campo qualitativa entrevistou 13 residentes, organizou os dados no software ATLAS.ti e analisou-os pelo método de Análise de Conteúdo. Os resultados indicam que a pandemia redirecionou o aprendizado dos residentes de suas especialidades para o atendimento emergencial, evidenciando lacunas na formação para cenários de crise. Os resultados evidenciam a necessidade de reestruturação da formação em Saúde, assegurando experiências práticas na área de especialização e tempo para reflexão, promovendo uma melhor preparação dos profissionais para futuras emergências.

Palavras-chave
Aprendizagem experiencial; Residência médica e multiprofissional; Covid-19; Formação em Saúde


Abstract

This study analyzed the impact of the Covid-19 pandemic on experiential learning among medical and multidisciplinary residents, drawing on Kolb’s experimental learning theory. We aimed to understand the influences of the Covid-19 pandemic on the experiential learning process among medical and multiprofessional residents. We conducted a qualitative study with 13 residents. The data were collected using interviews, organized using Atlas TI and analyzed using content analysis. The results suggest that the pandemic redirected learning from specialties to emergency care, highlighting gaps in training for crisis scenarios. Our findings underscore the need to restructure health education and training, ensuring practical experiences in specialist areas and time for reflection, thus promoting better preparation for future emergencies.

Keywords
Experiential learning; Medical and multidisciplinary residency; COVID-19; Health education and training


Resumen

Este estudio analizó el impacto de la COVID-19 sobre el aprendizaje experimental de residentes médicos y multiprofesionales, con base en la teoría de David A. Kolb. En ese sentido, el presente estudio tuvo el objetivo de entender las influencias de la pandemia de COVID-19 en el proceso de aprendizaje por la experiencia de los médicos y multiprofesionales residentes. La investigación de campo, cualitativa, entrevistó a 13 residentes, organizando los datos en el software Atlas TI y analizándolos por el método del Análisis de Contenido. Los resultados indican que la pandemia redireccionó el aprendizaje de los residentes de sus especialidades para la atención de emergencias, dejando en evidencia las lagunas en la formación para escenarios de crisis. Los resultados mostraron la necesidad de reestructuración de la formación en salud, asegurando experiencia prácticas en el área de especialización y tiempo para reflexión, promoviendo una mejor preparación para futuras emergencias.

Palabras clave
Aprendizaje experimental; Residencia médica y multiprofesional; COVID-19; Formación en salud


Introdução

A formação em Saúde é atravessada por processos históricos, sociais e institucionais que moldam práticas, saberes e identidades profissionais. Em contextos de crise, esses processos tendem a se intensificar, expondo fragilidades estruturais e, simultaneamente, criando condições para inovação e transformação. Graça e Loureiro1 compreendem as crises como fenômenos ambíguos, comparáveis a “caixas de Pandora” e capazes tanto de desencadear múltiplos problemas quanto de catalisar mudanças1. Nessa perspectiva, a pandemia da Covid-19 configurou-se como um evento crítico que tensionou modelos consolidados de ensino-aprendizagem na Saúde ao mesmo tempo que abriu possibilidades de ressignificação da formação profissional2.

No campo da Educação em Saúde, a aprendizagem experiencial tem se consolidado como um referencial teórico relevante para compreender processos formativos baseados na prática, na reflexão e na tomada de decisão em contextos complexos. Fundamentada nos pressupostos de Dewey e sistematizada por Kolb, essa abordagem concebe a aprendizagem como um processo contínuo de construção de significados a partir da experiência vivida e da reflexão crítica3,4. Schön amplia esse entendimento ao distinguir a reflexão na ação, que ocorre durante a própria realização da atividade, permitindo ao profissional reconsiderar e ajustar sua conduta diante de situações imprevistas, da reflexão sobre a ação, realizada posteriormente, quando a experiência é analisada de forma retrospectiva para compreender as decisões tomadas e orientar ações futuras5.

Durante a pandemia, residentes médicos e multiprofissionais foram expostos a um volume inédito de situações clínicas, organizacionais e éticas, exigindo adaptação constante e tomada de decisões em contextos de elevada complexidade. Embora diversas atividades formativas tenham sido suspensas ou reconfiguradas, os programas de residência mantiveram a inserção dos profissionais nos cenários de prática, ainda que sob condições institucionais instáveis e protocolos em constantes mudanças6,7. Esse contexto impactou o desenvolvimento do raciocínio clínico não por fragilizar a aprendizagem, mas por intensificá-la em situações inéditas e de alta pressão assistencial8-11.

Apesar do crescente interesse da literatura em analisar os efeitos pedagógicos da pandemia na formação em Saúde2,9,12,13, ainda são incipientes os estudos que investigam essas repercussões à luz da Teoria da Aprendizagem Experiencial, especialmente no contexto da residência médica e multiprofissional14,15. A ausência de análises que articulem empiricamente o ciclo experiencial às dinâmicas formativas em cenários de crise evidencia a necessidade de aprofundar a compreensão sobre como experiência, reflexão, conceitualização e experimentação foram tensionadas e reconfiguradas durante a emergência sanitária.

