Mapeamento de Estudos da Linguística Contrastiva Português/Alemão: Dados Bibliográficos no Brasil

Portuguese/German Contrastive Linguistics Studies Mapping: Bibliographic Data in Brazil

Flaviana da Silva Sipriano Rebeca Santos de Souza Rogéria Costa Pereira Sobre os autores

Resumo

Este trabalho tem como propósito relatar o desenvolvimento, a metodologia e os resultados de um Projeto de Iniciação Científica que propõe a construção de uma base de dados da bibliografia da linguística contrastiva Português/Alemão. De natureza documental- bibliográfica, a coletânea bibliográfica foi realizada em bases de dados brasileiras de publicações em português, e as referências compiladas no softwareZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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. As buscas foram realizadas entre agosto e dezembro de 2019 e se utilizou as palavras-chave (Língua Alemã; Língua Portuguesa; Alemão; Português; Linguística; Linguística Contrastiva), assim como as grandes áreas da Linguística (Morfologia; Fonética; Fonologia; Semântica; Pragmática e Sintaxe). Foram identificadas ao todo 48 pesquisas, publicadas entre os anos de 1972 e 2019, classificadas entre Literatura Branca e Literatura Cinzenta. Os dados apontam uma prevalência de artigos publicados no periódico Pandaemonium Germanicum, da Universidade de São Paulo (USP), especialmente na década de 1990, assim como um grande número de pesquisas na área de semântica.

Palavras-chave:
Linguística Contrastiva; Base de Dados; Alemão; Português

Abstract

This work aims to relate the development, methodology and results from a Projeto de Iniciação Científica that proposes the construction of a database of the Portuguese/German contrastive linguistics bibliography. As a research of documental-bibliographical nature, the data was collected out of Brazilian databases of publications in Portuguese, whose references were compiled with the help of the ZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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software. The searches were carried out between August and December 2019 and used the keywords “German Language; Portuguese Language; German; Portuguese; Linguistics; Contrastive Linguistics”, as well as the major areas of Linguistics (Morphology; Phonetics; Phonology; Semantics; Pragmatics and Syntax). 48 references were identified, published between 1972 and 2019, and were classified between White and Gray Literature. The data indicate a prevalence of articles published in the journal Pandaemonium Germanicum, published by the University of São Paulo (USP), especially in the 1990s, and a large number of investigations in the area of semantics.

Keywords:
Contrastive Linguistics; Database; German; Portuguese

Zusammenfassung

Ziel dieser Arbeit ist es, über die Entwicklung, Methodik und Ergebnisse eines Projeto de Iniciação Científica zu berichten, das den Aufbau einer Datenbank der Bibliographie der kontrastiven Linguistik Portugiesisch/Deutsch anstrebt. Es wurde eine dokumentarisch-bibliographische Recherche durchgeführt, bei der in brasilianischen Datenbanken Publikationen in portugiesischer Sprache gesammelt wurden, deren Literaturangaben mit Hilfe der SoftwareZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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zusammengestellt wurden. Die Suche wurde zwischen August und Dezember 2019 durchgeführt und verwendete die Schlüsselwörter (Deutsch; Portugiesisch; Deutsch; Portugiesisch; Linguistik; Kontrastive Linguistik) sowie die Hauptbereiche der Linguistik (Morphologie; Phonetik; Phonologie; Semantik; Pragmatik und Syntax). Insgesamt wurden 48 Forschungen identifiziert, die zwischen 1972 und 2019 veröffentlicht und in Weiße und Graue Literatur eingeordnet wurden. Die Daten weisen auf eine starke Verbreitung von Artikeln hin, die vor allem in der Zeitschrift Pandaemonium Germanicum der Universität São Paulo (USP), besonders in den 1990er Jahren veröffentlicht wurden, sowie auf eine Vielzahl von Forschungen auf dem Gebiet der Semantik.

Stichwörter:
Kontrastive Linguistik; Datenbank; Deutsch; Portugiesisch

Introdução

A linguística contrastiva (doravante LC) é uma das vertentes da linguística aplicada que surgiu a partir do conceito behaviorista de aprendizagem no final dos anos 1950 do século passado e, através da descrição entre duas (ou mais) línguas, procura constatar as diferenças e similaridades entre elas (SOUSA SILVA 2011SOUSA SILVA, Ana Patrícia Sousa. Linguística contrastiva: estudo bibliométrico no contraste de PB e espanhol como língua estrangeira no Brasil, de 1988 a 2010. Working Papers em Lingüística, v. 12, edição especial, 1-17, 2011.). Ferreira (2005FERREIRA, Cláudia C. La lingüística contrastiva y el proceso de enseñanza/aprendizaje de español como lengua extranjera. In: INSTITUTO CERVANTES (Org.). Actas del II Simposio Internacional José Carlos Lisboa de Didáctica del Español como Lengua Extranjera. Rio de Janeiro: Instituto Cervantes de Río de Janeiro, 2005, 159-167.) defende que a LC se apresenta nas versões teórica e prática. A primeira procura desenvolver um modelo no qual são apresentados os elementos possíveis de serem comparados; a segunda, por sua vez, “estuda como uma categoria universal X é realizada no idioma A como Y e no idioma B como algo diferente” e pode ser subdividida em três modelos teóricos: o modelo de análise contrastiva; o modelo de análise de erros e o modelo interlíngua (FERREIRA 2005FERREIRA, Cláudia C. La lingüística contrastiva y el proceso de enseñanza/aprendizaje de español como lengua extranjera. In: INSTITUTO CERVANTES (Org.). Actas del II Simposio Internacional José Carlos Lisboa de Didáctica del Español como Lengua Extranjera. Rio de Janeiro: Instituto Cervantes de Río de Janeiro, 2005, 159-167.: 160).

Resultados de pesquisas contrastivas com o par de línguas portuguesa e alemã publicados no Brasil foram objetos do mapeamento realizado por um Projeto de Iniciação Científica (PIBIC) levado a cabo nos anos de 2019 e 2020 na Universidade Federal do Ceará. Esse levantamento é desejo de muitos autores (cf. SCHMIDT-RADEFELDT 1989SCHMIDT-RADEFELDT, Jürgen. Bausteine zu einer vergleichenden Grammatik Deutsch- Portugiesisch. In: FRANCO, António C. (ed.). Duas Línguas em Contraste Português e Alemão. Actas do 1.° Colóquio Internacional de Linguística Contrastiva Português- Alemão, Universidade do Porto, 6-7 Outubro de 1988. Porto: Universidade do Porto, 1989, 191-202., BLÜHDORN 2005BLÜHDORN, Hardarik. Forschungsstand und Perspektiven der kontrastiven Linguistik Portugiesisch-Deutsch. In: FISCHER, Eliana; GLENK, Eva; MEIRELES, Selma (Org.). Blickwechsel: Akten des XI. Lateinamerikanischen Germanistenkongresses São Paulo - Paraty - Petrópolis 2003. São Paulo: Edusp, 2005, 155-160. v. 3., KAUFMANN 2005KAUFMANN, Göz. Kontrastive Analyse Portugiesisch Deutsch. In: KRUMM, H-J; FANDRYCH, C.; HUFEISEN, B.; RIEMER, C. (Org.). Deutsch als Fremd- und Zweitsprache: Ein internationales Handbuch. Berlin: de Gruyter, 2005, 660-666. Bd. 1.), que constataram a dificuldade de se adquirir uma visão geral e confiável sobre as investigações e publicações teóricas e empíricas que contrastam esses dois idiomas. Mesmo com a atual disseminação de informações sobre pesquisas e seus resultados por meio eletrônico, ainda há uma quantidade expressiva de trabalhos nesse âmbito desconhecidos entre pesquisadores que, muitas vezes, trabalham em temas semelhantes numa mesma área sem conhecimento mútuo.

