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Prevalência de transtornos mentais em profissionais de saúde durante a pandemia da COVID-19: revisão sistemática

Prevalence of mental disorders in healthcare professionals during the COVID-19 pandemic: a systematic review

Fabrício Emanuel Soares de Oliveira Samuel Trezena Costa Verônica Oliveira Dias Hercilio Martelli Júnior Daniella Reis Barbosa Martelli Sobre os autores

RESUMO

Objetivo:

Realizar uma revisão sistemática da literatura avaliando a prevalência de transtornos mentais em profissionais da saúde durante a pandemia da COVID-19.

Métodos:

Trata-se de revisão sistemática conduzida com base no checklist Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). As bases de dados usadas foram a Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) e os serviços da United States National Library of Medicine (NLM) via PubMed, com as estratégias de busca: “COVID-19” AND “Saúde mental”; “COVID-19” AND “Saúde mental” AND “pessoal de saúde”, em português e inglês, selecionando artigos observacionais e/ou de prevalência publicados a partir de 2020.

Resultados:

A busca resultou na identificação de 18.643 artigos, e a amostra final foi composta por 9 artigos. Os sintomas mais frequentes foram os de depressão, ansiedade e insônia em profissionais que atuaram no período da pandemia da COVID-19, predominantemente do sexo feminino e idade média de 34,5 anos. A média da prevalência de ansiedade, depressão e insônia foi, respectivamente, de 40,3%, 39,9% e 36,1%, aferidas em 8.866 profissionais da saúde. Os profissionais atuantes na linha de frente no combate à COVID-19 apresentaram maiores prevalências de transtornos mentais comuns em relação a outros profissionais de saúde.

Conclusões:

Mostraram-se associadas a maiores prevalências de sintomas de TMC: sexo feminino, atuação na linha de frente, maior jornada de trabalho, histórico de uso de medicamentos psicotrópicos, condições inadequadas de trabalho, uso de álcool e tabaco e atuação na área de enfermagem. Observa-se a importância de estratégias de atenção à saúde mental dos profissionais de saúde.

PALAVRAS-CHAVE
Saúde mental; profissionais de saúde; COVID-19; ansiedade; depressão

ABSTRACT

Objective:

To conduct a systematic review of the literature evaluating the prevalence of mental disorders in health professionals during the COVID-19 pandemic.

Methods:

This is a systematic review conducted based on the guidelines of the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) checklist. The databases used were the Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) and the services of the United States National Library of Medicine (NLM) via PubMed, with the search strategies: “COVID-19” AND “Mental health”; “COVID-19” AND “Mental health” AND “health personnel”, in Portuguese and English, selecting observational and/or prevalence articles published from 2020 onwards.

Results:

The search resulted in the identification of 18,643 articles, and the final sample consisted of 9 articles. The most frequently evaluated symptoms were symptoms of depression, anxiety and insomnia in professionals who worked during the COVID-19 pandemic period, predominantly female and mean age of 34.5 years. The average prevalence of anxiety, depression and insomnia was respectively 40.3%, 39.9% and 36.1%, measured in 8,866 health professionals. Health professionals working on the front line in the fight against Covid-19 had higher prevalence of common mental disorders in relation to other health professionals.

Conclusions:

The following were associated with a higher prevalence of CMD symptoms: female sex, frontline work, longer working hours, history of psychotropic medication use, inadequate working conditions, use of alcohol and tobacco, and work in the nursing field. The importance of mental health care strategies for health professionals is observed.

KEYWORDS
Mental health; health professionals; COVID-19; anxiety; depression

INTRODUÇÃO

Em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan na China, surgiram os primeiros casos de uma infecção respiratória causada por um vírus da família dos coronavírus. Esse novo vírus é o SARS-CoV-2, causador da COVID-19, e nos primeiros meses de 2020 ele se espalhou rapidamente pelos continentes11 Cheng Z, Shan J. 2019 Novel coronavirus: where we are and what we know. Infection. 2020;48(2):155-63.. E, assim, em 11 de março de 2020 a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia da COVID-1922 Abate BB, Kassie AM, Kassaw MW, Aragie TG, Masresha SA. Sex difference in coronavirus disease (COVID-19): a systematic review and meta-analysis. BMJ Open. 2020;10:e040129.,33 Huang Y, Zhao N. Generalized anxiety disorder, depressive symptoms and sleep quality during COVID-19 outbreak in China: a web-based cross-sectional survey. Psychiatry Res. 2020;288:112954..

