Nas fronteiras entre o público e o privado: algumas notas sobre a representação (e subversão) dos papéis de gêneros no folhetim Helena (1876), de Machado de Assis

On the boundaries of public and private space: some notes about representation (and subversion) of gender roles in the feuilleton Helena (1876), by Machado de Assis

Resumo

Neste artigo, propomos uma releitura do folhetim Helena (1876), de Machado de Assis, em meio às páginas do jornal fluminense O Globo, este que serviu de suporte à versão original do romance. E considerando as intersecções entre imprensa e literatura, pretendemos revelar as possibilidades de uma recepção matizada pela questão do gênero e compreendida à roda de seu tempo. Assim, tendo por base as ações da protagonista Helena, nós nos deteremos na análise das especificidades de uma política exercida a partir do espaço privado – tonalizado pelo feminino – mas que também se fazia preponderante no meio público, tido por masculino. Enfim, conjugando classe e gênero, procuramos conferir novas nuances às possibilidades de ação criadas pelas mulheres no século XIX.

Machado de Assis; folhetim; imprensa; Helena

Abstract

In this article we suggest a rereading of Helena (1876), by Machado de Assis, as a feuilleton on the pages of the newspaper O Globo, which was the support of the novel’s original version. Regarding the intersection of the press and literature, we intend to reveal the possibilities of a reception with an emphasis on gender and understood according to its time. Thus, taking into account Helena’s actions, we will analyze the specificity of a policy whose execution is based on the private space – emphasized by the feminine – that was, however, still preponderant in the public space, which was seen as a masculine environment. Ultimately, by combining class and gender, we intend to provide new nuances to the possibilities of actions created by women in the XIX century.

Machado de Assis; feuilleton; press; Helena

1. O folhetim na imprensa

[...] Se os homens fazem as leis, as mulheres fazem os costumes. Sobre elas cai a maior responsabilidade de tudo o que tem de materialista, de interessado e de penoso a uma alma nobre, os costumes do século.

Rosario Orrego de Uribe, "O luxo e a moda – [extraído]".

Rio de Janeiro, O Globo, 6 mar. 1876, p. 2.

Tais considerações foram traçadas através da pena de uma importante intelectual chilena – Rosario Orrego de Uribe –, reconhecidamente comprometida com a inclusão feminina no contexto social de seu país. O artigo tratava da intrínseca relação entre moda e universo feminino, e as críticas da autora se voltavam aos ditames de uma indústria que aprisionava as mulheres às praxes consideradas indispensáveis à vida em sociedade, como, por exemplo, a obrigação de se vestirem de forma luxuosa a fim de adentrarem nos mais seletos círculos sociais.

No cenário apresentado, a moda seria compreendida como uma linguagem simbólica, a partir da qual se distinguia "quem era quem". E se as aparências, de fato, correspondiam à realidade, pouco importava, mas, nesses "jogos cênicos", era imprescindível a habilidade de saber representar. Ademais, por meio da afirmação de que "as mulheres faziam os costumes, mas não as leis", somos alçados a uma forma diversa de ação política, por vezes alheia aos meios oficiais, mas profundamente imbricada à domesticidade.1 1 VARIKAS, O pessoal é político: desventuras de uma promessa subversiva, p. 59-80.

Neste artigo, propomos uma releitura do folhetim Helena (1876), de Machado de Assis, em meio às páginas do jornal fluminense O Globo, este que serviu de suporte à versão original da narrativa. Dessa forma, acreditamos que seguimos os vestígios das experiências de leitores e leitoras que, em meio ao discurso moderno dessa folha, também acompanharam os capítulos diários do romance. E considerando as intersecções entre imprensa e literatura, pretendemos revelar as possibilidades de uma recepção matizada pela questão de gênero e compreendida à roda de seu tempo. Isto posto, nós nos deteremos na análise das especificidades dessas "práticas do privado" que, de nosso ponto de vista, envolveram todo o folhetim.

2. Sobre uma política pessoal e feminina

Retomando a gênese do enredo, deparamo-nos com a filha que, ciente de sua ilegitimidade, aceita as diretrizes deixadas pelo pai adotivo e o acolhimento da família Vale. Peça-chave na reconfiguração daquele arranjo familiar, Helena sabia dos direitos que a justiça lhe assegurava; ainda assim, dada a vulnerabilidade de sua situação, era imprescindível atuar com muita cautela naquele novo meio.

Conforme narrado, a jovem tinha a habilidade de acomodar-se às circunstâncias do momento, sabia ser frívola com os frívolos e grave com os graves. Isso tudo, é claro, sem contar as suas virtudes domésticas, essencialmente feminis: "praticava de livros ou de alfinetes, de bailes ou de arranjos de casa".2 2 ASSIS, Helena. (Capítulo IV). O Globo, 10 ago. 1876, p. 1. Na versão em folhetim, o perfil da moça seguia resumido nas seguintes considerações: "Havia nela a jovialidade da menina e a compostura da mulher feita, um acordo de virtudes domésticas e maneiras elegantes, complexo de cousas na aparência opostas, mas não inconciliáveis nem disparatadas entre si".3 3 Ibidem. Eram muitas as características dúbias de Helena: pobre e rica; frívola e grave; legítima e usurpadora; feminina e – ameaçadoramente – masculina ao mesmo tempo.

