Oligochaeta (Annelida) de ambientes aquáticos continentais do Estado do Mato Grosso do Sul (Brasil)

Oligochaeta (Annelida) of continental aquatic environments from Mato Grosso do Sul (Brazil)

Alice Michiyo Takeda Daniele Sayuri Fujita Flávio Henrique Ragonha Danielle Katharine Petsch Maria Célia Montanholi-Martins Sobre os autores

RESUMO

Este trabalho teve como objetivo apresentar um levantamento das espécies de Oligochaeta em três regiões diferentes do estado do Mato Grosso do Sul (Baía, Ivinhema e Negro) em diversos ambientes (rios, lagoas, canais de ligação). Foram registradas 41 espécies de Oligochaeta, distribuídas em 5 famílias (Narapidae, Haplotaxidae, Opistocystidae, Alluroididae e Naididae). O estudo mostrou a riqueza de Oligochaeta na região do rio Negro em relação às regiões mais degradadas pela ação humana.

PALAVRAS-CHAVE:
Riqueza; zoobentos; planície de inundação; Programa Biota-MS

ABSTRACT

This study aimed a survey of Oligochaeta species in three different regions of Mato Grosso do Sul state (Baía, Ivinhema and Negro) in diverse environments (rivers, lakes, connecting channels). We recorded 41 Oligochaeta species, distributed in five families (Narapidae, Haplotaxidae, Opistocystidae, Alluroididae, and Naididae). The study showed Oligochaeta richness in river Negro regions in relation of regions degraded by human action.

KEYWORDS:
Richness; zoobentic; floodplain; Biota-MS Program

Oligochaeta é um grupo cujos pequenos espécimes habitam quase todos os nichos dos ecossistemas de água doce (Marchese, 1995Marchese, M. 1995. Annelida Oligochaeta. In: Lopreto, E. & Tell, G. eds. Ecosistemas de aguas continentales. Metodologías para su estudio. La Plata, Ediciones Sur. Tomo II, p.709-731.; Takeda & Fujita, 2004Takeda, A M. & Fujita, D. S. 2004. Benthic invertebrates. In: Thomaz, S. M.; Agostinho,. A. A & Hahn, N. S.eds. The Upper Paraná River and its Floodplain. Leiden, Backhuys Publishers, p. 192-207.), comumente encontrado em diversos corpos de água como as de bromélias, entre folhas e troncos de árvores em decomposição e sedimentos (Brinkhurst & Jamieson, 1971Brinkhurst, R. O. & Jamieson, B. M. G. 1971. Aquatic Oligochaeta of the world. Edinburgh, Oliver and Boyd. 860p. ; Gavrilov, 1977 Gavrilov, K. 1977. Oligochaeta. In: Hurbertu, S. H. ed. Biota Acuática de Sudamérica Austral. San Diego, San Diego State University, p.99-121. ; Marchese, 1995Marchese, M. 1995. Annelida Oligochaeta. In: Lopreto, E. & Tell, G. eds. Ecosistemas de aguas continentales. Metodologías para su estudio. La Plata, Ediciones Sur. Tomo II, p.709-731.).

Os primeiros registros de Oligochaeta em ambientes aquáticos brasileiros datam do início do século XX, mas somente entre as décadas de 1940 e 1960 é que houve um maior conhecimento sobre os oligoquetos límnicos no Brasil, devido aos trabalhos realizados pelos pesquisadores Marcus e Du Bois-Reymond Marcus (Righi, 2002 Righi, G. 2002. Anelídeos Oligoquetos. In: Ismael, D.; Valenti, W. C.; Matsumura-Tundisi, T. & Rocha, O. eds. Biodiversidade do Estado de São Paulo, Brasil. Invertebrados de água doce. São Paulo, FAPESP. vol. 4, p. 81-84.).