A COVID-19 causa sintomas respiratórios semelhantes aos da infecção causada pelo vírus da gripe, com sintomas de leve intensidade, na maioria dos casos, ou, em algumas pessoas, nenhum sintoma, porém uma parcela dos indivíduos infectados apresenta a doença na sua forma grave, podendo evoluir para o óbito44 Xu XW, Wu XX, Jiang XG, Xu KJ, Ying LJ, Ma CL, et al. Clinical findings in a group of patients infected with the 2019 novel coronavirus (SARS-CoV-2) outside of Wuhan, China: retrospective case series. BMJ. 2020;368:m606.,55 World Health Organization (WHO). World health statistics 2021: monitoring health for the SDGs, sustainable development goals. Geneva: WHO; 2021.. Como a doença se espalhou rapidamente, infectando mais de 300 milhões de pessoas no período de dezembro de 2019 a janeiro de 202266 World Health Organization. Overview of coronavirus (COVID-19). Disponível em: https://covid19.who.int/. Acesso em: 10 jan. 2022.
https://covid19.who.int/...
, houve uma sobrecarga da capacidade de atendimento do sistema de saúde em vários países, o que prejudicou ainda mais a situação de pacientes que tiveram a forma grave da doença55 World Health Organization (WHO). World health statistics 2021: monitoring health for the SDGs, sustainable development goals. Geneva: WHO; 2021..

Além do impacto direto na saúde da população mundial, a pandemia da COVID-19 provocou mudanças significativas na vida da população, que teve que se adaptar às novas regras e hábitos sociais para evitar a disseminação do vírus, como o isolamento social, uso de máscara, maior frequência de cuidados com a higiene, entre outros77 Duarte M, Santo M, Lima C, Giordani J, Trentini C. COVID-19 e os impactos na saúde mental: uma amostra do Rio Grande do Sul, Brasil. Ciênc Saúde Coletiva. 2020;25(9):3401-11.. As mudanças causadas pela pandemia colocam a população sob fatores de risco que podem levar a um aumento dos casos de adoecimento mental, como foi demonstrado em estudos que avaliaram a saúde mental no período da pandemia88 Barros M, Lima M, Malta D, Szwarcwald C, Azevedo R, Romero D, et al. Relato de tristeza/depressão, nervosismo/ansiedade e problemas de sono na população adulta brasileira durante a pandemia de COVID-19. Epidemiol. Serv. Saúde. 2020;29(4):e2020427.1010 Taquet M, Sierra L, Geddes J, Harisson P. Bidirectional associations between COVID-19 and psychiatric disorder: retrospective cohort studies of 62354 COVID-19 cases in the USA. Lancet Psychiatry. 2020;8(2):130-40..

Goldberg e Huxley1111 Goldberg D, Huxley P. Common mental disorders: a Biosocial Model. 2nd ed. London: Tavistock/Routledge; 1993. desenvolveram a expressão transtornos mentais comuns (TMC) para definir manifestações de sintomas do adoecimento mental que não necessariamente se configuram como um diagnóstico descrito em manuais nosológicos, mas trazem sofrimento. Eles envolvem sintomas não psicóticos que podem englobar a tristeza, ansiedade, sintomas depressivos, irritabilidade, cansaço, distúrbios do sono e sintomas somáticos1212 Koopmans G, Donker M, Rutten F. Common mental disorders and use of general health services: a review of the literature on population-based studies. Acta Psychiatr Scand. 2005;111(5):341-50.1414 Jacka F, Reavley N, Jorm A, Toumbourou J, Lewis A, Berk M. Prevention of Common Mental Disorders: What Can We Learn from Those Who Have Gone before and Where Do We Go Next? Aust N Z J Psychiatry. 2013;47(10):920-9.. Profissionais de saúde podem estar sujeitos a fatores que levam a uma maior manifestação de TMC1515 Carvalho C, Melo-Filho D, Carvalho J, Amorim A. Prevalência e fatores associados aos transtornos mentais comuns em residentes médicos e da área multiprofissional. J Bras Psiquiatria. 2013:62(1)38-45.1717 Santana L, Sarquis L, Brey C, Miranda F, Felli V. Absenteísmo por transtornos mentais em trabalhadores de saúde em um hospital no sul do Brasil. Rev Gaúcha Enferm. 2016;37(1):e53485. e, quando comparados à população em geral, os índices de prevalência desses sintomas são maiores1818 Carvalho D, Araújo T, Bernardes K. Transtornos mentais comuns em trabalhadores da Atenção Básica à Saúde. Rev Bras Saúde Ocup. 2016;41:e17.2121 Santos F, Brito M, Pinho L, Cunha F, Neto J, Fonseca A, et al. Common mental disorders in nursing technicians of a university hospital. Rev Bras Enferm. 2020;73(1):e20180513..

