MEMÓRIAS DA PRÁTICA ESPORTIVA EXTRACURRICULAR EM ESCOLAS PRIVADAS DO PARANÁ (1980-1990)

MEMORIES OF EXTRACURRICULAR SPORTS PRACTICE IN PRIVATE SCHOOLS IN PARANÁ (1980-1990)

MEMORIAS DE LA PRÁCTICA DEPORTIVA EXTRACURRICULAR EN ESCUELAS PRIVADAS EN PARANÁ (1980-1990)

Pauline Iglesias Vargas Janice Zarpellon Mazo Tuany Defaveri Begossi André Mendes Capraro Sobre os autores

Resumo:

O objetivo deste trabalho é compreender os aspectos que convergiram para o enfraquecimento do esporte extracurricular em escolas particulares do estado do Paraná, nas décadas de 1980 e 1990. A metodologia utilizada foi a da História Oral. Para tanto, foram realizadas seis entrevistas com atletas, técnicos e/ou gestores do esporte escolar paranaense da época. Foi possível identificar que o esporte era utilizado como ferramenta de marketing institucional; as escolas deixaram de investir no esporte por distintos motivos; a escola foi ofuscada na medida em que os estudantes/atletas passam a participar de seleções municipais e estaduais; a situação financeira nacional forçou uma reestruturação dos investimentos; o esporte passou a ser uma possibilidade de arrecadação de investimentos financeiros; houve uma mudança de comportamento dos jovens; a crítica ao ensino de esportes na Educação Física durante a década de 1990 teve influência nesse processo de enfraquecimento.

Palavras-chave:
História; Esportes; Entrevista; Educação Física

Abstract:

This work focuses on understanding aspects that weakened extracurricular sports practice in private schools in the state of Paraná during the 1980s and 1990s. It employed Oral History as a methodology. Six interviews were conducted with athletes, coaches and/or school sports managers in the state at the time. It was found that: sports were used as institutional marketing tools; schools stopped investing in sports for different reasons; schools had been overshadowed when students/athletes began to participate in municipal and state teams; the national financial scenario forced investments to be restructured; sports had become a way to raise financial investments; behavioral change was seen in young people; criticism of sports education in Physical Education influenced that weakening process (during the 1990s).

Keywords:
History; Sports; Interview; Physical Education

Resumen:

El objetivo de este trabajo es comprender los aspectos que convergieron llevando al debilitamiento de los deportes extracurriculares en escuelas privadas en el estado de Paraná, en los años 1980 y 1990. La metodología utilizada fue la Historia Oral. Se realizaron seis entrevistas con atletas, entrenadores y/o gestores del deporte escolar en Paraná en esa época. Fue posible identificar que el deporte se utilizó como una herramienta de marketing institucional; las escuelas dejaron de invertir en deporte por diferentes razones; la escuela se ha visto ofuscada en la medida en que los estudiantes/atletas participan en selecciones municipales y estaduales; la situación financiera nacional forzó una reestructuración de las inversiones; el deporte se ha convertido en una posibilidad para aumentar las inversiones financieras; hubo un cambio en el comportamiento de los jóvenes; la crítica a la enseñanza del deporte en Educación Física durante la década de 1990 influenció en ese proceso de debilitamiento.

Palabras clave:
Historia; Deportes; Entrevista; Educación Física

1 INTRODUÇÃO

Historicamente, a Educação Física esteve atrelada a diferentes perspectivas políticas e sociais, tais como a atividade física enquanto instrução militar, o higienismo, a ideia da promoção da saúde, a seleção de talentos e a formação de atletas por meio do esporte (CASTRO, 1997CASTRO, Celso. In corpore sano: os militares e a introdução da educação física no Brasil. Antropolítica, n. 2, p.61-78, 1º sem. 1997.; FERREIRA NETO, 1999FERREIRA NETO, Amarilio. A pedagogia no exército e na escola: a educação física brasileira (1880-1950). Aracruz, ES: FACHA, 1999.; PAIVA, 2003PAIVA, Fernanda S. L. de. Sobre o pensamento médico-higienista oitocentista e a escolarização: condições de possibilidade para o engendramento do campo da Educação Física no Brasil. 452 f. 2003. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2003.). De modo específico, durante o período da ditadura civil/militar (1964-1985), o governo brasileiro concentrou esforços para a criação de uma mentalidade esportiva, a partir da promoção de ações específicas de valorização do esporte (TABORDA DE OLIVEIRA, 2012TABORDA DE OLIVEIRA, Marcus. Esporte e política na ditadura militar brasileira: a criação de um pertencimento nacional esportivo. Movimento, v. 18, n. 04, p. 155-174, out./dez. 2012. ). No caso das aulas de Educação Física na escola, estas privilegiaram a prática esportiva e conteúdos sobre o esporte como, por exemplo, as regras e o jogo.

O estudo de Navarro, Mezzadri e Moraes e Silva (2020NAVARRO, Rodrigo Tramutolo; MEZZADRI, Fernando Marinho; MORAES E SILVA, Marcelo. The genesis of the sport for all campaign in Brazil as seen through the Jornal dos Sports in the 1970s. Sport in Society, p. 1-16, 2020. DOI: https://doi.org/10.1080/17430437.2020.1768241
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) retoma a análise do referido cenário e evidencia a pluralidade de interesses que o permeava. Assim, destacam a busca pela massificação do esporte nacional, o desejo por cunhar o hábito da atividade física/esporte, a formação de atletas de alto nível, a promoção do nacionalismo e patriotismo, dentre outros aspectos. De modo específico, no estado do Paraná, observou-se que já havia ocorrido uma ruptura, nos anos 1980/1990, relacionada aos preceitos higiênicos que pautavam a prática da Educação Física Escolar, em décadas anteriores (PYCOSZ; TABORDA DE OLIVEIRA, 2009PYCOSZ, Lausanne Correa; TABORDA DE OLIVEIRA, Marcus Aurelio A higiene como tempo e lugar da educação do corpo: preceitos higiênicos no currículo dos grupos escolares do Estado do Paraná. Currículo sem Fronteiras, v. 9, n.1, p. 135-158, 2009).

