Corpo e formação de professores de educação física

Cuerpo y formación de profesores de educación física

The body and training for physical education teachers

Sílvia Maria Agatti Lüdorf Sobre o autor

Resumos

O texto resulta de uma pesquisa cujo objetivo foi investigar se e de que forma temáticas relacionadas ao corpo na contemporaneidade são abordadas por professores universitários de educação física de um curso de licenciatura. Foram utilizadas entrevistas e análise documental como técnicas de coleta de dados. Os resultados mostraram que assuntos relacionados à estética corporal são, em parte, contemplados na formação de professores de educação física, havendo diferenças na gênese da abordagem e no referencial teórico utilizado. Conclui-se que tais abordagens representam um avanço na formação de professores de educação física, mas que poderiam estar mais sistematicamente presentes, uma vez que estão diretamente ligadas à prática pedagógica do professor.

Imagem corporal; Educação física; Formação de Professores; Prática pedagógica


El texto es resultado de una pesquisa cuyo objetivo ha sido investigar si los profesores universitarios de Educación Física de un curso de licenciatura contemplan temáticas relacionadas al cuerpo y de qué forma lo hacen. Se han utilizado entrevistas y análisis documental como técnicas de colectar datos. Los resultados muestran que asuntos relacionados a la estética corporal son parcialmente contemplados en la formación de profesores de Educación Física, con diferencias en el principio de aproximación y en el referencial teórico utilizado. Se concluye que tales aproximaciones representan un avance en la formación de profesores de Educación Física pero que podrían estar más sistemáticamente presentes, una vez que se ligan directamente a la práctica pedagógica del profesor.

Imagen corporal; Educación Física; Formación de Profesores; Práctica pedagógica


This paper results from a study in which the aim was to investigate whether and in which way issues relating to the body are dealt with nowadays by university-level physical education teachers within a teacher training course. Interviews and document analysis were used as the data gathering techniques. The results showed that matters relating to body esthetics were partially considered within the physical education teacher training. There were differences in the genesis of the approach and in the theoretical framework used. It is concluded that these approaches represent an advance in physical education teacher training, but that they could be used more systematically, since they are directly linked with teachers' professional practice.

Body image; Physical education; Teacher training; Teaching practice


ARTIGOS

Corpo e formação de professores de educação física* * Elaborado com base em Lüdorf (2004).

The body and training for physical education teachers

Cuerpo y formación de profesores de educación física

Sílvia Maria Agatti Lüdorf

Licenciada em Educação Física. Departamento de Ginástica, Escola de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Rio de Janeiro (EEFD/UFRJ). Av. Carlos Chagas Filho, 540, sala 206. Cidade Universitária, Ilha do Fundão, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 21.941-599. sagatti.rlk@terra.com.br

RESUMO

O texto resulta de uma pesquisa cujo objetivo foi investigar se e de que forma temáticas relacionadas ao corpo na contemporaneidade são abordadas por professores universitários de educação física de um curso de licenciatura. Foram utilizadas entrevistas e análise documental como técnicas de coleta de dados. Os resultados mostraram que assuntos relacionados à estética corporal são, em parte, contemplados na formação de professores de educação física, havendo diferenças na gênese da abordagem e no referencial teórico utilizado. Conclui-se que tais abordagens representam um avanço na formação de professores de educação física, mas que poderiam estar mais sistematicamente presentes, uma vez que estão diretamente ligadas à prática pedagógica do professor.

Palavras-chave: Imagem corporal. Educação física. Formação de Professores. Prática pedagógica.

ABSTRACT

This paper results from a study in which the aim was to investigate whether and in which way issues relating to the body are dealt with nowadays by university-level physical education teachers within a teacher training course. Interviews and document analysis were used as the data gathering techniques. The results showed that matters relating to body esthetics were partially considered within the physical education teacher training. There were differences in the genesis of the approach and in the theoretical framework used. It is concluded that these approaches represent an advance in physical education teacher training, but that they could be used more systematically, since they are directly linked with teachers' professional practice.

Key words: Body image. Physical education. Teacher training. Teaching practice

RESUMEN

El texto es resultado de una pesquisa cuyo objetivo ha sido investigar si los profesores universitarios de Educación Física de un curso de licenciatura contemplan temáticas relacionadas al cuerpo y de qué forma lo hacen. Se han utilizado entrevistas y análisis documental como técnicas de colectar datos. Los resultados muestran que asuntos relacionados a la estética corporal son parcialmente contemplados en la formación de profesores de Educación Física, con diferencias en el principio de aproximación y en el referencial teórico utilizado. Se concluye que tales aproximaciones representan un avance en la formación de profesores de Educación Física pero que podrían estar más sistemáticamente presentes, una vez que se ligan directamente a la práctica pedagógica del profesor.

Palabras clave: Imagen corporal. Educación Física. Formación de Profesores. Práctica pedagógica.

