O “Problema da Imersão” nos Estudos do Empreendedorismo: Uma Proposição Teórica

Victor Silva Corrêa Glaucia Maria Vasconcellos Vale Pedro Lucas de Resende Melo Marina de Almeida Cruz Sobre os autores

RESUMO

Objetivo

o artigo procura investigar o conceito de imersão e sua influência aos estudos do empreendedorismo.

Metodologia

o trabalho, um ensaio teórico, apropria-se da literatura sobre embeddedness de Granovetter, e associa-a a proposições clássicas da sociologia econômica de Karl Polanyi. Reflexões relacionadas às estruturas de reciprocidade e redistribuição são, aí, enfatizadas.

Resultados

evidências sugerem que o conceito de imersão de Granovetter acaba por não romper com a lógica utilitarista que caracteriza os estudos subsocializados dos quais critica. O mesmo ocorre quando o conceito é empregado por pesquisadores do empreendedorismo. Embora implícita à origem da associação entre “imersão e empreendedorismo” se encontre a noção do empreendedor enquanto criador de redes, isto é, como agente influenciado pelos recursos derivados das estruturas nas quais se encontram imersos, estudiosos da área acabam por endossar o pressuposto do ator interessado.

Conclusões

o artigo chama a atenção dos pesquisadores do empreendedorismo para a repercussão, ainda pouco explorada, de outros tipos de imersão social (Reciprocidade e Redistribuição). Ao mesmo tempo, sugere por meio da “imersão total” a criação de novo modelo analítico, eventualmente capaz de ampliar as reflexões sobre as influências da imersão em diferentes estruturas à trajetória empreendedora. Finaliza com novas proposições, com destaque para abordagens e sugestões de investigações ainda hoje inexploradas. Classificação JEL: L26, A2, L21.

imersão; empreendedorismo; reciprocidade; redistribuição; mercado

ABSTRACT

Objective

the paper seeks to investigate the concept of embeddedness and its influence on entrepreneurship studies.

Method

the paper is a theoretical essay. It appropriates Granovetter's embeddedness literature and associates it with classical propositions of Karl Polanyi's economic sociology. Reflections related to the structures of reciprocity and redistribution are emphasized.

Results

evidence suggests that Granovetter's embeddedness concept ends up not breaking with the utilitarian logic that characterizes the sub-socialized studies in which it criticizes itself. The same is true when the concept is employed by entrepreneurship researchers. Although implicit in the origin of the association between “embeddedness and entrepreneurship” is the notion of the entrepreneur as a network creator, that is, as an agent influenced by the resources derived from the structures in which they are embedded, scholars of the area endorse the interested actor's assumption.

Conclusion

the article draws the attention of entrepreneurship scholars to the still unexplored repercussions of other types of social embeddedness (Reciprocity and Redistribution). At the same time, it suggests through "total embeddedness" the creation of a new analytical model, eventually capable of broadening the reflections of scholars about the influences of embeddedness in different structures. The paper concludes with new propositions, highlighting approaches and suggestions for investigations that are still unexplored. JEL Code: L26, A2, L21.

embeddedness; entrepreneurship; reciprocity; redistribution; market

INTRODUÇÃO

A literatura sobre economia neoclássica, expressa “na visão dos indivíduos como Homo Economicus" (Granovetter, 1990, pGranovetter, M. S. (1990). The myth of social network analysis as a special method in the social sciences. Connections, 13(1-2), 13-16. Retrieved from https://pdfs.semanticscholar.org/02b4/a958eb7c86449b5429f49e380cd356c50add.pdf
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, p. 14), ganhou, sobretudo nas últimas décadas, particular destaque nos estudos da Administração. Com efeito, “os valores de mercado, [até então] utilizados para explicar e apoiar somente as transações classicamente econômicas, [passaram a partir do último quarto do século XX], a explicar a prestação de serviços da administração” (Migone, 2011, pMigone, A. (2011). Embedded markets: A dialogue between FA Hayek and Karl Polanyi. The Review of Austrian Economics, 24(4), 355-381. https://doi.org/10.1007/s11138-011-0148-2
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, p. 355), de modo geral, e do empreendedorismo, aqui de interesse particular. Insere-se, na essência da literatura neoclássica, a existência de algumas concepções fundamentais.

Uma delas, aqui de interesse particular, relaciona-se à maximização utilitária da ação, conceito originalmente edificado por Adam Smith. Prevalece na literatura sobre o tema a noção de que as decisões dos atores econômicos seriam “baseadas no cálculo racional das ... escolhas possíveis” (Beckert, 2013Beckert, J. (2013). Imagined futures: Fictional expectations in the economy. Theory and society, 42(3), 219-240. https://dx.doi.org/10.2139/ssrn.2464088
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, p. 219). Nesta vertente de raciocínio, os atores seriam interpretados como essencialmente egoístas, independentes, autossuficientes e autônomos. Isto é, tomariam decisões “de maneira isolada da de outros agentes” (Krippner, 2002Krippner, G. R. (2002). The elusive market: Embeddedness and the paradigm of economic sociology. Theory and Society, 30(6), 775-810. https://doi.org/10.1023/A:1013330324198
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, p. 776). Tal característica impactou, inclusive, estudos sobre empreendedorismo. Inseriu-se sob a literatura da área a ideia, advinda da economia, de que os empreendedores seriam autônomos e autossuficientes (Hmieleski, Carr, & Baron, 2015; Tok & Kaminski, 2018)Tok, M. E., Kaminski, J. J. (2018). Islam, entrepreneurship, and embeddedness. Thunderbird International Business Review, 61(5), 697-705. Retrieved from https://doi.org/10.1002/tie.21970
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. Eles seriam capazes de alterar, até mesmo, “o próprio paradigma tecnológico ou produtivo existente” (Vale, Wilkinson, & Amâncio, 2008, p. 8).

Com efeito, salienta Colbari (2007)Colbari, A. (2007). Educação corporativa e desenvolvimento profissional na dinâmica sócio-cultural das empresas. Civitas. Revista de Ciências Sociais, 7(1), 9-34. http://dx.doi.org/10.15448/1984-7289.2007.1.2035
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como os empreendedores são “portadores de qualidades e habilidades excepcionais” (p. 9); como eles possuem atributos capazes de diferenciá-los em relação aos demais (ver, por exemplo: Hmieleski et al., 2015Hmieleski, K. M., Carr, J. C., Baron, R. A. (2015). Integrating discovery and creation perspectives of entrepreneurial action: The relative roles of founding CEO human capital, social capital, and psychological capital in contexts of risk versus uncertainty. Strategic Entrepreneurship Journal, 9(4), 289-312. https://doi.org/10.1002/sej.1208
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; Tok & Kaminski, 2018Tok, M. E., Kaminski, J. J. (2018). Islam, entrepreneurship, and embeddedness. Thunderbird International Business Review, 61(5), 697-705. Retrieved from https://doi.org/10.1002/tie.21970
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). Nesta linha de pensamento, “o sucesso dos ... empreendimentos estaria fundamentalmente associado às características comportamentais do empreendedor” (Ostgaard & Birley, 1996, pOstgaard, T. A., Birley, S. (1996). New venture growth and personal networks. Journal of Business Research, 36(1), 37-50. https://doi.org/10.1016/0148-2963(95)00161-1
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, p. 37); o “desempenho de [suas] empresas [seria] reflexo direto de suas características e seus comportamentos” (Hmieleski et al., 2015, pHmieleski, K. M., Carr, J. C., Baron, R. A. (2015). Integrating discovery and creation perspectives of entrepreneurial action: The relative roles of founding CEO human capital, social capital, and psychological capital in contexts of risk versus uncertainty. Strategic Entrepreneurship Journal, 9(4), 289-312. https://doi.org/10.1002/sej.1208
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, p. 292). A perspectiva que associa o empreendedor a um agente autônomo não é necessariamente recente. Remonta à Schumpeter (1982Schumpeter, J. A. (1982). A teoria do desenvolvimento econômico: Uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juros e o ciclo econômico. São Paulo: Abril Cultural (Original work published 1911)/1911), considerado o “teórico do empreendedorismo por excelência” (Martinelli, 2009, pMartinelli, A. (2009). O contexto do empreendedorismo. In A. C. B. Martes (Org.), Redes e sociologia econômica (pp. 207-238). São Carlos: Edufscar., p. 210). Para o autor, o empreendedor é “um tipo especial, ... a força motriz de grande número de fenômenos significativos” (Schumpeter, 1982Schumpeter, J. A. (1982). A teoria do desenvolvimento econômico: Uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juros e o ciclo econômico. São Paulo: Abril Cultural (Original work published 1911)/1911, p. 58). Em sua visão, “o empreendedorismo é compreendido como resultado da ação de agente único: o empreendedor” (Ferrary & Granovetter, 2009, pFerrary, M., Granovetter, M. (2009). The role of venture capital firms in Silicon Valley’s complex innovation network. Economy and Society, 38(2), 326-359. https://doi.org/10.1080/03085140902786827
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, p. 327).

