Hermenêutica gestáltica de uma violência sexual intrafamiliar

Interpretation gestalt of a sexual violence inside family

Hermenéutica gestáltica de una violencia sexual intrafamiliar

Resumos

Este artigo trata dos resultados de uma pesquisa qualitativa de orientação fenomenológico-existencial gestáltica, que objetivou desvelar alguns significados atribuídos à violência sexual intrafamiliar. Configurou-se como um estudo de caso, em que a informante, dos 9 aos 11 anos, foi vitimizada pelo pai. Os dados foram coletados na ONG República de Emaús, contemplando leitura de documentos, relatos informais, observação participante e entrevista. A análise conjugou, sempre que possível, a teoria da interpretação de Ricoeur, conceitos da Gestalt-terapia (contato, figura-fundo e nutrição psicológica) e da Terapia Ocupacional (áreas, componentes e contextos de desempenho). Unidades de significação aglutinaram os significados do discurso, que revelaram aspectos positivos (abertura em revelar a experiência, expansão de algumas fronteiras de contato e apresentação do peso da experiência vivenciada ora como figura, ora como fundo) e negativos (repercussões disfuncionais de autocontato, no contato com o outro e em algumas áreas de desempenho).

Abuso sexual; gestalt-terapia; terapia ocupacional


This article shows the results of a qualitative research of orientation phenomenological-existential gestalt, which aimed to reveal some meanings attributed to the sexual violence inside family. It was configured as a case study in which the informant, from 9 to 11 years, was victimized by her father. The data were obtained in ONG República of Emaús, contemplating reading of documents, informal reports, participant observation and interview. The analysis conjugated, whenever possible, the theory of the interpretation of Ricoeur, concepts of the Gestalt-therapy (contact, figure-bottom and psychological nutrition) and of the Occupational Therapy (areas, components and acting contexts). Units of significance agglutinated meanings of the speech, that revealed positive aspects such as revelation of the experience, expansion of some contact borders and presentation of the weight of the lived experience sometimes as illustration other as bottom and negative aspects: repercussions own-contact without functionality, in the contact with the other and in some acting areas.

Abuse sexual; gestalt-therapy; occupational therapy


Este artículo se reporta a los resultados de una pesquisa cualitativa de orientación fenomenológica existencial gestáltica, que objetivó desvelar algunos significados relacionados a la violencia sexual intrafamiliar. Se configuró como un estudio del caso, en que la informante de los 9 a los 11 años fue victimada por el padre. Los datos fueron colectados en la ONG República de Emaús, contemplando lectura de documentos, relatos informales, observación partícipe y entrevista. El análisis conjugó, siempre que posible, la teoría de la interpretación de Ricoeur, conceptos de la Terapia Ocupacional (áreas, componentes y contextos de desempeño). Unidad de significación aglutinaron los significados de los discursos, que revelaron aspectos positivos - apertura en revelar la experiencia, expansión de algunas fronteras y presentación del peso de la experiencia vivida ora cómo figura, ora cómo hondo - y negativos - repercusiones disfuncionales de autocontacto, en el contacto con el otro y en algunas áreas de desempeño.

Abuso sexual; gestalt-terapia; terapia ocupacional


ARTIGOS

Hermenêutica gestáltica de uma violência sexual intrafamiliar

Interpretation gestalt of a sexual violence inside family

Hermenéutica gestáltica de una violencia sexual intrafamiliar

Adelma do Socorro Gonçalves PimentelI; Lucivaldo da Silva AraújoII

IPós-doutora em Psicologia do Desenvolvimento. Docente do programa de pós-graduação em Psicologia Social da UFPA

IIMestre em Psicologia clínica e social, docente do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Estadual do Pará (UEPA)

Endereço para correspondência

RESUMO

Este artigo trata dos resultados de uma pesquisa qualitativa de orientação fenomenológico-existencial gestáltica, que objetivou desvelar alguns significados atribuídos à violência sexual intrafamiliar. Configurou-se como um estudo de caso, em que a informante, dos 9 aos 11 anos, foi vitimizada pelo pai. Os dados foram coletados na ONG República de Emaús, contemplando leitura de documentos, relatos informais, observação participante e entrevista. A análise conjugou, sempre que possível, a teoria da interpretação de Ricoeur, conceitos da Gestalt-terapia (contato, figura-fundo e nutrição psicológica) e da Terapia Ocupacional (áreas, componentes e contextos de desempenho). Unidades de significação aglutinaram os significados do discurso, que revelaram aspectos positivos (abertura em revelar a experiência, expansão de algumas fronteiras de contato e apresentação do peso da experiência vivenciada ora como figura, ora como fundo) e negativos (repercussões disfuncionais de autocontato, no contato com o outro e em algumas áreas de desempenho).

Palavras-chave: Abuso sexual; gestalt-terapia; terapia ocupacional.