Diante desse cenário, o presente estudo tem como objetivo compreender as influências da pandemia da Covid-19 no processo de aprendizagem experiencial de médicos e profissionais residentes, contribuindo para a reflexão sobre a formação em saúde em contextos críticos e alinhando-se aos princípios de educação de qualidade e desenvolvimento profissional sustentável.

Metodologia

Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter exploratório e desenvolvido em campo16,17. Participaram 13 residentes médicos e multiprofissionais; vinculados a programas localizados nas regiões Nordeste – Ceará (CE), Paraíba (PB) e Bahia (BA) – e Centro-Oeste – Goiás (GO) –; e selecionados por amostragem por conveniência em razão do acesso institucional dos pesquisadores e da disponibilidade dos participantes durante o biênio pandêmico de 2020-202118. O grupo foi composto por profissionais com idades entre 24 e 32 anos das áreas de Clínica Médica, Pediatria e Enfermagem Obstétrica, predominantemente no segundo ano de residência.

A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas, realizadas remotamente, com duração média de 25 minutos. As entrevistas foram gravadas, transcritas com auxílio de software específico de transcrição e, posteriormente, organizadas e analisadas no software ATLAS.ti. A técnica adotada foi a Análise de Conteúdo temática, contemplando as etapas de pré-análise, exploração do material e interpretação dos resultados19.

O roteiro de entrevistas foi elaborado a partir de eixos teóricos relacionados à formação em Saúde, aprendizagem experiencial e contextos de crise, abordando aspectos como organização do trabalho, processos de aprendizagem, desafios enfrentados e aprendizagens percebidas.

A participação de residentes dos estados CE, PB, BA e GO foi viabilizada pelo contato direto com instituições federais de ensino nessas localidades. A saturação teórica foi considerada alcançada quando as entrevistas passaram a apresentar recorrência temática sem acréscimo de novas categorias analíticas relevantes. Todo o material foi processado por meio da Análise de Conteúdo19, com suporte do software ATLAS.ti, utilizando as quatro etapas do Ciclo de Aprendizagem Experiencial de Kolb como base para a categorização e análise das percepções coletadas4.

Ao optar por uma abordagem semiestruturada, o diálogo entre entrevistador e residente foi direcionado, permitindo a exploração aprofundada de temas específicos, ao mesmo tempo em que possibilitou a emergência de novas perspectivas. Essa abordagem proporcionou uma compreensão mais abrangente das experiências dos residentes, permitindo a identificação de fatores impactantes, desafios enfrentados e estratégias adotadas para aperfeiçoar o processo de aprendizagem pela experiência durante sua formação profissional13. O direcionamento cuidadoso do entrevistador contribuiu para um ambiente de diálogo rico, no qual os residentes puderam compartilhar suas percepções e contribuições de maneira significativa para a pesquisa20.

Os critérios de seleção dos entrevistados envolveram a inclusão de participantes que estivessem matriculados como residentes médicos ou multiprofissionais durante o período de pandemia, compreendido entre os anos de 2020 e 2021. Por outro lado, foram excluídos profissionais de saúde que não eram residentes e não participaram do programa nesse contexto pandêmico. Para fins de identificação e análise, no quadro 1, cada participante foi designado com uma numeração de A1 a A13, correspondendo à ordem das entrevistas realizadas. Conforme consta no Quadro 1, todos os entrevistados têm formação na área de saúde e se identificam como profissionais (médicos, enfermeiros, dentistas, fisioterapeutas e assistentes sociais), sendo que a maioria dos participantes informaram que estão no segundo ano de residência. Dos 13 participantes, nove ingressaram no programa de residência em 2019 e, portanto, encontravam-se no segundo ano de formação quando teve início a pandemia em 2020; os outros quatro ingressaram no programa em 2020.

Quadro 1
Caracterização sociodemográfica e profissional dos residentes participantes

As 13 entrevistas realizadas totalizaram 5h21min, sendo a duração média 25 minutos. Fez-se necessário destacar a dificuldade de agendamento de horários principalmente com a categoria de médicos. O tempo de duração das entrevistas a pedido dos residentes foi mais curto, devido à agenda e disponibilidade.

Visando à organização e à realização da análise, as entrevistas foram gravadas durante os encontros e registradas em suporte de áudio. Em etapa subsequente, o material foi submetido ao mecanismo de processamento de linguagem natural Reshape, com vistas à conversão fonético-textual preliminar. Para assegurar a fidedignidade do corpus, as transcrições automáticas passaram por um rigoroso processo de conferência e edição manual, com correção de eventuais inconsistências terminológicas e de nuances dialetais típicas do contexto hospitalar.

Após o refinamento textual, os dados foram integrados ao software ATLAS.ti. A ferramenta foi empregada como suporte operacional para a Análise de Conteúdo19, permitindo a segmentação do material em unidades de registro.

Com o objetivo de explicitar a articulação entre o referencial teórico adotado e as categorias analíticas construídas, apresenta-se no Quadro 2 o constructo teórico que fundamentou o roteiro de entrevistas e a organização das categorias no ATLAS.ti.

