Ingestão de plástico por tartarugas marinhas no estado da Paraíba, Nordeste do Brasil

Camila Poli Daniel Oliveira Mesquita Cinthia Saska Rita Mascarenhas Sobre os autores

RESUMO

Atualmente, os plásticos são reconhecidos como um dos principais poluentes do ambiente marinho, representando uma séria ameaça para a vida marinha. Neste trabalho, nós examinamos a ocorrência e os efeitos da ingestão de plástico por tartarugas marinhas encontradas encalhadas ao longo da costa do estado da Paraíba, Brasil, de agosto de 2009 a julho de 2010. Noventa e oito tratos gastrointestinais foram examinados e plásticos foram encontrados em 20 (20,4%). Sessenta e cinco por cento (n = 13) das tartarugas com plástico no trato gastrointestinal eram da espécie verde (Chelonia mydas), 25% (n = 5) eram da espécie pente (Eretmochelys imbricata) e 10% (n = 2) eram da espécie oliva (Lepidochelys olivacea). Foi encontrado mais plástico no intestino (85%) do que em outras partes do trato gastrointestinal. Observou-se o completo bloqueio do trato gastrointestinal, devido à presença de plástico, em 13 das 20 tartarugas que ingeriram plástico. Não foi encontrada correlação entre o comprimento curvilíneo de carapaça (CCC) e o número ou massa dos itens plásticos ingeridos. Diferenças significativas foram encontradas entre a ingestão de plástico rígido e flexível e entre a ingestão de plástico branco/transparente e colorido, com os flexíveis e brancos/transparentes sendo ingeridos com mais frequência. Este estudo revelou o grave problema da poluição por resíduos plásticos para as tartarugas marinhas nesta área.

PALAVRAS-CHAVE
Ingestão de lixo marinho; bloqueio gastrointestinal; Chelonia mydas; Eretmochelys imbricata; Lepidochelys olivacea

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