COMPETÊNCIA MOTORA DE CRIANÇAS PRÉ-ESCOLARES BRASILEIRAS AVALIADAS PELO TESTE TGMD-2: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

MOTOR COMPETENCE OF BRAZILIAN PRESCHOOL CHILDREN ASSESSED BY TGMD-2 TEST: A SYSTEMATIC REVIEW

Guilherme dos Santos Mellina Maria do Lago Manso Silva Martín Darío Villanueva Josael Pereira da Silva Júnior Maria Teresa Cattuzzo Alessandro Hervaldo Nicolai Ré Sobre os autores

RESUMO

O teste de desenvolvimento motor grosso (TGMD-2) é um teste discriminativo e referenciado à norma, usado para avaliar o nível de competência de crianças de 3 a 10 anos. O objetivo do presente estudo foi revisar sistematicamente os resultados de estudos brasileiros que tenham examinado o desenvolvimento motor de pré-escolares usando o teste TGMD-2, considerando as diferentes regiões do Brasil, assim como analisar os resultados relativos aos fatores associados ao desempenho no teste TGMD-2; foram revisadas as bases de dados LILACS e SCIELO usando como descritor o termo “TGMD-2”, buscando estudos originais publicados de 2007 a 2018, com texto completo disponível, nos idiomas português e inglês, que avaliaram o desempenho motor em pré-escolares usando o TGMD-2; a extração de dados incluiu os itens: primeiro autor, local, periódico, objetivos, delineamento, características da amostra, resultados de desempenho no teste e fatores relacionados; também foi avaliada a qualidade dos estudos. Os dez estudos incluídos na revisão indicaram diferenças no desempenho motor nas diferentes regiões. Foram encontrados indícios de melhor desempenho motor em crianças de escola particular e que praticam atividade física sistemática e orientada por profissional de educação física.

Palavra-chave:
Desempenho motor; TGMD-2; Desenvolvimento infantil

ABSTRACT

The Gross Motor Development Test (TGMD-2) is a discriminant and norm-referenced test used to assess the competence level of children aged 3 to 10 years. The aim of the present study was to systematically review the results of Brazilian studies that examined the motor development of preschool children using the TGMD-2 test, considering the different regions of Brazil, as well as to analyze the results related to the factors associated with the performance in the test TGMD-2; we reviewed the LILACS and SCIELO databases using the term “TGMD-2” as the descriptor, searching for original published studies from 2007 to 2018, with full text available, in the Portuguese and English languages, which evaluated motor performance in preschool children using TGMD-2; data extraction included items: first author, local, periodical, objectives, design, sample characteristics, test performance results and related factors; quality of the studies was also evaluated. The ten studies included in the review indicated differences in motor performance in different regions. Signs of better motor performance were found in children of private school and who practice physical activity guided by a physical education professional.

Keywords:
Motor performance; TGMD-2; Child development

Introdução

O teste de desenvolvimento motor grosso (TGMD-2) foi proposto por Dale Ulrich, nos Estados Unidos, e é um teste discriminativo e referenciado à norma, usado para avaliar o nível de competência de crianças de 3 a 10 anos, em habilidades motoras envolvendo grandes grupos musculares que produzem força para movimentar tronco, membros superiores e inferiores11 Ulrich DA. Test of gross motor development-2. Austin: Prod-Ed; 2000.. O TGMD-2 foi criado par avaliar o desenvolvimento motor per se, associado à fatores como idade e gênero22 Ré AHN, Logan SW, Cattuzzo MT, Henrique RDS, Tudela MC, Stodden DF. Comparison of motor competence levels on two assessments across childhood. J Sports Sci 2018;36(1):1-6. Doi: 10.1080/02640414.2016.1276294
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,33 Valentini NC, Logan SW, Spessato BC, Souza MS, Pereira KG, Rudisill ME. Fundamental motor skills across childhood: Age, sex, and competence outcomes of Brazilian children. J Mot Learn Dev 2016;4(1):16-36. Doi: 10.1123/jmld.2015-0021
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; no entanto, tem sido cada vez mais utilizado em pesquisas com o objetivo de analisar a competência motora (CM), relacionada à aptidão física44 Freitas DL, Lausen B, Maia JA, Gouveia ÉR, Antunes AM, Thomis M, et al. Skeletal maturation, fundamental motor skills and motor performance in preschool children. Scand J Med Sci Sports 2018;22(11):2249-2459. Doi: 10.1111/sms.13233
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, níveis de atividade física (AF)55 Ridgers ND, Barnett LM, Lubans DR, Timperio A, Cerin E, Salmon, J. Potential moderators of day-to-day variability in children's physical activity patterns. J Sports Sci 2018;36(6):637-644. Doi: 10.1080/02640414.2017.1328126
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, parâmetros cognitivos66 Ketcheson L, Hauck J, Ulrich DA. The effects of an early motor skill intervention on motor skills, levels of physical activity, and socialization in young children with autism spectrum disorder: A pilot study. Autism 2017;21(4):481-492. Doi: 10.1177/1362361316650611
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, contexto sociocultural77 Hamilton M, Liu T. The effects of an intervention on the gross and fine motor skills of Hispanic Pre-K children from low ses backgrounds. Early Child Educ J 2018;46(2):223-230. Doi: 10.1007/s10643-017-0845-y
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, dentre outros. Atualmente ele está validado para diferentes países como Chile88 Cano-Cappellacci M, Leyton FA, Carreño JD. Content validity and reliability of test of gross motor development in Chilean children. Rev Saude Publica 2016;49:97. Doi: 10.1590/S0034-8910.2015049005724
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, Coréia do Sul99 Kim S, Kim MJ, Valentini NC, Clark JE. Validity and reliability of the TGMD-2 for South Korean children. J Mot Behav 2014;46(5):351-356. Doi 10.1080/00222895.2014.914886
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, e Brasil1010 Valentini NC. Validity and reliability of the TGMD-2 for Brazilian children. J Mot Behav 2012;44(4):275-280. Doi: 10.1080/00222895.2012.700967
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.

