A gente parece um camaleão: (re)construções identitárias em um grupo de estudantes cabo-verdianos no Rio de Janeiro

We look like chameleons: identity (re)constructions in a group of Cape Verdean students in RJ

O artigo baseia-se em pesquisa realizada com estudantes provenientes do arquipélago de Cabo Verde, localizado na costa Ocidental da África, que se instalaram no Rio de Janeiro com o objetivo de obter uma formação de nível superior. A investigação, que resultou em uma dissertação de mestrado, busca compreender os processos de (re)construção identitária vividos por esses jovens, muitos dos quais identificados como negros e africanos pelos brasileiros. Com vistas a contextualizar o impacto desse olhar externo sobre esses estudantes, o artigo apresenta a forma como, ao longo da história, a elite intelectual do arquipélago construiu um discurso que atribui à mestiçagem a especificidade da identidade nacional. Ainda que influenciado pelas idéias de Gilberto Freyre, tal discurso, no entanto, visava a um distanciamento da herança negra estigmatizada, diferentemente da proposta de Freyre de valorização dos não-brancos. Levando em conta esse histórico, a investigação aponta como o contato com a sociedade brasileira atual, possibilitado pela experiência de estudo, favoreceu a construção de um olhar mais crítico em relação a esse discurso, ao mesmo tempo que houve uma ênfase na valorização de uma identidade afro-referenciada. Tal processo, entre outros motivos, aparentemente encontra relação com a implementação de políticas de identidade no Rio de Janeiro, estado que abriga a primeira universidade do país a adotar reserva de vagas para negros.

estudantes; cabo-verdianos; identidades; deslocamentos; etnicidade


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