Open-access A missão de Udjahorresnet e missão de Esdras: a razão de seus envios pelo rei persa

The Mission of Udjahorresnet and the Mission of Ezra: The Reason for Their Sending by the Persian King

RESUMO

Udjahorresnet era um importante sacerdote e escriba egípcio da cidade de Sais, no Delta do Nilo. Após a conquista do Egito pelos persas, Udjahorresnet foi levado à Pérsia, a serviço do rei Dario I. Porém, devido a conflitos religiosos que surgiram no Delta do Nilo, Udjahorresnet foi enviado pelo rei de volta à sua cidade, com a missão de restabelecer a ordem e a paz. O propósito do presente ensaio é comparar a missão de Ujahorresnet com a missão do sacerdote e escriba judaíta Esdras. Suspeita-se que, assim como o sacerdote egípcio, Esdras também foi enviado pelo rei persa para solucionar o conflito que estava ocorrendo entre os grupos de sacerdotes em Jerusalém, na eminência de se espalhar para outras comunidades javistas. A metodologia será comparativa, entre o escrito no vestuário da estátua Naoforo e a análise exegética de textos bíblicos dos livros de Ageu, Zacarias, Malaquias e Esdras.

PALAVRAS-CHAVE
Udjahorresnet; Sais; Esdras; Jerusalém; Conflito religioso

ABSTRACT

Udjahorresnet was an important Egyptian priest and scribe from the city of Sais in the Nile Delta. After the conquest of Egypt by the Persians, Udjahorresnet was taken to Persia to serve King Darius I. However, due to religious conflicts that arose in the Nile Delta, Udjahorresnet was sent back to his city by the king, with the mission of restoring order and peace. The purpose of this essay is to compare Udjahorresnet’s mission with that of the Judahite priest and scribe Ezra. It is suspected that, like the Egyptian priest, Ezra was also sent by the Persian king to resolve the conflict occurring among priestly groups in Jerusalem, which was on the verge of spreading to other Yahwist communities. The methodology will be comparative, between the writings on the Naophoros statue’s attire and the exegetical analysis of biblical texts from the books of Haggai, Zechariah, Malachi and Ezra.

KEYWORDS
Udjahorresnet; Sais; Ezra; Jerusalem; Religious Conflict

Introdução

Nos últimos anos vem crescendo o interesse pela pesquisa sobre a influência persa/aquemênida na formação da teologia judaíta do segundo templo (Toorn, 2025; Silva, 2025, p. 476-486; Barnea, 2023, 2024, 2025; Rossi, 2025, p. 447-459; Janzen, 2017; Kaefer, 2025, p. 366-383; Treuk, 2025, p. 403-425). Tema ao qual antes se dava pouca importância, por se acreditar que os persas não intervinham na religião dos povos por eles conquistados. De fato, pelo que conhecemos, os persas não impunham sua religião, ao contrário, interessavam-se pela religião local e, em muitos casos, patrocinavam-na. Evidentemente que não faziam isso por serem bondosos, mas porque alavancar a religião local era uma forma muito efetiva de governar. Mostrar interesse pelos costumes e ritos dos povos conquistados, entrar em seus templos e oferecer sacrifícios às ou à divindade, era outra forma de conquistá-los. Respeitar para ser respeitado, aceitar para ser aceito. Esta era uma tarefa que precisava ser realizada após a conquista pela força. Melhor ainda quando se alcançava fazer reconhecer que a conquista realizada pelo império era vontade do próprio Deus local. Tudo isso ajudava a diminuir enormemente as revoltas da população conquistada, que, em último caso, era o interesse maior do império.

Evidentemente que a conquista religiosa era sempre intermediada pelas autoridades religiosas locais. Esses líderes recebiam benefícios e em troca auxiliavam no alcance dos interesses dos conquistadores. Essa proximidade e interrelação entre as lideranças religiosas locais e as autoridades políticas do império desenvolvia um fascínio daquelas por estas. De aí que nascia e crescia pouco a pouco a influência do modo de pensar, organizar e cultuar do império sobre o modo de pensar, organizar e cultuar dos povos dominados. Ou seja, o imaginário religioso local vai pouco a pouco se inspirando no imaginário religioso do império. Entendemos que foi mais ou menos esse o processo pelo qual passou a teologia judaíta no pós-exílio, que resultou na formação do que mais tarde viria a ser o judaísmo. Lembremos sempre que foram duzentos anos de domínio persa sobre Judá, o império mais longo da história. As pessoas nasciam, cresciam e morriam, sem chegar a conhecer outro domínio. Portanto, é compreensível esta influência do opressor sobre o oprimido, processo este que pode até não ser perceptível devido à sua longa duração.

Neste intuito de desvelar a influência persa/aquemênida sobre a teologia judaíta, nosso objeto de pesquisa aqui será a comparação entre dois personagens: Udjahorresnet e Esdras. O primeiro era egípcio e o segundo judaíta. Ambos eram sacerdote e escriba e viveram numa data muito próxima. Ambos foram enviados pelo rei persa ao seu país, com uma missão similar.