O núcleo central do TGMD-2 é formado por habilidades que envolvem o transporte do corpo (locomoção) e habilidades que demandam colocar ou receber força de objetos (controle de objetos) e, exatamente por servirem para formar quaisquer outras habilidades motoras ao longo da vida, essas habilidades do TGMD-2 são denominadas de fundamentais. O TGMD-2 consiste na avaliação qualitativa de seis habilidades de locomoção (correr, saltar obstáculo, saltitar, galopar, salto horizontal e deslizar), e seis habilidades de controle de objeto (bola) (chutar, rolar, receber, rebater, quicar e lançar), as quais são avaliadas a qualidade mecânica dessas habilidades. O teste é aplicado a partir de instrução verbal e demonstração do movimento pelo aplicador do teste, seguido por familiarização da tarefa e então a execução da habilidade motora pela criança11 Ulrich DA. Test of gross motor development-2. Austin: Prod-Ed; 2000.,1010 Valentini NC. Validity and reliability of the TGMD-2 for Brazilian children. J Mot Behav 2012;44(4):275-280. Doi: 10.1080/00222895.2012.700967
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. O TGMD-2 é um teste de fácil aplicação, com tempo médio aproximado entre 15 e 30 minutos, que pode ser utilizado para obter um indicador de desenvolvimento motor, identificar crianças com atrasos motores para a faixa etária correspondente, planejar e controlar programas para melhorar habilidades em crianças que apresentam atrasos e avaliar mudanças em função do aumento da idade, experiência, instrução ou intervenção11 Ulrich DA. Test of gross motor development-2. Austin: Prod-Ed; 2000..

A capacidade de execução das habilidades motoras fundamentais durante a infância em um nível adequado à idade tem sido considerada o principal indicador de CM1111 Burton AW, Miller DE. Movement skill assessment. Champaign: Human Kinetics; 1998.

12 Robinson LE, Stodden DF, Barnett LM, Lopes VP, Logan SW, Rodrigues LP, et al. Motor competence and its effect on positive developmental trajectories of health. Sports Med 2015;45(9):1273-1284. Doi: 10.1007/s40279-015-0351-6
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-1313 Stodden DF, Goodway JD, Langendorfer SJ, Roberton MA, Rudisill ME, Garcia C, et al. A developmental perspective on the role of motor skill competence in physical activity: An emergent relationship. Quest 2008;60(2):290-306. Doi: 10.1080/00336297.2008.10483582
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. Crianças que apresentam domínio adequado nessas habilidades tendem a apresentar maior envolvimento com a prática de AF1414 Lubans DR, Morgan PJ, Cliff DP, Barnett LM, Okely AD. Fundamental movement skills in children and adolescents: review of associated health benefits. Sports Med 2010;40(12):1019-1035. Doi: 10.2165/11536850-000000000-0000
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, favorecendo ainda mais o desenvolvimento motor e podendo gerar um ciclo comportamental virtuoso, que aumenta a probabilidade de continuidade de prática de AF e benefícios à saúde ao longo da vida1313 Stodden DF, Goodway JD, Langendorfer SJ, Roberton MA, Rudisill ME, Garcia C, et al. A developmental perspective on the role of motor skill competence in physical activity: An emergent relationship. Quest 2008;60(2):290-306. Doi: 10.1080/00336297.2008.10483582
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14 Lubans DR, Morgan PJ, Cliff DP, Barnett LM, Okely AD. Fundamental movement skills in children and adolescents: review of associated health benefits. Sports Med 2010;40(12):1019-1035. Doi: 10.2165/11536850-000000000-0000
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-1515 Lima TRD, Silva DAS. Clusters of negative health-related physical fitness indicators and associated factors in adolescents. Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum 2017;19(4):436-449. Doi: 10.5007/19800037.2017v19n4p436
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. O desenvolvimento motor não deve ser negligenciado ou tratado como secundário no desenvolvimento infantil, pois está intrinsicamente relacionado ao desenvolvimento cognitivo1616 Gallahue DL, Ozmun JC, Goodway JD. Compreendendo o desenvolvimento motor: Bebês, crianças, adolescentes e adultos. AMGH Editora; 2013. A infância é um marco crítico para o desenvolvimento de habilidades motoras, que por sua vez, se estiverem em níveis adequados, podem desempenhar um papel crucial na saúde física e psicológica da criança1717 Ré AHN, Tudela MC, Monteiro CBM, Antonio BA, Silva MMLM, Campos CMC, et al. Motor competence of schoolchildren from public education in São Paulo city, Brazil. J Phys Educ 2018;29:1. Doi: 10.4025/jphyseduc.v29i1.2955
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diminuindo o risco de sobrepeso, obesidade e doenças crônico-degenerativas nos anos posteriores1212 Robinson LE, Stodden DF, Barnett LM, Lopes VP, Logan SW, Rodrigues LP, et al. Motor competence and its effect on positive developmental trajectories of health. Sports Med 2015;45(9):1273-1284. Doi: 10.1007/s40279-015-0351-6
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,1313 Stodden DF, Goodway JD, Langendorfer SJ, Roberton MA, Rudisill ME, Garcia C, et al. A developmental perspective on the role of motor skill competence in physical activity: An emergent relationship. Quest 2008;60(2):290-306. Doi: 10.1080/00336297.2008.10483582
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,1818 Ré AHN. Growth, maturation and development during childhood and adolescence: Implications for sports practice. Motri 2011;7(3):55-67. Doi: 10.6063/motricidade.7(3).103
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,1919 Strong WB, Malina RM, Blimkie CJ, Daniels SR, Dishman RK, Gutin B, et al. Evidence based physical activity for school-age youth. J Pediatr 2005;146(6):732-737. Doi: 10.1016/j.jpeds.2005.01.055
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. Por exemplo, as habilidades de controle de objetos desenvolvidas nos primeiros anos escolares têm impactos significantes para AF ao longo da vida, assim como parecem ser mais cruciais para a intensidade, o tempo e o tipo de AF na adolescência do que as habilidades locomotoras2020 Barnett, LM, Van Beurden E, Morgan PJ, Brooks LO, Beard JR. Childhood motor skill proficiency as a predictor of adolescent physical activity. J Adolesc Health 2009;44(3):252-259. Doi: 10.1016/j.jadohealth.2008.07.004
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.

