Considerações sobre violência e verdade no mundo contemporâneo

Considerations for violence and truth in contemporary

Freud associa ao supereu a palavra, que se impõe feroz, sem sentido, instituindo com sua lei insensata o campo da cultura. Nessa concepção, alguma forma de violência estaria na gênese do sujeito e da verdade que o constitui. Se para Lacan a palavra é a morte da coisa, rompendo na criança qualquer possibilidade de reencontro com aquilo que a satisfaria, é esta mesma palavra que estabiliza, ou fixa, a errância disruptiva do real, tornando-nos seres de cultura. A democracia capitalista ocidental, segundo Alain Badiou, se propõe um mundo átono, sem pontos de tensão em que uma decisão tenha que se colocar na forma da palavra. Se esse poder instaurador veiculado pela palavra nos constitui como sujeito de uma verdade, ao rejeitar a existência de sujeitos nossa contemporaneidade se condena à fruição de um gozo sem sentido, que se reatualiza continuamente sob as mais variadas formas.

verdade; sujeito; violência; destruição; contemporaneidade


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