Retomemos o capítulo VI do folhetim, quando Helena se empenharia em convencer Estácio de acompanhá-la num passeio a cavalo. Conforme sabemos, não levaria muito tempo para o professor perceber que não era superior à pupila em tais artes, mas, na impossibilidade de sair só e para acometer no irmão certa ilusão de superioridade, foi essa a alternativa criada pela jovem: fingir-se de aprendiz. Pois bem, o rapaz não gostou do artifício e, lacrimosa, a menina teve de se desculpar:

[...] – Apertaram-se as mãos, e o passeio continuou nas melhores disposições do mundo. Helena deu livre curso à imaginação e ao pensamento; suas falas exprimiam, ora a sensibilidade romanesca, ora a reflexão da experiência prematura, e iam direitas à alma do irmão, que se comprazia em ver nela a mulher como ele queria que fosse, uma graça pensadora, uma sisudez amável.4 4 Idem. (Capítulo VI). O Globo, 13 ago. 1876, p. 1.

Para retomar sua autoridade, Estácio buscava submeter Helena aos seus papéis de dependente e mulher. A irmã, por sua vez, compreendia como se dava o raciocínio de Estácio, e para fazer-se cativa aos seus olhos, se utilizava da "máscara feminil" concebida a partir das características esperadas. Portanto, para se converter na mulher que Estácio desejava que ela fosse, eram necessárias muitas lágrimas, certa sensibilidade romântica, além de um pouco de resignação. Mas o longo capítulo ainda não havia terminado, e a postura altiva de Helena seria retomada.

No trajeto percorrido, os irmãos ainda se deparariam com um suposto escravo sentado a descascar uma laranja. Diante da cena, Estácio traçaria algumas considerações sobre as vantagens de uma riqueza capaz de comprar absolutamente tudo, inclusive o tempo. Segundo Sidney Chalhoub, pura "filosofice senhorial" proferida por alguém incapaz de qualquer exercício de alteridade.5 5 CHALHOUB, Machado de Assis, historiador, p. 23-35. Helena, no entanto, tentaria relativizar o ponto de vista de Estácio argumentando que "perdendo tempo" naquele trajeto, o escravo conseguia gozar de alguns momentos de liberdade. Tudo seria em vão, visto que Estácio não compreenderia as explicações da irmã:

[...] Estácio soltou uma risada.

– Você deveria ter nascido...

– Homem?

– Homem e advogado. Sabe defender com habilidade as causas mais melindrosas. Nem estou longe de crer que o próprio cativeiro lhe parecerá uma bem-aventurança, se eu disse que é o pior estado do homem.6 6 ASSIS, Helena. (Capítulo VI). O Globo, 13 ago. 1876, p.1.

E de repente não estamos mais diante da frágil menina guiada por uma sensibilidade romanesca. No trecho destacado, Helena buscava desarticular as considerações classistas proferidas pelo irmão, utilizando-se de uma argumentação sofisticada e racional. Sob a ótica de Estácio, a racionalidade seria uma característica essencialmente masculina; Helena, por sua vez, não esperava algo diferente vindo do rapaz, daí a complementação da frase: "Você deveria ter nascido... homem". Tal perspectiva remete a um discurso bastante difundido nos oitocentos, e que tratava a diferença entre os sexos em termos segregadores. Nesse sentido, à mulher cabiam as características sensíveis e delicadas (apropriadas ao espaço privado), enquanto os homens eram associados à razão e à inteligência (características do espaço público). Todavia, se abrangermos nossa análise para além das considerações polarizadoras de Estácio, torna-se possível percebermos outros meandros a respeito das possibilidades criadas pelas mulheres no século XIX.

Adotando a categoria analítica gênero para nos referirmos à organização das relações entre os sexos, podemos cogitar outras leituras do folhetim machadiano. Segundo Joan Scott,7 7 SCOTT, Gênero: uma categoria útil de análise histórica, p. 71-99. o gênero deve ser compreendido como uma categoria social imposta sobre um corpo sexuado. Ou seja, construído socialmente, o gênero não seria determinado pelo sexo (embora ambos sejam indissociáveis). Para Estácio, a ambivalência de Helena também se traduzia em termos de gêneros: como mulher, a irmã deveria portar-se de forma lânguida e submissa; porém, diante de qualquer comportamento dissonante, a moça se convertia em figura masculina ameaçadora, capaz de desestabilizar os alicerces da pirâmide patriarcal. O fato é que Helena fingia certa sensibilidade dita feminina enquanto possuía a racionalidade atribuída ao gênero masculino. Por isso, acreditamos que Machado de Assis abordava uma experiência subversiva ao que era designado aos gêneros.