A noção da ação econômica – dentre a qual se insere aquela realizada pelos empreendedores (Granovetter, 1992a) – como essencialmente derivada de agentes autônomos e autossuficientes, foi fortemente criticada por Granovetter (1985)Granovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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em artigo hoje clássico, considerado o fundador da Nova Sociologia Econômica (Eisenberg, 2011Eisenberg, C. (2011). Embedding markets in temporal structures: A challenge to economic sociology and history. Historical Social Research, 36(3), 55-78. https://doi.org/10.12759/hsr.36.2011.3.55-78
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; Graça, 2012Graça, J. C. (2012). Acerca da instabilidade da condição da sociologia econômica. Análise Social, 47(1), 4-27. Retrieved from http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1332346101B4nRF0fh4Rb24QU2.pdf
http://analisesocial.ics.ul.pt/documento...
). Segundo o autor, “qualquer descrição da interação humana que limite a explicação aos interesses individuais acaba por abstrair aspectos fundamentais da relação” (Granovetter, 2002Granovetter, M. (2002). A theoretical agenda for economic sociology. In M. F. Guillén, R. Collins, P. England, M. Meyer (Eds.), New economic sociology: The developments in an emerging field (pp. 35-60). New York: Russell Sage Foundation. Retrieved from www.jstor.org/stable/10.7758/9781610442602
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, p. 36). Em outras palavras, para Granovetter (1985)Granovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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, os indivíduos não se comportariam como átomos abstraídos de dado contexto social, cuja ação seria sempre racionalmente motivada, instrumental e calculada. Ao invés disso, salienta o autor, “suas tentativas de ação intencional estariam” (Granovetter, 1992b, p. 32) “imersas em sólidos e contínuos sistemas de relações sociais” (Granovetter, 1985Granovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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, p. 486). Ao sustentar isto, Granovetter acabou, por meio do embeddedness, criando um dos “mais influentes conceitos da ciência social ao longo das últimas décadas” (Lewis & Chamlee-Wright, 2008Lewis, P., Chamlee-Wright, E. (2008). Social embeddedness, social capital and the market process: An introduction to the special issue on Austrian economics, economic sociology and social capital. Review of Austrian Economics, 21, 107-18. Retrieved from https://ssrn.com/abstract=2544225
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, p. 107).

Com efeito, sob “muitas maneiras, o trabalho de Granovetter criou uma mudança paradigmática e preencheu o buraco estrutural que existia entre a sociologia econômica e o campo da moderna pesquisa do empreendedorismo" (McKeever, Anderson, & Jack, 2014, p. 224). A partir dele, diferentes autores passaram “a questionar a visão generalizada [dos] empreendedores como atores econômicos isolados” (Hoang & Antoncic, 2003, pHoang, H., Antoncic, B. (2003). Network-based research in entrepreneurship: A critical review. Journal of Business Venturing, 18(2), 165-187. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(02)00081-2
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, p. 167); começaram a chamar a atenção para a necessidade de se incorporar à figura do empreendedor a noção, relacional, segundo a qual tais indivíduos se encontrariam imersos em estruturas socioeconômicas capazes de influenciá-los (Lajqi & Krasniqi, 2017Lajqi, S., Krasniqi, B. A. (2017). Entrepreneurial growth aspirations in challenging environment: The role of institutional quality, human and social capital. Strategic Change, 26(4), 385-401. https://doi.org/10.1002/jsc.2139
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; Shan, Smith, Smith, & Shaw, 2017; Song & Ju, 2016; Song, Min, Lee, & Seo, 2017; Stam, Arzlanian, & Elfring, 2014; Williams, Huggins, & Thompson, 2017, entre outros). Lajqi e Krasniqi (2017)Lajqi, S., Krasniqi, B. A. (2017). Entrepreneurial growth aspirations in challenging environment: The role of institutional quality, human and social capital. Strategic Change, 26(4), 385-401. https://doi.org/10.1002/jsc.2139
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, por exemplo, enfatizam como os empreendedores só “podem ser compreendidos e interpretados se nós os posicionarmos dentro ... das redes sociais, e não somente como tomadores de decisão atomizados que maximizam suas próprias utilidades” (p. 387). Ferrary e Granovetter (2009)Ferrary, M., Granovetter, M. (2009). The role of venture capital firms in Silicon Valley’s complex innovation network. Economy and Society, 38(2), 326-359. https://doi.org/10.1080/03085140902786827
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por sua vez, salientam como o “sucesso das empresas não é o resultado somente da qualidade de um empreendedor ..., mas, também, de sua imersão em complexas redes sociais” (p. 337). Finalmente, Williams, Huggins e Thompson (2017) argumentam como o empreendedorismo é “inerentemente um processo socializado baseado em redes sociais informais que fornecem recursos valiosos” (p. 719).

Note como tal argumento contrasta “a noção de que existe algum motivo puro e invariante dirigindo o comportamento humano” (Krippner & Alvarez, 2007Krippner, G. R., Alvarez, A. S. (2007). Embeddedness and the intellectual projects of economic sociology. Annual Review of Sociology, 33, 219-240. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.33.040406.131647
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, p. 227); contrapõe à “postura adotada pelos neoclássicos que compreendem o agir econômico como [resultado de] decisão atomizada fora de contexto social” (Costa & Souza, 2009, pCosta, A. M., Souza, C. S. (2009, May). Racionalidade econômica e estrutura social: O embeddedness e o ethos do empresário capitalista. Anais do Congresso Brasileiro de Sociologia da Sociedade Brasileira de Sociologia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 14. Retrieved from http://www.sbsociologia.com.br/portal/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=3638&Itemid=171
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, p. 9). Em outras palavras, “implicitamente ou explicitamente, os fornecedores da visão Granovetteriana de imersão rejeitam a existência do Homo Economicus” (Krippner & Alvarez, 2007, pKrippner, G. R., Alvarez, A. S. (2007). Embeddedness and the intellectual projects of economic sociology. Annual Review of Sociology, 33, 219-240. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.33.040406.131647
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, p. 227). Segundo autores desta linha de pensamento, o “agente com autointeresse que maximiza as decisões de uma maneira isolada da de outros agentes, é pouco mais que uma ficção” (Krippner & Alvarez, 2007, pKrippner, G. R., Alvarez, A. S. (2007). Embeddedness and the intellectual projects of economic sociology. Annual Review of Sociology, 33, 219-240. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.33.040406.131647
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, p. 227). Neste sentido, o “reconhecimento crescente dos empreendedores como atores socializados”, salientam McKeever, Anderson e Jack (2014), “é visto por muitos como ajuste corretivo baseado na crescente insatisfação com a ... a parcimônia dos modelos econômicos neoclássicos” (p. 222).

Mas, será que o conceito de imersão de Granovetter – compreendido como a “extensão na qual a ação econômica está conectada ou depende das ações ou instituições que não são econômicas em conteúdo, objetivos ou processos” (Granovetter, 2005, p. 35) –, de maneira geral, e os estudos sobre empreendedorismo baseados em uma perspectiva relacional daí derivada, e aqui de interesse particular, romperam com a lógica utilitarista que caracteriza os estudos subsocializados dos quais critica? Em outras palavras, será que os pesquisadores do empreendedorismo compreendem os empreendedores como agentes imersos em estruturas sociais a partir de dimensão que ultrapassa sua natureza atomizada, fundamentada nos princípios do autointeresse? Este artigo, de natureza essencialmente teórica, insere-se na essência destas reflexões (Sobre características e atributos para trabalhos de desenvolvimento teórico, recomenda-se: Fulmer, 2012Fulmer, I. S. (2012). Editor’s comments: The craft of writing theory articles —Variety and similarity in AMR. Academy of Management Review, 37(3), 327-331. http://dx.doi.org/10.5465/amr.2012.0026
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; Gilson & Goldberg, 2015Gilson, L. L., Goldberg, C. B. (2015). Editors’ comment: So, what is a conceptual paper? Group & Organization Management, 40(2), 127–130. https://doi.org/10.1177/1059601115576425
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; Hillman, 2011Hillman A. (2011). Editor’s comments: What is the future of theory? Academy of Management Review, 36(4), 606–608. https://doi.org/10.5465/amr.2011.0209
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; Meneghetti, 2011Meneghetti, F. K. (2011). O que é um ensaio-teórico? Revista de Administração Contemporânea, 15(2), 320-332. https://dx.doi.org/10.1590/S1415-65552011000200010
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; Van de Ven, 1989Van de Ven, A. H. (1989). Nothing is quite so practical as a good theory. Academy of Management Review, 14(4), 486-489. https://doi.org/10.5465/amr.1989.4308370
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; Whetten, 1989)Whetten, D. A. (1989). What constitutes a theoretical contribution? Academy of Management Review, 14(4), 490-495. http://dx.doi.org/10.2307/258554
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. Procura, de maneira inovadora aos estudos da área, investigar o conceito de imersão e sua influência sobre os trabalhos do empreendedorismo. Faz isto através da apropriação da literatura sobre embeddedness de Granovetter (1985)Granovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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, associada, ao mesmo tempo, a proposições clássicas da sociologia econômica de Karl Polanyi (2000, 20Polanyi, K. (2000). A grande transformação: As origens da nossa época. Rio de Janeiro: Campus., 2018Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge.). Reflexões relacionadas às estruturas de reciprocidade e redistribuição, ainda intocadas por pesquisadores da Administração no Brasil, são, aí, enfatizadas. Ao fazer isso, este artigo acaba por tecer importantes contribuições. Primeira, chama a atenção dos estudiosos da área para a repercussão, ainda pouco explorada, de outros tipos de imersão social (Reciprocidade e Redistribuição). Segunda, sugere a criação de novo modelo analítico, eventualmente capaz de ampliar as reflexões dos estudiosos sobre as influências da imersão em diferentes estruturas à trajetória empreendedora. Além disso, elabora proposições aos estudiosos do empreendedorismo, com destaque para novas abordagens e sugestões de investigações, ainda hoje inexploradas.

Tais esforços não se demonstram em vão. Salienta Barber (1995)Barber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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como “melhor entendimento do relacionamento entre trocas de mercado, de um lado, e trocas sociais, [aqui expressas no papel desempenhado pela imersão,] por outro, é essencial para clarificar ambos os conceitos” (p. 395). Este é o caso ainda hoje. De fato, mesmo atualmente, “as pesquisas ... sobre redes têm se concentrado fortemente sobre os laços de mercado e em menor grau sobre os laços referenciais” (Ahuja, Soda, & Zaheer, 2012, p. 443). Em levantamento por títulos (embedde* and/or social structure | imersão and/or Estrutura social) de artigos disponíveis no “Portal de Periódicos da Capes” e publicados nos últimos 5 anos, poucos trabalhos, todos internacionais (Jerolmack & Tavory, 2014Jerolmack, C., Tavory, I. (2014). Molds and totems: Nonhumans and the constitution of the social self. Sociological Theory, 32(1), 64-77. https://doi.org/10.1177%2F0735275114523604
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; Julien, Favre, Chatellet, & Lazega, 2016; Ozdemir, Moran, Zhong, & Bliemel, 2014; Tok & Kaminski, 2018)Tok, M. E., Kaminski, J. J. (2018). Islam, entrepreneurship, and embeddedness. Thunderbird International Business Review, 61(5), 697-705. Retrieved from https://doi.org/10.1002/tie.21970
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, procuraram, tal como aqui proposto, investigar o conceito de imersão e suas potenciais conexões com estudos econômicos. Ainda assim, voltam-se a contextos distintos do de empreendedorismo, aqui de interesse particular. Salientam McKeever et al. (2014)McKeever, E., Anderson, A., Jack, S. (2014). Social embeddedness in entrepreneurship research: The importance of context and community. In E. Chell & M. Karataş-Özkan (Eds.), Handbook of research on small business and entrepreneurship (pp. 222-236). https://doi.org/10.4337/9781849809245.00022
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como o estudo sobre a “importância do contexto social [aos] empreendedores ... está apenas no começo” (p. 231).

