Open-access Entre a permanência e a propensão à evasão: mapeando perfis de estudantes do Prouni durante a pandemia de Covid-19

Entre la permanencia y la propensión a la deserción: mapeo de perfiles de estudiantes del Prouni durante la pandemia de Covid-19

Resumo

Este artigo analisa os perfis de estudantes bolsistas do Prouni ingressantes entre 2018 e 2021 em uma universidade comunitária do interior paulista, com foco na percepção subjetiva de propensão à evasão ou adiamento do curso no contexto da pandemia de Covid-19. Com base em survey aplicado a 219 estudantes, realizou-se uma Análise de Correspondência Múltipla seguida de uma Análise Hierárquica de Cluster, a fim de identificar perfis segundo características sociodemográficas, atitudinais e acadêmicas. A análise revelou três grupos: (1) ingressantes mais velhos pré-pandemia; (2) trabalhadores pragmáticos de cursos noturnos; e (3) mulheres jovens ingressantes na pandemia. Os resultados reforçam a necessidade de políticas de permanência sensíveis à diversidade de perfis e desigualdades enfrentadas por estudantes no setor privado.

Palavras-chave
ensino superior; Brasil; estudantes; aspectos sociais; bolsas de estudo; política governamental; programas de assistência; pandemia Covid-19; 2020

Abstract

This article analyzes the profiles of Prouni scholarship students who entered a community university in the interior of the state of São Paulo between 2018 and 2021, focusing on their subjective perception of propensity to drop out or postpone their studies in the context of the Covid-19 pandemic. Based on a survey administered to 219 students, a Multiple Correspondence Analysis was conducted, followed by a Hierarchical Cluster Analysis, in order to identify profiles according to sociodemographic, attitudinal, and academic characteristics. The analysis revealed three groups: (1) older pre-pandemic entrants; (2) pragmatic working students enrolled in evening courses; and (3) young women who entered during the pandemic. The results reinforce the need for retention policies that are sensitive to the diversity of profiles and inequalities faced by students in the private sector.

Keywords
higher education; Brazil; students; social aspects; scholarships; government policy; student assistance programs; Covid-19 pandemic; 2020

Resumen

Este artículo analiza los perfiles de estudiantes becarios del Prouni que ingresaron entre 2018 y 2021 en una universidad comunitaria del interior del estado de São Paulo, con énfasis en la percepción subjetiva de propensión a la deserción o al aplazamiento de los estudios en el contexto de la pandemia de Covid-19. Con base en una encuesta aplicada a 219 estudiantes, se realizó un Análisis de Correspondencias Múltiples, seguido de un Análisis Jerárquico de Conglomerados, con el fin de identificar perfiles según características sociodemográficas, actitudinales y académicas. El análisis reveló tres grupos: (1) ingresantes de mayor edad antes de la pandemia; (2) estudiantes trabajadores pragmáticos matriculados en cursos nocturnos; y (3) mujeres jóvenes ingresantes durante la pandemia. Los resultados refuerzan la necesidad de políticas de permanencia sensibles a la diversidad de perfiles y a las desigualdades enfrentadas por los estudiantes del sector privado.

Palabras clave
educación superior; Brasil; estudiantes; aspectos sociales; becas de estudio; política gubernamental; programas de asistencia estudiantil; pandemia de Covid-19; 2020

Introdução

A expansão dos sistemas de educação superior em diferentes regiões do mundo tem sido acompanhada por desafios e demandas de atendimento a uma população estudantil cada vez mais diversa. Dentre esses desafios, destaca-se a desistência ou evasão do curso, que afeta sobretudo grupos sociais desfavorecidos, tensionando os sistemas educacionais quanto à sua capacidade de garantir oportunidades equitativas de permanência e conclusão (Aina et al., 2022). Em países membros ou parceiros da OCDE, a parcela de estudantes que não conclui cursos de bacharelado ou equivalentes em até três anos após o tempo previsto varia entre menos de 20% em países como Reino Unido, Suíça e Irlanda, e mais de 40% no Brasil, Chile, Itália e Estônia (Aina et al., 2022). No Brasil, assim como em outros países sul-americanos, a evasão da graduação constitui um dos principais temas da agenda pública sobre educação superior, e não à toa: em 2023, cerca de seis em cada dez estudantes de graduação ingressantes em 2014 haviam desistido do curso antes de terminá-lo, percentual que cresceu durante a pandemia. No entanto, apesar dos avanços na literatura acadêmica e na política pública de educação superior, ainda há um amplo espaço para avançar no entendimento dos fatores em jogo na evasão dos cursos, particularmente nas instituições privadas1, que concentram a maioria das matrículas no país.