1 A missão de Udjahorresnet e de Esdras

A missão do sacerdote e escriba Esdras (Esd 7) tem causado muita polêmica no meio acadêmico quanto à sua veracidade histórica. A análise exegética dos livros de Esdras e Neemias revela incoerências literárias que justificam tal controvérsia. Além das rupturas literárias e repetições nas narrativas de ambos os livros, um ponto bastante questionado é o fato de Esdras ser enviado pelo próprio rei Artaxerxes para organizar o culto em Jerusalém, recebendo amplos poderes para exigir contribuições dos tesoureiros da Transeufratênia (Esd 7,11-26). Contudo, se compararmos a missão de Esdras com a de Udjahorresnet, um sacerdote egípcio da cidade de Sais e que esteve a serviço dos reis persas Cambises II e Dario I, é possível que demos mais plausibilidade à missão de Esdras (Kaefer, 2025, p. 366-383; Balzaretti, 2004, p. 289-338; Williamson, 2008, p. 41-62; Nissim, 2018, p. 271-297).

1.1 A estátua de Ujahorresnet

No museu do Vaticano (gregoriano egizio) encontra-se uma estátua sem cabeça, cujo longo vestuário está totalmente coberto por um escrito em hieróglifo. O extenso texto contém a autobiografia de um sacerdote identificado como Ujahorresnet, quem, provavelmente, mandou confeccionar a estátua. Ela, a estátua, é conhecida como Naoforo (portador do templo), por causa da imagem de um templo com o Deus Osíris que ela sustém entre as mãos. Sabe-se que a estátua Naoforo chegou ao museu do Vaticano no final do século XVIII da nossa era. Sua origem, porém, continua desconhecida. Há várias hipóteses, contudo, nenhuma plenamente convincente. O mais provável é que ela tenha sido encontrada no templo da Deusa Neith, em Sais, no Delta do Nilo, porém, sem comprovação segura. Chegou-se, inclusive, a lhe incorporar uma cabeça de mulher por se pensar tratar-se de uma sacerdotisa, devido ao vestido longo e pelo uso de pulseiras. Mais tarde a cabeça foi retirada (Ruggero, 2020, p. 148-165).

Quanto ao local da tumba de Ujahorresnet, porém, parece não haver mais dúvidas de que se encontre em Abusir, uma necrópole que fica entre as grandes necrópoles de Gizé e de Saqara, cerca de 25 km a sudoeste do Cairo. A tumba de Udjahorresnet fica na parte ocidental da necrópole de Abusir, junto a um grupo de grandes tumbas datadas do final das XXVI e XXVII dinastias. Entre estas, segundo Smoláriková e Bareš, a tumba de Udjahorresnet, apesar de bastante danificada, é a que se encontra mais bem preservada (Smoláriková; Bareš, 2020, p. 176-184).

Com o crescente interesse em pesquisar a figura de Udjahorresnet, tem-se descoberto que a estátua conhecida como Naoforo Vaticano não é a única deste importante sacerdote egípcio. Há menções em escritos da existência de pelo menos três a cinco estátuas de Udjahorresnet, uma delas tendo sido esculpida cerca de 150-200 anos após sua morte (Wasmuth, 2020, p. 195-219). Ou seja, pelo visto, havia várias estátuas de Udjahorresnet espalhadas pelos templos do Baixo Egito, o que mais uma vez mostra a importância deste sacerdote, mesmo após sua morte. Talvez para esta proeminência, seu histórico familiar lhe tenha ajudado. É possível que Udjahorresnet pertencesse a um grande círculo familiar sacerdotal, que por gerações atuava junto à realeza de Sais, ao longo do Delta do Nilo, principalmente nos vários templos de Sais (Marković, 2020, p. 114).

Udjahorresnet

1.2 O escrito na estátua de Ujahorresnet

A inscrição gravada na longa túnica da estátua Naoforo Vaticano relata que Udjahorresnet era um sacerdote egípcio de Sais, na região do Delta, ocidental do Nilo. Sais foi a capital do Egito durante as XXIV e XXVI dinastias, conhecida como dinastias saíta. Sais era famosa por causa do templo de Neith, a Deusa mãe de todos os Deuses.

O escrito na Naoforo Vaticano consta ter sido composto em 519 AEC, ou seja, no terceiro ano do reinado de Dario I (522-486 AEC). A inscrição começa narrando os altos postos que ele, Udjahorresnet, teve no Egito. Além de sacerdote em Sais, Udjahorresnet foi escriba, inspetor chefe do conselho de escribas, médico-chefe, administrador do palácio, portador do selo real e comandante de navios sob a autoridade dos faraós Amasis II e Psamtik III (Renouf, 1878, n.p.). Quando Cambises II (530-522 AEC), rei da Pérsia, invadiu o Egito, Udjahorresnet foi “adotado” por ele como uma espécie de instrutor dos costumes e da cultura egípcios, principalmente sobre a religião e seus ritos, em especial sobre a Deusa Neith. De forma que o imperador pudesse prestar o ritual à Deusa no templo. Udjahorresnet chega a apresentar Cambises com o título de “descendente do Deus Sol Rá, o primogênito da Deusa Neith”. Há nesta informação muita semelhança com a imagem da estela de Fayum Berlin, que retrata Dario I como o falcão Hórus (Ladynin, 2020, p. 88-99).