Ao mesmo tempo, quando análises buscam associar as temáticas sobre embeddedness e empreendedorismo (ver, por exemplo: Jack & Anderson, 2002Jack, S. L., Anderson, A. R. (2002). The effects of embeddedness upon the entrepreneurial process. Journal of Business Venturing, 17(5), 467-487. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(01)00076-3
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; Kenney & Goe, 2004, eKenney, M., Goe, W. R. (2004). The role of social embeddedness in professorial entrepreneurship: A comparison of electrical engineering and computer science at UC Berkeley and Stanford. Research Policy, 33(5), 691-707. https://doi.org/10.1016/j.respol.2003.11.001
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, entre outras), fazem-nas de modo teórico-empírico, e em reflexões que desconsideram a relevância e o impacto das estruturas de reciprocidade e redistribuição (Polanyi, 2000, 2018)Polanyi, K. (2000). A grande transformação: As origens da nossa época. Rio de Janeiro: Campus., 2018Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge.), aqui enfatizadas. Com efeito, enquanto Jack e Anderson (2002)Jack, S. L., Anderson, A. R. (2002). The effects of embeddedness upon the entrepreneurial process. Journal of Business Venturing, 17(5), 467-487. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(01)00076-3
https://doi.org/10.1016/S0883-9026(01)00...
exploram “como os empreendedores usam a estrutura na criação e operação de seus negócios” (p. 467), Kenney e Goe (2004)Kenney, M., Goe, W. R. (2004). The role of social embeddedness in professorial entrepreneurship: A comparison of electrical engineering and computer science at UC Berkeley and Stanford. Research Policy, 33(5), 691-707. https://doi.org/10.1016/j.respol.2003.11.001
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, por sua vez, buscam elucidar como as instituições nas quais professores universitários estão imersos “influenciam suas atividades empreendedoras” (p. 692). Além disso, estudos que associam embeddedness e empreendedorismo acabam muitas vezes por não refletir sobre o próprio conceito de imersão, tomando-o como estabelecido, e, com isso, adotando-o sob perspectiva eventualmente circunscrita, aqui também objeto de análise.

Derivaria desta reflexão uma segunda lacuna de pesquisa. Ela se relacionaria à própria noção de imersão tal como edificada por Granovetter (1985)Granovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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. Argumentam Krippner e Alvarez (2007)Krippner, G. R., Alvarez, A. S. (2007). Embeddedness and the intellectual projects of economic sociology. Annual Review of Sociology, 33, 219-240. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.33.040406.131647
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como “resolução completa das ambiguidades associadas ao conceito ... permanece indefinida” (p. 227); como “o conceito continua fonte de enorme confusão” (McKeever et al., 2014McKeever, E., Anderson, A., Jack, S. (2014). Social embeddedness in entrepreneurship research: The importance of context and community. In E. Chell & M. Karataş-Özkan (Eds.), Handbook of research on small business and entrepreneurship (pp. 222-236). https://doi.org/10.4337/9781849809245.00022
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, p. 222). Note como há, ainda hoje, diferentes “oportunidades para desvelar a própria noção de imersão social” (McKeever et al., 2014McKeever, E., Anderson, A., Jack, S. (2014). Social embeddedness in entrepreneurship research: The importance of context and community. In E. Chell & M. Karataş-Özkan (Eds.), Handbook of research on small business and entrepreneurship (pp. 222-236). https://doi.org/10.4337/9781849809245.00022
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, p. 232). Finalmente, uma terceira lacuna se associaria, de modo geral, à própria abordagem da sociologia econômica. Alerta Swedberg (2007)Swedberg, R. (2007). Max Weber’s interpretive economic sociology. American Behavioral Scientist, 50(8), 1035-1055. https://doi.org/10.1177%2F0002764207299352
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como a área “não é muito inovadora e arrojada” (p. 1035); como ela “precisa de mais ideias” (Swedberg, 2007Swedberg, R. (2007). Max Weber’s interpretive economic sociology. American Behavioral Scientist, 50(8), 1035-1055. https://doi.org/10.1177%2F0002764207299352
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, p. 1035). Este artigo se insere justamente aí. Procura preencher partes destas diferentes lacunas.

O PROBLEMA DA IMERSÃO

Conquanto reflexões sobre sociologia econômica remontem a autores clássicos, tais como Weber, Thurnwald, Ruggie, entre outros que tentavam “enunciar os pressupostos ... de uma ciência social” (Raud-Mattedi, 2005Raud-Mattedi, C. H. J. (2005). Análise crítica da sociologia econômica de Mark Granovetter: Os limites de uma leitura do mercado em termos de redes e imbricação. Política & Sociedade, 4(6), 59-82. https://doi.org/10.5007/%25x
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, p. 127), foi somente a partir dos trabalhos de Granovetter (1985)Granovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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que as críticas à desatenção dos economistas “ao papel das relações sociais” (Swedberg, 2004Swedberg, R. (2004). Sociologia econômica: Hoje e amanhã. Tempo Social, 16(2), 7-34. https://doi.org/10.1590/S0103-20702004000200001
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, p. 26) e o fim do “desdém recíproco que separavam economistas de sociólogos” (Peixoto & Marques, 2003Peixoto, J., Marques, R. (2003). A sociologia económica em Portugal. Sociologia, Problemas e Práticas, (42), 201-216. Retrieved from http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65292003000200009&lng=pt&nrm=i&tlng=pt
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?scri...
, p. 201) ganharam destaque particular (Krippner & Alvarez, 2007)Krippner, G. R., Alvarez, A. S. (2007). Embeddedness and the intellectual projects of economic sociology. Annual Review of Sociology, 33, 219-240. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.33.040406.131647
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. De fato, em artigo hoje clássico publicado em 1985 (Graça, 2012Graça, J. C. (2012). Acerca da instabilidade da condição da sociologia econômica. Análise Social, 47(1), 4-27. Retrieved from http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1332346101B4nRF0fh4Rb24QU2.pdf
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; Raud-Mattedi, 2005)Raud-Mattedi, C. H. J. (2005). Análise crítica da sociologia econômica de Mark Granovetter: Os limites de uma leitura do mercado em termos de redes e imbricação. Política & Sociedade, 4(6), 59-82. https://doi.org/10.5007/%25x
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e considerado um dos fundadores da Nova Sociologia Econômica (Beckert, 2009)Beckert, J. (2009). The great transformation of embeddedness: Karl Polanyi and the new economic sociology. In C. Hann, K. Hart (Hrsg.), Market and society: The great transformation today (pp. 38-55). New York: Cambridge University Press. Retrieved from https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2465810
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, um “dos textos sociológicos ... mais citados das últimas décadas” (Eisenberg, 2011, pEisenberg, C. (2011). Embedding markets in temporal structures: A challenge to economic sociology and history. Historical Social Research, 36(3), 55-78. https://doi.org/10.12759/hsr.36.2011.3.55-78
https://doi.org/10.12759/hsr.36.2011.3.5...
, p. 61), o autor se apropriou do argumento de embeddedness originalmente criado por Polanyi (Kaup, 2015)Kaup, B. Z. (2015). Markets, nature, and society: Embedding economic & environmental sociology. Sociological Theory, 33(3), 280-296. https://doi.org/10.1177/0735275115599186
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. Salienta-se que o termo embeddedness “não possui correlato em português” (Schneider & Escher, 2011, pSchneider, S., Escher, F. (2011). A contribuição de Karl Polanyi para a sociologia do desenvolvimento rural. Sociologias, 13(27), pp. 180-219. https://dx.doi.org/10.1590/S1517-45222011000200008
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, p. 196). Será, neste trabalho, compreendido pelas expressões análogas Imersão (Schneider & Escher, 2011)Schneider, S., Escher, F. (2011). A contribuição de Karl Polanyi para a sociologia do desenvolvimento rural. Sociologias, 13(27), pp. 180-219. https://dx.doi.org/10.1590/S1517-45222011000200008
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, Enraizamento (Chien, Chen & Hsu, 2012) e Incrustação (Graça, 2012)Graça, J. C. (2012). Acerca da instabilidade da condição da sociologia econômica. Análise Social, 47(1), 4-27. Retrieved from http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1332346101B4nRF0fh4Rb24QU2.pdf
http://analisesocial.ics.ul.pt/documento...
. Ao defender “o enraizamento social de toda ação econômica” (Beamish, 2007, pBeamish, T. D. (2007). Economic sociology in the next decade and beyond. American Behavioral Scientist, 50(8), 993-1014. https://doi.org/10.1177/0002764207299350
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, p. 995), Granovetter acabou por reivindicar o “emprego da análise de redes em sociologia econômica, uma agenda que vem sendo sustentada por ele desde então” (Swedberg, 2004, pSwedberg, R. (2004). Sociologia econômica: Hoje e amanhã. Tempo Social, 16(2), 7-34. https://doi.org/10.1590/S0103-20702004000200001
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, p. 11).