Em que pesem as evidências apontando para uma “expansão inclusiva” do acesso ao sistema brasileiro desde meados da década de 2000 (Salata, 2018; Carvalhaes & Ribeiro, 2019; Mello, 2022; Senkevics, 2021), a permanência e a conclusão de cursos de graduação seguem marcadamente desiguais entre diferentes grupos sociais, áreas do conhecimento e tipos institucionais (Carvalhaes & Ribeiro, 2019; Knop & Collares, 2019). A literatura nacional e internacional tem ressaltado a multidimensionalidade da evasão, incluindo diferentes mecanismos explicativos que abrangem fatores acadêmicos, socioeconômicos, subjetivos, culturais e institucionais que atravessam a experiência estudantil (Aina et al., 2022; Pinheiro, Ribeiro & Fernandes, 2023; Borges, Gouvêa & Barbosa, 2023; Heringer, 2023). Nesse contexto, ganham relevância – tanto no nível macro (sistêmico) quanto no nível meso (institucional) – as políticas públicas de permanência, assistência e financiamento estudantis que buscam mitigar os efeitos das desigualdades estruturais sobre o percurso acadêmico.

Embora o Censo da Educação Superior de 2024 (Inep, 2025) indique que quase 80% das matrículas de graduação estejam concentradas no segmento privado, a maior parte das pesquisas sobre permanência e evasão tem se voltado ao segmento público (Santos Junior & Real, 2019; Honorato & Borges, 2023; Heringer, 2023), com ênfase no Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) e na política de cotas. Enquanto este último articula políticas voltadas tanto à inclusão quanto à permanência, o segmento privado tem se limitado a políticas focadas na ampliação do acesso, como o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), carecendo de mecanismos estruturados de apoio à continuidade dos estudos (Pires, Ribeiro & Prinhorato, 2023). Essa lacuna na literatura nacional sobre evasão é particularmente relevante, considerando que se trata do segmento que: (1) concentra a maioria das matrículas e ingressos, sendo o principal responsável pela expansão recente do sistema; (2) constitui o subsistema de maior heterogeneidade institucional, segundo distintas métricas de classificação (Vieira, Rodrigues & Barbosa, 2025); e (3) abriga o maior contingente – absoluto e proporcional – de estudantes-trabalhadores, especialmente mulheres e indivíduos em desvantagem socioeconômica.

Para além da relevância de se investigar a permanência e a evasão discente no setor privado da educação superior, torna-se fundamental compreender de que maneira a trajetória acadêmica dos estudantes foi afetada pelo choque exógeno representado pela pandemia de Covid-19. A crise sanitária e humanitária provocada pela pandemia afetou sistemicamente o funcionamento da educação superior em escala global e, consequentemente, todos os fatores tradicionalmente associados ao sucesso acadêmico e à continuidade dos estudos. Diante da adoção de diferentes estratégias institucionais em resposta ao isolamento social, a literatura tem se debruçado sobre os efeitos das variadas formas de ensino remoto adotadas nesse período sobre resultados como integração acadêmica e social, desempenho escolar e evasão (Iglesias-Pradas et al., 2021; Resch, Alnahdi & Schwab, 2023; Sampaio, Pires & Carneiro, 2022). No Brasil, a primeira fase de enfrentamento da pandemia foi caracterizada pela adoção, sobretudo pelas instituições privadas, do ensino e avaliação remotos (Castioni et al., 2021). No entanto, apesar da centralidade dessas transformações para a experiência estudantil, ainda são escassos os estudos que investigam como o ensino remoto se relacionou com a trajetória dos estudantes de graduação, especialmente aqueles beneficiários de políticas de inclusão voltadas para este segmento (Prinhorato, 2024).

Por meio de um estudo de caso em uma universidade comunitária no interior do estado de São Paulo, este trabalho investiga se, dentre os bolsistas que permaneceram em seus cursos durante o ensino remoto, existem grupos com diferentes graus de propensão percebida à evasão ou adiamento do curso, de acordo com características sociodemográficas, atitudinais e acadêmicas.

Os dados analisados provêm de uma amostra de 219 estudantes, obtida por meio de survey online aplicado aos bolsistas do Prouni que ingressaram entre 2018 e 2021 e estavam regularmente matriculados em 2022. A análise foi conduzida em duas etapas: inicialmente, aplicou-se a Análise de Correspondência Múltipla (ACM), com o objetivo de identificar estruturas latentes nas relações entre as variáveis. Em seguida, utilizou-se a Análise Hierárquica de Cluster (AHC) para delimitar perfis de estudantes a partir dessas estruturas.

Além desta introdução, este artigo é estruturado em quatro seções. Na primeira, discutimos questões relacionadas à trajetória discente, com ênfase na sua relação com políticas de acesso, como o Prouni, e o contexto da pandemia. Na segunda, tratamos sobre o método e os procedimentos da investigação, em que estabelecemos as dimensões da análise e delineamos os grupos. Na sequência, analisamos os principais resultados e, por fim, tecemos algumas considerações finais.

Trajetória dos estudantes na graduação, fatores institucionais e o contexto da pandemia de Covid-19

Embora suas raízes repousem no último quartel do Século XX, notadamente com as teorias de integração de Vincent Tinto (1975) e da afiliação de Alain Coulon (1980), o debate sobre a permanência estudantil ganhou contornos específicos no cenário de expansão e diversificação da educação superior brasileira a partir dos anos 2000, conforme apontam Pinheiro, Ribeiro e Fernandes (2023). Nesse contexto, políticas públicas como a Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, conhecida como Lei de Cotas, foram decisivas para ampliar a visibilidade desta temática no Brasil (Heringer, 2023).

