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Blabicentrus Bates, 1866 e Inermestola Breuning, 1942 (Cerambycidae, Lamiinae, Desmiphorini): espécies novas da região neotropical

Resumos

Duas novas espécies de Desmiphorini, Blabicentrus alberti sp. nov. da Bolívia (Santa Cruz) e Inermestola chiapasensis sp. nov. do México (Chiapas), são descritas e ilustradas.

Coleoptera; Espécie nova; Taxonomia


Two new species of Desmiphorini are described and illustrated: Blabicentrus alberti sp. nov. from Bolivia (Santa Cruz), and Inermestola chiapasensis sp. nov. from Mexico (Chiapas).

Coleoptera; New species; Taxonomy


Blabicentrus Bates, 1866 e Inermestola Breuning, 1942 (Cerambycidae, Lamiinae, Desmiphorini): espécies novas da região neotropical

Maria Helena M. GalileoI,II; Eleandro MoysésI,III

IMuseu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Caixa Postal, 1.888, CEP 90001-970, Porto Alegre, RS, Brasil

IIPesquisador do CNPq. E-mail: galileo@fzb.rs.gov.br

IIIBolsista PIBIC/CNPq. E-mail: eleandrom@gmail.com

RESUMO

Duas novas espécies de Desmiphorini, Blabicentrus alberti sp. nov. da Bolívia (Santa Cruz) e Inermestola chiapasensis sp. nov. do México (Chiapas), são descritas e ilustradas.

Palavras-Chave: Coleoptera; Espécie nova; Taxonomia.

ABSTRACT

Two new species of Desmiphorini are described and illustrated: Blabicentrus alberti sp. nov. from Bolivia (Santa Cruz), and Inermestola chiapasensis sp. nov. from Mexico (Chiapas).

Key-Words: Coleoptera; New species; Taxonomy.

INTRODUÇÃO

O gênero Blabicentrus foi proposto por Bates (1866) para B. angustata Bates, 1866 e B. hirsutulus Bates, 1866. A espécie-tipo, B. hirsutulus Bates, 1866 foi designada por Monné (1994).

Dalens et. al. (2009), ao revisarem o gênero, descreveram cinco espécies novas e transferiram B. angustata para Parablabicentrus Dalens, Touroult & Tavakilian, 2009 e também duas espécies descritas em Ceiupaba Martins & Galileo, 1998 (Martins & Galileo, 1998; Galileo & Martins, 2004) para Blabicentrus (B. capixaba e B. bellus), por apresentarem os mesmos caracteres genéricos.

O gênero Ceiupaba ficou restrito a espécie-tipo, C. lineata Martins & Galileo, 1998, caracterizada pelo orifício no lado inferior da clava dos metafêmures dos machos.

Todas as oito espécies do gênero Blabicentrus estão registradas para a Guiana Francesa; além dessa procedência, B. bellus (Galileo & Martins, 2004) ocorre no Equador e Bolívia, B. capixaba (Martins & Galileo, 1998) na Bolívia e no Brasil (Espírito Santo) e B. hirsutulus (Bates, 1866) no Brasil (Pará).

O gênero Inermestola foi descrito por Breuning (1942) para I. densepunctata, espécie-tipo por monotipia e designação original, procedente do Brasil, sem localidade precisa. Breuning (1974) redescreveu e figurou o holótipo. Martins & Galileo (1998) examinaram e figuraram espécime do Mato Grosso (Chapada dos Guimarães).

Com base em material recebido para identificação, foi possível detectar uma espécie nova de Blabicentrus e uma de Inermestola.

Instituições depositárias do material-tipo: American Coleoptera Museum, San Antonio, Texas (ACMS), Coleção Fred Skillman (FSPC), Museo Noel Kempff Mercado, Santa Cruz (MNKM); Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (MCNZ), Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo (MZUSP); Coleção Steven W. Lingafelter, Washington. (SWLC); National Museum of Natural History, Smithsonian Institution, Washington (USNM).

RESULTADOS

Blabicentrus alberti sp. nov.

(Figs. 1-5)




Etimologia: Homenagem a Albert Schweining por viabilizar as pesquisas na sua propriedade adquirida para preservação ambiental, Refugio Los Volcanes, localidade-tipo de várias espécies de Cerambycidae.

Cabeça preta, revestida por pubescência branca, menos concentrada na fronte, entremeada por longos pelos amarelados. Lobos oculares superiores com oito fileiras de omatídios, tão ou mais próximos entre si do que a largura de um lobo. Lobos oculares inferiores grandes, subquadrangulares. Genas curtas, com cerca de um quarto da altura do lobo inferior dos olhos. Antenas vermelho-alaranjadas, ultrapassam o ápice elitral a partir do meio do antenômero VIII (machos) ou do antenômero IX (fêmeas).