O cenário da pandemia da COVID-19 propiciou um aumento de estudos que objetivaram avaliar seus impactos nos profissionais de saúde, inclusive em relação à saúde mental. Dessa forma, torna-se necessária a realização de estudos que visem sintetizar as evidências sobre esses impactos.

Tendo em vista que a pandemia da COVID-19 causou impacto na saúde mental da população em geral88 Barros M, Lima M, Malta D, Szwarcwald C, Azevedo R, Romero D, et al. Relato de tristeza/depressão, nervosismo/ansiedade e problemas de sono na população adulta brasileira durante a pandemia de COVID-19. Epidemiol. Serv. Saúde. 2020;29(4):e2020427.1010 Taquet M, Sierra L, Geddes J, Harisson P. Bidirectional associations between COVID-19 and psychiatric disorder: retrospective cohort studies of 62354 COVID-19 cases in the USA. Lancet Psychiatry. 2020;8(2):130-40. e que profissionais de saúde apresentam maior prevalência de transtornos mentais1818 Carvalho D, Araújo T, Bernardes K. Transtornos mentais comuns em trabalhadores da Atenção Básica à Saúde. Rev Bras Saúde Ocup. 2016;41:e17.2121 Santos F, Brito M, Pinho L, Cunha F, Neto J, Fonseca A, et al. Common mental disorders in nursing technicians of a university hospital. Rev Bras Enferm. 2020;73(1):e20180513., é esperado que a pandemia tenha causado um aumento significativo de casos de transtornos mentais nesse público específico. Nesse sentido, este estudo realizou uma revisão sistemática da literatura avaliando a prevalência de transtornos mentais em profissionais de saúde durante a pandemia da COVID-19.

MÉTODOS

Protocolo e registro

Trata-se de uma revisão sistemática de literatura executada conforme recomendações da Declaração Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA)2222 Moher D, Liberati A, Tetzlaff J, Altman DG; The PRISMA Group. Preferred reporting items for systematic reviews and meta-analyses: The PRISMA Statement. Ann Intern Med. 2009;151(4):264-9., conduzida pela pergunta norteadora: “Qual a prevalência de transtornos mentais comuns em profissionais de saúde durante a pandemia da COVID-19?”. O estudo foi previamente planejado, entre os meses de abril e maio de 2021, e submetido à International Prospective Register of Systematic Reviews (PROSPERO), tendo sua aprovação em 22 de junho de 2021 (#CRD42021262075).

Critérios de elegibilidade

A estratégia PECOS foi adotada como método de formulação da pergunta do estudo e da definição dos critérios de inclusão. Assim, definiu-se como sendo: a população (P), os profissionais de saúde e a exposição (E) à pandemia da COVID-19. A comparação (C) não foi aplicada nesta revisão; o desfecho ou outcome (O), os transtornos mentais comuns e os estudos (S) de interesses foram os estudos transversais de prevalência.

Fontes de informação e busca

As plataformas de dados buscadas foram a Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) (https://bvsalud.org/) e os serviços da United States National Library of Medicine (NLM) via PubMed (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/). Na BVS, cada estratégia de busca foi realizada primeiramente em inglês e depois em português.

Estratégias de busca

Foram utilizados os descritores presentes no Medical Subject Heading (MeSH) e no Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “COVID-19”; “Mental health”; “Health personnel”, bem como os mesmos na língua portuguesa (“COVID-19”; “Saúde mental”; “Pessoal de saúde”). Para melhor refinamento e seleção criteriosa dos estudos, o operador booleano AND foi utilizado, e as estratégias aplicadas foram: “COVID-19ANDMental health”; “COVID-19ANDMental healthANDHealth personnel”; “COVID-19AND “Saúde mental”; “COVID-19” AND “Saúde mental” AND “Pessoal de saúde”. Para a exclusão dos estudos duplicados, foi usado o EndNote Web software (https://endnote.com/).

Fluxo de seleção de artigos e análise dos dados

A busca dos artigos foi realizada e conferida por dois pesquisadores independentes e em quatro etapas, sendo elas: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. Como a variável de desfecho de interesse à revisão é a prevalência de TMC, aferida por instrumentos validados, em profissionais da saúde, as pesquisas de outra natureza (revisões de literatura, sistemáticas, de metanálise ou integrativas, ensaios clínicos randomizados, pesquisas qualitativas e estudos de caso) foram excluídas, aplicando filtros de seleção de artigos observacionais e/ou de prevalência. Devido ao fato de a pandemia da COVID-19 ter se iniciado no primeiro trimestre de 2020, a seleção dos estudos foi restringida a partir dessa data. Também foram utilizados os filtros de idioma, selecionando artigos publicados em inglês, português e espanhol, e de texto completo.