A abordagem da incrustação de Granovetter se insere em meio à crítica do autor a duas correntes teóricas fundamentais (Granovetter, 1985). A primeira é derivada dos estudos de Wrong (1961)Wrong, D. (1961). The oversocialized conception of man in modern sociology. American Sociological Review, 26(2), 183–193. https://doi.org/10.2307/2089854
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e se denomina supersocializada. Associa-se ao Fator Analítico da Visão, um dos legados de Talcott Parsons. Nesta abordagem, as instituições são compreendidas como “estruturas normativas” (Barber, 1998Barber, B. (1998). Parsons’s second project: The social system. Sources, development and limitations. The American Sociologist, 29(2), 77-82. https://dx.doi.org/10.1007/s12108-998-1030-y
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, p. 79); ela “retrata os atores como completamente socializados” aos ditames das normas consensualmente desenvolvidas (Simsek, Lubatkin, & Floyd, 2003, p. 440). Segundo esta perspectiva, o comportamento dos indivíduos seria fundamentalmente “orientado por ‘valores supremos’” (Krippner, 2002, pKrippner, G. R. (2002). The elusive market: Embeddedness and the paradigm of economic sociology. Theory and Society, 30(6), 775-810. https://doi.org/10.1023/A:1013330324198
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, p. 789), isto é, “regido pelo contexto social” (Simsek et al., 2003, pSimsek, Z., Lubatkin, M. H., Floyd, S. W. (2003). Inter-firm networks and entrepreneurial behavior: A structural embeddedness perspective. Journal of Management, 29(3), 427-442. https://doi.org/10.1016%2FS0149-2063_03_00018-7
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, p. 440). Em outras palavras, a abordagem supersocializada se baseia na ideia de que “as ordens em uma hierarquia provocar[iam] obediência passiva ..., suprimindo todo conflito com seus próprios interesses” (Granovetter, 1985, pGranovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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, p. 505). Nela, “pessoas [seriam] predominantemente sensíveis às opiniões de outras ... e, portanto, obedientes aos ditames das normas e valores consensualmente desenvolvidos e internalizados através da socialização” (Granovetter, 1992b, p. 28).

A segunda abordagem, por sua vez, denomina-se subsocializada. Relaciona-se aos estudos econômicos derivados das perspectivas clássica e neoclássica. Nesta vertente de raciocínio, os atores são compreendidos como Homo economicus (Barber, 1995Barber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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), cujo comportamento deve se restringir às questões relacionadas somente ao preço. O objetivo, portanto, é o de “comprar barato e vender caro” (Barber, 1995Barber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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, p. 398). Isto é, insere-se sobre a perspectiva subsocializada a noção de que a “ação racional ou instrumental”, fundamentada na “raiz de um ‘individualismo metodológico’” (Granovetter, 2002Granovetter, M. (2002). A theoretical agenda for economic sociology. In M. F. Guillén, R. Collins, P. England, M. Meyer (Eds.), New economic sociology: The developments in an emerging field (pp. 35-60). New York: Russell Sage Foundation. Retrieved from www.jstor.org/stable/10.7758/9781610442602
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, p. 35), explicaria todas as atividades das pessoas. Neste contexto, “as relações pessoais são frias e atomísticas; se existem laços ou contratos entre as partes, [estes seriam] mais uma questão de autointeresse, um comportamento em busca do lucro que um compromisso voluntário ou um comportamento altruísta” (Krippner et al., 2004Krippner, G., Granovetter, M., Block, F., Biggart, N., Beamish, T., Hsing, Y., Hart, G., Arrighi, G., Mendell, M., Hall, J., Burawoy, M., Vogel, S., O’Riain, S. (2004). Polanyi symposium: A conversation on embeddedness. Socio-Economic Review, 2(1), 109-135. https://doi.org/10.1093/soceco/2.1.109
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, p. 119). Note como à abordagem subsocializada os indivíduos seriam essencialmente impessoais, frios (Uzzi, 1997Uzzi, B. (1997). Social structure and competition in interfirm networks: The paradox of embeddedness. Administrative Science Quarterly, 42(1), 35-67. https://doi.org/10.2307/2393808
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), egoístas, hiper-racionais, utilitaristas (Biggart & Beamish, 2003Biggart, N. W., Beamish, T. D. (2003). The economic sociology of conventions: Habit, custom, practice, and routine in market order. Annual Review of Sociology, 29, 443-464. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.29.010202.100051
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), independentes (Krippner et al., 2004)Krippner, G., Granovetter, M., Block, F., Biggart, N., Beamish, T., Hsing, Y., Hart, G., Arrighi, G., Mendell, M., Hall, J., Burawoy, M., Vogel, S., O’Riain, S. (2004). Polanyi symposium: A conversation on embeddedness. Socio-Economic Review, 2(1), 109-135. https://doi.org/10.1093/soceco/2.1.109
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, autointeressados (Coleman, 1988)Coleman, J. S. (1988). Social capital in the creation of human capital. American Journal of Sociology, 94, 95-120. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/2780243
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e isolados (Krippner, 2002)Krippner, G. R. (2002). The elusive market: Embeddedness and the paradigm of economic sociology. Theory and Society, 30(6), 775-810. https://doi.org/10.1023/A:1013330324198
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. Com efeito, “no modelo neoclássico, a eficiência e a maximização do lucro dependem, apenas, do comportamento de busca individual” (Uzzi, 1997, pUzzi, B. (1997). Social structure and competition in interfirm networks: The paradox of embeddedness. Administrative Science Quarterly, 42(1), 35-67. https://doi.org/10.2307/2393808
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, p. 50).

Segundo Granovetter (1985Granovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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, 1992aGranovetter, M. S. (1992a). Economic institutions as social constructions: A framework for analysis. Acta Sociologica, 35(1), 3-11. https://doi.org/10.1177/000169939203500101
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), os atores econômicos, dentre os quais se inserem os empreendedores, não “aderem servilmente a um roteiro escrito para eles por uma interseção de categorias socioculturais”, nem, tampouco, comportam-se “ou decidem como átomos que se encontram fora de um contexto social” (Granovetter, 1992b, p. 32). De fato, “uma análise frutífera de qualquer ação humana”, enfatiza o autor, “requer de nós evitar a atomização presente nos extremos teóricos das visões sub e supersocializada” (Granovetter, 1992b, p. 32). O autor sugere uma “terceira proposta” (Raud-Mattedi, 2005Raud-Mattedi, C. H. J. (2005). Análise crítica da sociologia econômica de Mark Granovetter: Os limites de uma leitura do mercado em termos de redes e imbricação. Política & Sociedade, 4(6), 59-82. https://doi.org/10.5007/%25x
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, p. 65), uma espécie de “meio-termo entre as visões sub e supersocializada” da ação (Granovetter, 1985Granovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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, p. 509): a “de que os comportamentos e as instituições a serem analisados são tão compelidos pelas contínuas relações sociais que interpretá-los como elementos independentes representa grave mal-entendido” (Granovetter, 1985Granovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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, p. 482). Isto é, o “comportamento [dos indivíduos] está profundamente imerso em redes de relações interpessoais” (Granovetter, 1985Granovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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, p. 507).

Ao defender a ideia de que toda ação “está imersa em redes de relações pessoais ao invés de serem realizadas por atores atomizados” (Granovetter, 1992a, p. 4), Granovetter acabou edificando com a noção de embeddedness “um dos “mais influentes conceitos da ciência social” (Lewis & Chamlee-Wright, 2008Lewis, P., Chamlee-Wright, E. (2008). Social embeddedness, social capital and the market process: An introduction to the special issue on Austrian economics, economic sociology and social capital. Review of Austrian Economics, 21, 107-18. Retrieved from https://ssrn.com/abstract=2544225
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, p. 107); ele lançou “as bases para a institucionalização de nova abordagem para a sociologia econômica” (Ballarino & Regini, 2008, pBallarino, G., Regini, M. (2008). Convergent perspectives in economic sociology: An Italian view of contemporary developments in Western Europe and North America. Socio-Economic Review, 6(2), 337-363. https://doi.org/10.1093/ser/mwm020
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, p. 351). Salienta Eisenberg (2011)Eisenberg, C. (2011). Embedding markets in temporal structures: A challenge to economic sociology and history. Historical Social Research, 36(3), 55-78. https://doi.org/10.12759/hsr.36.2011.3.55-78
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como, nas últimas décadas, “o aumento no reconhecimento da sociologia econômica é impressionante” (p. 57); como a literatura sobre as “redes tem se tornado a mais avançada influência dentro” desta área (Beckert, 2009, pBeckert, J. (2009). The great transformation of embeddedness: Karl Polanyi and the new economic sociology. In C. Hann, K. Hart (Hrsg.), Market and society: The great transformation today (pp. 38-55). New York: Cambridge University Press. Retrieved from https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2465810
https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?...
, p. 42). Atualmente, é possível perceber como a “imersão é ... muito usada mesmo além da sociologia econômica” (Barber, 1995, pBarber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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, p. 387). O campo da administração é um deles. Com efeito, enfatiza Martes (2009)Martes, A. C. B. (2009). Introdução: Redes e sociologia econômica. In A. C. B. Martes (Coord.), Redes e sociologia econômica (pp. 21-28). São Carlos: Edufscar. como o conceito de imersão pode ser “utilizado para se compreender inúmeros fenômenos contemporâneos ... nas áreas da Administração Pública e Privada” (p. 21).