Diversos estudos ao redor do mundo utilizam o TGMD-2 para avaliar a CM de pré-escolares2121 Aye T, Oo KS, Khin MT, Kuramoto-Ahuja T, Maruyama H. Gross motor skill development of 5-year-old Kindergarten children in Myanmar. J Phys Ther Sci 2017;29(10):1772-1778. Doi: 10.1589/jpts.29.1772
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22 Aye T, Kuramoto-Ahuja T, Sato T, Sadakiyo K, Watanabe M, Maruyama H. Gross motor skill development of kindergarten children in Japan. J Phys Ther Sci 2018;30(5):711-715. Doi: 10.1589/jpts.30.711
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23 Foulkes JD, Knowles Z, Fairclough SJ, Stratton G, O'dwyer M, Ridgers ND, et al. Fundamental movement skills of preschool children in Northwest England. Percept Mot Skills 2015;121(1):260-283. Doi: 10.2466/10.25.PMS.121c14x0
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24 Hardy LL, King L, Farrell L, Macniven R, Howlett S. Fundamental movement skills among Australian preschool children. J Sci Med Sport 2010;13(5):503-508. Doi: 10.1016/j.jsams.2009.05.010
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-2525 Kit BK, Akinbami LJ, Isfahani NS, Ulrich DA. Gross motor development in children aged 3-5 years, United States 2012. Matern Child Health J 2017;21(7):1573-1580. Doi: 10.1007/s10995-017-2289-9
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com o objetivo de verificar a proficiência das habilidades motoras fundamentais. Alguns estudos com o TGMD-2 no Brasil22 Ré AHN, Logan SW, Cattuzzo MT, Henrique RDS, Tudela MC, Stodden DF. Comparison of motor competence levels on two assessments across childhood. J Sports Sci 2018;36(1):1-6. Doi: 10.1080/02640414.2016.1276294
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,2626 Costa CLA, Nobre GC, Nobre FSS, Valentini NC. Efeito de um programa de intervenção motora sobre o desenvolvimento motor de crianças em situação de risco social na região do Cariri-Ceará. J Phys Educ 2014;25(3):353-364. Doi: 10.4025/reveducfis.v25i3.21968
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,2727 Cotrim JR, Lemos AG, Júnior JEN, Barela JA. Desenvolvimento de habilidades motoras fundamentais em crianças com diferentes contextos escolares. J Phys Educ 2011;22(4):523-533. Doi: 10.4025/reveducfis.v22i4.12575
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demonstram baixo desempenho motor quando utilizado os dados normatizados por Ulrich11 Ulrich DA. Test of gross motor development-2. Austin: Prod-Ed; 2000., corroborando os resultados de estudos que atestam o baixo desempenho motor em crianças na Austrália2828 Hardy LL, Reinten-Reynolds T, Espinel P, Zask A, Okely AD. Prevalence and correlates of low fundamental movement skill competency in children. Pediatrics 2012;130(2):390-398. Doi: 10.1542/peds.2012-0345d.
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, Oceania2929 Cohen KE, Morgan PJ, Plotnikoff RC, Callister R, Lubans DR. Fundamental movement skills and physical activity among children living in low-income communities: a cross-sectional study. Int J Behav Nutr Phys Act 2014;11(1):49. Doi: 10.1186/1479-5868-11-49
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, Israel3030 Engel-Yeger B, Rosenblum S, Josman N. Movement Assessment Battery for Children (M-ABC): establishing construct validity for Israeli children. Res Dev Disabil 2010;31(1):87-96. Doi: 10.1016/j.ridd.2009.08.001
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e Reino Unido3131 Lingam R, Hunt L, Golding J, Jongmans M, Emond A. Prevalence of developmental coordination disorder using the DSM-IV at 7 years of age: A UK population-based study. Pediatrics 2009;123(4):e693-e700. Doi: 10.1542/peds.2008-1770
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. Atrasos no desenvolvimento motor infantil também podem ser resultantes de um contexto sociocultural desfavorecido1717 Ré AHN, Tudela MC, Monteiro CBM, Antonio BA, Silva MMLM, Campos CMC, et al. Motor competence of schoolchildren from public education in São Paulo city, Brazil. J Phys Educ 2018;29:1. Doi: 10.4025/jphyseduc.v29i1.2955
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. Apesar da relevância desta temática, não há publicações que proporcionem uma visão geral e integrativa dos resultados dos estudos com TGMD-2 já realizados no Brasil. Verificar a potencial influência de diferentes contextos socioculturais no desenvolvimento motor das crianças brasileiras através de um teste validado para a população específica é relevante tanto do ponto de vista do avanço do conhecimento científico32, 33, como ponto de vista social, com aplicação em políticas públicas para a infância que promovam benefícios à qualidade de vida individual e aos setores de educação3434 Lubans DR, Plotnikoff RC, Lubans NJ. A systematic review of the impact of physical activity programmes on social and emotional well-being in at-risk youth. Child Adolesc Ment Health 2012;17(1):2-13. Doi: 10.1111/j.1475-3588.2011.00623.x
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,3535 Stanley RM, Jones RA, Cliff DP, Trost SG, Berthelsen D, Salmon J, et al. Increasing physical activity among young children from disadvantaged communities: Study protocol of a group randomised controlled effectiveness trial. BMC Public Health 2016;16(1):1095. Doi: 10.1186/s12889-016-3743-0
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, saúde pública3636 Marmot M. Social determinants of health inequalities. The lancet 2005;365(9464):1099-1104. Doi: 10.1016/S0140-6736(05)71146-6
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e economia3737 Lee BY, Adam A, Zenkov E, Hertenstein D, Ferguson MC, Wang PI, et al. Modeling the economic and health impact of increasing children's physical activity in the United States. Health Aff 2017;36(5):902-908. Doi: 10.1377/hlthaff.2016.1315
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. Assim, o presente estudo teve como objetivo realizar uma revisão sistemática e integrativa das pesquisas que utilizaram o TGMD-2 para avaliar o desempenho motor de pré-escolares brasileiros e verificar os fatores associados ao desempenho no teste.