Destaque do escrito de Ujahorresnet

Enfim, parece que existia uma política muito clara dos imperadores persas de se apresentarem como descendentes dos deuses egípcios, com o evidente objetivo de serem aceitos como governantes pelo povo. E Udjahorresnet parece ter tido um papel importante neste particular. De modo que Udjahorresnet se apresenta como um personagem da diplomacia sacerdotal de Sais, no Delta do Nilo, na transição de poder que ocorre no Egito com a invasão aquemênida (Aissaoui, 2020, p. 12-34). E, pelo que se sabe, após a conquista do Egito em 526 AEC, Cambises conseguiu estabelecer uma boa relação com as autoridades locais (Joannès, 2020, p. 75-87). O que comprova, por outro lado, o poder que detinham os sacerdotes no Egito.

A inscrição em hieróglifo não deixa dúvidas de que Hudjahorresnet era egípcio e que pertencia ao alto escalão social sob os faraós saítas Amasis e Psamtik III. Por sua vez, a vestimenta evoca o hábito da corte persa, retratado em Persépolis e em outros lugares. Assim também as pulseiras com cabeças de leão nos pulsos. Estas são joias aquemênidas, símbolo da unidade imperial. Portanto, características de um “homem persa idealizado” (Colburn, 2020, p. 59).

A pulseira de Udjahorresnet em destaque

Ou seja, pelo visto, Udjahorresnet, sendo sacerdote egípcio, estava plenamente identificado com a cultura e o status persas. Por isso, por outro lado, ele tem sido interpretado por muitos como traidor do povo egípcio ou colaborador persa (Lloyd, 1982, p. 166-180). Contudo, há quem vê na atuação de Ujahorresnet uma forma de resistência. Por exemplo, Allison McCoskey, fazendo uso da teoria da resistência pós-colonial, compara Ujahorresnet com Petosiris, um sacerdote de Thoth, em Hermópolis. Este sacerdote parece ter vivido em circunstâncias semelhantes às de Ujahorresnet durante o fim do domínio persa e início do domínio macedônio. No interior de sua tumba, em Tuna el-Gebel, foram encontradas representações de várias cenas, das quais, algumas podem ser interpretadas como colaborativas com o poder estrangeiro ou apenas uma forma diferente de resistir. Udjahorresnet teria tido papel semelhante (McCoskey, 2020, p. 131-147).

1.3 A missão de Ujahorresnet1

Após descrever todas as funções que teve em vida, parte delas é continuamente repetida no escrito, Udjahorresnet informa que ele apresentou uma súplica ao rei Cambises. O pedido era para desalojar as pessoas que haviam se instalado no templo de Neith, “a fim de que o templo de Neith fosse restaurado em todos os seus esplendores como antes”. Não há informação de quem eram essas pessoas. Talvez fossem persas. O pedido foi atendido e Cambises ordenou que o templo fosse purificado e a ordem restabelecida como antes, tudo graças a Udjahorresnet, que tinha conquistado a confiança do rei. Uma vez purificado, Cambises veio ao templo para oferecer sacrifícios e “prostrar-se diante da Grande Mãe, assim como fizeram todos os reis piedosos antes”. Segue, então, uma longa lista de doações realizadas ao povo por Udjahorresnet, desde terras e casas, até sarcófagos. É possível que estes sejam os motivos pelo apreço a Udjahorresnet, mesmo após sua morte, como vimos acima.

Depois, a narrativa sofre uma interrupção. Ujahorresnet, agora, encontra-se já na Pérsia (em Susa?) e está a serviço do rei Dario I; ou seja, pela narrativa, após a morte de Cambises, em 522 AEC, Udjahorresnet continuou seus serviços ao novo monarca persa, Dario I, que o levou à Pérsia. Este rei envia Udjahorresnet de volta ao Egito, com a missão de “restabelecer a escola dos hierogramatistas2 e restaurar o que havia caído em ruína”. E ele assim o fez. Udjahorresnet foi levado de “província em província por estrangeiros de volta ao Egito, são e salvo”. Uma vez em Sais, Udjahorresnet iniciou a missão a que fora encarregado: escolheu crianças que se destacaram nas escolas, entregou-as a um mestre habilidoso e lhes deu todo o suporte para a profissão de escriba. E conclui: “Sua Majestade fez isso por saber que este era o melhor meio de restaurar o que havia caído em ruína, de firmar os nomes dos Deuses, seus templos, seus ritos e a celebração de suas festividades para sempre”.