Revisões sistemáticas da produção acadêmica brasileira mapeiam a evolução das pesquisas nesse campo. Trabalhos como os de Lima e Zago (2018) e Santos Junior e Real (2019) demonstram um aumento significativo no volume de teses e dissertações na década de 2010 em comparação com a década anterior, com predominância de estudos voltados às instituições públicas. Além disso, Lima e Zago (2018) também delineiam o perfil recorrente do estudante mais suscetível à evasão, marcado por baixo capital econômico e cultural, gênero feminino e inserção em cursos noturnos ou a distância. Honorato e Borges (2023) revelam um viés temático na produção acadêmica nacional, com a predominância de estudos focados nas associações entre marcadores sociais e taxas de abandono, deixando em segundo plano dimensões pedagógicas e institucionais cruciais, como a flexibilização curricular e o apoio didático, além de não abordarem o uso das avaliações (internas e externas) como ferramenta de planejamento de políticas de permanência.

Para além do mapeamento da produção, a própria delimitação conceitual de “permanência” constitui um eixo central do debate, influenciando diretamente o escopo das pesquisas na área. Nesse sentido, destaca-se a definição proposta por Vargas e Heringer (2016), que diferencia permanência estudantil de assistência estudantil: a primeira tem uma abordagem ampla e universal, que engloba todos os estudantes, e inclui ações como iniciação científica, monitoria, acompanhamento pedagógico, emocional e participação em eventos. A segunda é compreendida como um subconjunto da primeira, de caráter focalizado em necessidades como moradia, alimentação e transporte para grupos específicos. Essa definição é análoga à perspectiva adotada pelo Censo da Educação Superior, que classifica as ações em “apoio social” (correspondente à assistência) e “atividades extracurriculares” (associadas à permanência) (Heringer, 2023).

Essa distinção conceitual torna-se particularmente importante ao analisar as trajetórias discentes no setor privado, especialmente no que se refere às políticas de acesso, como o Prouni. Criado pela Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, o Prouni oferece bolsas de estudo em cursos de graduação a partir de critérios socioeconômicos: até 1,5 salários-mínimos para bolsas integrais e até 3 salários-mínimos para bolsas parciais, além de adotar ações afirmativas para pessoas com deficiência e autodeclaradas pretas, pardas ou indígenas. Financiado por meio de renúncia fiscal, o programa beneficiou quase três milhões de pessoas até 2020, passando por uma fase de expansão (2005-2015) e outra de retração (2016-2020). Essas fases, conforme aponta Oliveira (2019), refletem a conjuntura econômica do país, uma lógica que se tornou ainda mais evidente durante a pandemia de Covid-19, quando a concessão de bolsas regrediu a patamares de 2011.

O Prouni tem sido objeto de uma ampla produção acadêmica que, segundo Pires e Ribeiro (2020), pode ser sistematizada em quatro eixos: (1) o desenho do programa; (2) o perfil dos ingressantes; (3) a permanência; e (4) egressos. Em seus primeiros anos de existência, o programa foi, de modo geral, alvo de críticas em relação à mercantilização da educação e à transferência de recursos públicos para instituições privadas (Catani, Hey & Gilioli, 2006; Carvalho, 2006). Com seu amadurecimento, as pesquisas passaram a reconhecer seu papel na inclusão de grupos historicamente excluídos (Carvalho, 2011; Mello Neto, Medeiros & Catani, 2019) e a explorar os desafios objetivos (como a necessidade de conciliar estudo e trabalho) e subjetivos (como a discriminação) enfrentados pelos bolsistas em suas trajetórias (Pires & Ribeiro, 2020).

Apesar do sucesso do Prouni como política de inclusão, a literatura é consensual em apontar suas fragilidades quanto à permanência dos bolsistas. Pires, Ribeiro e Prinhorato (2023) reforçam isso ao comparar iniciativas de permanência destinadas aos bolsistas do Prouni em universidades privadas com e sem fins lucrativos, revelando desigualdades significativas no acesso a apoios sociais e atividades extracurriculares. Dos 212.322 bolsistas em 2019, apenas 10.664 (5,02%) se beneficiaram de algum tipo de apoio social. As universidades sem fins lucrativos oferecem maior suporte, com cerca de 10% dos bolsistas integrais recebendo algum tipo de apoio, em comparação com apenas 0,4% nas universidades com fins lucrativos. Situação similar foi observada em relação à participação em atividades extracurriculares, com 45,3% dos bolsistas integrais em instituições sem fins lucrativos envolvidos nessas atividades, contra 10,4% em instituições com fins lucrativos.

A pandemia de Covid-19 reconfigurou os desafios relacionados à permanência estudantil em escala global. A literatura rapidamente apontou para o agravamento de questões como a exclusão digital e a saúde mental dos estudantes (Sampaio, Pires & Carneiro, 2022). Estudo de Freires et al. (2023) identificou estressores específicos associados à abrupta transição para o ensino remoto – como as dificuldades pedagógicas e de aprendizado –, que afetaram majoritariamente os estudantes que mantiveram suas atividades remotamente, perfil predominante no setor privado. Dessa forma, considera-se que a combinação das dificuldades já relatadas na literatura sobre os bolsistas do Prouni com os estressores decorrentes da pandemia pode ter influenciado a percepção da propensão à evasão ou adiamento do curso desse grupo específico de estudantes.