Mudanças trazidas pelas novas tecnologias de informação e de comunicação (NTIC) possibilitam o acesso a recursos metodológicos que facilitam a manipulação de dados bibliográficos com mais precisão, rapidez e segurança, seja em sua coleta, tratamento ou análise (TARGINO 2000TARGINO, M. das G. Comunicação científica: uma revisão de seus elementos básicos. Informação & Sociedade: Estudos, v. 10, n. 2., 1-27, 2000. Online: Online: https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/326 (04/08/2020).
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: 5). Além disso, essa mesma estrutura tecnológica pode fomentar de modo mais simples e rápido a publicação de resultados de pesquisas, apoiando não somente a consolidação de uma determinada área do conhecimento, mas também o seu alcance, pois “não há ciência sem comunicação. Não há comunicação sem informação” (ibidem). Acreditamos, assim como Targino (2000TARGINO, M. das G. Comunicação científica: uma revisão de seus elementos básicos. Informação & Sociedade: Estudos, v. 10, n. 2., 1-27, 2000. Online: Online: https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/326 (04/08/2020).
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), que

A transferência de informação de um grupo e de uma esfera de atividades para outra nunca é simples, e nem obedece fielmente a regras preestabelecidas. Duplicações, redundâncias, fenômenos que ocorrem com sucesso sem explicações óbvias, áreas de pesquisas que se intensificam mesmo sem perspectiva razoável de aplicação fazem parte do cotidiano da ciência e do cientista, cujo esforço para se manter no centro do processo comunicacional é cada vez mais complexo, diante do manancial de informações agora disponíveis. (TARGINO 2000TARGINO, M. das G. Comunicação científica: uma revisão de seus elementos básicos. Informação & Sociedade: Estudos, v. 10, n. 2., 1-27, 2000. Online: Online: https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/326 (04/08/2020).
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: 24-25).

Desse modo, pesquisadores de qualquer área do conhecimento científico devem buscar meios de disseminar seus achados, a fim de beneficiar seus pares e toda a sociedade com o conhecimento adquirido. Sendo o desenvolvimento do conhecimento científico gradual, Chueke e Amatucci (2015CHUEKE, Gabriel Vouga; AMATUCCI, Marcos. O que é bibliometria? Uma introdução ao Fórum. Internext, v. 10, n. 2, 1-5.: 1) afirmam que os estudos bibliométricos podem ser importante ferramenta na sistematização de um conhecimento que não pode se restringir a um estudo isolado, mas procura englobar todas as investigações anteriores que, de alguma forma, colaboraram para o progresso de uma área da ciência, assim como também pavimentaram o caminho para pesquisas futuras, pois o “conhecimento científico é cumulativo e cooperativo” (CHUEKE; AMATUCCI 2015CHUEKE, Gabriel Vouga; AMATUCCI, Marcos. O que é bibliometria? Uma introdução ao Fórum. Internext, v. 10, n. 2, 1-5.: 2). Com base nessas concepções e cientes de que a comunicação eletrônica pode ser utilizada como um instrumento, portanto, “um recurso para incrementar e aperfeiçoar o contato entre cientistas” (TARGINO 2000TARGINO, M. das G. Comunicação científica: uma revisão de seus elementos básicos. Informação & Sociedade: Estudos, v. 10, n. 2., 1-27, 2000. Online: Online: https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/326 (04/08/2020).
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: 21), surgiu a motivação para a realização desse PIBIC que visa, por fim, a disseminação e o intercâmbio de informações e, desse modo, o incremento da cooperação entre germLanistas e seus colegas de áreas afins no Brasil e no exterior.

Fundamentação teórica

O avanço tecnológico na área da informação a partir dos anos 1960 possibilitou a criação de bases de dados informatizadas e abriu a possibilidade de recuperação rápida de informações e atualizações mais simples dos dados de arquivos nelas adicionados. Albrecht e Ohira (2000ALBRECHT, Rogéria Fernandes; OHIRA, Maria Lourdes Blatt. Bases de dados: metodologia para seleção e coleta de documentos. Revista Acb, v. 5, n. 5, 132-144, 2000.: 131-132) relatam que a literatura especializada expressa uma confusão terminológica no conceito de base de dados, por tratar base e banco de dados como sinônimos. Autores como Guinchat e Menou (1994GUINCHAT, C.; MENOU, M. Introdução geral às ciências e técnicas da informação e documentação. Brasília: IBICT, 1994.: 295), por exemplo, distinguem estes dois termos, definindo base de dados como “um conjunto organizado de referências bibliográficas de documentos que se encontram armazenadas fisicamente em vários locais” de modo que podem ser acessadas local ou remotamente através, por exemplo, da internet. Já os bancos de dados “tratam de informações fatuais, numéricas ou textuais diretamente utilizáveis”, e disponibilizam ao usuário acesso à informação primária. Exemplos de bases de dados no Brasil são a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações e o Portal de Periódicos da CAPES.

Ainda segundo Albrecht e Ohira (2000ALBRECHT, Rogéria Fernandes; OHIRA, Maria Lourdes Blatt. Bases de dados: metodologia para seleção e coleta de documentos. Revista Acb, v. 5, n. 5, 132-144, 2000.: 132-133), uma base de dados pode ser de dois tipos: Base de dados referenciais e Base de dados de fonte. Estas últimas dizem respeito a dados originais e documentos eletrônicos, podendo estes serem numéricos, de texto completo, textuais e gráficos. Já a Base de dados referenciais possibilita o encaminhamento dos usuários para outras fontes, podendo ser subdivididas em bibliográficas, catalográficas e de referência. Conforme as autoras, as fontes utilizadas para um mapeamento bibliográfico podem ser primárias, aquelas que dispõem da forma originária dos trabalhos encontrados; fontes secundárias, que se referem aos índices e aos resumos das obras achadas e, ainda, fontes terciárias, sendo essas últimas que orientam o usuário e representam uma forma de facilitar seu acesso à pesquisa. Nesta última categoria, encontramos, por exemplo, calendários de eventos e mídias com informações de acervos de bibliotecas (ALBRECHT; OHIRA 2000ALBRECHT, Rogéria Fernandes; OHIRA, Maria Lourdes Blatt. Bases de dados: metodologia para seleção e coleta de documentos. Revista Acb, v. 5, n. 5, 132-144, 2000.: 139-140).

Fundamentado nessas definições, o presente mapeamento procura desenvolver uma base de dados referencial-bibliográfica de pesquisas contrastivas com o par de línguas português/alemão publicadas em português, utilizando bases e bancos de dados hospedados no Brasil, assim como os três tipos de fontes disponíveis para o levantamento bibliográfico, a saber: fontes primárias, secundárias e terciárias (cf. ALBRECHT; OHIRA 2000ALBRECHT, Rogéria Fernandes; OHIRA, Maria Lourdes Blatt. Bases de dados: metodologia para seleção e coleta de documentos. Revista Acb, v. 5, n. 5, 132-144, 2000.: 139-140). O levantamento procura, ainda, possibilitar o encaminhamento do usuário para outras fontes ao incluir, além de dados bibliográficos, as respectivas URL4 4 URL (Uniform Resource Locator) é o endereço virtual de um website ou de uma página na internet. e os resumos dos trabalhos adicionados.

No processo de escolha das obras incorporadas à base foi necessária a observância de alguns critérios, dentre os quais encontramos a categorização de publicações em Literatura Cinzenta (não convencionais) e Literatura Branca (convencionais). Segundo Botelho e Oliveira (2015: 503-506), a primeira é mais difícil de ser encontrada, pois trata de publicações em canais que não são de fácil acesso e divulgação e, ainda, não são utilizadas para comercialização. Nessa categoria encontramos publicações acadêmicas tais como: tese, dissertação, relatório, monografia e trabalhos de conclusão de cursos. Na Literatura Branca encontramos documentos de fácil acesso, por se tratar de um material que está em constante divulgação comercial, possibilitando o alcance a um maior público: livro, capítulo de livro, artigo de periódico, artigo de jornal (ALBRECHT; OHIRA 2000ALBRECHT, Rogéria Fernandes; OHIRA, Maria Lourdes Blatt. Bases de dados: metodologia para seleção e coleta de documentos. Revista Acb, v. 5, n. 5, 132-144, 2000.: 135, BOTELHO; OLIVEIRA 2015: 510). É importante ressaltar que se um documento considerado literatura cinzenta é publicado, passa a ser classificado como de literatura branca.

