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Teletrabalho e comunicaçao em grandes CPDs

Teletrabalho; centros de processamento de dados; digitadores; taylorismo; comunicação informal; trabalho feminino; isolamento social; organização do trabalho; computadores; informatização; informática

Telework; data-processing centres; data-entry workers; taylorism; informal communication; women work; social isolation; work organization; computers; informatization; informatics

CASES

Teletrabalho e comunicaçao em grandes CPDs

Angelo Soares

Doutorando em Sociologia na Université Lavai, Québec

Palavras-chave: Teletrabalho, centros de processamento de dados, digitadores, taylorismo, comunicação informal, trabalho feminino, isolamento social, organização do trabalho, computadores, informatização, informática.

Key words: Telework, data-processing centres, data-entry workers, taylorism, informal communication, women work, social isolation, work organization, computers, informatization, informatics.

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Artigo recebido pela Redação da RAE em março/1993, avaliado em março/1993, junho, outubro/1994 e aprovado para publicação em outubro/1994.

Artigo publicado originalmente, sob o título "Telework and Communication in Data Processing Centers in Brazil", na Technology-Mediated Communication, Berlin, New York: Walter de Gruyter, 1992, p. 117-45.

1. Nos séculos XVI e XVII havia um grande entusiasmo em relação às máquinas, um "culto às máquinas", como Agostino Ramelli, engenheiro do rei da França, por exemplo, mostra em seu livro Le diverse et artificiose macchine, publicado em 1588, na França, onde ele descreve e ilustra o "órgão de flores", uma máquina que reproduzia o canto de um pássaro que saía de um imenso buquê de flores. Na realidade, o canto do pássaro era produzido por um escravo que, de um cômodo adjacente, soprava um pequeno tubo ligado ao órgão, que produzia o canto. Dessa maneira, o escravo produzia o som sem ser visto pelas pessoas, que admiravam o belo canto do pássaro.

2. TOFFLER, A. The third wave. London: Collins, 1980.

3. Utilizamos o termo "trabalhadores informáticos" para referir todo trabalho humano que é necessário à operação de computadores: analistas, programadores, digitadores, preparadores de dados, fitotecários, operadores de computadores etc.

4. CHAUÍ, M. O moderno como ideologia. Folha de S. Paulo, São Paulo, 21 out. 1985, p. 2.

5. ROSZACK, T. O culto da informação. São Paulo: Brasiliense, 1988, p. 12.

6. Para uma discussão mais detalhada sobre a organização e as condições de trabalho nos grandes CPDs brasileiros, ver SOARES, A. A organização do trabalho informático. São Paulo: PUC, 1989. (dissertação de mestrado); SOARES, A. The hard life of the unskilled workers in new technologies: data-entry clerks in Brazil - a case study. In BULLlNGER, H.J (Ed.). Human aspects in computing: design and use of interactive systems and information management Amsterdam: Elsevier Science, 1991, p 1219-23.

7. LITTLER, e. R. Understanding taylorisrn. British Journal of Sociology. v 29, n 2, 1978. p. 185-202.

8. GREENBAUM, J. M. In the name of efficiency. Philadelphia: Temple University, 1979.

9. DAVIES, L. E., TAYLOR, J. C. Design of jobs: selected readings. London: Penguin Books, 1972, p. 302.

10. Exceção feita aos analistas e, assim mesmo, se analisarmos historicamente, podemos observar uma redução dos programas de treinamento.

11. As falas que utilizamos são mantidas num português coloquial, tal como nos foi reportado nas entrevistas com trabalhadores e gerência, pois acreditamos que se trata de um aspecto sociocultural importante.

12. Conforme FOUCAULT, M. Vigiar e punir. Petropólis: Vozes, 1977.

13. DEJOURS, C. A loucura do trabalho. São Paulo: Oboré, 1987.

14. FOUCAULT, M. Op. cit., p. 131.

15. ZUBOFF, S. In the age of the smart machines. New York: Basic Books, 1988, p. 125.

16. Não só na digitação, mas nos outros cargos de pouca qualificação, a maioria dos trabalhadores também são mulheres.

17. BRAVERMAN, H. Trabalho e capital monopolista. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.

18. HUMPHREY, J. Gender and work in the third world - sexual divisions in Brazilian industry. London: Tavistock, 1987.

19. Em 1983 ocorreram duas greves em CPDs, segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos). Já em 1987, segundo a mesma fonte, ocorreram 23 greves em CPDs.

20. HUWS, U. Remote possibilities: some difficulties in the analysís and quantification of telework in the U. K. In: KORTE, W. B. (Ed.) Telework: present situation and future development of a new form of work organization. Amsterdam: EIsevier Science, 1988, p. 61-76.