3. Nas fronteiras entre o público e o privado

Em meio à imprensa da época, encontramos discursos que confluem com a postura simulada pela protagonista. Segue um exemplo de texto publicado no jornal O Globo que, implicitamente, se referia à representação dos papéis reservados aos gêneros. A nota tratava do comportamento que deveria ser forjado pelas mulheres que pretendiam se casar. De acordo com o excerto, às moças empenhadas na "caça de um marido" era aconselhável fingir interesse por tudo o que remetia ao universo doméstico (amor à agulha, simplicidade no modo de vestir-se, interesse pela cozinha); além disso, também era recomendável afastar-se daquilo que poderia ser nocivo à honra feminina (luxo, coquetismo, primos). Eis os vestígios da "máscara feminil" constantemente utilizada por Helena:

Método para se caçar maridos:

Abandone-se o luxo por algum tempo, finja-se grande amor à agulha; fale-se mal do coquetismo; entre-se a dizer que os primos são a pior peste que Deus pôs no mundo; não se chegue à janela; vista-se com extrema simplicidade; troque-se as joias por flores e leia-se todos os dias um bocadinho da Arte de Cozinhar.

Acodem os homens como moscas ao melado, podendo então a mulher escolher aquele que lhe convier.

Este método deu sempre ótimos resultados.8 8 O Globo, 10 set. 1876, p. 1.

Uma domesticidade tonalizada pelo feminino fazia-se perceptível nas páginas do jornal, bem como nos capítulos do folhetim. Ainda assim, resta a dúvida se esta zona de influência, configurada por mulheres à semelhança de Helena, poderia ultrapassar as delimitações do privado e invadir o meio público. Para refletir sobre o tema, retomaremos o fio da trama narrativa.

Certo dia, Estácio, que jamais demonstrara qualquer inclinação para a política, seria envolvido numa conspiração doméstica que tinha por intenção arrastá-lo à vida pública. A proposta partiria de Camargo, o taciturno médico, pai de Eugênia. Apoiado por tia Úrsula, o réptil buscava convencer Estácio das vantagens e prestígio que poderiam ser vislumbrados em sua eleição para a câmara. Estácio insistia em sua falta de vocação: "[...] – Deixe-me com as minhas matemáticas, as minhas flores, as minhas espingardas".9 9 ASSIS, Helena. (Capítulo VII). O Globo, 14 ago. 1876, p. 1. Disposto a garantir um futuro notável para a filha, o médico não desistiria tão fácil, mas o impasse dependia de outros votos potencialmente peremptórios:

[...] – Já lhe disse o que sinto a tal respeito. Contudo, estou pronto a refletir, e a consultar o padre Melchior e Helena.

O nome de Helena produziu em Camargo uma careta interior. Exteriormente não passou o efeito de um sorriso sardônico e dissimulado. Interveio uma pitada de rapé, que o médico inseriu lentamente, depois de a extrair lentamente de uma boceta de tartaruga, presente do conselheiro Vale.

– Helena! – disse ele com alguma hesitação. Que vem fazer sua irmã neste negócio?

– É um voto – redarguiu Estácio; e menos leve do que lhe parece. Há nela muita reflexão escondida, uma razão clara e forte, em boa harmonia com as suas outras qualidades feminis.

Entre as sobrancelhas de Camargo projetou-se uma longa ruga, e foi toda a expressão de seu espanto e desgosto. A resposta de Estácio revelara-lhe uma situação nova na família: o voto de Helena, consultivo agora, podia vir a ser preponderante. Esta solução, que porventura faria estremecer de alegria os ossos do conselheiro, não a previra o médico.10 10 Ibidem.

No excerto destacado, Estácio citava duas opiniões que ele gostaria de ouvir antes de decidir-se pela candidatura: padre Melchior e Helena. Ao longo de todo o romance, a voz do padre sempre seria muito relevante, na medida em que o personagem personificava um dos principais pilares da sociedade brasileira oitocentista: a Igreja católica. Dessa forma, devoção e influência se misturavam na legitimação do poder patriarcal. Padre Melchior, evidentemente, aprovava a ideia de um Estácio ainda mais influente se deputado. Helena, a par das motivações implícitas do pai de Eugênia, também aprovaria:

[...] – Adivinhei, pelo seu sorriso – disse ele, que tudo isto lhe parece pueril, e que eu faço bem em não aceitar o que se me oferece.

Helena olhou um pouco espantada para ele; mas respondeu com tranquilidade:

– Pelo contrário, penso que deve aceitar. Além de haver consentimento de minha tia, parece ser um grande desejo do pai de Eugênia.

Era a primeira vez que Helena aludia ao amor de Estácio, e fazia-o por modo encoberto e oblíquo. Estácio escapou dessa vez à regra de todos os corações amantes; resvalou pela alusão e discutiu gravemente o assunto da candidatura. Era pesado demais para cabeça feminina; Helena intercalou uma observação sobre dois passarinhos que bailavam no ar, e Estácio aceitou a diversão, deixando em paz os eleitores.11 11 Idem. (Capítulo VIII). O Globo, 15 ago. 1876, p. 1.