Udjahorresnet termina sua narrativa pedindo glória aos Deuses, que seu nome seja engrandecido e que sua estátua seja protegida.

Enfim, Udjahorresnet parece ter sido um personagem amplamente reconhecido na região do Delta do Nilo, em especial em Sais. Seu histórico, talvez também familiar, atraiu os interesses do rei Cambises, que o adotou como uma espécie de instrutor da religião egípcia, em especial no Baixo Egito. Udjahorresnet, por sua vez, fez valer este privilégio para restaurar o templo da Deusa Neith em Sais, que havia sido ocupado, talvez durante a invasão persa. Num segundo momento, agora já aos serviços do rei Dario I, que o havia levado à Pérsia, Udjahorresnet tem uma missão similar. Só que desta vez, não por iniciativa própria, mas por iniciativa do rei, que, preocupado com a decadência e a desordem da religião instaladas no Baixo Egito, vê em Udjahorresnet uma figura chave para o estabelecimento da paz na região. De forma que o rei Dario envia Udjahorresnet com a missão de resgatar a tradição e os princípios básicos da religião egípcia no Delta do Nilo. Ou seja, restabelecer a educação e formar escribas e sacerdotes versados na religião dos antepassados. A missão agora é bem mais ampla. Com Cambises, sua missão era mais restrita ao templo de Sais, agora, no entanto, envolve boa parte do baixo Egito (Lopez, 2020, p. 100-113).

Parece manifesto que o rei vê na religião local a forma mais eficaz para reunir a população em torno de um mesmo objetivo identitário. E, com isso, alcançar o que mais lhe interessava: a manutenção da paz e da ordem. Evidentemente que o escrito de Udjahorresnet não menciona este particular; restringe-se ao religioso e aos benefícios que a missão, que lhe fora incumbida, trazia para o seu povo.

Fazendo uso da metodologia comparativa, vejamos, agora, um possível paralelo entre a missão de Udjahorresnet e a missão de Esdras.

2 O contexto em Judá: grupos remanescentes do exílio babilônico

Sabemos da existência de grupos de sacerdotes levitas remanescentes, que não foram deportados à Babilônia em 587 AEC, e que mantiveram o culto a Javé3 nas dependências do templo destruído em Jerusalém e arredores (Macchi, 2010, p. 548). Além de manterem o culto, estes grupos continuaram a produzir escritos, pós 587 AEC. Por exemplo, o Livro das Lamentações, que, em boa parte, foi produzido após a queda de Jerusalém, pois chora a destruição da cidade. Refiro-me especificamente aos capítulos 1, 2 e 4 de Lamentações, que devem ter sido produzidos muito próximos aos acontecimentos; não assim os capítulos 3 e 5, que devem ser mais tardios (Uehlinger, 2010, p. 670-672). Há também salmos que se identificam com o gênero do lamento pela destruição do templo, como os salmos 44, 74, 79 etc., que, em boa parte, devem ter sido produzidos num período muito próximo à queda e saque do templo pelos babilônios (Zenger, 2004, p. 1088-1089; 1122; 1129-1130).

Onde viviam estes grupos de sacerdotes levitas? Um grupo parece ter permanecido em Jerusalém e mantinha o culto na área do templo destruído, que os babilônios não permitiram reconstruir. Outro grupo provavelmente em Anatot, na terra de Abiatar e Jeremias (1Rs 2,26-27; Jr 1,1-3; 32), cerca de 5km ao norte de Jerusalém. Ali vivia uma tradicional comunidade de profetas. Um terceiro grupo provavelmente se manteve em Betel, antigo santuário de El, ligado a Israel Norte, cerca de 15 km a noroeste de Jerusalém (2Rs 12,26‒13,34). É possível que ali o culto a Javé tenha sido presidido pelo grupo araonita (Grabbe, 2004, p. 226) que, com a destruição do templo de Jerusalém, obteve mais relevância na região. Isso explicaria o conflito crescente no pós-exílio entre os grupos de Samaria e Gerezim versus o grupo de Jerusalém, quando esse novamente tomou as rédeas do culto a Javé. Toorn sugere ainda a existência de outro grupo javista, esse em Edom, sob a direção da família dos Tobíadas. O significado do nome Tobias, “Javé é bom”, assim como o do filho dele, Joanã, “Javé é gracioso” (Ne 6,18), juntado ao fato do sumo sacerdote Eliasab, parente de Tobias, ceder a ele o uso de uma sala no templo de Jerusalém (Ne 13,4-9), seriam fortes indícios de que o amonita Tobias era adorador de Javé (Toorn, 2025, p. 187).

