Simpatectomia torácica por videotoracoscopia

Jorge Montessi Edmílton Pereira de Almeida João Paulo Vieira Marcus da Matta Abreu Renato Lucas Passos de Souza Oswaldo Victor Duarte Montessi Sobre os autores

CARTA AO EDITOR

Simpatectomia torácica por videotoracoscopia

Jorge MontessiI; Edmílton Pereira de AlmeidaII; João Paulo VieiraIII; Marcus da Matta AbreuIV; Renato Lucas Passos de SouzaV; Oswaldo Victor Duarte MontessiVI

IDoutor em Medicina na área de Cirurgia Torácica. Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF – Juiz de Fora (MG) Brasil

IIProfessor Assistente do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF – Juiz de Fora (MG) Brasil

IIIMestre em Cirurgia Torácica. Faculdade de Ciências Médicas. Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora – SUPREMA – Juiz de Fora (MG) Brasil

IVResidente de Cirurgia Torácica. Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF – Juiz de Fora (MG) Brasil

VAcadêmico do 6º ano de Medicina. Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF – Juiz de Fora (MG) Brasil

VIAcadêmico do 4º ano de Medicina. Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora – SUPREMA – Juiz de Fora (MG) Brasil

O objetivo do nosso estudo,(1) publicado no número de maio/junho do Jornal Brasileiro de Pneumologia, foi comparar o grau de satisfação dos pacientes submetidos à simpatectomia e a presença de sudorese reflexa em diferentes níveis de ablação, e não descrever de forma detalhada procedimentos já consagrados pela comunidade científica especializada. A lacuna científica a ser preenchida pelos autores foi identificar, de forma retrospectiva, qual conduta cirúrgica obteve os melhores resultados quanto ao controle da hiperidrose, além de investigar qual delas seria a mais adequada para minimizar as possíveis complicações pós-operatórias, principalmente a sudorese reflexa, responsável por grande parte da insatisfação dos pacientes com a cirurgia. Um outro aspecto igualmente relevante é que nenhum dos revisores que avaliaram o estudo em tela teceu qualquer comentário sobre a descrição do método ou sobre a análise dos dados contemplados. Cabe ressaltar que o Corpo Editorial do Jornal Brasileiro de Pneumologia é formado por pesquisadores da mais alta relevância científica, inclusive de destaque no cenário internacional da especialidade, sendo o periódico categorizado como Qualis C Internacional. As divergências de natureza científica são os alicerces de sustentação da ciência; desta forma, publicamos nossos dados com o objetivo de contribuir para preencher uma lacuna científica e agregar valor ao corpo de conhecimento sobre o assunto em voga.

Quanto ao Editorial escrito por de Campos & Kauffman,(2) gostaríamos de comentar:

Os autores supracitados referem-se à década de 1990. Na realidade, década significa dez, então deveria ser década de 90.(2)

Os autores citam estudos de diferentes grupos de pesquisa, e em especial da América do Norte, sem apresentá-los nas referências bibliográficas e somente referenciam dois estudos do próprio grupo.(2)

No quarto parágrafo, os autores mencionam que existe um consenso na comunidade científica sobre a preservação do segundo gânglio da cadeia simpática; todavia, ainda não existe uma revisão sistemática com meta-análise sobre a temática.(2)

Inquietudes científicas às quais responderemos:(3)

Desde o paciente 40, dos 732 operados até o momento, não utilizamos mais intubação com tubo de duplo lúmen, pois o procedimento é muito rápido (2 a 5 minutos), sendo os pacientes controlados com oximetria e capnografia. Em somente 1 dos 18 casos de aderências encontradas, não conseguimos espaço pleural para operação: o caso de um paciente portador de empiema na infância. Realizamos incisão única de 7 mm, posição semi-sentada, braços apoiados em confortável braçadeira idealizada pelo nosso grupo, evitando distensão do plexo braquial. Não operamos pacientes com índice de massa corporal acima de 30 kg/m2 e que tenham co-morbidades cardíacas, endócrinas e doenças pleuro-pulmonares ativas ou prévias.(3) Nosso índice de recidiva foi reatualizado no mês de junho de 2007 após 612 operações, modificando-se de 1,15% para 0,85%, o que é compatível com a literatura.(4) Os autores do Editorial supracitado citam taxas de recidiva de 8,2% na palmar e 13% na axilar.(2,5) Finalmente, vale ressaltar que realizamos de 3 a 10 simpatectomias por semana e sempre ensinamos a nossos alunos de graduação e residentes que a ética profissional e científica é incompatível com desvios.

Referências

1. Montessi J, Almeida EP, Vieira JP, Abreu MM, Souza RLP, Montessi OVD. Simpatectomia torácica por videotoracoscopia para tratamento da hiperidrose primária: estudo retrospectivo de 521 casos comparando diferentes níveis de ablação. J Bras Pneumol. 2007;33(3):248-54.

2. de Campos JRM, Kauffman P. Editorial. Simpatectomia torácica por videotoracoscopia para tratamento da hiperidrose primária. J Bras Pneumol. 2007;33(3):xv-xvii.

3. Almeida EP, Montessi J, Vieira JP, Marsico GA. Simpatectomia Torácica. HU Revista. 2004;30(1):23-6.

4. Leão LEV, Oliveira R, Szule R, Mari JJ, Crotti PL, Gonçalves JJ. Role of video-assisted thoracoscopic sympathectomy in the treatment of primary hyperhidrosis. São Paulo Med J. 2003;121(5):191-7.

5. de Campos JR, Kauffman P, Werebe Ede C, Andrade Filho LO, Kusniek S, Wolosker N, et al. Quality of life, before and after thoracic sympathectomy: report of 378 operated patients. Ann Thorac Surg. 2003;76(3):886-91.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    09 Nov 2007
  • Data do Fascículo
    Out 2007
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