Boato: notícias pela boca pequena* * Este artigo é resultado da tese de doutorado defendida em 4 de março de 2015 e que teve como ponto central analisar a presença dos procedimentos técnico-estéticos das crônicas na chamada segunda fase de Machado de Assis. Compondo o segundo capítulo da terceira parte da tese, pude de forma mais aprofundada apresentar as questões referentes aos estudos sobre o boato, bem como a diferença entre as primeiras crônicas do jovem Machado e as crônicas da sua fase de consagração, além de propor uma leitura sobre essa teoria no desenvolvimento ficcional do romance. Por fim, pude também tratar dos efeitos enunciativos produzidos tanto pelo uso do pseudônimo nas crônicas como também da narrativa homodiegética. Para mais informações, a referência à tese encontra-se na bibliografia deste artigo.

Rumor: news in whisper

Dário Ferreira Sousa NetoSobre o autor

Resumo

O artigo propõe analisar o modo como Machado de Assis faz uso do boato como procedimento composicional em suas crônicas. O cronista evidencia seu uso, buscando uma definição do que seja o boato, bem como organiza seus comentários sobre as matérias dos jornais a partir dessa definição. Para compreendermos tanto a definição como o uso do boato nas crônicas, propomo-nos a estabelecer diálogo entre alguma dessas crônicas e a obra de Jean-Noël Kapferer (1993), cuja pesquisa problematiza os diferentes funcionamentos do boato, entendendo-o de modo transfuncional e, para além da relaçãoverdade-mentira, como um mercado clandestino da informação ou ainda, como diria Machado de Assis, notícias que correm à boca pequena.

boato; crônica; literatura brasileira; Machado de Assis; Jean-Noël Kapferer

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