Entre as décadas de 1970 e 1990, os estudos realizados pelo professor Gilberto Righi consolidaram o atual conhecimento da taxonomia e sistemática de Oligochaeta no Brasil (Moreno & Mischis, 2004Moreno, A G. & Mischis, C. C. 2004. The status of Gilberto Righi’s collection at the museum of São Paulo. Righi memorial: tropical ecology. Pedobiologia 47(5-6):413-418. ; Römbke, 2004Römbke, J. 2004. The role of Gilberto Righi in the development of tropical taxonomy. Pedobiologia 47(5-6):405-412. ). Desde então, alguns trabalhos sobre a composição, distribuição e ecologia dos Oligochaeta aquáticos têm sido realizados (Takeda, 1999Takeda, A M. 1999. Oligochaeta community of alluvial upper Paraná River, Brazil: Spatial and temporal distribution (1987-1988). Hydrobiologia 412:35-42.; Alves & Strixino, 2000Alves, R. G. & Strixino, G. 2000. Distribuição espacial em uma lagoa marginal do Rio Mogi-Guaçu. Iheringia, Série Zoologia (88):173-180. ; Montanholi-Martins & Takeda, 2001 Montanholi-Martins, M. 2001. Spatial and temporal variations of oligochaetes of the Ivinhema River and Patos Lake in the Upper Paraná River Basin, Brazil. Hydrobiologia 463:197-205.; Collado & Schmelz, 2001Collado, R. & Schmelz, R. M. 2001. Descriptions of three Pristina species (Naididae, Clitellata) from Amazonian forest soils, including P. marcusi sp. nov. Hydrobiologia 463:1-11. ; Corbi & Trivinho-Strixino, 2002Corbi, J. J. & Trivinho-Strixino, S. 2002. Spatial and bathymetric distribution of the macrobenthic fauna of the Ribeirão das Anhumas Reservoir (Américo Brasiliense-SP, Brazil). Acta Limnologica Brasiliensia 14(1):35-42. , entre outros).

Na planície de inundação do alto rio Paraná, Oligochaeta é também um dos grupos mais abundantes, ocorrendo em diferentes ambientes (Takeda, 1999Takeda, A M. 1999. Oligochaeta community of alluvial upper Paraná River, Brazil: Spatial and temporal distribution (1987-1988). Hydrobiologia 412:35-42.; Takeda & Fujita, 2004Takeda, A M. & Fujita, D. S. 2004. Benthic invertebrates. In: Thomaz, S. M.; Agostinho,. A. A & Hahn, N. S.eds. The Upper Paraná River and its Floodplain. Leiden, Backhuys Publishers, p. 192-207.). Estudos desse grupo nessa planície vêm sendo realizados desde 1986, indicando que o ciclo hidrológico, a proximidade com o canal principal, tipo de sedimento e quantidade de matéria orgânica são importantes fatores que exercem influência sobre a variação espacial e temporal da abundância desses organismos (Takeda, 1999Takeda, A M. 1999. Oligochaeta community of alluvial upper Paraná River, Brazil: Spatial and temporal distribution (1987-1988). Hydrobiologia 412:35-42.; Montanholi-Martins & Takeda, 1999Montanholi-Martins, M. C. & Takeda, A M. 1999. Communities of benthic oligochaetes in relation to sediment structure in the Upper Paraná River, Brazil. Studies on Neotropical Fauna and Environment 34:52-58. , 2001 Montanholi-Martins, M. 2001. Spatial and temporal variations of oligochaetes of the Ivinhema River and Patos Lake in the Upper Paraná River Basin, Brazil. Hydrobiologia 463:197-205.).

Muitos estudos sobre a ocorrência, distribuição e riqueza de macroinvertebrados bentônicos foram feitos com insetos aquáticos e de crustáceos decápodos, mas raramente incluem o grupo de Oligochaeta (Alves et al., 2008Alves, R. G.; Marchese, M. R. & Martins, R. T. 2008. Oligochaeta (Annelida, Clitellata) of lotic environments at Parque Estadual Intervales (São Paulo, Brazil). Biota Neotropica 8(1):69-72. ). Objetiva-se apresentar um levantamento das espécies de Oligochaeta de diversos ambientes aquáticos do estado do Mato Grosso do Sul.