Para o gerenciamento dos dados bibliográficos objetos do presente mapeamento, foi necessária a análise de gerenciadores bibliográficos de banco de dados (doravante GBBD), softwares que integram uma coleção de programas que permitem ao usuário realizar uma busca em diferentes bancos de dados (PRETEL s/dPRETEL, Hermes. Gerenciadores Bibliográficos e Banco de dados. S.l., s/d., 9p. Notas prévias de aula. Online: Online: https://moodle.unesp.br/ava/pluginfile.php/110335/mod_resource/content /1/Gerenciadores%20Bibliogr%C3%A1ficos%20e%20Banco%20de%20Dados.pdf (23/11/2019).
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: 1). Yamakawa et al. (2014YAMAKAWA, Eduardo Kazumi; KUBOTA, Flávio Issao; BEUREN, Fernanda Hansch; SCALVENZI, Lisiane; MIGUEL, Paulo Augusto Cauchik. Comparativo dos softwares de gerenciamento de referências bibliográficas: Mendeley, Endnote e Zotero. Transinformação, v. 26, n. 2, 167-176, 2014.) defendem que, independente do nível acadêmico de um pesquisador, é urgente um gerenciamento das fontes utilizadas no seu trabalho, assim como também das citações dentro de sua pesquisa. Com o avanço das NTIC, o gerenciamento dessas citações ficou mais acessível e simples, uma vez que vários programas computacionais surgiram para este fim. A disponibilidade e a disseminação das pesquisas científicas no ambiente virtual também contribuíram para que esses softwares auxiliassem os cientistas em seus estudos, tornando os GBBD excelentes ferramentas para a administração das referências bibliográficas.

Com o intuito de estabelecer critérios para a escolha de um software como gerenciador para os dados bibliográficos coletados, baseamo-nos na experiência de Yamakawa et al. (2014YAMAKAWA, Eduardo Kazumi; KUBOTA, Flávio Issao; BEUREN, Fernanda Hansch; SCALVENZI, Lisiane; MIGUEL, Paulo Augusto Cauchik. Comparativo dos softwares de gerenciamento de referências bibliográficas: Mendeley, Endnote e Zotero. Transinformação, v. 26, n. 2, 167-176, 2014.) para a definição de qual GBBD melhor se adequava às nossas necessidades, processo que relataremos na seção Metodologia. Os autores apresentam a comparação entre três GBBD (MendeleyMENDELEY: Software Gerenciador de Referências. Online: Online: https://www.mendeley.com/ reference-management/reference-manager/ (07/09/2020).
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, EndNoteMYENDNOTEWEB: Software Gerenciador de Referências. Online: Online: https://access.clarivate.com/login?app=endnote (07/09/2020).
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e ZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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) e afirmam que nesses três softwares há a possibilidade de administrar as referências objetos da revisão, assim como também apresentam as três funções básicas que facilitam o trabalho do pesquisador no gerenciamento bibliográfico e no controle das literaturas por ele encontradas: busca, armazenamento e escrita (FENNER 2010FENNER, Martin. Reference management meets Web 2.0. Cellular Therapy and Transplantation, v. 2, n. 6, 1-13, 2010.: 1).

Foram adotados, a fim de otimizar o mapeamento bibliográfico aqui relatado, procedimentos propostos para uma revisão da pesquisa, ou revisão sistemática, surgida a partir do conceito de metanálise5 5 A metanálise se refere ao tratamento estatístico dos dados levantados com vista a agrupá-los. . Uma revisão da pesquisa reúne o máximo de resultados encontrados na investigação bibliográfica, tendo um processo mais minucioso dos estudos, pois “se refere ao processo de reunião, avaliação crítica e sintética de resultados de múltiplos estudos, podendo ou não incluir uma metanálise” (COSTA; ZOLTOWSKI 2014COSTA, Angelo Brandelli; ZOLTOWAKI, Ana Paula Couto. Como escrever um artigo de revisão sistemática. In: KOLLER, Sílvia Helena; COUTO, Maria Clara P. de Paula; HOHENDORFF, Jean Von (Org.). Manual de produção científica. Porto Alegre: Penso, 2014, 55-70.: 55). Os autores recomendam oito etapas básicas para o processo metodológico de uma revisão sistemática: delimitação da questão de pesquisa; escolha das fontes de dados; eleições da palavra chave para a busca; seleção dos artigos; avaliação, síntese e interpretação dos dados e, por fim, a escrita de um artigo de revisão sistemática (COSTA; ZOLTOWSKI 2014COSTA, Angelo Brandelli; ZOLTOWAKI, Ana Paula Couto. Como escrever um artigo de revisão sistemática. In: KOLLER, Sílvia Helena; COUTO, Maria Clara P. de Paula; HOHENDORFF, Jean Von (Org.). Manual de produção científica. Porto Alegre: Penso, 2014, 55-70.: 56). Para os objetivos da presente pesquisa, foi necessária a adaptação desses passos básicos, os quais relatamos na seção Metodologia.

Os dados bibliográficos remontam a arquivos, materiais anexados no banco de dados, e aos registros, informações anexadas na base de dados. Essas informações são, por exemplo, o nome do autor, o título da publicação, o DOI (Digital Object Identifier)6 6 Identificador único para publicações científicas. , a instituição e o local de publicação, entre outros (ROWLEY 2002ROWLEY, Jennifer. Bases de Dados. In: ROWLEY, J. A biblioteca eletrônica. 2. ed. Brasília: Briquet de Lemos Livros, 2002, 106-129.: 107-108). No mapeamento ora relatado, procurou-se levantar o máximo possível de informações bibliográficas, de modo que a disponibilização dos resultados possa efetivamente ajudar na disseminação dessas publicações entre os pesquisadores.

Durante o levantamento e com o objetivo de melhor gerenciar o tempo das buscas e maximizar os resultados, foram utilizados os chamados operadores booleanos (SILVA 2016SILVA, André de Benedetto. Operadores booleanos: como utilizá-los para recuperação da informação. 2016. Online: Online: https://biblioo.cartacapital.com.br/ operadores-booleanos/ (25/09/2019).
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), uma forma de facilitar a busca ao reunir as palavras chaves das referências, as quais serão anexadas no software GDDB. Foram utilizadas as três operações principais: AND, OR, NOT. O termo “AND” recupera todos os documentos que tiverem referência aos dois termos em questão, por exemplo: “Alemão AND Português”. A palavra “OR” acresce os termos que foram empregados na busca: “Português OR Língua Portuguesa”, “ Alemão OR Língua Alemã”, abrangem quaisquer trabalhos que apresentem um dos termos. O operador “NOT” mostra a diferença entre esses termos que foram aplicados nos conjuntos, por exemplo: “Linguística Contrastiva AND Alemão NOT Tradução”, que exclui da pesquisa trabalhos que contenham o último termo.

A discussão acerca da necessidade de se fazer um levantamento de estudos contrastivos entre o português e outras línguas não é recente. Sousa Silva (2011SOUSA SILVA, Ana Patrícia Sousa. Linguística contrastiva: estudo bibliométrico no contraste de PB e espanhol como língua estrangeira no Brasil, de 1988 a 2010. Working Papers em Lingüística, v. 12, edição especial, 1-17, 2011.), por exemplo, apresenta-nos em seu artigo um mapeamento de investigações que evidenciam o contraste entre o português e o espanhol e que utilizaram modelos de análise do ramo da Linguística Contrastiva, assim como pesquisas que contivessem os termos “Interferência Linguística”, para relatar as influências da língua materna para o aprendiz do idioma estrangeiro, e “Análise de Erro”, apontando dificuldades muito semelhantes enfrentadas pelos aprendizes que têm a mesma língua materna. A autora realizou a busca a partir do Banco Digital de Teses e Dissertações da CAPES, destacando elementos linguísticos, fonéticos, sintáticos e morfológicos. Na pesquisa a autora se concentrou em trabalhos desenvolvidos nas pós-graduações stricto sensu e encontrou dados de dissertações entre os anos 1988 e 2010, e de teses, entre 1994 e 2010, respectivamente. Além disso, foram categorizadas as publicações por Universidade, fato que demonstrou uma predominância de trabalhos em instituições nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, especialmente na Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além dessa análise, a autora divide os achados conforme os diferentes modelos de Análise da Linguística Contrastiva.