Neste cenário, ganhou espaço o nomeado “esporte extracurricular”, caracterizado como uma prática esportiva inserida na escola, não obrigatória aos estudantes e desenvolvida, principalmente, em períodos distintos das aulas de Educação Física. O esporte extracurricular, enquanto uma prática inserida no contexto da escola, envolve não apenas estudantes e professores, mas compreende, ainda, espaços sociais que abrangem o sistema educacional, eventos/competições esportivas, bem como o sistema esportivo institucionalizado, organizado por entidades, tais como secretarias de educação, conselhos municipais de esporte, federações esportivas e clubes esportivos (SAWITZKI, 2008SAWITZKI, Rosalvo Luis. Esporte Escolar: aspectos pedagógicos e de formação humana. Motrivivência, v. 20, n. 31, p. 132-142, 2008.). De tal modo, os agentes envolvidos são dirigentes políticos e educacionais, pais, funcionários e a comunidade escolar de forma geral.

A prática esportiva extracurricular foi potencializada, principalmente, nas décadas de 1960 e 1970. Sublinha-se que, mesmo com o fim do período da ditadura civil/militar (1964-1985), o esporte extracurricular não amorteceu nas escolas, mas, ao contrário disso, se prolongou em uma significativa parcela das escolas brasileiras, no decorrer das décadas de 1980/1990. Percebe-se a ocorrência de certo declínio da referida prática, no ambiente educacional formal, a partir da entrada do século XXI. Tal processo de arrefecimento talvez esteja relacionado a um possível enfraquecimento das concepções esportivas tradicionais (MILLEN NETO; FERREIRA; SOARES, 2011MILLEN NETO, Alvaro Rego; FERREIRA, Alexandre da Costa; SOARES, Antonio Jorge Gonçalves. Políticas de esporte escolar e a construção social do currículo de Educação Física. Motriz, v. 17, n. 3, p. 416-423, jul./set. 2011.), as quais começaram a ceder lugar a discussões acerca da formação integral do aluno, que adentraram o campo da Educação Física após o período de abertura democrática do país, em meados da década de 1980 (SOARES et al.,1992SOARES, Carmen Lúcia et al. Metodologia de Ensino de Educação física. São Paulo: Cortez, 1992. (Coletivo de autores); DAOLIO, 1998DAOLIO, Jocimar. Educação Física Brasileira: autores e atores da década de 1980. Campinas, SP: Papirus, 1998.; BRACHT, 1999BRACHT, Valter. A constituição das teorias pedagógicas da educação física. Caderno CEDES, v. 19, n. 48, p. 69-88, 1999.). Desse modo, quase que por consequência, as críticas unilaterais advindas do meio acadêmico, por suas supostas características sustentadas durante o período da ditadura civil/militar, nos anos 1970 e 1980 (TABORDA DE OLIVEIRA, 2002TABORDA DE OLIVEIRA, Marcus. Educação Física escolar e ditadura militar no Brasil (1968-1984): história e historiografia. Educação e Pesquisa, v. 28, n. 1, p. 51-75, jan./jun. 2002. ), alteraram, paulatinamente, as concepções de esporte no ambiente escolar.

Diante de tais considerações, reforça-se a necessidade de voltar o olhar investigativo para os debates acerca da Educação Física Escolar, em diferentes momentos históricos, problematizando a influência de distintas conjunturas políticas e sociais, e assinalando particularidades de cada contexto. Nesta direção, o objetivo geral do estudo foi compreender os aspectos que convergiram para o enfraquecimento do esporte extracurricular em escolas particulares do estado do Paraná, nas décadas de 1980/1990. Em termos de objetivos específicos, o estudo buscou delinear como ocorreu a prática esportiva extracurricular em escolas; registrar as memórias de personagens que vivenciaram o esporte extracurricular; e apresentar os significados atribuídos ao esporte extracurricular, nas décadas de 1980/1990. O referido recorte temporal foi demarcado por percebermos que ainda há poucas informações sobre a temática tratada, especialmente no que concerne ao registro dos distintos olhares de atores que vivenciaram o esporte extracurricular nas escolas, em diferentes posições.

Sublinha-se que se optou por investigar o fenômeno em instituições particulares, em razão de os indícios sustentarem que o esporte extracurricular nessas instituições apresentava-se imbuído de características peculiares, tais como a oferta de bolsas de estudos para alunos/atletas, a participação dos times em competições organizadas pelas federações e confederações esportivas e o investimento em materiais e recursos humanos específicos para este fim (VARGAS; CAPRARO, 2020VARGAS, Pauline Iglesias; CAPRARO, André Mendes. “Era competitivo, era muito competitivo!”: memórias do esporte escolar de rendimento em escolas particulares de Curitiba. Journal of Physical Education, v. 31, n. 1, p. e-3111, fev. 2020.). No entanto, o esporte extracurricular também teve marcada presença em escolas públicas, não somente no estado do Paraná, como em outras do país (BRACHT et al., 2005BRACHT, Valter et al. Itinerários da Educação Física na Escola: o caso do Colégio Estadual do Espírito Santo. Movimento, v. 11, n. 1, p. 9-21, dez. 2005.; JUCHEM, et al., 2018JUCHEM, Luciano et al. Jogos Escolares de Petrolina: apontamentos históricos (década de 1970). Revista Thema, v. 15, n. 4, p. 1362-1375, out. 2018. ; SOUZA, 2018SOUZA, Marinês Matter de. Olimpíadas do Colégio de Aplicação da UFRGS: um estudo sobre competição escolar. 112 f. 2018. Dissertação (Mestrado em Ciências do Movimento Humano) - Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2018. ). Em razão disso, afirmamos a necessidade de mais pesquisas que enfoquem a compreensão de como ocorreu a apropriação e recepção do esporte extracurricular pelas instituições públicas em diferentes tempos e lugares.

2 REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO

A narrativa apresentada neste estudo foi construída através do diálogo com distintos materiais de pesquisa. Inicialmente, realizou-se uma revisão bibliográfica com o intuito de localizar estudos que tenham se dedicado a discutir aspectos relacionados às práticas esportivas extracurriculares na escola. Para tanto, realizamos uma busca na Plataforma online do Portal de Periódicos Capes, a partir dos termos “esporte extracurricular”, “esporte escolar”, “competição escolar” e “jogos escolares”. A busca ainda abarcou a localização de estudos em portais online de periódicos nacionais da área da Educação Física que contemplam, em seu escopo, a temática esporte.