Considerações introdutórias

Uma das dimensões mais valorizadas no corpo, na contemporaneidade, é a aparência. Goldenberg e Ramos (2002) referem-se à civilização das formas, como a época hodierna onde o corpo belo, jovem e magro tornou-se objeto de consumo, exaltado, sobretudo, pelos meios de comunicação e pela publicidade. Importantes implicações para a saúde, em decorrência da massificação desse discurso de exaltação do corpo, são sentidas, especialmente, no público jovem, tais como: o recrudescimento de distúrbios alimentares1 1 Distúrbios estes que podem levar à morte, como o caso de uma jovem modelo que veio a falecer de anorexia (Linhares, 2006). ou da ingestão - na maioria das vezes sem orientação médica e/ou nutricional - de suplementos alimentares e de esteróides anabolizantes.

A prevalência da dimensão estética2 2 O termo "estética", na filosofia, conforme Abbagnano (2000, p.367), designa "a ciência (filosófica) da arte e do belo", que recebeu diferentes interpretações em cada época. Este termo, entretanto, não será aqui utilizado na perspectiva filosófica, mas em seu sentido usual, mais comum, relacionado à beleza, à plástica e à aparência. do corpo, onde estilo, forma, aparência e juventude contam como seus mais importantes atributos, leva a considerar que, atualmente, o corpo pode ser modelado e transformado como se fosse um rascunho (Le Breton, 2003). Como rascunho, o corpo seria uma estrutura modular, cujas peças podem ser substituídas, redesenhadas, conforme os anseios do indivíduo, na tentativa de ser constantemente retificado e corrigido.

Algumas consequências desse discurso voltado à imagem e à exibição do corpo têm sido frequentemente observadas, tais como: preocupação constante com a aparência corporal; realização de procedimentos estéticos e cirurgias plásticas; distúrbios alimentares e dietas inusitadas; interesse cada vez maior pela prática de atividades físicas; utilização de substâncias farmacológicas para emagrecimento ou fortalecimento etc. Um ponto em comum dessas consequências parece ser a insatisfação com o próprio corpo3 3 Sobre este assunto, ver reportagem de Cezimbra (2000). ou a necessidade, muitas vezes fabricada, de modificá-lo de alguma forma, talvez correspondendo ao que Le Breton (2001, 2000) chamou de "sensação de incompletude do corpo". Para Le Breton (2003, p.22): "Não é mais o caso de contentar-se com o corpo que se tem, mas de modificar suas bases para completá-lo ou torná-lo conforme a idéia que dele se faz."

O professor de educação física vê-se, a todo tempo, envolvido com técnicas corporais e com a cultura do corpo nos mais variados ambientes, como: escola, academia de ginástica, clube, universidade e demais espaços sociais. Mais do que uma atuação de cunho essencialmente técnico, o professor de educação física é um educador, na medida em que desempenha um papel formativo e contribui, em sua prática pedagógica, para a formação de valores socioculturais, subjetivos e políticos.

Devido à natureza pedagógica de sua intervenção, é fundamental investigar em que medida os professores de educação física lidam com as demandas corporais contemporâneas, dentre as quais, a valorização da dimensão estética, que vem ganhando contornos impressionantes atualmente.

Interessa, nesta oportunidade, analisar e discutir o cotidiano de professores universitários que labutam para formar os professores de educação física. É na universidade, no lidar com alunos, futuros professores, que muitos dos interesses são despertados, teorias discutidas e perspectivas práticas delineadas ou vivenciadas. Cabe destacar que o processo de formação do professor de educação física é uma das instâncias mais propícias para a discussão e assimilação dos diferentes significados envolvidos na construção do corpo, especialmente por, a princípio, constituir um dos pilares para a formação de planos de pensamento, análise e tomada de posição profissional. É, portanto, de vital importância, discutir e questionar a prática dos professores que trabalham nesse estratégico ambiente.

Particularmente, pretende-se discutir, neste artigo, alguns dos resultados obtidos em uma pesquisa realizada com professores de educação física de um curso de graduação em educação física de uma universidade pública. Buscou-se investigar se, e de que maneira, temáticas relacionadas ao corpo, na contemporaneidade, são abordadas e/ou discutidas durante o processo de formação de professores de educação física.

Para Goldenberg (2006), o corpo4 4 A autora se refere, sobretudo, ao corpo da mulher, cujo ideal é ser magro, jovem e trabalhado. adquire tal centralidade na cultura brasileira que se torna um verdadeiro capital. Afora as implicações culturais, o fenômeno da excessiva preocupação com a aparência do corpo pode envolver aspectos éticos e de saúde importantes, com os quais, muitas vezes, o professor de educação física deverá lidar. Torna-se fundamental, portanto, discutir até que ponto tais questões estariam sendo trabalhadas na formação de professores de educação física.