Blühdorn e Battaglia, em manuscrito de 1999BLÜHDORN, Hardarik; BATTAGLIA, Maria Helena Voorsluys. Arbeitsgruppe Kontrastive Grammatik Portugiesisch-Deutsch - Zusammenfassungen der Publikationen und Projekte. São Paulo, 1999, 82 p. Digitado., apresentam uma lista de trabalhos relevantes na área de linguística contrastiva alemão/português, oferecendo ainda um resumo de cada trabalho relatado. Anos depois, Blühdorn (2005)BLÜHDORN, Hardarik. Forschungsstand und Perspektiven der kontrastiven Linguistik Portugiesisch-Deutsch. In: FISCHER, Eliana; GLENK, Eva; MEIRELES, Selma (Org.). Blickwechsel: Akten des XI. Lateinamerikanischen Germanistenkongresses São Paulo - Paraty - Petrópolis 2003. São Paulo: Edusp, 2005, 155-160. v. 3., após descrever sobre o início dos estudos de linguística contrastiva do alemão e do português e apresentar uma visão geral sobre a presença de pesquisas científicas dentro dessa vertente na Alemanha, em Portugal e no Brasil, citando inclusive a USP como um dos principais centros de publicações nesse âmbito. O autor discute brevemente acerca dos problemas metodológicos de estrutura e sistematização na difusão de informações entre cientistas da área, assim como também sobre as motivações dos estudos, tais como, por exemplo, a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos no ensino de idiomas. Blühdorn (2005BLÜHDORN, Hardarik. Forschungsstand und Perspektiven der kontrastiven Linguistik Portugiesisch-Deutsch. In: FISCHER, Eliana; GLENK, Eva; MEIRELES, Selma (Org.). Blickwechsel: Akten des XI. Lateinamerikanischen Germanistenkongresses São Paulo - Paraty - Petrópolis 2003. São Paulo: Edusp, 2005, 155-160. v. 3.: 158) advoga, por fim, a necessidade de se criar uma base de dados de pesquisas que contemplem os estudos contrastivos, relatando que, apesar de se tratar de uma área tão específica como a linguística contrastiva entre o português (europeu e brasileiro) e o alemão, ainda não existe um intercâmbio apropriado entre Alemanha, Brasil e Portugal nesse âmbito. Assim sendo, faz-se necessário disseminar os resultados dos trabalhos entre os pesquisadores desse campo de investigação, pois se constata carência na documentação bibliográfica e também na difusão de publicações realizadas em locais de difícil acesso que, lamentavelmente, podem não se tornar de conhecimento geral. Blühdorn defende, portanto, a criação de um banco de dados de pesquisa sobre linguística contrastiva alemão-português-brasileiro na internet ou a total integração desses estudos em um portal digital (BLÜHDORN 2005BLÜHDORN, Hardarik. Forschungsstand und Perspektiven der kontrastiven Linguistik Portugiesisch-Deutsch. In: FISCHER, Eliana; GLENK, Eva; MEIRELES, Selma (Org.). Blickwechsel: Akten des XI. Lateinamerikanischen Germanistenkongresses São Paulo - Paraty - Petrópolis 2003. São Paulo: Edusp, 2005, 155-160. v. 3.: 158).

A partir dessa premissa, Pereira (2014PEREIRA, Rogéria C. Kontrastive Phonologie und Phonetik Portugiesisch/Deutsch: Eine Bestandsaufnahme. In: DAAD (Hg.). Germanistik in Brasilien: Herausforderungen, Vermittlungswege, Übersetzungen: Beiträge der DAAD-Germanistentagung 2013 mit dem Partnerland Brasilien. Göttingen: Wallstein Verlag, 2014, 80-82.) apresenta pequeno levantamento de estudos realizados entre 1970 e 2012 que utilizassem, de alguma maneira, princípios da linguística contrastiva do português e alemão e que se ocupassem da subárea fonética e fonologia, expondo e comparando as estruturas das duas línguas. No decorrer do texto a autora enfatiza as dificuldades enfrentadas no acesso aos trabalhos por ela citados, pois como anteriormente reportado, não há um alcance simples a dados de trabalhos relacionados ao tema. A partir disso Pereira demonstra em quais bases essa literatura está presente ou foi publicada e apresenta quais temas são mais presentes nas pesquisas identificadas.

Por fim, e para os objetivos do presente artigo, citamos o trabalho de Araújo e Uphoff (2019ARAÚJO, Fabiana Reis de; UPHOFF, Dörthe. Historiografia de estudos brasileiros sobre o ensino- aprendizagem de alemão como língua estrangeira. In: UPHOFF, Dörthe; LEIPNITZ, Luciane; ARANTES, Poliana Coeli Costa; PEREIRA, Rogéria Costa (Org.). Alemão em contexto universitário: ensino, pesquisa e extensão. São Paulo: Humanitas, 2019, 79-102.) que fizeram um levantamento de publicações brasileiras que tratam do ensino e aprendizagem do alemão como língua estrangeira (ALE). As autoras discutiram, por exemplo, as possibilidades de análise que um mapeamento como esse oferece, assim como também os aspectos acadêmico-curriculares do ensino da língua alemã nos cursos de Letras nas universidades brasileiras. O texto apresenta uma análise dos achados por década, de 1980 a 2010, e por temas, constatando a prevalência de conteúdos tais como interculturalidade, plurilinguismo, formação inicial de professores, literatura e questões políticas do ensino de ALE no Brasil (ARAÚJO; UPHOFF 2019ARAÚJO, Fabiana Reis de; UPHOFF, Dörthe. Historiografia de estudos brasileiros sobre o ensino- aprendizagem de alemão como língua estrangeira. In: UPHOFF, Dörthe; LEIPNITZ, Luciane; ARANTES, Poliana Coeli Costa; PEREIRA, Rogéria Costa (Org.). Alemão em contexto universitário: ensino, pesquisa e extensão. São Paulo: Humanitas, 2019, 79-102.: 85). As autoras constataram, ademais, um crescimento, a partir de 2010, das pesquisas sobre a formação de professores de alemão em cursos de Licenciatura em Letras no Brasil.

Na próxima seção, relataremos os passos tomados para a execução do mapeamento, apresentamos os critérios para a escolha do software de gerenciamento de dados bibliográficos utilizado e esclarecemos as decisões metodológicas que nortearam o levantamento.

Metodologia

A pesquisa que apresentamos no presente artigo é de natureza documental-bibliográfica, tendo suas atividades centrais voltadas para a identificação e o levantamento bibliográfico de estudos linguísticos contrastivos entre o Português e o Alemão, em fontes brasileiras e publicados em língua portuguesa. Em uma fase inicial do mapeamento, a busca foi delimitada por um período de dez anos, de 2009 a 2019. Após os primeiros achados e o domínio das ferramentas necessárias para o bom andamento da pesquisa, estendeu-se o prazo de 1970 até julho de 2019. A busca foi realizada entre agosto e dezembro de 2019 em bases de dados eletrônicas brasileiras, aquelas que encaminham a busca para outras fontes referenciais, tais como base de dados referenciais bibliográficas, que incluem citações da literatura, podendo ser acompanhadas de resumos dos documentos encontrados. No corrente mapeamento bibliográfico foram incluídos documentos da Literatura Cinzenta (tese, dissertação ou trabalhos acadêmicos) e da Literatura Branca (artigo de periódico, artigo de jornal, entre outros). A seguir, apresentamos os passos metodológicos seguidos na investigação.