Quadro 2
Articulação entre o ciclo de aprendizagem experiencial de Kolb e as categorias analíticas utilizadas na pesquisa

O constructo apresentado orientou tanto a elaboração das questões norteadoras quanto o processo de categorização temática. O processo de codificação seguiu uma lógica indutivo-dedutiva, culminando na organização de famílias de códigos e na emersão de categorias temáticas. Essa sistematização permitiu a identificação de padrões recorrentes e o cruzamento de evidências, garantindo a rastreabilidade e a transparência do processo analítico13.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Goiás, sob parecer n. 6.231.285/2023.

Todos os participantes foram previamente informados sobre os objetivos da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conforme as diretrizes da Resolução n. 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde21.

Resultados

Mediante a análise dos dados, foi constatado que os processos de aprendizagem durante a residência foram divididos em partes teóricas e práticas, com uma carga horária de 60 horas semanais. O processo é marcado por diversas dificuldades, dentre as quais se destacam a alta concorrência, a carga horária exaustiva e o desgaste emocional22. O pragmatismo desgastante deste processo é descrito pelo entrevistado A2, que é enfermeiro:

[...] a residência, na verdade, é 60 horas, muito bem... muito bem assim, delimitado, em um cronograma que a nossa preceptora de campo nos dava, a gente praticamente não tinha tempo para nada. (A2)

Nesse viés, a exaustão física e mental decorrente dessa rotina intensiva foi um tema recorrente entre os entrevistados, que relataram que a sobrecarga de trabalho impedia uma aprendizagem eficaz2. A4, assistente social, explicou:

[...] era dividida entre metade do período do turno, a gente ficava no serviço de saúde, ou era na Unidade Básica de Saúde, ou então no Centro de Atenção Psicossocial. Tudo muito corrido e desgastante. (A4)

Já a pressão para desempenhar atividades com elevado rigor foi evidenciada no relato de A6, enfermeiro:

[...] o processo formativo proposto pela residência é bem extenso, né, a gente tem uma carga horária de 60 horas semanais, então a gente fica totalmente imerso no território, no equipamento de saúde. (A6)

Essa sobrecarga não apenas desafiou a capacidade dos residentes de se concentrarem nas tarefas diárias, mas também comprometeu sua saúde mental, levando a sentimentos de estresse23. Com base no modelo de aprendizagem experiencial de Kolb4, foram evidenciadas situações de aprendizagem e redirecionamento formativo dos residentes durante o contexto da crise da Covid-19, conforme apresentado no quadro 3.

Quadro 3
Transformações no cotidiano formativo dos residentes durante a pandemia de Covid-19

Os participantes relataram que a pandemia alterou significativamente a dinâmica da formação, deslocando temporariamente o foco da especialização para o atendimento às demandas emergenciais do sistema de saúde. Esse deslocamento não foi interpretado exclusivamente como prejuízo formativo, mas também como uma reorganização das prioridades formativas diante de um cenário excepcional.

Os dados demonstrados no quadro 3 sugerem que a pandemia de Covid-19 provocou um redirecionamento na formação dos residentes da área da Saúde. Os participantes vivenciaram experiências em áreas distintas de suas especialidades, o que exigiu um processo acelerado de aprendizagem24.

Alguns residentes apontaram perdas relacionadas à redução de atividades específicas de suas áreas de especialização25. Em contrapartida, destacaram aprendizagens associadas ao trabalho em equipe multiprofissional; à comunicação com pacientes e familiares; e ao desenvolvimento de uma postura mais humanizada frente ao sofrimento e à morte. Essas experiências ampliaram a compreensão sobre o cuidado em saúde para além dos limites estritos das especialidades.

Ao longo da pandemia da Covid-19, os desafios enfrentados pelos residentes se intensificaram, com uma carga horária ainda mais imprevisível e a necessidade de responder rapidamente às emergências em saúde. Esse contexto afetou significativamente a capacidade de absorção e assimilação de conhecimentos pelos residentes. A12 descreveu o impacto da pandemia em seu aprendizado:

Todo o processo de residência achei bastante puxado, tanto a jornada de trabalho quanto as atividades a serem desempenhadas. (A12, enfermeiro)

A jornada exaustiva e a intensidade das atividades práticas comprometeram o aprendizado teórico e a revisão de conteúdos, fator considerado essencial para o desenvolvimento de competências clínicas26. A experiência de A5 resume essa realidade:

[...] realmente a experiência de aprendizagem é muito intensa, somos bombardeados de informações que não adquirimos durante a faculdade, você praticamente vive para o programa. (A5, fisioterapeuta)

As adversidades relatadas pelos residentes evidenciaram fragilidades nas condições de suporte psicossocial e nas estratégias de manejo da carga horária durante o período pandêmico26,27. Os achados sugerem a pertinência de estratégias institucionais voltadas à mitigação dos efeitos da sobrecarga formativa.

Em meio à pandemia da Covid-19, os residentes dos programas de residência médica e multiprofissional enfrentaram diversas dificuldades relacionadas ao ensino remoto. Os entrevistados A2, A4, A7, A9 e A11 relataram que a adaptação a esse novo modelo de aprendizagem exigiu rápida familiarização com ferramentas tecnológicas e a reestruturação de suas rotinas de estudo.

[...] Eu tive dificuldade com as aulas virtuais, não gosto desse estilo, vou perdendo a concentração aos poucos. (A7, médico)

A ausência de interação presencial com preceptores e colegas dificultou o esclarecimento de dúvidas e a troca de experiências, tornando o ambiente de ensino menos dinâmico27 e mais desafiador.