ABSTRACT

This article shows the results of a qualitative research of orientation phenomenological-existential gestalt, which aimed to reveal some meanings attributed to the sexual violence inside family. It was configured as a case study in which the informant, from 9 to 11 years, was victimized by her father. The data were obtained in ONG República of Emaús, contemplating reading of documents, informal reports, participant observation and interview. The analysis conjugated, whenever possible, the theory of the interpretation of Ricoeur, concepts of the Gestalt-therapy (contact, figure-bottom and psychological nutrition) and of the Occupational Therapy (areas, components and acting contexts). Units of significance agglutinated meanings of the speech, that revealed positive aspects such as revelation of the experience, expansion of some contact borders and presentation of the weight of the lived experience sometimes as illustration other as bottom and negative aspects: repercussions own-contact without functionality, in the contact with the other and in some acting areas.

Key words: Abuse sexual; gestalt-therapy; occupational therapy.

RESUMEN

Este artículo se reporta a los resultados de una pesquisa cualitativa de orientación fenomenológica existencial gestáltica, que objetivó desvelar algunos significados relacionados a la violencia sexual intrafamiliar. Se configuró como un estudio del caso, en que la informante de los 9 a los 11 años fue victimada por el padre. Los datos fueron colectados en la ONG República de Emaús, contemplando lectura de documentos, relatos informales, observación partícipe y entrevista. El análisis conjugó, siempre que posible, la teoría de la interpretación de Ricoeur, conceptos de la Terapia Ocupacional (áreas, componentes y contextos de desempeño). Unidad de significación aglutinaron los significados de los discursos, que revelaron aspectos positivos - apertura en revelar la experiencia, expansión de algunas fronteras y presentación del peso de la experiencia vivida ora cómo figura, ora cómo hondo - y negativos - repercusiones disfuncionales de autocontacto, en el contacto con el otro y en algunas áreas de desempeño.

Palabras-clave: Abuso sexual; gestalt-terapia; terapia ocupacional.

Na contemporaneidade a violência tem assumido contornos que despertam cada vez mais pesquisadores para a investigação de variáveis que envolvem a ocorrência desses acontecimentos, principalmente no que se refere à subjetividade dos envolvidos. É um problema de raízes históricas que gera sofrimento e dores que nem sempre podem ser descritas no campo físico.

Um cenário preocupante se apresenta quando a violência, em suas múltiplas formas, passa a ser compreendida enquanto acontecimento "frequente e corriqueiro", podendo ocasionar duas perspectivas: a) fomento, na sociedade em geral, da percepção banalizada dos acontecimentos violentos midiatizados; e b) promoção, no âmbito do individuo singular, da ausência do sentimento de perplexidade e estarrecimento ante as notícias de estupros, assassinatos, etc. Os acontecimentos violentos são relatados como se fossem "causos", e deste modo, impulsionados pela mídia moderna, fazem parte das rodas de conversas de crianças e idosos na feira, na escola ou no supermercado. A recorrência das narrativas se estende aos ambientes laboral, doméstico e comunitário, mostrando-se presente até em atividades que têm como fim a promoção da superação do estresse e que deveriam gerar prazer, descanso e lazer.

No contexto que envolve a criança e o adolescente, por exemplo, a violência - física, sexual, psicológica, por negligência e outras formas - faz parte do cenário de quem vive nas grandes e pequenas cidades do mundo contemporâneo e mobiliza um exército de pessoas para o seu enfrentamento, tanto na esfera preventiva quanto na minimização de seus efeitos sobre a vítima.

Quanto à visibilidade, temos formas de violência explícitas e sutis. A primeira, que tem como principal representante a modalidade física, geralmente é mais fácil detectar e tratar por meio de repressão, detecção e punição dos envolvidos. Por outro lado, modalidades como a violência psicológica, a sexual e aquela por negligência, que se mantêm escondidas, não evidenciando os reais efeitos sobre quem as sofre, ilustram o campo das sutis.

Tanto as formas de violência ocultas quanto aquelas de maior visibilidade frequentemente atravessam o contexto familiar, resultando em dor e sofrimento, e possivelmente alteram a subjetividade de quem é vitimizado, pelo menos nas dimensões da autoimagem e autoestima.

Discutir violência é tratar de um fenômeno que sempre esteve presente na história da humanidade e que evoluiu do campo individual para o coletivo, afetando a todos indiscriminadamente e assumindo novos contornos e significações na contemporaneidade. Nesse sentido, procuramos atentar para a complexidade dessa discussão nos valendo dos saberes que circulam no meio científico, considerando a pluralidade dos enfoques, o campo da ética (valores e posições dos autores) e a polissemia deste fenômeno social, que reflete, entre outras expressões, as relações hierárquicas de poder1 1 Exercício da força, legitimada ou não, para se manter ou também resistir à dominação em suas diferentes formas. Esse exercício depende tanto do lugar onde é exercido como dos movimentos das forças em presença, que reforçam ou desgastam as relações estruturadas/estruturantes (...) esse poder estruturante/estruturado vem se exercendo historicamente pela dominação do adulto, do macho, predominante da raça branca, que se tornou o dominador no processo de institucionalização do poder em sua socialização (Faleiros & Faleiros, 2001). .

