Ansiedade e depressão em pacientes com doença arterial periférica internados em hospital terciário

José Aderval Aragão Larissa Gabrielly Ribeiro de Andrade Osmar Max Gonçalves Neves Iapunira Catarina Sant’Anna Aragão Felipe Matheus Sant’Anna Aragão Francisco Prado Reis Sobre os autores

Resumo

Contexto

Ansiedade e depressão são afecções neuropsiquiátricas altamente prevalentes e estão associadas a doenças crônicas, dor, perda de autonomia, dependência para realização de atividades rotineiras e solidão. A depressão, muitas vezes, possui relação de causa-consequência com outras doenças, como infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus e doença arterial periférica (DAP).

Objetivos

Estimar a frequência de ansiedade e depressão em pacientes de ambos os sexos com DAP, internados em hospital terciário.

Métodos

Trata-se de um estudo descritivo, transversal, com uma amostra não aleatória selecionada de forma consecutiva. Para avaliar a ansiedade e a depressão, foi utilizada a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS) e, para a DAP, foi utilizado o índice tornozelo-braquial (ITB).

Resultados

A prevalência de ansiedade nesses pacientes foi de 24,4%, havendo associação entre ansiedade e renda familiar mensal, tabagismo e HAS. Já a prevalência de depressão foi de 27,6%, sendo verificadas associações entre depressão e sexo feminino, em união estável ou casada, que sobrevive com até um salário mínimo, não etilista e hipertensa.

Conclusões

É possível perceber que há uma alta prevalência de transtornos de ansiedade e depressão nos pacientes com DAP. Esses transtornos são subdiagnosticados e, consequentemente, não são devidamente tratados.

Palavras-chave:
depressão; ansiedade; doenças vasculares; doença arterial periférica

Abstract

Background

Anxiety and depression are highly prevalent neuropsychiatric conditions and are associated with chronic diseases, pain, loss of autonomy, dependence on others to perform routine activities, and loneliness. Depression often has a cause-and-effect relationship with other diseases, such as: acute myocardial infarction (AMI), systemic arterial hypertension (SAH), diabetes mellitus (DM) and peripheral arterial disease (PAD).

Objectives

To estimate the frequency of anxiety and depression in patients of both sexes with PAD admitted to a tertiary hospital.

Methods

This is a descriptive, cross-sectional study, with a non-random sample selected consecutively. The Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS) was used to assess anxiety and depression, and the ankle-brachial index (ABI) was used to assess PAD.

Results

The prevalence of anxiety in these patients was 24.4%, with associations between anxiety and monthly family income, smoking, and SAH. The prevalence of depression was 27.6%, with associations between depression and the female gender, being married or in a stable relationship, living on a family income of one minimum wage or less, not being an alcoholic, and having hypertension.

Conclusions

There are high prevalence rates of anxiety and depressive disorders among patients with PAD, which are underdiagnosed and, hence, not properly treated.

Keywords:
depression; anxiety; vascular diseases; peripheral artery diseases

INTRODUÇÃO

Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e transtornos depressivos são afecções neuropsiquiátricas prevalentes que estão comumente associadas a doenças crônicas, dor, perda de autonomia, dependência para realização de atividades rotineiras, dificuldades em relacionamentos interpessoais e solidão. Também se correlacionam a fatores de risco biológicos, tais como comprometimento cognitivo, hipertensão arterial sistêmica (HAS), doenças crônicas, limitações funcionais, autopercepção negativa da saúde, uso de medicações, tabagismo e etilismo11 Daskalopoulou M, George J, Walters K, et al. Depression as a risk factor for the initial presentation of twelve cardiac, cerebrovascular, and peripheral arterial diseases: data linkage study of 1.9 million women and men. PLoS One. 2016;11(4):e0153838. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0153838. PMid:27105076.
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.

Além disso, pacientes com esses transtornos mentais associados podem ter um pior prognóstico de cronicidade da doença e maior comprometimento funcional, bem como maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares (DCVs) e acidente vascular encefálico (AVE). Assim, esses transtornos podem se equiparar a fatores de risco tradicionalmente reconhecidos22 Andreescu C, Varon D. New research on anxiety disorders in the elderly and na update on evidence-based treatments. Curr Psychiatry Rep. 2015;17(7):53. http://dx.doi.org/10.1007/s11920-015-0595-8. PMid:25980510.
http://dx.doi.org/10.1007/s11920-015-059...

3 Butnoriene J, Bunevicius A, Saudargiene A, et al. Metabolic syndrome, major depression, generalized anxiety disorder, and ten-year all-cause and cardiovascular mortality in middle aged and elderly patients. Int J Cardiol. 2015;190:360-6. http://dx.doi.org/10.1016/j.ijcard.2015.04.122. PMid:25939128.
http://dx.doi.org/10.1016/j.ijcard.2015....
-44 AbuRuz ME. Perceived control moderates the relationship between anxiety and in-hospital complications after ST segment elevation myocardial infarction. J Multidiscip Healthc. 2018;11:359-65. http://dx.doi.org/10.2147/JMDH.S170326. PMid:30100731.
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, além de estarem associados ao declínio cognitivo, aumentando, assim, a mortalidade22 Andreescu C, Varon D. New research on anxiety disorders in the elderly and na update on evidence-based treatments. Curr Psychiatry Rep. 2015;17(7):53. http://dx.doi.org/10.1007/s11920-015-0595-8. PMid:25980510.
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,33 Butnoriene J, Bunevicius A, Saudargiene A, et al. Metabolic syndrome, major depression, generalized anxiety disorder, and ten-year all-cause and cardiovascular mortality in middle aged and elderly patients. Int J Cardiol. 2015;190:360-6. http://dx.doi.org/10.1016/j.ijcard.2015.04.122. PMid:25939128.
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,55 Bessey LJ, Radue RM, Chapman EN, Boyle LL, Shah MN. Behavioral health needs of older adults in the emergency department. Clin Geriatr Med. 2018;34(3):469-89. http://dx.doi.org/10.1016/j.cger.2018.05.002. PMid:30031428.
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.