Poderíamos ainda pensar numa comunidade em Mizpa ou Masfa (Tell en-Nasbeh), onde, segundo Jr 40,6, Jeremias se fixou junto com Gedalias, após a queda de Jerusalém. E, evidentemente, Elefantina, no Egito, onde se formou uma grande e importante comunidade javista após a invasão de Jerusalém (Kratz; Schipper, 2022). Pode-se ainda pensar, um pouco mais tarde, nas colônias judaicas de Edfu e Tebas no Egito (Honigman, 2022, p. 75-128). Enfim, pelo visto, após a invasão e destruição de Jerusalém, surgiram várias comunidades javistas. Algumas destas comunidades já existiam, porém, fortaleceram-se com a dispersão judaíta após a queda de Jerusalém. E, de certa forma, passaram a ser uma alternativa a Jerusalém, principalmente Elefantina. Fenômeno este que Toorn (2025, p. 178s.) chama de religião étnica. Essa multiplicidade de comunidades javistas, com alguma diversidade na forma de culto, algumas inclusive politeístas, ajuda a entender a missão de Esdras, quando este é encarregado de organizar todo o povo da Transeufratênia (Esd 7,25-26). Retornaremos a isso mais adiante.

2.1 O contexto em Jerusalém nos primórdios do período persa

Tem sido um desafio tentar reconstruir o contexto em Jerusalém nos primeiros anos do pós-exílio babilônico. Sabemos pouca coisa a esse respeito. A contribuição da arqueologia tem sido muito pobre. Ou seja, ela não tem encontrado sinais de ocupação nos arredores do templo em Jerusalém. As escavações recentes em Jerusalém, na área conhecida como Givati Parking Lot, apesar de interessantes descobertas, como a casa de dois pisos destruída durante o assalto da Babilônia em 587 AEC, não encontraram sinais de ocupação dos retornantes do exílio (Shalev et al., 2021, p. 17-36; Shalom et al., 2023, p. 1-16; Lipshits, 2005). A exceção é Ramat Rahel, um centro de arrecadação de tributo que subsistiu durante o domínio babilônico e persa (Lipschits; Vanderhooft, 2011; Lipschits et al, 2011, p. 1-48; Lipschits, 2017). No que se refere à religião neste período, as informações que temos vêm dos textos bíblicos. Porém, dada a sua construção literária, o conteúdo desses textos nem sempre é de fácil datação. Ainda assim, pensamos ser possível destacar três momentos históricos do pós-exílio a partir dos livros de Ageu, Zacarias, Malaquias e Esdras.

2.2 Primeiro momento: os livros de Ageu e Zacarias 1–8

Os personagens centrais nos livros de Ageu e Zacarias 1–8 são Zorobabel, governador persa, ungido (messias?) e o sumo-sacerdote Josué. Conforme o livro de Esdras, esses dois líderes faziam parte do segundo grupo a retornar do exílio, com a função de reconstruir o templo. O primeiro grupo teria retornado após o edito de Ciro, por volta de 538 AEC. Comparando os três livros, a imagem apresentada em Ageu e Zacarias 1‒8 difere em pontos significativos da tradição de Esdras (Grabbe, 2004, p. 86). Por exemplo, no livro de Ageu, o povo da terra parece estar incluído na comunidade e não demonizado como em Esdras e Neemias (Ag 2,4). O templo deve ser construído com recursos locais, e não com importações caras do exterior (Ag 1,8). Ou seja, em Ageu e Zacarias 1‒8, estamos numa etapa inicial do pós-exílio, onde parece haver certa interação entre os remanescentes e os que vinham do exílio.

De maneira que, em termos de conteúdo, não necessariamente de produção literária, é possível situar os livros dos profetas Ageu e Zacarias 1‒8 no mesmo período histórico, ou seja, no segundo ano do reinado de Dario, rei da Pérsia (Zc 1,7; Ag 1,1; cf. Esd 1,1-2). Aparentemente esse rei seria Dario I (522-486 AEC), como sugere Grabbe (2004, p. 85)4. É seguro dizer é que Ageu e Zacarias vêm antes de Esdras, pois, são citados por este (Esd 5,1; 6,14). O texto não deixa claro se Ageu esteve no exílio. Em todo caso, esse profeta não aparece em nenhuma lista dos que retornaram do exílio (Esd 2; Ne 7). Isso é um elemento a favor de que ele tenha sido um remanescente em Judá. Ou seja, fazia parte dos que atuavam em Judá, quando aqueles vieram do exílio (Zenger, 2001, p. 523). É possível que ele pertencesse ao povo da terra (Macchi, 2010, p. 549; Grabbe, 2004, p. 87), uma vez que boa parte do conteúdo do livro está ligado ao ambiente agrícola (Ag 1,1-15; 2,1-19). A ausência da redação em primeira pessoa indica que, provavelmente, não foi Ageu que escreveu o livro. Talvez um discípulo seu.