O estudo também contemplou a realização de entrevistas com seis sujeitos que vivenciaram o esporte extracurricular paranaense de distintas formas, seja como atletas, técnicos e/ou gestores esportivos, durante as décadas de 1980 e 1990. Em conformidade com o exposto por Taborda de Oliveira (2002TABORDA DE OLIVEIRA, Marcus. Educação Física escolar e ditadura militar no Brasil (1968-1984): história e historiografia. Educação e Pesquisa, v. 28, n. 1, p. 51-75, jan./jun. 2002. , p. 55), ao escutar os sujeitos que participaram do esporte extracurricular paranaense e registrar suas memórias, apresentamos um “olhar para dentro da escola, devolvendo aos sujeitos o seu lugar na história”.

No Quadro 1, consta o nome dos entrevistados, seguido da sua ocupação durante o período delimitado pela pesquisa (1980/1990) e, também, as atividades desempenhadas por eles no tempo presente.

Quadro 1 -
Informações dos entrevistados.

As entrevistas foram gravadas e transcritas, conforme orientações de Alberti (2013ALBERTI, Verena. Manual de História Oral. 3. ed.. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2013.). Posteriormente, tais documentos orais foram enviados aos sujeitos participantes do estudo, para leitura e possíveis ajustes no texto. Para Alberti (2013ALBERTI, Verena. Manual de História Oral. 3. ed.. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2013.), as entrevistas transcritas se transformam em documentos orais, os quais representam uma interpretação do passado, atualizada por meio da linguagem falada. Ressaltamos que os entrevistados permitiram a divulgação de suas identidades e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido da pesquisa. Com relação aos aspectos éticos, a realização deste estudo observou os procedimentos inerentes à pesquisa realizada com seres humanos. Importa ainda destacar que a investigação faz parte de um projeto mais amplo, intitulado “Que tempo bom... naquela época: perscrutando as memórias e as narrativas do esporte”, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Brasília, mediante o parecer consubstanciado nº3.896.312.

Ao considerar as experiências individuais para compreensão dos acontecimentos do passado, a pesquisa respaldou-se nos pressupostos teórico-metodológicos da História Oral (ALBERTI, 2013ALBERTI, Verena. Manual de História Oral. 3. ed.. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2013.). Esta, por sua vez, permite o conhecimento de realidades sociais, a partir das rememorações de pessoas que vivenciaram e/ou testemunharam determinado acontecimento (POLLAK, 1992POLLAK, Michael. Memória e identidade social. Revista Estudos Históricos, v. 5, n. 10, p. 200-212, 1992.).

Assim, ao apresentar uma narrativa historiográfica, apoiada em representações do passado, este estudo buscou formular uma versão do já representado. Para tanto, as informações obtidas por meio dos depoimentos orais foram colocadas em diálogo com os resultados obtidos pela revisão bibliográfica e interpretados com base na perspectiva teórica eleita. Os resultados obtidos são apresentados nos tópicos que seguem.

3 SINAIS DO ENFRAQUECIMENTO DO ESPORTE EXTRACURRICULAR

O esporte extracurricular, na década de 1980, estava estreitamente ligado ao modelo esportivo de alto rendimento, o qual almejava, de modo particular, a formação de atletas olímpicos, pautando-se pelo modelo piramidal (BRACHT; ALMEIDA, 2003BRACHT, Valter; ALMEIDA, Felipe Quintão. A política de esporte escolar no Brasil: a pseudovalorização da educação física. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 24, n. 3, p. 87-101, maio/ ago. 2003.; NAVARRO; MEZZADRI; MORAES E SILVA, 2020NAVARRO, Rodrigo Tramutolo; MEZZADRI, Fernando Marinho; MORAES E SILVA, Marcelo. The genesis of the sport for all campaign in Brazil as seen through the Jornal dos Sports in the 1970s. Sport in Society, p. 1-16, 2020. DOI: https://doi.org/10.1080/17430437.2020.1768241
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). Este aspecto foi rememorado pelo professor Newton Zanon (2016, p. 11)1 1 Entrevista cedida por Newton Zanon ao pesquisador, no mês de dezembro de 2016, em Curitiba/PR. : “na ginástica artística”, por exemplo, “o sonho era colocar a menina nos Jogos Olímpicos”. Afirma que o mesmo ocorria com outras modalidades, como na esgrima e no atletismo. O relato, que traz indícios da concepção esportivista presente nos ambientes de ensino, sugere refletirmos acerca do papel desempenhado pela Educação Física. Afinal, o esporte foi a principal referência para as aulas de Educação Física daquele período (TABORDA DE OLIVEIRA, 2004TABORDA DE OLIVEIRA, Marcus. Educação Física Escolar e Ditadura Militar no Brasil (1968-1984): entre a adesão e a resistência. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 25, n. 2, p. 9-20, 2004. ), visando ao alto rendimento e promovendo a competição entre os alunos, especialmente daqueles selecionados para integrar equipes que compunham o esporte extracurricular das escolas.

Para além desta finalidade, os relatos de dois entrevistados apontaram para outro aspecto vinculado à inserção do esporte extracurricular nas escolas. Ao se referirem às instituições particulares de ensino do Paraná, mencionaram que o esporte era utilizado como uma ferramenta voltada ao marketing escolar, ou seja, utilizava-se das imagens dos atletas da escola para realizar a divulgação da marca da instituição. Segundo Zanon (2016, p. 3), “o colégio investia no esporte como uma área de marketing da empresa”. Como resultado desse investimento, além do aumento no número de matrícula de novos alunos, o professor mencionou a excelência de suas condições de trabalho, visto que, segundo ele, o colégio oferecia estrutura física e materiais de alta qualidade para a época.