No que tange ao público infantil, a violência intrafamiliar é a modalidade de destaque. Compreende toda ação ou omissão que prejudica o bem-estar, a integridade física, psicológica ou a liberdade e o direito ao pleno desenvolvimento de outro membro da família. Pode ser cometida dentro ou fora de casa por algum parente ou pessoa que assume função parental, ainda que sem laços de consanguinidade e em relação de poder sobre outra pessoa (Brasil, 2002).

Dentre as formas de violência que podem ocorrer no contexto intrafamiliar, a violência ou abuso sexual infantil é uma das modalidades que cada vez mais têm provocado os pesquisadores da área, na busca da compreensão dos múltiplos aspectos relacionados à subjetividade dos envolvidos. Refere-se ao conjunto de acontecimentos ligados a qualquer tipo de comportamento e/ou envolvimento sexual, por meio ou não de contato físico, de crianças e adolescentes dependentes em atividades sexuais com adultos ou com qualquer pessoa um pouco mais velha ou maior, em que haja uma diferença de idade2 2 Essa diferença de idade é usualmente estabelecida como cinco anos, contudo, a questão da diferença significativa de idade entre o abusador e a vítima é um aspecto discutível (Kristensen, Flores & Gomes, 2001). ou de poder, sendo a criança usada como objeto sexual para a satisfação de necessidades ou de desejos, em atos para os quais ela é incapaz de dar um consentimento consciente, por causa do desequilíbrio de poder ou de qualquer incapacidade mental ou física. Incluímos na contextualização do termo todo tipo de contato sexualizado, desde falas eróticas ou sensuais, exposição da criança a material pornográfico, carícias íntimas, relações orais, anais, vaginais com penetração ou não, até o vouyerismo e exibicionismo, dentre outros.

As práticas sexuais violentas se configuram conforme o agente do ato, o contexto, o laço parental, a intenção e as conseqüências para os envolvidos. Podem ser classificadas nas formas de: a) incesto: qualquer relação de caráter sexual entre um adulto e uma criança ou adolescente, entre um adolescente e uma criança, ou ainda, entre adolescentes, quando existe um laço familiar, direto ou não, ou mesmo uma mera relação de responsabilidade; b) estupro: constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso; c) estupro de vulnerável: ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos; d) assédio sexual: geralmente ocorre por chantagem ou intimidação e legalmente caracteriza-se pelo ato de constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico;f) violação sexual mediante fraude: ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima (Araújo & Pimentel, 2006; Código penal brasileiro, 1940; Lei n. 12.015, 2009).

A apresentação dessa tipologia circunscreve nosso campo de investigação, tendo em vista que abordaremos alguns significados atribuídos à experiência do abuso sexual intrafamiliar.

MÉTODO

A pesquisa, de orientação qualitativa, voltou-se para a identificação dos significados que as pessoas atribuem às suas ações (Lessard-Hébert, Goyette, & Boutin, 2005). Situando-se na lógica compreensiva do contato e das relações, objetivou desvelar, por meio de um estudo de caso, alguns significados da violência sexual intrafamiliar para uma adolescente, que doravante chamaremos de Flávia (pseudônimo), primogênita de uma prole de 5 filhos, que dos 9 aos 11 anos foi vitimizada3 3 O conceito de vitimização é usado por Azevedo e Guerra (1998) como discordância na ênfase da abordagem de situações de práticas sexuais entre adultos e crianças. "A diferença reside no fato de que, quando se emprega ABUSO, a ênfase é posta no pólo adulto, isto é, naquele que impõe a 'força', que coercitivamente domina o processo. Quando se emprega VITIMIZAÇÃO, a ênfase é posta no pólo criança, isto é, naquele que sofre a coação, que recebe a injúria e o dano" (Azevedo & Guerra, 1998, p. 18). pelo pai. Os dados foram coletados na ONG República de Emaús, contemplando leitura de documentos, relatos informais, observação participante e entrevista.

Os critérios para escolha da informante foram: aceitar participar da pesquisa assinando o termo de consentimento livre e esclarecido e ter história de abuso sexual intrafamiliar reconhecida pelo projeto "arte de viver", vinculado à instituição. Para contatar a adolescente, adotamos a postura de observadores participantes, procurando tornar-nos familiar e interagir, antes de abordá-la, pois compartilhamos da orientação de que "o cotidiano é parte inseparável da produção de informação sobre o sujeito estudado" (González-Rey, 1997, p. 106).