Se, em relação à construção do templo, os livros de Ageu e Zacarias parecem não deixar transparecer algum conflito com o povo da terra, não assim em relação ao culto. O livro de Zacarias deixa transparecer certo conflito entre a classe sacerdotal em Jerusalém, a respeito de quem tem o direito de presidir o culto no templo construído. Os retornantes diziam que eles eram os verdadeiros sucessores dos antigos sacerdotes. Os remanescentes diziam que os retornantes estavam contaminados pelo contato e vivência em meio a povos estrangeiros. É o que deixa transparecer Zc 3,4-7, onde o sumo sacerdote Josué é despido de suas vestes sujas e revestido de vestes suntuosas, lavando-o, assim, de suas iniquidades. Ou seja, o conflito parece se dar entre os sacerdotes da golah, dos quais Josué era representante, e os sacerdotes levitas, remanescentes em Judá, mencionados acima. Ao nosso ver, esse conflito ainda está num primeiro estágio, mas irá se intensificar até ser necessário a intervenção persa.

Passemos para o segundo momento, onde nos servirá de ilustração o livro do profeta Malaquias.

2.3 Segundo momento: o livro de Malaquias

O contexto histórico do livro do profeta Malaquias não é de fácil localização. No entanto, parece não haver dúvida de que poderemos situá-lo no período persa. A expressão Pelah (governador), em 1,8, é um forte indício a favor disso. Ademais, uma vez que quase todo o conteúdo trata do culto no templo, este já existe; portanto, estamos num período pós 515 AEC. E o fato de o livro do Eclesiástico fazer menção a Malaquias (Eclo 48,10) ajuda a localizá-lo num período anterior a 180 AEC. Portanto, entre o início da época persa e início do período helenista. A maioria dos estudiosos, no entanto, tende a localizá-lo em meados do século V AEC (Kessler, 2011, p. 175-180; Himbaza, 2004, p. 571; Nakanose; De Paula Pedro, 1996, p. 11; Steins, 2001, p. 242-243). Zenger (2001, p. 531) situa o livro um pouco antes de Esdras (400 AEC), pois ainda não tem o rigor desse, em particular, contra o casamento com mulheres estrangeiras. A exceção seria o apêndice de 3,23-24, que é claramente mais tardio. Em parte, o assunto central do livro de Malaquias é o mesmo que o de Esdras, ou seja, a restauração do culto. Nesse sentido, Malaquias se distancia de Ageu e Zacarias, cujos oráculos voltados à reconstrução do templo não deram conta da degradação do culto e da disputa entre os grupos pela hegemonia do templo.

Enfim, é difícil determinar a data exata ou aproximada da formação do livro de Malaquias. Porém, em nosso entender, seu contexto é muito próximo ao do livro de Esdras, provavelmente um pouco antes. Ou seja, mais ou menos entre os anos em que historicamente se tende a localizar o envio do sacerdote e escriba Esdras pelo rei persa, Dario. Portanto, entendemos que o livro de Malaquias é posterior a Ageu e Zacarias e muito próximo ao período do envio de Esdras.

2.3.1 O conflito entre dois grupos de sacerdotes no livro de Malaquias

No livro de Malaquias se percebe um intenso conflito entre dois grupos de sacerdotes no templo de Jerusalém. Isto é, estamos em Jerusalém, o templo e o culto já estão ativos. Entre as denúncias mais fortes de um grupo contra o outro está, nas palavras de Javé:

“Vocês oferecem sobre o meu altar pão impuro e dizeis: em que te desonramos? Vocês dizem: a mesa de Javé é desprezível. E quando vocês trazem um animal cego para sacrificar, não é mal isso? E quando vocês trazem um animal coxo e doente, não é mal isso? Apresentem-nos ao vosso governante, se se agradaria de vós ou se se alegraria convosco? Disse Javé de exércitos” (Ml 1,7-8)5.

E a denúncia segue muito forte, praticamente em todo o livro, contra o grupo de sacerdotes, detentor do direito de presidir o culto. Parece evidente que, por trás da crítica a este grupo de sacerdotes do templo, está o grupo levita. É isso que deixa bastante manifesto Ml 2,4‒3,5, onde os filhos de Levi são enaltecidos enormemente por Javé. Ou seja, temos aqui um intenso conflito entre dois grupos de sacerdotes no templo: o grupo da golah, que retornou do exílio e se considerava o detentor do direito de presidir o culto em Jerusalém, patrocinado pelos persas, e o grupo levita, remanescente em Jerusalém, contrário àquele. O primeiro era apoiado pelos persas, “vosso governante” (Ml 1,8); o segundo, contrário aos persas. O primeiro era considerado impuro pelo segundo, por haver habitado em meio a um povo estrangeiro (Zc 3,4-7) e perdido os verdadeiros costumes do culto a Javé. O segundo era considerado ilegítimo pelo primeiro, por não pertencer à linhagem sacerdotal autêntica (Ez 44,10-31). É bem possível que houvesse outros motivos para o conflito, não manifestos pelo breve texto do livro de Malaquias. Lembremos que, em se tratando de normas cultuais, o tempo entre a deportação e o retorno foi bastante longo. Ou seja, novos costumes foram sendo acrescidos em Jerusalém durante o longo período do exílio. E o que se praticava na Babilônia diferia bastante do praticado em Jerusalém. Portanto, temos claras evidências de que no templo de Jerusalém se desenvolveu um forte conflito entre dois grupos sacerdotais.