Segundo estudos epidemiológicos, o TAG e a depressão estão entre as 10 primeiras causas de anos perdidos por incapacidade no mundo. Transtornos de ansiedade ocupam, no mundo e no Brasil, a nona e a quarta posições, respectivamente, entre as principais causas de incapacidade, com uma prevalência de 14,9% (13-16,8%) na população mundial, o que corresponde a aproximadamente 270 milhões de pessoas. Já os transtornos depressivos são a terceira causa de incapacidade em todo o mundo, bem como a segunda causa no Brasil66 Vos T, Barber RM, Bell B, et al. Global Burden of Disease Study 2013 collaborators. Global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 301 acute and chronic diseases and injuries in 188 countries, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet. 2015;386(9995):743-800. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(15)60692-4. PMid:26063472.
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,77 Vos T, Allen C, Arora M, et al. GBD 2015 disease and injury incidence and prevalence collaborators. global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 310 diseases and injuries, 1990-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet. 2016;388(10053):1545-602. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(16)31678-6. PMid:27733282.
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O transtorno depressivo maior é o mais prevalente, afetando cerca de 350 milhões de pessoas no mundo, em todas as idades e ambos os sexos, e está associado a um alto risco de recaída, que atinge cerca de 50% após o primeiro episódio depressivo e até 80% após dois episódios77 Vos T, Allen C, Arora M, et al. GBD 2015 disease and injury incidence and prevalence collaborators. global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 310 diseases and injuries, 1990-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet. 2016;388(10053):1545-602. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(16)31678-6. PMid:27733282.
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8 Sankar A, Melin A, Lorenzetti V, Horton P, Costafreda SG, Fu CHY. A systematic review and meta-analysis of the neural correlates of psychological therapies in major depression. Psychiatry Res Neuroimaging. 2018;279:31-9. http://dx.doi.org/10.1016/j.pscychresns.2018.07.002. PMid:30081291.
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-99 LeMoult J, Gotlib IH. Depression: a cognitive perspective. Clin Psychol Rev. 2019;69:51-66. http://dx.doi.org/10.1016/j.cpr.2018.06.008.
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. A distimia (ou depressão persistente), por sua vez, afeta 19,9% no mundo. Nesse cenário, há um alto índice de pessoas acometidas por doença arterial periférica (DAP), correspondendo a cerca de 155 milhões de pessoas no mundo, com uma estimativa de aproximadamente 10% dos adultos com mais de 55 anos77 Vos T, Allen C, Arora M, et al. GBD 2015 disease and injury incidence and prevalence collaborators. global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 310 diseases and injuries, 1990-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet. 2016;388(10053):1545-602. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(16)31678-6. PMid:27733282.
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,1010 Fowkes FG, Rudan D, Rudan I, et al. Comparison of global estimates of prevalence and risk factors for peripheral artery disease in 2000 and 2010: a systematic review and analysis. Lancet. 2013;382(9901):1329-40. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(13)61249-0. PMid:23915883.
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.

Infere-se desse contexto sombrio que o tratamento desses distúrbios psiquiátricos graves, principalmente quando em consonância com doenças físicas crônicas, é bastante complexo e oneroso. Os custos são exorbitantes, pois, além da incapacidade laborativa efetiva, há o dano previdenciário oculto e o aumento de gastos gerais para essas famílias66 Vos T, Barber RM, Bell B, et al. Global Burden of Disease Study 2013 collaborators. Global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 301 acute and chronic diseases and injuries in 188 countries, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet. 2015;386(9995):743-800. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(15)60692-4. PMid:26063472.
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,77 Vos T, Allen C, Arora M, et al. GBD 2015 disease and injury incidence and prevalence collaborators. global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 310 diseases and injuries, 1990-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet. 2016;388(10053):1545-602. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(16)31678-6. PMid:27733282.
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,99 LeMoult J, Gotlib IH. Depression: a cognitive perspective. Clin Psychol Rev. 2019;69:51-66. http://dx.doi.org/10.1016/j.cpr.2018.06.008.
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,1111 González ACT, Ignácio ZM, Jornada LK, et al. Depressive disorders and comorbidities among the elderly: a population-based study. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2016;19(1):95-103. http://dx.doi.org/10.1590/1809-9823.2016.14210.
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. É importante ressaltar que tais pacientes também podem ter suas comorbidades agravadas ou não controladas pela maior resistência ao uso de medicações diárias e/ou ao tratamento da própria depressão. Se não devidamente tratados, maiores são as taxas de incapacidade e de mortalidade, devido tanto a problemas físicos quanto psíquicos1212 Kronish IM, Rieckmann N, Halm EA, et al. Persistent depression affects adherence to secondary prevention behaviors after acute coronary syndromes. J Gen Intern Med. 2006;21(11):1178-83. http://dx.doi.org/10.1111/j.1525-1497.2006.00586.x. PMid:16899061.
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.

Atualmente, o suicídio é a segunda causa de morte mais comum entre adultos jovens no mundo, com efeitos devastadores para as famílias e para a sociedade77 Vos T, Allen C, Arora M, et al. GBD 2015 disease and injury incidence and prevalence collaborators. global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 310 diseases and injuries, 1990-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet. 2016;388(10053):1545-602. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(16)31678-6. PMid:27733282.
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,1313 Bartels SJ, Dums AR, Oxman TE, et al. Evidence-based practices in geriatric mental health care: an overview of systematic reviews and meta-analyses. Psychiatr Clin North Am. 2003;26(4):971-90, x-xi. http://dx.doi.org/10.1016/S0193-953X(03)00072-8. PMid:14711131.
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14 Kiosses DN, Szanto K, Alexopoulos GS. Suicide in older adults: the role of emotions and cognition. Curr Psychiatry Rep. 2014;16(11):495. http://dx.doi.org/10.1007/s11920-014-0495-3. PMid:25226883.
http://dx.doi.org/10.1007/s11920-014-049...
-1515 Ferrari AJ, Charlson FJ, Norman RE, et al. Burden of depressive disorders by country, sex, age, and year: findings from the global burden of disease study 2010. PLoS Med. 2013;10(11):e1001547. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pmed.1001547. PMid:24223526.
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. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2015, cerca de 800.000 suicídios foram documentados no mundo e 78% deles ocorreram em países de baixa e média renda1616 Bachmann S. Epidemiology of suicide and the psychiatric perspective. Int J Environ Res Public Health. 2018;15(7):E1425. http://dx.doi.org/10.3390/ijerph15071425. PMid:29986446.
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, sendo a maioria dos casos relacionada a doenças psiquiátricas, como depressão (30%), uso de substâncias (18%) e transtornos relacionados à personalidade e à ansiedade (13%). Uma taxa global de suicídio de 147 por 100.000 pacientes internados foi evidenciada na literatura, sugerindo que o estado de internação por si só pode ser um fator de risco muito maior em comparação com a taxa de 8,6% relatada para pacientes ambulatoriais nunca internados; portanto, deve-se dar atenção especial às 4–12 semanas após a alta hospitalar, quando essas taxas aumentam. Quando indivíduos com sintomas depressivos graves são admitidos em um serviço de internação, suas taxas de suicídio (21%) dobram com relação às de pacientes ambulatoriais1616 Bachmann S. Epidemiology of suicide and the psychiatric perspective. Int J Environ Res Public Health. 2018;15(7):E1425. http://dx.doi.org/10.3390/ijerph15071425. PMid:29986446.
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.