Estabelecido um clima de abertura e confiança, realizamos uma única entrevista, gravada em áudio e realizada em ambiente reservado no espaço institucional. Foi organizada a partir da abordagem de temas gerais para específicos: escola, família, arte de viver, abuso, repercussões no eu. O tratamento dos dados foi baseado: a) na análise do discurso proposta em Ricoeur (1999), focalizando a linguagem em três atos: o locucionário ou proposicional, que se refere ao ato de dizer, o conteúdo formal de cada discurso; o ilocucionário, aquilo que fazemos ao dizer, conteúdos não verbais que acompanham a fala do indivíduo; e o perlocucionário, aquilo que fazemos pelo fato de falar; b) em alguns conceitos da Gestalt-terapia como contato, figura-fundo e nutrição psicológica (Polster & Polster, 2001; Pimentel, 2005); e c) em ponderações da Terapia Ocupacional (áreas, componentes e contextos de desempenho (American Occupational Therapy Association, 2002).

Na efetivação da análise, valorizamos as peculiaridades do discurso da informante (construção frasal, repetições, pausas, erros gramaticais, etc.). Criamos algumas unidades de significação ou categorias, que fazem referência a agrupamentos de significados que se repetiram durante a fala, visando a compreender os sentidos emocionais atribuídos pela informante à experiência vivida do abuso sexual por parte do pai e sua repercussão nas áreas de desempenho

Apresentamos os resultados por meio de quatro unidades de significação, codificadas nos símbolos S1, S2, S3 e S4. Para identificar os interlocutores, usamos "P" para o pesquisador e "I" para informante.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

(S1) - Dificuldade em falar da vivência do abuso sexual

Essa dificuldade foi percebida em manifestações indiretas do discurso e observada nos atos ilocucionários: pausas na fala, olhares fugidios, distanciamento, expressão de dúvida e incertezas quanto à sua participação na pesquisa. Supomos que os atos demonstraram a preocupação e certa resistência da informante em falar da experiência, o que configurou uma expressão de contato retraída.

A dificuldade também se manifestou de forma direta, na resposta à pergunta sobre o incômodo de falar de si mesma:

P: Falar sobre isso te incomoda?

I: Às vezes.

Para a informante, o desconforto de falar com um homem era maior. Logo após as ocorrências do abuso, prisão do pai e morte da mãe, narrou sentir certo "pavor" quanto à figura de homens. Algum tempo depois, essa percepção foi generalizada a todos aqueles próximos de seu convívio social. Afirmou que, ao ver um homem em via pública observando-a,

I: Tinha a impressão que ele estava tirando toda a minha roupa só com olhar...lembrava do meu pai.

A informante também manifestou o medo da discriminação e da revelação de sua história aos outros.

I: Pensei. Eles vão querer saber tudo da minha vida e depois vão espalhar pra todo mundo, aí todo mundo vai ficar sabendo, aí todo mundo vai ficar me olhando assim: a história dessa menina, é feia, é assim, me discriminando.

Nesta frase, o verbo "discriminar" sugeriu que o ato de dizer (locucionário) fazia referência ao campo do convívio social. Hipotetizamos que a informante indicava o temor de "não ser aceita pelo outros", bem como um medo íntimo que continha indicadores de sua autodiscriminação. Considerando a citação me discriminando como função emotiva e ponderando a significação de "discriminação" enquanto segregação (Ferreira, 1999), entendemos que o discurso da informante apontou um caráter disfuncional das funções expressivas de contato; ou seja, devido à contração da fronteira, que "é o ponto em que a pessoa experiência o "eu" em relação ao que é "não-eu'" (Polster & Polster, 2001, p. 115), a adolescente configurava seus temores: exposição de sua história, percepção negativa da autoimagem e da autoestima, ser dominada e precisar se defender. A fragilidade do autossuporte demonstrava sua vulnerabilidade, carência e sentimento de impotência.

O modo como uma pessoa faz contato consigo e com o mundo associa-se ao grau de individualização, maturidade e autoentrega com que vive um dado momento, "porque o contato é a expressão experienciada e visível da realidade interna de si mesmo. Tudo na natureza é contato e sem contato tudo perde sentido, agoniza e morre" (Ribeiro, 1997, p. 15).

Acerca das repercussões ocupacionais, consideramos que as dificuldades mencionadas pela informante estão intimamente relacionadas à formação de uma subjetividade que se pauta pela pobre autoimagem, a qual por muito tempo foi reforçada pelas investidas do pai abusador. A forma como se via e se sentia continuava influenciando a configuração das relações sociais que estabelecia e os papéis ocupacionais que desempenha como filha, irmã, aluna, etc.

As interferências que identificamos são manifestas em três importantes subáreas de desempenho: a) socialização, b) atividades educacionais e c) exploração do lazer e diversão (American Occupational Therapy Association, 2002). A adolescente referiu que sua inibição diante dos outros lhe trazia muitos prejuízos, particularmente na escola. Segundo ela, sempre evitava falar com as pessoas. Começou a fugir dos meninos e depois estendeu a escusa a todos do ambiente escolar, incluindo a professora. Quando arguida em sala de aula sobre a existência de dúvidas, sucessivamente respondia negando, com o objetivo de manter-se no isolamento social. Quanto ao lazer, a dificuldade em interagir não lhe permitia avançar no estabelecimento de laços de amizade. Referiu não ter prazer em sair de casa, em brincar ou se divertir de alguma forma.