Inserir-se-iam, aí, estudos sobre startups (Shirokova, Tsukanova, & Morris, 2018), internacionalização (Leppäaho, Chetty, & Dimitratos, 2018); sustentabilidade (De Clercq, Thongpapanl, & Voronov, 2018), inovação (Hermanson, McKelvey, & Zaring, 2018), responsabilidade social corporativa (Reimsbach, Braam, & Wang, 2018), desenvolvimento regional (Terstriep & Lüthje, 2018)Terstriep, J., Lüthje, C. (2018). Innovation, knowledge and relations–on the role of clusters for firms’ innovativeness. European Planning Studies, 26(11), 2167-2199. https://doi.org/10.1080/09654313.2018.1530152
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, entre outros. Um deles, aqui de interesse particular, relaciona-se ao fenômeno do empreendedorismo (ver, por exemplo: Greenberg, Farja, & Gimmon, 2018; Lajqi & Krasniqi, 2017Lajqi, S., Krasniqi, B. A. (2017). Entrepreneurial growth aspirations in challenging environment: The role of institutional quality, human and social capital. Strategic Change, 26(4), 385-401. https://doi.org/10.1002/jsc.2139
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; McKeever et al., 2014McKeever, E., Anderson, A., Jack, S. (2014). Social embeddedness in entrepreneurship research: The importance of context and community. In E. Chell & M. Karataş-Özkan (Eds.), Handbook of research on small business and entrepreneurship (pp. 222-236). https://doi.org/10.4337/9781849809245.00022
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; Smith et al., 2017Smith, C., Smith, J. B., Shaw, E. (2017). Embracing digital networks: Entrepreneurs’ social capital online. Journal of Business Venturing, 32(1), 18-34. https://doi.org/10.1016/j.jbusvent.2016.10.003
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; Stam et al., 2014)Stam, W., Arzlanian, S., Elfring, T. (2014). Social capital of entrepreneurs and small firm performance: A meta-analysis of contextual and methodological moderators. Journal of Business Venturing, 29(1), 152-173. https://doi.org/10.1016/j.jbusvent.2013.01.002
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. De fato, sob “muitas maneiras, o trabalho de Granovetter criou uma mudança paradigmática e preencheu o buraco estrutural que existia entre a sociologia econômica e o campo da moderna pesquisa do empreendedorismo” (McKeever et al., 2014, pMcKeever, E., Anderson, A., Jack, S. (2014). Social embeddedness in entrepreneurship research: The importance of context and community. In E. Chell & M. Karataş-Özkan (Eds.), Handbook of research on small business and entrepreneurship (pp. 222-236). https://doi.org/10.4337/9781849809245.00022
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, p. 224). Atualmente, a “imersão social é extremamente útil ... ao estudo do” campo (McKeever et al., 2014, pMcKeever, E., Anderson, A., Jack, S. (2014). Social embeddedness in entrepreneurship research: The importance of context and community. In E. Chell & M. Karataş-Özkan (Eds.), Handbook of research on small business and entrepreneurship (pp. 222-236). https://doi.org/10.4337/9781849809245.00022
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, p. 223). Salientam McKeever et al. (2014)McKeever, E., Anderson, A., Jack, S. (2014). Social embeddedness in entrepreneurship research: The importance of context and community. In E. Chell & M. Karataş-Özkan (Eds.), Handbook of research on small business and entrepreneurship (pp. 222-236). https://doi.org/10.4337/9781849809245.00022
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como é “um conceito firmemente estabelecido” (p. 231) no estudo da área.

Apesar disto, isto é, a despeito das enormes contribuições do conceito de imersão, Granovetter não ficou inerte à manifestação de diferentes críticas. Inseriram-se, aí: (a) falta de corpo teórico unificado (Graça, 2012Graça, J. C. (2012). Acerca da instabilidade da condição da sociologia econômica. Análise Social, 47(1), 4-27. Retrieved from http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1332346101B4nRF0fh4Rb24QU2.pdf
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; Krippner & Alvarez, 2007Krippner, G. R., Alvarez, A. S. (2007). Embeddedness and the intellectual projects of economic sociology. Annual Review of Sociology, 33, 219-240. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.33.040406.131647
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; Swedberg, 2007)Swedberg, R. (2007). Max Weber’s interpretive economic sociology. American Behavioral Scientist, 50(8), 1035-1055. https://doi.org/10.1177%2F0002764207299352
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. Com efeito, “a confusão teórica é uma queixa comum dos críticos contra o conceito de imersão” (Krippner & Alvarez, 2007, pKrippner, G. R., Alvarez, A. S. (2007). Embeddedness and the intellectual projects of economic sociology. Annual Review of Sociology, 33, 219-240. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.33.040406.131647
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, p. 220); (b) desconsideração da influência do Estado. A “abordagem ... de Granovetter não desenvolve uma análise ... do papel do Estado na economia” (Raud, 2007, pRaud, C. (2007). Bourdieu e a nova sociologia econômica. Tempo Social, 19(2), 203-232. https://doi.org/10.1590/S0103-20702007000200008
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, p. 214); (c) imprecisão conceitual. De fato, argumentam McKeever et al. (2014)McKeever, E., Anderson, A., Jack, S. (2014). Social embeddedness in entrepreneurship research: The importance of context and community. In E. Chell & M. Karataş-Özkan (Eds.), Handbook of research on small business and entrepreneurship (pp. 222-236). https://doi.org/10.4337/9781849809245.00022
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como o “conceito sofre de indefinição teórica” (p. 226); como ele “permanece, [ainda hoje,] fonte de enorme confusão” (McKeever et al., 2014, pMcKeever, E., Anderson, A., Jack, S. (2014). Social embeddedness in entrepreneurship research: The importance of context and community. In E. Chell & M. Karataş-Özkan (Eds.), Handbook of research on small business and entrepreneurship (pp. 222-236). https://doi.org/10.4337/9781849809245.00022
https://doi.org/10.4337/9781849809245.00...
, p. 222). Uma das críticas ao argumento da imersão, ainda emergente e aqui de interesse particular, relaciona-se à associação do conceito à noção de mercado.

Isto é, ao defender como “as relações sociais formam os resultados econômicos” (Krippner & Alvarez, 2007Krippner, G. R., Alvarez, A. S. (2007). Embeddedness and the intellectual projects of economic sociology. Annual Review of Sociology, 33, 219-240. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.33.040406.131647
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, p. 222), Granovetter acabou por deixar intacta a “noção de uma economia analiticamente autônoma” (Krippner & Alvarez, 2007, pKrippner, G. R., Alvarez, A. S. (2007). Embeddedness and the intellectual projects of economic sociology. Annual Review of Sociology, 33, 219-240. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.33.040406.131647
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, p. 231). Em outras palavras, ao insistir “sobre a natureza intrinsicamente relacional de toda ação social” (Krippner & Alvarez, 2007, pKrippner, G. R., Alvarez, A. S. (2007). Embeddedness and the intellectual projects of economic sociology. Annual Review of Sociology, 33, 219-240. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.33.040406.131647
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, p. 231), o autor, influenciado por um Individualismo Metodológico (Raud-Mattedi, 2005)Raud-Mattedi, C. H. J. (2005). Análise crítica da sociologia econômica de Mark Granovetter: Os limites de uma leitura do mercado em termos de redes e imbricação. Política & Sociedade, 4(6), 59-82. https://doi.org/10.5007/%25x
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, por uma “lógica utilitária” também “presente nos estudos da Economia” (Carvalho, 2002, pCarvalho, M. R. O. (2002, setembro). Redes sociais: Convergências e paradoxos na ação estratégica. Diálogos Possíveis. Anais do Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, Salvador, BA, Brasil, 6., p. 2), acabou por “ressuscitar uma distinção entre mercado anônimo e economia social”, sugerindo a imersão do primeiro no último (Krippner & Alvarez, 2007, pKrippner, G. R., Alvarez, A. S. (2007). Embeddedness and the intellectual projects of economic sociology. Annual Review of Sociology, 33, 219-240. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.33.040406.131647
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, p. 231).

O “problema da imersão” é que, sob sua perspectiva, “as relações sociais afetam a economia a partir do exterior” (Krippner & Alvarez, 2007Krippner, G. R., Alvarez, A. S. (2007). Embeddedness and the intellectual projects of economic sociology. Annual Review of Sociology, 33, 219-240. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.33.040406.131647
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, p. 232); isto é, as “redes [acabam sendo] consideradas meios exogenamente-determinados pelos quais os indivíduos atendem aos benefícios privados baseados no princípio da maximização da utilidade” (Christoforou, 2011, pChristoforou, A. (2011). Social capital: A manifestation of neoclassical prominence or a path to a more pluralistic economics? Journal of Economic Issues, 45(3), 685-702. https://doi.org/10.2753/JEI0021-3624450309
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, p. 686). Note como, sob este ponto de vista, a abordagem da imersão não se distinguiria “radicalmente da lógica instrumental presente nos estudos da Economia Clássica” (Carvalho, 2002, pCarvalho, M. R. O. (2002, setembro). Redes sociais: Convergências e paradoxos na ação estratégica. Diálogos Possíveis. Anais do Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, Salvador, BA, Brasil, 6., p. 2); “não romperia fundamentalmente com o pressuposto do ator interessado da Ciência Econômica” (Raud-Mattedi, 2005, pRaud-Mattedi, C. H. J. (2005). Análise crítica da sociologia econômica de Mark Granovetter: Os limites de uma leitura do mercado em termos de redes e imbricação. Política & Sociedade, 4(6), 59-82. https://doi.org/10.5007/%25x
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, p. 74). Com efeito, ao explicar “os fenômenos sociais ... a partir da agregação das ações individuais” (Raud-Mattedi, 2005, pRaud-Mattedi, C. H. J. (2005). Análise crítica da sociologia econômica de Mark Granovetter: Os limites de uma leitura do mercado em termos de redes e imbricação. Política & Sociedade, 4(6), 59-82. https://doi.org/10.5007/%25x
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, p. 74), o autor acaba por manter a “hipótese da racionalidade; ... afirma que as explicações dos fenômenos sociais se fundamentam nas motivações e nos comportamentos dos indivíduos” (Raud-Mattedi, 2005, pRaud-Mattedi, C. H. J. (2005). Análise crítica da sociologia econômica de Mark Granovetter: Os limites de uma leitura do mercado em termos de redes e imbricação. Política & Sociedade, 4(6), 59-82. https://doi.org/10.5007/%25x
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, p. 62). Logo, “não é de se admirar que os economistas institucionais e os sociólogos da escola racional ansiosamente retomaram esta noção de imersão, uma vez que poderiam facilmente incorporá-la em um quadro de escolha racional” (Beckert, 2009, pBeckert, J. (2009). The great transformation of embeddedness: Karl Polanyi and the new economic sociology. In C. Hann, K. Hart (Hrsg.), Market and society: The great transformation today (pp. 38-55). New York: Cambridge University Press. Retrieved from https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2465810
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, p. 43).