21. Tal como proposto em: EMPIRICA. Telework: tne views and standpoints of the social partners and the workforce and potential for decentralized electronic working in the European ottice. Bonn: EFILWC, 1986. Também em OLSON, M. H. Remote office work: changing work patterns in space and time. Communication of the ACM, v. 26, n. 3, 1983, p. 182-87.

22. MONOD, E. Telecommuting - a new work, but still the same old story. In: OLERUP, A. et al. (ed.) Women, work and computerization. Amsterdam: Elsevier Science, 1985, p. 135-47.

23. Em inglês neighbourhood centers.

24.0LSON, M. H. Telework: practical experience and futures prospects.ln: KRAUT, R. E. (Ed.) Technology and the transformation of white-collar work. Hillsdale: Lawrence Erlbaum, 1987, p. 135-52.

25. EMPIRICA. Op. cit,

26.OLSON, M. H. Technology and the transformation ... Op. cit.

27. KRAUT, R. E. Predicting the use of technology: the case of telework. In: KRAUT, R. E. (Ed.) Op. cit, p. 113-33.

28. ELLlNG, M. Remote workl telecommuting - means to enhance quality of life or just another method to make business more brisk? In: OLERUP, A. et. al. (Ed.) Op. cit, p. 111-17.

29. ELLlNG, M. Op. cit.

30.HEDBERG, B., MEHLMANN, M. Computer power to people: computer resource centers or home terminais? Two scenarios. Behaviour and Information Technology, v. 3, n. 3, 1984, p. 235-48.

31. RENFRO, W. L. Second thoughts on moving the office home. In: FORESTER, T. (Ed.) The information technology revolution. Cambridge: Mass. The MIT Press, 1985, p. 209-15.

32. NILLES, J. Teleworking from home. In: FORESTER, T. (Ed.) Op. cit., p, 202-8.

33. HUWS, U. New technology homeworkers. Employment Gazette, Jan. 1984a., p.13-7.

34. Conforme HUWS, U. Employment Gazette, Op. cit., ELLING, M. Op. cit.

35. OLSON, M. H. Technology and the transformation ... Op. cit.

36. O custo das redes de telecomunicação vem decrescendo com o tempo, mas mesmo assim as experiências de teletrabalho, salvo algumas exceções, ainda enfrentam problemas e seus resultados são modestos. Ver sobre essa questão, EMPIRICA, Op. cit.

37. KRAUT, R.E. Op. cit.

38.Conforme EMPIRICA, op. cit., OLSON, M. H. Technology and the transformation ... Op. cit.

39. BLOMBERG, J. L. Social interaction and office communication - effects on user's evaluation of new technologies. In: KRAUT, R. E (ed.). Op. cit., p. 195-210; ver também HUWS, U. Employment Gazette, Op. cit.

40. KRAUT, R. E. Op. cit.

41. HUWS, U. The new homeworkers. London: The Low Pay Unit, 1984b.

42. RENFRO, W. L. Op, cit.

43.HEDBERG, B, MEHLMANN, M.Op cit.

44. OLSON, M. H. Communication ot the ACM. Op. cit.

45. MONOD, E. Op. cit.

46. Conforme ARDNSSON, G. Stress, skill demands health in computer mediated work. Displays, Jan. 1988, p.14-6; ver também HUWS, U. Telework: present situation and tuture development ... Op. cit.

47. MORAN, R., TANSEY, J. Telework: women and environments Dublin EFILWC,1986.

48. TUC. Homeworking. London: Trade Union Congress, 1985, (central sindical inglesa). Ver também sobre a questão sindical EMPIRICA, Op. cit.

49.OLSON, M. H. Technology and the transformation .. Op. cit.

50. VEDEL. G . GUNNARSSON, E. Flexibility in women's remate ottice work. In: OLERUP, A. Oo. cit. p. 127-3.

51. Esta pesquisa foi realizada em 1990.

52. Nesse grande CPD privado, a gerência nos reportou que em abril 1988, para um nível de produção equivalente a 100, existiam 25 digitadores. Após o processo de descentralização mediado pelo teletrabalho, em agosto 1989, o nível de produção tinha aumentado para 180, com apenas 5 digitadores.

53. Ver sobre a relação cliente x CPDs MUSIO, P. Introdução à informátíca. Rio de Janeiro: Vozes. 1987.

54. No Brasil os problemas músculo-esqueléticos são mais conhecidos, por uma razão histórica, como tenossinovite. Entretanto, a tenossinovite é apenas uma das doenças desse grupo. Para uma discussão sobre questões de nomenclatura e problemas músculo-esqueléticos, ver BAMMER, G. Occupation disease and social struggle: the case of work-related neck and upper limb disorders. Camberra: NCEPH, 1990.