Notas sobre corpo, educação física e formação de professores

No contexto contemporâneo, observa-se que o poder que investe e marca os corpos da atualidade é extremamente difuso e está longe de ser sutil. Parece haver um poderoso macrodiscurso do poder da eterna juventude e beleza", tecido nas entranhas da sociedade, e que se faz presente de forma arrebatadora, dadas as múltiplas formas de propagação e impregnação, geradas, sobretudo, por sua grande aliada, a mídia; e esse discurso é fortalecido pelas instituições contemporâneas (Lüdorf, 2004).

Este corpo sujeito ao poder, que é também seu objeto, revela-se, especialmente, no aspecto estético, dimensão esta de análise do corpo, que ora vem ganhando vulto a ponto de ofuscar as demais. O corpo passa, assim, a seguir normas de disciplinamento, não apenas autoimpostas, mas também impostas pela sociedade e por diversas instituições contemporâneas, tais como: imprensa, televisão, academias de ginástica, escolas, clínicas estéticas, dentre outras.

Na opinião de Lipovetsky (2002), a publicidade exerce múltiplas pressões sobre as massas, mas sempre no quadro de uma autonomia da escolha, de recusa ou de indiferença. Em relação ao corpo, contudo, o efeito das táticas de disciplinamento, que deveria ser superficial, parece cada vez mais amplo e profundo, apresentando repercussões em diversos níveis sociais e faixas etárias, da infância à terceira idade.

Tal repercussão não passa despercebida nos diferentes ambientes em que a educação física vem sendo trabalhada, levando nossas crianças e jovens, sobretudo, a terem contato precocemente com distúrbios dietéticos e/ou uma preocupação exacerbada com (a forma do) o corpo5 5 Ver reportagem de Moherdaui (2002). .

Soares (1999, p.5) já alertava que: "O corpo como primeiro plano de visibilidade humana, como lugar privilegiado das marcas da cultura [...], tem sido pouco considerado no campo da educação e, mais especificamente, no campo da educação física. Nesta os estudos em torno do corpo são também incipientes."

Muitos estudos relacionados à educação física, educação e corpo foram desenvolvidos desde então, alguns tendo sido publicados em forma de coletâneas de artigos, tais como: "Corpo e Educação" (Soares, 1999), "O corpo e o lúdico" (Bruhns, Gutierrez, 2000), "A produção do corpo" (UFRGS, 2000), "Corpo e História" (Soares, 2001), além do Dossiê Visibilidade do Corpo (Unicamp, 2003).

Outras produções teóricas na educação física tratam, sob enfoques diferenciados, da valorização da aparência e da imagem do corpo na atualidade. Como exemplos, poderiam ser citadas as contribuições de: Anzai (2000), Bruhns (2000), Vilanou (2000), Fraga (2001), Nóbrega (2001) e Silva (2001). Há ainda, porém, uma lacuna relativa às evidências empíricas sobre como os professores têm lidado com esta tendência corporal contemporânea frequentemente mencionada. Copollilo (2002), em uma dessas tentativas, aborda a leitura que professores de educação física, que cursam especialização em educação física escolar, fazem acerca das concepções de corpo na mídia televisiva. Embora tais iniciativas sejam importantes, há a necessidade de se analisar esta temática, também, no processo de formação de professores, base da incorporação das novas gerações profissionais.

Esta insuficiência de fontes que mostrem como questões ligadas a valores estéticos hegemônicos têm sido discutidas na formação de professores de educação física é um elemento preocupante, especialmente em um cenário onde prevalece um poderoso discurso midiático, que, em última instância, influencia comportamentos e, obviamente, os corpos dos próprios professores de educação física e os daqueles com os quais interagem.

O corpo talvez seja um dos mais fortes vetores de construção de identidade no mundo contemporâneo. Para Vaz (2002, p.92):

Seria bom que se pensasse, então, o papel dos ambientes educacionais em meio à diversidade de técnicas necessárias para o assessoramento e criação/desenvolvimento de identidades corporais. Esse é, a meu ver, um ponto-chave para que se debata o papel da educação física nos ambientes educacionais, bem como algumas possíveis orientações para a formação de educadores.

Neste sentido, é fundamental que o professor esteja preparado para lidar criticamente com as novas demandas corporais, ou antes, que reflita sobre o impacto das mesmas no processo de sua formação, para que possa exercer plenamente sua função de educador.

A educação geral, nas suas mais diferentes manifestações, em si já contribui para inscrever significados e valores no corpo. Ao lidar com o ser humano e o corpo em constante construção e interação com o contexto social, a educação física não pode deixar, portanto, de ser entendida como uma prática educativa, ou, ainda, como prática social, já que se ocupa do educar por meio do movimento. Nesta perspectiva, espera-se, da educação física, a tarefa de "esculpir" o corpo, para além do sentido puramente estético ou literal da palavra, mas, em um sentido amplo, de formação humana.