Métodos

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão sistemática e integrativa de trabalhos científicos que estudaram a CM de crianças pré-escolares brasileiras avaliadas pelo TGMD-2.

Estratégia de busca e elegibilidade

Quatro bases de dados digitais foram acessadas: LILACS, SciELO, PubMed e ERIC, utilizando o descritor “TGMD-2”. Foram incluídos estudos publicados nos últimos treze anos (2007 a 2019), uma vez que este prazo permite captar os artigos que foram mais usados recentemente, nos idiomas português e inglês e que utilizem o TGMD-2 para avaliar o desempenho motor em pré-escolares brasileiros. Estudos em formato de Monografia, Dissertações, Teses, Revisões sistemáticas e Artigos em duplicata foram excluídos.

O processo de busca nas bases de dados, a seleção de estudos e a remoção de duplicatas foram feitas por um autor (GS), a leitura de artigos e compilação das informações foram realizadas por dois autores (GS e AHNR). Foram excluídos estudos em que a amostra continha crianças do ensino fundamental. A Figura 1 apresenta o fluxograma da estratégia utilizada para seleção de inclusão e exclusão dos estudos desta revisão sistemática, bem como os filtros utilizados para estes resultados, de acordo com o modelo proposto pelo protocolo para estudos de revisão sistemática e meta-análise PRISMA-P3838 Moher D, Shamseer L, Clarke M, Ghersi D, Liberati A, Petticrew M, et al. Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015 statement. Syst Rev 2015;4(1):1. Doi 10.1186/2046-4053-4-1
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. A extração dos dados contou com os seguintes itens: nome do primeiro autor, local, periódico, objetivos, delineamento do estudo, características da amostra (tamanho, faixa etária e gênero), resultados relativos ao desempenho no teste TGMD-2 e fatores associados (Tabela 1). Também foi feita a avaliação qualitativa dos estudos de acordo com o Critical Review Form - Qualitative Studies3939 Law M, Stewart D, Letts L, Pollock N, Bosch J, Westmorland M. Guidelines for critical review of qualitative studies [Internet]. McMaster University Occupational Therapy Evidence-Based Practice Research Group [acesso em : 05 06 2018]. Disponível em: http://medfac.tbzmed.ac.ir/Uploads/3/cms/user/File/10/Pezeshki_Ejtemaei/conferance/dav.pdf
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, composto por 15 itens que permitem conhecer o risco de viés metodológico dos estudos (ver Tabela 2); cada item atendido vale um ponto e, se a soma dos pontos for maior ou igual a 12, o estudo é considerado de alta qualidade, entre 11 e 8 pontos, de média qualidade e obter 7 pontos ou abaixo leva o estudo a ser considerado de baixa qualidade. O conhecimento da qualidade metodológica do artigo permitirá ter uma análise mais balizada dos seus resultados.

Figura 1
Fluxograma informando as etapas do processo para inclusão dos estudos usados na revisão sistemática, de acordo com o protocolo PRISMA-P

Tabela 1
Características dos estudos que investigaram a CM de pré-escolares brasileiros usando o teste TGMD-2

Resultados

Na primeira etapa do estudo a busca do termo “TGMD-2” nas bases LILACS, SciELO, PubMed e ERIC, resultou em 149 artigos, aplicando os filtros de publicações nos últimos treze anos, idioma inglês e português (Figura 1). Durante a triagem foram removidos 28 artigos por duplicatas, 104 artigos após avaliação do título e 8 artigos após avaliação na íntegra. Um artigo foi indicado por um especialista da área, desta forma, foram incluídos 10 artigos para esta revisão.