Métodos e procedimentos da pesquisa

Os dados analisados neste estudo provêm de um survey de corte transversal aplicado a uma população de 1.227 bolsistas do Prouni, ingressantes entre 2018 e 2021 e regularmente matriculados no ano de 2022 em uma universidade comunitária localizada no interior do estado de São Paulo. De acordo com o Censo da Educação Superior 2024 (Inep, 2025a), o corpo discente da instituição analisada é predominantemente jovem, com metade dos estudantes tendo até 21 anos e idade média de 23 anos. Predominam mulheres (61,2%) e estudantes brancos (79%). Por ser uma universidade com cobrança de mensalidades, observa-se forte dependência de auxílios financeiros por parte dos estudantes: em 2023, quase dois terços (62,6%) dos alunos matriculados recebiam bolsas ou financiamentos. Entre eles, pouco mais de um quarto era beneficiário do Prouni (28,2%) (Inep, 2025b). Entre 2005 e 2022, foram concedidas 5.836 bolsas integrais por meio do programa, das quais a ampla maioria (91,8%) foi destinada a estudantes oriundos da região metropolitana local. A partir de 2020, a pandemia de Covid-19 impôs uma transição emergencial para o ensino remoto, que trouxe barreiras adicionais à permanência estudantil, especialmente entre os bolsistas. Além disso, dados internos da instituição revelam que, em 2021, houve queda expressiva (57,5%) no número de bolsas concedidas em comparação com o ano anterior.

A coleta dos dados ocorreu entre 4 de novembro de 2022 e 10 de janeiro de 2023 por meio de um formulário online com 47 questões, distribuídas em três seções temáticas: (1) informações pessoais e familiares; (2) trajetória acadêmica e ingresso; e (3) experiência com o ensino remoto e perspectivas futuras. As duas primeiras seções foram adaptadas do questionário socioeconômico do Enade 2021, enquanto a terceira foi elaborada com base na literatura sobre permanência estudantil. O contato com os estudantes foi estabelecido via correio eletrônico, cujas informações foram concedidas pelo setor de assistência social da instituição, mediante aprovação do projeto de pesquisa no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), sob o parecer nº 5.702.898.

A aplicação do survey resultou em 219 respostas (17,8% da população-alvo). O tratamento da base de dados – conduzido, assim como a análise, no software RStudio (versão 2025.05.1+513) – implicou na seleção de 28 variáveis (listadas nas Tabelas 2 e 3), e de 217 respondentes, após a exclusão de dois casos com valores ausentes em variáveis específicas. Para garantir critérios mínimos de representatividade, a coleta foi controlada de modo que a composição da amostra se aproximasse à da população de referência em sete variáveis-chave: idade, sexo, cor/raça, região, turno, período de ingresso e área de curso. A distribuição dessas variáveis é apresentada na Tabela 1.

Tabela 1
Comparação da Distribuição da População e da Amostra dos Estudantes Ingressantes Entre 2018 e 2021

Estratégia analítica

Nossa abordagem não tem como objetivo explicar a evasão com base em dados sobre desligamentos efetivos dos cursos ou por meio de modelos estatísticos preditivos, mas sim de identificar, entre os bolsistas que permaneceram matriculados durante o ensino remoto, perfis de estudantes com características sociodemográficas, acadêmicas e atitudinais associadas a diferentes níveis percebidos (autorrelatados) de propensão à evasão ou adiamento do curso. Para tanto, utilizamos a questão “Você pensou em desistir ou adiar do curso por causa do ensino remoto?”, com respostas “Sim, pensou em desistir ou adiar” e “Não pensou em desistir ou adiar”, para construir uma variável de propensão percebida à evasão ou adiamento da trajetória acadêmica. Trata-se, portanto, de um modelo exploratório. Embora esta dimensão subjetiva de percepção não corresponda diretamente à evasão concretizada, temos razões para acreditar que ela expressa tensões que incidem sobre a trajetória dos estudantes em contextos de crise e descontinuidade institucional. Isso posto, nossa estratégia foi dividida em duas etapas.

Na primeira, para analisar estruturas latentes de relações entre as variáveis dos nossos dados, utilizamos a Análise de Correspondência Múltipla (ACM). Na segunda, para identificar perfis de estudantes bolsistas do Prouni a partir dessas estruturas latentes, utilizamos Análise Hierárquica de Cluster (AHC).

Por meio da visualização de agrupamentos de categorias sociais em um espaço geométrico bidimensional, a ACM permite representar um espaço social relacional de diferenciação, no qual categorias correlacionadas tendem a se posicionar próximas no mapa gerado, enquanto categorias dissemelhantes aparecem mais distantes entre si (Le Roux & Rouanet, 2010; Husson & Josse, 2014). Além da estimação do espaço social, a técnica abre a possibilidade de analisar os chamados fatores estruturantes das oposições e afinidades encontradas, por meio da sobreposição de categorias adicionais de variáveis que não participam da construção do espaço. Em termos técnicos, as variáveis utilizadas para compor o espaço são denominadas variáveis ativas, enquanto aquelas adicionadas posteriormente, apenas para fins de interpretação, são chamadas de variáveis suplementares.