MATERIAL & MÉTODOS

Área de estudo. A região do rio Negro faz divisa entre Corguinho e Rio Negro e entre o município de Rio Negro e Rio Verde de Mato Grosso e atravessa o Pantanal de Aquidauana. A bacia do alto-rio-Negro é formada por nascentes localizadas nos municípios de Rio Negro. O rio flui para a planície pantaneira da qual é um dos principais provedores. Plantas aquáticas são comuns e abundantes em lagoas da região do médio e baixo rio Negro. Bancos de macrófitas não são frequentes nos canais principais e em quase toda área e rios da pesquisa (Foster et al., 2000Foster, R. B.; Pott, V. J. & Salis, S. D. 2000. Description of the Vegetation of the Rio Negro, Pantanal, Mato Grosso do Sul, Brasil. In: Willink, P. W.; Chernoff, B.; Alonso, L. E.; Montanbault, J. R. & Lourival, R. eds. Abiological Assessment of the Aquatic Ecosystems of the Pantanal, Mato Grosso do Sul, Brasil. Conservation International. 306p. ).

A região do rio Baía, de fluxo lento, é um ambiente conectado ao rio Paraná através de um canal na sua porção inferior. Ele apresenta canais sinuosos de variadas larguras, uma profundidade média de 3,2 m, uma baixa declividade e baixa corrente e está influenciado pelo regime hidrológico do rio Paraná (Thomaz et al., 1991Thomaz, S. M.; Roberto, M. C.; Lansac-Toha, F.. A; Esteves, F.. A & Lima, A F. 1991. Dinâmica temporal dos principais fatores limnológicos do rio Baía-planície de inundação do alto rio Paraná-MS, Brasil. Revista Unimar 13(2):299-312.).

A região do rio Ivinhema é localizada nos municípios de Naviraí, Taquarussu e Jateí e é onde o primeiro parque foi criado no estado de Mato Grosso do Sul. Os varjões do Parque do Ivinhema compreendem um dos últimos trechos livres de represamentos de tributários do rio Paraná. É uma área de inundações periódicas, que protege refúgios de espécies de animais e vegetais do cerrado, e da floresta estacional (Cesp, 2010CESP - Companhia Elétrica do Estado de São Paulo. Disponível em: <Disponível em: http://www.cesp.com.br/portalCesp/biblio.nsf/V03.01/unidades_conservacao/$file/unidade_conservacao.pdf >. Acesso em 14.09.2012.
http://www.cesp.com.br/portalCesp/biblio...
). O rio Ivinhema no trecho amostrado tem profundidade média em torno de 3,9 m, velocidade de corrente de 0,85 m.s-1 e é um dos principais afluentes da margem direita do rio Paraná (Souza Filho & Stevaux, 1997Souza Filho, E. E. & Stevaux, J. C. 1997. Geologia e geomorfologia do complexo rio Baia, Curutuba e Ivinheima. In: Vazzoler, A E. A M.; Agostinho,. A. A & Hahn, N. S. eds. Planície de Inundação do Alto rio Paraná. Maringá, EDUEM. 460p. ). (veja Tab. I para uma lista dos ambientes amostrados e suas respectivas coordenadas geográficas).

Tab. I
Coordenadas geográficas dos ambientes amostrados do Estado do Mato Grosso do Sul, Brasil.

Amostragem. Na planície de inundação do alto rio Paraná, as amostras foram coletadas trimestralmente em 2000, 2001 e 2010 em 24 estações de coleta (lagoas de inundação, canais secundários e canal principal) e de 2002 a 2007 em oito estações de coleta (selecionados a partir de 24 estações de coleta), nas proximidades do rio Ivinhema e rio Baía. Na região do rio Negro, foram realizadas amostragens em nove estações de coleta, em 1998.