A depressão, muitas vezes, possui relação de causa-consequência com outras doenças crônicas, como infarto agudo do miocárdio (IAM), HAS, diabetes mellitus (DM) e câncer, os quais, por sua vez, aumentam a probabilidade de depressão11 Daskalopoulou M, George J, Walters K, et al. Depression as a risk factor for the initial presentation of twelve cardiac, cerebrovascular, and peripheral arterial diseases: data linkage study of 1.9 million women and men. PLoS One. 2016;11(4):e0153838. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0153838. PMid:27105076.
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,99 LeMoult J, Gotlib IH. Depression: a cognitive perspective. Clin Psychol Rev. 2019;69:51-66. http://dx.doi.org/10.1016/j.cpr.2018.06.008.
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,1515 Ferrari AJ, Charlson FJ, Norman RE, et al. Burden of depressive disorders by country, sex, age, and year: findings from the global burden of disease study 2010. PLoS Med. 2013;10(11):e1001547. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pmed.1001547. PMid:24223526.
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,1717 Alexopoulos GS. Depression in the elderly. Lancet. 2005;365(9475):1961-70. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)66665-2. PMid:15936426.
http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)...

18 Symonides B, Holas P, Schram M, Śleszycka J, Bogaczewicz A, Gaciong Z. Does the control of negative emotions influence blood pressure control and its variability? Blood Press. 2014;23(6):323-9. http://dx.doi.org/10.3109/08037051.2014.901006. PMid:24786662.
http://dx.doi.org/10.3109/08037051.2014....
-1919 Mannie ZN, Williams C, Diesch J, Steptoe A, Leeson P, Cowen PJ. Cardiovascular and metabolic risk profile in young people at familial risk of depression. Br J Psychiatry. 2013;203(1):18-23. http://dx.doi.org/10.1192/bjp.bp.113.126987. PMid:23703316.
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. Tais comorbidades são independentemente associadas às concentrações elevadas de marcadores inflamatórios circulantes, que podem estar envolvidas na patogênese dos sintomas e contribuir para o aumento do risco de complicações e mortalidade nesse grupo, com evidências do envolvimento da imunidade inata ativada nesse processo2020 Laake JP, Stahl D, Amiel SA, et al. The association between depressive symptoms and systemic inflammation in people with type 2 diabetes: findings from the South London diabetes study. Diabetes Care. 2014;37(8):2186-92. http://dx.doi.org/10.2337/dc13-2522. PMid:24842983.
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,2121 Ridker PM, Rifai N, Rose L, Buring JE, Cook NR. Comparison of C-reactive protein and low-density lipoprotein cholesterol levels in the prediction of first cardiovascular events. N Engl J Med. 2002;347(20):1557-65. http://dx.doi.org/10.1056/NEJMoa021993. PMid:12432042.
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. É sabido que pacientes com DAP normalmente apresentam, concomitantemente, doença cerebral ou coronariana relevante, refletindo um aumento de seis vezes na mortalidade por eventos cardiovasculares, mesmo naqueles que são assintomáticos, visto que seus fatores de risco, geralmente, são semelhantes aos das DCVs1010 Fowkes FG, Rudan D, Rudan I, et al. Comparison of global estimates of prevalence and risk factors for peripheral artery disease in 2000 and 2010: a systematic review and analysis. Lancet. 2013;382(9901):1329-40. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(13)61249-0. PMid:23915883.
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,2222 Mascarenhas JV, Albayati MA, Shearman CP, Jude EB. Peripheral arterial disease. Endocrinol Metab Clin North Am. 2014;43(1):149-66. http://dx.doi.org/10.1016/j.ecl.2013.09.003. PMid:24582096.
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23 Guirguis-Blake JM, Evans CV, Redmond N, Lin JS. Screening for peripheral artery disease using the Ankle-Brachial Index: updated evidence report and systematic review for the US preventive services task force. JAMA. 2018;320(2):184-96. http://dx.doi.org/10.1001/jama.2018.4250. PMid:29998343.
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24 Dua A, Lee CJ. Epidemiology of peripheral arterial disease and critical limb ischemia. Tech Vasc Interv Radiol. 2016;19(2):91-5. http://dx.doi.org/10.1053/j.tvir.2016.04.001. PMid:27423989.
http://dx.doi.org/10.1053/j.tvir.2016.04...
-2525 Jin J. Screening for peripheral artery disease with Ankle-Brachial Index. JAMA. 2018;320(2):212. http://dx.doi.org/10.1001/jama.2018.9112. PMid:29998339.
http://dx.doi.org/10.1001/jama.2018.9112...
.

Por tudo isso, justifica-se a relevância de um estudo que documente a associação existente entre ansiedade ou depressão e DAP, visto que há uma escassez de dados na literatura referentes a tal correlação. Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo estimar a frequência de ansiedade e de depressão em pacientes de ambos os sexos com DAP, internados em um hospital terciário de Sergipe, e correlacionar esses dados com fatores socioeconômicos, hábitos e vícios, claudicação intermitente, isquemia crítica, doenças crônicas, medicações em uso e amputações.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo descritivo, observacional, transversal realizado no serviço de cirurgia vascular de um hospital terciário, com uma amostra não aleatória selecionada de forma consecutiva durante o período de novembro de 2016 a abril de 2017. Foram incluídos todos os pacientes com diagnóstico de DAP internados no serviço de cirurgia vascular para tratamento clínico ou cirúrgico. Para a coleta de dados, foram aplicados um questionário sociodemográfico (confeccionado pelos pesquisadores) e a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal de Sergipe com o parecer nº 1.217.875, e todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

Para avaliar a presença de DAP, foi eleito o índice tornozelo-braquial (ITB) por sua reconhecida sensibilidade e especificidade no diagnóstico2626 Smolderen KG, Hoeks SE, Pedersen SS, van Domburg RT, de Liefde II, Poldermans D. Lower-leg symptoms in peripheral arterial disease are associated with anxiety, depression, and anhedonia. Vasc Med. 2009;14(4):297-304. http://dx.doi.org/10.1177/1358863X09104658. PMid:19808714.
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. Esse índice baseia-se nas relações das medidas de pressão arterial sistólica (PAS) nos membros superiores (MMSS) e inferiores (MMII). Aferiu-se a PAS nas artérias braquial, tibial posterior e pediosa, com o paciente em decúbito dorsal e em temperatura ambiente para evitar vasoconstricção arterial periférica. O maior valor pressórico encontrado era dividido pelo maior valor encontrado nos MMSS ipsilateralmente. Valores inferiores a 0,9 em qualquer membro determinavam o diagnóstico de DAP, enquanto valores entre 0,9 e 1,4 foram considerados normais e valores acima de 1,4 foram associados à calcificação da camada média e rigidez da parede vascular, tornando as artérias não compressíveis à insuflação do manguito2727 Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Doença arterial obstrutiva periférica (DAOP). J Vasc Bras. 2005;4:S222-8..

