Acessibilidade / Reportar erro

Ocorrência de Stethorus (Stehtorus) minutalus Gordon & Chapin (Coleoptera: Coccinellidae) predando Bemisia tabaci biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae) em algodoeiro no Brasil

Occurrence of Stethorus (Stethotrus) minutalus Gordon & Chapin (Coleoptera: Coccinellidae) preying Bemisia tabaci biotype B (Hemiptera: Aleyrodidae) on cotton plant in Brazil

Resumos

Este comunicado tem o objetivo de registrar, pela primeira vez no Brasil, o predador Stethorus (Stethorus) minutalus Gordon & Chapin (Scymninae, Stethorini). Larvas e adultos de S. minutalus foram observados alimentando-se de ovos e ninfas de Bemisia tabaci Gennadius biótipo B em algodoeiro em condições de casa de vegetação em Piracicaba, SP. É provável que esse coccinelídeo seja uma espécie introduzida no país.

Controle biológico; predador; mosca-branca


This report has the objective of registering, for the first time in Brazil, the predator Stethorus (Stethorus) minutalus Gordon & Chapin (Scymninae, Stethorini). Larvae and adults were observed feeding on eggs and nymphs of the whitefly Bemisia tabaci Gennadius biotype B (Hemiptera: Aleyrodidae), on cotton plants under greenhouse condition in Piracicaba, SP. Probably, this coccinelid is an introduced species in the Country.

Biological control; predator; whitefly


SCIENTIFIC NOTE

Ocorrência de Stethorus (Stehtorus) minutalus Gordon & Chapin (Coleoptera: Coccinellidae) predando Bemisia tabaci biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae) em algodoeiro no Brasil

Occurrence of Stethorus (Stethotrus) minutalus Gordon & Chapin (Coleoptera: Coccinellidae) preying Bemisia tabaci biotype B (Hemiptera: Aleyrodidae) on cotton plant in Brazil

Leonardo D. SilvaI; Jean P. BonaniII

IUniv. Federal do Ceará, Mister Hull, 2977, Campus do Pici - Bloco 805, 60021-970, Fortaleza, CE dantasleo@yahoo.com.br

IILab. Insetos Vetores de Fitopatógenos, Depto. Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ/USP, Av. Pádua Dias, 11 C. postal 9, 13418-900, Piracicaba, SP, jpbonani@esalq.usp.br

RESUMO

Este comunicado tem o objetivo de registrar, pela primeira vez no Brasil, o predador Stethorus (Stethorus) minutalus Gordon & Chapin (Scymninae, Stethorini). Larvas e adultos de S. minutalus foram observados alimentando-se de ovos e ninfas de Bemisia tabaci Gennadius biótipo B em algodoeiro em condições de casa de vegetação em Piracicaba, SP. É provável que esse coccinelídeo seja uma espécie introduzida no país.

Palavras-chave: Controle biológico, predador, mosca-branca

ABSTRACT

This report has the objective of registering, for the first time in Brazil, the predator Stethorus (Stethorus) minutalus Gordon & Chapin (Scymninae, Stethorini). Larvae and adults were observed feeding on eggs and nymphs of the whitefly Bemisia tabaci Gennadius biotype B (Hemiptera: Aleyrodidae), on cotton plants under greenhouse condition in Piracicaba, SP. Probably, this coccinelid is an introduced species in the Country.

Key words: Biological control, predator, whitefly

Bemisia tabaci Gennadius, popularmente conhecida como mosca-branca, é considerada uma das mais nocivas pragas que ocorrem nas regiões tropicais e subtropicais de todo mundo. Ataca grandes culturas, plantas ornamentais e hortaliças tanto em sistema de cultivo protegido quanto em campo (Ahmad et al. 2002, Chen et al. 2004). O ataque da mosca-branca ocasiona significativa redução na produção vegetal, devido à sucção de seiva, à indução de desordem fisiológica à planta, e também porque a mosca-branca age como vetor de vírus patogênicos em muitas plantas (Byrne & Miller 1990, Ahmad et al. 2002, Jones 2003). Além disso, a excreção de substâncias açucaradas (honeydew) sobre as folhas da planta pelo inseto proporciona o desenvolvimento da fumagina que, por sua vez, inibe a fotossíntese bem como a respiração da planta (Byrne & Miller 1990, Davidson et al. 1994) e ocasiona a depreciação de frutos (Alomar et al. 2006), tal como melão e tomate.