Este tipo de estudo se coaduna com a principal tendência que vem sendo apontada nas propostas de reformulação da formação de professores, segundo a qual, dever-se-ia privilegiar o equilíbrio e a articulação entre o saber dos professores e as realidades específicas de seu trabalho cotidiano (Tardif, 2002). Conforme Tardif (2002), o saber docente é plural e profundamente social, uma vez que, além de estar ancorado na individualidade, é sempre ligado ao trabalho, ao ensino, à instituição e à sociedade. Sendo assim, a formação profissional constitui uma sólida instância de composição de saberes, onde as questões socioculturais devem ser amplamente debatidas.

Pimenta e Anastasiou (2002) talvez resumam a essência da presente investigação:

O desenvolvimento profissional dos professores é objetivo de propostas educacionais que valorizam a sua formação não mais baseada na racionalidade técnica, que os considera meros executores de decisões alheias, mas em uma perspectiva que reconhece sua capacidade de decidir. Ao confrontar suas ações cotidianas com as produções teóricas, é necessário rever as práticas e as teorias que as informam, pesquisar a prática e produzir novos conhecimentos para a teoria e para a prática de ensinar. Assim, as transformações das práticas docentes só se efetivarão se o professor ampliar sua consciência sobre a própria prática [...] o que pressupõe os conhecimentos teóricos e críticos da realidade. (Pimenta, Anastasiou, 2002, p.13)

Aspectos metodológicos

Esta pesquisa pretendeu mostrar e aprofundar a análise de um determinado recorte da realidade, especificamente voltado a um curso de licenciatura em educação física de uma das mais importantes universidades públicas do Brasil. O curso de licenciatura foi selecionado, prioritariamente, por ter, como principal objetivo, a formação de professores para a educação básica6 6 Embora esse seja o principal objetivo de qualquer curso de licenciatura plena, observa-se uma particularidade em relação à educação física, que é o direcionamento de muitos egressos e, mesmo, estagiários, ao mercado de trabalho não formal, como academias de ginástica, clubes etc. . Além desse aspecto, na referida instituição, é o curso mais tradicional ligado à educação física, responsável por formar o maior número de turmas sequencialmente.

Com enfoque qualitativo, o corpus como recurso de investigação foi delineado com base em Bauer e Aarts (2003). De acordo com os autores, a constituição do corpus deve ser pautada pelos critérios de relevância, homogeneidade e sincronicidade. Nesse sentido, a investigação foi norteada para um tema específico, para se tentar compreender a "variedade de representações das pessoas no seu mundo vivencial" (Bauer, Aarts, 2003, p.57). Além disso, foram privilegiadas as entrevistas individuais, para melhor elucidar o objeto de estudo, de modo a garantir o critério da homogeneidade. A sincronicidade refere-se à atualidade do assunto abordado, mencionada desde o início deste texto.

Além da entrevista, foram utilizadas técnicas complementares para a coleta de dados, destinadas a imprimir rigor, amplitude e profundidade à investigação (Denzin, Lincoln, 1994), tais como: análise documental da grade curricular, dos programas de cursos e de textos de apoio, além de anotações em um diário de campo (Alves-Mazzotti, Gewandsznajder, 1999).

A seleção dos sujeitos da pesquisa foi realizada conforme as orientações de Gaskell (2003), de "explorar o espectro de opiniões" nos grupos naturais. Dessa maneira, após a análise detida da grade curricular do curso referido, buscou-se a distribuição das disciplinas em quatro grandes grupos, a saber: Escola, Academia de ginástica, Esporte e Corpo, que abarcariam as diferentes representações a serem desvendadas. Posteriormente, foi realizado um levantamento dos professores vinculados àquelas disciplinas e, por fim, a seleção dos respondentes, com base nos seguintes critérios: regime e tempo de dedicação na universidade, sexo, titulação, tempo de trabalho junto à disciplina, e representatividade perante os grupos de disciplinas, a fim de que houvesse certo equilíbrio na proporção dos informantes.

Após esses procedimentos, foram selecionados 15 sujeitos, de acordo com o limite proposto por Gaskell (2003), que foram submetidos a entrevistas individuais e qualitativas. Para Gaskell (2003), esse tipo de entrevista segue um tópico guia, permitindo flexibilidade na abordagem e maior aprofundamento do objeto de estudo. O instrumento somente foi utilizado após passar pelo procedimento formal de validação do roteiro e pela pesquisa-piloto. Os professores manifestaram-se favoravelmente à participação na presente pesquisa, conforme os preceitos éticos.

As entrevistas foram gravadas e transcritas, constituindo o corpus a ser analisado. Procedeu-se, então, a uma análise de conteúdo pontuada por dois princípios básicos: o da repetição e o da relevância (Turato, 2003). As categorias emergiram a partir dos significados captados nos discursos dos entrevistados. A análise dos programas dos cursos e dos textos de apoio serviu para checar e complementar os dados coletados.