Em fase inicial de planejamento e determinação das estratégias necessárias para a busca, foram realizadas leituras introdutórias acerca da construção de bancos e bases de dados na área de Ciências da Informação, passo necessário para que os procedimentos na pesquisa fossem melhor adequados àqueles tradicionalmente adotados na área. Paralelos a essas leituras, foram feitos treinamentos na modalidade online no Portal de Periódicos da CAPES, com foco nas áreas de “Linguística, Letras e Artes” e “Ciências Humanas”, nos quais foram adquiridas boas práticas para a pesquisa bibliográfica em bancos e bases de dados.

Em uma busca inicial exploratória, foram utilizados os dados disponíveis no Catálogo de Teses e Dissertações7 7 https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/#!/. Acesso em 17/08/2020. . No entanto, mudanças técnicas nessa base que a agregaram à Plataforma Sucupira impossibilitaram a gravação das referências de forma automática, tal como previsto no software de gerenciamento de dados bibliográficos. A busca realizada no Portal de Periódicos da CAPES8 8 https://www.periodicos.capes.gov.br/. Acesso em 17/08/2020. igualmente apresentou, nessa fase inicial, problemas técnicos no acesso aos dados bibliográficos e sua incorporação automática ao gerenciador ZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
https://www.zotero.org/...
. O sistema Pergamum, disponível na biblioteca da Universidade Federal do Ceará (UFC), não pôde ser utilizado no decorrer da investigação já que, em uma busca-piloto, constatou-se a ausência de publicações que contemplassem o tema da presente pesquisa. Diante das dificuldades técnicas encontradas nas bases supracitadas, ampliamos nossa busca usando a base Scielo9 9 https://scielo.org/pt. Acesso em 17/08/2020. e revistas da área de Germanística, como a Pandaemonium Germanicum, e a Contingentia e em sites das Instituições de Ensino Superior (IES). Esta última busca foi motivada pelas supracitadas mudanças no Catálogo de Teses de Dissertações que impediram a gravação automática dos dados das pesquisas encontradas. Foi decidido que, a partir das informações bibliográficas gerais disponíveis no Catálogo de Teses de Dissertações, fosse realizada busca individual em cada biblioteca digital das IES, a fim de proceder a coleta manual dos dados e a gravação no gerenciador bibliográfico.

Para as buscas foram utilizadas palavras-chaves, divididas, a partir de uma escolha metodológica, nas cinco grandes áreas clássicas da Linguística: fonética e fonologia, morfologia, semântica, sintaxe e pragmática. Além desses termos, foram usadas as seguintes palavras-chave: Língua Alemã, Alemão, Língua Portuguesa, Português, Linguística Contrastiva, Linguística. A fim de otimizar o tempo necessário para as buscas e aumentar a abrangência dos resultados, utilizamos os operadores booleanos “AND, NOT, OR”, explicitados na seção de Fundamentação Teórica. Importante ainda salientar, que o recorte realizado no presente mapeamento contemplou somente trabalhos que fizessem uso no modelo de análise contrastiva teórica (FERREIRA 2005FERREIRA, Cláudia C. La lingüística contrastiva y el proceso de enseñanza/aprendizaje de español como lengua extranjera. In: INSTITUTO CERVANTES (Org.). Actas del II Simposio Internacional José Carlos Lisboa de Didáctica del Español como Lengua Extranjera. Rio de Janeiro: Instituto Cervantes de Río de Janeiro, 2005, 159-167.: 160), sem o uso dos resultados da análise contrastiva aplicados a pesquisas que envolvam o ensino do alemão como língua estrangeira ou a tradução. Essa escolha metodológica limitou o número final de trabalhos indexados, mas resulta do fato de o mapeamento se encontrar no início de sua trajetória. Ademais tem como objetivo explorar a área e nortear o planejamento da continuidade da pesquisa, na qual serão incorporadas investigações contrastivas aplicadas.

Tal como discutido na seção de Fundamentação Teórica, a escolha de um programa computacional para o gerenciamento da grande quantidade de dados bibliográficos de uma pesquisa é fundamental para a revisão da literatura de um projeto acadêmico, pois tais programas arquivam e administram as referências utilizadas, facilitando a sua gestão (YAMAKAWA ET AL. 2014YAMAKAWA, Eduardo Kazumi; KUBOTA, Flávio Issao; BEUREN, Fernanda Hansch; SCALVENZI, Lisiane; MIGUEL, Paulo Augusto Cauchik. Comparativo dos softwares de gerenciamento de referências bibliográficas: Mendeley, Endnote e Zotero. Transinformação, v. 26, n. 2, 167-176, 2014.). Com base nesses argumentos e diante os objetivos desta pesquisa foram inicialmente considerados para a compilação dos resultados encontrados os softwaresMyendnotewebMYENDNOTEWEB: Software Gerenciador de Referências. Online: Online: https://access.clarivate.com/login?app=endnote (07/09/2020).
https://access.clarivate.com/login?app=e...
, RefworksREFWORKS: Software. Online: Online: https://www.refworks.com/refworks2/? Acesso em: 07/09/2020.
https://www.refworks.com/refworks2/?...
, MendeleyMENDELEY: Software Gerenciador de Referências. Online: Online: https://www.mendeley.com/ reference-management/reference-manager/ (07/09/2020).
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, ZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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, F1000workplaceF1000 WORKPLACE. Online: Online: https://sciwheel.com/work/?lg . (07/09/2020).
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, CitaviCITAVI: Software Gerenciador de Referências. Online: Online: https://www.citavi.com/pt (07/09/2020).
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e ReadcubeREADCUBE: Software Gerenciador de Referências. Online: Online: https://www.readcube.com/ authentication?redirect=https%3A%2F%2Fwww.readcube.com%2Faccount (07/09/2020).
https://www.readcube.com/ authentication...
. Nessa etapa de seleção, todos os programas pré-escolhidos foram comparados e analisados tendo por base os seguintes critérios avaliatórios: o custo de aquisição; a viabilidade de armazenamento em nuvem; a possibilidade de importação e exportação de dados; a versatilidade; a interface em língua portuguesa; a existência de colaboração em grupo; a viabilidade de busca de referências duplas; a disponibilização de link com o Word e a quantidade de bancos de dados existentes no Brasil.

Tendo como caráter eliminatório o fator custo de aquisição, foi feita, na etapa seguinte, uma análise mais profunda dos softwares ZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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, MendeleyMENDELEY: Software Gerenciador de Referências. Online: Online: https://www.mendeley.com/ reference-management/reference-manager/ (07/09/2020).
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, F1000workplaceF1000 WORKPLACE. Online: Online: https://sciwheel.com/work/?lg . (07/09/2020).
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e CitaviCITAVI: Software Gerenciador de Referências. Online: Online: https://www.citavi.com/pt (07/09/2020).
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. Além disso, foi realizada uma exploração breve no layout dos programas ZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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e MendeleyMENDELEY: Software Gerenciador de Referências. Online: Online: https://www.mendeley.com/ reference-management/reference-manager/ (07/09/2020).
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. Após o exame a partir dos critérios supracitados e da discussão das necessidades para nosso trabalho de levantamento bibliográfico, optou-se por um critério de desempate: a interface em português. Esse critério teve o intuito de facilitar o manuseio dos dados, eliminando-se a possibilidade de problemas terminológicos na interface. O softwareZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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foi escolhido por esse critério pois, além de não possuir custo para a sua obtenção, oferece extensões para diversos navegadores, uma versão web e uma versão para desktop. Essas duas últimas possibilidades permitem o acesso em vários computadores, bastando para tanto fazer a sincronização com o Zotero web, e, por fim, o programa oferece armazenamento gratuito de até 300MB online. Ademais, a biblioteca pode ser partilhada com os usuários do software, em uma espécie de estante pública ou privada. Vale lembrar, no entanto, que apesar do programa possuir um layout agradável e funcionar bem nas plataformas da web e do próprio programa computacional, o mesmo não acontece com o aplicativo para smartphones disponível para download no Google Play, pois em nossos testes o mesmo não se mostrou eficiente para realizar as funções mais simples por ele propostas, diferente de outros programas na mesma categoria.

