Juveniles of the piscivorous dourado Salminus brasiliensis mimic the piraputanga Brycon hilarii as an alternative predation tactic

No distrito de Bom Jardim, Nobres, Mato Grosso, Brasil, existem rios de águas claras que se originam sobre terreno cárstico. O dourado, Salminus brasiliensis, é um predador perseguidor de topo de cadeia nestes rios. Em águas, onde presas visualmente orientadas são capazes de perceber antecipadamente o predador, o fator surpresa é necessário para ataques bem sucedidos. Estes córregos são coabitados por outros Characiformes, como a frugívora piraputanga, Brycon hilarii, a qual vive em cardumes e exibe coloração do corpo e forma similares aos dourados. Aqui descrevemos a ocorrência de uma tática predatória alternativa para dourados juvenis, na qual eles agem como mímicos agressivos da piraputanga. Baseados em 43 h de observação em Bom Jardim e 11 h adicionais em riachos da Bodoquena, Mato Grosso do Sul, nós quantificamos o número de arremetidas do dourado quando estava entre as piraputangas ou forrageando sozinhos e observamos a proporção de piraputangas por dourado em cardumes multiespecíficos. Dourados de até 30 cm de comprimento total permaneceram entre as piraputangas de tamanho similar, escondendo-se em meio ao cardume e indo à periferia deste antes de arremeter contra suas presas. Os dourados exibiam cores similares às da piraputanga. Eles não só permaneceram mais tempo entre as piraputangas (78% do tempo de observação), mas também arremeteram mais frequentemente contra as presas do que enquanto forrageavam sozinhos (53 arremetidas/h contra 14 arremetidas/h, respectivamente).


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