55. BARTHES, R. Mitologias. São Paulo: Difel, 1985.

56. Ver SOARES, A. A organização do trabalho... Op. cit., SOARES, A. O que é informática-segunda visão. São Paulo:

Brasiliense, 1988, em que discutimos o mito da profissão do futuro com mais detalhes.

57. L1EBLlNG, B. A. ls it time to (de)centralize? Management Review, v. 70, n. 9, 1981, p. 14­20

58. O gerente geral do CPO privado que utiliza o teletrabalho nos disse textualmente que uma das razões para a sua implantação e utilização era porque "é mais seguro não ter todos os ovos na mesma cesta".

59. Ver SUCHMAN, L., WYNN. E. Procedures and problems in the oflice. Office: technology and people, v. 2, 1984, p. 133­54.

60. Conforme KATZ, D., KAHN, R. The social psychology of organizations. New York: John Wiley & Sons, 1967.

61. KRAUT, R. E. Op. cit.

62.DAVIS, K. Human relations at work - the dynamics of organization behaviour. New York: McGraw-Hill, 1967.

63. KARASEK, R., THEORELL, T. Healthy work: stress, productivity and the reconstruction of working life. New York: Basic Books, 1990.

64. Segundo Zubofl, as novas tecnologias possuem uma natureza dual: automatização/informação. A automatização é definida como uma forma de substituir o trabalho humano qualificado a fim de se obter a execução de tarefas a um menor custo, com um maior controle sobre a mão-de-obra. A informatização, por outro lado, vai além da automatização, sendo utilizada pelas organizações como uma forma de acompanhar e criar informações sobre o processo produtivo.

65. HOWARD, R. Brave new workplace. New York: Penguin Books, 1985.

Gostaria de agradecer a Urso E. Gattiker pela atenção e paciência com esse trabalho, Marizilda Faia, prof. Michael P. Zeitlin, Gabriele Bammer, Gunn Johansson, Tim Webb, Ursula Huws e Ruth Milkman.

Este texto foi originalmente publicado em GATTlKER, U. E. (Ed.) Technology-Mediated Comunnication, p. 117-145, Berlim, New York: Walter de Gruyter, 1992, sob o título de Telework and Communicatíon in Data Processing Centres in Brazil.

  • 4. CHAUÍ, M. O moderno como ideologia. Folha de S. Paulo, São Paulo, 21 out. 1985, p. 2.
  • 5. ROSZACK, T. O culto da informação. São Paulo: Brasiliense, 1988, p. 12.
  • 7. LITTLER, e. R. Understanding taylorisrn. British Journal of Sociology. v 29, n 2, 1978. p. 185-202.
  • 9. DAVIES, L. E., TAYLOR, J. C. Design of jobs: selected readings. London: Penguin Books, 1972, p. 302.
  • 15. ZUBOFF, S. In the age of the smart machines. New York: Basic Books, 1988, p. 125.
  • 17. BRAVERMAN, H. Trabalho e capital monopolista. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.
  • 18. HUMPHREY, J. Gender and work in the third world - sexual divisions in Brazilian industry. London: Tavistock, 1987.
  • 20. HUWS, U. Remote possibilities: some difficulties in the analysís and quantification of telework in the U. K. In: KORTE, W. B. (Ed.) Telework: present situation and future development of a new form of work organization. Amsterdam: EIsevier Science, 1988, p. 61-76.
  • 22. MONOD, E. Telecommuting - a new work, but still the same old story. In: OLERUP, A. et al. (ed.) Women, work and computerization. Amsterdam: Elsevier Science, 1985, p. 135-47.
  • 24.0LSON, M. H. Telework: practical experience and futures prospects.ln: KRAUT, R. E. (Ed.) Technology and the transformation of white-collar work. Hillsdale: Lawrence Erlbaum, 1987, p. 135-52.
  • 30.HEDBERG, B., MEHLMANN, M. Computer power to people: computer resource centers or home terminais? Two scenarios. Behaviour and Information Technology, v. 3, n. 3, 1984, p. 235-48.
  • 31. RENFRO, W. L. Second thoughts on moving the office home. In: FORESTER, T. (Ed.) The information technology revolution. Cambridge: Mass. The MIT Press, 1985, p. 209-15.
  • 57. L1EBLlNG, B. A. ls it time to (de)centralize? Management Review, v. 70, n. 9, 1981, p. 1420
  • 62.DAVIS, K. Human relations at work - the dynamics of organization behaviour. New York: McGraw-Hill, 1967.
  • 63. KARASEK, R., THEORELL, T. Healthy work: stress, productivity and the reconstruction of working life. New York: Basic Books, 1990.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    18 Jul 2012
  • Data do Fascículo
    Abr 1995

Histórico

  • Aceito
    Out 1994
  • Recebido
    Mar 1993
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