Aspectos clínicos e histológicos da úlcera duodenal em crianças e adolescentes

OBJETIVO: Avaliar as características clínicas e histológicas de crianças e adolescentes com úlcera duodenal. MÉTODOS: Foram avaliadas prospectiva e consecutivamente 43 pacientes com úlcera duodenal ao longo de 6 anos (7,2 pacientes por ano). A avaliação consistiu de questionário clínico de sintomas dispépticos, exame físico e endoscopia digestiva com biópsias gástricas para exame histológico e detecção do Helicobacter pylori. RESULTADOS: A idade no diagnóstico variou de 4 anos e 8 meses a 17 anos e 4 meses (mediana = 12 anos e 4 meses). O sintoma mais freqüente foi dor abdominal (39/43, 90,7%): no epigástrio em 31/39, periumbilical em 7/39 e noturna em 27/39. Outros sintomas freqüentes foram: diminuição do apetite (32/43, 74,4%), vômitos (30/43, 69,8%), plenitude pós-prandial (23/43, 53,5%), perda de peso (22/43, 51,2%) e sensibilidade abdominal (19/43, 44,2%). Hemorragia digestiva alta ocorreu em 19/43 pacientes (44,2%), e anemia em 21/43 (48,8%). H. pylori foi detectado em 41/43 (95,3%), e todos esses pacientes apresentaram gastrite crônica ativa de antro, 92% deles com predomínio do infiltrado linfomononuclear. A erradicação da bactéria ocorreu em 68,3% dos pacientes infectados, mas houve cicatrização da lesão em 100% dos pacientes erradicados e em 89% dos não-erradicados. CONCLUSÃO: Úlcera duodenal foi associada à gastrite crônica por H. pylori na grande maioria dos pacientes. Houve grande freqüência de complicações, especialmente hemorragia digestiva alta.

Úlcera péptica; dispepsia; gastrite; Helicobacter pylori


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