O discurso e o significado contidos nas asserções reveladas pela informante corroboram a consideração feita por Sanderson (2005) acerca dos "efeitos interpessoais do abuso sexual em crianças". Segundo a autora, a criança pode retrair-se a ponto de ficar "invisível" aos outros e evitar, cronicamente, a proximidade do outro, apresentando-se como uma criança que se desvia do contato visual, tenta esconder o rosto e oculta o corpo sob várias camadas de roupas.

(S2) - Sentimentos em relação ao agressor.

Hostilidade

Em vários momentos do discurso, a informante manifestou e enfatizou sentimentos hostis em relação ao pai agressor. O sentimento, que definiu como "raiva", revelou várias conotações, como, por exemplo, reação imediata à violência psicológica e física recebida, ao sofrimento inesperado, à ameaça de privação social imposta pelo pai e à possibilidade de repetição de novas agressões.

I: Olha, amanhã vocês vão todos pra aula, se eu souber que vocês conversam por aí, que vocês tão falando com algum menino, vocês vão virar casaco de pele. Eu peguei, fiquei com raiva.

Em outro trecho a informante associa a raiva à tristeza.

I: Ah, às vezes, quando eu tô triste eu fico com raiva (fala com veemência).

Esse sentimento parece surgir quando a informante pensa no ocorrido. As lembranças fazem emergir o sentimento que assume conotação de revolta. Como é uma situação inacabada, a Gestalt permanece figurando como elemento que constitui o fundo do seu campo intencional. O anseio de punição do agressor também surge em seu discurso, em decorrência do que chama de "raiva", principalmente quando:

- Deseja a "cegueira" do pai:

I: Os vizinhos sabem. Aí ele (imitando o pai) "por essa luz que eu tô vendo, eu queria ficar cego". Ah. Nem praquela luz espocar na cara dele e ele ficar cego mesmo (fala não com raiva, mas com humor). É, eu fico olhando pra ele.

- Almeja agredi-lo fisicamente:

I: Quando penso no meu pai, que se eu pegasse ele, dá vontade de pipocar a cara dele.

-Deseja-lhe a morte na cadeia.

I: Um dia desse ele falou: 'Eu quero morrer...' Quase que eu disse, 'então morra praí'.

Com relação ao caráter punitivo, seus anseios são manifestados de forma a reproduzir no agressor parte das formas de violência sofrida: física, psicológica e talvez, a morte; contudo, a manifestação do ato ilocucionário não condiz com a expressão do ato locucionário.

I:Tem dia que penso nisso tudo que aconteceu...Aí me dá muita raiva, muita raiva (risos).

O ato ilocucionário contido nesta proposição, possivelmente, sinalizou a dissonância afetiva dos sentimentos em relação ao pai. Enquanto o ato locucionário sugeria referência a um sentimento hostil, seu discurso não verbal apontou outra significação, pois falou da raiva por entre risos. Percebemos que, à medida que a entrevista se desenvolvia, ela favorecia uma reflexão acerca da relação com o pai, o que dificultava para a informante descrever as significações do abuso sofrido.

É possível analisar a manifestação ilocucionária da informante (risos) - indicativa de alegria e contentamento - com o sentimento verbalizado (tristeza) recorrendo-se ao conceito dialético de figura-fundo proposto em Gestalt-terapia, seguindo o qual "(...) a figura 'tem' um fundo que lhe permite revelar-se e do qual ela procede "(Ribeiro, 1985, p. 74). Por mais que tenhamos como figura o fenômeno do abuso sofrido, este não pode ser entendido de forma desprendida do fundo que dá suporte a essa compreensão: a qualidade da relação da informante com o pai.

Ribeiro (1985) observou que, ao lado das coisas observadas, vistas, ditas, existe um espaço infinito, muitas vezes indisponível à nossa percepção e compreensão. Este é um limite que vivenciamos na pesquisa dos sentidos. Os vazios4 4 Vazio fértil: ponto de partida para a diferenciação de uma figura em um fundo amorfo (Perls, 1975). discursivos estão plenos de sentido, por isso foram denominados de férteis por Perls (1979).

Durante as análises perguntamo-nos várias vezes: "Por que será que estes vazios nos atraem e nos provocam frequentemente? Cremos que é porque neles, muitas vezes, está a chave da compreensão" (Ribeiro, 1985, p. 76)

Dissonância afetiva: dúvidas sobre a sua relação com o genitor

I:Minha relação com ele? (Silêncio.)

P: O que ele representa pra você?

I: Pra mim? Qualquer pessoa, assim.

P: Quais sentimentos você tem em relação a ele?

I: Eu tinha pena dele. Agora não tenho mais.

P: Hoje você sente o quê?

I: Nada. Raiva, às vezes.

Declara que sente "raiva", mas obriga-se a não abandoná-lo para morrer na cadeia, mesmo que tivesse desejado sua morte anteriormente.

I: Já pensou se ele morre, aí depois eu vou fiar pensando assim: puxa, eu nunca mais vou ver o papai, poderia ir ver pelo menos um dia.