2.3 Terceiro momento: a chegada de Esdras à Jerusalém

Conforme Esd 7,8, a chegada de Esdras à Jerusalém teria acontecido no ano de 458 AEC, ou seja, no sétimo ano do reinado de Artaxerxes I (465-424 AEC). Por outro lado, conforme o livro de Neemias, este teria chegado entre os anos 445-433 AEC (Ne 1,1; 2,1). Ou seja, Esdras teria chegado cerca de dez a quinze anos antes de Neemias. Porém, as informações cronológicas dos dois livros são confusas. Esdras 4,6‒6,18 situa as atividades de Dario depois do governo de Xerxes e Artaxerxes, cujo reinado aconteceu no século posterior. Por sua vez, Ne 8,1.9 e Ne 12,26.36 colocam Esdras e Neemias como sendo contemporâneos (Abdie, 2010, p. 701-713). Há também informações repetidas nos dois livros, como as duas listas das pessoas que retornaram do exílio (Esd 2 e Ne 7). O mais lógico, pelas informações de ambos os livros, seria considerar que Esdras teria vindo depois de Neemias. Isso explicaria o fato de o livro de Neemias citar a lista dos repatriados de Zorobabel (Esd 2), porém, não menciona Esdras (Esd 2). Neemias precisa reconstruir as muralhas, enquanto Esdras encontra a cidade de Jerusalém em pleno vigor, com as muralhas e o templo reconstruídos (Finkelstein, 2008a, p. 1-10; Finkelstein, 2008b, p. 501-520). Uma possível solução seria situar a chegada de Esdras à Jerusalém no sétimo ano reinado de Artaxerxes II, em 397 AEC, e não no sétimo ano do reinado de Artaxerxes I, em 458 AEC (Kaefer; Xavier, 2019, p. 401-402). Isso aproximaria a chegada de Esdras muito ao contexto histórico do livro de Malaquias.

2.3.1 O porquê do envio de Esdras

Como vimos acima, no livro de Malaquias se percebe um intenso conflito entre dois grupos de sacerdotes no templo de Jerusalém. É bem possível que se trate do grupo de sacerdotes levitas contra o grupo de sacerdotes da golah. Dada a importância do templo de Jerusalém, esse conflito deve ter alcançado, aos poucos, dimensões maiores, atingindo também as outras comunidades javistas apontadas acima. De modo que o conflito saiu do controle, a ponto de o rei persa ser obrigado a enviar uma autoridade religiosa capaz de “colocar ordem” na religião local e apaziguar os grupos opostos. E este líder era o sacerdote e escriba Esdras. Consideremos que, por não dominar os meandros da religião local e não possuir legitimidade religiosa, o fator religião escapava da capacidade de uma liderança civil persa. Ademais, lembremos sempre que, para os persas, o importante sobretudo era a ordem e a paz nas terras conquistadas. Se para isso fosse necessário respeitar as práticas dos cultos locais e reconhecer suas divindades, que assim fosse. Este nos parece, portanto, o real motivo do envio de Esdras à Jerusalém pelo rei persa. O que havia dado certo em Sais, alguns anos atrás, também daria agora em Jerusalém. Essa parece que já ser uma prática dos impérios anteriores, como no caso relatado em 2Rs 17,24-28, onde o rei assírio (Sargão II ou Salmanasar V) envia um ou mais sacerdotes que haviam sido deportados para a Assíria de volta à Samaria para organizar o culto a Javé. E esse ou esses sacerdotes se teriam estabelecido em Betel e organizado o culto na região da Samaria.

3 A missão de Udjahorresnet e a missão de Esdras

Retornando à missão de Udjahorresnet, vimos acima que, por volta do ano 519 AEC, o rei Dario I enviou o sacerdote e escriba egípcio, Udjahorresnet, à Sais, no Egito, com a importante missão de restaurar os templos que haviam caído em ruínas, reorganizar seus ritos e celebrações, restabelecer o calendário das festividades religiosas, restaurar as escolas e formar jovens na profissão de escriba.

Em Esdras 7, temos o relato do envio do sacerdote e escriba Esdras pelo rei persa, Artaxerxes, à Jerusalém. Sua missão, entre outras, era a de organizar e restabelecer o culto, nomear juízes e escribas que administrassem a justiça para todo o povo do além rio (Eufrates) e ensinar-lhe as leis de Deus, que é a lei do rei (Dias; Filho, 2025, p. 460-475). Como vemos, a missão de ambos os sacerdotes e escribas é muito similar. Um é enviado à Sais, no Baixo Egito, e o outro à Jerusalém, em Judá. Sais foi a capital do Baixo Egito. Seu templo, dedicado à Deusa Neith, era referência em toda região do Delta do Nilo. Jerusalém foi a capital de Judá. Seu templo, dedicado ao Deus Javé, era referência para todas as comunidades javistas do além rio Eufrates. De maneira que, amparado na semelhança entre a histórica missão de Udjahorresnet e a missão de Esdras, narrada no livro de Esdras 7 é bastante seguro afirmar que essa última também foi histórica. Evidentemente é preciso excluir todos os adendos de interesse particular do grupo sacerdotal administrador do templo de Jerusalém feitos à carta em Esdras 7.

