Objetivos: Este estudo avaliou as percepções de cuidadores familiares informais (não profissionais) em relação a um serviço comunitário de cuidado a pessoas que vivem com demência e examinou os efeitos preliminares e a adesão a um programa interdisciplinar com intervenções culturalmente adaptadas no Brasil.
Métodos: Foi realizada uma análise textual retrospectiva de 17 depoimentos de cuidadores provenientes de 30 díades, utilizando o software IRaMuTeQ e o método de Classificação Hierárquica Descendente. O teste do qui-quadrado avaliou associações entre palavras e classes lexicais. Emergiram seis categorias: Reestruturação positiva da percepção da doença e estratégias de enfrentamento; Aprendizagem e aprimoramento do manejo da doença; Aprendizagem e adaptação ao papel de cuidador; Transformações comportamentais e reengajamento em atividades; Reconhecimento e valorização da abordagem humanizada e interdisciplinar; e Impactos positivos da participação em programas de reabilitação.
Resultados: A taxa média de frequência semanal foi de 89,02% (±10,65%). Os cuidadores relataram mudança do medo e estigma para a aceitação e manejo proativo, com aumento da confiança, do bem-estar emocional e da preparação. As experiências compartilhadas e as redes de apoio foram valorizadas, assim como o modelo de cuidado centrado na pessoa. A participação foi vista como transformadora e benéfica para a dinâmica familiar.
Conclusão: O programa demonstrou alta adesão e adequação cultural, com resultados preliminares promissores. São necessários mais estudos para avaliar sua efetividade a longo prazo e a potencial aplicabilidade em contextos mais amplos.
PALAVRAS-CHAVE
Demência; Doença de Alzheimer; Reabilitação interdisciplinar; Intervenção não farmacológica; Cuidador
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