Já para avaliar ansiedade e depressão, foi utilizada a escala HADS, proposta por Zigmond e Snaith2828 Zigmond AS, Snaith RP. The hospital anxiety and depression scale. Acta Psychiatr Scand. 1983;67(6):361-70. http://dx.doi.org/10.1111/j.1600-0447.1983.tb09716.x. PMid:6880820.
http://dx.doi.org/10.1111/j.1600-0447.19...
em 1983 e validada no Brasil por Botega et al.2929 Botega NJ, Pondé MP, Medeiros P, Lima MG, Guerreiro CAM. Validação da escala hospitalar de ansiedade e depressão (HAD) em pacientes epiléticos ambulatoriais. J Bras Psiquiatr. 1998;47(6):285-9.. Consiste em 14 itens, dos quais sete referem-se à avaliação da ansiedade (HADS-A) e sete, à avaliação da depressão (HADS-D). Cada um dos itens pode ser pontuado de 0 a 3, compondo uma pontuação máxima de 21 pontos para cada escala. Dessa forma, a frequência de transtorno de ansiedade e de transtorno depressivo foi obtida a partir das respostas aos itens da HADS. Foram adotados os seguintes pontos de corte recomendados: tanto para a HADS-A quanto para a HADS-D, pontuações de 0 a 8 indicam que o paciente não tem nenhuma dessas afecções, enquanto pontuações maiores ou iguais a 9 são traduzidas como ansiedade ou como depressão, respectivamente.

Para melhor identificar e caracterizar os pacientes inclusos no estudo, foi aplicado um questionário sociodemográfico com itens relativos a gênero, procedência, estado civil, religião, nível de escolaridade e renda econômica familiar, além de informações sobre cirurgias prévias, uso contínuo de medicações e comorbidades como HAS, DM, tabagismo e etilismo.

Os dados foram organizados em planilhas e analisados estatisticamente com o auxílio do programa SPSS, versão 21. Para análise de associações entre as variáveis e os desfechos ansiedade e depressão, foi utilizado o teste do qui-quadrado de Pearson, com um índice de confiança de 95% e com valores de p ≤ 0,05 estatisticamente significantes. Após, foi feita uma análise multivariada com regressão logística para o cálculo das razões de probabilidade (odds ratio) ajustadas e não ajustadas.

RESULTADOS

Entre os 127 pacientes com diagnóstico de DAP entrevistados, a média de idade foi de 66,4 anos (31–91 anos), com um discreto aumento de frequência do sexo masculino (54,3%). Procediam, em sua grande maioria, do interior do Estado (66,4%), eram casados ou em união estável (56,7%), católicos (86,6%), com baixo nível de escolaridade (26% analfabetos), aposentados (74%), vivendo com renda familiar mensal igual ou inferior a um salário mínimo (74%) (Figura 1).

Figura 1
Variáveis sociodemográficas, em números percentuais, em relação aos pacientes entrevistados (n = 127).

A prevalência de ansiedade nesses pacientes com DAP internados no serviço de cirurgia vascular do hospital terciário foi de 24,4% (31 de 127), com média de idade de 68,33 (±12,09) anos. A análise estatística com o teste do qui-quadrado mostrou que houve associação entre TAG e renda familiar mensal, tabagismo e HAS em uso de anti-hipertensivos. Não foi demonstrada associação entre quaisquer classes de anti-hipertensivos e esse transtorno (Tabela 1). A partir desses dados, não foi possível calcular a regressão logística com a razão de probabilidade ajustada, pois as variáveis não são estatisticamente significativas quando feita a análise múltipla, só sendo possível correlacioná-las aos pares.

Tabela 1
Perfil dos pacientes com ansiedade.

Já a prevalência de transtorno depressivo nos pacientes, por sua vez, foi de 27,6% (35 de 127), com média de idade de 69,7 (± 9,8) anos. Com relação ao perfil desses pacientes, verificou-se associação significativa com o sexo feminino, em união estável ou casadas, que sobrevivem com até um salário mínimo, não etilistas e hipertensas. No entanto, não houve associação significativa entre depressão e procedência do paciente, religião, estado ocupacional, prática regular de atividade física, tabagismo, claudicação intermitente, isquemia crítica, presença de úlcera nos membros, uso de anti-hipertensivos ou hipoglicemiantes ou, ainda, ansiolíticos/antidepressivos, DM, cirurgias e/ou amputações (Tabela 2).

Tabela 2
Perfil dos pacientes com depressão.

A partir da regressão logística com razão de probabilidade ajustada, foi verificado, ainda, que pacientes do sexo feminino possuem um risco aproximadamente 3,7 vezes maior de desenvolver depressão, e que quem possui uma renda mensal menor ou igual a um salário mínimo tem um risco cerca de 3,34 vezes maior. Em relação aos pacientes que realizaram algum tipo de amputação, há um risco 2,66 vezes maior de desenvolver tal morbidade (Tabela 3).

Tabela 3
Razão de probabilidade ajustada de desenvolver depressão.

DISCUSSÃO

Transtornos de ansiedade e de depressão afetam em larga escala pacientes que possuem comorbidades crônicas e deficiências cognitivas, causando sofrimento, redução das relações sociais e incapacidade física do indivíduo. Esses transtornos pioram o prognóstico de tais comorbidades e aumentam as taxas de mortalidade precoce, que pode ocorrer pela própria incapacidade ou pelo suicídio66 Vos T, Barber RM, Bell B, et al. Global Burden of Disease Study 2013 collaborators. Global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 301 acute and chronic diseases and injuries in 188 countries, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet. 2015;386(9995):743-800. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(15)60692-4. PMid:26063472.
http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(15)...
,77 Vos T, Allen C, Arora M, et al. GBD 2015 disease and injury incidence and prevalence collaborators. global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 310 diseases and injuries, 1990-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet. 2016;388(10053):1545-602. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(16)31678-6. PMid:27733282.
http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(16)...
,1616 Bachmann S. Epidemiology of suicide and the psychiatric perspective. Int J Environ Res Public Health. 2018;15(7):E1425. http://dx.doi.org/10.3390/ijerph15071425. PMid:29986446.
http://dx.doi.org/10.3390/ijerph15071425...
,1717 Alexopoulos GS. Depression in the elderly. Lancet. 2005;365(9475):1961-70. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)66665-2. PMid:15936426.
http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)...
.

