Vigilância hospitalar de intussuscepção entre neonatos Como citar este artigo: Fernandes EG, Leshem E, Patel M, Flannery B, Pellini AC, Veras MA, et al. Hospital-based surveillance of intussusception among infants. J Pediatr (Rio J). 2016;92:181-7.

Eder Gatti Fernandes Eyal Leshem Manish Patel Brendan Flannery Alessandra Cristina Guedes Pellini Maria Amelia Veras Helena Keico Sato Sobre os autores

Resumo

Objetivo:

A vigilância da intussuscepção foi iniciada após a introdução da vacina monovalente viva atenuada contra rotavírus (RV1) em todo o país. O objetivo é avaliar a epidemiologia da intussuscepção e comparar a quantidade de casos antes e depois da introdução da vacina contra rotavírus.

Métodos:

Os casos de intussuscepção entre março de 2006 e janeiro de 2008 foram identificados por meio de um sistema de vigilância passivo prospectivo aprimorado estabelecido em hospitais-sentinela estaduais. A análise retrospectiva de prontuários médicos foi usada para identificar os casos que ocorreram em hospitais-sentinela entre janeiro de 2001 e fevereiro de 2006.

Resultados:

De 2001-2008, identificamos 331 casos de intussuscepção, 59,5% dos quais ocorreram em pacientes do sexo masculino, com pico de incidência entre aqueles com 18-24 semanas de idade. Em geral, < 10% dos casos ocorreram entre neonatos com 6-14 semanas de idade (quando a 1a dose de RV1 é administrada). Os sinais ou sintomas de intussuscepção observados com mais frequência incluíam vômito (89,4%), fezes com sangue (75,5%) e distensão abdominal (71,8%). A maioria (92,1%) dos pacientes precisou de cirurgia para o tratamento; 31,8% dos que se submeteram à cirurgia precisaram de ressecção intestinal e 13 (3,9%) vieram a óbito. Entre os 21 hospitais que relataram casos durante todo o período de vigilância (2001-2008), a quantidade de casos de intussuscepção em 2007 (n = 26) e 2008 (n = 19) não foi maior do que a quantidade média anual (31, faixa de 24-42) durante os anos-base de 2001-2005.

Conclusões:

Embora esta análise não tenha identificado um aumento nos casos de intussuscepção nos dois anos após a introdução da RV1, esses resultados justificam a necessidade de métodos epidemiológicos especiais para avaliar a possível associação entre a vacina contra rotavírus e esse evento adverso muito raro.

Palavras-chave
Vacina contra rotavírus; Intussuscepção; Vigilância; Brasil

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