Na ACM, a matriz formada pelas variáveis ativas é convertida em uma matriz indicadora binária, na qual as categorias originais são transformadas em variáveis separadas (com valores 1 e 0), permitindo a aplicação da decomposição em componentes principais. Essa decomposição resulta em um conjunto de autovalores (denominados variância na seção de resultados) e os respectivos autovetores (denominados eixos ou dimensões). Os autovalores representam variáveis quantitativas sintéticas que resumem as variáveis categóricas (Husson & Josse, 2014). Para interpretá-los, calcula-se a contribuição de cada categoria para cada autovalor. As distâncias qui-quadrado entre categorias ativas são interpretadas como distâncias euclidianas e representadas no espaço geométrico formado pelos autovetores. Ao permitir selecionar combinações características que retêm o máximo de informação possível, geralmente por meio de duas ou três dimensões, a ACM funciona como um método de redução de dimensionalidade (Bertoncelo, 2022).

Neste estudo, consideramos ativas as variáveis relacionadas às características sociais, acadêmicas e atitudinais dos estudantes, totalizando 14 variáveis e 34 categorias, conforme detalhado na Tabela 2.

Tabela 2
Variáveis ativas: características sociais, acadêmicas e atitudinais

No grupo das variáveis suplementares foram incluídas aquelas relacionadas às dificuldades de permanência enfrentadas pelos estudantes na universidade durante a pandemia e as áreas dos cursos de graduação, totalizando 14 variáveis e 33 categorias. As áreas dos cursos foram construídas com base na Classificação Internacional Normalizada da Educação Adaptada para Cursos de Graduação (Cine Brasil), conforme mostra o Apêndice A. As distribuições das frequências são detalhadas na Tabela 3.

Tabela 3
Variáveis suplementares: dificuldades de permanência e áreas dos cursos de graduação

A distinção entre os conjuntos de variáveis seguiu um duplo critério, conceitual e técnico. As variáveis ativas foram definidas como aquelas que representam as condições objetivas e atitudinais dos estudantes (isto é, perfil social, acadêmico e de trajetória), estruturando o espaço relacional. Por sua vez, as variáveis suplementares, que incluem as dificuldades enfrentadas durante a pandemia e as áreas de curso, foram selecionadas para qualificar e interpretar esse espaço. A inclusão da variável “área do curso” neste segundo grupo, em particular, atendeu a um requisito técnico da ACM: garantir o equilíbrio na estrutura de dados, evitando que variáveis com muitas categorias influenciassem desproporcionalmente a construção das dimensões.

Na segunda etapa da análise, as coordenadas fatoriais dos indivíduos da amostra estimadas pela ACM foram utilizadas na AHC. Essa abordagem visa identificar subgrupos (clusters) que sejam internamente homogêneos e externamente heterogêneos. Para isso, a matriz de distâncias foi construída com base na métrica euclidiana e aplicou-se o método de aglomeração de Ward, conforme recomenda Bertoncelo (2022), que busca minimizar a variância intra-grupo a cada passo da iteração.

A definição do número ideal de grupos fundamentou-se em uma análise dos indicadores de qualidade da partição (Bertoncelo, 2022). A partição em três grupos revelou-se a mais adequada (Apêndices B1 e B2), pois apresentou um ganho substancial na explicação da variância em comparação com a divisão em dois grupos e perda significativa em comparação com divisões superiores a três grupos.

Resultados: dimensões de diferenciação e perfis dos estudantes

Os resultados da ACM revelaram duas dimensões principais de diferenciação, que juntas explicam 50,1% da variância dos dados. A seguir, cada uma delas será detalhada.

Dimensão 1 (horizontal): orientação vocacional versus orientação instrumental

A primeira dimensão, responsável por 32,9% da variância total, expressa, no eixo horizontal, a oposição entre dois perfis de estudantes, como ilustrado na Figura 1. No polo esquerdo, agrupam-se as categorias que indicam uma trajetória mais instrumental: estudantes com mais de 25 anos, do sexo masculino, que trabalham e possuem renda e são motivados por retornos financeiros e profissionais. Projetam-se neste mesmo polo os cursos daquelas áreas com formação mais claramente voltada para o mercado de trabalho, como Negócios, Engenharias e Computação, bem como o cansaço resultante da sobrecarga laboral como a principal dificuldade enfrentada pelos estudantes durante a pandemia. Em oposição, no polo direito, encontram-se categorias que apontam para uma trajetória vocacional, tais como: ausência de trabalho ou renda, cursos de licenciatura e a vocação como motivo de escolha da graduação. Também observamos a associação entre essas características acadêmicas e socioeconômicas e o enfrentamento de múltiplas dificuldades durante a pandemia, incluindo as de ordem pedagógica, psicológica, de alimentação e de acesso às plataformas digitais.