O envolvimento do departamento de marketing da escola nos eventos esportivos extracurriculares forneceu pistas para afirmarmos que o investimento no esporte era tratado como uma estratégia de marketing. O depoimento do professor Roberley Leonaldo (2016, p.5)2 2 Entrevista cedida por Roberley Leonaldo ao pesquisador, no mês de novembro de 2016, em Curitiba/PR. também registrou a utilização do esporte como estratégia de propaganda das instituições, afirmando que este “era um bom material de divulgação para escola e para captar alunos”. De modo semelhante, o estudo realizado por Millen Neto, Ferreira e Soares (2011MILLEN NETO, Alvaro Rego; FERREIRA, Alexandre da Costa; SOARES, Antonio Jorge Gonçalves. Políticas de esporte escolar e a construção social do currículo de Educação Física. Motriz, v. 17, n. 3, p. 416-423, jul./set. 2011.) junto a uma escola municipal do Rio de Janeiro/RJ participante de competições escolares evidenciou que as conquistas esportivas da respectiva instituição repercutiram para além de seus muros. Millen Neto, Ferreira e Soares (2011MILLEN NETO, Alvaro Rego; FERREIRA, Alexandre da Costa; SOARES, Antonio Jorge Gonçalves. Políticas de esporte escolar e a construção social do currículo de Educação Física. Motriz, v. 17, n. 3, p. 416-423, jul./set. 2011., p. 417) sugerem que alguns “artifícios ideológicos são utilizados por instituições, notadamente as privadas, que agregam através da mídia suas conquistas esportivas à excelência do ensino oferecido”. Assim, do mesmo modo que o expresso pelos entrevistados, Millen Neto, Ferreira e Soares (2011MILLEN NETO, Alvaro Rego; FERREIRA, Alexandre da Costa; SOARES, Antonio Jorge Gonçalves. Políticas de esporte escolar e a construção social do currículo de Educação Física. Motriz, v. 17, n. 3, p. 416-423, jul./set. 2011.) sublinham a relação estabelecida entre os resultados obtidos em competições esportivas e a qualidade do ensino da instituição, como uma forma de propaganda e marketing escolar.

Essa finalidade também foi demonstrada no estudo desenvolvido por Costa et al. (2017COSTA, Isabelle Plociniak et al. Jogos Escolares do Paraná: análise da competição no Município de Curitiba. Educación Física y Ciencia, v. 19, n. 1, p. 1-9, jun.2017.). Os autores constataram que, nos Jogos Escolares do Paraná3 3 Os Jogos Escolares do Paraná são competições esportivas oferecidas aos alunos de escolas públicas e privadas do referido estado (COSTA et al., 2017). , as equipes vencedoras das modalidades esportivas coletivas, em sua maioria, foram aquelas pertencentes às escolas privadas. Dentre as justificativas para tal ocorrência, apontam para o fator financeiro, pois “apenas colégios que possuíam status social alcançam bons resultados na fase regional da competição” (COSTA et al., 2017COSTA, Isabelle Plociniak et al. Jogos Escolares do Paraná: análise da competição no Município de Curitiba. Educación Física y Ciencia, v. 19, n. 1, p. 1-9, jun.2017. p. 7). Os autores complementam aludindo que “o esporte educacional, nas instituições privadas, pode até tornar-se polo de investimento, uma vez que agrega qualidades educacionais a instituição” (COSTA, et al., 2017COSTA, Isabelle Plociniak et al. Jogos Escolares do Paraná: análise da competição no Município de Curitiba. Educación Física y Ciencia, v. 19, n. 1, p. 1-9, jun.2017., p. 8).

Neste particular, a relação entre esporte escolar e investimentos foi considerada pelo professor Newton Zanon (2016, p. 3) como lucrativa, conforme menciona em seu relato, “o esporte dava retorno financeiro, não tenho a menor dúvida disso. Então, tenho certeza que na hora de fechar as contas, o esporte trazia rentabilidade para escola”. Contudo, diferindo desta percepção, o depoimento da professora Nádia Dalla Barba (2016)4 4 Entrevista cedida por Nádia Dalla Barba ao pesquisador, no mês de novembro de 2016, em Curitiba/PR. segue outra direção. Ao ser questionada acerca dos investimentos de escolas particulares no esporte extracurricular, a ex-técnica de handebol apontou para a presença de aspectos relacionados aos altos custos para manter o esporte de alto rendimento. A professora Nádia reflete sobre o assunto e diz: “[…] eu não sei se eles começaram a perceber que isso [o esporte de rendimento] não tinha tanto retorno para eles [os colégios]. Eu acho que foi aí que começou: vamos investir mais na educação, não tanto no esporte” (DALLA BARBA, 2016 p. 6).

O trecho do depoimento supracitado apontou para a percepção de um possível enfraquecimento do esporte extracurricular em algumas instituições de ensino particulares. Conforme é possível sublinhar, a professora atribuiu os motivos dessa mudança ao ônus causado pelo esporte extracurricular às instituições. No entanto, tal aspecto não parece ter atuado de forma única e isolada em tal declínio, visto que a realização de competições nacionais, disputadas por representações de estados ou municípios, também influenciou nas mudanças vinculadas a este cenário. Assim, ao mesmo passo que, gradualmente, sucedia o enfraquecimento do esporte extracurricular nas escolas, distintas mudanças sucederam nos próprios arranjos das competições escolares (JUCHEM et al., 2018JUCHEM, Luciano et al. Jogos Escolares de Petrolina: apontamentos históricos (década de 1970). Revista Thema, v. 15, n. 4, p. 1362-1375, out. 2018. ; SOUZA, 2018SOUZA, Marinês Matter de. Olimpíadas do Colégio de Aplicação da UFRGS: um estudo sobre competição escolar. 112 f. 2018. Dissertação (Mestrado em Ciências do Movimento Humano) - Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2018. ).

Durante este período (1980-1990), o atleta, ao participar de competições escolares, passou a representar uma unidade federativa, ou seja, deixou de difundir, de modo direto, a marca da escola. Acerca desta questão, o professor Nelson Rodrigues (2017)5 5 Entrevista cedida por Nelson Rodrigues ao pesquisador, no mês de março de 2017, em Curitiba/PR. rememorou os casos dos Jogos Escolares Brasileiros, dos Jogos da Juventude do Paraná e dos Jogos Abertos do Paraná. Segundo seu relato:

[…] a escola emprestava seu atleta para seleção do município e qual o nome que aparecerá? Era Curitiba, era Ponta Grossa, era Guarapuava, não era o Colégio Dom Bosco, não era o Colégio Positivo, você entende? Então, veja, eu, como departamento de marketing de uma escola, falei: eu invisto aqui mais do que um município de 70 mil habitantes do Paraná! Meu investimento e esse aluno meu vai para lá representar só o estado, não vai representar a minha escola. Meu colégio não vai aparecer lá, meu marketing vai ser abafado (RODRIGUES, 2017, p. 7).