A adaptação ao ensino remoto também apresentou limitações na reprodução de experiências práticas e no desenvolvimento de habilidades clínicas essenciais13,27,28 para a formação dos profissionais de saúde. A13 destacou a falta de recursos de apoio:

[...] Nós ficamos com alguns recursos de apoio limitados. Um exemplo foi a supervisão reduzida: com a sobrecarga de trabalho, os preceptores e orientadores tiveram menos tempo para oferecer suporte individualizado aos residentes. (A13, fisioterapeuta)

A12 (enfermeiro), por sua vez, não relatou dificuldades significativas com as aulas virtuais, embora tenha reconhecido que seus colegas enfrentaram desafios relevantes nessa modalidade de ensino.

Foram delineados os resultados obtidos com os residentes à luz da literatura, com base nos efeitos das mudanças no cenário pandêmico no aprendizado pela experiência dos residentes em formação, conforme quadro 4.

Quadro 4
Reconfiguração das etapas do ciclo de aprendizagem experiencial no contexto pandêmico

Embora a sobrecarga de trabalho tenha sido mencionada, as análises foram cuidadosamente ancoradas nas falas dos participantes, evitando inferências não sustentadas empiricamente. O período pandêmico evidenciou, ainda, o dilema entre a continuidade da formação acadêmica e a prioridade da preservação de vidas, aspecto reconhecido pelos residentes como parte constitutiva de sua identidade profissional.

As informações obtidas no quadro 4 apontam para a necessidade de repensar a formação profissional dos estudantes da área da Saúde em um contexto de pandemia. É importante garantir que os estudantes tenham oportunidades para observar profissionais experientes em ação, de refletir de forma crítica sobre suas experiências, de desenvolver novas estratégias de atendimento e de aplicar essas estratégias na prática.

A falta de interação presencial também foi destacada como um grande desafio, dificultando o desenvolvimento de relações interpessoais e a criação de uma rede de apoio entre os residentes. A necessidade de adaptação rápida a uma nova forma de ensino, sem a estrutura tradicional de atividades presenciais e de interação com preceptores e colegas, aumentou a sensação de isolamento e sobrecarga. Contudo, a pandemia reduziu significativamente o tempo de supervisão e orientação individualizada, afetando a formação prática dos residentes.

Diante da pandemia, as experiências dos residentes em formação passaram por mudanças significativas, impactando diretamente a aprendizagem experiencial.

[...] A pandemia acelerou meu aprendizado em diversas áreas, como o manejo de doenças infectocontagiosas, trabalho em equipe e comunicação em crises. (A6, enfermeiro)

No entanto, a pandemia também trouxe prejuízos ao processo de aprendizagem, como a redução das oportunidades de prática e a limitação da experiência clínica5. A necessidade de isolamento social e as restrições impostas aos hospitais reduziram as oportunidades de desenvolver habilidades essenciais, como a avaliação física e a administração de medicamentos, além de limitar o acesso a diferentes cenários e especialidades médicas (A6, enfermeiro).

Os entrevistados também relataram novas experiências durante a crise sanitária, que foram consideradas positivas para seu aprendizado. A3 e A10 descreveram que a pandemia proporcionou situações inéditas que enriqueceram sua formação:

[...], sim, certamente vivenciei atividades que, a meu ver, foram importantes para minha formação, eu não passaria por estas situações se não fosse a Covid. (A3, fisioterapeuta)

No entanto, o residente A8 destacou a importância dessas vivências:

[...] Acredito que a pandemia proporcionou oportunidades que não teria caso não existisse. (A8, residente)

Os residentes também enfrentaram medo e estresse ao trabalhar com pacientes suspeitos ou diagnosticados com Covid-19, o que impactou negativamente seu aprendizado.

[...] No início, senti um turbilhão de coisas, achei que deveria parar o programa, eu estava com medo e isso quase me prejudicou. (A9, enfermeiro)

[...] O medo traz muitas sensações, uma delas é a incerteza se vamos aprender algo durante esse caos [...]. (A6, enfermeiro)

Os efeitos das mudanças no cenário pandêmico no aprendizado pela experiência dos residentes foram complexos e multifacetados. A necessidade de adaptação rápida ao ensino virtual, a interrupção de atividades planejadas e o estresse emocional enfrentado pelos residentes destacaram a resiliência e a capacidade de adaptação desses profissionais em formação. A pandemia impôs desafios significativos, mas também proporcionou oportunidades únicas de aprendizado que moldarão suas práticas futuras e aprimorarão suas habilidades profissionais.

[...] Acredito que o tema possa ser mais debatido no início do programa, assim os alunos podem refletir sobre a aprendizagem. (A2, enfermeiro)

O relato de A2 sugere a necessidade de uma integração mais robusta da teoria de aprendizagem experiencial no currículo desde o início da residência.