A abordagem de assuntos ligados ao corpo na contemporaneidade

Durante as entrevistas, observou-se que aspectos relacionados à aparência e forma do corpo emergiram naturalmente, ainda que o assunto não tivesse sido anteriormente mencionado. Foram utilizados termos, tais como: padrão corporal, modelo, corpo ideal, dentre outros. P27 7 Para nos referirmos aos professores entrevistados, utilizaremos P1, P2, P3 etc. ressalta que quem se enquadra no modelo preconizado tem mais oportunidades na sociedade:

Existe um modelo que é valorizado e quem se enquadra [...] goza das benesses e quem se afasta [...], é a questão daquele corpo proporcional, o mesomorfo, com contorno de bíceps, de bumbum, de quadríceps, é a estética que valoriza, que é valorizado como aquilo que deve ter. (P2, p.5)

As características principais atribuídas a esse corpo "modelo" foram: jovem, musculoso, magro, delineado, dentre outras, como aparecem nos trechos a seguir:

Acho que existe um modelo no imaginário, foi implantado, foi, digamos assim, vendido, um modelo de corpo que é um corpo atlético, um corpo delineado ou fabricado nas academias, então este é o corpo que é o corpo ideal, o corpo que é muito valorizado, [...] é um corpo que só dá certo para o jovem, é um corpo jovem. (P12, p.4)

É esse modelo que a gente vê aí, na mídia, nos anúncios, na revista, é aquele corpo bem delineado, bem marcado, é aquela pessoa muito musculosa que, assim, esteticamente a gente pode até questionar se realmente aquilo é bonito ou não. (P13, p.2)

Todos têm que tomar isso ou aquilo para poder ficar mais com essa massa muscular, as meninas têm que ter o corpo [...] uma anorexia, para ter esse corpo magérrimo, e essas singularidades se perdem nos corpos. (P10, p.7)

Nota-se, por esses e outros exemplos, que o fato de se ter um corpo para ser trabalhado, moldado e fabricado, conforme as exigências contemporâneas, corrobora as idéias de Le Breton, essencialmente a de corpo rascunho (Le Breton, 2003). Como uma das facetas desse corpo, a dimensão estética surge como uma das preocupações centrais no discurso dos professores, indo ao encontro do que afirmam Goldenberg e Ramos (2002), quando dizem que vivemos em uma civilização das formas, onde o poder normalizador dos modelos e a conformidade aos padrões estéticos se chocam com o ideal individualista e com a exigência de singularização dos sujeitos. Mas, de que forma isso repercutiria nas práticas pedagógicas dos docentes universitários? Será que assuntos derivados dessa preocupação surgiriam em suas aulas? De que maneira?

Avançando na análise do corpus das entrevistas, foram identificadas duas tendências em relação ao corpo na contemporaneidade no interior da formação de professores. A primeira tendência seria representada por professores que afirmaram discutir assuntos relacionados à aparência corporal em sua prática pedagógica. Já a segunda, configurou-se a partir dos docentes que, apesar de reconhecerem a importância do assunto, alegaram não ter tempo ou oportunidade de abordá-lo.

Para entender melhor de que maneira essa abordagem ocorreria, além dos discursos, foi realizada a análise dos programas das disciplinas e, também, dos textos, porventura, indicados aos alunos para leitura. Foi possível verificar que, em alguns casos, os assuntos pertinentes à estética do corpo são incluídos no conteúdo programático de certas disciplinas. Percebe-se, nesses casos, que há uma preocupação explícita em discutir e fundamentar teoricamente discussões dessa natureza, por meio da indicação de textos de apoio aos alunos, conforme demonstrado no depoimento de P10 (p.11):

O tempo inteiro a gente está vivendo esse apelo, essa coisa devoradora da imagem, esses ícones que têm, como a gente usa na imagem da

Barbie

, né? Essa coisa importada, que corpo é esse... hoje? Este

body modification

o tempo inteiro, esse corpo agora que todo mundo precisa se tatuar, se furar, precisa tomar um monte de drogas. Que relação é essa que o homem está tendo com o seu corpo? Com o mundo que ele vive? Relação de essência, de aparência? Isso ai vêm nos textos, eu procuro sempre trazer essa relação para poder trazer essa dicotomia.