O trecho do depoimento do professor Nelson Rodrigues nos permite perceber como o esporte extracurricular, na época investigada, estava intimamente relacionado à capacidade de marketing e divulgação das instituições de ensino. Ao assumir a função de gestor administrativo de uma instituição de ensino, a narrativa do entrevistado passou a justificar a desvalorização esportiva extracurricular. Nota-se que, da mesma forma que o entrevistado comenta aspectos que se relacionam à desvalorização do esporte extracurricular pelo viés administrativo, ele também anuncia os motivos que podem ter levado à impossibilidade de permanecerem os investimentos na época.

Ampliando o espectro de análise, o professor Nelson Rodrigues discorre sobre elementos vinculados à própria situação econômica do Brasil, da década de 1990, os quais podem ter desencadeado a redução de investimentos no esporte e, consequentemente, ter influenciado na manutenção do esporte extracurricular nas instituições de ensino6 6 Esta conexão estabelecida entre a situação econômica do país e a redução de investimentos dedicados ao esporte extracurricular, na década de 1990, mencionada no depoimento do professor Nelson Rodrigues, se apresenta enquanto possibilidade futura de investigações, na busca por aprofundar de maneira mais direta os debates direcionados a este viés analítico, no campo da Educação Física. . Em seu depoimento, menciona que, na época, o aumento significativo das mensalidades, em razão da inflação, confluiu para o enfraquecimento do esporte extracurricular nas escolas, pois “não tinha como manter o departamento de esportes, sem cobrar do pai e a mensalidade já era cara” (RODRIGUES, 2017, p. 7-8). Por conta disso, o professor relata que “houve uma demissão quase que geral”, o que influenciou, de modo mais amplo, no próprio “enfraquecimento dos eventos em nível nacional” (RODRIGUES, 2017, p. 8). Esse e outros depoimentos nos levam a discorrer que a situação econômica desfavorável do país, associada à diminuição da divulgação das instituições de ensino nos eventos esportivos, a partir do momento em que o atleta alcançava resultados representativos, convergiram para o declínio na valorização do esporte extracurricular.

Interessante observar os resultados trazidos na pesquisa de Bracht et al. (2005BRACHT, Valter et al. Itinerários da Educação Física na Escola: o caso do Colégio Estadual do Espírito Santo. Movimento, v. 11, n. 1, p. 9-21, dez. 2005.), que analisou o enfraquecimento do esporte extracurricular no mesmo período (final da década de 1990) elegendo, contudo, o contexto de uma escola pública. Para os autores (2007), a “decadência do esporte extracurricular” coincidiu com a alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996, que previu a redução do número de aulas semanais de Educação Física. Assinalam que “o agravamento da situação da educação pública de maneira geral, particularmente a deterioração das condições de trabalho dos professores e as consequentes greves” também convergiram para que este viés do esporte perdesse força, nas instituições públicas, de educação básica (BRACHT et al., 2005BRACHT, Valter et al. Itinerários da Educação Física na Escola: o caso do Colégio Estadual do Espírito Santo. Movimento, v. 11, n. 1, p. 9-21, dez. 2005., p. 19).

O diálogo entre o relato do professor Nelson Rodrigues (2017) e o estudo de Bracht et al. (2005BRACHT, Valter et al. Itinerários da Educação Física na Escola: o caso do Colégio Estadual do Espírito Santo. Movimento, v. 11, n. 1, p. 9-21, dez. 2005.) sinaliza para um contexto plural de mudanças que podem ter convergido para o enfraquecimento do esporte extracurricular, no fim da década de 1990. De modo particular, ao focalizarmos para o espaço eleito nesta pesquisa, podemos acessar os bastidores das tomadas de decisões por meio da rememoração dos entrevistados, que vivenciaram, de modo particular, tais processos. O professor Newton Zanon (2016) se recordou do momento em que foi chamado pela direção da escola: “Ele [o diretor] falou assim: a partir do ano que vem, nós vamos acabar com todos os esportes de competição dentro do Colégio” (ZANON, 2016, p.11). Em uma tentativa de compreender o que estava se passando, o professor disse não estar entendendo o porquê da decisão. Na continuidade do diálogo, o diretor justifica como sendo “determinação dos donos da escola. Não vamos mais investir em esportes” (ZANON, 2016, p.12). Em seu depoimento, o professor Newton menciona a tentativa de construção de um relatório, como uma forma de justificar a permanência do departamento de esporte. Apesar disso, o documento não foi aceito e, segundo seu relato, “foi a pior fase da minha vida, porque eu tive que mandar, aproximadamente, 20 professores embora” (ZANON, 2016, p.12).

Ao se recordar do momento descrito, o professor Newton Zanon menciona que, na época, era coordenador esportivo de uma instituição de ensino particular e deixou transparecer seu contragosto à decisão que fora tomada. No entanto, é preciso ressaltar que as instituições de ensino particulares, de certa forma, foram criadas com o intuito de gerar lucro aos proprietários. Desta forma, acredita-se que, no entendimento de tais organizações educacionais, o que ocorreu se aproxima mais de uma mudança na estratégia administrativa que, por sua vez, induziu a mudanças significativas no esporte, o qual, consequentemente, tomou um novo rumo.

4 ESPORTE EXTRACURRICULAR E IDEIAS PEDAGÓGICAS NA ESCOLA

A relação entre esporte e educação foi compreendida de diferentes maneiras, conforme particularidades intrínsecas aos contextos sociais e políticos pelos quais o país foi permeado ao longo dos anos. As rememorações dos professores entrevistados também nos conduziram a refletir acerca da própria conformação do campo da Educação Física Escolar e os contornos pedagógicos que este foi adotando, em distintos períodos históricos. Para os professores entrevistados, as mudanças ocorridas no interior dos cursos de Educação Física, durante as décadas de 1980 e 1990, reverberaram nas atividades extracurriculares. Para o professor Marcos Mathias Lamers (2016, p. 5)7 7 Entrevista cedida por Marcos Mathias Lamers ao pesquisador, no mês de outubro de 2016, em Curitiba/PR. , os profissionais de Educação Física que atuavam no campo durante os anos demarcados pela pesquisa “eram de uma geração diferente. Uma geração que se criou dentro dessa filosofia da competição”.