Segundo Yamakawa et al. (2014YAMAKAWA, Eduardo Kazumi; KUBOTA, Flávio Issao; BEUREN, Fernanda Hansch; SCALVENZI, Lisiane; MIGUEL, Paulo Augusto Cauchik. Comparativo dos softwares de gerenciamento de referências bibliográficas: Mendeley, Endnote e Zotero. Transinformação, v. 26, n. 2, 167-176, 2014.) o ZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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é compatível com diversas bases de dados e através da extensão para web que atua pelo navegador Mozilla Firefox, por exemplo, pode-se clicar em um ícone na tela que transporta as informações diretamente para conta logada no software, criando assim uma nova referência no programa, a qual também pode ser inserida manualmente. Desta forma utilizamos as bases supracitadas, pois que se mostraram compatíveis e eficientes, na maioria das vezes, com o ZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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.

Até dezembro de 2019 foram compilados 48 dados bibliográficos de teses, artigos de periódicos, relatórios de pesquisa, manuscritos, dentre outros. Como o software possui um sistema próprio de classificação do tipo de publicação, houve uma dificuldade de classificação mais específica, como por exemplo, de trabalhos acadêmicos como tese, dissertação ou trabalho de conclusão de curso. Esse motivo nos levou a optar por adicionar notas para complementação da classificação da referência em questão. A partir da escolha dos dados bibliográficos que contemplavam a área da linguística contrastiva, foram criadas pastas de acordo com a área específica correspondente da linguística (fonética e fonologia, morfologia, sintaxe, semântica, pragmática), nas quais os textos foram categorizados manualmente, após a leitura dos resumos de todos os trabalhos.

Na próxima seção, apresentamos análise detalhada dos dados bibliográficos mapeados. É importante ressaltar que, durante as buscas, foram encontrados muitos artigos publicados em língua alemã relevantes para a área, mas, devido aos objetivos da presente pesquisa, restringimo-nos aos artigos em português, salvando os achados em língua estrangeira em uma pasta no softwareZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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para posteriores investigações.

Análise de dados e discussão dos resultados

Como anteriormente informado, discutiremos os achados do mapeamento bibliográfico, realizado até dezembro de 2019, de pesquisas que contemplem de modo contrastivo o par de línguas português e alemão. A coleta das publicações se deu em bases bibliográficas brasileiras, usando os termos de busca e as cinco grandes áreas da linguística, tal como explanado na seção Metodologia. A partir dos termos de busca, a pesquisa bibliográfica mapeou trabalhos compreendidos entre os anos de 1972 a 2019. Após a leitura dos resumos de todos os trabalhos inicialmente identificados, foram compilados no total 48 trabalhos que usavam a perspectiva da linguística contrastiva entre o Português Brasileiro e o Alemão. Os dados bibliográficos dessas pesquisas foram reunidos no softwareZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
https://www.zotero.org/...
, e incluíram documentos convencionais e não convencionais, respetivamente Literatura Branca e Literatura Cinzenta (BOTELHO; OLIVEIRA 2017BOTELHO, Rafael Guimarães; OLIVEIRA, Cristina Cruz de. Literaturas branca e cinzenta: uma revisão conceitual. Ciência da Informação, v. 44, n. 3, 501-513, 2017.), cuja distribuição se observa no Gráfico 1:

Gráfico 1
Publicações por tipo de Literatura

Como é possível depreender do Gráfico 1, a classificação das publicações entre literatura branca e literatura cinzenta apresenta um perfeito equilíbrio nos números. Dentre os 24 trabalhos identificados como literatura branca, foi listado somente um livro: “Estudos lingüísticos contrastivos em alemão e português” (BATTAGLIA; NOMURA 2008BATTAGLIA, Maria Helena V.; NOMURA, Masa. Estudos lingüísticos contrastivos em alemão e português. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2008.). Nesta obra são reunidas diversas pesquisas que contemplam a perspectiva contrastiva entre as duas línguas, das quais dois capítulos abrangem especificamente a perspectiva da linguística contrastiva teórica, objeto do mapeamento agora exposto.

A fim de melhor compreender como as publicações se distribuem entre as diferentes categorias de literatura convencional e não-convencional, apresentamos, no Gráfico 2, levantamento da quantidade de publicações identificadas por tipo.

Gráfico 2
Tipo de publicação

Observamos no Gráfico 2 que os trabalhos convencionais (literatura branca) identificados foram encontrados em sua maioria como artigos de periódicos acadêmicos, cujo primeiro estudo mapeado foi publicado em 1991 na Revista de Letras da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Além desses artigos, foram encontrados dois capítulos de livros e um livro. O expressivo número de publicações como artigos de periódicos acadêmicos pode ser explicado especialmente pela necessidade de se comunicar resultados de pesquisas através de um meio economicamente viável e rápido ao alcance de um maior público (BROFMAN 2012BROFMAN, Paulo Roberto. A Importância das Publicações Científicas. Cogitare Enfermagem, v. 17, n. 3, 419-421, 2012.: 419). Diante desses números e com o intento de esclarecermos em quais revistas acadêmicas os 21 artigos mapeados foram publicados, foi realizado levantamento desses escritos distribuindo sua quantidade por periódico, cujo resumo apresentamos na Tabela 1:

Tabela 1
Artigos de Periódico e instituições responsáveis.

Observa-se na Tabela 1 que dos 21 artigos de periódico encontrados, 16 foram publicados na Pandaemonium Germanicum, revista publicada pela Área de Alemão e pelo Programa de Pós-Graduação em Língua e Literatura Alemã da Universidade de São Paulo (USP). Os outros cinco artigos foram distribuídos nas seguintes revistas, com um artigo cada: Working Papers em Linguística (Revista da pós-graduação em Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC), Letras (Universidade Federal de Santa Maria - UFSM), Revista de Linguística (Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ), Signo (Universidade de Santa Cruz do Sul - Unisc) e Projekt (editada e publicada pela Associação Brasileira de Associações de Professores de Alemão - ABRAPA). Importante salientar que chegamos a esse resultado a partir das informações disponibilizadas nas bases de dados usadas para a busca inicial e o recorte imposto de só incluirmos trabalhos de linguística contrastiva teórica (cf. explicitado na seção Metodologia). Supomos que uma busca em outras bases assim como a inclusão de investigações que façam uso de resultados da linguística contrastiva aplicados ao ensino do alemão ou à tradução podem nos levar a encontrar trabalhos em outros periódicos acadêmicos relevantes. Acreditamos, ainda, que a quantidade expressiva de artigos de periódicos encontrados na Pandaemonium Germanicum, assim como o interesse dos pesquisadores pela publicação nesta revista, se deve ao fato do periódico compreender relevantes pesquisas voltadas à Germanística no Brasil, incluindo a Linguística Contrastiva, divulgando trabalhos de pesquisadores estrangeiros e brasileiros. Fundada em 1997, a revista foi classificada, anos mais tarde, com o Qualis no estrato A110 10 Informação disponível em http://www.revistas.usp.br/pg/about. Acesso em 19/07/2020. , nota máxima para o sistema de avaliação de periódicos do Brasil.