Dr. Camargo estava certo, havia uma nova situação na família. O voto de Helena, além de menos leve do que parecia, começava a se tornar indispensável para Estácio. Sempre ciente de sua posição delicada, a jovem sabia que seu voto não poderia parecer categórico ao filho do conselheiro, sob o risco de ele se sentir inferiorizado em sua capacidade de tomar decisões. Por isso, as alusões aos amores de Estácio e ao arranjo social de sua união com Eugênia seguiam de forma velada na fala da protagonista. Transcorridos alguns capítulos, uma chantagem e um pedido de casamento proferido sem grandes entusiasmos; Estácio, enfim, se tornaria o candidato dos sonhos de Camargo. Portanto, ainda que assuntos de política fossem demasiadamente pesados para cabeças femininas, ao que parece, o voto consultivo de Helena tornar-se-ia preponderante.

Entremeando o público e o privado, podemos notar que a ascendência de Helena sobre Estácio, em certos momentos, ultrapassava os limites da intimidade, fazendo-se implicitamente decisiva em suas resoluções enquanto homem público. Ou seja, em seu folhetim, Machado de Assis nos remete a um cenário onde as decisões referentes ao universo público perpassavam os arbítrios de uma domesticidade protagonizada pelo feminino. E ampliando nossa análise, podemos considerar a influência dessa via política (pessoal e feminina) em outras resoluções consideradas restritas ao masculino.

No contexto oitocentista, os matrimônios se realizavam a partir de acordos formulados por interesses econômicos e sociais; por isso, eram os pais e o futuro marido que assumiam a frente de tais "negociações". E embora o consentimento da noiva fosse levado em consideração, é possível afirmar que o casamento era um arranjo social restrito ao mundo masculino. No entanto, na ficção de Machado de Assis encontramos personagens femininas que, de forma indireta, conseguiam arbitrar nos desfechos desse acordo de cavalheiros.

Conforme dito, Helena era capaz de ler criticamente a posição em que se encontrava; além disso, os sentimentos amorosos de Estácio já não lhe eram desconhecidos. Sendo assim, para não perder as rédeas da situação, era necessário convencer o irmão da concretização de seu enlace com Eugênia. E ainda que o noivo (pouco enamorado) se demonstrasse inseguro, Helena buscava convencê-lo através de um discurso sóbrio e avesso a qualquer tipo de fantasia loureira:

[...] – O casamento não é uma solução, penso eu; é um ponto de partida. O marido fará a mulher. Convenho que Eugênia não tem todas as qualidades que você desejaria; mas não se pode exigir tudo; alguma coisa é preciso sacrificar, e do sacrifício recíproco é que nasce a felicidade doméstica.

As reflexões eram exatas; por isso mesmo Estácio as interrompeu. O filho do conselheiro achava-se numa posição difícil. Caminhara para o casamento com os olhos fechados; ao abri-los viu-se à beira de uma coisa que lhe pareceu abismo, e era simplesmente um fosso estreito. De um pulo poderia transpô-lo; mas, se não era irresoluto nem débil, tinha ele acaso vontade de dar esse salto?12 12 Ibidem.

Nas reflexões de Helena era possível notar certa percepção crítica a respeito do casamento. Os argumentos da personagem giravam em torno do matrimônio enquanto arranjo social e ponto de partida para a felicidade doméstica. O amor, portanto, não era causa, mas poderia vir como consequência do enlace. E, para angariar a confiança de Estácio, a personagem apoia-se numa postura aparentemente solidária: "Convenho que Eugênia não tem todas as qualidades que você desejaria [...]". Sem contar a máxima agradabilíssima aos ouvidos do mancebo: "O marido fará a mulher". Por fim, Estácio era convencido de que não havia um abismo entre ele e Eugênia, mas sim um simples fosso estreito, facilmente transponível por um pulo.

De fato, entre o casal não existiam obstáculos. Estácio e Eugênia pertenciam à mesma classe e compartilhavam um mesmo ideário. Entre iguais, a riqueza continuaria legitimando o autoritarismo da classe patriarcal. Além disso, Eugênia possuía as características de uma futura esposa frágil e passível de ser subjugada pelo marido. Nesse caso, o matrimônio não ameaçava os preconceitos envolvidos nos papéis reservados aos gêneros; por isso, não havia riscos à inversão da pirâmide.

Mas, livrando-se de Estácio, qual seria a alternativa para a própria Helena? Sabemos da necessidade imprescindível que a personagem tinha de respirar fora da atmosfera familiar que a encerrava, daí o esforço em criar vias que conservassem sua posição social e anulassem qualquer ameaça à sua moralidade. Em tal condição, o casamento configurava-se como a via mais sinuosa para a concretização de tais objetivos, sendo que o tabuleiro do jogo estava prestes a se completar.