Para as amostragens bênticas foi utilizado um pegador de fundo tipo Petersen modificado e posteriormente realizada a lavagem do material coletado em uma série de peneiras de malhas: 2,0 mm; 1,0 mm e 0,2 mm, sendo os organismos retidos nas duas primeiras malhas retirados e imediatamente fixados em álcool 80%. O sedimento retido na última peneira também foi fixado com álcool 80% para a posterior triagem sob microscópio estereoscópico. Após a triagem, as espécies de Oligochaeta foram identificadas utilizando-se as chaves de Brinkhurst & Jamieson (1971Brinkhurst, R. O. & Jamieson, B. M. G. 1971. Aquatic Oligochaeta of the world. Edinburgh, Oliver and Boyd. 860p. ), Righi (1984Righi, G. Oligochaeta. 1984. In: Schaden, R. ed. Manual de identificação de invertebrados límnicos do Brasil. Brasília, CNPq. 48p. ) e Brinkhurst & Marchese (1991Brinkhurst, R. O. & Marchese, M. R.1991. Guia para la identificación de oligoquetos aquáticos continentales de Sud y Centro América. Santo Tomé, A sociación de Ciencias Naturales del Litoral. 549p. ). O material está depositado no Laboratório de Zoobentos do Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (Nupelia) da Universidade Estadual de Maringá (Maringá, Paraná).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram registradas 41 espécies de Oligochaeta, distribuídas em cinco famílias (Narapidae, Haplotaxidae, Opistocystidae, Alluroididae e Naididae). Naididae foi a mais representativa, com 36 espécies pertencentes a Naidinae (19 espécies), Pristininae (10 espécies) e Tubificinae (7 espécies). Em relação a Narapidae, Haplotaxidae e Alluroididae, foi registrada apenas uma espécie para cada, e para Opistocystidae, duas espécies. De acordo com Righi (2002 Righi, G. 2002. Anelídeos Oligoquetos. In: Ismael, D.; Valenti, W. C.; Matsumura-Tundisi, T. & Rocha, O. eds. Biodiversidade do Estado de São Paulo, Brasil. Invertebrados de água doce. São Paulo, FAPESP. vol. 4, p. 81-84.), são atualmente conhecidas no Brasil cerca de 70 espécies de Oligochaeta, portanto o registro de 41 espécies em apenas um estado é um número considerável.

Naididae foi a família mais representativa nas três regiões amostradas, enquanto Haplotaxidae registrada apenas na região do rio Ivinhema. Na região do rio Baía, além de Naididae foram encontradas apenas Opistocystidae e Alluroididae. Na região do rio Ivinhema todas as famílias que ocorreram nesse estudo foram registradas, enquanto na região do rio Negro apenas Haplotaxidae não foi encontrada (Fig. 1).

Fig. 1
Número de espécies encontradas em cada família e subfamília nas três regiões amostradas no Estado do Mato Grosso do Sul, Brasil

Pristina americana, Aulodrulis pigueti, Slavina evelinae e Pristina proboscidae foram os táxons mais frequentes, ocorrendo na maior parte dos ambientes amostrados o que pode demonstrar a alta plasticidade ambiental dessas espécies. Entretanto, espécies como Dero (Aulophorus) costatus, Dero (Aulophorus) lodeni, Dero (Aulophorus) hymanae, Dero (Aulophorus) vaga, Nais variabilis e Aulodrilus adetus foram espécies menos frequentes, com ocorrência restrita a apenas uma região (Fig. 2).

Fig. 2
Frequência de ocorrência (%) das espécies de Oligochaeta registradas nos 33 ambientes amostrados do estado do Mato Grosso do Sul, Brasil.

Dentre os ambientes amostrados, alguns se destacam por apresentar maior número de espécies em relação aos demais. Na região do rio Baía, os ambientes de maior riqueza foram rio Baía (19 espécies) e o canal Curutuba (22 espécies), os quais têm médio fluxo de água; na região do rio Ivinhema, o rio Ivinhema (22 espécies) e lagoa Ventura (19 espécies); e na região rio Negro, o rio Abobral, com 17 espécies registradas (Tab. II).