Lados do protórax (Fig. 1) com tubérculo acuminado no centro e gibosidade próxima da orla anterior; tegumento castanho-escuro coberto por pubescência esbranquiçada esparsa. Pronoto com pubescência castanho-amarelada no centro e faixa lateral de pubescência esbranquiçada, densa, mais larga no terço anterior; essa faixa não cobre os espinhos laterais; pelos longos, amarelados, concentrados nos lados do pronoto; pontos esparsos, glabros. Escutelo coberto por pubescência castanho-amarelada. Esternos torácicos revestidos por pubescência esbranquiçada entremeada por longos pelos. Metasterno (Figs. 3, 4) com tubérculo desenvolvido a cada lado do terço posterior, com pelos longos, esbranquiçados.

Élitros (Fig. 1) castanho-avermelhados revestidos por pubescência castanho-amarelada; faixa de tegumento preto, revestida por pubescência esbranquiçada, na área deprimida ao redor da região circum-escutelar e, paralela à sutura, até o meio dos élitros; faixa estreita de pubescência branca e densa na orla interna da faixa preta; faixa larga de pubescência branca, muito densa, na orla externa da faixa preta, oblíqua da região umeral, descendente para a sutura, até aproximadamente o meio dos élitros e paralela à sutura até o ápice elitral; sutura com tegumento escurecido do meio dos élitros até o ápice elitral. Superfície elitral com abundantes pelos longos, pretos. Extremidades elitrais (Fig. 2) transversalmente truncadas.

Fêmures com tegumento avermelhado na base e preto no restante; revestidos por pubescência branca entremeada por pelos longos esbranquiçados. Metafêmures com pontos contrastantes, pequenos. Protíbias avermelhadas no lado externo, revestidas por pubescência esbranquiçada. Mesotíbias pretas, cobertas por pubescência branca na base e acastanhada no restante da superfície. Metatíbias dos machos (Fig. 5) expandidas, avermelhadas na base e o restante preto, nos machos expandidas (Fig. 5), nas fêmeas lineares; face ventral com grânulos aguçados (40x). Metatarsômeros I e II pretos com a base avermelhada. Metatarsômero V tão longo quanto I+III.

Urosternitos avermelhados com os lados acastanhados, revestidos por pubescência esbranquiçada, entremeada por pelos longos.

Dimensões em mm: Holótipo: comprimento total, 9.8; comprimento do protórax, 2,1; maior largura do protórax, 2,8; comprimento do élitro, 7,1; largura umeral, 4,1. Parátipos, macho/fêmea: comprimento total, 9,1-11,9/10,4-11,6; comprimento do protórax, 1,8-2,5/2,0-2,5; maior largura do protórax, 2,6-3,5/2,3-3,4; comprimento do élitro, 6,7-9,1/7,8-8,6; largura umeral, 3,6-5,1/3,2-4,7.

Material-tipo: Holótipo macho, BOLÍVIA, Santa Cruz: Província Florida (Refugio Los Volcanes, 4 km N de Bermejo, 18º06'S 63º36'W, 1.045-1.200 m), 28.X-05.XI.2007, S.W. Lingafelter col., UV light (MNKM). Parátipos: BOLÍVIA, Santa Cruz: Província Florida (Refugio Los Volcanes, 4 km N de Bermejo, 18º06'S 63º36'W, 1.000-1.200 m), macho, 28.X.2011, Skillman & Wappes col. (FSPC); fêmea, 29.X.2011, Skillman & Wappes col. (ACMS); (1.045-1.350 m) 2 machos, 11-17.XII.2012, Wappes & Skillman col. (SWLC, ACMS); (1.000-1.200 m), 2 machos, fêmea, 16.XII.2012, Skillman & Wappes col. macho ACMS, macho e fêmea MZUSP); 2 machos, 12.XII.2012, Skillman & Wappes col. (ACMS, MCNZ).

Discussão: Blabicentrus alberti sp. nov. apresenta tubérculo pequeno nos lados do protórax e ápice elitral truncado também encontrados em B. brullei Dalens, Touroult & Tavakilian, 2009, B. martinsi Dalens, Touroult & Tavakilian, 2009 e B. bellus. Na chave de identificação das espécies apresentada por Dalens et. al. (2009), é discriminada no item 3 junto com B. brullei, pelo padrão de colorido dos élitros com faixas de pubescência branca estreitas, que formam desenhos geométricos. Distingue-se pelos dois tubérculos manifestos no terço apical do metasterno que não ocorre nas outras espécies conhecidas do gênero.