Todos os estudos revisados eram de delineamento transversal e apenas um estudo foi publicado na língua inglesa1717 Ré AHN, Tudela MC, Monteiro CBM, Antonio BA, Silva MMLM, Campos CMC, et al. Motor competence of schoolchildren from public education in São Paulo city, Brazil. J Phys Educ 2018;29:1. Doi: 10.4025/jphyseduc.v29i1.2955
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. Relativo ao tamanho amostral, os estudos avaliaram entre 12 e 529 crianças. As regiões brasileiras predominantes de estudos são nordeste e sul, com cinco e três estudos respectivamente, e dois estudos na região sudeste. Não foram encontrados estudos nas regiões norte e centro-oeste (Tabela 1).

O estudo de Campos, Soares e Cattuzzo4040 Campos CMC, Soares MMA, Cattuzzo MT. O efeito da prematuridade em habilidades locomotoras e de controle de objetos de crianças de primeira infância. Motriz 2013;19(1):22-33. verificou o efeito da prematuridade nas habilidades motoras grossas das crianças e encontrou que o desempenho das crianças prematuras é semelhante quando comparado aos seus pares, contudo, o gênero feminino, a especificidade da tarefa e a prematuridade são variáveis que afetam negativamente o desempenho nas habilidades de locomoção e controle de objetos. Cattuzo et al.4242 Cattuzzo MT, Oliveira IS, Oliveira DS, Beltra~o NB, Lima TJS, Feitoza, AH. Análise de níveis desenvolvimentais nas habilidades de controle de objetos em pré-escolares. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte 2018; 32(1): 109-119. Doi: 10.11606/1807-5509201800010109.
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ao comparar os níveis de desenvolvimento nas habilidades de controle de objetos em crianças com idade entre 3 e 5 anos encontrou desempenho superior dos meninos e em função da idade. Catenassi et al.4141 Catenassi FZ, Marques I, Bastos CB, Basso L, Ronque ERV, Gerage AM. Relação entre índice de massa corporal e habilidade motora grossa em crianças de quatro a seis anos. Rev Bras Med Esporte 2007;13(4):227-230. Doi: 10.1590/S1517-86922007000400003
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tiveram como objetivo verificar a relação entre o IMC e habilidades motoras grossas em crianças de 4 a 6 anos e os resultados mostraram que o IMC não teve relações estatisticamente significante com o desempenho motor. Oliveira, Oliveira e Cattuzzo4343 Oliveira DS, Oliveira IS, Cattuzzo MT. A influência do gênero e idade no desempenho das habilidades locomotoras de crianças de primeira infância. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte 2013;27(4):647-655. Doi: 10.1590/S1807-55092013000400012
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ao analisarem o desempenho de crianças nas habilidades locomotoras de acordo com gênero e idade, encontraram que as crianças mais velhas apresentam melhor desempenho motor, e os meninos apresentaram melhor desempenho do que as meninas nas habilidades de correr, salto horizontal e deslize lateral. O estudo de Nobre et al.4444 Nobre FSS, Pontes ALFDN, Costa CLA, Caçola P, Nobre GC, Valentini NC. Affordances em ambientes domésticos e desenvolvimento motor de pré-escolares. Pensar prát 2012;15(3):652-668. Doi: 10.5216/rpp.v15i3.15412
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teve como objetivo verificar a correlação entre as oportunidades de estimulação motora no ambiente doméstico e o nível do desenvolvimento motor utilizando o questionário Affordances in the Home Environment for Motor Development (AHEMD), e encontrou baixa correlação entre eles contudo, sem influenciar negativamente o desenvolvimento motor das crianças, no qual a idade cronológica e a idade motora se apresentam em equilíbrio. Silva et al.4848 Silva WRD, Lisboa T, Ferrari EP, Freitas KTDD, Cardoso FL, Motta NFDA, Tkac CM. Oportunidades de estimulação motora no ambiente domiciliar de crianças. Rev Bras Crescimento Desenvolv Hum 2017;27(1):84-90. Doi: 10.7322/jhgd.127659
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analisaram a relação entre as oportunidades de estimulação motora no ambiente familiar (mediante o AHEMD) e o desempenho motor em crianças de 38 a 42 meses e o seus resultados indicaram a existência dessa relação; nesse estudo meninas apresentaram melhores desempenhos nas habilidades locomotoras e os meninos nas habilidades de controle de objetos. Palma, Camargo e Pontes4545 Palma MS, Camargo VA, Pontes MFP. Efeitos da atividade física sistemática sobre o desempenho motor de crianças pré-escolares. J Phys Educ 2012;23(3):421-429. Doi: 10.4025/reveducfis.v23i3.14306
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encontraram desempenho motor abaixo do esperado ao avaliarem crianças praticantes e não praticantes de AF sistemática, corroborando os achados de Ré et al.1717 Ré AHN, Tudela MC, Monteiro CBM, Antonio BA, Silva MMLM, Campos CMC, et al. Motor competence of schoolchildren from public education in São Paulo city, Brazil. J Phys Educ 2018;29:1. Doi: 10.4025/jphyseduc.v29i1.2955
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que apontaram baixa CM em crianças de ambos os gêneros. Queiroz et al.4646 Queiroz DDR, Henrique RDS, Feitoza AHP, Medeiros JNSD, Souza CJFD, Lima TDJS, Cattuzzo MT. Competência motora de pré-escolares: Uma análise em crianças de escola pública e particular. Motri 2016;12(3):56-63. Doi: 10.6063/motricidade.6886
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compararam a CM de pré-escolares de escolas particulares e públicas. De um modo geral, crianças de escola particular apresentaram maior CM, assim como os meninos, de ambos os contextos escolares, obtiveram melhor desempenho motor que as meninas. Rodrigues et al.4747 Rodrigues D, Avigo EL, Leite MMV, Bussolin RA, Barela JA. Desenvolvimento motor e crescimento somático de crianças com diferentes contextos no ensino infantil. Motriz 2013;19(3):S49-S56. tiveram como objetivo analisar o desempenho motor em diferentes contextos, e encontraram melhor CM nas crianças que tiveram aula com um profissional de educação física comparado as crianças que tiveram aula com uma professora polivalente. Seis estudos demonstram desempenho esperado para a idade (percentil > 50) e quatro estudos demonstram desempenho abaixo do esperado para a idade (percentil < 50), evidenciando a falta de consistência do desempenho motor em pré-escolares de diferentes regiões.

