Este artigo tece a ideia de que a ocupação israelense sobre a Cisjordânia produz um regime de mobilidade, materializado em um patchwork de barreiras, que impacta diretamente o cotidiano de palestinos e palestinas. Partindo do Muro como ancoradouro analítico e dos checkpoints e sistema de documentação como seus elementos, analiso na primeira parte do artigo como são produzidas barreiras e controles ao fluxo de pessoas, ideias e projetos. Conjuntamente, descrevo como esse regime é vivido no cotidiano, com apropriações que permitem a navegação pelo território. Exploro, por fim, como as experiências de mobilidade produzem um impacto generificado, destacando como mulheres e homens são afetados de maneira diferente. Ao longo do artigo sustento a tese de que, por trás do aparente caos nesse regime, residem racionalidades cotidianas que orientam as práticas de pessoas israelenses e palestinas. Simultaneamente, o patchwork maneja os deslocamentos ao enquadrar a rotina dos palestinos em um paradigma de suspeição, enquanto também é integrado ao tecido urbano, produzindo uma fenomenologia do habitar costurada a esta (i)mobilidade.
Palavras-chave:
água; gênero; Palestina; mobilidade
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Fonte:
Fonte: Anne Paq, 2018