"– Licença para o amigo que vem de outro mundo!"13 13 Idem. (Capítulo IX). O Globo, 17 ago. 1876, p. 1. Assim era anunciada a chegada de Luís Mendonça ao Andaraí. Estácio e Mendonça eram amigos havia muitos anos, desde os tempos de aula; no entanto, já não se viam fazia algum tempo, mais precisamente desde que Mendonça viajara para a Europa, para onde Estácio não quis acompanhá-lo, dadas as diferenças de gênios entre os amigos. Nas considerações do narrador, Mendonça tinha um gênio mais "folgazão e ativo" que Estácio; este, por sua vez, tecia um "panegírico" a respeito do amigo; d. Úrsula preferia resumir que o rapaz era "um pouco tonto".14 14 Idem. (Capítulo VI). O Globo, 12 ago.1876, p. 1. Filho de um comerciante "apenas remediado", Mendonça conseguiu realizar a viagem ao Velho Mundo com a ajuda de uma parenta velha. A tal parenta já não estava mais disposta a proporcionar-lhe tais prazeres e o pai não queria criar-lhe ares de ociosidade; porém, tudo se resolveria com a obtenção de um cargo público. Mas não eram necessárias grandes urgências nessas resoluções de vida, o momento era apenas de boas-novas.

A época da chegada de Mendonça coincidiu com o aniversário de Estácio, cuja data seria comemorada em uma pequena reunião organizada por tia Úrsula e Helena. O festejo também serviria de pretexto para inserir Mendonça no perímetro social da família, porém o amigo não teria a menor dificuldade em acomodar-se ao novo meio: "[...] a alma da festa era Mendonça, cujo espírito havia já recebido e colhido o sufrágio universal".15 15 Idem. (Capítulo XII). O Globo, 19 ago.1876, p. 1. De forma mais especial, seria Eugênia quem mereceria as principais atenções do rapaz, visto que, na filha de dr. Camargo, Mendonça seria capaz de enxergar os reflexos de sua própria índole.

Contudo, as mais intensas emoções da noite não estavam reservadas ao novo par, tampouco ao aniversariante. Já um pouco alheia à festa, Helena iria se dirigir a uma sala mais reservada a fim de descansar um pouco e, nesse momento, ela seria surpreendida pela presença de dr. Camargo a interpelá-la com seu olhar fixo e metálico de felino. A vilania anunciada pelo narrador tomaria forma no desenvolvimento de uma conversa permeada de insinuações e ameaças, todas proferidas pelo pai desesperado, disposto a qualquer coisa para proporcionar o melhor dos casamentos para sua única filha. Conhecemos o conteúdo da conversa: Camargo sabia da origem de Helena e, caso ela atrapalhasse suas resoluções, tudo viria à tona. De pronto, era a possibilidade de ascensão social que estava sendo ameaçada, mas isso não era tudo. Helena entenderia que as palavras de Camargo também se referiam às inflamáveis imoralidades envolvidas em sua situação de bastarda e filha de mãe adúltera:

[...] – A perda do meu finado amigo – concluiu ele – não pôde ser suprida por nenhuma coisa; mas há alguma compensação na afeição que sobrevive e me faz considerar esta família como minha própria. Estou certo de que seu irmão e d. Úrsula sentem a meu respeito do mesmo modo. Quanto à senhora, é recente na família, mas não tem menor direito que ela. Vi-a tão pequena!

– A mim? – perguntou Helena.

Camargo fez um gesto afirmativo, enquanto a moça olhava em volta da sala, receosa de que alguém tivesse entrado e ouvido. Uma vez segura de que ninguém havia, recebeu impressão contrária à primeira; envergonhou-se daquele receio. A vergonha aumentou quando o médico acrescentou em voz baixinha:

– Não falemos nisso...

– Pelo contrário! – exclamou ela. – Pode falar com franqueza; diga tudo. Era minha mãe. Não sei o que foi para o mundo; mas, se me perdoaram a irregularidade do nascimento, não creio que me pedissem em troca a renúncia do meu amor de filha; a lei que o pôs em meu coração é anterior à lei dos homens. Não repudio uma só das minhas recordações de outro tempo. Sei e sinto que a sociedade tem leis e regras imprescritíveis; aceito-as tais quais; mas deixem-me ao menos o direito de amar o que morreu. Minha pobre mãe! Vi-a expirar em meus braços, recolhi o seu último suspiro. Tinha apenas doze anos; contudo, não consenti que outra pessoa velasse à cabeceira a última noite que passou sobre a Terra... Oh! não a esquecerei nunca! nunca! nunca!16 16 Idem. (Capítulo XII – continuação). O Globo, 20 ago.1876, p. 1.

Honra feminina e preocupações classistas se misturavam nos argumentos do dr. Camargo. Incomodado com a influência de Helena, o médico impunha a chantagem; porém, muito além da ameaça em torno do retrocesso social, o discurso coercivo de Camargo era capaz de estilhaçar a indubitável posição de mulher honrada que Helena sustentava. Não havia escolhas, era necessário ceder.

