Relatos compartilhados: experiências de conversão ao pentecostalismo entre brasileiros e portugueses

Duas tendências têm caracterizado a interpretação dos relatos pentecostais de conversão. Por um lado, um construtivismo forte, no qual a narrativa do crente é vista como resposta plástica ao jogo de expectativas e pressões externas. Na tendência inversa, a narrativa da conversão ocupa o centro da análise, e é interpretada como a expressão direta de uma nova disposição do self. Neste artigo, a partir de relatos de conversão de evangélicos brasileiros e portugueses, sugere-se uma terceira via de interpretação, na qual a conversão é tomada como gênero narrativo que abarca as experiências de vida do homem e da mulher comuns, os quais se encontram na "aceitação de Jesus Cristo", ganhando a partir desse evento, a medida de sua semelhança. Garante-se, assim, a comensurabilidade entre diferentes histórias de vida sem a imposição de uma unidade de sentido.


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