No que tange aos trabalhos não convencionais, foram encontrados 17 teses, dois relatórios de pesquisa, três manuscritos e duas conferências. Para uma melhor compreensão dos números de publicações classificadas como Tese, faz-se necessário esclarecer que o softwareZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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não oferta opções automáticas de classificação de trabalhos acadêmicos em Trabalho de Conclusão de Curso, Dissertação de Mestrado, Tese de Doutorado e Tese de Livre Docência. Diante dessa dificuldade, todos os trabalhos objeto do levantamento foram incluídos no item “Tese”, categoria a partir da qual foi incluída a informação extra de que tipo de trabalho de conclusão se tratava. Uma contagem manual levada a cabo pelas pesquisadoras apresentou os seguintes números detalhados: sete são dissertações de mestrado, sete teses de doutorado e três teses de livre docência. Na Tabela 2 abaixo apresentamos uma visão geral desses trabalhos acadêmicos distribuídos pela universidade na qual foram publicados. Não foram encontrados Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) ou monografias, pois as bases utilizadas nas buscas não indexam esse tipo de publicação acadêmica, que muitas vezes ficam limitadas às bases de dados de cada IES11 11 Conforme, por exemplo, a Biblioteca Digital de Trabalhos Acadêmicos da USP e a Biblioteca Digital de Monografias da Universidade Federal do Pará (UFPA). .

Tabela 2
Trabalhos classificados na Categoria “Tese” por Instituição.

Como é possível observar na Tabela 2, há uma quantidade expressiva de teses e dissertações encontradas na Universidade de São Paulo (USP), se comparada às outras universidades presentes nos dados. Outra informação que salta aos olhos é que no período pesquisado (1972 a 2019), as fontes de buscas dos dados encontrados foram exclusivamente nas Regiões Sul e Sudeste do Brasil. Conforme relatado na seção Metodologia, a coleta desses dados teve como ponto de partida o Catálogo de Teses e Dissertações, que havia passado há pouco por uma atualização que não somente impossibilitou a compilação automática dos dados bibliográficos, como pode não ter listado todos os trabalhos acadêmicos relevantes na área. Assim sendo, acreditamos que a planejada ampliação da pesquisa com buscas na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDBTD)12 12 Base de dados mantida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (ibict). Disponível em: https://bdtd.ibict.br/vufind/. Acesso em 15/12/2020. irá incluir os trabalhos por ora não encontrados online.

Para a melhor compreensão dos achados apresentados no Gráfico 2 e na Tabela 1, acreditamos ser importante também esclarecer que somente na Universidade de São Paulo se encontra um programa de pós-graduação stricto sensu em língua alemã13 13 Desde 2009, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) oferece, em seu Programa de Pós-Graduação em Letras, o Mestrado Bilateral em Alemão como Língua Estrangeira UFPR/Universität Leipzig. Informação disponível em: http://www.prppg.ufpr.br/site/ppgletras/pb/mestrado-bilateral-ufprunileipzig/. Acesso em 17/08/2020. , implementado em 1971, no qual professores como Sidney Camargo e Ruth Mayer, pioneiros do tema Linguística Contrastiva da USP, defenderam suas teses de doutoramento (FISCHER 2015FISCHER, Eliana. A trajetória do Programa de Pós-Graduação em Língua e Literatura Alemã. In: UPHOFF, Dörthe; FISCHER, Eliana Gabriela; AZENHA JUNIOR, João; PEREZ, Juliana Pasquarelli (Org.). 75 anos de alemão na USP: reflexões sobre uma germanística brasileira. São Paulo: Humanitas , 2015, 25-45.: 26). Battaglia et al. (2015BATTAGLIA, Maria Helena V.; FISCHER, Eliana; GLENK, Eva M. F.; MEIRELES, Selma M. A Dimensão Linguística nos 75 anos da Área de Alemão do DLM/FFLCH-USP. In: UPHOFF, Dörthe; FISCHER, Eliana Gabriela; AZENHA JUNIOR, João; PEREZ, Juliana Pasquarelli (Org.). 75 anos de alemão na USP: reflexões sobre uma germanística brasileira. São Paulo: Humanitas , 2015, 207-242.: 214) observam que a orientação no recém-criado programa de pós-graduação oferecida por Mayer e Camargo e, a partir de 1998, de Hardarik Blühdorn, oportunizou que outros estudos em linguística contrastiva nos pares de língua português-alemão fossem levados a cabo, o que gerou ao longo das décadas uma concentração nessa instituição desses estudos e suas ramificações. Apesar disso, encontramos dificuldades para encontrar dados bibliográficos referentes aos primeiros trabalhos, especialmente das décadas de 1970 e 1980, fato que reputamos à indisponibilidade, na base de dados virtual ou em outro serviço online da universidade, de informações bibliográficas detalhadas desses trabalhos seminais, o que pode explicar o fato do baixo número de publicações desse período, visto que ainda não existia tecnologia para abrigá-los e disponibilizá-los pela web. Acreditamos importante ressaltar também que atualmente a Universidade de São Paulo (USP) ainda é a esfera na qual há uma quantidade significativa de estudos que tenham como objeto de investigação a língua alemã.

Nosso próximo passo é esclarecer em que áreas da Linguística Contrastiva os trabalhos se encontram. Como anteriormente explicitado, os achados foram divididos nas cinco grandes áreas tradicionais da Linguística, a saber: Semântica, Sintaxe, Morfologia, Pragmática e Fonética/Fonologia, cujos números totais de pesquisas mapeadas apresentamos no Gráfico 3:

Gráfico 3
Áreas da Linguística

Como podemos observar, foram achadas 23 pesquisas na área de semântica, nove em Sintaxe, sete em Morfologia, quatro em Pragmática e três em Fonética/Fonologia. Com o intuito de melhor compreender o motivo da grande concentração de trabalhos na área de semântica, resolvemos explorar a distribuição dessas pesquisas no decorrer das décadas observadas, o que apresentamos no Gráfico 4.

Gráfico 4
Produções na área de semântica por década

Ao observarmos o Gráfico 4 constatamos que não foi possível mapear trabalhos publicados entre as décadas de 1970 e 1980. É necessário observar que nessas décadas os trabalhos ainda não eram publicados de forma online, de modo que acreditamos existir publicações relevantes na área que ainda não se encontram indexadas nas bases consultadas. Assim sendo, os primeiros, assim como a maior parte dos trabalhos na área da semântica que mapeamos, foram produzidos na década de 1990. Na década de 2000 identificamos cinco documentos e na década de 2010 foram adicionados sete trabalhos. Uma possível explicação para essa concentração dos trabalhos na área de semântica nos anos 1990 é a existência de um grupo de pesquisadores que atuaram ativamente com o tema a partir do final dessa década na USP. Dentre esses pesquisadores, podemos citar Maria Helena Battaglia, Hardarik Blühdorn e Eliana Fischer que, após produzirem alguns dos primeiros trabalhos nesse campo, disseminaram suas investigações entre orientandos e, portanto, influenciaram novos pesquisadores que, por sua vez, iniciaram seus trabalhos na mesma área (BATTAGLIA ET AL. 2015BATTAGLIA, Maria Helena V.; FISCHER, Eliana; GLENK, Eva M. F.; MEIRELES, Selma M. A Dimensão Linguística nos 75 anos da Área de Alemão do DLM/FFLCH-USP. In: UPHOFF, Dörthe; FISCHER, Eliana Gabriela; AZENHA JUNIOR, João; PEREZ, Juliana Pasquarelli (Org.). 75 anos de alemão na USP: reflexões sobre uma germanística brasileira. São Paulo: Humanitas , 2015, 207-242.). Essa constatação reafirma os achados apresentados na Tabela 1 acima, na qual foram detalhados os números de trabalhos acadêmicos por instituição de ensino superior e onde pôde ser constatada uma concentração de estudos no campo da Linguística Contrastiva Português - Alemão na USP.

Por fim, para uma compreensão de que modo o restante dos trabalhos se distribuem nas décadas englobadas em nosso mapeamento bibliográfico, apresentamos no Gráfico 5 as produções nas áreas de morfologia, sintaxe, pragmática e fonética/fonologia distribuídas por década de publicação.

