A pesquisa que originou este artigo foi realizada em um abrigo para crianças e adolescentes com deficiência em Belém-PA. Ao enfocar as especificidades e os desafios da atividade dos cuidadores a ele vinculados, objetivou obter respostas para a seguinte pergunta: como a angústia se manifesta no discurso de tais trabalhadores? Para tanto, combinou metodologicamente estudos teóricos, pesquisa clínica em psicanálise e análise do discurso a partir da realização de entrevistas semiestruturadas. Em termos de resultados, destaca sobremaneira a dimensão não apenas subjetiva, mas também institucional da angústia. Conclui, então, enfatizando a necessidade da criação de espaços em que os discursos possam verdadeiramente circular, de maneira que, em vez de seguir uma lógica generalizante e hierarquizante – em que o cuidador é deslocado rumo a uma posição passiva –, o saber apreendido a partir da sua fala seja considerado um meio para a construção de estratégias que façam frente aos desafios impostos pela prática laboral cotidiana. Nessa direção, urge escutar as expressões da angústia em profissionais como os cuidadores levando devidamente em conta algo já há muito identificado pela psicanálise desde o discurso fundador de Freud: a existência de um mal-estar próprio à cultura e, com ela, os seus dispositivos institucionais.
Palavras-chave:
Angústia; Cuidadores; Mal-estar; Instituição; Psicanálise