A fala do professor faz referência à diferença existente entre a formação obtida pelos profissionais que atuavam nas escolas da época e os que vieram a atuar, profissionalmente, no final da década de 1990. Estes últimos, no entendimento de Lamers (2016), defendiam uma prática menos competitiva e, muitas vezes, negavam o trabalho com o esporte. Mediante as concepções de Educação Física e Esporte imbricadas no discurso do entrevistado, percebemos uma crítica às transformações didático-pedagógicas adotadas nos espaços formativos posteriormente à década de 1990. Estas tinham por intuito contemplar os aspectos educacionais da Educação Física, para além da competição exacerbada e da sobrepujança (KUNZ, 2004KUNZ, Elenor. Transformação didático-pedagógica do esporte. 6. ed. Ijuí: Unijuí, 2004.; ALMEIDA; FONSECA, 2013ALMEIDA, Uilian Maciel; FONSECA, Gerard Maurício Martins. Jogos Escolares de Vacaria: retrato da participação dos estudantes. Caderno de Educação Física e Esporte, v. 11, n. 1, p. 89-99, jan./jun. 2013.).

Ao justificar a mudança no esporte extracurricular, ao final da década de 1990, o professor Marcos Mathias Lamers (2016, p. 5) expressa: “uma pena, mas, são filosofias distintas e, infelizmente, em grande parte, culpa das universidades”. Acerca deste particular, Daolio (1998DAOLIO, Jocimar. Educação Física Brasileira: autores e atores da década de 1980. Campinas, SP: Papirus, 1998.) criticou a forma como os pesquisadores da Educação Física conduziram o pensamento científico à época. O autor (1998) pressupôs que, da mesma forma que os pesquisadores, os discursos foram mal conduzidos e, por conseguinte, mal interpretados pelos profissionais da área. Tal situação resultou em uma “proibição” da prática esportiva em escolas.

Caparroz e Bracht (2007CAPARROZ, Francisco Eduardo; BRACHT, Valter. O tempo e o lugar de uma didática da Educação Física. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 28, n. 2, p. 21-37, jan./abr. 2007., p. 23) corroboraram essa discussão ao situar, historicamente, a relação entre a pedagogia e a didática na Educação Física brasileira. Os autores (2007) descrevem que, até a década de 1980, havia uma “hipertrofia” da didática em relação às discussões pedagógicas, ou seja, até esse período, em virtude do próprio contexto político-esportivo em vigor no país, a prática era trabalhada de forma isolada, sem considerar a teoria que embasava o trabalho do professor. Conforme a nomenclatura foi sendo utilizada pelos autores, a partir da década de 1980, “curvou-se a vara” para o outro extremo, ao passo em que a “onda cientificista” da Educação Física, iniciada por discussões acadêmicas opostas ao modelo tecnicista, até então vigente, acentuou a desvalorização das discussões pedagógicas e a valorização das discussões acerca da didática da Educação Física (CAPARROZ; BRACHT, 2007CAPARROZ, Francisco Eduardo; BRACHT, Valter. O tempo e o lugar de uma didática da Educação Física. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 28, n. 2, p. 21-37, jan./abr. 2007.).

Mediante esta mudança, a teoria passou a significar uma ameaça para aqueles professores que não a dominavam e que tiveram sua formação acadêmica pautada no campo prático e esportivista da Educação Física. De certo modo, isso promoveu e acentuou a separação entre a pedagogia e a didática da área. Como salientado por Caparroz e Bracht (2007CAPARROZ, Francisco Eduardo; BRACHT, Valter. O tempo e o lugar de uma didática da Educação Física. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 28, n. 2, p. 21-37, jan./abr. 2007., p. 26), “é comum ouvir, no contexto escolar, de colegas formados antes da reformulação curricular dos anos de 1990, que eles eram práticos, sabiam fazer e que, agora, os novos professores são teóricos e não sabem fazer (ensinar)”. A citação acima remete às polêmicas discussões do referido período, promovidas de forma intensa no meio acadêmico, mas que, também, ecoavam no e do ambiente escolar.

Neste caminho, o professor Rodrigues (2017) mencionou em seu depoimento que nos anos 1980, quando era secretário de esportes do estado do Paraná, buscou uma parceria com universidades públicas e particulares do estado e, para a sua surpresa, “houve uma chuva de doutores e tantos senões. Parece que nossos amigos foram estudar e retornaram bem diferentes do que eram no sentido filosófico do desporto em geral. Mudaram tudo!” (RODRIGUES, 2017, p. 25). Em seu depoimento, Rodrigues foi além da crítica aos discursos e questionou a vivência esportiva dos atuais docentes dos cursos de Educação Física:

Talvez, poucos dos docentes atuantes tenham tido a oportunidade de ter sido, um dia, atleta de rendimento ou pelo menos tenha tido o gosto de ter sido um atleta, e muitas vezes nunca praticou esporte. Estou errado? Talvez, tenham feito o curso por status, para ter um nome antes do seu, de Mestre ou de Doutor e, jamais tenha caído numa piscina para dar duas braçadas... Fazer o quê? Não posso afirmar, mas, seria bem triste saber que o desporto está sendo deixado à parte em prol de conceitos ou filosofias que facilitam apenas o desenvolvimento filosófico do ser humano. (RODRIGUES, 2017, p. 25).

Com o intuito de refletirmos acerca da perspectiva exposta pelo entrevistado, mencionamos o estudo de Millen Neto, Ferreira e Soares (2011MILLEN NETO, Alvaro Rego; FERREIRA, Alexandre da Costa; SOARES, Antonio Jorge Gonçalves. Políticas de esporte escolar e a construção social do currículo de Educação Física. Motriz, v. 17, n. 3, p. 416-423, jul./set. 2011.), que problematiza a relação estabelecida entre as histórias de vida dos sujeitos e os interesses por eles defendidos. Para os autores (2011), quando os profissionais têm uma história esportiva marcante enquanto aluno e/ou professor, suas perspectivas e concepções de esporte estarão expressamente associadas ao rendimento esportivo, enquanto prática dominante, e à competição, enquanto elemento essencial na formação dos alunos/atletas. Diante disso, as memórias retidas pelos professores Marcos Mathias Lamers (2016) e Nelson Rodrigues (2017) apontam para um julgamento negativo no que concerne às mudanças da concepção formativa ocorridas no interior dos cursos de Educação Física, as quais reverberaram, na compreensão dos entrevistados, negativamente ao esporte. Faz-se necessário, contudo, recordarmos que ambos estavam vinculados ao esporte de alto nível no período da entrevista.

