Editorial

Anna Elisa de Villemor-Amaral

Editorial

Neste terceiro número do volume 14, encerramos nossa gestão da Psico-Usf, desde o início assumida pelo período de dois anos. O rodízio nas gestões é muito importante e permite a todos os participantes do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade São Francisco contribuírem com suas experiências para o bom andamento da revista. Durante esses dois anos, a equipe de editores, conselheiros, assistentes, consultores e técnicos pôde concretizar o ingresso da revista na coleção SciELO e aumentar para quadrimestral a periodicidade da revista. Isso permitiu a edição de cinco números, totalizando 66 artigos publicados de autores brasileiros e estrangeiros. A produção científica em Psicologia vem crescendo muito e a Psico-Usf tem acompanhado o ritmo mais acelerado dos últimos anos. A próxima equipe editorial enfrentará o desafio desse constante crescimento, preservando a qualidade que tem caracterizado nossas publicações.

Este fascículo traz doze artigos e duas resenhas. Os dois primeiros se inserem na área da saúde, sendo o primeiro dedicado ao estudo do distress em pacientes oncológicos, desenvolvendo um instrumento que permita avaliar a experiência emocional e multifatorial relacionada ao sofrimento no contexto de tratamento de doenças graves. Os autores Cristiane Sant'Anna Decat, Jacob Arie Laros, Tereza Cristina Cavalcanti Ferreira de Araujo, da Universidade de Brasília - Brasília, contribuem desse modo com adaptação e validação do Termômetro de Distress para uso no Brasil. Ainda no contexto da saúde, Daniela Arroyo Esquivel, Luiz Antonio Nogueira-Martins e Latife Yazigi publicam seu estudo sobre burnout entre os médicos no primeiro ano de residência médica em ortopedia. Encontraram resultados positivos, indicando que os residentes avaliados apresentam sensibilidade ao estresse sem se revelarem distantes no contato interpessoal ou emocionalmente defendidos.

O artigo seguinte trata da psicoterapia psicodinâmica breve: estratégia terapêutica e mudança no padrão de relacionamento conflituoso. O grupo liderado por Elisa Medici Pizão Yoshida, da PUC de Campinas, apresenta um estudo de caso em que acompanharam a evolução terapêutica de uma paciente utilizando-se de diversos instrumentos de avaliação psicológica. A seguir encontra-se o artigo "Avaliação de atitudes de estudantes de psicologia via modelo de crédito parcial da TRI", de Claudette Maria Medeiros Vendramini, Marjorie Cristina Rocha da Silva e Anelise Silva Dias, da Universidade São Francisco, discutindo as atitudes de estudantes de psicologia em relação a estatística, concluindo que predominam sentimentos mais negativos que positivos em relação a essa disciplina. No mesmo contexto de investigações com estudantes de Psicologia, Viviane Oliveira Baumgartl, Elizabeth do Nascimento, Christopher Patrick, Richard Arvey, Robert Krueger encontrarm correlações significativas e negativas entre os construtos de integridade e externalização apontando para associação entre maior manifestação de comportamentos dignos e honestos e menor manifestação de comportamentos antissociais impulsivos.

Visando à tradução e adaptação cultural do Outcome Questionnaire (OQ-45) para o Brasil, Lucas de Francisco Carvalho e Glaucia Mitsuko Ataka da Rocha, apresentam sua investigação com esse instrumento que foi desenvolvido com a finalidade de avaliar o progresso do paciente durante o processo psicoterapêutico. Concluem que o instrumento é de fácil compreensão, mesmo para pacientes de baixo nível de escolaridade, alertando para a necessidade de estudos de validação e precisão.

No contexto educacional, Samuel Brauer, Gardênia Abbad e Thaís Zerbini falam sobre as "Características da clientela e barreiras à conclusão de um curso a distância". Aqui também procurou-se desenvolver uma escala de barreiras pessoais à conclusão de cursos, relacionando-as posteriormente com dados demográficos da clientela de um curso a distância, obtendo-se resultados satisfatórios do ponto de vista psicométrico, mas com baixo poder explicativo quando relacionado aos dados demográficos.

No contexto organizacional temos o trabalho "Pequenos grupos informais nas instituições: exercício da cidadania e da dimensão instituinte". Os autores, Nedio Antonio Seminotti, Maria Lúcia Andreoli de Moraes e Flávia Moises Rocha, discutem os grupos informais como um método/caminho que acolhe, viabiliza e potencializa desejos, necessidades e metas dos participantes, como estes se articulam com os grupos formais e concluem que esses grupos são coordenados por líderes eficazes e que o significado do grupo é dar sentido à vida das pessoas que fazem parte dele. Ainda focando as organizações, Helenita de Araújo Fernandes e Maria Cristina Ferreira discutem o impacto dos valores pessoais e organizacionais no comprometimento com a organização. Para tanto investigaram 311 indivíduos de organizações de diversos setores por meio de três instrumentos e encontraram relações significativas entre valores pessoais, valores organizacionais e comprometimento organizacional, concluindo que é possível desenvolver estratégias com base em valores capazes de suscitar maior comprometimento do empregado.

Encontram-se na sequência dois trabalhos com crianças. O primeiro, de Helena Bazanelli Prebianchi e Érika Hansen Barbarini, intitulado "Qualidade de vida infantil: limites e possibilidades das questões teórico-metodológicas", no qual fazem uma pesquisa bibliográfica que lhes permite considerar que a proliferação de instrumentos de QV e de pesquisas na área ocorreu sem aprofundamento das questões conceituais e metodológicas e sem informações, obtida por meio das próprias crianças. O segundo trabalho com a população infantil focou um grupo indígena, influência de aspectos sociais e culturais na educação de crianças indígenas. Nele, Sonia Grubits, Heloisa Bruna Grubits Freire e José Angel Vera Noriega buscaram verificar como características socioculturais e familiares influenciam na adaptação escolar de crianças de diversos grupos indígenas e, por meio de entrevistas e observações, concluíram que a curiosidade infantil não é reprimida, permitindo a exploração do ambiente, a participação em todas as atividades familiares, sem restrição, punição ou castigo.

Finalizando este número, encontra-se o trabalho "Êxito social e gênero na velhice: leitura e atividade física", de Geraldina Porto Witter, Ana Paula Moreira Galvão, Marcelo de Almeida Buriti e Elza Maria Tavares Silva. Os autores tiveram como objetivo estudar a ocorrência de leitura e de atividade física em idosos e demonstraram que êxito social se correlacionou com melhor desempenho em leitura.

Na expectativa de que todos tenham uma leitura instrutiva e proveitosa, desejo um contínuo crescimento da contribuição da Psico-Usf para a comunidade de psicólogos.

Anna Elisa de Villemor-Amaral

Editora

Dezembro de 2009

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    06 Abr 2010
  • Data do Fascículo
    Dez 2009
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