Editorial

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Luisane Maria Falci Vieira

EDITORIAL EDITORIAL

Ora (direis) discutir tabelas!

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto...

Olavo Bilac

Em um jornal eminentemente científico, poderiam dizer, como ao poeta que acordava à noite para ouvir estrelas, que eu perdi o senso. Contudo gostaria de me valer do espaço privilegiado do JBPML para, sim, discutir tabelas.

O saber e o fazer científico encontram sua máxima justificativa e valor quando, ao final, o que era ciência básica torna-se ciência aplicada ao bem-estar da humanidade e do planeta. Percorrendo o nosso jornal ao longo do tempo, é fácil perceber o processo pelo qual o que hoje parece distante da realidade dos laboratórios clínicos logo se torna um procedimento de rotina para, em outro momento, ser substituído por um procedimento ainda mais aperfeiçoado. O inverso também é verdadeiro, pois, da viabilidade do uso de um novo procedimento para o melhor cumprimento da missão da medicina laboratorial junto aos pacientes, dependem muitas vezes o esforço e o investimento despendidos em sua pesquisa.

Nesse contexto, acompanhamos com grande interesse as atuais bandeiras de luta da Associação Médica Brasileira (AMB) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), voltadas para o resgate das condições de trabalho e da remuneração minimamente compatíveis com a função social da medicina. São inúmeros os projetos de lei que tramitam no Congresso, como a Lei do Ato Médico, a Lei dos Conselhos e a reforma tributária. Além disso, no âmbito da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), transcorre a eterna luta pela melhoria do Sistema Único de Saúde (SUS) e pela regulamentação das relações entre prestadores e compradores de serviços de saúde. Contudo temos certeza de que o ponto central das nossas reivindicações é o pleno reconhecimento da nova Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). A tabela é resultado de anos de esforço conjunto da AMB e do CFM, com o valioso apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

A constante busca por uma relação ética e equilibrada entre laboratórios clínicos, médicos e compradores de serviços de diagnóstico é cada vez mais necessária à sobrevivência, e não só à contínua evolução das nossas especialidades. A SBPC/ML, ciente de sua responsabilidade no tratamento desse assunto, atendeu ao chamado dessas entidades e colaborou, tentando aperfeiçoar esse novo instrumento, adaptando-o à realidade do nosso setor.

Mas, para que alcancemos os resultados esperados, é preciso que cada um faça a sua parte. Sem a implantação responsável da CBHPM para o balizamento das relações comerciais de cada laboratório, não será possível resgatar o reconhecimento do trabalho laboratorial, tanto no cenário público como no privado.

O momento de implantação é decisivo e dele depende o nosso futuro.

Luisane Maria Falci Vieira

Diretora Científica da SBPC/ML

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    21 Jun 2004
  • Data do Fascículo
    Abr 2004
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