Relativo à avaliação da qualidade metodológica dos estudos, o total de pontos de apenas dois estudos1717 Ré AHN, Tudela MC, Monteiro CBM, Antonio BA, Silva MMLM, Campos CMC, et al. Motor competence of schoolchildren from public education in São Paulo city, Brazil. J Phys Educ 2018;29:1. Doi: 10.4025/jphyseduc.v29i1.2955
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,4242 Cattuzzo MT, Oliveira IS, Oliveira DS, Beltra~o NB, Lima TJS, Feitoza, AH. Análise de níveis desenvolvimentais nas habilidades de controle de objetos em pré-escolares. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte 2018; 32(1): 109-119. Doi: 10.11606/1807-5509201800010109.
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alcançaram o critério (≥12 pontos) para ser considerado de alta qualidade (baixo risco de viés metodológico); os demais estudos atingiram de 9 a 11 pontos e foram considerados de qualidade média. Destaca-se que os itens 4 (“Foram apontados alguns erros que podem ter influenciado os resultados do estudo?”), 6 (“Foi apresentada justificativa para o tamanho da amostra?”), 9 (“As medidas de desfecho eram válidas?”) e 15 (“Há implicações para a prática clínica dados os resultados da pesquisa?), foram os itens mais negativados nos estudos.

Tabela 2
Avaliação qualitativa dos estudos que investigaram a CM de pré-escolares brasileiros usando o teste TGMD-2, de acordo com o Critical Review Form (Law et al.3939 Law M, Stewart D, Letts L, Pollock N, Bosch J, Westmorland M. Guidelines for critical review of qualitative studies [Internet]. McMaster University Occupational Therapy Evidence-Based Practice Research Group [acesso em : 05 06 2018]. Disponível em: http://medfac.tbzmed.ac.ir/Uploads/3/cms/user/File/10/Pezeshki_Ejtemaei/conferance/dav.pdf
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)

Discussão

Este trabalho teve como objetivo analisar, de maneira sistemática, os resultados de estudos brasileiros que tenham examinado o desenvolvimento motor de pré-escolares usando o teste TGMD-2, incluindo as análises dos resultados alcançados no teste e dos fatores associados. Foram encontrados dez estudos que avaliaram os pré-escolares através do TGMD-2. De modo geral, os estudos investigaram o desenvolvimento motor relacionado a diferentes fatores como prematuridade, IMC, gênero, idade, AF sistemática, contexto sociocultural, ambiente escolar e familiar.

A presente revisão encontrou resultados divergentes com relação ao ambiente familiar e desempenho motor. Nobre et al.4444 Nobre FSS, Pontes ALFDN, Costa CLA, Caçola P, Nobre GC, Valentini NC. Affordances em ambientes domésticos e desenvolvimento motor de pré-escolares. Pensar prát 2012;15(3):652-668. Doi: 10.5216/rpp.v15i3.15412
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encontrou baixa correlação, contudo, sem prejuízos ao desenvolvimento motor, enquanto Silva et al.4848 Silva WRD, Lisboa T, Ferrari EP, Freitas KTDD, Cardoso FL, Motta NFDA, Tkac CM. Oportunidades de estimulação motora no ambiente domiciliar de crianças. Rev Bras Crescimento Desenvolv Hum 2017;27(1):84-90. Doi: 10.7322/jhgd.127659
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encontrou correlação significativa. Esta diferença pode ser resultante de outros fatores, como por exemplo, a estimulação motora no ambiente escolar, lugar em que as crianças passam grande parte do tempo4949 Venetsanou F, Kambas A. Environmental factors affecting preschoolers' motor development. Early Child Educ J 2010;37(4):319-327. Doi: 10.1007/s10643-009-0350-z
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ou de outras instituições que promovam a AF, como as escolas de esportes.