O episódio da chantagem teria efeito de viravolta na trama. Para calar dr. Camargo e conservar sua própria autonomia, Helena precisava buscar um caminho diverso – e externo – a tudo que lhe havia sido imposto até então. Vindo de "outro mundo", Mendonça poderia converter-se nessa via projetada. Nos dias seguintes, o filho do conselheiro sairia em viagem por alguns dias, e, aproveitando-se do ensejo, a moça colocaria em prática seus novos planos. Certa de que Mendonça a amava, Helena conseguiria angariar as bênçãos de d. Úrsula e padre Melchior ao casamento.

Mas, ciente das últimas novidades, Estácio retornaria ao Andaraí disposto a dar cabo àquela incômoda situação. Esquivando-se de confrontos, Helena se utilizava de um argumento inegociável para arrancar de Estácio o consentimento ao enlace: a própria felicidade. Ainda assim, o rapaz mantinha-se irredutível, uma vez que a irmã já havia admitido que amava outro alguém. As réplicas da protagonista não versavam a respeito de sentimentos romanescos ou de ilusões amorosas; na verdade, seus argumentos respaldavam-se na realidade de uma vindoura "paz doméstica" desfrutada ao lado de um "homem digno" capaz de amá-la, embora ela não o amasse. O restante era apenas fantasia.17 17 Idem. (Capítulo XVIII). O Globo, 27 ago. 1876, p. 1. Aos olhos de Estácio, desenhava-se uma possibilidade nova e impensável: a de que a irmã pudesse ver-se livre de sua influência e poder. Inesperadamente, Helena tentava lhe escapar:

Enquanto ela falava, Estácio, que tirara o chapéu de Chile, ocupava-se em fazer circular na copa a fita larga que o cingia. Houve entre ambos grande silêncio. Pela beira do tanque seguia uma longa carreira de formigas, conduzindo as mais delas trechos de folhas verdes. Com um galho seco, Estácio distraía-se em perturbar a marcha silenciosa e laboriosa dos pobres animais. Fugiam todas, umas para o lado da terra, outras para o lado da água, enquanto as restantes apressavam a jornada na direção do domicílio. Helena arrancou-lhe o galho da mão; Estácio pareceu acordar de largas reflexões; ergueu-se, deu alguns passos e voltou a ela.18 18 Ibidem.

Habituado à suposta resignação dos que seguiam a marcha imposta por ele, Estácio se vê desafiado por uma mulher disposta a tomar-lhe o cajado do próprio destino. Nessa situação, meias palavras já não bastavam, era preciso impor-se veementemente. Amargurado pelo ciúme e ultrajado em sua autoridade, Estácio estava disposto a criar um abismo entre Helena e Mendonça:

[...] – Mendonça é bom coração, disse ele; mas não possui as qualidades que, em meu entender, devem distinguir o marido de Helena. Nunca exercerá sobre ela a influência que deve ter um marido. Entre os dois inverte-se a pirâmide. Mas isto, ao menos, se destruía uma das condições do casamento, podia conservar a felicidade doméstica. O perigo maior é outro; é vir ele a perder a estima da mulher. Nesse caso que lhe daríamos nós a ela? Um casamento aparente e um divórcio real.19 19 Ibidem.

No raciocínio retilíneo de Estácio, era reiterado o ideário de que o matrimônio se fazia da completa submissão da esposa à autoridade marital. Eis o primeiro abismo entre os noivos: Mendonça não seria capaz de exercer tal influência sobre Helena. Se confiarmos nas considerações de d. Úrsula, concluiremos que o rapaz não passava de um tonto; contudo, para além das palavras espontâneas da senhora, eram muitas as pistas sobre o caráter frívolo de Mendonça.

Ainda há pouco, tratamos das afinidades entre o rapaz e Eugênia, ambos valsavam ao som da mesma índole leviana e fútil, tida por feminil. Posteriormente, nas taxativas considerações do narrador do folhetim, os gestos e atitudes de Mendonça iriam se respaldar em uma "coquetice" que lhe seria característica.20 20 Na versão folhetim: "No desinteresse de Mendonça havia porventura um pouco de coquetice, – dessa que rara vez deixa de enfeitar os mais puros e nobres sentimentos". In: ASSIS, Helena. (Capítulo XX). O Globo, 29 ago.1876, p. 1. Segundo Georg Simmel,21 21 SIMMEL, Psicologia do coquetismo (1909), p. 93-111. o que distinguiria o coquetismo em sua manifestação mais banal seria o olhar terno, a cabeça meio esquivada e, sobretudo, a atitude dúbia e furtiva de quem diz "sim" e "não" ao mesmo tempo. É evidente que tal papel só poderia ser representado por uma mulher; no entanto, Machado jogava com a subversão dos gêneros. Nesse sentido, ao arquitetar a ideia do casamento, Helena demonstrava a influência que poderia vir a exercer no cotidiano conjugal.