Os textos recomendados para leitura são artigos ou capítulos de livros pautados, sobretudo, em referenciais teóricos clássicos da filosofia, como Foucault, Merleau-Ponty e Schiller, dentre outros. Um olhar mais minucioso, contudo, demonstrou haver diferenças na perspectiva de abordagem do assunto. Embora os referenciais sejam de cunho filosófico, as discussões de alguns professores privilegiam aspectos, tais como: corpo social, ética, subjetividade e corporeidade - conforme pode ser verificado:

No caso do professor de educação física daqui, ele tem que passar um instrumental teórico-filosófico para poder estar trabalhando, preparando esse aluno para quando estiver diante de uma situação, qualquer que seja ela, que tenha elementos para poder se comportar da maneira mais adequada, ter um pouco de referência ética, usar o conhecimento científico, com uma postura ética, não ficar só valorizando quem é bonitinho. (P2, p.7)

[...] sempre tem esse espaço de debate vendo esse aspecto, que até são logo as primeiras aulas da gente. É discussão de texto em cima do corpo, [...] ética e cidadania. (P6, p.11)

Outros professores direcionam as discussões promovidas para o binômio estética-saúde e suas repercussões no organismo e no comportamento dos alunos. Alguns trechos de depoimentos são exemplificativos dessa vertente:

[...] pensei até em colocar, um tópico sobre estética, mas o que é a estética para você? [...] uma coisa pode significar muitas coisas, o físico, o psicológico, o social, [...] sempre que eu tenho um ganchinho eu puxo para isso ai, às vezes eu até brinco, a musculação tem muito essa coisa de bodybuilding, do fisiculturismo e do culturismo, que é aquele culto à estética entre aspas, [...] isso para vocês é estética? Para mim particularmente não é estética. Ao contrário, é antiestética, [...]. Eles têm muito essa noção de que a estética é uma parcela da qualidade de vida, entendeu? (P5, p.8)

[...] a gente discute muito essa questão de relação da estética do corpo, estética de saúde, eles aceitam bem essa discussão e as argumentações e os pressupostos que nós temos colocado. (P8, p.9)

[...] o que eu procuro discutir com eles é essa imagem corporal relacionada a auto-estima, mas uma imagem corporal não como uma estética externa pura e simples, de braço e pernas de músculos, musculatura bem definida não, uma imagem corporal como resultado de toda uma rotina, de toda uma cultura, uma rotina de vida, uma qualidade de vida [...]. (P1, p.16)

A utilização de fundamentação teórica advinda das ciências humanas e sociais e a preocupação em abordar aspectos diferentes dos técnico-desportivos em relação ao corpo são elementos importantes na formação de professores de educação física, para que possam ser criadas oportunidades de refletirem criticamente sobre o seu papel na sociedade. Daí a pertinência da afirmativa de Vaz (2002) de que "Não se pode pensar o ensino dos elementos da cultura corporal e a formação de professores e professoras com essa tarefa sem que se considere esse contexto mais amplo no qual se colocam o corpo e as práticas corporais no mundo contemporâneo." (Vaz, 2002, p.86)

Ainda tratando do grupo dos professores que afirmaram abordar questões pertinentes ao corpo na contemporaneidade em suas aulas, alguns disseram que a demanda era dos próprios alunos, quando, em determinado(s) momento(s) do curso, a abordagem de certos conteúdos provocava tais reflexões.

Os professores que declararam proporcionar situações para a discussão de questões associadas ao corpo, dentre as quais, a valorização da estética, disseram que os alunos mostravam-se interessados e costumavam participar ativamente. Ressaltaram que, como se trata de assunto bastante atual e polêmico, dependendo do teor da discussão, há divergência de opiniões, o que gera calorosos debates, conforme ilustra a fala de P6 (p.11):

É muito interessante eles mostrarem a dificuldade que eles têm em enfrentar uma situação dessa, de enfrentar a mídia, de enfrentar a própria procura do emprego, [...] a própria academia pede para eles venderem o anabolizante, então o que ele faz? Ele sai e deixa a família passando fome? Enquanto outros se colocam totalmente ao contrário, [...] aí fica muito interessante.

A problemática mencionada assemelha-se a exemplos de dilemas de natureza moral, conforme método proposto por Lind8 8 Lind (2004) criou o que chama de “The Konstanz Method of Dilemma Discussion” (KMDD). (2004), que se destina a incentivar competências moral-democráticas, particularmente no que se refere à habilidade de alunos jovens para lidar com os próprios ideais e princípios morais em situações onde "estão sob pressão para concordar com fatores não-morais como opinião da maioria, preconceito, autoridade abusiva ou outros." (Lind, 2004, p.2) Como pode ser observado, surgem, por vezes, situações de conflito envolvendo questões éticas e morais, diante das quais o professor de educação física teria de se posicionar, ou, antes, estar preparado para lidar.