Tal é o evidenciado, também, nos estudos sobre empreendedorismo. Com efeito, enfatizam Stam, Arzlanian, e Elfring (2014) como os “empreendedores podem necessitar adaptar suas redes pessoais” (p. 153); como eles “alteram a estrutura [relacional] ... para seu próprio benefício” (Walker, Kogut, & Shan, 1997, p. 109). Ao buscar “deliberadamente criar estruturas sociais que os favoreçam de alguma maneira” (Ahuja et al., 2012, pAhuja, G., Soda, G., Zaheer, A. (2012). The genesis and dynamics of organizational networks. Organization Science, 23(2), 434-448. https://doi.org/10.1287/orsc.1110.0695
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, p. 438), note como os empreendedores podem ser interpretados como atores “capazes de escolher onde, em quais condições e em que medida estarão imersos” (Heidenreich, 2012, pHeidenreich, M. (2012). The social embeddedness of multinational companies: A literature review. Socio-Economic Review, 10(3), 549-579. https://doi.org/10.1093/ser/mws010
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, p. 573); como acabam por criar “estruturas de redes ... como resultado de ações egoístas ou ‘de auto busca’ por nós e suas conexões” (Ahuja et al., 2012, pAhuja, G., Soda, G., Zaheer, A. (2012). The genesis and dynamics of organizational networks. Organization Science, 23(2), 434-448. https://doi.org/10.1287/orsc.1110.0695
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, p. 438). Burt (2009)Burt, R. S. (2009). Structural holes: The social structure of competition. Cambridge, MA: Harvard University Press., cuja temática do empreendedorismo se insere na essência de suas reflexões, por exemplo, salienta como os empreendedores “desempenham papel ativo na formação de seus relacionamentos” (p. 286). Visto que sabem “como estruturar uma rede para fornecer altas oportunidades, [eles] sabe[m] quem incluir”, salienta o autor (Burt, 2009, pBurt, R. S. (2009). Structural holes: The social structure of competition. Cambridge, MA: Harvard University Press., p. 286). Neste ponto de vista, na medida que os empreendedores “ponderam custos versus benefícios” (Jackson, 2007, pJackson, M. O. (2007). Literature review: The study of social networks in economics. In J. E. Rauch (Ed.), The missing links: Formation and decay of economic networks. New York: Russel Sage Foundation., p. 3) de se enraizarem, a abordagem estrutural das redes acabaria por não romper “com o pressuposto do ator interessado” (Raud-Mattedi, 2005, pRaud-Mattedi, C. H. J. (2005). Análise crítica da sociologia econômica de Mark Granovetter: Os limites de uma leitura do mercado em termos de redes e imbricação. Política & Sociedade, 4(6), 59-82. https://doi.org/10.5007/%25x
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, p. 74). Em outras palavras, uma vez que os “indivíduos [são] partes autointeressadas que formam e restringem conexões de modo a maximizar seus eventuais benefícios” (Jackson, 2007, pJackson, M. O. (2007). Literature review: The study of social networks in economics. In J. E. Rauch (Ed.), The missing links: Formation and decay of economic networks. New York: Russel Sage Foundation., p. 6), não é de se admirar que a noção de imersão “conduz a um erro analítico ... de ver o mercado e sua íntima companheira teórica, a escolha racional, como as únicas explicações do comportamento social” (Barber, 1995, pBarber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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, p. 401); como o “conceito cultural central com o qual a imersão está inter-relacionada é o de ‘mercado’” (Barber, 1995, pBarber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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, p. 388).

RECIPROCIDADE E REDISTRIBUIÇÃO: UMA POSSÍVEL SOLUÇÃO?

Embora a abordagem sobre imersão tenha ganhado particular destaque com o trabalho de Granovetter (1985)Granovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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, diferentes autores acabam por associar à Karl Polanyi a origem do argumento (Heidenreich, 2012Heidenreich, M. (2012). The social embeddedness of multinational companies: A literature review. Socio-Economic Review, 10(3), 549-579. https://doi.org/10.1093/ser/mws010
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; Machado, 2010Machado, N. M. C. (2010). Karl Polanyi e a Nova Sociologia Econômica: Notas sobre o conceito de (dis)embeddedness. Revista Crítica de Ciências Sociais, (90), 71-94. https://doi.org/10.4000/rccs.1771
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; Tok & Kaminski, 2018Tok, M. E., Kaminski, J. J. (2018). Islam, entrepreneurship, and embeddedness. Thunderbird International Business Review, 61(5), 697-705. Retrieved from https://doi.org/10.1002/tie.21970
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). Enfatiza Machado (2010)Machado, N. M. C. (2010). Karl Polanyi e a Nova Sociologia Econômica: Notas sobre o conceito de (dis)embeddedness. Revista Crítica de Ciências Sociais, (90), 71-94. https://doi.org/10.4000/rccs.1771
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, por exemplo, “como Polanyi é quase consensualmente considerado o ‘pai’ do conceito de incrustação” (p. 71). O autor associou imersão à ideia de que a “economia e a sociedade [somente] podem ser analisadas através de uma abordagem holística” (Gemici, 2008, pGemici, K. (2008). Karl Polanyi and the antinomies of embeddedness. Socio-Economic Review, 6(1), 5-33. https://doi.org/10.1093/ser/mwl034
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, p. 7); através “do exame de como elas [estão imersas] nas relações sociais e nas instituições” (Gemici, 2008, pGemici, K. (2008). Karl Polanyi and the antinomies of embeddedness. Socio-Economic Review, 6(1), 5-33. https://doi.org/10.1093/ser/mwl034
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, p. 7). Segundo o autor, mesmo as trocas de mercado se encontram imersas em outros tipos de estruturas econômicas, a exemplo da de reciprocidade e redistribuição, não exploradas por Granovetter quando de sua posterior apropriação. Com efeito, o autor “não apresenta nenhuma compreensão da importância de sistemas sociais maiores nos quais todas as economias estão localizadas” (Barber, 1995, pBarber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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, p. 406); não “lida com os comportamentos de reciprocidade e de redistribuição que existem juntamente com os de mercado na sociedade moderna” (Barber, 1995, pBarber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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, p. 406). Isto é, “o mercado não [seria] única forma de organizar as transações nas sociedades atuais” (Marques, 2003, pMarques, R. (2003). Os trilhos da nova sociologia econômica. In. R. Marques, J. Peixoto (Orgs.), A nova sociologia econômica: Uma antologia (pp. 1-67). Oeiras: Celta., p. 16). Outros “dois modos de regulação”, a reciprocidade e a redistribuição, continuariam “a coexistir” (Marques, 2003, pMarques, R. (2003). Os trilhos da nova sociologia econômica. In. R. Marques, J. Peixoto (Orgs.), A nova sociologia econômica: Uma antologia (pp. 1-67). Oeiras: Celta., p. 16 ). Com efeito, atualmente, até “assistimos a uma revitalização e recuperação destas modalidades” (Marques, 2003, pMarques, R. (2003). Os trilhos da nova sociologia econômica. In. R. Marques, J. Peixoto (Orgs.), A nova sociologia econômica: Uma antologia (pp. 1-67). Oeiras: Celta., p. 16).

Reciprocidade, salienta Munck (2015)Munck, R. (2015). Karl Polanyi for Latin America: Markets, society and development. Canadian Journal of Development Studies/Revue Canadienne d’Études du Développement, 36(4), 425-441. https://doi.org/10.1080/02255189.2016.1095167
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, envolve a “troca de equivalências” (p. 426); “denota movimentos entre pontos correlativos de agrupamentos simétricos” (Polanyi, 2018Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge., p. 35). Em outras palavras, a reciprocidade ocorre quando “os valores relevantes e as normas, quer seja de toda a sociedade ou de parte dela, prescrevem que os indivíduos que têm obrigações recíprocas uns com os outros” (Barber, 1995Barber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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, p. 396) – a exemplo do observado em diferentes agrupamentos, tais como a família, o clã, as relações de amizade, as comunidades, as associações, entre outras (Schneider & Escher, 2011Schneider, S., Escher, F. (2011). A contribuição de Karl Polanyi para a sociologia do desenvolvimento rural. Sociologias, 13(27), pp. 180-219. https://dx.doi.org/10.1590/S1517-45222011000200008
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) –, deem e recebam “um do outro bens materiais e imateriais apenas em virtude destes relacionamentos de status” (Barber, 1995, pBarber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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, p. 396). Observe como neste tipo de estrutura, cujo funcionamento se baseia “através das redes” (Vinha, 2001, pVinha, V. (2001). Polanyi e a nova sociologia econômica: Uma aplicação contemporânea do conceito de enraizamento social. Econômica, 3(2), 207-230. Retrieved from http://www.ie.ufrj.br/intranet/ie/userintranet/hpp/arquivos/artigo_valeria_vinha_rev.economica.pdf
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, p. 214), a “dimensão cooperativa e o valor da confiança [passam a serem] reconhecidos como essenciais à [sua] continuidade, estabilidade e eficiência” (Vinha, 2001, pVinha, V. (2001). Polanyi e a nova sociologia econômica: Uma aplicação contemporânea do conceito de enraizamento social. Econômica, 3(2), 207-230. Retrieved from http://www.ie.ufrj.br/intranet/ie/userintranet/hpp/arquivos/artigo_valeria_vinha_rev.economica.pdf
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, p. 214). Nela, prevalece-se a ideia de que “o que se dá hoje é recompensado pelo que se toma amanhã” (Polanyi, 2000, pPolanyi, K. (2000). A grande transformação: As origens da nossa época. Rio de Janeiro: Campus., p. 70). Diferentes autores vêm salientando como “as trocas sociais baseadas nas normas de reciprocidade ... podem facilitar as trocas econômicas” (Yoon & Hyun, 2010, pYoon, W., Hyun, E. (2010). Economic, social and institutional conditions of network governance: Network governance in East Asia. Management Decision, 48(8), 1212-1229. https://doi.org/10.1108/00251741011076753
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, p. 1215). Exemplos disso poderiam ser encontrados em diferentes situações. Inserir-se-iam, aí, quando um pai ajuda um filho a criar um novo empreendimento, quando um amigo auxilia no desenvolvimento da empresa, quando se auxilia um “parceiro que passa por algum tipo de necessidade” (Polanyi, 2018, pPolanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge., p. 37), entre outras. Enfatiza Polanyi (2018)Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge. como “quanto mais próximos os membros de [dada] comunidade ..., mais geral será a tendência entre eles para desenvolver atitudes de reciprocidade” (p. 37).