Na etapa da identificação estão os artigos encontrados nas bases de dados após a aplicação das estratégias de busca bibliográfica. Na fase de triagem foi realizada a leitura dos títulos e resumos, e foram eleitos para leitura na íntegra os artigos que especificaram quais eram os profissionais de saúde estudados, que utilizaram instrumentos validados e que avaliavam sintomas de TMC, seguindo a definição de Goldberg e Huxley1111 Goldberg D, Huxley P. Common mental disorders: a Biosocial Model. 2nd ed. London: Tavistock/Routledge; 1993.. Foram considerados elegíveis os artigos científicos que avaliaram sintomas de ansiedade, depressão e pelo menos mais uma das seguintes categorias de sintomas: os distúrbios do sono e sintomas somáticos.

Análise da qualidade dos estudos e risco de viés

Na etapa da elegibilidade os artigos selecionados foram submetidos a uma análise da qualidade dos estudos e avaliação quanto ao risco de viés, utilizando como referência o checklist para avaliação de artigos de pesquisa proposto por Durant2323 Durant R. Checklist for the evaluation of research articles. J Adolesc Health. 1994;15(1):4-8.. O checklist em questão é composto de vários itens que avaliam estudos experimentais, quase-experimentais, transversais e retrospectivos, sendo selecionados 12 pontos, em formato de perguntas, que analisam rigorosamente os estudos observacionais.

As perguntas utilizadas foram: P1 – Os objetivos ou as hipóteses estão claramente definidos?; P2 – Na introdução, durante a revisão de literatura, há fundamentos teóricos que justificam as hipóteses que estão sendo estudadas?; P3 – Os métodos selecionados são apropriados para testar adequadamente as hipóteses?; P4 – Os critérios de inclusão e exclusão dos participantes estão descritos?; P5 – A amostra estudada está claramente descrita (processo de amostragem, tamanho, características demográficas); P6 – A amostra do estudo é suficiente para testar as hipóteses? (a amostra mínima foi de 325 participantes, considerando os seguintes critérios para o cálculo amostral: população: 1.000.000; intervalo de confiança: 95%; prevalência estimada: 32%2424 Alves A, Pedrosa L, Coimbra M, Miranzi M, Hass V. Prevalência de transtornos mentais comuns entre profissionais de saúde. Rev Enferm UERJ. 2015;23(1):64-9.; precisão de 5%); P7 – Os testes, instrumentos e questionários usados para medir as variáveis foram submetidos a testes de validade e confiabilidade?; P8 – Os testes estatísticos submetidos para analisar os dados foram claramente descritos?; P09 – Os achados foram apresentados de forma concisa e objetiva, de forma clara e com detalhes suficientes?; P10 – A construção dos achados é consistente? (somatórios em gráficos e tabelas estão corretos, apresentação de dados suficientes nas tabelas e no texto de forma adequada, variáveis contínuas são apresentadas com média e desvio-padrão); P11 – Os níveis de probabilidade apropriados (valores de p) foram usados para determinar a significância estatística; P12 – Há limitações do estudo e/ou recomendações para pesquisas futuras?

Para realizar a análise da qualidade dos artigos, as opções de respostas para as perguntas citadas são: sim; não; parcialmente e dados faltantes. Os artigos que tiveram respostas “não” e “dados faltantes” em pelo menos uma das perguntas foram excluídos. A composição final dos artigos foi de pesquisas que responderam positivamente (sim ou parcialmente) às perguntas, a partir da discussão e consenso entre os dois avaliadores independentes.

RESULTADOS

O processo de busca resultou na identificação de 18.643 artigos; após a aplicação dos filtros descritos na metodologia e exclusão dos artigos duplicados, restaram 1.326. Na fase de elegibilidade, 17 artigos atenderam aos critérios de inclusão e passaram pela análise da qualidade dos estudos, e a amostra final foi composta por 9 artigos. Todo o processo de obtenção dos estudos está contido na figura 1.

Figura 1
Fluxograma da seleção dos artigos.