I:Às vezes eu falo assim...brincando. Fale, seu Pedro (pseudônimo) (rindo).

T: Tu brincas com ele?

I: Eu brincava antes, quando ele tava solto.

A complexidade dos afetos, a intenção da consciência que procura promover saúde quando recorre ao ajustamento criativo e a necessidade do outro em nossa vida são elementos contidos na dialética figura-fundo das vivências da informante. Assim, na dinâmica do enredo existencial está configurado um quadro em que seus desejos têm duplas funções, logo não há contradição, mas valências fracas em que nenhum consegue tornar-se figura.

As frases "Que ele pague pelo que fez. Mas é meu pai, e eu, filha; posso brincar com ele e cuidar dele para que não morra sem mim" expressam esta complexidade que requer compreensão da dinâmica da relação afetiva entre pai e filha.

(S3) - Consciência dos sentimentos

Em vários momentos da entrevista, a informante descreveu acontecimentos de grande carga emotiva em seu campo existencial, tais como morte e violência, como se estivesse discursando sobre uma vivência "natural", simples. As manifestações ilocucionárias apresentadas indicam o distanciamento com que trata desses temas e apontam para a consciência que tem de seus sentimentos em relação ao ocorrido.

Destacamos dois momentos: a naturalidade em lidar com a morte da mãe e a naturalidade em lidar com o abuso. Acerca do primeiro, apresentamos o excerto:

T:Tua mãe é falecida? (com a cabeça diz que sim).

T: Você tinha quantos anos quando ela faleceu?

I: 11.

T: Como ela morreu?

I:Meu pai matou minha mãe (falando com naturalidade). Foi assim: Meu pai entrou lá em casa. Ele tinha revólver. Ele encheu debala e falou, "Agora, hoje eu mato ela". A mulher que cuidava de nós, disse: "Não, seu Pedro, não faz isso". Ele disse: "Eu mato ela". Ele pegou cerveja, bebeu uns três copos, aí depois ele foi atrás dela. Nessa época, era época de círio. Um menino foi avisar ela e disse: foge. Ela disse: "por quê?" "Por que o seu Pedro vem aí, ele vai te matar". Ela olhou pro cara começou a rir e o cara perguntou: por que tu ta rindo? Por que quem morre em época de círio é Peru. Ela ainda tirou graça (rindo).

No senso comum, a atitude adotada pela adolescente diante do relato de morte da mãe pode ser interpretada como frieza ou ausência de sentimentos, pois em situações semelhantes são esperadas manifestações emotivas intensas ou posturas indicativas de tristeza e desalento, mais ainda se considerarmos o contexto e a forma em que o assassinato aconteceu. Pensamos, porém, que a postura de Flávia não expressa calma ou impassibilidade, porém reflete um conjunto de atos não verbais e verbais que mostram a fluidez dos sentimentos vivenciados em seu campo existencial, isto é: ora mostra, ora, suprime, ora ironiza sua dor.

Assim, a consciência dos sentimentos em relação à morte da mãe, pode ser entendida a partir de uma perspectiva introjetiva, na qual a adolescente investe sua energia na incorporação passiva daquilo que o ambiente lhe proporciona. "É como se qualquer coisa que existisse fosse inviolável, ela não pode mudá-la, precisa aceitá-la como ela é" (Polster & Polster, 2001, p. 90).

Pela perspectiva metafórica do conceito de nutrição psicológica (Pimentel, 2005), acreditamos que, devido à rapidez com que aconteceu a sucessão de fatos envolvendo a morte da mãe (a denúncia, o assassinato e o abrigamento), a adolescente não pode "mastigar" de forma criativa o conjunto das experiências, o que acarretou a exigência de realizar uma rápida deglutição dos sentimentos antes de metabolizá-los. Deste modo, ela tende a realizar contatos introjetivos.

Sobre a naturalidade em lidar com o abuso, ponderamos que a adolescente vivia em um ambiente promíscuo, e isto nos fez compreender sua postura naturalizada ao lidar com a violência. O contexto social, familiar e relacional em que viveu a infância era marcado corriqueiramente por atos violentos, dentro e fora do contexto doméstico. Sua realidade experiencial parece que está em consonância com a síndrome da acomodação da criança vítima de abuso sexual descrita por Summit (citado por Rouyer, 1997; Farinatti, Biazus, & Leite, 1993), em que "a criança aprende a aceitar a situação e sobreviver a ela" (Rouyer, 1997, p. 68).

Ressaltamos ainda que, ao compreendermos a consciência dos sentimentos vinculados à ocorrência do abuso sexual a partir desse prisma, não estamos atribuindo à experiência ocorrida no passado a exclusiva responsabilidade pela maneira como a informante se expressa no presente. Estamos falando do princípio da contemporaneidade5 5 O Princípio da Contemporaneidade, elaborado por Kurt Lewin refere-se ao entrelaçamento da vivência da temporalidade, isto é, o presente, o passado e o futuro são dimensões existenciais vividas de modo processual, dinâmico e interrelacionado, sem a priori causais, deterministas e reducionistas (Campos, 1972; Garcia-Roza, 1972; Kohler, 1980). , em que o passado e o presente, o aqui-e-agora, convivem formando uma história única, uma relação de figura-fundo de todo-parte.