Os resultados encontrados por Palma, Camargo e Pontes4545 Palma MS, Camargo VA, Pontes MFP. Efeitos da atividade física sistemática sobre o desempenho motor de crianças pré-escolares. J Phys Educ 2012;23(3):421-429. Doi: 10.4025/reveducfis.v23i3.14306
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, Queiroz et al.4646 Queiroz DDR, Henrique RDS, Feitoza AHP, Medeiros JNSD, Souza CJFD, Lima TDJS, Cattuzzo MT. Competência motora de pré-escolares: Uma análise em crianças de escola pública e particular. Motri 2016;12(3):56-63. Doi: 10.6063/motricidade.6886
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, Ré et al.1717 Ré AHN, Tudela MC, Monteiro CBM, Antonio BA, Silva MMLM, Campos CMC, et al. Motor competence of schoolchildren from public education in São Paulo city, Brazil. J Phys Educ 2018;29:1. Doi: 10.4025/jphyseduc.v29i1.2955
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e Rodrigues et al.47 elucidam a importância da Educação Física nos anos pré-escolares. Atualmente não é comum o profissional de Educação Física trabalhar com crianças pré-escolares no ensino público brasileiro, contudo, já é encontrado na literatura as implicações e benefícios de intervenções nesta faixa etária com o intuito de promover o desenvolvimento das habilidades motoras para facilitar o engajamento da criança na AF ao longo dos anos posteriores 12, 50- 53.

A análise dos resultados mostrou que existe uma tendência em encontrar diferenças entre os gêneros no desempenho das habilidades locomotoras e manipulativas4141 Catenassi FZ, Marques I, Bastos CB, Basso L, Ronque ERV, Gerage AM. Relação entre índice de massa corporal e habilidade motora grossa em crianças de quatro a seis anos. Rev Bras Med Esporte 2007;13(4):227-230. Doi: 10.1590/S1517-86922007000400003
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,4343 Oliveira DS, Oliveira IS, Cattuzzo MT. A influência do gênero e idade no desempenho das habilidades locomotoras de crianças de primeira infância. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte 2013;27(4):647-655. Doi: 10.1590/S1807-55092013000400012
https://doi.org/10.1590/S1807-5509201300...
,4848 Silva WRD, Lisboa T, Ferrari EP, Freitas KTDD, Cardoso FL, Motta NFDA, Tkac CM. Oportunidades de estimulação motora no ambiente domiciliar de crianças. Rev Bras Crescimento Desenvolv Hum 2017;27(1):84-90. Doi: 10.7322/jhgd.127659
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. Ainda assim, de modo geral, os meninos apresentam melhor desempenho motor, corroborando resultados de estudos com pré-escolares de outros países, como os Estados Unidos5353 Goodway JD, Robinson LE, Crowe H. Gender differences in fundamental motor skill development in disadvantaged preschoolers from two geographical regions. Res Q Exerc Sport 2010;81(1):17-24. Doi: 10.1080/02701367.2010.10599624
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, trazendo o questionamento de uma influência sociocultural a nível global. É importante que a prática de AF para pré-escolares seja orientada e leve em consideração as diferenças nas habilidades motoras fundamentais entre os gêneros.

O modelo conceitual proposto por Stodden et al.1313 Stodden DF, Goodway JD, Langendorfer SJ, Roberton MA, Rudisill ME, Garcia C, et al. A developmental perspective on the role of motor skill competence in physical activity: An emergent relationship. Quest 2008;60(2):290-306. Doi: 10.1080/00336297.2008.10483582
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sugere que a CM na infância tem importante papel para a prática de AF ao longo da vida, no qual a diferença motora pode ser resultante de diferentes aspectos (p. ex., ambiente, presença de AF sistemática, condição socioeconômica etc). Um recente modelo conceitual proposto por Hulteen et al.3232 Hulteen RM, Morgan PJ, Barnett LM, Stodden DF, Lubans DR. Development of foundational movement skills: A conceptual model for physical activity across the lifespan. Sports Med 2018;48:1533. Doi: 10.1007/s40279-018-0892-6
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sobre o desenvolvimento das habilidades motoras e a relação com a AF ao longo da vida discute um possível filtro sociocultural e geográfico, sugerindo que o local de moradia pode, em parte, determinar quais habilidades motoras serão desenvolvidas. É possível sugerir que diferenças socioculturais e geográficas resultem em diferenças motoras3333 Van Keulen GE, Benda RN, Ugrinowitsch H, Valentini NC, Krebs RJ. Influência de uma intervenção utilizando a prática variada e em blocos no desempenho das habilidades de controle de objetos. J Phys Educ 2016;27(1):2707. Doi: 10.4025/jphyseduc.v27i1.2707
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, e essas diferenças talvez possam ser melhor evidenciadas nas habilidades de controle de objeto. A habilidade de quicar a bola é típica da modalidade basquete, esporte popular nos Estados Unidos5454 Sampaio J, Lago C, Drinkwater EJ. Explanations for the United States of America&apos;s dominance in basketball at the Beijing Olympic Games (2008). J Sports Sci 2010;28(2):147-152. Doi: 10.1080/02640410903380486
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. Assim, é plausível esperar que a cultura de movimento de um local (p.ex., um país, ou uma região) possa influenciar a CM dos que compartilham aquele contexto.