Cinco estudos avaliaram profissionais de saúde de países asiáticos (Bangladesh, China, Nepal e Omã)2525 Barua L, Zaman M, Omi F, Faruque M. Psychological burden of the COVID-19 pandemic and its associated factors among frontline doctors of Bangladesh: a cross-sectional study. F1000Res. 2020;9:1304.2929 Alshekaili I, Hassan W, Said N, Sulaimani F, Jayapal S, Al-Mawali A, et al. Factors associated with mental health outcomes across healthcare settings in Oman during COVID-19: frontline versus non-frontline healthcare workers. BMJ Open. 2020;10:e042030., dois estudos de países europeus (Reino Unido e Polônia)3030 Maciaszek J, Ciulkowicz M, Misiak B, Szczesniak D, Luc D, Wieczorek T, et al. Mental Health of Medical and Non-Medical Professionals during the Peak of the COVID-19 Pandemic: A Cross-Sectional Nationwide Study. J Clin Med. 2020;9(8):2527.3131 Pappa S, Barnett J, Berges I, Sakkas N. Tired, Worried and Burned Out, but Still Resilient: A Cross-Sectional Study of Mental Health Workers in the UK during the COVID-19 Pandemic. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(9):4457., um da África (Quênia)3232 Shah J, Monroe-Wise A, Talib Z, Nabiswa A, Said M, Abeid A, et al. Mental health disorders among healthcare workers during the COVID-19 pandemic: a cross-sectional survey from three major hospitals in Kenya. BMJ Open. 2021;11:e050316. e um da América (Estados Unidos)3333 Sagherian K, Steege L, Cobb S, Cho H. Insomnia, fatigue and psychosocial well-being during COVID-19 pandemic: A cross-sectional survey of hospital nursing staff in the United States. J Clin Nurs. 2020:1-14.. Quatro estudos2626 Cai Q, Feng H, Huang J, Wang M, Wang Q, Lu X, et al. The mental health of frontline and non-frontline medical workers during the coronavirus disease 2019 (COVID-19) outbreak in China: A case-control study. J Affect Disord. 2020;275:210-5.,2727 Lai J, Ma S, Wang Y, Cai Z, Hu J, Wei N, et al. Factors Associated With Mental Health Outcomes Among Health Care Workers Exposed to Coronavirus Disease 2019. JAMA Netw Open. 2020;3(3):e203976.,2929 Alshekaili I, Hassan W, Said N, Sulaimani F, Jayapal S, Al-Mawali A, et al. Factors associated with mental health outcomes across healthcare settings in Oman during COVID-19: frontline versus non-frontline healthcare workers. BMJ Open. 2020;10:e042030.,3232 Shah J, Monroe-Wise A, Talib Z, Nabiswa A, Said M, Abeid A, et al. Mental health disorders among healthcare workers during the COVID-19 pandemic: a cross-sectional survey from three major hospitals in Kenya. BMJ Open. 2021;11:e050316. apresentam como diferencial a comparação entre os níveis de TMC entre profissionais que atuam ou não na linha de frente no combate à COVID-19. Os sintomas avaliados com mais frequência foram os sintomas de depressão, ansiedade e insônia em médicos e enfermeiros que atuaram no período de pandemia da COVID-19, predominantemente do sexo feminino e idade média de 34,5 anos. O Patient Health Questionnaire (PHQ-4 e PHQ-9) é o instrumento que apareceu com mais frequência nos estudos, seguido pelo General Anxiety Disorder (GAD-7 e GAD-4) (Tabela 1).

Tabela 1
Características dos estudos incluídos na revisão

A tabela 2 apresenta os objetivos, síntese dos resultados, limitações e recomendação dos estudos. Em sua totalidade, os estudos objetivavam avaliar os efeitos da pandemia, além de comparar se a atuação na linha de frente, ou o atendimento direto aos pacientes infectados pela COVID-19, bem como outras variáveis sociodemográficas, eram fatores associados com os sintomas de TMC. Por conta do delineamento transversal, todos os estudos citaram como limitação a não inferência de causalidade, além de o método de coleta ser por meio de questionário autoaplicável disponível em formato on-line, que pode ser um causador de viés de resposta. As recomendações são pautadas na necessidade de estudos longitudinais para aferir o impacto da pandemia na saúde mental em longo prazo, bem como a criação de estratégias voltadas para a saúde mental do trabalhador da área da saúde.

Tabela 2
Objetivos, síntese dos resultados, limitações e recomendação dos estudos

A tabela 3 apresenta as prevalências de sintomas de ansiedade, depressão e insônia dos nove estudos incluídos na revisão, com exceção do estudo de Maciaszek et al.3030 Maciaszek J, Ciulkowicz M, Misiak B, Szczesniak D, Luc D, Wieczorek T, et al. Mental Health of Medical and Non-Medical Professionals during the Peak of the COVID-19 Pandemic: A Cross-Sectional Nationwide Study. J Clin Med. 2020;9(8):2527., pois os autores, apesar de terem avaliado ansiedade, depressão e insônia, não apresentaram a prevalência de cada grupo de sintomas. A média da prevalência de ansiedade, depressão e insônia foi, respectivamente, de 40,3%, 39,9% e 36,1%, aferidas em 8.866 profissionais de saúde (Tabela 3).