(S4) - Expansão das fronteiras de contato

Contato é um conceito rico e complexo que pode ser entendido como teoria, técnica ou arte. A fronteira é o lugar do encontro de forças e energias diferentes. Nesta unidade nos deteremos a analisar o contato positivo, que favoreceu a expansão das fronteiras da informante e a direcionou para o crescimento e mudanças positivas.

Ao usar a função emotiva, Flávia sugeriu que é agente ativa de sua experiência, o que faz com que algumas de suas dificuldades no campo relacional sejam enfrentadas pela abertura de suas fronteiras de contato. Essa hermenêutica pode ser visualizada nestes excertos:

I: Às vezes eu fico com raiva da minha tia.

I: A minha tia, ela percebeu que eu tava gostando do menino.

I: Ela quer que eu dô mais atenção que eu dô pra eles. Eu dô pra eles, só que ela nem fica lá pra vê!

I: Ela gosta que eu faça comida do tipo dela. Só que eu faço pra eles do meu tipo (...).

O quadro abaixo sintetiza a luta da informante para afirmar-se (polo da expansão) ante as pressões que sofre (imposição de autoridade), evitando (polo da acomodação) a rigidez de suas fronteiras de contato.

Eu faço, eu não vou, eu falo são expressões verbais indicativas de ação, locomoção/direcionamento e expressão, respectivamente, no sentido do crescimento, da mudança, de assumir o comando da situação e dar voz a sua singularidade. Assim, a promoção da expansão não ocorre de forma forçada ou consciente, por meio do contato: ela simplesmente acontece.

Esse caminho de expansão apresentado pela informante reverbera na perspectiva Gestáltica, que valoriza a mudança numa expectativa de que a existência e o reconhecimento da novidade são inevitáveis se ela permanecer com as suas experiências à medida que elas próprias se formam (Polster & Polster, 2001).

A capacidade de escolher, enquanto manifestação que sinaliza uma mudança no campo existencial que caminha para a expansão, também pode ser associada a um aprendizado na seleção dos alimentos psicológicos que lhe são oferecidos com base no critério da autoavaliação. Nesse contexto, Pimentel (2005) acrescenta que "em tais aprendizagens, as qualidades dinâmicas da mastigação, a práxis da agressividade positiva, a metabolização e a nutrição psicológica contribuem para o desenvolvimento de perfis infantojuvenis e adultos autônomos, cujas posturas existenciais estão voltadas para a expansão das fronteiras de contato" (p. 29).

No campo das áreas de desempenho (Aota, 2002), a postura desvelada indica uma evolução na capacidade de ação nos componentes da conduta social, habilidades interpessoais e autoexpressão, que se refletem nas áreas da socialização e exploração do lazer ou diversão, já que a expansão de suas fronteiras lhe permite ampliar seu campo relacional, o que, por sua vez, favorece o desempenho de seus papéis ocupacionais, de filha, aluna, mulher, etc.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Buscamos compreender os significados que a adolescente atribuiu à ocorrência do abuso sexual intrafamiliar, analisando e procedendo a uma interpretação fenomenológica gestáltica do seu discurso transformado em texto. Ponderamos que a perspectiva fenomenológica que norteou a pesquisa não nos forneceu resultados preditivos ou generalizáveis, mas sim, desvelamentos baseados na descrição e compreensão do vivido pela adolescente no seu campo existencial, que se reflete na sua forma de ser-no-mundo e nas interações que estabelece consigo e com seus pares.

Sobre os significados desvelados e possíveis desdobramentos no campo existencial e relacional de Flávia, nos chamou atenção quanto a ocorrência da violência sexual sofrida interferiu na sua autoimagem e autoestima, desencadeando um conjunto de demandas no campo psíquico, ocupacional, afetivo e relacional. Com a autoestima e autoimagem pobres, a adolescente tem caminhado rumo ao isolamento social, o que compromete sua área de desempenho da socialização e mostra reflexos em seu desempenho escolar, na formação de novos vínculos sociais e afetivos, pois se vê feia e inferior às outras meninas do seu meio, a quem identifica como "as patricinhas".

Esse retraimento também pode fomentar a ocorrência da revitimização pela violência, já que, no processo de aliciamento, o isolamento serve para excluir a criança ou o adolescente do resto da família, facilitando a abordagem do abusador e o segredo (Sanderson, 2005). Isolar-se, além de oferecer "perigo" em múltiplas áreas de seu desenvolvimento saudável, também danifica a qualidade do contato que estabelece consigo e com os outros, aspecto fundamental que conduz ao crescimento (Polster & Polster, 2001).