Com o sucesso da missão de Esdras, começa uma nova era para a religião e a história de Judá, que será muito frutífera. Uma era que resultará na edificação da Torá, que regerá o futuro do povo javista. Daí a enorme relevância da missão de Esdras e do livro que leva seu nome.

Conclusão

Vimos a história de Udjahorresnet, um importante sacerdote egípcio responsável pelo templo da Deusa Neith, em Sais, no Delta do Nilo. História esta narrada na vestimenta da estátua por ele confeccionada e que se encontra atualmente no museu do Vaticano. Inicialmente Udjahorresnet estava a serviço do rei Cambises, como uma espécie de instrutor da cultura e da religião egípcias. Depois, a serviço do rei Dario I, que o tinha levado à Pérsia, Udjahorresnet recebe a missão de retornar a seu país para restaurar ali a religião, reorganizar os ritos, formar escribas, organizar o calendário de festas etc. Ou seja, o rei Dario, preocupado com o descontentamento da população no Baixo Egito, envia um personagem amplamente reconhecido para ajudá-lo a restabelecer a ordem na região.

Contexto semelhante ao de Sais parece-nos ter passado Jerusalém e entorno nos primórdios do governo persa. Essa realidade pode ser percebida, numa etapa inicial, nos livros de Ageu e Zacarias 1‒8. Estes livros deixam transparecer um desentendimento entre o grupo de sacerdotes da golah que retornava do exílio, e o grupo de levitas, remanescente em Jerusalém. A causa do conflito entre os dois grupos era quanto ao direito de presidir o culto no templo. O grupo da golah se considerava pertencente à linhagem dos antigos sacerdotes, enquanto os levitas diziam que aqueles estavam impuros, por haverem habitado em meio aos estrangeiros. Depois, numa etapa já mais avançada, desta vez através do livro de Malaquias, percebe-se a intensificação do conflito entre estes dois grupos de sacerdotes, os da golah e os levitas. O conflito é tão forte, ao ponto de haver sérias acusações do segundo grupo contra o primeiro, principalmente pela forma da condução do culto. Ou seja, acontece uma clara exposição desse conflito no livro de Malaquias. É possível que esse descontentamento quanto à forma da condução do culto tenha se estendido também às outras comunidades javistas do além Eufrates, como Anatot, na terra de Abiatar e Jeremias; Betel, antigo santuário de El, ligado a Israel Norte; a comunidade de Edom, ligado à família dos tobíadas; Mizpa (Tell en-Nasbeh) e, principalmente, a grande comunidade de Elefantina, no Egito.

Diante desse contexto conflitivo é que acreditamos que se encontre a razão do envio do sacerdote e escriba Esdras à Jerusalém. É possível que a situação em Jerusalém e arredores estivesse fugindo do controle das autoridades persas, de maneira que o rei se viu na obrigação de enviar um personagem capaz de apaziguar os grupos em conflito. E este personagem foi o sacerdote e escriba Esdras.

Portanto, a semelhança entre a missão de Udjahorresnet e a missão de Esdras, em nosso entender, comporta fortes indícios quanto à veracidade histórica da missão deste último. Ambos eram sacerdotes e escribas. O primeiro foi enviado à Sais, no Baixo Egito; o segundo à Jerusalém, em Judá. Sais foi a capital do Baixo Egito; Jerusalém, a capital de Judá. O principal templo de Sais era dedicado à Deusa Neith, referência em todo Delta do Nilo. O principal templo de Jerusalém era dedicado ao Deus Javé, referência para todas as comunidades javistas do além Eufrates. Ambas as missões tiveram sucesso, a segunda; porém, mais longeva.

  • 1
    Seguimos a tradução de Renouf (1878, n. p.).
  • 2
    Escriba que transcreve os oráculos e os textos sagrados.
  • 3
    Talvez também a outras divindades, se levarmos em conta a relação amistosa com o templo javista de Elefantina, onde se cultuava também outras divindades.
  • 4
    Ainda que haja quem pense ser possível que se trate do reinado de Dario II (Zenger, 2001, p. 521).
  • 5
    Tradução própria (Bíblia Stuttgartensia, 1984).

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Editado por

  • Editores
    Márcia Eloi Rodrigues e Franklin Alves Pereira

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    28 Ago 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    19 Dez 2025
  • Aceito
    26 Jun 2026
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