Tab. II
Lista de espécies de Oligochaeta nos 33 ambientes amostrados do estado do Mato Grosso do Sul, Brasil. (1, Lagoa Aurélio; 2, Canal Baía; 3, Canal Curutuba; 4, Lagoa Fechada; 5, Lagoa Gavião; 6, Lagoa Guaraná; 7, Lagoa Maria Luíza; 8, Lagoa Onça; 9, lagoa Pousada das Garças; 10, Lagoa dos Porcos; 11, Rio Baía; 12, Lagoa Traíra; 13, Lagoa Boca do Ipoitã; 14, Lagoa Capivara; 15, Lagoa Cervo; 16, Lagoa Finado Raimundo; 17, Canal Ipoitã; 18, Rio Ivinhema; 19, Lagoa Jacaré; 20, Lagoa dos patos; 21, Lagoa Peroba; 22, Lagoa Sumida; 23, Lagoa Ventura; 24, Lagoa Zé do Paco; 25, Corixo Santo Antônio; 26, Brejo Santa Sofia; 27, Rio Novo; 28, Baía Bonita; 29, Lagoa Salina; 30, Rio Negro; 31, Rio Vermelho; 32, Rio Abobral; 33, Rio Negrinho).

Nos rios Ivinhema, Abobral, Vermelho e canal Ipoitã, Narapa bonettoi e Haplotaxis aedochaeta foram registradas. Essas espécies estão adaptadas a viver entre os interstícios dos grãos de areia com altas velocidades de fluxo, condições típicas de ambientes lóticos (Montanholi-Martins & Takeda, 2001 Montanholi-Martins, M. 2001. Spatial and temporal variations of oligochaetes of the Ivinhema River and Patos Lake in the Upper Paraná River Basin, Brazil. Hydrobiologia 463:197-205.; Bletter et al., 2008Bletter, M.; Amsler, M.; Ezcurra de Drago, I. & Marchese, M. 2008. Effects of stream hydraulics and other environmental variables on density of Narapa bonettoi (Oligochaeta) in the Paraná River system. River Research and Applications 14(8):1124-1140. ).

Foram registrados elevados valores de riqueza de Oligochaeta, com a região do rio Baía com 28 espécies, região do rio Ivinhema com 31 e região do rio Negro com 25 espécies. Algumas espécies foram registradas apenas em uma das regiões, como P. bisserata e L. udenkemianus na região rio Baía; H. aedochaeta, D. (A.) costatus, D. (A.) lodeni, D. (A.) hymanae, P. sima na região do rio Ivinhema e O. serrata, D. (D.) pectinata, D. (A.) vaga, N. variabilis, P. synclites, P. longidenata, na região do rio Negro (Fig. 3).

Fig. 3
Riqueza de Oligochaeta encontradas em apenas uma determinada região ou em mais de uma região, estado do Mato Grosso do Sul, Brasil.

Esses resultados demonstram a importância desses corpos de água para a manutenção da riqueza de Oligochaeta no estado do Mato Grosso do Sul. Na região do rio Negro, apesar de ter sido realizada apenas uma coleta, foi possível observar elevados valores de riqueza e de ocorrência exclusiva dessa região, aproximando o registro das regiões do rio Baía e rio Ivinhema coletados em 11 anos de monitoramento contínuo. Muitas espécies de Tubificinae vêm desaparecendo pouco a pouco ao longo dos anos na planície de inundação do alto rio Paraná, como Bothrioneurum americanum, Paranadrilus descolei e Branchiura sowerbyi antes abundantes e hoje muito raramente encontradas. Para esta redução, pode-se sugerir - apesar da distância - a influência da construção da barragem de Porto Primavera, e que vem afetando toda comunidade bentônica, inclusive a assembleia de Oligochaeta, indicando que essas espécies são excelentes sentinelas de mudanças ambientais.

Agradecimentos.

Agradecemos a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e a Superintendência de Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Sucitec/MS), pelo convite de participação neste fascículo especial da Iheringia, Série Zoologia e o suporte financeiro para sua publicação. E o financiamento e apoio do Pantanal AquaRAP/ Conservation International-Pantanal em 1998 e dos projetos CNPq/PELD/UEM/ Nupelia (Proc. 0230/98 e 4280/2010).

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    2017

Histórico

  • Recebido
    12 Dez 2016
  • Aceito
    06 Fev 2017
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