Tabela 3
Prevalências de ansiedade, depressão e insônia encontradas na revisão

A tabela 4 apresenta a odds ratio (OR) da prevalência dos sintomas em profissionais que atuam na linha de frente em relação aos que não atuam. Apenas um estudo2525 Barua L, Zaman M, Omi F, Faruque M. Psychological burden of the COVID-19 pandemic and its associated factors among frontline doctors of Bangladesh: a cross-sectional study. F1000Res. 2020;9:1304. associou variáveis independentes com o medo da COVID-19. Em profissionais de saúde que atuaram na linha de frente, foi encontrada maior prevalência de ansiedade (OR 1,55-2,51), depressão (OR 1,21-3,55) e insônia (OR 1,58-4,45), comparados aos que não trabalhavam diretamente com pacientes diagnosticados ou suspeitos de COVID-19 (Tabela 4).

Tabela 4
Odds ratio da prevalência dos sintomas em profissionais que trabalham na linha de frente ou não

DISCUSSÃO

Com as mudanças sociais causadas pela pandemia da COVID-19, o aumento de sintomas relacionados à saúde mental começou a ser notado, principalmente em profissionais da saúde3434 Kang L, Ma S, Chen M, Yang J, Wang Y, Li R, et al. Impact on mental health and perceptions of psychological care among medical and nursing staff in Wuhan during the 2019 novel coronavirus disease outbreak: A cross-sectional study. Brain Behav Immun. 2020;87:11-7.3636 Horta R, Camargo E, Barbosa M, Lantin P, Sette T, Lucini T, et al. O estresse e a saúde mental de profissionais da linha de frente da COVID-19 em hospital geral. J Bras Psiquiatr. 2021;70(1):30-8.. Nesta revisão sistemática, todos os estudos obtiveram resultados que quantificaram prevalência significativa de TMC, principalmente de insônia, depressão e ansiedade.

Quanto às características dos estudados, é notória a maior presença de profissionais do sexo feminino com idade média de 34,5 anos. O estudo de Pappa et al.3131 Pappa S, Barnett J, Berges I, Sakkas N. Tired, Worried and Burned Out, but Still Resilient: A Cross-Sectional Study of Mental Health Workers in the UK during the COVID-19 Pandemic. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(9):4457. foi o único em que a maioria das mulheres eram mais idosas. O sexo feminino foi associado a maiores prevalências de sintomas de TMC2727 Lai J, Ma S, Wang Y, Cai Z, Hu J, Wei N, et al. Factors Associated With Mental Health Outcomes Among Health Care Workers Exposed to Coronavirus Disease 2019. JAMA Netw Open. 2020;3(3):e203976.3333 Sagherian K, Steege L, Cobb S, Cho H. Insomnia, fatigue and psychosocial well-being during COVID-19 pandemic: A cross-sectional survey of hospital nursing staff in the United States. J Clin Nurs. 2020:1-14.. Em contrapartida, Barua et al.2525 Barua L, Zaman M, Omi F, Faruque M. Psychological burden of the COVID-19 pandemic and its associated factors among frontline doctors of Bangladesh: a cross-sectional study. F1000Res. 2020;9:1304. encontraram maior prevalência de TMC em homens que apresentavam mais de 30 anos de idade, e um terço dos avaliados apresentava alguma doença crônica, sendo a asma a mais predominante.

No estudo de Alshekaili et al.2929 Alshekaili I, Hassan W, Said N, Sulaimani F, Jayapal S, Al-Mawali A, et al. Factors associated with mental health outcomes across healthcare settings in Oman during COVID-19: frontline versus non-frontline healthcare workers. BMJ Open. 2020;10:e042030., os profissionais que trabalham na linha de frente apresentaram 1,55 vez mais chance de apresentarem sintomas de ansiedade e 1,58 vez mais chance de apresentarem insônia, mas não houve diferença significativa em relação aos sintomas de depressão entre os grupos. A atuação na linha de frente da COVID-19 pode ser um preditor na manifestação de problemas na saúde mental, haja vista que os estudos de Cai et al.2626 Cai Q, Feng H, Huang J, Wang M, Wang Q, Lu X, et al. The mental health of frontline and non-frontline medical workers during the coronavirus disease 2019 (COVID-19) outbreak in China: A case-control study. J Affect Disord. 2020;275:210-5. e Shah et al.3232 Shah J, Monroe-Wise A, Talib Z, Nabiswa A, Said M, Abeid A, et al. Mental health disorders among healthcare workers during the COVID-19 pandemic: a cross-sectional survey from three major hospitals in Kenya. BMJ Open. 2021;11:e050316. também encontraram maior risco de desenvolvimento de sintomas de transtornos mentais em profissionais que atuaram na linha de frente. Lai et al.2727 Lai J, Ma S, Wang Y, Cai Z, Hu J, Wei N, et al. Factors Associated With Mental Health Outcomes Among Health Care Workers Exposed to Coronavirus Disease 2019. JAMA Netw Open. 2020;3(3):e203976. encontraram resultados semelhantes; nesse estudo os profissionais da linha de frente apresentaram maior chance de manifestarem sintomas de ansiedade, depressão e insônia (p = 0,001) (Tabela 4). Os autores apontam também que os profissionais da saúde que atuaram em Wuhan, cidade onde ocorreram os primeiros casos da infecção pelo SARS-CoV-2, em comparação com outras regiões da China, foram fortemente associados com maior presença de TMC.