Figura 1
Orientação Instrumental versus Orientação Vocacional

Dimensão 2 (vertical): trajetórias interrompidas versus trajetórias lineares

A segunda dimensão, representada no eixo vertical da Figura 2, explica 17,2% da variância total. Esta dimensão evidencia desigualdades educacionais relacionadas às origens sociais e às trajetórias formativas dos estudantes. No polo superior do espaço, observam-se categorias associadas a maior vulnerabilidade social, caracterizado por estudantes com 25 anos ou mais, negros, filhos de pais com baixa escolaridade e com ingresso anterior à pandemia. A interpretação é reforçada pela maior fragilidade material, expressa em dificuldades de alimentação, condições financeiras e acesso a materiais de estudo. Em contrapartida, no polo inferior, encontram-se categorias associadas a maior continuidade educacional: estudantes mais jovens, ingressantes durante a pandemia, com melhores condições de acesso digital e ausência de dificuldades reportadas. Esse posicionamento sugere uma transição mais linear e com menos barreiras entre a educação básica e superior.

Figura 2
Trajetórias Lineares versus Trajetórias Interrompidas

Perfis de estudantes beneficiários do Prouni: análise de clusters

Com as dimensões definidas pela ACM, é possível projetar os agrupamentos no plano fatorial e observar sua distribuição no espaço relacional. As dimensões empregadas são as mesmas previamente discutidas e os quadrantes resultam da intersecção entre os dois eixos. A partição identificada pela análise foi composta por três grupos de estudantes, cuja distribuição no espaço fatorial revela padrões distintos de posicionamento social e acadêmico. Com base na configuração observada nesse espaço e na proximidade das categorias em cada quadrante, propomos três categorias analíticas para descrever os padrões relacionais identificados: resiliência, pragmatismo e vocação, sendo esta última distinguida entre as formas amparada e vulnerável. A Figura 3 ilustra essa disposição e sugere aproximações interpretativas entre os agrupamentos e os quadrantes definidos. Para assegurar uma descrição ancorada na estrutura do espaço fatorial e nos indicadores derivados da ACM, optou-se por uma análise das associações significativas entre categorias e grupos, com base em quatro indicadores: (1) o valor do v-test; (2) o p-valor associado; (3) a proporção de indivíduos do grupo que apresentam determinada categoria; e (4) a proporção de indivíduos com a categoria que pertencem ao grupo (Apêndices C1, C2 e C3).

Figura 3
Projeção dos Grupos

O Grupo 1, nomeado “Ingressantes mais velhos pré-pandemia”, é marcado por características de origem social e trajetória educacional que combinam desafios objetivos e estratégias de superação. Trata-se majoritariamente de estudantes com 25 anos ou mais, negros, filhos de pais de baixa escolaridade, e cujo ingresso ocorreu antes da implementação do ensino remoto. Há também predominância de homens, de nascidos fora da região metropolitana onde se localiza a instituição, e de estudantes que escolheram a universidade com base em sua proximidade geográfica ou reputação institucional. A posição deste grupo no primeiro quadrante do plano fatorial – com escores positivos no eixo vertical, associado à oposição entre trajetórias lineares e trajetórias interrompidas, e escores negativos no eixo horizontal, relacionado à polaridade entre orientação instrumental e orientação vocacional – sugere trajetórias não lineares, possivelmente marcadas por interrupções, mas orientadas por critérios pragmáticos. A interpretação aponta para perfis que, apesar de obstáculos estruturais relevantes e ingresso tardio na graduação, mobilizam estratégias orientadas à continuidade dos estudos e ascensão social, mesmo que isso implique alto investimento subjetivo e esforço pessoal.

O Grupo 2, nomeado “Trabalhadores pragmáticos de cursos noturnos”, concentra estudantes com trajetórias educacionais mais lineares, embora igualmente marcadas por decisões orientadas por critérios instrumentais. São majoritariamente estudantes de cursos noturnos, brancos ou amarelos, independentes financeiramente e que frequentam sobretudo cursos de negócios e engenharias. A escolha dos cursos foi motivada pelos retornos financeiros e sociais esperados da sua formação, enquanto a da instituição foi pautada sobretudo por sua reputação e qualidade percebida. Esse grupo apresenta baixas taxas de vulnerabilidade material, menor propensão percebida à evasão ou adiamento durante o ensino remoto e melhores condições de acesso digital. A localização deste grupo no quadrante inferior esquerdo do espaço fatorial (com valores negativos em ambas as dimensões) sugere baixa idealização da formação acadêmica e trajetórias formativas mais contínuas. Trata-se de um perfil orientado pela instrumentalidade do diploma, com decisões baseadas em preocupações com empregabilidade e estabilidade financeira após a graduação, e que veem o ensino superior como meio para ascensão econômica, mais do que como realização vocacional ou simbólica, característica reforçada pela forte associação negativa com a motivação por vocação (Apêndice C2).

O Grupo 3, nomeado “Mulheres jovens ingressantes na pandemia”, apresenta um perfil ambivalente. Os estudantes desse grupo são, em sua maioria, jovens de 18 a 24 anos, do sexo feminino, sem trabalho ou renda, e que ingressaram na universidade durante o ensino remoto. Apresentaram elevada propensão percebida à evasão ou adiamento do curso durante esse período, enfrentando dificuldades pedagógicas, psicológicas e de acesso às plataformas digitais. A motivação mais recorrente para a escolha do curso foi a vocação, e a seleção da instituição se deu, sobretudo, pela possibilidade de conseguirem bolsas de estudo ou inexistência de outras alternativas de ingresso. As condições do acesso remoto eram predominantemente ruins ou péssimas, as áreas de formação mais frequentes incluem educação e medicina veterinária. Em termos de capital familiar, os pais possuem, em geral, ensino médio ou superior.