Redistribuição, por sua vez, designaria “movimento de apropriação em direção a um centro e saindo dele de novo” (Polanyi, 2018Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge., p. 35). Fundamentada na “presença de algumas medidas de centralidade” (Krippner, 2002Krippner, G. R. (2002). The elusive market: Embeddedness and the paradigm of economic sociology. Theory and Society, 30(6), 775-810. https://doi.org/10.1023/A:1013330324198
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, p. 783), seria evidenciada nas ocasiões em que “as normas e os valores prescrevem que os membros de dada comunidade” (Barber, 1995Barber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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, p. 397) – seja local, regional ou nacional –, devem fazer “contribuições de taxas ou bens ou serviços para alguma agência central” (Barber, 1995Barber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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, p. 397), tais como governo ou instituições de caridade. Estas agências, por sua vez, teriam a “responsabilidade tanto de alocação dessas contribuições para alguma empresa comum da coletividade, como a defesa” de seus interesses fundamentais (Barber, 1995Barber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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, p. 397). Neste tipo de estrutura, o importante “é a existência de um centro e o seu papel na coordenação do movimento dos meios para satisfazer os desejos” coletivos (Gemici, 2008Gemici, K. (2008). Karl Polanyi and the antinomies of embeddedness. Socio-Economic Review, 6(1), 5-33. https://doi.org/10.1093/ser/mwl034
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, p. 18). Note como a redistribuição “tende a emaranhar o sistema econômico propriamente dito em relações sociais” (Polanyi, 2000Polanyi, K. (2000). A grande transformação: As origens da nossa época. Rio de Janeiro: Campus., p. 72); como residiria à estrutura de redistribuição certa noção de “hierarquia e ... obediência a parâmetros ou estratégias definidos por [dada] instituição centralizadora” (Vinha, 2001Vinha, V. (2001). Polanyi e a nova sociologia econômica: Uma aplicação contemporânea do conceito de enraizamento social. Econômica, 3(2), 207-230. Retrieved from http://www.ie.ufrj.br/intranet/ie/userintranet/hpp/arquivos/artigo_valeria_vinha_rev.economica.pdf
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, p. 214). Salienta Polanyi (2018)Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge. como a “redistribuição ... está apta a integrar grupos em todos os níveis e em todos os graus de permanência” (p. 38). Segundo o autor, a exemplo do que acontece com a reciprocidade, “quanto mais unida a unidade, mais variada serão as subdivisões dentro das quais a redistribuição pode atuar” (Polanyi, 2018Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge., p. 38). Constituir-se-iam exemplos de redistribuição “os sistemas de tributação, [os] impostos e [a] taxação, organizados em diferentes instâncias administrativas dos Estados modernos” (Schneider & Escher, 2011Schneider, S., Escher, F. (2011). A contribuição de Karl Polanyi para a sociologia do desenvolvimento rural. Sociologias, 13(27), pp. 180-219. https://dx.doi.org/10.1590/S1517-45222011000200008
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, p. 192).

Embora Granovetter tenha adstrito à estrutura de mercado sua noção de imersão – com efeito, o “conceito cultural central com o qual a imersão está inter-relacionada é o de ‘mercado’” (Barber, 1995Barber, B. (1995). All economies are “embedded”: The career of a concept, and beyond. Social Research, 62(2), 387-413. Retrieved from https://www.jstor.org/stable/40971098
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, p. 388), parece ter o autor projetado luzes, conquanto de maneira indireta – não explorada –, para a possibilidade de se incorporar à noção de imersão os argumentos de reciprocidade e redistribuição. De fato, enquanto Granovetter “concorda com os economistas ... que a transição para a modernidade” (Granovetter, 1992b, p. 28), isto é, a eclosão da economia de mercado, “não mudou muito o nível de enraizamento”, salienta o autor ao mesmo tempo como este “sempre foi e continua a ser substancial”: isto é, “menos abrangente nos períodos anteriores que o afirmado pela posição do forte enraizamento” (Granovetter, 1992b, p. 28), dentre a qual se inserem Polanyi e outros que sustentam a ideia do mercado como totalmente imerso em reciprocidade e redistribuição, “mas, mais abrangente no período posterior que suposto por eles ou por economistas” (Granovetter, 1992b, p. 28), que defendem a economia como inerte à influência de outras estruturas (reciprocidade e redistribuição) senão à do mercado.

Em outros termos, Granovetter divide a noção de imersão entre forte e fraco. Ao primeiro, associado à escola substantivista da antropologia (Granovetter, 1992b), inserir-se-iam autores que defendem a ideia da economia como totalmente imersa em estruturas de reciprocidade e redistribuição. Ao segundo, no qual ele mesmo se aloca, inserir-se-ia o argumento de que a influência da reciprocidade e da redistribuição seria menor que o sugerido por Polanyi às sociedades primitivas, mas maior às estruturas de mercado que o sugerido pelos economistas. Logo, se é mais abrangente que o suposto pelos economistas, conjunto de pesquisadores que desconsidera a influência das redes e das estruturas de reciprocidade e redistribuição, é possível afirmar que o próprio Granovetter parece sugerir, embora de maneira bastante tangencial – não explorada pelo autor –, a possibilidade de se evidenciar, à economia de mercado, a imersão em estruturas de reciprocidade e redistribuição. Tal fica ainda mais evidente quando o autor sustenta como, atualmente, vamos encontrar “papel surpreendentemente grande para as categorias supostamente arcaicas da etnia e do parentesco” (Granovetter, 2009, p. 269). Com efeito, “a ideia que estas são substituídas na economia do mundo moderno por instituições eficientes e impessoais é um vestígio de desejo do idealismo iluminista que em uma análise cuidadosa não se sustenta”, salienta o autor (Granovetter, 2009Granovetter, M. S. (2009). The economic sociology of firms and entrepreneurs. In R. Swedberg (Ed.), Entrepreneurship: The social science view (pp. 244-275). New York: Oxford University Press., p. 269).

PROPOSTA DE INTEGRAÇÃO: A IMERSÃO DA IMERSÃO NOS ESTUDOS DO EMPREENDEDORISMO

A reflexão sobre mercado, reciprocidade e redistribuição vem, nos últimos anos, à exceção daquela associada ao empreendedorismo, ganhando destaque em parte da literatura (ver, por exemplo: McKeever et al., 2014McKeever, E., Anderson, A., Jack, S. (2014). Social embeddedness in entrepreneurship research: The importance of context and community. In E. Chell & M. Karataş-Özkan (Eds.), Handbook of research on small business and entrepreneurship (pp. 222-236). https://doi.org/10.4337/9781849809245.00022
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; Schneider & Escher, 2011Schneider, S., Escher, F. (2011). A contribuição de Karl Polanyi para a sociologia do desenvolvimento rural. Sociologias, 13(27), pp. 180-219. https://dx.doi.org/10.1590/S1517-45222011000200008
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; Swedberg, 2009Swedberg, R. (2009). A sociologia econômica do capitalismo: Uma introdução e agenda de pesquisa. In A. C. B. Martes (Coord.), Redes e sociologia econômica (pp. 161-197). São Carlos: Edufscar.; Tok & Kaminski, 2018)Tok, M. E., Kaminski, J. J. (2018). Islam, entrepreneurship, and embeddedness. Thunderbird International Business Review, 61(5), 697-705. Retrieved from https://doi.org/10.1002/tie.21970
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. Diferentes autores vêm sugerindo a possibilidade, originalmente suscitada por Polanyi (2000, 2018)Polanyi, K. (2000). A grande transformação: As origens da nossa época. Rio de Janeiro: Campus., 2018Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge.), de se evidenciar à economia de mercado a imersão combinada nas duas outras estruturas sociais. De fato, “uma vez que elas ocorrem lado a lado em diferentes níveis e em setores de uma economia”, salienta Polanyi (2018)Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge., “pode ser impossível selecionar um deles como dominante” (p. 35). Em outras palavras, o sistema de mercado enquanto estrutura institucional esteve “presente em nenhum momento senão no nosso próprio, e, mesmo assim, ... somente parcialmente presente” (Gemici, 2008, pGemici, K. (2008). Karl Polanyi and the antinomies of embeddedness. Socio-Economic Review, 6(1), 5-33. https://doi.org/10.1093/ser/mwl034
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, p. 18). “Diversas formas ... [poderiam] estar manifestas ao lado” dele (Polanyi, 2018, pPolanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge., p. 39). Segundo o autor, as formas de integração (mercado, reciprocidade e redistribuição) não representariam “‘estágios’ de desenvolvimento. Nenhuma sequência [estaria, aí,] implícita” (Polanyi, 2018, pPolanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge., p. 39). Tal seria o evidenciado ainda hoje. Com efeito, defendem Tok e Kaminski (2018)Tok, M. E., Kaminski, J. J. (2018). Islam, entrepreneurship, and embeddedness. Thunderbird International Business Review, 61(5), 697-705. Retrieved from https://doi.org/10.1002/tie.21970
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, por exemplo, como os “mercados podem operar somente dentro de certas restrições socioeconômicas [e] em conexão com outras duas formas de integração: redistribuição e reciprocidade” (p. 701); como estas “podem se manifestar em várias formas na contemporaneidade” (Tok & Kaminski, 2018, pTok, M. E., Kaminski, J. J. (2018). Islam, entrepreneurship, and embeddedness. Thunderbird International Business Review, 61(5), 697-705. Retrieved from https://doi.org/10.1002/tie.21970
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, p. 701). É possível sugerir, a partir das reflexões apresentadas até o momento, a concepção de algumas proposições fundamentais. Inserem-se aí:

P1: Estruturas sociais de reciprocidade e redistribuição podem se manifestar em associação à estrutura de mercado, influenciando-a;

P2: Estruturas sociais de reciprocidade e redistribuição podem ter influência sobre empreendedores/empreendimentos;

P3: Empreendedores/empreendimentos podem se encontrar simultaneamente imersos às estruturas de mercado, de reciprocidade e de redistribuição;

P4: Imersão Social pode ser eventualmente derivada da combinação simultânea entre estruturas de mercado, reciprocidade e redistribuição.