Gráfico 5
Produções nas áreas da linguística por década

Ao analisarmos a quantidade de produções por década nos dados compilados no ZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
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encontramos três trabalhos na década de 1970, referindo-se a duas teses nas áreas de Fonética e Fonologia e uma dissertação em Sintaxe, sendo estes alguns dos primeiros trabalhos da recém-criada pós-graduação em língua alemã da USP (cf. FISCHER 2015FISCHER, Eliana. A trajetória do Programa de Pós-Graduação em Língua e Literatura Alemã. In: UPHOFF, Dörthe; FISCHER, Eliana Gabriela; AZENHA JUNIOR, João; PEREZ, Juliana Pasquarelli (Org.). 75 anos de alemão na USP: reflexões sobre uma germanística brasileira. São Paulo: Humanitas , 2015, 25-45.; BATTAGLIA ET AL. 2015BATTAGLIA, Maria Helena V.; FISCHER, Eliana; GLENK, Eva M. F.; MEIRELES, Selma M. A Dimensão Linguística nos 75 anos da Área de Alemão do DLM/FFLCH-USP. In: UPHOFF, Dörthe; FISCHER, Eliana Gabriela; AZENHA JUNIOR, João; PEREZ, Juliana Pasquarelli (Org.). 75 anos de alemão na USP: reflexões sobre uma germanística brasileira. São Paulo: Humanitas , 2015, 207-242.). Na década de 1980 somente uma produção foi encontrada, uma tese de doutorado na área de Pragmática, também defendida na USP. É importante advertir que trabalhos publicados até essa década podem não estar presentes nas bases pesquisadas, causando possíveis desvios nos números finais.

Cerca de um terço dos 25 trabalhos aqui elencados foi publicado na década de 1990, sendo quatro na área de Morfologia (uma tese, dois artigos em periódico e um relatório de iniciação científica) e quatro em Sintaxe (uma dissertação, um manuscrito, um artigo em periódico e um relatório de iniciação científica). Na década de 2000, foram mapeados sete trabalhos, assim distribuídos: dois artigos em periódicos, respectivamente em Fonética/Fonologia e em Morfologia; uma dissertação e um artigo em periódico na área de Pragmática e quatro trabalhos que tratam de Sintaxe, sendo 1 dissertação e três artigos em periódico. Por fim, de 2010 até julho de 2019, foram anexados três artigos em periódicos na área de Morfologia, uma tese de livre-docência em Pragmática e uma dissertação e um artigo em periódico em Sintaxe, totalizando seis produções.

Os dados aqui relatados demonstram que a Universidade de São Paulo (USP) é, desde a fundação do curso de letras Anglo-Germânicas na década de 1940 do século passado, o âmbito de maior produção de pesquisas que envolvam a língua alemã. É também nela que, a partir dos anos 1970, se deu início aos estudos em linguística contrastiva com os pares de língua português e alemão (BATTAGLIA ET AL. 2015BATTAGLIA, Maria Helena V.; FISCHER, Eliana; GLENK, Eva M. F.; MEIRELES, Selma M. A Dimensão Linguística nos 75 anos da Área de Alemão do DLM/FFLCH-USP. In: UPHOFF, Dörthe; FISCHER, Eliana Gabriela; AZENHA JUNIOR, João; PEREZ, Juliana Pasquarelli (Org.). 75 anos de alemão na USP: reflexões sobre uma germanística brasileira. São Paulo: Humanitas , 2015, 207-242.: 214). Os resultados apontam, ainda, um incremento de pesquisas e a publicação dos seus resultados a partir da década de 1990, fato em parte resultante do esforço de docentes e pesquisadores da instituição em implementar e manter grupos de pesquisas que se ocupassem do tema linguística contrastiva português/alemão, assim como, por exemplo, a consolidação de pesquisas envolvendo o alemão como língua estrangeira no Brasil (ARAÚJO; UPHOFF 2019ARAÚJO, Fabiana Reis de; UPHOFF, Dörthe. Historiografia de estudos brasileiros sobre o ensino- aprendizagem de alemão como língua estrangeira. In: UPHOFF, Dörthe; LEIPNITZ, Luciane; ARANTES, Poliana Coeli Costa; PEREIRA, Rogéria Costa (Org.). Alemão em contexto universitário: ensino, pesquisa e extensão. São Paulo: Humanitas, 2019, 79-102.).

Por fim, disponibilizamos os dados bibliográficos mapeados e cujos números aqui discutimos para a utilização de discentes, pesquisadores e docentes da área de Germanística. Nosso intuito é que esses dados sejam disseminados entre os interessados, para que possam dar suporte a outras pesquisas nesse ramo, favorecendo o intercâmbio e promovendo a consolidação da área. O acesso aos dados é realizado através do ZoteroZOTERO: Software Gerenciador de Referências. Versão 5.0.84 [S.l.]. Online: Online: https://www.zotero.org/ (07/09/2020).
https://www.zotero.org/...
web, por meio do site <https://www.zotero.org/>. Nesse endereço basta que os interessados procurem o grupo “LingContraPA” (no link “Groups”) e logo terão acesso aos 48 dados bibliográficos dos trabalhos mapeados.

Conclusão

O presente artigo relatou projeto de Iniciação Científica (PIBIC) realizado entre agosto e dezembro de 2019, na Universidade Federal do Ceará, que teve como objetivo fazer um mapeamento de pesquisas na área da linguística contrastiva, envolvendo os pares de língua Português do Brasil e Alemão. Foram identificadas 48 publicações, classificadas entre as literaturas Branca e Cinzenta. Dentre todos os tipos de produções, a categoria mais numerosa foi a de artigos de periódicos, majoritariamente publicados na revista Pandaemonium Germanicum, ligada ao Programa de Pós-Graduação em Língua e Literatura Alemã da Universidade de São Paulo (USP). Também na USP foi encontrada a maior parte de trabalhos monográficos acadêmicos exigidos para obtenção de graus de conclusão de curso, tais como teses e dissertações, fato explicado pela existência do único programa de pós-graduação stricto sensu em língua e literatura alemã no Brasil nessa instituição. A partir dos anos 1990, observou-se um aumento do número de publicações, tendência igualmente constatada por Araújo e Uphoff (2019ARAÚJO, Fabiana Reis de; UPHOFF, Dörthe. Historiografia de estudos brasileiros sobre o ensino- aprendizagem de alemão como língua estrangeira. In: UPHOFF, Dörthe; LEIPNITZ, Luciane; ARANTES, Poliana Coeli Costa; PEREIRA, Rogéria Costa (Org.). Alemão em contexto universitário: ensino, pesquisa e extensão. São Paulo: Humanitas, 2019, 79-102.: 84), assim como um expressivo número de investigações na área de semântica.

O presente mapeamento não se propõe exaustivo e apresenta diversos limites. Não foram, por exemplo, realizadas buscas em cadernos de resumos ou anais de congresso da área, onde normalmente se pode encontrar informações de pesquisas em andamento, assim como dados de pesquisadores. Do mesmo modo, não foram consideradas publicações que façam uso da linguística contrastiva para pesquisas aplicadas, por exemplo, à tradução ou ao ensino do alemão como língua estrangeira. Além dessas limitações, não foram levantadas eventuais pesquisas sobre linguística contrastiva Alemão/Português realizadas antes dos anos 1970, devido à, por exemplo, dificuldade no processo de busca online desses trabalhos.

Com a continuidade do projeto, a expectativa é que o mapeamento seja ampliado e acrescido de informações acerca de pesquisas em áreas não incorporadas até dezembro de 2019. Do mesmo modo, faz-se necessário estender o levantamento com dados bibliográficos disponíveis em bases europeias, seja em Portugal ou em países de língua alemã.

Por fim, esperamos que os dados aqui levantados possam contribuir não somente para a colaboração entre docentes e pesquisadores da área de Germanística, mas também promova a disciplina em pesquisas voltadas para áreas afins, tais como a linguística contrastiva aplicada ao ensino do alemão como língua estrangeira e à tradução da língua alemã.

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Softwares citados

  • A presente pesquisa foi realizada com apoio parcial da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP).

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    13 Ago 2021
  • Data do Fascículo
    Sep-Dec 2021

Histórico

  • Recebido
    30 Set 2020
  • Aceito
    16 Jan 2021
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