A prática esportiva está associada a CM durante a primeira infância em ambos os gêneros, sendo fator preditor para a continuidade da prática e promovendo um ciclo comportamental positivo para o desenvolvimento motor, físico e psicológico4646 Queiroz DDR, Henrique RDS, Feitoza AHP, Medeiros JNSD, Souza CJFD, Lima TDJS, Cattuzzo MT. Competência motora de pré-escolares: Uma análise em crianças de escola pública e particular. Motri 2016;12(3):56-63. Doi: 10.6063/motricidade.6886
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,5555 Henrique RDS, Ré AHN, Stodden DF, Fransen J, Campos CM, Queiroz DR, Cattuzzo MT. Association between sports participation, motor competence and weight status: A longitudinal study. J Sci Med Sport 2016;19(10):825-829. Doi: 10.1016/j.jsams.2015.12.512
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,5656 Fransen J, Deprez D, Pion J, Tallir IB, D'Hondt E, Vaeyens R, et al. Changes in physical fitness and sports participation among children with different levels of motor competence: A 2-year longitudinal study. Pediatr Exerc Sci 2014;26(1):11-21. Doi: 10.1123/pes.2013-0005
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. Atualmente a falta de estudos longitudinais para estabelecer associações entre a CM de pré-escolares e a participação em esportes ao longo da vida gera uma grande lacuna para as futuras pesquisas. O estudo longitudinal de Henrique et al.5555 Henrique RDS, Ré AHN, Stodden DF, Fransen J, Campos CM, Queiroz DR, Cattuzzo MT. Association between sports participation, motor competence and weight status: A longitudinal study. J Sci Med Sport 2016;19(10):825-829. Doi: 10.1016/j.jsams.2015.12.512
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investigou a CM de pré-escolares e encontrou que crianças com melhor desempenho nas habilidades locomotoras e que iniciaram previamente a prática de esportes são mais propensas a praticar esportes dois anos depois. Nas fases de vida posteriores, a CM continua ser um importante preditor da AF5757 Lopes VP, Rodrigues LP, Maia JA, Malina RM. Motor coordination as predictor of physical activity in childhood. Scand J Med Sci Sports 2011;21(5):663-669. Doi: 10.1111/j.1600-0838.2009.01027.x
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, sendo associada positivamente com uma prática de AF moderada e moderada-intensa, e inversamente associada ao sedentarismo5858 Wrotniak BH, Epstein LH, Dorn JM, Jones KE, Kondilis VA. The relationship between motor proficiency and physical activity in children. Pediatrics 2006;118(6):e1758-e1765. Doi: 10.1542/peds.2006-0742
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, sobrepeso e obesidade14, 28. O estudo longitudinal de Hands5959 Hands, B. Changes in motor skill and fitness measures among children with high and low motor competence: A five-year longitudinal study. J Sci Med Sport 2008;11(2):155-162. Doi: 10.1016/j.jsams.2007.02.012
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avaliou durante cinco anos crianças com baixa CM e confirmou o impacto do baixo desempenho motor nas habilidades motoras ao longo do tempo e na aptidão física. As crianças com CM em níveis adequados parecem estar mais envolvidas com o esporte do que seus respectivos pares com baixa CM, sugerindo que crianças com bom desempenho motor são mais capazes de lidar com as demandas do esporte5656 Fransen J, Deprez D, Pion J, Tallir IB, D'Hondt E, Vaeyens R, et al. Changes in physical fitness and sports participation among children with different levels of motor competence: A 2-year longitudinal study. Pediatr Exerc Sci 2014;26(1):11-21. Doi: 10.1123/pes.2013-0005
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, que pode ser uma boa ferramenta para promover a melhora da CM e componentes da aptidão física relacionada à saúde6060 Cattuzzo MT, Henrique RS, Ré AHN, Oliveira IS, Melo BM, Moura M, et al. Motor competence and health related physical fitness in youth: A systematic review. J Sci Med Sport 2016;19(2):123-129. Doi: 10.1016/j.jsams.2014.12.004.
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.

Os resultados apontam a importância do ambiente em que a criança está inserida, bem como a importância das aulas de Educação Física nos anos pré-escolares para gerar um ciclo comportamental virtuoso e maior aderência à prática de AF nos anos posteriores, diminuindo riscos de doenças crônico-degenerativas, obesidade e sobrepeso.

Algumas limitações devem ser mencionadas. O presente estudo utilizou apenas um descritor para busca dos artigos, contudo, a especificidade da população (pré-escolares) facilitou o processo de análise dos artigos, diminuindo o risco de viés relacionado à exclusão de artigos. Outro ponto importante é o número relativamente reduzido de artigos localizados, ainda que tenham sido utilizadas as principais bases de publicações que envolvem a população brasileira. O baixo número de estudos nas regiões norte (0) e centro-oeste (0) impedem conclusões definitivas sobre a influência do contexto sociocultural nas diferentes regiões brasileiras, assim como a falta de estudos de caráter longitudinal, impedindo estabelecer relações de causalidades. Todavia, o presente estudo evidencia a lacuna a ser preenchida por pesquisas futuras.

Conclusões

Os resultados desta revisão sistemática demonstram que há diferenças no desempenho motor de pré-escolares de diferentes regiões e contextos socioculturais e que estas diferenças poderiam ser sanadas por meio de atividades físicas organizadas e orientadas por profissionais de Educação Física. A falta de estudos longitudinais e de amostragem descritiva representativa e a qualidade metodológica dos estudos encontrados dificulta o entendimento dos fatores potencialmente associados à CM; os resultados desta revisão permitem concluir que meninos e meninas têm apresentado diferenças em seu desempenho motor avaliado pelo TGMD-2, com superioridade dos meninos.

Agradecimentos

Essa pesquisa contou com o apoio da FAPESP - auxílio à pesquisa regular (processo 2017/08496-6).

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    15 Jun 2020
  • Data do Fascículo
    2020

Histórico

  • Recebido
    18 Dez 2018
  • Revisado
    20 Nov 2019
  • Aceito
    20 Dez 2019
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