No discurso de Flávia, vários tipos de contatos são estabelecidos a partir dos encontros positivos ou negativos que vivencia, dos quais algumas modalidades disfuncionais são encontradas. Como contatos positivos que colaboram para a expansão de suas fronteiras podemos citar aqueles que ela estabeleceu com o pesquisador, com as educadoras do projeto arte de viver e com os irmãos menores. Como contatos negativos que colaboram para a rigidez ou contração de suas fronteiras, podemos citar aqueles estabelecidos com os tios, com a mãe e principalmente com o pai, que mostra uma maior complexidade. É a ele que Flávia dá o papel central de seu enredo e direciona a maioria dos sentimentos desvelados. Embora não seja possível quantificar (e não é esse nosso objetivo) a relação da criança com o abusador, é preciso considerar a proximidade e a qualidade do relacionamento.

No caso de Flávia, vemos uma relação em que a dissonância afetiva se mostra evidente (S2) e compõe o fundo de seu campo existencial como uma situação inacabada, em que ela ainda não conseguiu dizer tudo que pensa e sente sobre a violência sofrida, permanecendo na intenção de dizer, no quase.

I: Eu quero morrer...quase que eu disse, então morra praí.

Neste sentido, Polster e Polster (2001) acrescentam que "se essas circunstâncias inacabadas foram suficientemente poderosas, o indivíduo nunca estará satisfeito por mais que seja bem-sucedido em outras direções, até que haja um fechamento" (p. 53).

Ao entrarmos em contato com a adolescente de modo respeitoso, compreensivo e atento às suas manifestações verbais e não verbais, pudemos identificar que os múltiplos significados que atribui à ocorrência do abuso sexual intrafamiliar encontram-se ligados a fatores que formam o fundo onde figura a experiência do abuso, como a relação com o pai e o "novo" contexto doméstico de revitimização.

Em uma perspectiva mais ampla, a pesquisa procurou contribuir para a compreensão deste fenômeno multicausal. O estudo de um caso possibilitou compreender feições e modos de aparecer em que a mágoa, o pesar e o descontentamento assumem no discurso da adolescente: aparecem velados, contidos, sugerindo que estão acorrentados sob aparências que não dão a perceber o significado do abuso sexual intrafamiliar. O pai, apesar das transformações que a paternidade atravessa, no universo da informante é figura central.

A perspectiva fenomenológica existencial gestáltica, em diálogo com a Terapia Ocupacional, permitiu-nos compreender possíveis significações existenciais do abuso sexual intrafamiliar para Flávia. Apresentar este material é desejar contribuir com outros profissionais na estruturação de intervenções de cunho preventivo e de tratamento, além de oferecer indicativos para prosseguirem produzindo conhecimento da subjetividade das vítimas de abuso sexual, assim como dos agressores e de outros familiares.

Recebido em 23/08/2008

Aceito em 06/08/2009

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  • Endereço para correspondência
    Lucivaldo da Silva Araújo. Travessa Mariz e Barros, Alameda Tapajós, n. 40, Bairro Marco, CEP 66093-090, Belém-PA, Brasil.
    E-mail:
  • 1
    Exercício da força, legitimada ou não, para se manter ou também resistir à dominação em suas diferentes formas. Esse exercício depende tanto do lugar onde é exercido como dos movimentos das forças em presença, que reforçam ou desgastam as relações estruturadas/estruturantes (...) esse poder estruturante/estruturado vem se exercendo historicamente pela dominação do adulto, do macho, predominante da raça branca, que se tornou o dominador no processo de institucionalização do poder em sua socialização (Faleiros & Faleiros, 2001).
  • 2
    Essa diferença de idade é usualmente estabelecida como cinco anos, contudo, a questão da diferença significativa de idade entre o abusador e a vítima é um aspecto discutível (Kristensen, Flores & Gomes, 2001).
  • 3
    O conceito de vitimização é usado por Azevedo e Guerra (1998) como discordância na ênfase da abordagem de situações de práticas sexuais entre adultos e crianças. "A diferença reside no fato de que, quando se emprega ABUSO, a ênfase é posta no pólo adulto, isto é, naquele que impõe a 'força', que coercitivamente domina o processo. Quando se emprega VITIMIZAÇÃO, a ênfase é posta no pólo criança, isto é, naquele que sofre a coação, que recebe a injúria e o dano" (Azevedo & Guerra, 1998, p. 18).
  • 4
    Vazio fértil: ponto de partida para a diferenciação de uma figura em um fundo amorfo (Perls, 1975).
  • 5
    O Princípio da Contemporaneidade, elaborado por Kurt Lewin refere-se ao entrelaçamento da vivência da temporalidade, isto é, o presente, o passado e o futuro são dimensões existenciais vividas de modo processual, dinâmico e interrelacionado, sem a priori causais, deterministas e reducionistas (Campos, 1972; Garcia-Roza, 1972; Kohler, 1980).

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    11 Fev 2010
  • Data do Fascículo
    Dez 2009

Histórico

  • Aceito
    06 Ago 2009
  • Recebido
    23 Ago 2008
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