Em seu depoimento, o professor Marcos Mathias Lamers (2016) contou um episódio por ele vivenciado no tempo presente. Segundo seu relato, recentemente, quando na função de professor de Educação Física da rede municipal de ensino de Curitiba/PR, teve dificuldades em trabalhar com esporte, visto que, quando professores jovens ingressavam no magistério municipal, “a velha guarda”, ou seja, os professores que lecionavam há mais tempo, sentiam-se como se “fôssemos meio criminosos por querer trabalhar a parte esportiva e tal” (LAMERS, 2016, p. 12). E mais à frente questionou: “você não pode trabalhar esportes, você não pode, parece que virou uma proibição, não é?” (LAMERS, 2016, p. 13). Tal “proibição” do esporte, nas palavras de Gebara (2002GEBARA, Ademir. História do esporte, novas abordagens. In: PRONI, M. (Org.). Esporte: História e Sociedade. Campinas: Autores Associados, 2002. p. 5-27.), foi fruto do equívoco gerado ao teorizar as práticas corporais, a partir dos referenciais de outras áreas do conhecimento, tais como da História, Sociologia e Antropologia, levando em consideração a premissa de que o praticante, o técnico e os demais envolvidos com o esporte de rendimento estariam reforçando o capitalismo e, consequentemente, os ideais da ditadura.

De modo semelhante, citamos um ensaio publicado por Matos (2017MATOS, Marcelo da Cunha. Treinamento de equipes esportivas em escolas: o que se aprende com isso? Revista Carioca de Educação Física, v. 12, n. 1, p. 67-72, 2017.), que, impulsionado pelas dificuldades encontradas no campo profissional, motivou-se a refletir sobre as premissas que orientam um bom educador. Para tanto, conjectura sobre as concepções pedagógicas que passaram a orientar o campo da Educação Física a partir da década de 1980. Em seu trabalho, Matos (2017MATOS, Marcelo da Cunha. Treinamento de equipes esportivas em escolas: o que se aprende com isso? Revista Carioca de Educação Física, v. 12, n. 1, p. 67-72, 2017.) menciona que

Ser um bom educador era se apropriar de uma educação cujo objetivo é lutar contra a sociedade de classes e refutar qualquer manifestação da cultura dominante! O esporte era um exemplo dessa refutação. Meu maior receio era ser visto como um professor tecnicista. Assim, aprendi na faculdade (MATOS, 2017MATOS, Marcelo da Cunha. Treinamento de equipes esportivas em escolas: o que se aprende com isso? Revista Carioca de Educação Física, v. 12, n. 1, p. 67-72, 2017., p. 68).

O trecho do texto evidenciado reitera a mudança epistemológica que estava ocorrendo no campo da Educação Física durante as décadas de 1980 e 1990. Ressaltamos que esse movimento não ocorreu apenas no campo da Educação Física, visto que todos os segmentos da sociedade estavam passando pelo processo de redemocratização e, por consequência, eram críticos aos modelos vigentes até o momento. Os discursos empolgados e, muitas vezes, radicais, típicos do período, refletiram na formação profissional dos graduandos da época. Desta forma, conforme podemos notar por meio dos depoimentos de Lamers (2016) e Rodrigues (2017) e através do ensaio de Matos (2017MATOS, Marcelo da Cunha. Treinamento de equipes esportivas em escolas: o que se aprende com isso? Revista Carioca de Educação Física, v. 12, n. 1, p. 67-72, 2017.), os professores formados durante aquele contexto, não raramente, são malvistos no tempo presente, sobretudo, por ensinarem esportes com suas regras e técnicas de ensino.

Não seria possível negligenciarmos o fato de que João Paulo Medina, que em 1983 publicou a primeira edição (atualmente está na 25ª edição) do livro intitulado “Educação Física Cuida do Corpo e Mente”, atue, no tempo presente, no ambiente do futebol profissional. Em entrevista ao site Ludopédio, Medina comentou como se deu a transição da vida acadêmica para o esporte de rendimento e, ainda, salientou:

Convivi com um pé no campo e um pé na universidade, durante muito tempo. O interessante era que recebia críticas dos dois lados: no campo eu era muito teórico, na universidade eu era muito pragmático, empírico. Era divertido ver como os dois mundos não dialogavam. Tinha uma barreira muito grande. Era gostoso, até para tentar entender como funciona o mundo acadêmico da universidade e o mundo da prática, empírico, avesso às teorias de qualquer espécie. Penso que isso existe até hoje, infelizmente. Um precisa do outro, mas, não se aproximam (MEDINA, 2017MEDINA, João Paulo Medina. 2017. Ludopédio. Entrevista com João Paulo Medina. Disponível em: Disponível em: http://www.ludopedio.com.br/entrevistas/joao-paulo-medina/ . Acesso em: 01 maio 2020.
http://www.ludopedio.com.br/entrevistas/...
).

A perspectiva de observar o mesmo fenômeno em suas pluralidades deve ser permeada pela proposta de equilíbrio, a qual se relaciona, inclusive, com o discurso proferido por Medina (2017MEDINA, João Paulo Medina. 2017. Ludopédio. Entrevista com João Paulo Medina. Disponível em: Disponível em: http://www.ludopedio.com.br/entrevistas/joao-paulo-medina/ . Acesso em: 01 maio 2020.
http://www.ludopedio.com.br/entrevistas/...
) acerca da aproximação necessária entre os intelectuais e os práticos. Esse ponto de vista foi evidenciado pelo depoimento do professor Marcos Mathias Lamers (2016, p.11): “poderia acontecer um equilíbrio maior entre as partes para que a gente também não sentisse isso [desvalorização]”. O equilíbrio sugerido pelo professor pode ser um dos caminhos para o futuro, tendo em vista a substituição dos discursos polarizados pela disseminação do entendimento da prática esportiva enquanto campo polifônico.

O que se torna evidente a partir da construção do presente estudo é o entendimento dos professores entrevistados acerca do esporte extracurricular, o qual, para eles, deveria desempenhar a função de identificar e formar talentos esportivos, dando-lhes oportunidade de, posteriormente, traçar um percurso profissional. No entanto, os estudos localizados na literatura e colocados em diálogo com os relatos mencionam que o esporte extracurricular, especialmente no tempo presente, deve ser norteado por pressupostos teóricos e metodológicos, de modo a se orientar por princípios e condutas pedagógicas que visem ao processo de formação esportiva e não a seleção e especialização de talentos.

