Violências de baixo, violências de cima na revolução russa

Violences from below, violences from above in the russian revolution

Nicolas Werth Sobre o autor

Defensores de uma ideologia que fazia da violência das massas o motor da História, de um projeto político fundado no terror como instrumento primitivo e em uma visão radical e explicativa que legitimava o uso da violência a serviço de um modelo político-militar de construção de uma sociedade nova, os bolcheviques souberam, melhor do que seus adversários, instrumentalizar e canalizar as violências sociais. Porém, a brutalização do corpo social do ex-império russo teve, em contrapartida, um impacto crucial sobre o próprio bolchevismo. Ela fortaleceu certos postulados leninistas sobre a violência como "verdade da política" e ativou a identificação da política e da guerra por meio de uma surpreendente inversão da fórmula de Clausewitz, "a política como continuação da guerra por outros meios". Surgiu, assim, uma verdadeira "cultura política da violência" que se instalou, muito rapidamente, no coração do Estado "sucessor" do ex-império czarista, a URSS.

Revolução Russa; Violência social e violência política; Bolchevismo; União Soviética


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