Khanal et al.2828 Khanal P, Devkota N, Dahal M, Paudel K, Joshi D. Mental health impacts among health workers during COVID-19 in a low resource setting: a cross-sectional survey from Nepal. Global Health. 2020;16(89). avaliaram profissionais de estabelecimentos de saúde, públicos e privados que atuavam em resposta à COVID-19. Esse estudo encontrou maior risco de desenvolvimento de sintomas de transtornos mentais em profissionais que enfrentam o estigma devido à COVID-19, que tinham histórico de uso de medicamentos psicotrópicos e que relataram trabalhar em condições inadequadas. Barua et al.2525 Barua L, Zaman M, Omi F, Faruque M. Psychological burden of the COVID-19 pandemic and its associated factors among frontline doctors of Bangladesh: a cross-sectional study. F1000Res. 2020;9:1304. avaliaram 370 médicos da linha de frente e encontraram resultados semelhantes no que diz respeito aos recursos inadequados no local de trabalho, sendo esse o principal fator de risco para o desenvolvimento de sintomas de ansiedade e/ou depressão. Tais correlações também estão descritas no trabalho realizado por Shah et al.3232 Shah J, Monroe-Wise A, Talib Z, Nabiswa A, Said M, Abeid A, et al. Mental health disorders among healthcare workers during the COVID-19 pandemic: a cross-sectional survey from three major hospitals in Kenya. BMJ Open. 2021;11:e050316., no qual a distribuição inadequada de recursos e a necessidade de treinamentos e capacitações, pela equipe de saúde associaram-se a ansiedade, depressão, estresse e insônia.

Maciaszek et al.3030 Maciaszek J, Ciulkowicz M, Misiak B, Szczesniak D, Luc D, Wieczorek T, et al. Mental Health of Medical and Non-Medical Professionals during the Peak of the COVID-19 Pandemic: A Cross-Sectional Nationwide Study. J Clin Med. 2020;9(8):2527. compararam os sintomas de transtornos mentais dos profissionais da saúde com os que não atuam na área da saúde. A prevalência de sintomas psicopatológicos de modo geral encontrada neste estudo, em profissionais da área da saúde (60,8%), foi significativamente maior do que em profissionais de outras áreas (48%), com p valor < 0,001. A prevalência de sintomas somáticos, ansiedade e insônia também foi maior no grupo de profissionais que atuam na área da saúde.

Entre os estudos selecionados, Pappa et al.3131 Pappa S, Barnett J, Berges I, Sakkas N. Tired, Worried and Burned Out, but Still Resilient: A Cross-Sectional Study of Mental Health Workers in the UK during the COVID-19 Pandemic. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(9):4457. avaliaram especificamente profissionais que atuam em serviços de saúde mental. Destaca-se nesse estudo a elevada prevalência de insônia entre os profissionais participantes (51,6%), estando os sintomas depressivos associados significativamente à insônia. Resultado semelhante foi encontrado na pesquisa de Sagherian et al.3333 Sagherian K, Steege L, Cobb S, Cho H. Insomnia, fatigue and psychosocial well-being during COVID-19 pandemic: A cross-sectional survey of hospital nursing staff in the United States. J Clin Nurs. 2020:1-14., que avaliou enfermeiros e auxiliares de enfermagem, com prevalência de insônia de 60,9%.