Esta relação entre a percepção dos entrevistados acerca do esporte extracurricular e o modelo que se apresenta nos dias de hoje torna-se relevante, sobretudo, se pensarmos que tais sujeitos ainda estão atuando no campo da Educação Física, conforme apresentado no Quadro 1. Assim, mediante este cenário de incisivos debates, o esporte extracurricular foi reinventado sob novas perspectivas, no que tange ao contexto escolar. Neste espaço, as competições esportivas passaram a ser realizadas com novos formatos, permeados por perspectivas do esporte educacional e, consequentemente, conforme afirmam Kiouranis, Salvini e Marchi Júnior (2017KIOURANIS, Taiza Daniela Seron; SALVINI, Leila; MARCHI JÚNIOR, Wanderley. “O marco de 1989”: uma reflexão sobre os XVIII Jogos Escolares Brasileiros. Movimento, v. 23, n. 3, p. 907-918, jul./set. 2017.), este novo modelo de competição gerou desconforto em grande parte daqueles profissionais que eram a favor do esporte-performance, instaurado no interior da escola.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir das informações obtidas por meio das entrevistas, articuladas com a bibliografia selecionada para construção do estudo, tornou-se possível reconstituir memórias de sujeitos que vivenciaram de distintas formas o esporte extracurricular. Trata-se de memórias que ainda não haviam sido ditas e registradas, pelo menos no que tange ao meio acadêmico. Delas emergiram diferentes olhares da realidade vivenciada por quem fez e ainda faz o esporte. De tal modo, compreendemos a relevância de ouvir os sujeitos protagonistas do fenômeno esportivo na escola, no espaço denominado extracurricular, lançando luz em outras versões da História do Esporte e da Educação Física brasileira. Assim, ao dar visibilidade às falas dos entrevistados, o estudo buscou trazer contribuições para as reflexões acerca de um tema polêmico - o esporte de rendimento e escola - o qual foi alvo de um número considerável de publicações e de eventos acadêmicos, principalmente, na década de 1990 e nos primeiros anos do século XXI. O debate prossegue, embora não esteja tão potente como já foi em tempos passados, quando parecia estar focado em duas posições distintas: “a favor” do esporte de rendimento - extracurricular, na escola - e “contra” o esporte extracurricular.

A pesquisa também oportuniza o diálogo para com a polissemia do esporte. Nesse sentido, vale destacar alguns resultados delineados: o esporte era utilizado como ferramenta de marketing institucional; as escolas deixaram de investir no esporte por distintos motivos; a escola foi ofuscada na medida em que os estudantes/atletas passaram a participar de seleções municipais e estaduais; a situação financeira nacional forçou uma reestruturação dos investimentos; surgiu a oportunidade de utilizar o esporte como possibilidade de arrecadação de investimentos financeiros, com a criação de escolinhas esportivas como estratégia de obter mais recursos financeiros para a escola; houve uma mudança de comportamento dos jovens; a transformação crítica ocorrida na Educação Física, durante a década de 1990, influenciou esse processo de enfraquecimento.

Por fim, consideramos que estudos dessa natureza, que privilegiam fontes orais, são fundamentais para alavancar as investigações no âmbito da História do Esporte e da Educação Física. No entanto, pontua-se que as pesquisas históricas apresentam uma versão plausível acerca do objeto de estudo. Portanto, a(o) leitor(a) cabe a interpretação deste texto, a partir de suas vivências anteriores, suas lentes para o período/fenômeno ao interpretar as informações aqui apresentadas de maneira singular.

REFERÊNCIAS

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  • 1
    Entrevista cedida por Newton Zanon ao pesquisador, no mês de dezembro de 2016, em Curitiba/PR.
  • 2
    Entrevista cedida por Roberley Leonaldo ao pesquisador, no mês de novembro de 2016, em Curitiba/PR.
  • 3
    Os Jogos Escolares do Paraná são competições esportivas oferecidas aos alunos de escolas públicas e privadas do referido estado (COSTA et al., 2017COSTA, Isabelle Plociniak et al. Jogos Escolares do Paraná: análise da competição no Município de Curitiba. Educación Física y Ciencia, v. 19, n. 1, p. 1-9, jun.2017.).
  • 4
    Entrevista cedida por Nádia Dalla Barba ao pesquisador, no mês de novembro de 2016, em Curitiba/PR.
  • 5
    Entrevista cedida por Nelson Rodrigues ao pesquisador, no mês de março de 2017, em Curitiba/PR.
  • 6
    Esta conexão estabelecida entre a situação econômica do país e a redução de investimentos dedicados ao esporte extracurricular, na década de 1990, mencionada no depoimento do professor Nelson Rodrigues, se apresenta enquanto possibilidade futura de investigações, na busca por aprofundar de maneira mais direta os debates direcionados a este viés analítico, no campo da Educação Física.
  • 7
    Entrevista cedida por Marcos Mathias Lamers ao pesquisador, no mês de outubro de 2016, em Curitiba/PR.

NOTAS EDITORIAIS

  • LICENÇA DE USO

    Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons atribuição Não Comercial 4.0 (CC BY-NC 4.0), que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, desde que o trabalho original seja corretamente citado, com a restrição que impede o uso para fins comerciais. Mais informações em: https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0
  • FINANCIAMENTO

    O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior -Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001 This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Finance Code 001.
  • ÉTICA EM PESQUISA

    O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Ciências Humanas da Universidade de Brasília - CEP/IH, mediante o parecer consubstanciado número nº3.896.312. A inscrição do projeto junto ao Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) pode ser localizada no site “Plataforma Brasil” a partir do número de registro: 51225615.5.0000.5540.
  • COMO REFERENCIAR

    VARGAS, Pauline Iglesias; MAZO, Janice Zarpellon; BEGOSSI, Tuany Defaveri; CAPRARO, André Mendes. Memórias da prática esportiva extracurricular em escolas privadas do Paraná (1980-1990). Movimento, v.26, p. e26073, jan./dez. 2020. Disponível em: Acesso em: DOI 10.22456/1982-8918.103945
  • RESPONSÁVEIS EDITORIAIS

    Alex Branco Fraga*, Elisandro Schultz Wittizorecki*, Ivone Job*, Mauro Myskiw*, Raquel da Silveira* *Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança, Porto Alegre, RS, Brasil

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    08 Mar 2021
  • Data do Fascículo
    2020

Histórico

  • Recebido
    05 Jun 2020
  • Aceito
    20 Ago 2020
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