O aprendiz A4, assistente social, mencionou:

[...] Seria uma boa opção uma explicação sobre o tema, particularmente antes de você citar não tinha noção que em momentos do programa eu particularmente realizei algumas etapas de aprendizagem, como, um exemplo, posso citar a reflexão e depois conceitualização, fiz muito estes processos. (A4, assistente social)

Nos futuros programas de residência, é essencial criar oportunidades para que os residentes colaborem entre si e com seus preceptores, fortalecendo a cultura da aprendizagem experiencial, tal como traz o entrevistado A1, cardiologista: “[...] Mais oportunidades para colaboração”. A pandemia da Covid-19 também evidenciou a necessidade de maior flexibilidade nos programas de residência, permitindo adaptação rápida às mudanças e aos desafios imprevistos. O entrevistado A5 relatou:

[...] a gestão do programa passou por algumas dificuldades que, sim, eu acredito que possam servir de norteamento para novos programas. (A5, fisioterapeuta)

Essa flexibilidade permite que os programas de residência se ajustem às necessidades dos residentes, assegurando a formação necessária para o desenvolvimento de suas competências profissionais, mesmo em circunstâncias adversas15.

Por fim, a pandemia também evidenciou a necessidade de uma gestão mais eficiente e preparada para o enfrentamento de crises1,6. O entrevistado A13 afirmou:

[...] Certamente os novos programas estariam mais bem preparados para novas situações que, infelizmente, possam acontecer. Nós fomos verdadeiras cobaias, se assim posso dizer, para o teste de novos programas. (A13, fisioterapeuta)

Os resultados obtidos evidenciaram mudanças significativas no processo de ensino-aprendizagem dos residentes no contexto da pandemia da Covid-19. As entrevistas revelaram desafios, como a redução das práticas clínicas e a necessidade de adaptação ao ensino remoto. Em contrapartida, também foram identificadas oportunidades de desenvolvimento profissional, destacando a resiliência e a capacidade de adaptação dos residentes. Esses achados contribuem para a compreensão dos impactos da pandemia na formação médica e multiprofissional.

Discussão

Os achados indicam que a pandemia de Covid-19 expôs limites do modelo de formação fragmentado em especialidades, ao mesmo tempo que favoreceu aprendizagens transversais relevantes para a prática em saúde. As lições aprendidas nesse período podem ser incorporadas à formação em contextos não pandêmicos, como o fortalecimento do trabalho em equipe, a valorização da humanização do cuidado e o reconhecimento da vulnerabilidade dos próprios profissionais de saúde.

Esses resultados dialogam com a compreensão da crise como catalisadora de mudanças, apontando para a necessidade de repensar, de forma permanente, as práticas formativas, e não apenas em situações excepcionais.

As adversidades relatadas demonstraram a necessidade de revisão das condições de trabalho e das estratégias de formação dos residentes durante o período crítico da pandemia, bem como da implementação de medidas capazes de mitigar os impactos negativos sobre sua formação profissional8-11,16.

Apoiando-se nos ensinamentos de Kolb14, afirma-se que isso é relevante para a formação dos residentes no contexto da aprendizagem pela experiência, à medida que provoca reflexões sobre o ser e o fazer. Para Andrade et al.3, diante dessa complexidade de sentimentos, muitos internos perguntaram-se (em formato semelhante à autorreflexão), por meio de suas respostas, se, neste momento de pandemia, haveria aprendizado. Além disso, os sentimentos negativos foram: sobrecarga, vulnerabilidade, desamparo, temor, medo, susto, insegurança, preocupação, apreensão, desproteção, desapontamento, ansiedade, frustração, estresse, incapacidade e aflição. Alguns desses sentimentos negativos devem ser explanados, pois emergiram com mais frequência. O sentimento de sobrecarga foi um deles e relaciona-se a um evento específico: o fato de algumas das faculdades da cidade terem decidido tirar seus internos dos serviços de saúde.

É notável que, apesar do desgaste e do medo relatado (A9), o senso de dever profissional prevaleceu sobre a formação acadêmica estrita. Os residentes não mencionaram a interrupção da formação como opção, mas sim a adaptação acelerada para salvar vidas, o que evidencia um amadurecimento ético precoce.

Todos os entrevistados relataram que seus preceptores exigiam elevado rigor no desenvolvimento das atividades, corroborando os achados de Lopes Filho et al.29. Segundo Santos et al.30, os preceptores constituem importantes modelos de referência na formação dos residentes, exercendo papel fundamental na mediação do processo de ensino-aprendizagem e no desenvolvimento das competências profissionais.

Os achados deste estudo dialogam com a literatura nacional e internacional que analisou os impactos da pandemia da Covid-19 na formação em saúde, apontando tanto prejuízos no desenvolvimento de habilidades práticas quanto o fortalecimento de competências transversais, como resiliência, liderança e trabalho em equipe. Estudos recentes destacam que a necessidade de adaptação ao ensino remoto, associada à sobrecarga assistencial, tencionou os processos formativos, exigindo reconfigurações pedagógicas capazes de preservar a qualidade da aprendizagem experiencial em contextos adversos.

Apesar dos desafios, esse período também proporcionou oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional. Muitos residentes adquiriram uma compreensão mais ampla do sistema de saúde todo e desenvolveram habilidades de liderança, comunicação e trabalho em equipe que serão valiosas ao longo de suas carreiras. Tal situação também é verificada no estudo de Palácio e Takenami31, que discorrem sobre as possibilidades de novas experiências para os alunos de residência, unindo os conhecimentos de saúde com novos mecanismos criados devido à pandemia.