Mais que isso, salientam diferentes autores como mercado, reciprocidade, e redistribuição podem ser empregados no nível micro, associado às interações pessoais (Polanyi, 2018Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge.). Com efeito, conquanto compreendidas como formas de integração, reciprocidade, redistribuição e mercado podem “frequentemente [serem] empregados para denotar, também, inter-relações pessoais” (Polanyi, 2018Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge., p. 35), incluindo a dos empreendedores no âmbito micro. Reciprocidade, por exemplo, poderia ser evidenciada nas ocasiões em que a “mutualidade entre os indivíduos [se demonstra] frequente” (Polanyi, 2018Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge., p. 35). Já redistribuição, por sua vez, poderia estar presente “onde a partilha entre os indivíduos fosse comum” (Polanyi, 2018Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge., p. 35). Defende Polanyi (2018)Polanyi, K. (2018). The economy as instituted process. In M. Granovetter, R. Swedberg (Eds.), The sociology of economic life (pp. 3-50). London: Routledge. como, “independente[mente] da maneira com a qual a economia como um todo está integrada”, a “redistribuição também pode ser aplicada ... [a] um grupo menor” (p. 38), a exemplo da família, grupos de pessoas, empresários entre outros. Emergiria, daí, a quinta proposição de pesquisa:

P5: Estruturas sociais de Reciprocidade e Redistribuição podem ser apropriadas ao estudo dos empreendedores/empreendimentos nos níveis micro e/ou meso.

A Figura 1, a seguir, condensa as reflexões destacadas, e apresenta o modelo de análise proposto. Expõe duas concepções teóricas distintas. A primeira, vigente, resume a maneira como os pesquisadores associam a concepção da imersão. A segunda, fundamentada em lacuna da literatura aqui enfatizada, propõe nova interpretação teórica. Sugere a possibilidade, ainda inexplorada por pesquisadores do empreendedorismo, de se compreender os empreendedores como simultaneamente imersos em diferentes estruturas sociais.

Figura 1
Modelo de análise teórico proposto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo, um ensaio teórico, buscou, de maneira inovadora nos estudos da área, investigar o conceito de imersão e sua influência sobre os trabalhos do empreendedorismo. Mais, procurou investigar a associação do argumento de imersão, e dos estudos sobre empreendedorismo baseados em uma perspectiva relacional dele derivado – e aqui de interesse particular –, à lógica utilitarista representativa da abordagem subsocializada. Entre os questionamentos que direcionaram a reflexão proposta, destacou-se: será que os pesquisadores do empreendedorismo compreendem os empreendedores como agentes imersos em estruturas de relacionamentos a partir de dimensão que ultrapassa sua natureza atomizada, fundamentada nos princípios do autointeresse? Diferentes conclusões de pesquisa advieram daí. Duas delas podem ser enfatizadas.

A primeira de que o conceito de imersão acaba por não romper com a própria lógica utilitarista que caracteriza os estudos subsocializados dos quais critica. Com efeito, o Problema da Imersão é que, sob ela, “as redes [acabam sendo] consideradas meios exogenamente-determinados pelos quais os indivíduos atendem aos benefícios privados baseados no princípio da maximização da utilidade” (Christoforou, 2011Christoforou, A. (2011). Social capital: A manifestation of neoclassical prominence or a path to a more pluralistic economics? Journal of Economic Issues, 45(3), 685-702. https://doi.org/10.2753/JEI0021-3624450309
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, p. 686). A segunda, diretamente relacionada à anterior, associa-se à própria repercussão do conceito de imersão ao estudo do empreendedorismo. Implícita à origem dos estudos que compreendem o empreendedor como criador de redes, isto é, como agente influenciado pelos recursos derivados das estruturas nas quais se encontram imersos, prevalece a ideia de que os empreendedores não seriam agentes isolados, atomizados, independentes e autointeressados (Lajqi & Krasniqi, 2017Lajqi, S., Krasniqi, B. A. (2017). Entrepreneurial growth aspirations in challenging environment: The role of institutional quality, human and social capital. Strategic Change, 26(4), 385-401. https://doi.org/10.1002/jsc.2139
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; Shepherd, 2015). Apesar disto, evidências fundamentadas na literatura sugerem a observação de que os estudos da área acabaram por também não romper com a lógica utilitarista que caracteriza a própria noção de imersão da qual derivou. Com efeito, ao inserirem sob o argumento de imersão a noção de que os empreendedores podem “criar estruturas sociais que os favoreçam de alguma maneira” (Ahuja et al., 2012, pAhuja, G., Soda, G., Zaheer, A. (2012). The genesis and dynamics of organizational networks. Organization Science, 23(2), 434-448. https://doi.org/10.1287/orsc.1110.0695
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, p. 438), ponderando os “custos versus benefícios” de se enraizarem (Jackson, 2007, pJackson, M. O. (2007). Literature review: The study of social networks in economics. In J. E. Rauch (Ed.), The missing links: Formation and decay of economic networks. New York: Russel Sage Foundation., p. 3), os pesquisadores da área acabaram por endossar o pressuposto do ator interessado; isto é, acabaram por fortalecer a lógica utilitarista que caracteriza justamente os estudos subsocializados dos quais critica. Neste sentido, salienta Beckert (2009)Beckert, J. (2009). The great transformation of embeddedness: Karl Polanyi and the new economic sociology. In C. Hann, K. Hart (Hrsg.), Market and society: The great transformation today (pp. 38-55). New York: Cambridge University Press. Retrieved from https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2465810
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, “não é de se admirar que os economistas ... da escola racional ansiosamente retomaram esta noção de imersão, uma vez que ... poderiam facilmente incorporá-la em um quadro de escolha racional” (p. 43).

Mais ainda, pesquisadores do empreendedorismo desconsideraram a análise das eventuais repercussões da imersão às estruturas de reciprocidade e redistribuição, aqui sugeridas. De fato, estudos sobre empreendedorismo a partir de perspectiva relacional poderiam e deveriam ampliar as reflexões, ainda inexploradas por autores da área, sobre como a imersão em estruturas de reciprocidade e redistribuição impactam a trajetória empreendedora, projetando luzes para a influência de suas diferentes repercussões. Ao fazer isto, pesquisadores acabariam, por meio do estudo do empreendedorismo, por também ajudar a preencher parte da lacuna de pesquisa associada à própria noção de imersão tal como proposta por Granovetter (1985)Granovetter, M. S. (1985). Economic action and social structure: The problem of embeddedness. American Journal of Sociology, 91(3), 481-510. https://doi.org/10.1086/228311
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. De fato, embora inexplorada em seus trabalhos, o próprio autor reconhece a possibilidade de, às economias de mercado, manifestarem-se evidências de imersão em estruturas de reciprocidade e redistribuição. Neste contexto, diferentes questionamentos poderiam ser enfatizados.

Como ocorre a imersão em estruturas de reciprocidade e redistribuição? Qual a repercussão destas estruturas sociais à trajetória e ao desenvolvimento de diferentes tipos empreendedores e empreendimentos (por exemplo, empreendedores/empreendedorismo: por necessidade x oportunidade; sob perspectiva da firma; de base tecnológica; feminino; religioso; em estágio inicial, entre outros)? Poderiam os empreendedores usufruírem de recursos imersos nas estruturas de reciprocidade e redistribuição, combinando benefícios que ultrapassariam uma dimensão essencialmente utilitarista? Qual seria a influência de uma espécie de Imersão Total, aqui denominada como o enraizamento dos empreendedores às três estruturas sociais? Qual a importância de cada tipo de estrutura ao desenvolvimento longitudinal dos empreendimentos individuais ou daqueles associados ao contexto organizacional (meso)? Ainda mais importantemente, como as estruturas sociais influenciam os diferentes empreendimentos no meso âmbito da firma, e, por sua vez, como estes respondem às influências de suas distintas manifestações?

Estes e outros questionamentos permanecem, ainda hoje, sem respostas. Novos estudos poderiam explorar a natureza destas reflexões, buscando, por meio de pesquisas teórico-empíricas, considerar o empreendedorismo para além de sua dimensão de mercado. Salientam Tok e Kaminski (2018)Tok, M. E., Kaminski, J. J. (2018). Islam, entrepreneurship, and embeddedness. Thunderbird International Business Review, 61(5), 697-705. Retrieved from https://doi.org/10.1002/tie.21970
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, por exemplo, como a “interrelação entre as três formas de integração [(mercado, reciprocidade e redistribuição)] permanece ponto de debate atual” (p. 701). No campo do empreendedorismo, especificamente, tal interconexão se demonstra, ainda hoje, totalmente inexplorada. Neste sentido, observe como o campo se demonstra bastante fértil. Há, certamente, oportunidades para novas e instigantes descobertas. Argumentam McKeever et al. (2014)McKeever, E., Anderson, A., Jack, S. (2014). Social embeddedness in entrepreneurship research: The importance of context and community. In E. Chell & M. Karataş-Özkan (Eds.), Handbook of research on small business and entrepreneurship (pp. 222-236). https://doi.org/10.4337/9781849809245.00022
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como a compreensão da “importância do contexto social [aos] empreendedores [...] está apenas no começo” (p. 226). Este ensaio teórico, ao justamente salientar a natureza relacional dos empreendedores, enfatizando sua dimensão para além daquela associada ao mercado, procura fornecer pequena contribuição nesta direção.

REFERÊNCIAS

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  • Financiamento: Os autores informaram que não houve apoio financeiro para a pesquisa neste artigo.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    06 Mar 2020
  • Data do Fascículo
    May-Jun 2020

Histórico

  • Recebido
    02 Mar 2019
  • Revisado
    18 Jun 2019
  • Aceito
    02 Ago 2019
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