A prevalência de ansiedade em nossa amostra foi de 24,4%, enquanto a de depressão foi de 27,6%, com uma média de idade de 68,33 e 69,7 anos, respectivamente. As mulheres idosas foram mais diagnosticadas com TAG e com transtorno depressivo, assim como foi percebido anteriormente em alguns estudos55 Bessey LJ, Radue RM, Chapman EN, Boyle LL, Shah MN. Behavioral health needs of older adults in the emergency department. Clin Geriatr Med. 2018;34(3):469-89. http://dx.doi.org/10.1016/j.cger.2018.05.002. PMid:30031428.
http://dx.doi.org/10.1016/j.cger.2018.05...
,1414 Kiosses DN, Szanto K, Alexopoulos GS. Suicide in older adults: the role of emotions and cognition. Curr Psychiatry Rep. 2014;16(11):495. http://dx.doi.org/10.1007/s11920-014-0495-3. PMid:25226883.
http://dx.doi.org/10.1007/s11920-014-049...
,3030 Meyer T, Chavanon ML, Herrrmann-Lingen C, et al. Elevated plasma C-terminal endothelin-1 precursor fragment concentrations are associated with less anxiety in patients with cardiovascular risk factors. Results from the observational DIAST-CHF study. PLoS One. 2015;10(8):e0136739. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0136739. PMid:26322793.
http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0...
,3131 Fernández-Niño JA, Bonilla-Tinoco LJ, Manrique-Espinoza BS, Romero-Martínez M, Sosa-Ortiz AL. Work status, retirement, and depression in older adults: an analysis of six countries based on the Study on Global Ageing and Adult Health (SAGE). SSM Popul Health. 2018;6:1-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.ssmph.2018.07.008. PMid:30101185.
http://dx.doi.org/10.1016/j.ssmph.2018.0...
. Porém, Bhutani et al.3232 Bhutani S, Bhutani J, Chhabra A, Uppal R. Living with amputation: anxiety and depression correlates. J Clin Diagn Res. 2016;10(9):RC09-12. http://dx.doi.org/10.7860/JCDR/2016/20316.8417. PMid:27790532.
http://dx.doi.org/10.7860/JCDR/2016/2031...
, em um estudo sobre o risco de tais transtornos em pacientes amputados por causas externas, verificaram que os idosos tinham menos ansiedade e depressão que os jovens, visto que os primeiros têm menos expectativas e menor probabilidade de desenvolver transtornos emocionais.

Além disso, pacientes mais velhos com comorbidades exibem mais depressão e ansiedade1717 Alexopoulos GS. Depression in the elderly. Lancet. 2005;365(9475):1961-70. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)66665-2. PMid:15936426.
http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)...
,3333 Brostow DP, Petrik ML, Starosta AJ, Waldo SW. Depression in patients with peripheral arterial disease: a systematic review. Eur J Cardiovasc Nurs. 2017;16(3):181-93. http://dx.doi.org/10.1177/1474515116687222. PMid:28051339.
http://dx.doi.org/10.1177/14745151166872...
. Nesse contexto, o presente estudo demonstrou haver associação entre tais transtornos e HAS conforme a literatura disponível1717 Alexopoulos GS. Depression in the elderly. Lancet. 2005;365(9475):1961-70. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)66665-2. PMid:15936426.
http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)...
,3434 Graham N, Smith DJ. Comorbidity of depression and anxiety disorders in patients with hypertension. J Hypertens. 2016;34(3):397-8. http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000000850. PMid:26818922.
http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000...

35 Teixeira RB, Marins JC, de Sá-Junior AR, et al. Psychological and cognitive profile of hypertensive and diabetic patients. J Nerv Ment Dis. 2015;203(10):781-5. http://dx.doi.org/10.1097/NMD.0000000000000367. PMid:26348587.
http://dx.doi.org/10.1097/NMD.0000000000...
-3636 Sandström YK, Ljunggren G, Wändell P, Wahlström L, Carlsson AC. Psychiatric comorbidities in patients with hypertension--a study of registered diagnoses 2009-2013 in the total population in Stockholm County, Sweden. J Hypertens. 2016;34(3):414-20, discussion 420. http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000000824. PMid:26766563.
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. No entanto, não é possível afirmar se a HAS é uma das causas desses transtornos em pacientes vulneráveis, se é um fator agravante ou se esses transtornos predispõem ao desenvolvimento da HAS, ou, ainda, se há uma relação bidirecional11 Daskalopoulou M, George J, Walters K, et al. Depression as a risk factor for the initial presentation of twelve cardiac, cerebrovascular, and peripheral arterial diseases: data linkage study of 1.9 million women and men. PLoS One. 2016;11(4):e0153838. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0153838. PMid:27105076.
http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0...
,99 LeMoult J, Gotlib IH. Depression: a cognitive perspective. Clin Psychol Rev. 2019;69:51-66. http://dx.doi.org/10.1016/j.cpr.2018.06.008.
http://dx.doi.org/10.1016/j.cpr.2018.06....
,1515 Ferrari AJ, Charlson FJ, Norman RE, et al. Burden of depressive disorders by country, sex, age, and year: findings from the global burden of disease study 2010. PLoS Med. 2013;10(11):e1001547. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pmed.1001547. PMid:24223526.
http://dx.doi.org/10.1371/journal.pmed.1...
,1717 Alexopoulos GS. Depression in the elderly. Lancet. 2005;365(9475):1961-70. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)66665-2. PMid:15936426.
http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)...

18 Symonides B, Holas P, Schram M, Śleszycka J, Bogaczewicz A, Gaciong Z. Does the control of negative emotions influence blood pressure control and its variability? Blood Press. 2014;23(6):323-9. http://dx.doi.org/10.3109/08037051.2014.901006. PMid:24786662.
http://dx.doi.org/10.3109/08037051.2014....
-1919 Mannie ZN, Williams C, Diesch J, Steptoe A, Leeson P, Cowen PJ. Cardiovascular and metabolic risk profile in young people at familial risk of depression. Br J Psychiatry. 2013;203(1):18-23. http://dx.doi.org/10.1192/bjp.bp.113.126987. PMid:23703316.
http://dx.doi.org/10.1192/bjp.bp.113.126...
,3535 Teixeira RB, Marins JC, de Sá-Junior AR, et al. Psychological and cognitive profile of hypertensive and diabetic patients. J Nerv Ment Dis. 2015;203(10):781-5. http://dx.doi.org/10.1097/NMD.0000000000000367. PMid:26348587.
http://dx.doi.org/10.1097/NMD.0000000000...
,3636 Sandström YK, Ljunggren G, Wändell P, Wahlström L, Carlsson AC. Psychiatric comorbidities in patients with hypertension--a study of registered diagnoses 2009-2013 in the total population in Stockholm County, Sweden. J Hypertens. 2016;34(3):414-20, discussion 420. http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000000824. PMid:26766563.
http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000...
.