Ainda de acordo com Prezotti et al.24, a Covid-19 trouxe mudanças profundas para o cenário da saúde e prejuízos à formação dos residentes, como a redução brusca de consultas médicas presenciais e o adiamento ou suspensão de procedimentos. Nesse mesmo sentido, Uribe et al.25 relatam que os residentes do primeiro ano foram fortemente afetados, pois precisaram desenvolver habilidades cirúrgicas e clínicas para o avanço do programa. Além disso, durante a formação, os residentes assumiram o cuidado de pacientes infectados pela Covid-19 e passaram a realizar maior número de atividades teóricas, como webinars, fóruns, vídeos e simulações. Sob essa ótica, Scheffer32 enfatiza que a criação de uma rede de suporte é essencial para assegurar a continuidade da formação clínica dos residentes, especialmente em cenários adversos.

Os achados deste estudo demonstram que, apesar dos desafios impostos pela pandemia da Covid-19, os residentes desenvolveram competências relevantes para sua formação profissional. Esses resultados corroboram os achados de Palácio e Takenami31, que destacam a importância das experiências vivenciadas pelos residentes durante a pandemia para o desenvolvimento de competências profissionais.

Adicionalmente, a análise retrospectiva das experiências relatadas sugere que a gestão da formação em saúde no contexto da pandemia careceu de protocolos antecipatórios capazes de mitigar o impacto do deslocamento temporário da especialidade sem o devido suporte pedagógico prévio. A experiência pretérita demonstrou que decisões fragmentadas entre instituições de ensino e serviços de saúde geraram sobrecargas assimétricas, indicando que, em crises futuras, a governança dos programas deve ser centralizada e colaborativa para preservar a integridade do percurso formativo. Dentre as lições aprendidas e passíveis de generalização para outros contextos da prática profissional, sobressai a necessidade de institucionalizar a reflexão crítica — pilar fundamental do ciclo de Kolb — como uma prática cotidiana e estruturada, e não meramente reativa a situações de exceção. A capacidade de operar sob altos níveis de incerteza e a agilidade na assimilação de novos protocolos, consolidadas nesse período, configuram-se como competências transversais indispensáveis na formação em saúde contemporânea. Portanto, os aprendizados derivados da Covid-19 devem nortear a inclusão permanente de estratégias de resiliência curricular e a consolidação de tecnologias híbridas de ensino, assegurando que a qualidade da aprendizagem experiencial não seja comprometida diante de novas restrições de campo prático.

A crise sanitária decorrente da Covid-19 transcende a análise da ruptura assistencial, configurando-se como um fenômeno pedagógico disruptivo que impôs a reconfiguração dos modelos de ensino-aprendizagem na saúde. No cenário das residências médicas e multiprofissionais, a pandemia atuou como um elemento catalisador de mudanças, expondo a fragilidade de sistemas formativos excessivamente rígidos e evidenciando a urgência de uma ‘‘resiliência curricular’’ apta a operar sob altos níveis de incerteza.

As experiências acumuladas durante este período crítico permitem a extração de lições que extrapolam o contexto pandêmico, fundamentando-se na necessidade de institucionalizar a prática reflexiva — pilar central do Ciclo de Kolb — como estratégia de enfrentamento a crises futuras. A transição do modelo reativo para uma estrutura de governança colaborativa e tecnologicamente integrada apresenta-se, portanto, como o caminho para consolidar uma formação profissional mais robusta, ética e adaptável às demandas contemporâneas do sistema de saúde.

Entre as limitações do estudo destacam-se o número reduzido de participantes e a concentração regional da amostra, o que não permite generalizações. Pesquisas futuras podem ampliar o escopo geográfico e incluir outros profissionais da saúde, bem como explorar comparativamente períodos pré e pós-pandemia.

Considerações finais

Conclui-se que a pandemia de Covid-19, enquanto contexto de crise, produziu rupturas e aprendizagens na formação de residentes em saúde. As experiências relatadas evidenciam que, apesar das dificuldades, emergiram competências e reflexões que podem contribuir para o aprimoramento das residências médicas, fortalecendo uma formação mais integrada, humanizada e sensível às complexidades do cuidado em saúde.

Conclui-se que a pandemia da Covid-19 atuou como um elemento disruptivo na formação de residentes médicos e multiprofissionais, tensionando o equilíbrio entre experiência prática, supervisão pedagógica e reflexão crítica. Embora tenha favorecido o desenvolvimento de competências adaptativas e éticas, o contexto pandêmico evidenciou fragilidades na governança dos programas de residência, sobretudo no que se refere ao suporte pedagógico e psicossocial. Os resultados reforçam a necessidade de institucionalizar estratégias de aprendizagem experiencial e planos de contingência curricular que assegurem a qualidade da formação, mesmo diante de cenários de crise.

Como limitações, este estudo apresenta um recorte qualitativo localizado, o que sugere a relevância de futuras pesquisas de caráter longitudinal que avaliem o impacto de longo prazo na proficiência técnica desses profissionais em suas áreas específicas de especialização. No entanto, a principal contribuição desta pesquisa reside na urgência de repensar a governança dos programas de residência. Recomenda-se que as instituições de ensino e os serviços de saúde desenvolvam planos de contingência curricular que priorizem a manutenção do raciocínio clínico e a proteção psicossocial do residente.

