Introdução: A injúria renal aguda (IRA) é uma complicação comum no pós-operatório (IRA-PO), ocorrendo em até 35% das cirurgias não cardíacas. Alguns biomarcadores têm demonstrado valor na identificação precoce, mas são pouco utilizados na prática clínica devido ao alto custo. O escore SPARK e a razão hemoglobina/amplitude de distribuição eritrocitária (Hb/RDW) têm emergido como alternativas acessíveis para a predição de IRA-PO.
Objetivo: Avaliar os estudos sobre os preditores SPARK e biomarcadores hematológicos utilizados na estratificação de risco para IRA-PO em cirurgias não cardíacas.
Métodos: Revisão integrativa conduzida em quatro bases de dados (PubMed/MEDLINE, LILACS, Embase e Web of Science), abrangendo publicações entre 2019 e 2025, em português e inglês. Foram incluídos estudos com adultos submetidos a cirurgias não cardíacas. A seleção foi documentada por meio do fluxograma PRISMA 2020.
Resultados: Seis estudos foram incluídos. O escore SPARK apresentou AUCs variando de 0,69 a 0,81 nas validações externas, com desempenho superior em modelos modificados para populações específicas. O índice Hb/RDW demonstrou boa acurácia (AUC 0,714; sensibilidade 72,7%; especificidade 70,8%) em pacientes idosos ortopédicos, com queda associada ao risco aumentado de IRA-PO.
Discussão: A eficácia do SPARK depende do perfil populacional, destacando a importância da validação externa e de ajustes contextuais. A Hb, o RDW e a razão Hb/RDW mostram-se ferramentas promissoras como complemento ao SPARK.
Conclusão: A aplicação do SPARK pode ser limitada em diferentes contextos. Biomarcadores simples como Hb, RDW e Hb/RDW apresentam bom potencial preditivo, podendo melhorar a identificação precoce de pacientes com risco de IRA-PO.
Descritores:
Medição de Risco; Hemoglobina; Índices de Eritrócitos; Injúria Renal Aguda; Complicações Pós-Operatórias; Fatores de Risco.
Thumbnail
