“Como Quebrar os Padrões Sociais?”: o Racismo no Cotidiano de Jovens Pesquisadores

“How to Break Social Standards?”: Racism in the Daily Lives of Young Researchers

“¿Cómo Romper los Estándares Sociales?”: Racismo en la Vida Cotidiana de los Jóvenes Investigadores

Luciana Lobo Miranda Tadeu Lucas de Lavor Filho José Alves de Souza Filho Shirley Dias Gonçalves Thalia Araújo Bezerra Gabrielle Lima Feitosa Sobre os autores

Resumo

O presente artigo apresenta uma reflexão crítica sobre as questões raciais e o enfrentamento ao racismo na micropolítica do cotidiano escolar. Nosso objetivo foi analisar o processo de construção e execução de uma investigação feita por estudantes do ensino médio sobre a presença e o combate ao racismo institucional em uma escola pública estadual de Fortaleza (CE). Trabalhamos a partir de uma pesquisa-intervenção (PI) articulada ao referencial teórico-metodológico da Critical Participatory Action Research (CPAR), que balizou a construção de uma “pesquisaCOM” com jovens. Desenvolvemos um curso de formação de jovens pesquisadores para construir uma pesquisa com ferramentas metodológicas em que eles fossem protagonistas na construção, aplicação e análise da pesquisa. Percebemos que o tema do enfrentamento ao racismo na micropolítica do cotidiano escolar teve centralidade no processo de pesquisa que os jovens realizaram entre seus pares. Os resultados apontaram que 30,2% dos secundaristas afirmaram ter sofrido algum tipo de preconceito racial, tais como: preconceito em relação ao cabelo por ser cacheado; ter escutado expressões/apelidos pejorativos por ser negro e não ter boas condições financeiras, além de relatarem não se sentir à vontade para falar sobre o preconceito presente na escola. Assim, a pesquisa realizada pelos jovens, intitulada “Como quebrar os padrões sociais?”, contribuiu para a discussão das relações raciais na escola, fomentando deslocamentos na formação de jovens pesquisadores atuantes e implicados no seu cotidiano com a intenção de descolonizar o saber e radicalizar o caráter participativo.

Palavras-chave:
Pesquisa-intervenção; Racismo; Jovens pesquisadores; Escola

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