Em última análise, a pandemia não deve ser vista apenas como um hiato na formação, mas como um catalisador para a modernização das metodologias de ensino em saúde. A institucionalização de espaços de reflexão e a flexibilidade curricular emergem como as maiores lições deste período, fundamentais para assegurar que o aprendizado pela experiência se mantenha robusto e ético, mesmo diante das incertezas de futuras emergências globais.

Finaciamento

Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde do Ministério da Saúde (SGTES/MS) / Programa de Pós-Graduação em Administração (PGADM-FACE-UFG).

Jordão MA, Freitag MSB. Residência médica e multiprofissional na pandemia do Covid-19 na perspectiva dos residentes. Interface (Botucatu). 2026; 30: e250102 https://doi.org/10.1590/interface.250102

Disponibilidade de dados

Os conteúdos subjacentes ao texto da pesquisa estão contidos no manuscrito.

Referências

  • 1 Graça L, Loureiro MI. A(s) crise(s) e a(s) resposta(s) da saúde pública. Rev Port Saude Publica. 2012; 30(2):103-4. doi: 10.1016/j.rpsp.2013.02.001.
    » https://doi.org/10.1016/j.rpsp.2013.02.001
  • 2 Felisberto LCC, Giovannini PE, Diógenes ICF, Carlos LPN, Lins LFTS. O caminho se faz ao caminhar: novas perspectivas da educação médica no contexto da pandemia. Rev Bras Educ Med. 2020;44 Supl 1:e156. doi: 10.1590/1981-5271v44.supl.1-20200422.
    » https://doi.org/10.1590/1981-5271v44.supl.1-20200422
  • 3 Andrade MFC, Coelho MR, Bachur TPR, Bezerra JEMS, Almeida MI, Branco LMC. O ensino da prática médica no internato em tempo de pandemia: aprendizados e impactos emocionais. Rev Bras Educ Med. 2021; 45(4):e213. doi: 10.1590/1981-5271v45.4-20200218.
    » https://doi.org/10.1590/1981-5271v45.4-20200218
  • 4 Romão GS, Rocha SR, Sá MF. A aprendizagem experiencial na residência médica. Femina. 2021; 49(4):219-22.
  • 5 Pellón M, Nome S, Arán A. Relação entre estilos de aprendizagem e rendimento acadêmico dos estudantes do quinto ano de medicina. Rev Bras Oftalmol. 2013; 72(3):18-24. doi: 10.1590/S0034-72802013000300008.
    » https://doi.org/10.1590/S0034-72802013000300008
  • 6 Moreira MA. Uma abordagem cognitivista ao ensino da física. Porto Alegre: Editora da Universidade; 1983.
  • 7 Dewey J. Experiência e educação. 2a ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional; 1976.
  • 8 Kolb AY, Kolb DA. Experiential learning and teaching in higher education. ELTHE. 2017; 1(1):7-44.
  • 9 Baden D, Parkes C. Experiential learning: inspiring the business leaders of tomorrow. J Manag Dev. 2013; 32(3):295-308. doi: 10.1108/02621711311318283.
    » https://doi.org/10.1108/02621711311318283
  • 10 Bitran CM, Zúñiga PD, Lafuente GM, Viviani GP, Mena CB. Tipos psicológicos y estilos de aprendizaje de los estudiantes que ingresan a medicina en la Pontificia Universidad Católica de Chile. Rev Med Chile. 2003; 131(9):1067-78. doi: 10.4067/S0034-98872003000900015.
    » https://doi.org/10.4067/S0034-98872003000900015
  • 11 Pimentel A. A teoria da aprendizagem experiencial como alicerce de estudos sobre desenvolvimento profissional. Estud Psicol (Natal). 2007; 12(2):159-68. doi: 10.1590/S1413-294X2007000200008.
    » https://doi.org/10.1590/S1413-294X2007000200008
  • 12 Morato EM. Linguagem e cognição: as reflexões de L. S. Vygotsky sobre a ação reguladora da linguagem. São Paulo: Robe; 1995.
  • 13 Borochovicius E, Tortella JCB. Aprendizagem baseada em problemas: um método de ensino-aprendizagem e suas práticas educativas. Ensaio Aval Pol Publ Educ. 2014; 22(83):263-93. doi: 10.1590/S0104-40362014000200002.
    » https://doi.org/10.1590/S0104-40362014000200002
  • 14 Kolb DA. Experiential learning: experience as the source of learning and development. Englewood Cliffs: Prentice-Hall; 1984.
  • 15 Dewey J. Como pensamos: como se relaciona o pensamento reflexivo com o processo educativo. 3a ed. São Paulo: Nacional; 1959.
  • 16 Schön DA. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Penso; 2009.
  • 17 Nassif VMJ, Armando E, La Falce JL. Empreendedorismo e a pequena empresa no contexto do pós Covid-19: há luz no fim do túnel. REGEPE Entrep Small Bus J. 2020; 9(3):1-7. doi: 10.14211/regepe.v9i3.1940.
    » https://doi.org/10.14211/regepe.v9i3.1940