Ser enfermeira, em comparação com a categoria médica, foi associado a maior presença de ansiedade, depressão e insônia2828 Khanal P, Devkota N, Dahal M, Paudel K, Joshi D. Mental health impacts among health workers during COVID-19 in a low resource setting: a cross-sectional survey from Nepal. Global Health. 2020;16(89).; a atuação profissional na área da enfermagem pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de TMC no contexto da pandemia2727 Lai J, Ma S, Wang Y, Cai Z, Hu J, Wei N, et al. Factors Associated With Mental Health Outcomes Among Health Care Workers Exposed to Coronavirus Disease 2019. JAMA Netw Open. 2020;3(3):e203976.. No entanto, em Shah et al.3232 Shah J, Monroe-Wise A, Talib Z, Nabiswa A, Said M, Abeid A, et al. Mental health disorders among healthcare workers during the COVID-19 pandemic: a cross-sectional survey from three major hospitals in Kenya. BMJ Open. 2021;11:e050316., a categoria médica foi relacionada a sintomas mais graves de ansiedade e depressão. Cabe ressaltar que fatores intrínsecos e específicos dos processos de trabalho de cada país podem ser fatores de confusão quanto à generalização de tal variável com a presença dos TMCs.

Pappa et al.3131 Pappa S, Barnett J, Berges I, Sakkas N. Tired, Worried and Burned Out, but Still Resilient: A Cross-Sectional Study of Mental Health Workers in the UK during the COVID-19 Pandemic. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(9):4457. e Maciaszek et al.3030 Maciaszek J, Ciulkowicz M, Misiak B, Szczesniak D, Luc D, Wieczorek T, et al. Mental Health of Medical and Non-Medical Professionals during the Peak of the COVID-19 Pandemic: A Cross-Sectional Nationwide Study. J Clin Med. 2020;9(8):2527. investigaram hábitos não saudáveis como o consumo de álcool e tabaco; no primeiro estudo a insônia e a depressão foram associadas ao consumo excessivo de álcool e no segundo estudo, o aumento da ingestão de álcool e nicotina e mudanças recentes na vida foram correlacionados aos sintomas psicológicos.

Os fatores de proteção encontrados nas pesquisas foram idade mais alta2525 Barua L, Zaman M, Omi F, Faruque M. Psychological burden of the COVID-19 pandemic and its associated factors among frontline doctors of Bangladesh: a cross-sectional study. F1000Res. 2020;9:1304.,3232 Shah J, Monroe-Wise A, Talib Z, Nabiswa A, Said M, Abeid A, et al. Mental health disorders among healthcare workers during the COVID-19 pandemic: a cross-sectional survey from three major hospitals in Kenya. BMJ Open. 2021;11:e050316. para a menor presença de TMC e ter filhos para a manifestação de sintomas depressivos3030 Maciaszek J, Ciulkowicz M, Misiak B, Szczesniak D, Luc D, Wieczorek T, et al. Mental Health of Medical and Non-Medical Professionals during the Peak of the COVID-19 Pandemic: A Cross-Sectional Nationwide Study. J Clin Med. 2020;9(8):2527.. Não focando somente na investigação dos sintomas, Cai et al.2626 Cai Q, Feng H, Huang J, Wang M, Wang Q, Lu X, et al. The mental health of frontline and non-frontline medical workers during the coronavirus disease 2019 (COVID-19) outbreak in China: A case-control study. J Affect Disord. 2020;275:210-5. observaram que, mesmo com resultados desfavoráveis quanto à saúde mental, se notou uma baixa procura de ajuda ou de tratamento acerca desses problemas.

Por causa do cenário pandêmico, todos os dados dos artigos científicos selecionados foram coletados de forma remota, sendo tal método elencado como principal limitação de cada estudo devido a prováveis vieses de seleção ou de respostas, além de a metodologia transversal utilizada não caracterizar fator causal da pandemia da COVID-19 com os TMCs nos profissionais de saúde. Contudo, são de extrema relevância os resultados alcançados, devido ao rigor metodológico utilizado para a condução dos estudos que foram analisados, além da importância da contribuição à prática, com recomendações pautadas na necessidade de estratégias voltadas a saúde mental do trabalhador da área da saúde.

CONCLUSÃO

As variáveis que se mostraram associadas às maiores prevalências de sintomas de TMC foram o sexo feminino, atuação na linha de frente, maior carga horária de trabalho, histórico de uso de medicamentos psicotrópicos, condições inadequadas de trabalho, uso de álcool e tabaco e atuação na área de enfermagem, que apresentou maior associação com os sintomas de TMC, em comparação com a classe médica.

Os estudos analisados nesta revisão mostraram que os profissionais atuantes na linha de frente no combate à COVID-19 apresentaram maiores prevalências de transtornos mentais em relação a outros profissionais de saúde que não estiveram na linha de frente. Observa-se a importância da elaboração de estratégias de atenção à saúde mental dos profissionais de saúde, considerando a alta prevalência de TMC encontrada nos estudos e as consequências que essa situação pode provocar após a pandemia da COVID-19.

AGRADECIMENTOS

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    25 Nov 2022
  • Data do Fascículo
    2022

Histórico

  • Recebido
    02 Fev 2022
  • Aceito
    11 Set 2022
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