Editorial

EDITORIAL

O número 17/2 de Psicologia: Ciência e Profissão traz, com insistência, dois pontos relevantes para a reflexão da Psicologia desse final de século: os problemas psicopatológicos e a definição da ciência psicológica, indagando sobre quais referenciais epistemológicos deve se apoiar. Pelo menos três artigos enfocam diretamente a Psicopatologia; um, com enfoque que fundamenta suas asserções segundo as contribuições oriundas da perspectiva comportamental extremamente bem fundamentado Cavalcante, S. N., um outro texto que chega propondo, no mínimo, uma crítica da invasão da compreensão do sofrimento humano pelos modelos psiquiátricos tradicionais Schwartzman, R. S.e um artigo com alto nível de erudição que visa provocar e seduzir o psicólogo para freqüentar terrenos e áreas do conhecimento bem distantes das abordagens convencionais Berlinck,M.T..

Houve um tempo em que falar de Psicopatologia significava, de imediato, a necessidade de articular o tema com questões médicas ou psiquiátricas. Nesse caso, o ofício do psicólogo tendia a ser relegado a uma atividade paramédica. Cabe, inclusive, lembrar que nesse ponto convivem com as avaliações e diagnósticos, sem qualquer cerimônia, as facetas morais, normatizantes e estigmatizantes das práticas psi. Felizmente, tudo indica que os tempos mudaram e a revista Psicologia: Ciência e Profissão pode demonstrar que os profissionais envolvidos com o sofrimento humano tornaram-se mais humanos (!) e, então, mais tolerantes e menos preconceituosos; abrem mão gradativamente do talento de rotular.

Podemos contar, ainda, com artigos que pensam a Psicologia como ciência humana que não pode prescindir de sua inserção sócio - cultural e histórica. Muito arejado o texto de Bock, A. M. B. que convida-nos a repensar o fenômeno psicológico e as discussões que colocam sobre a mesa os eternos, porém cada vez mais atuais, problemas das terapias alternativas. Temos ainda o atualíssimo material trazido por Branco, U. A. sobre clonagem, que vem em boa hora.

Neste número, estamos homenageando Pedro Parafita de Bessa, mais um dos pioneiros da Psicologia do Brasil O professor Bessa integrou a Comissão de cinco membros constituída pelo Governo Federal para a criação dos cursos de Psicologia.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    24 Set 2012
  • Data do Fascículo
    1997
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