A distribuição desse grupo nos quadrantes direito superior e inferior do espaço social denota uma combinação de idealização da trajetória educacional com diferentes níveis de proteção social. Aqueles situados na parte inferior do plano fatorial apresentaram maior suporte familiar – quadrante “Vocação Amparada” – enquanto aqueles na parte superior – quadrante “Vocação Vulnerável” – enfrentaram maior fragilidade socioeconômica e acadêmica. De modo geral, este grupo representa estudantes que, apesar de uma origem social mais próxima da classe média, não dispõem de recursos suficientes para neutralizar os efeitos das desigualdades acentuadas durante a pandemia. A configuração desse grupo evidencia as limitações da mobilização simbólica, como a vocação, quando desvinculada de estruturas materiais efetivas de apoio.

Discussão

Compreender os fatores associados à permanência e à evasão no setor privado – responsável pela maior parte das matrículas no ensino superior brasileiro – é crucial para o debate sobre desigualdades educacionais. Nesse contexto, este estudo buscou investigar de que modo as trajetórias acadêmicas de estudantes bolsistas foram afetadas pelo choque exógeno representado pela pandemia de Covid-19, com ênfase nos diferentes níveis de propensão percebida à evasão ou adiamento do curso por causa do ensino remoto entre os perfis analisados. Para isso, utilizamos a combinação de duas técnicas estatísticas complementares, a ACM e a AHC.

Com efeito, a possibilidade de desistir do curso ou adiá-lo esteve presente nas trajetórias de uma parcela expressiva dos estudantes. Como mostramos na Tabela 2, aproximadamente metade dos respondentes declarou ter considerado essa possibilidade durante o ensino remoto. Além disso, 71,43% expressaram uma avaliação negativa dessa experiência, classificando-a como ruim ou péssima e relatando impactos adversos na qualidade da formação. No entanto, os resultados evidenciam que a propensão de desistir do curso ou adiá-lo não pode ser tratada de maneira homogênea, mas sim considerando a articulação entre uma diversidade de experiências e de atributos socioeconômicos e acadêmicos. A combinação de fatores como idade, cor/raça, renda, tipo de curso e condições para o ensino remoto se articulam na construção dessas percepções, modelando as formas como os estudantes vivenciam e interpretam sua permanência no ensino superior em contextos de crise.

A tipologia delineada, composta pelos três grupos de estudantes, possibilitou compreender de maneira específica as características daqueles com maior e menor disposição percebida para evadir ou adiar o curso. De forma sintética, os resultados indicam um gradiente de propensão percebida à evasão ou adiamento do curso: o Grupo 2, formado por trabalhadores pragmáticos de cursos noturnos, é o menos propenso; o Grupo 1, de ingressantes mais velhos pré-pandemia, ocupa uma posição intermediária; e o Grupo 3, de mulheres jovens que ingressaram durante a pandemia, apresenta os níveis mais elevados.

O grupo mais resiliente (Grupo 2) tem como principal característica distintiva em relação aos demais a presença de trabalho e renda, de estudantes matriculados em cursos noturnos nas áreas de Engenharias e Negócios, de pessoas brancas e com boas condições para o acesso ao ensino remoto. São estudantes que escolheram seus cursos por causa dos retornos econômicos e sociais e, talvez por esta orientação pragmática, seguiram os estudos durante a pandemia sem pensar em desistir. Por outro lado, sexo, idade e ingresso antes ou depois da pandemia parecem ser os atributos que estabelecem as principais distinções entre os perfis com propensão intermediária (Grupo 1) e alta (Grupo 3). Ter ingressado antes da pandemia e, portanto, estar mais próximo de concluir o curso, ser mais velho e com pais com pouca escolaridade parecem dar a motivação necessária para que boa parte dos estudantes do primeiro grupo não tenha pensado em desistir. Por outro lado, ser mais jovem, mulher, ter ingressado durante a pandemia e em cursos não tão prestigiados, sem renda e com condições ruins de acesso às plataformas digitais aumenta substancialmente a disposição subjetiva do terceiro grupo para evasão ou adiamento do curso. O Quadro 1 sintetiza essas informações.

Quadro 1
Comparação das categorias mais associadas a cada grupo

Considerações finais

Os resultados desta pesquisa evidenciam a necessidade de as Instituições de Ensino Superior do setor privado conhecerem de forma mais aprofundada o perfil de seus estudantes, bem como suas demandas específicas. Esse reconhecimento é fundamental para a formulação ou revisão de políticas institucionais de permanência que sejam sensíveis à heterogeneidade do corpo discente. Embora existam políticas públicas de acesso ao ensino superior, como o Prouni e o Fies, além de iniciativas institucionais, como bolsas e financiamentos próprios, tais mecanismos têm se mostrado insuficientes para garantir a continuidade dos estudos, sobretudo diante das múltiplas dificuldades enfrentadas por parte dos estudantes ao longo do curso de graduação.