  • 18 Oliveira FA, Von Eye C, Capp E. Medical residents, the group and the formation of professional identity during the Covid-19 pandemic. Rev Bras Ginecol Obstet. 2022; 44(8):797-801. doi: 10.1055/s-0042-1745792.
    » https://doi.org/10.1055/s-0042-1745792
  • 19 Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14a ed. São Paulo: Hucitec; 2014.
  • 20 Zarezadeh Y, Nasseri K. Covid-19 pandemic: demand creates its own supply in a residency program. Braz J Anesthesiol. 2020; 70(6):688-9. doi: 10.1016/j.bjane.2020.08.011.
    » https://doi.org/10.1016/j.bjane.2020.08.011
  • 21 Brasil. Ministério da Saúde. Resolução nº 466, de 12 de Dezembro de 2012. Aprova as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília: Ministério da Saúde; 2012.
  • 22 Falcão MC, Fonseca CDPP, Danti GV. Ensino na residência médica em tempos de Covid-19. Rev Paul Pediatr. 2020; 38:e2020334. doi: 10.1590/1984-0462/2020/38/2020334.
    » https://doi.org/10.1590/1984-0462/2020/38/2020334
  • 23 Pita CG, Melo KKF, Brasilino MCB, Diniz RVZ. Matriz de competência relacionada à Covid-19: contribuições de estudantes e residentes. Rev Bras Educ Med. 2021; 45(2):e083. doi: 10.1590/1981-5271v45.2-20200441.
    » https://doi.org/10.1590/1981-5271v45.2-20200441
  • 24 Prezotti JA, Henriques JVT, Favorito LA, Canalini AF, Machado MG, Brandão TBV, et al. Impact of Covid-19 on education, health and lifestyle behaviour of Brazilian urology residents. Int Braz J Urol. 2021; 47(4):753-76. doi: 10.1590/S1677-5538.IBJU.2021.99.09.
    » https://doi.org/10.1590/S1677-5538.IBJU.2021.99.09
  • 25 Uribe M, Martínez G, Sepúlveda R, Lanzarini E, García C, Cárcamo C, et al. Efectos de la pandemia en los programas de formación en cirugía: problemas y soluciones. Rev Cir. 2021; 73(1):107-13. doi: 10.35687/s2452-454920210011078.
    » https://doi.org/10.35687/s2452-454920210011078
  • 26 Cardoni NC, Chirelli MQ, Pio DAM. Focus group with multiprofessional residents in the context of the Covid-19 pandemic: experience report. NTQR. 2021; 8:18-25. doi: 10.36367/ntqr.8.2021.18-25.
    » https://doi.org/10.36367/ntqr.8.2021.18-25
  • 27 Sen-Crowe B, McKenney M, Elkbuli A. Social distancing during the Covid-19 pandemic: staying home saves lives. Am J Emerg Med. 2020; 38(7):1519-20. doi: 10.1016/j.ajem.2020.03.063.
    » https://doi.org/10.1016/j.ajem.2020.03.063
  • 28 Cardoso K, Zaro MA, Magalhães AMM, Tarouco LMR. Immersive learning laboratory in health and nursing: learning biosafety in a virtual world. Rev Bras Enferm. 2021; 74 Suppl 6:e20200385. doi: 10.1590/0034-7167-2020-0385.
    » https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0385
  • 29 Lopes Filho FL, Azevedo FVA, Augusto KL, Silveira HSO, Costa FAM, Alves KPB. Experiência de mentoria na residência médica: desafios e vivências. Rev Bras Educ Med. 2021; 45(3):e131. doi: 10.1590/1981-5271v45.3-20210082.ING.
    » https://doi.org/10.1590/1981-5271v45.3-20210082.ING
  • 30 Santos BM, Cordeiro MEC, Schneider IJC, Ceccon RF. Educação médica durante a pandemia da Covid-19: uma revisão de escopo. Rev Bras Educ Med. 2020; 44 Supl 1:e139. doi: 10.1590/1981-5271v44.supl.1-20200383.
    » https://doi.org/10.1590/1981-5271v44.supl.1-20200383
  • 31 Palácio MA, Takenami I. Em tempos de pandemia pela Covid-19: o desafio para a educação em saúde. Vigil Sanit Debate. 2020; 8(2):10-5. doi: 10.22239/2317-269X.01530.
    » https://doi.org/10.22239/2317-269X.01530
  • 32 Scheffer MC, Pastor-Valero M, Cassenote AJF, Compan Rosique AF. Demografia médica no Brasil 2020. Brasília: Conselho Federal de Medicina; 2020.

Conflito de interesse

Os autores não têm conflito de interesse a declarar.

Editora

Editoa associado

Marco Antonio C. Paschoalotto https://orcid.org/0000-0003-2276-8531

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    09 Out 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    24 Mar 2025
  • Aceito
    02 Ago 2026
location_on
UNESP Distrito de Rubião Jr, s/nº, 18618-000 Campus da UNESP- Botucatu - SP - Brasil, Caixa Postal 592, Tel.: (55 14) 3880-1927 - Botucatu - SP - Brazil
E-mail: intface@fmb.unesp.br
rss_feed Stay informed of issues for this journal through your RSS reader
Go to top Report error