O controle da praga tem dependido principalmente do uso de agrotóxicos durante todo o ano (Prabhaker et al. 1996). Entretanto, as repetidas aplicações de produtos podem irromper em outros problemas, como a aceleração da evolução da resistência da praga a vários princípios ativos, e o aumento do risco de contaminação do meio ambiente e de intoxicação de humanos e outros animais (Palumbo et al. 2001). Para diminuir as chances de ocorrência desses e de outros problemas ocasionados pelo mau uso de agrotóxicos, é que se recomenda o cultivo de plantas com base no manejo integrado de pragas (MIP). E dentro da filosofia do MIP é que, segundo Perring (2001), o uso de agentes biológicos vem sendo freqüentemente referido como alternativa no controle da mosca-branca.

Segundo Gerling et al. (2001), vários artrópodes são relatados como inimigos naturais de mosca-branca. Apesar disto, não existem resultados de pesquisa no Brasil que comprovem a efetividade de parasitóides, predadores e patógenos no controle desse aleyrodídeo (Villas Bôas et al. 1997). Ainda de acordo com esses autores, no grupo de predadores foram identificadas dezesseis espécies das ordens Hemiptera, Neuroptera, Coleoptera e Diptera. Dentro da ordem Coleoptera, os coccinelídeos são mais freqüentemente relacionados ao controle biológico do que qualquer outro táxon de organismo predador (Obrycki & Kring 1998). Algumas espécies do gênero Delphastus e Stethorus, ambos pertencentes à família Coccinellidae, destacam-se como importantes predadores de pragas como mosca-branca e ácaro rajado, respectivamente. Entretanto, todas as espécies conhecidas de Stethorus Weise são citadas como predadores de ácaros (Rott & Ponsonby 2000, Yoder et al. 2003, Roy et al. 2005).

O presente comunicado tem por objetivo relatar a primeira ocorrência de uma espécie de Stethorus predando mosca-branca bem como sua presença no Brasil.

Em setembro de 2005, no Setor de Entomologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), observou-se em casa de vegetação uma associação entre pequenos coleópteros e B. tabaci sob plantas de algodoeiro. Larvas e adultos dos insetos estavam predando ovos e ninfas da mosca-branca, afetando drasticamente a população de B. tabaci destinada à pesquisa. Os adultos do coleóptero apresentam coloração marrom-claro a preta (com variações de nuances), medem aproximadamente 1,68 mm de comprimento e 0,97 mm de largura (Fig. 1). As larvas são do tipo campodeiforme e de coloração amarelo-claro.


Em novembro de 2005, adultos do coccinelídeo foram coletados, acondicionados em álcool 70% e enviados para a identificação pela ProfªDra. Lúcia Massutti de Almeida, taxonomista especialista em Coleoptera: Coccinellidae do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Alguns exemplares do coccinelídeo estão depositados na Coleção de Entomologia Pe. J. S. Moura no Departamento de Zoologia da UFPR. Após exame da genitália masculina de alguns dos exemplares, concluiu-se que os predadores pertencem à espécie Stethorus (Stethorus) minutalus Gordon & Chapin (Scymninae, Stethorini), descrita primeiramente em Tampico no México por Gordon & Chapin (1983), sendo que, o holótipo está depositado na Smithsonian Institution (USNM). No Brasil não se tinha registro até então, portanto, provavelmente trata-se de mais uma espécie introduzida.

Por sua vez, em agosto de 2006, adultos de B. tabaci da casa de vegetação foram enviados à Embrapa Hortaliças, em Brasília, para determinação do biótipo dessa espécie. A técnica empregada para a determinação foi a de amplificação de DNA via PCR (Sseruwagi et al. 2005). O resultado confirmou que a população de B. tabaci aqui relatada pertencia ao biótipo B.

Até o final de junho de 2006, apesar da presença de S. minutalus no local de criação de mosca-branca, a população desta era elevada. Porém, a partir dessa data, foi constatada uma brusca redução da população de mosca-branca e, ao mesmo tempo, aumento da população de S. minutalus entre o início de julho e meados de agosto, época de inverno na região. A população de B. tabaci foi reduzida a tal ponto que houve necessidade de se reiniciar a criação do mês de setembro.

É esperado um desenvolvimento mais lento desse aleirodídeo no inverno, assim o fator climático pode também ter contribuído para a redução na criação (Villas Bôas et al. 1997). No entanto, com base no notável aumento do número de S. minutalus no local de criação de B. tabaci naquele período, e na voracidade de larvas e adultos desse coccinelídeo, pode-se dizer que a redução ocorrida na criação deveu-se, em grande parte, ao controle biológico proporcionado pelo predador. Sugere-se, portanto, um estudo minucioso visando avaliar o potencial desse predador como agente de controle biológico e sua possível incorporação ao programa de manejo integrado da mosca-branca.