Apesar da relevância dos resultados encontrados, esta pesquisa apresenta algumas limitações. O estudo concentrou-se em uma única universidade, com foco em estudantes beneficiários do Prouni e no contexto da pandemia de Covid-19, o que limita a validação externa dos resultados e sua aplicabilidade a outras instituições, segmentos e contextos educacionais. Além disso, a análise baseou-se exclusivamente em dados quantitativos. Embora essa abordagem tenha possibilitado importantes resultados, investigações futuras poderiam ampliar a compreensão por meio de metodologias qualitativas ou mistas, que permitam explorar de maneira mais aprofundada dimensões subjetivas e contextuais do problema de pesquisa.

  • Uso de I.A.:
    Durante a elaboração do artigo, nos métodos e procedimentos da pesquisa, no período de 01/06/2025 a 10/10/2025, os autores declaram que usaram a ferramenta ChatGPT com o objetivo de otimização dos códigos no software RStudio e para revisão ortográfica. Declaram ainda que revisaram, validaram, editaram e supervisionaram o texto final, garantindo sua originalidade, precisão e integridade ética, assumindo total responsabilidade pelo conteúdo da publicação.
  • Revisão textual:
    Normalização bibliográfica (APA 7ª Ed.), preparação e revisão textual em português: Vilma Franzoni vilma.franzoni@uniso.br e Paula Rafael Gonzalez Valelongo paulargvalelongo@hotmail.com.
    Versão e revisão em língua inglesa: Isabel Codá de Simas isabel.coda@gmail.com.
  • Apoio e financiamento:
    Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), processo 306880/2022-9.
  • Ética em pesquisa:
    A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Sorocaba (Uniso), conforme Parecer nº 5.702.898.
  • 1
    A Lei nº 13.868, de 3 de setembro de 2019, alterou o artigo 19 da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e passou a incluir as instituições comunitárias como uma terceira categoria administrativa, ao lado das instituições públicas e privadas. No entanto, a definição de instituições comunitárias foi dada cerca de seis anos antes, por meio da Lei nº 12.881, 12 de novembro de 2013. Para fins de simplificação, e por conta da semelhança em termos de cobrança de mensalidades, sempre que utilizarmos expressões como “segmento privado”, “setor privado” ou “instituições privadas” estaremos nos referindo às instituições de ambas as categorias administrativas: privada e comunitária.
  • 2
    Esta variável foi criada a partir da média de duas variáveis, criadas a partir das questões (1) “o ensino remoto afetou negativamente a qualidade da sua formação acadêmica” e (2) “classifique sua experiência com o ensino remoto”. Ambas as perguntas tinham três possibilidades de respostas: 1, 2 e 3, sendo, respectivamente, 3 mais negativa (“concordo totalmente” e “ruim e péssima”) e 1 mais positiva (“discordo” e “boa ou excelente”). Se o resultado desta nova variável (“avaliação do ensino remoto”) for igual ou superior a 2, a categoria é “aval_reg_ruim” (avaliação regular ou ruim); caso contrário, a categoria é “aval_boa_otima” (avaliação boa ou ótima).

Disponibilidade de dados:

Os autores disponibilizam os dados da pesquisa sob solicitação.

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Apêndice A

Categorização dos cursos com base na “Classificação Internacional Normalizada da Educação Adaptada para Cursos de Graduação e Sequenciais de Formação Específica” (Cine Brasil)

  1. Educação: Artes Visuais, Dança, Moda, Teatro, Música, Ciências Biológicas (Licenciatura), Letras Português/Inglês, Química (Licenciatura), Filosofia, História, Pedagogia e Design;

  2. Computação e Ciências Naturais: Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Ciência da Computação, Jogos Digitais, Química Industrial, Ciências Biológicas Bacharelado e Sistemas de Informação;

  3. Saúde: Biomedicina, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Odontologia, Terapia Ocupacional e Educação Física Bacharelado. A instituição não oferece o curso de Medicina;

  4. Ciências Sociais e Comunicação: Psicologia, Ciências Econômicas, Jornalismo, Relações Internacionais e Relações Públicas;

  5. Negócios e Serviços: Administração, Ciências Contábeis, Direito, Gestão Comercial, Gestão da Qualidade, Gestão Financeira, Logística, Marketing, Processos Gerenciais, Publicidade e Propaganda, Estética e Cosmética e Gastronomia;

  6. Engenharias: Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Ambiental, Engenharia Civil, Engenharia da Computação, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, Engenharia de Controle e Automação, Engenharia de Produção, Engenharia Química e Engenharia Mecânica;

  7. Medicina Veterinária: constituiu uma categoria própria.

Apêndice B

B1.
Dendrograma
B2
Valores de η², variações inter e intraclasse e distribuição dos grupos

Apêndice C

C1
Grupo 1: ingressantes mais velhos pré-pandemia
C2
Grupo 2: trabalhadores pragmáticos de cursos noturnos
C3
Grupo 3: mulheres jovens ingressantes na pandemia

Editado por

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Ago 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    11 Ago 2025
  • Revisado
    20 Out 2025
  • Aceito
    18 Maio 2026
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