Já em relação à segunda tendência, dos professores que não discutem questões relacionadas ao corpo, alguns reconhecem que seria importante a inclusão de tais abordagens, mas não possuem tempo para fazê-lo. Contudo, outros declararam que assuntos sobre estética corporal não seriam pertinentes aos conteúdos desenvolvidos em suas aulas. Uma interpretação possível desses dados é que, talvez, esses professores possuam uma concepção de corpo mais voltada a aspectos técnicos e de performance, como pode ser observado:

É nessa perspectiva que a gente vê o corpo, um corpo que realiza determinadas tarefas, gestos desportivos, que tem um determinado peso, está agrupado por uma faixa de peso, não na perspectiva da estética, você pode ser bonitinho e se não estiver atento, vai levar um golpe, não tem jeito, é um corpo que é funcional, que é atento, que é perspicaz, que engana o outro, engana no sentido da linguagem desportiva, leva o outro ao erro e se aproveita desse erro. (P3, p.11)

Eu já tive alunos que tinham o corpo quase completamente tatuado, que foram excelentes alunos, têm outros que tinham piercing e tal, que eu alertava do risco de uma atividade física, [...] atividade física não foi feita para fazer com um brinco, ai esbarrar num handebol pode arrancar metade da orelha, quer dizer são os cuidados, a gente previne [...]. (P4, p.13)

Neste caso, a visão tecnicista ainda é bastante arraigada, pautada, sobretudo, nos princípios de rendimento e de competitividade, o que pode ser exemplificado pela seguinte fala:

Você tenta às vezes passar determinadas visões de corpo mais subjetivas, com essa singularidade, os alunos mesmo acusam, denunciam isso que é muito estranho. Porque você fala isso aqui, ai ele sai, dá dez passos, faz uma aula aonde o professor exige dele o padrão estabelecido, a mesma marca, o mesmo tipo de resultado, a mesma performance, então eu acho que isso aí é reverter valores que estão muito enraizados, né? É uma visão da história da educação física, uma história de corpo muito ainda marcado, tecnicista, uma coisa muito... que o homem não sei se mora no seu corpo. (P10, p.8)

Para Bracht (1999), até o advento do esporte nos anos 1970, a educação integral sobre o corpo era sustentada, sobretudo, pela biologia, sendo entendida "na perspectiva de sua contribuição para o desenvolvimento da aptidão física e esportiva." (p.77) Essa visão, no entanto, ainda perdura na educação física, como pode ser verificado na análise dos depoimentos, denotando resquícios de uma educação física de viés técnico-fisiológico. Cabe ressaltar, entretanto, que os professores que abordam criticamente aspectos ligados ao corpo na perspectiva de situá-lo e melhor compreendê-lo na contemporaneidade, podem estar operacionalizando, em suas práxis, visões alternativas que possibilitem a compreensão do corpo como um processo de construção sociocultural.

Segundo Bracht (1999), a década de 1980 foi marcada pela entrada mais decisiva das Ciências Humanas e Sociais na educação física, fato este que possibilitou o surgimento do chamado movimento renovador da educação física brasileira, pautado, sobretudo, por uma análise crítica do paradigma da aptidão física. Diversas propostas seriam representantes desse movimento renovador, repousadas no estudo da cultura corporal do movimento. Para o autor: "[...] é fundamental entender o objeto da EF, o movimentar-se humano, não mais como algo biológico, mecânico ou mesmo apenas na sua dimensão psicológica, e sim como fenômeno histórico-cultural" (Bracht, 1999, p.81).

O fato de, no espaço da formação de professores, estar ocorrendo a abordagem de assuntos atuais, com base em perspectivas históricas e socioculturais, talvez seja um indicativo de que a educação física esteja efetivamente apontando para novas direções, que não a preponderantemente técnico-biológica, conforme detectado, por exemplo, em Daolio (1999) ou Soares (1994). Segundo Goellner (2005, p.33): "[...] desnaturalizar o corpo de forma a evidenciar os diferentes discursos que foram e são cultivados, em diferentes espaços e tempos, é imperativo para que compreendamos o que hoje é designado como sendo um corpo desejável e aceitável".

Essa perspectiva contempla a natureza do trabalho do professor de educação física, que é a de educador. Giroux (1998) defende ações como as de discutir e questionar, de forma crítica, os diversos discursos e práticas culturais, bem como os meios populares de comunicação com os quais interagimos no cotidiano. Desta forma, criar oportunidades e propiciar condições para a discussão e crítica em torno dos padrões hegemônicos de corpo, com base na realidade dos próprios alunos, conforme proposto por alguns dos entrevistados, podem ser alternativas interessantes para se questionar e, quem sabe, desenvolver mentalidades críticas em torno do macrodiscurso do poder da beleza e da aparência.

Considerações finais

No contexto analisado, discussões ligadas ao corpo na contemporaneidade são contempladas em algumas disciplinas presentes na formação de professores de educação física. Quanto aos referenciais teóricos que embasam tais discussões, observou-se que os mesmos possuem a filosofia como eixo comum, no entanto, desdobram-se em caminhos diferenciados, ora privilegiando o caráter sociológico-filosófico nas abordagens em sala de aula, ora o fisiológico-biomédico.