Outro ponto imprescindível para discussão é que tanto a ansiedade quanto a depressão são fatores de risco para DCV, como IAM e AVE, e DAP11 Daskalopoulou M, George J, Walters K, et al. Depression as a risk factor for the initial presentation of twelve cardiac, cerebrovascular, and peripheral arterial diseases: data linkage study of 1.9 million women and men. PLoS One. 2016;11(4):e0153838. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0153838. PMid:27105076.
http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0...
,1515 Ferrari AJ, Charlson FJ, Norman RE, et al. Burden of depressive disorders by country, sex, age, and year: findings from the global burden of disease study 2010. PLoS Med. 2013;10(11):e1001547. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pmed.1001547. PMid:24223526.
http://dx.doi.org/10.1371/journal.pmed.1...
,1717 Alexopoulos GS. Depression in the elderly. Lancet. 2005;365(9475):1961-70. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)66665-2. PMid:15936426.
http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)...
,3030 Meyer T, Chavanon ML, Herrrmann-Lingen C, et al. Elevated plasma C-terminal endothelin-1 precursor fragment concentrations are associated with less anxiety in patients with cardiovascular risk factors. Results from the observational DIAST-CHF study. PLoS One. 2015;10(8):e0136739. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0136739. PMid:26322793.
http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0...
,3434 Graham N, Smith DJ. Comorbidity of depression and anxiety disorders in patients with hypertension. J Hypertens. 2016;34(3):397-8. http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000000850. PMid:26818922.
http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000...

35 Teixeira RB, Marins JC, de Sá-Junior AR, et al. Psychological and cognitive profile of hypertensive and diabetic patients. J Nerv Ment Dis. 2015;203(10):781-5. http://dx.doi.org/10.1097/NMD.0000000000000367. PMid:26348587.
http://dx.doi.org/10.1097/NMD.0000000000...

36 Sandström YK, Ljunggren G, Wändell P, Wahlström L, Carlsson AC. Psychiatric comorbidities in patients with hypertension--a study of registered diagnoses 2009-2013 in the total population in Stockholm County, Sweden. J Hypertens. 2016;34(3):414-20, discussion 420. http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000000824. PMid:26766563.
http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000...

37 Kheirabadi GR, Toghani F, Kousha M, et al. Is there any association of anxiety-depressive symptoms with vascular endothelial function or systemic inflammation? J Res Med Sci. 2013;18(11):979-83. PMid:24523785.
-3838 Tajfard M, Ghayour Mobarhan M, Rahimi HR, et al. Anxiety, depression, coronary artery disease and diabetes mellitus; an association study in ghaem hospital, iran. Iran Red Crescent Med J. 2014;16(9):e14589. http://dx.doi.org/10.5812/ircmj.14589. PMid:25593715.
http://dx.doi.org/10.5812/ircmj.14589...
. Isso pode ser explicado pelo fato de que o paciente ansioso/depressivo tende a ter um estilo de vida menos saudável, com erros alimentares e sem a prática de exercícios físicos3333 Brostow DP, Petrik ML, Starosta AJ, Waldo SW. Depression in patients with peripheral arterial disease: a systematic review. Eur J Cardiovasc Nurs. 2017;16(3):181-93. http://dx.doi.org/10.1177/1474515116687222. PMid:28051339.
http://dx.doi.org/10.1177/14745151166872...
,3939 Lugtenburg A, Oude Voshaar RC, Van Zelst W, Schoevers RA, Enriquez-Geppert S, Zuidersma M. The relationship between depression and executive function and the impact of vascular disease burden in younger and older adults. Age Ageing. 2017;46(4):697-701. http://dx.doi.org/10.1093/ageing/afx043. PMid:28398458.
http://dx.doi.org/10.1093/ageing/afx043...
, como foi percebido em nossa amostra, cuja imensa maioria não praticava exercícios físicos regulares. Entretanto, em contradição com alguns estudos3333 Brostow DP, Petrik ML, Starosta AJ, Waldo SW. Depression in patients with peripheral arterial disease: a systematic review. Eur J Cardiovasc Nurs. 2017;16(3):181-93. http://dx.doi.org/10.1177/1474515116687222. PMid:28051339.
http://dx.doi.org/10.1177/14745151166872...
,3636 Sandström YK, Ljunggren G, Wändell P, Wahlström L, Carlsson AC. Psychiatric comorbidities in patients with hypertension--a study of registered diagnoses 2009-2013 in the total population in Stockholm County, Sweden. J Hypertens. 2016;34(3):414-20, discussion 420. http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000000824. PMid:26766563.
http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000...
, esse fator não influenciou a presença do quadro depressivo. Além disso, o estresse causado pode não ser inibido pelos mediadores de resposta ao estresse, reduzindo a imunidade do paciente e acelerando o processo de aterosclerose, que é um dos principais fatores causais dessas DCVs1717 Alexopoulos GS. Depression in the elderly. Lancet. 2005;365(9475):1961-70. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)66665-2. PMid:15936426.
http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)...
,2020 Laake JP, Stahl D, Amiel SA, et al. The association between depressive symptoms and systemic inflammation in people with type 2 diabetes: findings from the South London diabetes study. Diabetes Care. 2014;37(8):2186-92. http://dx.doi.org/10.2337/dc13-2522. PMid:24842983.
http://dx.doi.org/10.2337/dc13-2522...
,2121 Ridker PM, Rifai N, Rose L, Buring JE, Cook NR. Comparison of C-reactive protein and low-density lipoprotein cholesterol levels in the prediction of first cardiovascular events. N Engl J Med. 2002;347(20):1557-65. http://dx.doi.org/10.1056/NEJMoa021993. PMid:12432042.
http://dx.doi.org/10.1056/NEJMoa021993...
.