Porém, uma nova reviravolta estava prestes a dissolver a possibilidade de escapatória criada pela protagonista. Em meio a tantas resoluções matrimoniais, finalmente, Estácio conheceria o ilustre morador da velha casa da bandeira azul desenhada pela irmã e, por conseguinte, a insustentável farsa viria à tona revelando que a usurpadora não tinha direito à herança ou aos afetos alheios. Logo, um ferrenho tribunal doméstico seria armado.

4. Conjugando classe e gênero

Com a revelação de toda a farsa, Helena era destituída de sua posição de herdeira e, consequentemente, esvaíam-se quaisquer possibilidades de autonomia fora do círculo vicioso daquela família. Enquanto irmã legítima e honrada, fora possível manter alguma ascendência sobre o espírito de Estácio e de seus pares; além disso, era o direito à herança que garantia as condições materiais para que a personagem pudesse cogitar alguma existência fora daquele meio. Portanto, em seu cerne, a política doméstica executada por Helena tornou-se viável enquanto a personagem era vista como uma ameaça ao patrimônio familiar. Porém, isso não era tudo. Com o desvendamento do segredo, descobria-se que Helena havia sustentado propositalmente toda a farsa criada por seus pais. Se por ventura perdoada, permaneceria a dúvida: seria ela uma aventureira?22 22 "Há uma voz no mundo de seu coração, que lhe dirá, de quando em quando, esta triste palavra: aventureira! [...] – Não posso ser outra coisa a seus olhos, prosseguiu a moça, tristemente. Quem o convencerá de que a declaração de seu pai não foi obtida por artifícios de minha mãe? Quem lhe dará a prova de que, cedendo aos rogos de meu pai, não fiz mais do que executar um plano preparado já? São dúvidas que lhe hão de envenenar o sentimento e tornar-me suspeita a seus olhos. Resista quem puder; é-me impossível encarar semelhante futuro!". In: ASSIS, Helena. (Capítulo XXVIII – continuação). O Globo, 11 set. 1876, p. 1. A aniquilação moral seria seguida da resignação da confissão.

Enfim os ditames daquela estrutura patriarcal encerravam a personagem definitivamente. Helena começava a definhar. O cajado do próprio destino, outrora roubado de Estácio, agora lhe escapava para sempre. Mas em sua derradeira resolução, Helena optava por não devolvê-lo às mãos de seu senhor/proprietário. Por isso, a morte era só uma questão de tempo:

[...] Sentou-se ao pé dela e ficaram calados. Helena tinha uma taquara na mão; Estácio quis tomar-lha; ela arremessou-a para longe. Ergueu-se então o moço e foi buscá-la; só então viu que estava molhada até certa altura; calculou que seria o fundo do tanque. O tanque era raso; não poderia dar a morte; mas a suspeita de que Helena não recuaria diante do suicídio aterrou naturalmente o espírito de Estácio. Parecendo-lhe que a causa não comportava o efeito, perguntou a si mesmo se os sucessos daqueles dias não teriam velado a consciência da moça.23 23 Idem. (Capítulo XXVIII). O Globo, 10 set. 1876, p. 1.

Acreditamos que a morte de Helena somente pode ser explicada a partir de vertentes diversas e complementares. Sabemos que não existiam possibilidades históricas para que a personagem pudesse romper com as estruturas sociais que a oprimiam, daí a negação de uma nova vida fora daquele meio familiar. Porém, embora a pirâmide não pudesse ser invertida, entendemos que Machado tinha por intenção esboçar uma consciência crítica a respeito da sociedade patriarcal e da situação vivenciada por seus inúmeros dependentes. Contudo, pensamos que até mesmo a situação de dependência de Helena possui especificidades que só podem ser compreendidas se atentarmos nas vulnerabilidades associadas ao seu gênero.

Na citação faceira do narrador machadiano, havia a afirmação de que "a linha vertical é a lei da inteligência humana, enquanto a linha curva é a lei da graça feminil".24 24 Idem. (Capítulo XVI). O Globo, 24 ago. 1876, p. 1. Apropriando-nos da divagação, acreditamos que Helena circundava e envolvia Estácio por meio de uma política pautada pela domesticidade, em que a mulher podia fazer-se influente. A subversão do papel de gênero, quando conveniente, demonstrava ainda a habilidade que a protagonista tinha de acomodar-se às situações por meio de "máscaras" que exigiam a atuação dos leitores em sua identificação.

Ao que parece, o público-leitor do jornal era capaz de embarcar nesses jogos cênicos propostos por Machado de Assis. Todavia, enquanto mulher, Helena tinha de calcular todas as suas atitudes para desencorajar a leviandade alheia. Com o desmoronamento da farsa, a personagem se convertia na aventureira exposta ao julgamento de todos. O casamento com Mendonça se tornava inviável; afinal, quem casaria com uma moça mentirosa e filha de mãe adúltera? A morte de Helena estava associada aos preceitos morais que codificavam a experiência feminina. De forma coerente, Machado manteve seu jogo subversivo até o fim da trama, mesmo que, para tanto, fosse imprescindível optar pela morte da protagonista. A historicidade era respeitada. O cajado, restituído ao homem. Ainda assim, nos curvilíneos movimentos de Helena, restavam os vestígios de uma política exercida a partir de um lugar social onde classe e gênero se tornavam indissociáveis.

