"Apenas preencher papel": reflexões sobre registros policiais de desaparecimento de pessoa e outros documentos

O artigo analisa registros policiais de casos de desaparecimento de pessoa produzidos e arquivados em delegacias de Polícia Civil do Rio de Janeiro entre 2005 e 2009. Argumenta-se que esses papéis não são apenas rastros materiais das ocorrências neles registradas, e sim forças motrizes de dois processos principais através dos quais desaparecimentos de pessoa são administrados. O primeiro é a tomada de posição por parte de policiais diante dos casos, a partir do par de opostos "problemas de família" e "problemas de polícia". O segundo, que ganha sentido no marco do primeiro, é a delegação de responsabilidades às famílias dos desaparecidos, que acabam por gerir e mesmo solucionar os casos por meio de compromissos, obrigações e afetos.

Desaparecimento de pessoas; Registros policiais; Documentos


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