Enfatizando ainda mais a importância do nosso estudo, a literatura sugere uma forte relação entre depressão e DAP2626 Smolderen KG, Hoeks SE, Pedersen SS, van Domburg RT, de Liefde II, Poldermans D. Lower-leg symptoms in peripheral arterial disease are associated with anxiety, depression, and anhedonia. Vasc Med. 2009;14(4):297-304. http://dx.doi.org/10.1177/1358863X09104658. PMid:19808714.
http://dx.doi.org/10.1177/1358863X091046...
,3535 Teixeira RB, Marins JC, de Sá-Junior AR, et al. Psychological and cognitive profile of hypertensive and diabetic patients. J Nerv Ment Dis. 2015;203(10):781-5. http://dx.doi.org/10.1097/NMD.0000000000000367. PMid:26348587.
http://dx.doi.org/10.1097/NMD.0000000000...
,4040 Anderson DR, Roubinov DS, Turner AP, Williams RM, Norvell DC, Czerniecki JM. Perceived social support moderates the relationship between activities of daily living and depression after lower limb loss. Rehabil Psychol. 2017;62(2):214-20. http://dx.doi.org/10.1037/rep0000133. PMid:28406651.
http://dx.doi.org/10.1037/rep0000133...
, relacionando também a percepção da claudicação intermitente e isquemia crítica como um dos fatores predisponentes à depressão2626 Smolderen KG, Hoeks SE, Pedersen SS, van Domburg RT, de Liefde II, Poldermans D. Lower-leg symptoms in peripheral arterial disease are associated with anxiety, depression, and anhedonia. Vasc Med. 2009;14(4):297-304. http://dx.doi.org/10.1177/1358863X09104658. PMid:19808714.
http://dx.doi.org/10.1177/1358863X091046...
,3232 Bhutani S, Bhutani J, Chhabra A, Uppal R. Living with amputation: anxiety and depression correlates. J Clin Diagn Res. 2016;10(9):RC09-12. http://dx.doi.org/10.7860/JCDR/2016/20316.8417. PMid:27790532.
http://dx.doi.org/10.7860/JCDR/2016/2031...
,3333 Brostow DP, Petrik ML, Starosta AJ, Waldo SW. Depression in patients with peripheral arterial disease: a systematic review. Eur J Cardiovasc Nurs. 2017;16(3):181-93. http://dx.doi.org/10.1177/1474515116687222. PMid:28051339.
http://dx.doi.org/10.1177/14745151166872...
. Apesar disso, não foi constatada neste grupo uma associação significativa com a dor crônica mesmo após o ajuste na regressão logística. Além disso, embora haja vasta literatura discutindo a associação entre esses transtornos e DM, este estudo não encontrou qualquer associação quanto ao risco aumentado de desenvolver DM pelas alterações corporais provocadas principalmente pela depressão, como o aumento do cortisol e, consequentemente, do tecido adiposo visceral, assim como a disfunção endotelial existente11 Daskalopoulou M, George J, Walters K, et al. Depression as a risk factor for the initial presentation of twelve cardiac, cerebrovascular, and peripheral arterial diseases: data linkage study of 1.9 million women and men. PLoS One. 2016;11(4):e0153838. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0153838. PMid:27105076.
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,1717 Alexopoulos GS. Depression in the elderly. Lancet. 2005;365(9475):1961-70. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)66665-2. PMid:15936426.
http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)...
,3636 Sandström YK, Ljunggren G, Wändell P, Wahlström L, Carlsson AC. Psychiatric comorbidities in patients with hypertension--a study of registered diagnoses 2009-2013 in the total population in Stockholm County, Sweden. J Hypertens. 2016;34(3):414-20, discussion 420. http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000000824. PMid:26766563.
http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000...
,3838 Tajfard M, Ghayour Mobarhan M, Rahimi HR, et al. Anxiety, depression, coronary artery disease and diabetes mellitus; an association study in ghaem hospital, iran. Iran Red Crescent Med J. 2014;16(9):e14589. http://dx.doi.org/10.5812/ircmj.14589. PMid:25593715.
http://dx.doi.org/10.5812/ircmj.14589...
.

No entanto, houve associação entre ansiedade ou depressão e o fato de o paciente sobreviver com uma renda mensal familiar equivalente a um salário mínimo ou menos. Pacientes não tabagistas foram mais acometidos pela ansiedade, assim como aqueles que faziam uso de anti-hipertensivos11 Daskalopoulou M, George J, Walters K, et al. Depression as a risk factor for the initial presentation of twelve cardiac, cerebrovascular, and peripheral arterial diseases: data linkage study of 1.9 million women and men. PLoS One. 2016;11(4):e0153838. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0153838. PMid:27105076.
http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0...
, mas foi descartada a relação com a prática da polifarmácia que havia sido sugerida anteriormente3636 Sandström YK, Ljunggren G, Wändell P, Wahlström L, Carlsson AC. Psychiatric comorbidities in patients with hypertension--a study of registered diagnoses 2009-2013 in the total population in Stockholm County, Sweden. J Hypertens. 2016;34(3):414-20, discussion 420. http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000000824. PMid:26766563.
http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000...
. Não houve significância estatística para a associação entre ansiedade e as classes farmacológicas utilizadas rotineiramente pelo paciente, como inibidores da enzima conversora da angiotensina, bloqueadores de receptores da angiotensina, diuréticos, betabloqueadores, bloqueadores de canais de cálcio e agonistas alfa 2.

Já quanto à depressão, os resultados do presente estudo seguiram a literatura11 Daskalopoulou M, George J, Walters K, et al. Depression as a risk factor for the initial presentation of twelve cardiac, cerebrovascular, and peripheral arterial diseases: data linkage study of 1.9 million women and men. PLoS One. 2016;11(4):e0153838. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0153838. PMid:27105076.
http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0...
,1717 Alexopoulos GS. Depression in the elderly. Lancet. 2005;365(9475):1961-70. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)66665-2. PMid:15936426.
http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)...
,3030 Meyer T, Chavanon ML, Herrrmann-Lingen C, et al. Elevated plasma C-terminal endothelin-1 precursor fragment concentrations are associated with less anxiety in patients with cardiovascular risk factors. Results from the observational DIAST-CHF study. PLoS One. 2015;10(8):e0136739. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0136739. PMid:26322793.
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,3636 Sandström YK, Ljunggren G, Wändell P, Wahlström L, Carlsson AC. Psychiatric comorbidities in patients with hypertension--a study of registered diagnoses 2009-2013 in the total population in Stockholm County, Sweden. J Hypertens. 2016;34(3):414-20, discussion 420. http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000000824. PMid:26766563.
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, sendo possível perceber que o perfil dos pacientes acometidos é composto predominantemente pelo sexo feminino, que sobrevive com até um salário mínimo e se mantém em união estável ou casamento. Isso também ocorreu com os pacientes ansiosos, contradizendo tanto o estudo que encontrou uma maior prevalência em mulheres sem parceiro sexual, sendo que mulheres divorciadas tinham maior risco de suicídio pela depressão que as casadas e as viúvas1414 Kiosses DN, Szanto K, Alexopoulos GS. Suicide in older adults: the role of emotions and cognition. Curr Psychiatry Rep. 2014;16(11):495. http://dx.doi.org/10.1007/s11920-014-0495-3. PMid:25226883.
http://dx.doi.org/10.1007/s11920-014-049...
, quanto os que encontraram discreta prevalência no sexo masculino e igual acometimento em ambos os sexos, respectivamente11 Daskalopoulou M, George J, Walters K, et al. Depression as a risk factor for the initial presentation of twelve cardiac, cerebrovascular, and peripheral arterial diseases: data linkage study of 1.9 million women and men. PLoS One. 2016;11(4):e0153838. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0153838. PMid:27105076.
http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0...
,3434 Graham N, Smith DJ. Comorbidity of depression and anxiety disorders in patients with hypertension. J Hypertens. 2016;34(3):397-8. http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000000850. PMid:26818922.
http://dx.doi.org/10.1097/HJH.0000000000...
. Houve uma associação negativa com o etilismo, enquanto os pacientes tabagistas não apresentaram depressão, o que vai de encontro ao que alguns autores constataram anteriormente11 Daskalopoulou M, George J, Walters K, et al. Depression as a risk factor for the initial presentation of twelve cardiac, cerebrovascular, and peripheral arterial diseases: data linkage study of 1.9 million women and men. PLoS One. 2016;11(4):e0153838. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0153838. PMid:27105076.
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,1414 Kiosses DN, Szanto K, Alexopoulos GS. Suicide in older adults: the role of emotions and cognition. Curr Psychiatry Rep. 2014;16(11):495. http://dx.doi.org/10.1007/s11920-014-0495-3. PMid:25226883.
http://dx.doi.org/10.1007/s11920-014-049...
,1717 Alexopoulos GS. Depression in the elderly. Lancet. 2005;365(9475):1961-70. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)66665-2. PMid:15936426.
http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)...
,3535 Teixeira RB, Marins JC, de Sá-Junior AR, et al. Psychological and cognitive profile of hypertensive and diabetic patients. J Nerv Ment Dis. 2015;203(10):781-5. http://dx.doi.org/10.1097/NMD.0000000000000367. PMid:26348587.
http://dx.doi.org/10.1097/NMD.0000000000...
.