Referências

  • ASSIS, Machado de. Helena Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília, INL, 1977.
  • CANO, Jefferson. Machado, além do romantismo. Jornal da Unicamp. Campinas-SP, 25 a 31 de agosto de 2008 – ANO XXII – nº 406.
  • CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis, historiador São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
  • PEREIRA, Cilene Margarete. Jogos e cenas do casamento: estudos das personagens e do narrador machadianos em Contos fluminenses e Histórias da meia noite. Curitiba: Appris: Prismas, 2012.
  • RIBEIRO, Luis Filipe. Mulheres de papel: um estudo do imaginário em José de Alencar e Machado de Assis. (2ª edição). Rio de Janeiro: Forense Universitária: Fundação Biblioteca Nacional, 2008.
  • SALVAIA, Priscila. Diálogos possíveis: o folhetim Helena (1876), de Machado de Assis, no jornal O Globo. Mestrado em Teoria e História Literária. Campinas: IEL/Unicamp, 2014.
  • SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade Porto Alegre, 16 (2), jul./dez., 1990 [1986], p. 71-99.
  • SIMMEL, George. Psicologia do coquetismo (1909). In: Filosofia do amor São Paulo: Martins Fontes, 1993.
  • THÉRENTY, Marie-Ève. La littérature au quotidien: poétiques journalistiques au XIX siècle Paris: Éditions du Seuil, 2007.
  • VARIKAS, Eleni. O pessoal é político: desventuras de uma promessa subversiva. Tempo, Rio de Janeiro, vol. 2, n. 3, p. 59-80, 1996.

  • 1
    VARIKAS, O pessoal é político: desventuras de uma promessa subversiva, p. 59-80.
  • 2
    ASSIS, Helena. (Capítulo IV). O Globo, 10 ago. 1876, p. 1.
  • 3
    Ibidem.
  • 4
    Idem. (Capítulo VI). O Globo, 13 ago. 1876, p. 1.
  • 5
    CHALHOUB, Machado de Assis, historiador, p. 23-35.
  • 6
    ASSIS, Helena. (Capítulo VI). O Globo, 13 ago. 1876, p.1.
  • 7
    SCOTT, Gênero: uma categoria útil de análise histórica, p. 71-99.
  • 8
    O Globo, 10 set. 1876, p. 1.
  • 9
    ASSIS, Helena. (Capítulo VII). O Globo, 14 ago. 1876, p. 1.
  • 10
    Ibidem.
  • 11
    Idem. (Capítulo VIII). O Globo, 15 ago. 1876, p. 1.
  • 12
    Ibidem.
  • 13
    Idem. (Capítulo IX). O Globo, 17 ago. 1876, p. 1.
  • 14
    Idem. (Capítulo VI). O Globo, 12 ago.1876, p. 1.
  • 15
    Idem. (Capítulo XII). O Globo, 19 ago.1876, p. 1.
  • 16
    Idem. (Capítulo XII – continuação). O Globo, 20 ago.1876, p. 1.
  • 17
    Idem. (Capítulo XVIII). O Globo, 27 ago. 1876, p. 1.
  • 18
    Ibidem.
  • 19
    Ibidem.
  • 20
    Na versão folhetim: "No desinteresse de Mendonça havia porventura um pouco de coquetice, – dessa que rara vez deixa de enfeitar os mais puros e nobres sentimentos". In: ASSIS, Helena. (Capítulo XX). O Globo, 29 ago.1876, p. 1.
  • 21
    SIMMEL, Psicologia do coquetismo (1909), p. 93-111.
  • 22
    "Há uma voz no mundo de seu coração, que lhe dirá, de quando em quando, esta triste palavra: aventureira! [...] – Não posso ser outra coisa a seus olhos, prosseguiu a moça, tristemente. Quem o convencerá de que a declaração de seu pai não foi obtida por artifícios de minha mãe? Quem lhe dará a prova de que, cedendo aos rogos de meu pai, não fiz mais do que executar um plano preparado já? São dúvidas que lhe hão de envenenar o sentimento e tornar-me suspeita a seus olhos. Resista quem puder; é-me impossível encarar semelhante futuro!". In: ASSIS, Helena. (Capítulo XXVIII – continuação). O Globo, 11 set. 1876, p. 1.
  • 23
    Idem. (Capítulo XXVIII). O Globo, 10 set. 1876, p. 1.
  • 24
    Idem. (Capítulo XVI). O Globo, 24 ago. 1876, p. 1.
  • ***
    Os exemplares do periódico O Globo foram consultados no site da Hemeroteca Digital Brasileira: http://www.hemerotecadigital.bn.br.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Abr 2016

Histórico

  • Recebido
    06 Jan 2016
  • Aceito
    24 Fev 2016
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