Agradecimento

Agradecemos à Dra. Lúcia Massutti de Almeida do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), pela identificação do Coccinelídeo.

Received 17/IV/07. Accepted 07/XI/07.

  • Ahmad, M., M.I. Arif, Z. Ahmad & I. Denholm. 2002. Cotton whitefly (Bemisia tabaci) resistance to organophosphate and pyrethroid insecticides in Pakistan. Pest Manag. Sci. 58: 203-208.
  • Alomar O., J. Riudavets & C. Castañe. 2006. Macrolophus caliginosus in the biological control of Bemisia tabaci on greenhouse melons. Biol. Control. 36: 154-162.
  • Byrne, D.N. & W.B. Miller. 1990. Carbohydrate and amino acid composition of phloem sap and honeydew produced by Bemisia tabaci. J. Insect Physiol. 36: 433-439.
  • Chen, J., H.J. Mcauslane, R.B. Carle & S.E. Webb. 2004. Impact of Bemisia argentifolii (Homoptera: Auchenorrhyncha: Aleyrodidae) Infestation and squash silverleaf disorder on zucchini yield and quality. J. Econ. Entomol. 97: 2083-2094.
  • Davidson, E.W., B.J. Segura, T. Steele & D.L. Hendrix. 1994. Microorganisms influence the composition of honeydew produced by the silverleaf whitefly, Bemisia argentifolii J. Insect Physiol. 40: 1069-1076.
  • Gerling, D., O. Alomar & J. Arnó. 2001. Biological control of Bemisia tabaci using predators and parasitoids. Crop Prot. 20: 779-799.
  • Gordon, R.D. & E.A. Chapin. 1983. A revision of the New World species of Stethorus Weise (Coleoptera: Coccinellidae). Trans. Amer. Ent. Soc. 109: 229-276.
  • Jones, D.R. 2003. Plant viruses transmitted by whiteflies. Eur. J. Plant Pathol. 109: 195-219.
  • Obrycki, J.J & T.J. Kring. 1998. Predaceous coccinellidae in biological control Annu. Rev. Entomol. 43: 295-321.
  • Palumbo, J.C., A.R. Horowitz & N. Prabhaker. 2001. Insecticidal control and resistance management for Bemisia tabaci. Crop Prot. 20: 739-765.
  • Prabhaker, N., N.C. Toscano, T.J. Henneberry, S.J. Castle & D. Weddle. 1996. Assessment of two bioassay techniques for resistance monitoring of sweetpotato whitefly (Homoptera: Aleyrodidae) in California. J. Econ. Entomol. 89: 805-815.
  • Perring, T.M. 2001. The Bemisia tabaci species complex. Crop Prot. 20: 725-737.
  • Rott, A.S. & D.J. Ponsonby. 2000. The effects of temperature, relative humidity and host plant on the behaviour of Stethorus punctillum as a predator of the two-spotted spider mite, Tetranychus urticae BioControl 45: 155-164.
  • Roy, M., J. Brodeur & C. Cloutier. 2005. Seasonal activity of the spider mite predators Stethorus punctillum (Coleoptera: Coccinellidae) and Neoseiulus fallacies (Acarina: Phytoseiidae) in raspberry, two predators of Tetranychus mcdanieli (Acarina: Tetranychidae). Biol. Control. 34: 47-57.
  • Sseruwagi, P., J.P. Legg, M.N. Maruthi, J. Colvin, M.E.C. Rey & J.K. Brown. 2005. Genetic diversity of Bemisia tabaci (Gennadius) (Hemiptera: Aleyrodidae) population and presence of the B biotype and a non-B biotype that can induce silverleaf symptoms in squash, in Uganda. An. Appl. Biol. 147: 253-265.
  • Villas Bôas, G.L. F.H. França, A.C. Ávila & I.C. Bezerra. 1997. Manejo integrado da mosca-branca Bemisia argentifolii Brasília, EMBRAPA-CNPH, 11p. (EMBRAPA-CNPH. Circular técnica da EMBRAPA Hortaliças, 9).

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Mar 2008
  • Data do Fascículo
    Fev 2008

Histórico

  • Recebido
    17 Jun 2007
  • Aceito
    07 Nov 2007
Sociedade Entomológica do Brasil Sociedade Entomológica do Brasil, R. Harry Prochet, 55, 86047-040 Londrina PR Brasil, Tel.: (55 43) 3342 3987 - Londrina - PR - Brazil
E-mail: editor@seb.org.br