Para que fosse possível uma segurança maior nos resultados obtidos, foram feitos ajustes naqueles que possuíam p < 0,05 a partir da regressão logística com razões de probabilidade ajustadas. A partir disso, além de terem sido confirmadas as associações, foi verificado, ainda, que as mulheres possuem um risco aproximadamente 3,7 vezes maior de desenvolver depressão, enquanto quem sobrevive com uma renda mensal menor tem um risco 3,34 vezes maior. Ao contrário do que se esperava, não houve relação entre o paciente depressivo e o fato de ser ou não economicamente ativo11 Daskalopoulou M, George J, Walters K, et al. Depression as a risk factor for the initial presentation of twelve cardiac, cerebrovascular, and peripheral arterial diseases: data linkage study of 1.9 million women and men. PLoS One. 2016;11(4):e0153838. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0153838. PMid:27105076.
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,1515 Ferrari AJ, Charlson FJ, Norman RE, et al. Burden of depressive disorders by country, sex, age, and year: findings from the global burden of disease study 2010. PLoS Med. 2013;10(11):e1001547. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pmed.1001547. PMid:24223526.
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, sugerindo que o desemprego não tem sido um possível fator causal ou agravante no cenário da doença do século XXI.

Já em relação àqueles que realizaram amputação, neste estudo, houve um risco 2,66 vezes maior de desenvolver depressão. Esse resultado está de acordo com os de outros estudos, que constataram ansiedade nesses pacientes, ocasionada por preocupações advindas da incapacidade de realizar tarefas diárias e da dependência funcional3232 Bhutani S, Bhutani J, Chhabra A, Uppal R. Living with amputation: anxiety and depression correlates. J Clin Diagn Res. 2016;10(9):RC09-12. http://dx.doi.org/10.7860/JCDR/2016/20316.8417. PMid:27790532.
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, ou depressão naqueles pacientes pós-amputação que não tiveram apoio social adequado4040 Anderson DR, Roubinov DS, Turner AP, Williams RM, Norvell DC, Czerniecki JM. Perceived social support moderates the relationship between activities of daily living and depression after lower limb loss. Rehabil Psychol. 2017;62(2):214-20. http://dx.doi.org/10.1037/rep0000133. PMid:28406651.
http://dx.doi.org/10.1037/rep0000133...
.

Outro ponto curioso é que a solidão diária, como morar sozinho ou não possuir cônjuge, não afetou negativamente o estado emocional dos pacientes, diferentemente do que foi descrito na literatura1414 Kiosses DN, Szanto K, Alexopoulos GS. Suicide in older adults: the role of emotions and cognition. Curr Psychiatry Rep. 2014;16(11):495. http://dx.doi.org/10.1007/s11920-014-0495-3. PMid:25226883.
http://dx.doi.org/10.1007/s11920-014-049...
,1717 Alexopoulos GS. Depression in the elderly. Lancet. 2005;365(9475):1961-70. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)66665-2. PMid:15936426.
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. Isso sugere que pacientes internados com acompanhante no hospital podem ter uma melhor evolução emocional.

CONCLUSÃO

É possível perceber que há uma alta prevalência de TGA e depressão entre os pacientes com DAP, e esses transtornos acabam sendo subdiagnosticados e, consequentemente, não são devidamente tratados. Isso é possivelmente perigoso, visto que são doenças psíquicas potencialmente graves quanto aos seus riscos secundários, principalmente por aumentarem as chances de DCV, muitas vezes fatais, e por predisporem ao suicídio. Assim, os profissionais da saúde devem apresentar um maior empenho para identificá-las precocemente e tratá-las adequadamente, oferecendo apoio, inclusive aos cuidadores dos pacientes. Além disso, é preciso que mais estudos sejam desenvolvidos com o intuito de acompanhar uma amostra maior de pacientes em um corte longitudinal, para que seja possível avaliar se há relação causa-consequência entre esses transtornos e as demais comorbidades, e se a DAP pode ser uma das causas da ansiedade e da depressão. Isso pode levar ao desenvolvimento de protocolos que visem a busca ativa desses transtornos em todos os pacientes acometidos, o que levará a uma melhor assistência médica.

Perspectivas

A partir desse estudo, foi possível perceber a gravidade de transtornos mentais em pacientes internados em um hospital terciário e o quanto esses podem influenciar outras doenças fatais, bem como levar o indivíduo a cometer suicídio. Dessa forma, com base nos resultados obtidos, espera-se que haja uma maior atenção à saúde mental de tais pacientes, com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado não só da doença de base como também desses transtornos. Além disso, mais estudos devem ser realizados em prol de uma melhor análise estatística com amostra maior de pacientes e um acompanhamento longitudinal para que seja possível verificar se há relação de causa-consequência entre ansiedade/depressão e as demais comorbidades, as medicações utilizadas e as variáveis socioeconômicas.

  • Como citar: Aragão JA, Andrade LGR, Neves OMG, Aragão ICS, Aragão FMS, Reis FP. Ansiedade e depressão em pacientes com doença arterial periférica internados em hospital terciário. J Vasc Bras. 2019;18: e20190002. https://doi.org/10.1590/1677-5449.190002
  • Fonte de financiamento: Nenhuma.
  • O estudo foi realizado no Serviço de Cirurgia Vascular Dr. José Calumby Filho, Fundação Beneficência Hospital de Cirurgia, Aracaju, SE, Brasil.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    29 Ago 2019
  • Data do Fascículo
    2019

Histórico

  • Recebido
    02 Jan 2019
  • Aceito
    11 Abr 2019
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