A presença de abordagens críticas relativas à excessiva valorização de dimensões como aparência e forma do corpo, ou de modelos de corpo, e discussões sobre eventuais relações desse contexto com o trabalho do professor de educação física representam um aspecto positivo na formação de professores de educação física na realidade estudada. No entanto, poderia apresentar maior inserção, já que discursos ligados à fabricação e modelagem de corpos, amplamente divulgados por meio da mídia, vêm influenciando o comportamento de crianças, adolescentes e adultos, com os quais o professor de educação física interage em sua prática, nos diferentes ambientes. Um exemplo que merece destaque é a discussão sobre o uso e prescrição de esteróides anabolizantes, temática essa originária de dúvidas de acadêmicos, e que poderiam proporcionar substrato para o empreendimento de dinâmicas destinadas a exercitar a capacidade crítica e o enfrentamento de dilemas que envolvem questões morais e éticas.

Nesse sentido, é fundamental que o professor de educação física esteja preparado para lidar criticamente com as novas demandas corporais, ou antes, que reflita sobre o impacto das mesmas no processo de sua formação. O papel do profissional/professor de educação física não se restringe a: organizar e fundamentar os conteúdos das práticas corporais; criar e desenvolver estratégias de ensino e ministrar aulas, muito menos, ensinar técnicas específicas ou de controle de peso9 9 Conforme proposto por Jacobson, Aldana e Collier (1997) em artigo referente à imagem corporal e suicídio. - mas, acima de tudo, educar.

Espera-se que os aspectos aqui discutidos possam fornecer alguns elementos para o constante repensar das práticas pedagógicas dos professores de educação física, uma vez que cabe ao professor, constantemente, refletir e discutir sobre suas estratégias de atuação no ou para a atuação do corpo.

Recebido em 12/02/08.

Aprovado em 04/08/08.

  • *
    Elaborado com base em Lüdorf (2004).
  • 1
    Distúrbios estes que podem levar à morte, como o caso de uma jovem modelo que veio a falecer de anorexia (Linhares, 2006).
  • 2
    O termo "estética", na filosofia, conforme Abbagnano (2000, p.367), designa "a ciência (filosófica) da arte e do belo", que recebeu diferentes interpretações em cada época. Este termo, entretanto, não será aqui utilizado na perspectiva filosófica, mas em seu sentido usual, mais comum, relacionado à beleza, à plástica e à aparência.
  • 3
    Sobre este assunto, ver reportagem de Cezimbra (2000).
  • 4
    A autora se refere, sobretudo, ao corpo da mulher, cujo ideal é ser magro, jovem e trabalhado.
  • 5
    Ver reportagem de Moherdaui (2002).
  • 6
    Embora esse seja o principal objetivo de qualquer curso de licenciatura plena, observa-se uma particularidade em relação à educação física, que é o direcionamento de muitos egressos e, mesmo, estagiários, ao mercado de trabalho não formal, como academias de ginástica, clubes etc.
  • 7
    Para nos referirmos aos professores entrevistados, utilizaremos P1, P2, P3 etc.
  • 8
    Lind (2004) criou o que chama de “The Konstanz Method of Dilemma Discussion” (KMDD).
  • 9
    Conforme proposto por Jacobson, Aldana e Collier (1997) em artigo referente à imagem corporal e suicídio.
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    * Elaborado com base em Lüdorf (2004). 1 Distúrbios estes que podem levar à morte, como o caso de uma jovem modelo que veio a falecer de anorexia (Linhares, 2006). 2 O termo "estética", na filosofia, conforme Abbagnano (2000, p.367), designa "a ciência (filosófica) da arte e do belo", que recebeu diferentes interpretações em cada época. Este termo, entretanto, não será aqui utilizado na perspectiva filosófica, mas em seu sentido usual, mais comum, relacionado à beleza, à plástica e à aparência. 3 Sobre este assunto, ver reportagem de Cezimbra (2000). 4 A autora se refere, sobretudo, ao corpo da mulher, cujo ideal é ser magro, jovem e trabalhado. 5 Ver reportagem de Moherdaui (2002). 6 Embora esse seja o principal objetivo de qualquer curso de licenciatura plena, observa-se uma particularidade em relação à educação física, que é o direcionamento de muitos egressos e, mesmo, estagiários, ao mercado de trabalho não formal, como academias de ginástica, clubes etc. 7 Para nos referirmos aos professores entrevistados, utilizaremos P1, P2, P3 etc. 8 Lind (2004) criou o que chama de “The Konstanz Method of Dilemma Discussion” (KMDD). 9 Conforme proposto por Jacobson, Aldana e Collier (1997) em artigo referente à imagem corporal e suicídio.

    Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      14 Abr 2009
    • Data do Fascículo
      Mar 2009

    Histórico

    • Aceito
      04 Ago 2008
    • Recebido
      12 Fev 2008
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