Inermestola chiapasensis sp. nov.

(Fig. 6)

Etimologia: Epíteto é alusivo ao estado mexicano de Chiapas onde está a localidade-tipo.

Colorido geral castanho-escuro. Cabeça com pubescência esbranquiçada, esparsa, entre os pontos densos, mas não justapostos. Região entre os tubérculos anteníferos côncava. Olhos subgrosseiramente facetados. Lobos oculares superiores com quatro fileiras de omatídios; distância entre os lobos igual a 3,3 vezes a largura de um lobo. Lobos oculares inferiores igual a 1,5 vezes o comprimento das genas. Antenas atingem o ápice dos élitros aproximadamente na ponta do IX; castanho-escuras, exceto pedicelo, pouco mais do terço basal dos antenômeros III e IV, anel basal dos antenômeros V-VII, castanho-amarelados. Antenômero III mais longo do que o escapo; IV mais longo que o III. Franja esparsa de pelos longos no lado interno dos antenômeros III-XI.

Protórax grosseiramente pontuado, com pubescência esbranquiçada que não oblitera o tegumento. Pronoto (Fig. 6) regularmente convexo, constrição junto às margens anterior e posterior pouco manifesta; com pontos grossos e justapostos entre si. Pubescência branca do pronoto mais concentrada: nos lados com os pelos dirigidos para o centro; numa faixa estreita junto às margens anterior e posterior e outra faixa centro-longitudinal na metade posterior. Escutelo coberto por pubescência branca.

Élitros (Fig. 6) densamente pontuados. Pubescência branca irregularmente concentrada em pequenas manchas; região circum-escutelar e faixa transversal anteapical com pubescência acastanhada rala. Pernas lisas com pubescência esbranquiçada esparsa.

Face ventral pontuada e com pubescência esbranquiçada esparsa entre os pontos.

Dimensões em mm, macho/fêmea respectivamente: Comprimento total, 3,1-3,7/4,1-4,3; comprimento do protórax, 0,8-0,9/1,0-1,1; maior largura do protórax, 0,8-1,0/1,1-1,2; comprimento do élitro, 2,2-2,7/2,9-3,0; largura umeral, 1,0-1,3/1,4-1,5.

Material-tipo: Holótipo fêmea, MÉXICO, Chiapas: (17 km W Tuxtla Gutierrez, 3.300'), 01-08.VII.1986, J.E. Wappes col. (USNM). Parátipos: MÉXICO, Chiapas: (17 km W Tuxtla Gutierrez, 3.300'), macho, 01-08.VII.1986, J.E. Wappes col. (ACMS); macho, fêmea, 21-25.VI.1987, J.E. Wappes col. (ACMS); (Parque Nacional Sumidero, 1.000'), macho, 20.V-13.VI.1990, B. Gill, H. & A. Howden col. (armadilha Malaise) (MZUSP); (Aguacierros 40 km W Tuxtla Gutierrez), macho, 20.VI.1987, W.F. Chamberlain col. (MCNZ).

Discussão: Inermestola chiapasensis sp. nov. caracteriza-se, principalmente, pelas antenas castanho-escuras com o pedicelo, pouco mais que o terço basal dos antenômeros III e IV e anel basal dos antenômeros V-VII, amarelados; pela pubescência do pronoto branca, pouco concentrada nos lados; pelos élitros com pubescência fina, branca, concentrada em pequenas manchas irregulares.

Em I. densepunctata, única espécie conhecida até agora, as antenas são castanho-escuras com a metade basal dos antenômeros IV, VI, VIII e X, amarelada; o pronoto e os élitros têm pubescência castanho-amarelada entre os pontos.

Na chave para identificação dos gêneros sul-americanos de Desmiphorini com os lados do protórax sem espinho (Martins & Galileo, 1998), consta no item 11que remete aos gêneros Inermestola e Piimuna Galileo & Martins, 1998: "antenômero III sem pêlos curtos no lado interno, mais longo do que o escapo e tão longo quanto o IV" com base no diapositivo do holótipo de I. densepunctata, e macho procedente da Chapada dos Guimarães. Mato Grosso. Este caráter deve ser confirmado quando for possível examinar material adicional.

AGRADECIMENTOS

A James E. Wappes (ACMS) pelo envio de material para estudo; Ubirajara Ribeiro Martins (Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo) pelo incentivo e críticas.

Aceito em: 27/03/2013

Impresso em: 30/06/2013

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    18 Jul 2013
  • Data do Fascículo
    2013

Histórico

  • Recebido
    27 Mar 2013
  • Aceito
    30 Jun 2013
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